"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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terça-feira, 27 de agosto de 2013

DNIT, MATO GROSSO E CUIABÁ

José Antonio Lemos dos Santos

     Nem a merecida vitória do Luverdense sobre o campeão do mundial na semana passada em Lucas do Rio Verde, nem a liderança do Mixto na série “D” do campeonato nacional foram suficientes para conter minha indignação como mato-grossense e cuiabano contra o DNIT que agora, às vésperas da Copa, resolveu entrar em greve não pagando as obras da travessia urbana na capital de Mato Grosso compromissadas de data marcada com o mega evento planetário e tão importantes para a vida da cidade. Uma greve parcial é claro, pois o pagamento dos salários dos funcionários do órgão deve estar seguindo normalmente. Semana passada, junto com a alegria que nos deu o Luverdense – e não importa o que acontecer amanhã no jogo de volta no Pacaembu - veio a notícia de que a Trincheira da Jurumirim está paralisada há 3 meses por falta dos repasses do DNIT, irresponsabilidade federal que vem sendo coberta com recursos do estado, o qual não tem condições de prestar este socorro em todas as obras do complexo da travessia durante tanto tempo.
     Sucedâneo do antigo DNER, o DNIT é o órgão responsável pela precária e caótica logística de transportes no Brasil, muito pior em Mato Grosso. Na verdade o DNIT representa a continuidade histórica de décadas de pouco caso e menosprezo para com Mato Grosso por parte do governo federal na área de transportes. Basta lembrar a situação da Cuiabá-Santarém, não concluída até hoje depois de mais de 4 décadas de seu lançamento. Aliás, grande parte do que existe hoje foi feita pelo governo estadual que assumiu a obrigação federal e pavimentou por conta própria a BR-163 de Cuiabá a Sinop, e a BR-070 de Barra do Garças a Cáceres, passando pela capital. Foi na época do então governador Júlio, usando recursos conseguidos pelo seu antecessor Frederico, viabilizados pelo então senador Roberto, todos Campos, embora sem parentesco entre eles como diz a história. Lembro que o então presidente João Figueiredo chorou ao discursar em Sinop ao inaugurar o asfalto até Cuiabá. Emocionado ficou de ressarcir o estado pela grande obra e até hoje nada, a não ser a dívida e seus juros. 
     Seguindo a tradição, o DNIT é o órgão que conseguiu gastar 8 anos para concluir 13 Km de duplicação na Serra de São Vicente. Quanto tempo demorará o mesmo serviço entre Rondonópolis e Posto Gil? Será que a greve também paralisa estas obras? Quantos terão ainda que morrer em nossas rodovias? Ao mesmo tempo a ferrovia não sai de Rondonópolis rumo a Lucas a apenas 560 km, o povo morre, o produtor sofre, o meio ambiente degrada e o estado campeão nacional em produção agropecuária perde na competitividade de seus produtos que se desperdiça pelos caminhos. É o DNIT que nos humilha cada vez que um usuário de qualquer das BRs comenta que é só sair de Goiás ou Mato Grosso do Sul e entrar em Mato Grosso que as estradas acabam. Lá fora um tapete, aqui o descaso. Só nos resta engolir seco a sem-graceira. 
     Agora com a Copa, apareceu a oportunidade do Dnit realizar alguma coisa também importante por Mato Grosso, nem que seja pela obrigação moral da fazer bonito perante os olhos globais. A travessia urbana com as obras de interseção na antiga Perimetral e o novo Rodoanel são projetos de imenso impacto para Cuiabá. Justamente agora o DNIT entra em greve. Estranha-me também não se ouvir de nenhum dos nossos representantes políticos locais, estaduais e federais, ou outras lideranças qualquer protesto. Deixaram chegar a 3 meses este absurdo que significa mais que atraso nas obras, mas prejuízos para empresários, desconforto e sofrimento para a população. A pequena, pacata e simplória Cuiabá ganhou com a Copa um grande premio lotérico e tem direito a recebê-lo. Parece que ainda tem gente contra isso.

(Publicado em 27/08/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O ANTIGO MATO GROSSO REUNIDO

interativapantanal.com.br


José Antônio Lemos dos Santos

     Semana passada estive no Balneário das Águas Quentes aqui da Serra de São Vicente, um local paradisíaco onde costumava ir com meus pais quando criança e de vez em quando ainda vou, agora com minha família. Já há algum tempo não ia. Disseram que no início da semana o movimento era menor, e isso era bom, pois a idade vai me fazendo cada vez menos simpático às aglomerações. Uma vez instalados, observamos que os apartamentos e chalés do hotel estavam todos ocupados, mas que, apesar disso o número de pessoas era confortável, graças a um dimensionamento de ocupação adequado à sua capacidade de suporte e foi ótimo para o descanso, ao menos o mental. Já o físico ficou por conta das tentativas de acompanhar o neto se esbaldando naquela maravilha. O local continua lindo incrustado nas dobraduras da serra, enriquecido pelo espetáculo das borboletas, aves e macacos, sem constrangimento ante nossa presença de animais autoproclamados racionais.
      Do passeio trago ao leitor algumas observações e perguntas. Primeiro, uma grande tristeza com o babaçual da serra que parece estar sendo destruído por alguma praga. Seria impensável que aquela destruição já considerável dos babaçus seja intencional. O que estaria acontecendo? Tantas ONGs e órgãos dedicados ao meio ambiente, e nunca vi qualquer referência a esse mal em uma das paisagens mais belas do estado. Outra observação é quanto a excelência da qualidade da duplicação da pista no trecho da serra. Um serviço muito bem-feito, raramente visto no Brasil em obras públicas. Tão boa a pavimentação em concreto que o velho suplício da subida de São Vicente transformou-se em prazer em dirigir. Nada, porém, torna aceitável o longo tempo para a execução desses pouco mais de 8 Km, apesar do ótimo resultado, repito. Seria um desrespeito à engenharia brasileira. O desapontamento foi verificar que as obras da tão necessária duplicação parecem paradas ao final daquele trecho, quando deviam estar aceleradas, não só por sua urgência quanto por ser uma obra do PAC2, programa prioritário da presidenta Dilma, com recursos definidos, aparentemente sem qualquer razão para não seguir adiante célere.
     Mas o que mais me chamou a atenção foi ver em torno daquelas maravilhosas fontes naturais de águas quentes e geladas pessoas de todo Mato Grosso, e de muitos lugares de Mato Grosso do Sul e Rondônia reunidas, alegres, comungando fraternalmente o mesmo espaço, trazendo à lembrança que seus territórios hoje separados em unidades federativas distintas já foram um só, integrantes do antigo Mato Grosso, que ia do Apa ao Guaporé, o “Ocidente do imenso Brasil”, na letra de Dom Aquino. Como se o velho Mato Grosso do início do século passado estivesse se reencontrando no convívio amigo daquelas pessoas.
     O Hotel das Águas Quentes é do início da década de 1942 e até hoje funciona e encanta. Que fantástica visão de futuro dos administradores daquele tempo, a qual não me canso de elogiar em diversos empreendimentos do passado. Enxergavam, planejavam e faziam. E faziam bem. O complexo das Águas Quentes é um belo exemplo que antevia o futuro do turismo no mundo envolvendo uma arquitetura da maior qualidade perfeitamente integrada à natureza, encantadora, como se dela fizesse parte. A falha geológica que vai de São Vicente até Caldas Novas em Goiás deixa em Mato Grosso um enorme potencial termal com muitas fontes, tais como as de Juscimeira e Barra do Garças. As fontes termais são riquezas diferenciadas exclusiva de poucos lugares e Mato Grosso dispõe dessa imensa riqueza que um dia ainda será compartilhada de forma sustentável nacional e internacionalmente, gerando emprego, renda e qualidade de vida para nossa gente. Amém. 

(Publicado em 22/01/2013 pelo Diário de Cuiabá)