"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

DEFINIÇÕES PORENQUÂNTICAS IV

José Antonio Lemos dos Santos

Fui aprendendo por aí na vida, na escola, no trabalho e, enquanto não aprender diferente, sigo pensando assim. Vou listando aos poucos por ordem alfabética, conforme a lembrança. Pode ser que interesse a alguém, ao menos para provocar:


EMPRESTADAS:

TENDÊNCIA
não é
DESTINO.

Quanto mais
CANTO
minha
ALDEIA
mais UNIVERSAL
é meu
CANTO.


SONHO
que se sonha
é um  
SONHO 
que se sonha SÓ 
Mas
SONHO 
que se sonha JUNTO
é
REALIDADE.


 
Uma das maravilhas
do
CALOR CUIABANO
é o
AR CONDICIONADO.

Depois do
UÁTEZAPE
até sala de espera
ficou
AGRADÁVEL.


INVERTIDAS:

Deixe para AMANHÃ
O que não podes
fazer
HOJE.

DIVERTIDAS:

De tando TROTAR no Parque
podes não alcançar a SAÚDE que desejas
mas um dia
RELINCHARÁS
direitinho.

Nada é mais
UNIVERSAL
Que a bolacha
De ÁGUA E SAL.

Nada mais
SECO e INSOSSO 
Que a bolacha
De ÁGUA E SAL.


Só numa perspectiva correta de
CONSTRUÇÃO DO FUTURO
É que
Podemos corrigir os
ERROS DO PASSADO.



ARQUITETURA
é a arte - ou seu produto - de transformar o ESPAÇO
de acordo com a as necessidades de ABRIGO do homem,
seguindo a Tríade Vitruviana:
FIRMITAS, 
UTILITAS 
et
VENUSTAS.

Nem toda construção é ARQUITETURA,
assim como
nem toda escrita é LITERATURA,
nem toda
cura é MEDICINA,
nem toda
justiça é DIREITO.

Projetando o futuro,
ARQUITETO tem sempre que ser
o profissional do
OTIMISMO
e da
ESPERANÇA.

BELO
é tudo aquilo
que funciona bem,
por completo.

O
BOM uso
afasta
o
MAU uso.

E vice-versa.

Corolário:
O espaço marginalizado
atrai
a marginalidade.

E vice-versa:

A marginalidade
marginaliza
o espaço.

O COMPLEXO DE VIRA-LATAS
tão bem identificado no brasileiro por Nélson Rodrigues
é amplificado em nós cuiabanos
pelo nosso renitente
COMPLEXO DE PEQUI-ROÍDO.

DEUS 
escreve certo
por linhas certas,
NÓS 
é que somos tortos
pela vida.

ESTILO
é um artifício criado para  o estudo do passado,
e não para ser
reproduzido no presente.

O
ESTILO de hoje
certamente já está sendo praticado,
mas ainda não foi
identificado

PRESENTE
é o futuro
que acabou de passar
e virou
passado.

SUSTENTABILIDADE
é pensar no nosso bem,
pensando também
no bem
de quem vem
depois.
Amém!

O TEMPO 
é o único recurso
realmente
não-renovável.

VOCÊ está ficando velho
quando já não tem mais certeza
se sobreviverá
ao seu próximo
par de sapatos.

VOCÊ está ficando velho
quando pensa a JOGADA,
toca a BOLA,
e não consegue
mais
correr atrás
DELA.

VIDA
A VIDA
é tudo
e nada.
É brilho de luz de vela
que o sopro
da brisa



apaga.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A FALA DO ARQUITETO

OlharDireto   11/11/2015 - 09:35

Arquiteto defende projetos para pessoas de baixa renda e afirma que arquitetura traz sentimentos à casa

Da Redação - Isabela Mercuri

Foto:  Reprodução do site OlharDireto

Fazer projetos arquitetônicos para famílias de baixa renda pode se tornar realidade para muitos arquitetos do Brasil. Com a tentativa do Conselho de Arquitetura de regulamentar a lei que prevê assistência técnica gratuita para pessoas de baixa renda, elas, que não teriam acesso a isso anteriormente, passariam a ter mais conforto. Quem defende a ideia é o arquiteto Luiz Claudio Bassam, formado pela Universidade de Londrina (UEL) e atualmente professor da Universidade de Cuiabá (UNIC). 
Para ele, a arquitetura e o urbanismo são instrumentos de mudança social. De acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), mais de 80% da população faz obras sem um projeto técnico nesta área. A falta de recursos é principal motivo apontado. Bassam ainda afirma que a diferença que um projeto faz numa casa vai além da praticidade e da organização, ele traz sentimentos e sensações à casa das pessoas.

Junto a essa iniciativa do Conselho, no entanto, está outra em pauta, que pede a revisão da Lei das Licitações pelo Congresso. Nesta revisão, seria retirada a exigência do projeto para a licitação pública, sendo necessário apenas o anteprojeto. “É um retrocesso muito grande pra um país que quer ser desenvolvido. Boa parte dos brasileiros não é profissional, e isso reflete lá em cima (no congresso). Fazemos tudo de hoje pra amanhã”, afirma Bassam. Ele explica que o projeto é um planejamento minucioso que facilita o trabalho quando a obra é levantada: “Na Europa, em países desenvolvidos, um projeto de arquitetura dura dois, três anos, ele não dura uma semana. Só que a obra ela se faz em seis meses, e ninguém pensa em mais nada, porque já está tudo planejado. Não têm aditivos, está resolvido. Isso é profissional”. 

E é por esta importância que o arquiteto dá aos projetos que ele concorda com a ideia de planejar para pessoas que ganham até três salários mínimos, “É um novo tipo de cliente. Tem que acabar com isso do arquiteto ficar sentado no escritório esperando o cliente aparecer. Agora ele pode ir na comunidade, ver as necessidades das pessoas, pega o financiamento, o recurso do governo e vamos trabalhar. Eu vou projetar, as pessoas que não teriam acesso a isso terão conforto, e eu vou receber por isso”, afirma. Com uma obra mais pensada, seria possível até mesmo conseguir economia posteriormente: “O principal exemplo é a economia energética. Se você fizer uma casa pra Cuiabá, com sombra, evitando que o sol entre no ambiente, você vai ter uma redução da carga térmica. Se precisar usar o ar condicionado, será numa potencia menor. Então gera uma economia violenta. Ventilação pode fazer até com que não precise de ar condicionado”. 

E essa ideia de projetar de acordo com o local, Bassam também tenta passar para seus alunos: “Eles precisam de referências arquitetônicas. Não é que eles vão copiar, eles vão perceber, por exemplo, que lá no Chile se constrói assim, por causa do clima, do relevo, no Marrocos se constrói assim. E aqui, em Cuiabá, como eu construo? Fazemos construções como nos grandes centros, tem a ver com o cuiabano? Em Marrocos, as casas são feiras para o deserto, árido, na Amazônia a arquitetura é leve, a casa é ventilada”, explica. 

“E eu acredito que o projeto de arquitetura é a síntese de tudo. O urbanismo trabalha cidade, então o arquiteto não pode pensar no um edifício isolado dentro de um terreno, o local onde ele está, conhecer o local, o entorno de onde aquele terreno está localizado é fundamental. Não se pensa dentro de quatro muros”, finaliza. 

Ler o original em
 http://www.olhardireto.com.br/conceito/noticias/exibir.asp?noticia=Arquiteto_defende_projetos_para_pessoas_de_baixa_renda_e_afirma_que_arquitetura_traz_sentimentos_a_casa&id=9638

sábado, 7 de novembro de 2015

QUEM PÔS FOGO NA ARENA?

copadomundo.uol.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Acompanho pelo noticiário a CPI da Copa na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Desde quando aventada ainda como uma possibilidade distante e incrível sempre fui entusiasta da Copa do Mundo em Cuiabá por vários motivos, dentre eles a oportunidade de investimentos públicos e privados concentrados no tempo em montante que de outra forma jamais se veria pelas próximas décadas ou gerações, a oportunidade de divulgação da cidade e do Estado em uma vitrine global de massa e pela chance de elevação da autoestima do cuiabano, sempre pacato e descrente de sua força e de seus valores. Passada a Copa sigo entusiasmado, as oportunidades apareceram, muitas foram aproveitadas, embora nem todas e nem da melhor maneira, deixando um legado positivo e ao menos um grande desafio a ser viabilizado: o VLT. O evento em si foi um êxito grandioso, como mostram os arquivos dos sites noticiosos locais, nacionais e estrangeiros, contrariando os que torceram, jogaram contra e até apostaram em Cuiabá como a vergonha da Copa. 
     Não sou de ficar olhando para o passado, principalmente em busca de coisas negativas. O arquiteto trabalha sempre com a construção do futuro e o passado só lhe interessa como ingrediente indispensável nessa construção. Buscamos no dinamismo do presente as potencialidades do futuro, imaginando transformá-las em qualidade de vida. Debruçados sobre o passado ficamos de costas para o futuro. Os problemas do passado precisam ser consertados sim, mas para isso tem bastante gente especializada e bem paga, inclusive para denunciar e punir quem mereça ser punido. Daí a importância de ferramentas como as CPIs.
     A Copa, porém, me deixou uma pulga atrás da orelha: quem pôs fogo na Arena Pantanal no dia 25 de outubro de 2013? Não fosse a destreza do nosso valoroso Corpo de Bombeiros a Copa do Pantanal não se realizaria. Se aquele incêndio fosse um pouco mais prolongado comprometeria a estrutura de seu principal palco, já quase pronto e na qual o povo mato-grossense estava investindo mais de R$ 600,0 milhões. Não haveria tempo para reparos. O inquérito policial concluiu que o incêndio foi criminoso. Mas ficou por isso. Esquecido. Quem foi?
     Era esperado que Cuiabá por ser a menor e a menos preparada das sedes fosse enfrentar muitas dificuldades, a começar pela grandeza da empreitada em obras, envolvendo complexidades técnicas, burocráticas e até da oposição política local que não aceita “azeitona na empada dos adversários”. Mas jamais se poderia imaginar que fossem tantas, muitas ancoradas em grandes órgãos nacionais de notícias e defendidas por alguns comentaristas esportivos de prestígio. É certo que a escolha de Cuiabá entre as 12 sedes da Copa do Mundo contrariou poderosos interesses que por algum tempo ainda acreditaram e trabalharam na possibilidade de sua reversão. Até que ponto esses interesses poderiam ir? O fogo tem algo a ver com o ardil montado em nível nacional com a grosseira comparação entre preços de cadeiras diferentes anunciada com estardalhaço a 2 meses do último prazo para a entrega da Arena à FIFA? Também seria para inviabilizar a Copa do Pantanal? 
     O desenvolvimento extraordinário de Mato Grosso nas últimas décadas vem lhe permitindo avançar em projetos e reivindicações inimagináveis há pouco tempo, comparecendo como novo e incômodo protagonista no jogo de forças do tradicional equilíbrio federativo. A Copa do Pantanal pode ter sido uma dessas vitórias diante de outros estados mais tradicionais. Outras legítimas disputas e novas vitórias virão com certeza para Mato Grosso, agora em novos níveis enfrentando interesses sempre mais poderosos. O esclarecimento do incêndio na Arena Pantanal pode ajudar o Estado nesses seus novos tempos. 
(Publicado em 06/11/2015 pelo Midianews, Página do Enock, CAU-MT e no dia o7/11/2015 pelo Diário de Cuiabá ...)


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A NOIVA DO SOL

Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     No Hino de Mato Grosso quando Dom Aquino fala em “terra noiva do sol” por certo se refere a Cuiabá, em especial às suas condições de convivência prazerosa com elevadas temperaturas. Hoje quando os automóveis e a demência humana esparramam asfalto e concreto ao léu, ninguém escapa aos efeitos do calor intenso em que vive a cidade. Todos sofrem, reclamam dele, transforma-se até em assunto obrigatório para quando não se tem por onde iniciar uma conversa. Assim, pouca gente se lembra ou percebe que nossa cidade é a Cidade Verde – ainda – pois a natureza, sempre sábia, ao nos abraçar com seu calor intenso, ofereceu em troca um sítio urbano densamente drenado com córregos e inclusive dois rios, bem como uma invejável cobertura vegetal. 
     Essa contrapartida jamais pode ser esquecida ou confundida com “mato”, “lixo” para ser imolada à sanha de algum tipo pervertido de progresso. Ao contrário, é essa “mixagem”, essa mistura de calor com muito verde e muita água que produz aquela condição climática gostosa tão lindamente definida por Carmindo de Campos como um “calor sadio que às vezes é melhor, bem melhor que o frio”. Daí também a imagem genial da “noiva do sol”, cujo vestuário natural lhe cobre de verde, ornado com fios de água corrente, brilhantes e cristalinos, traje mais que apropriado, indispensável à uma convivência ensolarada saudável. 
     Nas últimas seis décadas nossa cidade revitalizou-se, voltou a crescer de forma intensa, envolvendo as duas margens do rio que lhe deu origem, com um dinamismo extraordinário. Esse processo nada mais é que a realização da vocação de uma cidade fincada no coração de um continente, encontro de caminhos, divisor das águas amazônicas e platinas e hoje, às vésperas de seu Tricentenário, centro de uma das regiões mais produtivas do planeta. Não foi à toa que nossa gente ficou por aqui por séculos mesmo quando todas as condições lhe eram desfavoráveis. A cidade vai continuar dinâmica, e é bom que seja assim. Mas o que desafia e exige a intervenção do interesse público é a qualidade desse dinamismo. O progresso da cidade tem que se dar a favor de seus cidadãos e do planeta, e não contra. É possível isso? É. Para tanto existem as técnicas do planejamento urbano e suas leis urbanísticas; para isso a Constituição instituiu o Plano Diretor Urbano e os Poderes Públicos têm seu poder de polícia. Entretanto para que essas coisas funcionem é preciso uma indubitável decisão política no sentido do controle da cidade, em clima de colaboração civilizada e de mútua confiança democrática, envolvendo não apenas as autoridades executivas e legislativas, mas a comunidade como um todo. 
     Podíamos ter feito e podemos fazer muito mais por nossos rios, córregos, parques, áreas verdes e ZIAs, afinal, muito antes da grande onda das preocupações verdes envolverem o mundo, nossos antepassados já haviam escolhido para nossa cidade o título de “Cidade Verde” como o único modelo viável a ser seguido para a qualificação ambiental de nossa Cuiabá, a Ikuiapá dos bororos, onde pescavam com flecha-arpão.


Foto José Lemos

     Reescrevo este artigo publicado em 1991 no saudoso Jornal do Dia, a quase um quarto de século. O calor aumenta e não é mais assunto apenas para puxar conversa. É pauta de todas as conversas, do barzinho à porta da igreja. Talvez enfim o paradigma da “Cidade Verde” seja compreendido em toda sua sabedoria e abraçado com determinação por um povo que superou muitas provações. A natureza deu para nossa cidade um clima especial e as condições naturais de adequação a ele. Cabe a nós decidirmos o que fazer delas, por ação ou omissão. Infelizmente, não seremos nós a pagar pela eventual escolha errada ou tardia. Serão nossos filhos. Idos 25 anos, nossos netos, toda nossa descendência. 
(Publicado em 27/10/15 pela Página do Enock, em 28/10/15 pela FolhaMax e HíperNotícias, e em 29/10/15 pelo Diário de Cuiabá ...)



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ARENA ESPETACULAR

     Recebi esta foto da Arena Pantanal feita pela arquiteta Cássia Abdallah, para mim uma das melhores fotos da praça esportiva multiuso, mostrando sua integração com a cidade física e com as pessoas da cidade.

Foto Cássia Abdallah Out/15

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

VIVAS!

Foto José Lemos 10/10/15

José Antonio Lemos dos Santos

     Como um milagre, de repente só boas notícias. Impressão minha ou os tempos estão dando sinais de mudanças positivas, para frente, ao menos em Mato Grosso? Claro que ajudou muito esta visão mais otimista do mundo a estada de meus quatro netos em minha casa neste fim de semana prolongado dedicado às crianças e à Nossa Senhora Aparecida. É importante o passado e as investigações oficiais sobre seus acertos e erros, mas sem prejuízo da construção positiva do futuro. 
     Pois bem, a sexta feira, dia 9, amanhece com a notícia do governo do estado ter assinado ordem de serviço para retomada das obras do Aeroporto Marechal Rondon, paradas há no mínimo 10 meses. Nestes tempos globalizados o privilégio de um aeroporto de porte internacional é uma vantagem comparativa excepcional que não pode ser desprezada, mas trabalhada como poderosa ferramenta de desenvolvimento local e regional dado seu poder atrativo de investimentos como diferencial gerencial e logístico. Ainda mais, Mato Grosso, hoje uma das regiões mais dinâmicas e produtivas do planeta, com interesses pelo mundo todo. Trata-se de sua principal porta de entrada que deve estar sempre bonita, confortável, segura, moderna e compatível com as projeções de desenvolvimento regional. No caso do Marechal Rondon, trata-se ainda de um hub aeroviário continental em potencial por sua localização estratégica única no centro do continente sul-americano. Aliás, jamais será demais lembrar a fantástica visão de futuro dos que na década de 40 tiveram a coragem de destinar na Cuiabá de então mais de 700 hectares à ainda incipiente aviação comercial. Era muita confiança no desenvolvimento do estado e da aviação. Tinham a visão correta do futuro. Hoje entre os 14 mais movimentados do país. Este ano passou os de Manaus e Goiânia. Profetas. Quantos deles teríamos hoje? Para chamar de “elefante branco” sim, aliás, muitos.
     Outra ótima do fim de semana foi a proposta do governador Pedro Taques de criar um espaço cultural multiuso para a população na área do 44º BIM. Sensacional! Lembra Dante de Oliveira e a parceria similar com o Exército, que resultou no fantástico Parque Mãe Bonifácia. O 44º sempre me lembra o presidente Dutra, seu construtor ainda quando ministro. Cuiabaninho vendedor de bolos feitos por sua mãe no centro de Cuiabá, pobre, saiu daqui sem qualquer ajuda, negada reiteradas vezes, em busca dos estudos em um colégio militar a que tinha direito como órfão de veterano da Guerra do Paraguai. E foi lavando pratos nas lanchas e trens que alcançou seu destino como presidente da República eleito e conquistou seu lugar na História. Cuiabá, Mato Grosso e o Brasil têm uma imensa dívida com Dutra, um grande presidente que entre outras coisas convocou a Constituinte que produziu a Constituição mais democrática que o Brasil já teve, e ficou conhecido como “o homem do livrinho” por obedecê-la e pelo exemplar que levava sempre em seu bolso. Tudo a ver com nosso governador, também defensor incondicional da Constituição. A bela proposta do governo estadual comportaria um Memorial Dutra, nele incluso um Colégio Militar para ajudar nossas crianças a sonhar serem novos Dutra, novos Rondon? É bom lembrar que em 1957 a prefeitura doou a área hoje ocupada pelo Círculo Militar para ser o Colégio Militar de Cuiabá. Até hoje... 
     Ainda apareceu ouro em Pontes e Lacerda, mas é bom esperar mais notícias. Prefiro lembrar a alegria de rever a Arena Pantanal com sua espetacular fachada cênica iluminada como espero que permaneça sempre como um elemento a mais de atração turística em Mato Grosso. Levava uns amigos de Mato Grosso do Sul para conhecer a Arena e para minha surpresa estava iluminada. Também surpresos, ficaram maravilhados! 
(Publicado em 14/10/15 pela Pàgina do Enock, em 15/10/15 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, ...)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

FICO E VLT

Colisão de VLT e BRT em charge do Professor José Maria Andrade, especial para o meu livro "Cuiabá e a Copa- A preparação."


José Antonio Lemos dos Santos

     Cerca de um mês atrás, o prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta, atacou em entrevista o projeto do VLT em Cuiabá, dizendo entre outras coisas tratar-se de um “crime” e “um dinheiro que foi tirado das necessidades prioritárias do Estado, para fazer esse sonho louco, que eu não sei de quem foi”. Pena que o sr. Pivetta não tenha usado do seu indiscutível prestígio empresarial e político quando do momento da intempestiva troca do BRT pelo VLT, para tentar impedi-la. Também considerei absurda a troca em artigo intitulado “Sou BRT”, mas, em março de 2011, época da discussão. Hoje, depois gastos mais de R$ 1,0 bilhão, já acho que um absurdo seria o abandono de suas obras.
     Contudo, ao trazer à baila o VLT, o sr. Pivetta nos faz lembrar a tão prometida ferrovia de Integração do Centro Oeste – a Fico, da qual, por coincidência, é um dos principais idealizadores, de 1.200 km, surgida também de uma hora para outra em troca da paralização do projeto da Ferronorte em Rondonópolis, a 460 km de Nova Mutum. Assim, lado a lado, a Fico e o VLT lembram o caso do sujo e do mal lavado.    
     Não sou contra o VLT nem contra a Fico. Sou contra a oportunidade de ambos. O VLT é um modal usado no mundo inteiro e que muito bem pode ser utilizado em qualquer cidade do mundo, em sistemas de modais integrados conforme recomenda a moderna técnica da mobilidade urbana. Mas, considerando que a demanda na época da troca era atender a Copa em um prazo exíguo de 3 anos, era claro que não dava para ser executado. Deveria então ser mantida a opção pelo BRT, já com projeto e financiamento aprovados, de execução mais rápida e a um custo 3 vezes inferior ao do VLT, este sem projeto e ainda em um processo de discussão de financiamento que enfim se desenrolou de forma tumultuada, com denúncia de troca de pareceres técnicos no Ministério das Cidades e, inclusive, com queda de ministro. Um escândalo.    
     Também não sou contra a Fico. Mato Grosso é um gigante produtivo centro-continental e sua redenção é a abertura de caminhos, em todos os modais e direções. Quanto mais, melhor.
Assim, penso que em breve chegará o momento para a Fico. Mas nosso problema hoje é atender a questão da logística de transportes que vem travando nossa potencialidade produtiva, com imensos prejuízos aos nossos bravos produtores, prejudicando o meio ambiente e matando muita gente querida nas estradas. Aliás, este artigo foi provocado pelos dados divulgados pelo Ipea, na semana passada, dando conta que em 2014 ocorreram 4.460 acidentes nas rodovias federais em Mato Grosso, com 283 mortes, mais que a tragédia da boate Kiss que nos faz chorar até hoje a morte de 242 jovens. Nossas estradas tornaram-se trágicas graças, em grande parte, ao dinamismo mato-grossense ter extrapolado em muito a capacidade do modal rodoviário, exigindo ferrovias e hidrovias complementares. Em 2014, esses acidentes em nossas estradas custaram R$ 486,7 milhões, e na produção 18 milhões de toneladas de grãos ficam ao relento aguardando transporte e, quando transportados, cerca de 2 milhões de toneladas de soja e milho por ano são perdidos, “vazando” pelas rodovias. Triste. Puro desrespeito a um povo trabalhador.    
     Nesse quadro emergencial e dramático é incompreensível a paralização do projeto da Ferronorte em Rondonópolis com o maior terminal ferroviário da América Latina em total funcionamento a apenas 460 km de Nova Mutum, em plena área de produção de grãos, a 230 km de Cuiabá, maior polo consumidor, distribuidor e concentrador de mão de obra do estado. 
Projeto paralisado em troca da Fico com 1.200 km em direção à ferrovia Norte-Sul, inacabada em Goiás. Enquanto isso a natureza sofre, a economia perde e o povo morre nas estradas.   

(Publicado em 06/10/2015 pelo Midianews, Jornal Oeste, ....)

Comentários:
No Midianews:
Jorge Luiz  06.10.15 08h56
É bom que os eleitores de MT, principalmente do Vale Cuibá, tenham consciência política e saibam escolher representantes para o Estado, não apoiando políticos bairristas como o Sr. Otaviano Piveta. MT se entende como 141 municípios, não apenas Lucas do Rio Verde.

Lopes  06.10.15 08h26
O que o sr. Piveta queria a época daquele comentário fora de tempo, era isso: REFLETORES

sábado, 3 de outubro de 2015

E A NOSSA FERROVIA?

constran.com.br

Jandira Maria Pedrollo, arquiteta e urbanista.

     Por décadas a fio o povo mato-grossense esperou a conclusão da tão sonhada ferrovia Senador Vicente Vuolo. Agora, quando essa se aproxima do Centro Geodésico da América Latina, na capital do Estado, novos fatos se apresentam com a priorização de outras possibilidades até então não cogitadas, deixando a população da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá apreensiva. 

     “O trem chegará a Cuiabá?” 

     Novos rumos foram traçados sem que a população mato-grossense tivesse a oportunidade de se manifestar. 
     Conforme noticiado no site do Ministério do Planejamento em junho de 2015, referente às obras do PAC, para a ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Miritituba (PA) serão destinados R$ 9,9 bilhões; consta também a projeção de R$ 40 bilhões para o trecho brasileiro da Ferrovia Bioceânica (também chamada transoceânica ou transcontinental), que interligará o Centro-Oeste e o Norte do país ao Peru. Trata a nova ferrovia como sendo um investimento estratégico para o escoamento de produção agrícola via Oceano Pacífico até os mercados asiáticos. 
     Apesar de no site anunciar a ligação do Centro-Oeste do país e Norte ao Peru, o que tem sido noticiado na imprensa é que a ferrovia atravessará o continente, ligará o oceano Atlântico ao Pacífico. Trata também da ligação de Lucas do Rio Verde ao Pará como fato isolado, e não como uma complementação da malha ferroviária federal. 
     É de estranhar, há um ano a ferrovia planejada para Mato Grosso era a Senador Vicente Vuolo. Tanto que a matéria veiculada em 4 de maio de 2014, no site Portos S.A., Revista de Logística e Comércio Exterior, com o título: “Sai o traçado da ferrovia entre Rondonópolis e Cuiabá” noticiava a conclusão do estudo de viabilidade dessa Ferrovia e estimativa em R$ 1,4 bilhão o custo do trecho. E ainda que técnicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) haviam entregado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o modelo do traçado ideal para a ligação ferroviária entre Rondonópolis e Cuiabá. 
     Porém, pelas notícias atuais, a prioridade do momento deixou de ser a continuidade da Ferrovia Senador Vicente Vuolo até Cuiabá e sua continuidade até o Norte do Estado e em sequência a região Norte do País. Ferrovia que serviria ao abastecimento da região mais populosa de Mato Grosso, ao transporte de insumos, combustíveis e ao mesmo tempo o escoamento da safra e dos produtos aqui industrializados. A facilidade no transporte favoreceria a industrialização de Mato Grosso e o beneficiamento da matéria prima aqui produzida. Um ano após a entrega dos estudos, pelo qual o governo mato-grossense aguardava ansioso, surge nova prioridade, fora do até então planejado. Pensando apenas em “escoamento da safra”, exportação de minérios e não mais na produção ou recepção de produtos industrializados para o abastecimento do consumo interno ou mesmo combustíveis e insumos para a produção agrícola. 
     Vemos que o Brasil, na contramão da economia, está se desindustrializando. Estamos enviando matéria-prima bruta para o exterior e produzindo empregos na China. Grande número de indústrias brasileiras se transferiu para lá enquanto dispomos de mão de obra ociosa. 
     No sentido inverso importamos diversos produtos chineses até então desnecessários ou mesmo inconvenientes, como sacos plásticos para lixo produzidos com resíduos sólidos reciclados. Em resumo, o lixo chinês já está sendo depositado no Brasil, na forma de produto industrializado. 
     Entendemos a ligação ferroviária Leste – Oeste como benéfica ao país, a Mato Grosso, ao governo chinês e aos empreendedores do norte mato-grossense, porém devemos ter o cuidado com as condições impostas pelo governo chinês para a implantação do empreendimento. Assim como não podemos descartar a continuidade de um planejamento viário iniciado há décadas e onde já foram investidos muitos recursos, que é a continuidade da implantação da Ferrovia Senador Vicente Vuolo. Tais ferrovias somente farão sentido se interligadas entre si e a outros modais de transporte. 
     Referente à posição da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, estando localizada no “Centro Geodésico da América do Sul” não pode ficar desconexa das principais vias de transporte nacional, tanto ferroviárias, rodoviárias, aeroviárias e mesmo hidroviárias sob o risco de ser excluída do processo produtivo mato-grossense. 

(Publicado em 01/10/15 pelo RDNews e em 03/10/15 pelo Diário de Cuiabá)


terça-feira, 29 de setembro de 2015

CIDADES E FRONTEIRA

www.fab.mil.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Stanley Kubrick em “2001, uma odisseia no espaço” nos mostra numa das mais belas cenas do cinema o alvorecer da humanidade com o homem criando seu primeiro invento, que teria sido uma arma adaptada do osso de uma anta. Desde então o homem não parou de aperfeiçoá-las. Da borduna do osso da anta chegamos aos mísseis nucleares e outras invenções fantásticas destinadas a dobrar o adversário com a violência e a morte. O século XXI, porém, nos reservou a mais poderosa e cruel de todas elas, inimaginável à mais delirante ficção científica. Age sem explodir e sem destruir bens materiais, mas acaba com a vida humana de forma atroz, não sem antes espalhar seus malefícios ao maior número possível de vítimas e ceifando com elas as bases éticas, morais e institucionais de qualquer sociedade. O país fica oco de valores, dignidade e cidadania, pronto para ser dominado.
     A droga é esta mais poderosa arma de destruição e é a maior ameaça a um povo ou país. Ela penetra as estruturas sociais e atua de dentro para fora como um forno micro-ondas. E o Brasil vem sendo sistematicamente bombardeado por essa poderosa arma. Há alguns anos o Fantástico mostrou que o território de Mato Grosso é a principal plataforma de disseminação pelo país dessa arma letal que sangra o Brasil, fato que se confirma com frequência pela imprensa. O tráfico internacional se utiliza da fronteira mato-grossense para o arremesso em propriedades rurais de fardos com drogas, lançados por pequenas aeronaves em voos que escapam aos radares que fazem a segurança do espaço aéreo nacional. Vez por outra temos notícias de apreensões deste tipo. E quantas remessas não são detectadas? Há décadas discute-se o assunto em Mato Grosso, inclusive abordando a ideia da criação de uma Base Aérea em Cáceres utilizando a pista de pouso asfaltada ali existente e ociosa, e na semana passada em Goiânia o governador Pedro Taques cobrou da União medidas efetivas para assegurar a necessária segurança na nossa fronteira. E tem que cobrar mesmo, afinal nossas cidades estão diretamente expostas a este violento bombardeio.
        Jamais será suficientemente enaltecido o trabalho realizado com todas as dificuldades e riscos pelas polícias militar e civil do estado, polícia federal, polícias rodoviárias federal e estadual, e pelo Exército, em ações terrestres. Mas, na questão do controle de nossa fronteira é indispensável considerar a importância do espaço aéreo. Por mais zelosas que sejam as ações em terra, dificilmente alcançarão êxito sem um apoio ostensivo aéreo, com aviões de verdade, portadores do intimidador e vitorioso emblema da gloriosa Força Aérea Brasileira. Mato Grosso é um dos únicos estados brasileiros a não ter uma Base Aérea, apesar de uma complicada fronteira de 1100 quilômetros. Mato Grosso do Sul tem e Rondônia também tem. Fica uma brecha de vulnerabilidade na segurança aérea nacional, justamente na fronteira de Mato Grosso, por onde o país vem sendo bombardeado. Por que Mato Grosso não tem uma Base Aérea até hoje?
     Cáceres tem posição estratégica para uma Base Aérea, a montante do Pantanal, equidistante das bases do Mato Grosso do Sul e de Rondônia, e com uma pista ociosa capaz de receber Boeings. Ao leigo parece bastar alguns helicópteros, alguns Tucanos ou outra aeronave leve baseados na área para se mostrarem presentes e em constante vigilância, rápidas o suficiente para interceptar os teco-tecos que tanto mal vem fazendo ao país, em especial a Cáceres e à Grande Cuiabá. Não se pode pensar em qualidade de vida urbana para os cidadãos brasileiros, para Mato Grosso e para Cuiabá, às vésperas de seu Tricentenário, sem pensar na segurança que começa lá na fronteira.
(Publicado em 28/09/15 pelo Página do Enock, em 29/09/15 pelo Midianews e Jornal Oeste, ...)

sábado, 26 de setembro de 2015

POETA



O artista de bem com a vida consegue enxergar poesia onde nós normais só conseguimos ver fumaça, calor e poeira.
(Ademar Poppi é arquiteto e urbanista, e professor universitário. Poeta na fotografia.)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

FIM DOS SHOPPINGS?

Randall Park Mall, North Randall, Ohio, EUA - architecturalafterlife.com


Veja no link abaixo interessante matéria da BBC sobre o estágio de evolução dos shoppings centers nos EUA. Seria uma tendência geral ou só uma crise temporária?

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/12/141219_vert_cul_fim_shopping

Rolling Acres Mall, Akron, EUA  -                architecturalafterlife.com

quarta-feira, 24 de junho de 2015

PARA SEMPRE

esportes.terra

Artigo que republico hoje (24/02/2015), um ano após sua primeira publicação no Diário de Cuiabá por ocasião do encerramento da Copa do Pantanal em Cuiabá.

José Antonio Lemos dos Santos

     Está marcado para hoje, no começinho desta noite de São João, o último jogo da Copa do Pantanal entre Colômbia e Japão, assinalando o fim da participação direta de Cuiabá nesta Copa do Mundo de 2014, que até agora tem sido magnífica, surpreendendo de modo favorável a opinião pública nacional e mundial. Em especial, calando aquela parte da grande mídia que, por motivos que serão descobertos um dia, jamais aceitou Cuiabá como uma das sedes da Copa e que continua armada para destacar qualquer deslize, por mínimo que seja e mesmo que falso. Por isso, enquanto o jogo não acabar, não dá para cantar uma vitória completa de Cuiabá na Copa mesmo na certeza de que tudo correrá bem, como vem acontecendo pela graça e proteção do Bom Jesus de Cuiabá, que, como estou cada vez mais convencido, foi quem de fato trouxe a Copa para nós como pretexto para sacudir sua gente e iniciar a preparação digna de sua cidade para o Tricentenário, em 2019. 
     Mas Cuiabá e Mato Grosso já podem cantar muitas vitórias. E quero cantar a fundamental. Não vou me referir à fábrica de cimento, shoppings, torres hoteleiras ou às sempre tão focalizadas, esperadas e agouradas obras públicas que vão sendo incorporadas vorazmente pela cidade à medida em que são liberadas total ou parcialmente, confirmando suas urgências. Com rapidez, facilidade e conforto, outro dia fui do trevo da Rodoviária em Cuiabá até a rótula da Ponte Sérgio Mota em Várzea Grande, passando pelos viadutos do Despraiado e Orlando Chaves, e pelas trincheiras do Santa Isabel e Santa Rosa, esta ainda inconclusa. Sobre a maravilha da Arena Pantanal daria e dará muito para se falar. Como aquele luminoso espaço high-tech conseguiu traduzir tão bem o encantamento da tríade vitruviana, a ponto de transportar cerca de 40 mil pessoas confortavelmente a cada jogo para um mundo de alegria, vibração positiva, flashs, whatsapps, como se fosse de fato aquela nave intergaláctica mágica a que me referi em artigos anteriores? E o espaço do Fan Fest, no qual eu não fazia a menor fé, mas que numa noite recebeu mais pessoas que a própria arena? E a Arena Cultural dando um show diário de cultura local e regional? 
     Mas não é esse tipo de vitória que quero saudar como a fundamental. Essas coisas qualquer cidade pode ter, basta arranjar dinheiro. O que quero saudar é meu povo, minha gente em princípio tão simplória, desconfiada e arredia, mas que é capaz de dar show de alegria, calor humano e receptividade, condição primeira para a realização de um evento de tão grande porte como uma Copa do Mundo. Isso não se compra. O principal Cuiabá já tinha pronto naturalmente e não percebemos. E não podia ser melhor Cuiabá ter recebido primeiro as torcidas do Chile e da Austrália. Juntas com o cuiabano a empatia foi imediata. Jamais imaginei povos tão distantes no espaço e tão afins na simpatia, na alegria e na cordialidade. E depois vieram os russos e coreanos, bósnios e nigerianos e, logo os colombianos e japoneses, todos sem timidez no uso das cores, cantos, gritos pacíficos, mascotes e fantasias referentes aos seus países. Muitos trouxeram a família. 
     Às centenas ou milhares vieram também torcedores de outros países, e brasileiros de muitas cidades de Mato Grosso e do Brasil, todos integrados num grande momento de alegria espontânea e genuína. E o patinho feio na verdade era um belíssimo tuiuiú que serena bonito no alto e assenta mais lindo no chão. E a menor e menos preparada das sedes, com seus rios e o calor sadio, seu sotaque e modo de viver, do tereré e do guaraná, do Siriri e do Cururu, Cuiabá inteira virou uma grande festa internacional de paz e harmonia que ficará para sempre marcada no exato coração sul-americano e na memória do povo cuiabano. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

DUTRA, O PRESIDENTE ESQUECIDO

f5dahistoria.wordpress.com

José Antonio Lemos dos Santos

     Neste 18 de maio devíamos ter reverenciado Dutra na lembrança de seu nascimento, o cuiabaninho que vendia bolos no centro de Cuiabá e que chegou a presidente da República. Filho de viúva de veterano da Guerra do Paraguai, pobre, sem qualquer ajuda, negada reiteradas vezes pelas autoridades, saiu daqui lavando pratos nas lanchas e trens que o levaram a um colégio militar, e de lá à presidência da República e à História do país. Foi e venceu, mantendo forte influência na política brasileira até o fim da vida. Um orgulho cujo aniversário, entretanto, passou despercebido, em especial, em sua própria terra, da mesma forma como é todos os anos e como foi ano passado, ano da Copa do Pantanal que devia tê-lo como grande homenageado. Dutra foi quem trouxe para o Brasil a primeira Copa do Mundo, em 1950. Presidente, queria mostrar ao mundo um Brasil novo, que deixava de ser rural e se industrializava. Construiu o Maracanã, o maior investimento até então em um esporte ainda não popular no mundo e que, junto com a Copa trazida por ele foi uma das causas da consolidação do futebol como uma das maiores paixões de massa do país e do mundo. 
     Não fosse pela Copa de 50, mesmo assim o aniversário de Dutra deveria ser lembrado. Injustiçado pela história oficial, sua vida pública inicia como ministro da Guerra, onde ficou por 9 anos, o ministro brasileiro mais duradouro, onde criou a FEB e depois, com o apoio dos oficiais vitoriosos contra as ditaduras nazifascistas, forçou a queda do ditador Getúlio. E de ministro foi a presidente pelo voto do povo, tendo sido um dos mais importantes pelas inovações que trouxe ao Brasil. De imediato convocou a Constituinte redemocratizando o país. Eleito para um mandato de seis anos curvou-se à nova Constituição aceitando os cinco anos que ela estabelecia, mesmo sendo presidente e o militar mais poderoso do país. Aos que temiam a volta de Getúlio e lhe propunham um golpe para ficar mais um ano, respondeu: “nem um minuto a mais, nem um minuto a menos do que manda o livrinho”. Virou “o homem do livrinho”, da Constituição mais democrática que o Brasil já teve, assinada por ele, trazida sempre em seu bolso. 
     Dutra introduziu o planejamento no Brasil com o Plano SALTE e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida com a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o conceito de Produto Interno Bruto e pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra. Criou o Instituto Rio Branco, base da qualidade de nossa diplomacia, e a Chesf. É dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, fundamento da inteligência estratégica nacional. Criou ainda os sistemas Sesi, Sesc e Senai, e durante seu governo foi implantada a TV no Brasil. Pagou o pato pelo fechamento do Partido Comunista, na verdade uma decisão do STJ, e por isso, e também por ter fechado os cassinos, desagradou à esquerda formadora da intelectualidade da época, e foi jogado ao ostracismo. 
     Uma das promessas da Copa do Pantanal foi a criação do Memorial Dutra, uma justa e oportuna homenagem a um presidente em sua terra natal. O projeto foi depois abandonado, mas não pode ser abandonado pelos cuiabanos. Quem sabe através de suas criações SESC, SESI, ou SENAI, que tanto já tem dado a Cuiabá e Mato Grosso, ou quem sabe as 3 juntas? Talvez o seu nome em uma via como tem seu adversário derrotado nas eleições presidenciais? Não teria sobrado um viaduto, trincheira ou avenida para ele? Talvez trazer para Cuiabá o Colégio Militar prometido desde a década de 50? Toda cidade é um centro produtor, mas o principal produto de uma cidade é sua gente. Por isso, as cidades lembram e reverenciam seus vultos. Infelizmente, nem todas. 
(Publicado  em 19/05/2015 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, FolhaMax, ...)
Comentários:
No Midianews:
Tonzinho  19.05.15 15h14
parabens colega pela brilhante materia. Como dizia minha avò, Santo de Casa não faz milagre.

Robélio Orbe  19.05.15 12h10
O brasileiro por natureza é um povo sem memória... isso se deve porque nas escolas esses heróis não são lembrados. O povo gosta de Funk, carnaval, futebol e bundalele. Na Praça Alencastro temos um busto em memória ao Presidente Dutra.
João  19.05.15 11h08
Construi o estadio Presidente Dutra, o Liceu Cuiabano, etc, etc,
ROBERTO  19.05.15 10h24
REALMENTE O BRASILEIRO, MATOGROSSENSE, CUIABANO, NÃO REVERENCIA SEUS FILHOS ILUSTRES. RECONHEÇO, NÃO SABIA QUE O MARECHAL ERA NASCIDO, NESTA TERRA. PARABÉNS, PELO ARTIGO, NÓS REALMENTE NÃO TEMOS HISTÓRIA, PQ ESQUECEMOS DOS NOSSOS PRÓPRIOS COMPATRIOTAS... POIS É... QUE PAÍS É ESSE ..

Reinaldo Thommen  19.05.15 09h16
Bem lembrado, somos um povo sem memória, sem passado, reverenciamos ídolos estrangeiros, enquanto os nossos são abandonados, ouvi dizer que aqui em Cuiabá temos uma praça Popeye? é brincadeira! Tivemos heróis cuiabanos que foram mortos na segunda guerra mundial, e ninguém diz nada. Povo sem memória.

sábado, 2 de maio de 2015

O DIREITO À BELEZA

Veja foto da Arena Pantanal ontem à noite (01/05/2015) com sua fantástica iluminação cênica começando a ser restaurada. Trata-se de um dos muitos pioneirismos de nossa Arena em termos de Arquitetura no mundo, assim como a fachada bioclimática a qual está agregada (a maior da América Latina deste tipo). Que não seja pela importância como  Arquitetura, pois então que seja uso feliz e saudável que a população tem feito dela ou pelos mais de R$ 600 milhões que ela nos custou.

Foto José Lemos 01/05/15

Parabéns governador, parabéns ao secretário Chiletto por responderem prontamente ao grande e pouco divulgado abraço que o povo deu na Arena em resposta ao risco do governo não poder "bater nenhum prego" na Arena. A Arena Pantanal é um dos cartões postais de Cuiabá mais divulgados no mundo e um espaços mais queridos e visitados diariamente pelos cuiabanos e não pode conviver com o desleixo e o abandono a que estava relegada.

g1.globo.com
Domingo (03/05/15) às 15h inicia a decisão do Campeonato Mato-grossense de 2015 com Operário x Cuiabá. Estar presente na Arena Pantanal é também uma forma de abraçá-la além de expressar o tão necessário apoio que nossos clubes MERECEM e precisam. Vamos lá!

terça-feira, 21 de abril de 2015

TIRADENTES E NÓS

Óleo de Washington Rodrigues - Museu de História Natural, RJ

José Antonio Lemos dos Santos

     Abril, mês em que comemoramos a figura de Tiradentes é também o mês em que encerra o prazo para a declaração do Imposto de Renda e o recolhimento aos cofres públicos do saldo ainda devedor eventualmente apurado. É bem provável que esta coincidência de datas seja apenas mais uma daquelas finas ironias que a história vez em quando oferece desafiando o poder de reflexão das pessoas. Aproveitemos. 
     Tiradentes morreu porque conspirou contra o Quinto cobrado pela Coroa Portuguesa e que significava 20% do que ouro produzido! Por essa causa rebelou-se contra a Coroa, propôs a independência do Brasil, e foi traído, enforcado, com seu corpo esquartejado. Seus restos foram exibidos em diversos pontos bem visíveis pelo povo, e sua cabeça exposta na praça pública de Vila Rica. Em 2014, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), no ano da Copa, o brasileiro arcou com uma carga tributária de 41,37%. Trocando em miúdos isso significa que de tudo o que produzimos, entregamos, em média, mais de 41% para o governo, isto é, para os governos federal, estaduais e municipais somente para manter uma máquina político-administrativa perdulária, improdutiva e que se mostra cada vez mais voraz e cada vez mais corrupta. Traduzindo em dias trabalhados, o brasileiro teve que trabalhar 151 dias em 2014, até o dia 31 de maio, exclusivamente para alimentar a sanha dos governos, inclusos Executivo, Legislativo e Judiciário. Só ficou livre em junho para vibrar com a Copa e com a nossa heptagoleada seleção canarinho. Podemos esperar que neste 2015, vamos invadir o mês de junho “carregando pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais”, como já cantou um  dia o Chico Buarque dos bons tempos. 
     Não se trata de atacar este ou aquele governo. A voracidade fiscal vem de muito tempo. Em 1947, quando tínhamos o cuiabano Eurico Gaspar Dutra como Presidente, a mordida do governo ficava em 13,8% do PIB e em 1962 era 15,8%, tendo chegado aos “insuportáveis” 18,7% em 1957, quando da construção de Brasília. Em 1992 já girava em torno dos 26% e de lá para cá disparou, chegando em 1994 aos 29,8%, 35,84% em 2002 e para mais de 41% no ano passado. Quanto será este ano? Governar assim é fácil, principalmente quando não se tem a menor preocupação em oferecer a infraestrutura e os serviços públicos de qualidade em troca de tão generosa contribuição. Só que agora a situação é pior. Não bastasse a expropriação voraz do produto do trabalho brasileiro hoje ela vem com o deboche e o escárnio da parte de bandidos, delatores ou não, elevados à condição de “heróis da pátria” que somos obrigados, impotentes e envergonhados, a engolir cotidianamente em nossas salas diante de nossos filhos e netos. Até onde vamos? 
     Tiradentes virou herói nacional com a República. Mas sua imagem também foi sendo pouco a pouco adaptada aos interesses do poder. Virou o herói da Liberdade, da Independência e da Democracia, sem referência à sua principal luta, contra a opressão fiscal a que era submetido o povo brasileiro pelo governo da época. Transformaram-no em um herói aceitável, cooptado com suas barbas longas como as de um profeta e sua túnica angelicalmente alva como se fosse um daqueles doces e meigos santinhos de papel. 
Tiradentes Esquartejado - Pedro Américo, Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora, MG

     Tiradentes, patrono dos nossos valorosos policiais militares é um herói atualíssimo que precisa ser resgatado na essência de sua mais importante luta. Quem dera sua figura inspirasse um pouco de bravura aos seus conterrâneos, impelindo-os a exigir que a coisa pública seja um dia tratada, não como um butim apropriado por uma minoria, mas com o devido respeito republicano, em favor de todo o povo brasileiro.
(Publicado em 20/04/2015 pelo site HiperNotícias e em 220415 pelos sites Midianews, JornalOeste, Turma do Epa )

Comentários:
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Roberto Loureiro 210415  Uma ótima abordagem sobre um tema que a maioria dos brasileiros desconhece.Merece ser reverberada em toda mídia destepaiz.Parabéns
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José Afonso Botura Portocarrero

19:52 (Há 17 horas)
para mim
Parabens Jose Antonio, irreparavel e contundente o artigo de hoje sobre Tiradentes e nos!
Abracos,

JoseAfonso

No Blog
Maristella Carvalho21 de abril de 2015 11:49
Caro José Antônio, como sempre é um prazer mental ler um artigo seu e o de hoje, muito bom desde o principio, tem um final pleno de esperança: "Quem dera sua figura (de Tiradentes) inspirasse um pouco de bravura aos seus conterrâneos, impelindo-os a exigir que a coisa pública seja um dia tratada, não como um butim apropriado por uma minoria, mas com o devido respeito republicano, em favor de todo o povo brasileiro". Seus artigos nos ajudam a ligar os nossos "reatores" no rendimento máximo para alterar o que ainda é possível modificar. Usando as velhas palavras de ordem: "Unidos venceremos".
Grande abraço, Maristella

No Midianews:
Hélio Santos  22.04.15 14h13
Professor, desculpe-me, mas gostaria de lhe dizer algumas coisas. O senhor quer passar a ideia de que pagamos muitos impostos, mas não recebemos os serviços que por direito deveríamos receber. Está certo, em parte, porque recebemos sim serviços. Temos uma rede de saúde pública que, se não funciona corretamente, funciona e bem. O senhor já precisou alguma vez do SUS? Se não, deveria utilizar alguma vez para saber que o serviço funciona sim. Há problemas? É claro que há, mas não é com esse tipo de critica que resolveremos, mas com cobrança. Ah sim, demora-se muito para ser atendido. Mas há atendimento. Precisa melhorar, sobretudo com condições mais dignas para os cidadãos que precisam e aqueles que fazem funcionar, sim, precisa melhorar. Na educação, temos um sistema que também precisa melhorar, mas veja uma coisa: se não tivesse esse sistema público de educação, quantos cidadãos como eu teriam condições de estudar o fundamental, o médio, a graduação, o mestrado e ou doutorado? Fiz tudo isso sem pagar diretamente um centavo sequer. Graças a que? Aos impostos pagos. Assim com na saúde pública, na educação pública também há problemas, é claro que há. Mas devemos trabalhar para melhorar e não tratar como se não fosse oferecido nada com nossos impostos. (Continua)

Hélio Santos  22.04.15 14h14
(Continuação) Já que o senhor terminou o texto dizendo que Tiradentes precisa ser resgatado na sua essência, creio que seria bom o senhor mesmo começar esse resgate. Infelizmente, se o senhor procurar corretamente informações sobre o nosso herói, verá que estás um pouco desatualizado sobre o mesmo. Tiradentes não lutou pela independência do Brasil, seu projeto era muito mais restrito. Mas, acho melhor o senhor mesmo procurar informações mais atualizadas. Sugiro que comece com um pequeno texto de José Murilo de Carvalho, intitulado “Tiradentes: um herói para a República”. Depois passe para um texto mais longo, um livro como O manto de Penélope, de João Pinto Furtado. Leia-os e depois confronte sua visão atual sobre o herói. Verás que, realmente, o senhor tem razão: Tiradentes precisa ser resgatado em sua essência, pois até mesmo o senhor o desconhece.

terça-feira, 14 de abril de 2015

BRT, VLT, E PASSE LIVRE UNIVERSAL

Ilustração do prof. José Maria Andrade, especial para o meu livro "Cuiabá e a Copa - A preparação

José Antonio Lemos dos Santos

     BRT ou VLT, a questão que nos azucrinou por algum tempo volta nestes 4 primeiros meses do ano com ares de quem quer ficar. Cheguei a escrever um artigo intitulado “SOU BRT” em março de 2011, época em que se propunha o VLT em lugar do BRT, este já com projeto e financiamento aprovados, uma discussão que me parecia extemporânea, pois o prazo era insuficiente para o caso da preparação de um novo projeto de tamanha complexidade e sua execução até a Copa em 2014. Optou-se enfim pela troca do modal e deu no que deu. 
     Argumentava no artigo que além das vantagens do BRT ser de criação nacional, tinha ainda a conveniência de poder rodar com o biodiesel, combustível praticamente inventado em Cuiabá, onde funcionou sua primeira usina e onde rodaram seus primeiros ônibus em testes. E o principal, sempre entendi que essa questão dependia menos dos tipos de modais envolvidos do que do plano de mobilidade urbana e de gestão intergovernamental que os articularia em um sistema integrado. Passados anos da troca pelo VLT, até hoje não vi qualquer esboço desses planos. Já gastos e parados (quanto custa?) cerca de R$ 1,0 bilhão de reais no VLT, confesso que hoje sou simpático a ele, até porque uma vez quebrados os ovos, temos que ao menos fazer uma boa omelete com eles. Mas a busca da solução para esse problema não é para programas de auditórios, tem que ser em bases técnicas, a mesma técnica que foi desprezada quando da troca de modais. 
     Hoje o transporte público eficiente é condição indispensável à vida das cidades, do banco à borracharia, da fábrica à escola, da mansão ao barraco, do patrão ao operário. Basta ver o colapso geral das cidades nas greves de ônibus. Ou atentar para os custos de sua precariedade. Pesquisa do FIRJAN mostra que em 2013 o custo dos congestionamentos só no Rio e São Paulo atingiu a incrível cifra de R$ 98 bilhões. Cerca de 8% de cada PIB metropolitano por ano, queimados em fumaça, horas de trabalho e de convivência familiar perdidas, sem contar o estresse, acidentes e mortes. Em termos dos PIBs de Cuiabá e Várzea Grande seria algo em torno de R$ 1,2 bilhão por ano. Doze vezes o novo pronto-socorro de Cuiabá, equipado. Por ano!
     Porém, esta grande encrenca forçará a sociedade a rediscutir o sistema de transporte público como um todo, os conceitos em que se baseia e, em especial, sua forma de financiamento. Na verdade o sistema de transporte público está em colapso em todo o Brasil, implicando na falência da mobilidade nas cidades brasileiras. Em Cuiabá a solução passa ainda pela implantação efetiva da Região Metropolitana. Hoje, não só o VLT é inviável, mas o BRT e até o ônibus, que a R$ 3,10 também é caro. A solução passará pela compreensão de que a mobilidade urbana interessa a todos e o transporte coletivo é fundamental para a mobilidade, assim, seus custos devem ser arcados por todos, não só pelos usuários, justo aqueles que deveriam ser premiados. Um mal que veio para o bem?
     Não se trata de instituir um novo imposto, mas uma forma de redistribuir com todos os beneficiários o custo, o “imposto” que já está sendo pago diretamente por apenas uma parte da população e, indiretamente, por todos através das imensas deseconomias e do quase total colapso na qualidade de vida oferecida pelas cidades. A saída parece ser o passe livre universal, aquele que qual o povo saiu às ruas em 2013. Seu modelo de financiamento poderia ser algo como o que se pratica com a iluminação pública? Não sei. Mas esta é uma solução da qual depende o futuro das cidades brasileiras. E de Cuiabá. 

(Publicado em 14/04/2015 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, Folhamax)

Comentários:
No Midianews:
Nivio Melhorança  14.04.15 22h18
Simples e contundente! Qualquer que fosse o modal teria que ser subsidiado, fato que levou compreensivelmente o prefeito à ėpoca a reverter do VLT para BRT. Nas atuais circunstâncias o transporte público livre è o ideal como opina o artculista
Noi Scheffer  14.04.15 10h07
Ótima analise, mas por favor, passe livre já tem demais. Só vai provocar outras distorções. Cada um pague pelo que usa. Vamos parar de utopias socialistas meu caro. Todos pagando, todos vão pagar menos.
Robélio Orbe  14.04.15 09h27
Caro Sr. José, o problema não é ser ou não simpático ao VLT, mas sim no que se propunha na época sa escolha do melhor modal de transporte público para a região metropolina em vistas às obras da Copa da FIFA. Está muito claro a real intenção da escolha do modal pelos políticos da época, e nem de longe se pensou no bem estar da populção cuiabana, ou do futuro de Cuiabá. O VLT transformou-senum propinódromo, e na maior BUCHA,uma BOMBA RELÓGIO nas máos do atual governo. Nem precisa ser arquiteto ou engenheiro para saber que não existe qualidade em nenhuma das obras realizadas até o presente momento. Nem quero ver no noticiário o descarrilamento de trem quando descerem a FEB. Esses trilhos possuem nivelamento? DUVIDO!

No FolhaMax:
Jonatad  Terça-Feira  14 de abril de 2015 13h19
Errado. Nao se deve pensar que o VLT é somente um trasporte urbano. Ele é um equipamento da CIDADE. Nai ficou pronto pois a classe politica nao deixou.