Veja que brincadeira inteligente encontrada no Blog do Copola (link abaixo). Diziam os antigos que até teve um mar e se chamava Xaraés. Mas Deus é justo na distribuição dos atributos às cidades e retirou o nosso mar. Cuiabá com mar, seria covardia. eh eh
José Antonio Lemos dos Santos, arquiteto e urbanista, é professor universitário aposentado . Troféu "João Thimóteo"-1991-IAB/MT/ "Diploma do Mérito IAB 80 Anos"/ Troféu "O Construtor" - Sinduscon MT Ano 2000 / Arquiteto do Ano 2010 pelo CREA-MT/ Comenda do Legislativo Cuiabano 2018/ Ordem do Mérito Cuiabá 300 Anos da Câmara Municipal de Cuiabá 2019.
"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
MAR DE XARAÉS DE VOLTA!
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domingo, 3 de outubro de 2010
BOM DESPACHO VIVA
BOM DESPACHO VIVA
José Antonio Lemos dos Santos
A descida da Avenida Isaac Póvoas nos proporciona a visão de um dos mais belos cartões postais de Cuiabá, a igreja Nossa Senhora do Bom Despacho. Iluminada pelo sol ou artificialmente, mesmo nesta fumaceira dos dias atuais o belíssimo edifício se impõe sobranceiro no alto do morro do Seminário sobre o centro histórico da cidade e no coração dos cuiabanos, onde sempre teve reservado um cantinho privilegiado. Chegou a ser eleita pela população em 2004 como a “cara da cidade” em concurso realizado pelo Diário de Cuiabá, ela que teve sua construção iniciada em 1914. Idealizada pelo frei Ambrósio Daydé, foi construída por Leon Mousnier a partir de projeto de seu pai George Mousnier, Conde de Manoir, que projetou também a de Cáceres - esta com duas torres - e que na época já teria sido responsável por outras igrejas em algumas cidades da América do Sul.
Em estilo neogótico, a igreja foi projetada e construída por quem realmente conhecia o gótico original e é visita obrigatória para meus alunos quando tratamos o tema. Lá estão os pináculos, arcobotantes, abóbadas nervuradas, arcos ogivais, gabletes realizados com a maior competência e fidedignidade. Segundo o arquiteto Alex de Matos em seu livro “A Igreja do Bom Despacho – Arquitetura e simbolismo”, citando o padre Pedro Cometti, a construção resultou de uma salutar competição entre os frades de origem francesa e os padres salesianos de origem italiana que haviam iniciado em 1914 as obras da igreja de Nossa Senhora Auxiliadora. Segundo o autor, essa disputa pelos fiéis acabou deixando para Cuiabá duas maravilhas arquitetônicas, autênticas obras de arte, sendo que o projeto da Bom Despacho previa ainda a torre em agulha – não construída - similar a da Nossa Senhora Auxiliadora.
Durante algumas décadas a igreja do Bom Despacho teve uso bastante restrito, que levou a sua deterioração precoce, com infiltrações, rachaduras, queda parcial do telhado, colocando em risco a estrutura do grandioso edifício. Lembro que as obras de restauração, concluídas em 2004, causaram polêmica, como não podia deixar de ser tratando-se de algo tão valioso para a população. Hoje, lá está ela, bela, ornamentando a cidade e envaidecendo o cuiabano cujos antepassados tiveram a força e a capacidade de construí-la. Porém, mais que só bela, a Bom Despacho está viva, reviveu com as missas diárias e outros eventos que lotam suas naves aos domingos. Notável a presença de turistas, alguns assistem às missas, outros apenas apreciam o edifício e tiram fotos. Uma pena que não funcione aos domingos o Museu de Arte Sacra, que fica ao lado no antigo Seminário da Conceição, outro edifício extraordinário, que junto à Bom Despacho, ao Palácio Episcopal e à Santa Casa da Misericórdia forma um dos mais pitorescos conjuntos urbanísticos do oeste brasileiro.
Após restaurado poderia continuar com sua ocupação restrita, e a tendência seria um novo período de decadência e abandono. Mas, por iniciativa de Dom Milton Santos, arcebispo de Cuiabá, a antiga igreja foi promovida a Santuário Eucarístico, agregando funções e significados novos. O milagre da revitalização aconteceu com as paróquias da cidade abraçando o novo Santuário como um projeto coletivo, dividindo entre si as funções de animação e apoio diversos, muito bem coordenados pelo jovem padre Wagner Stephan.
Este assunto nos lembra muito e tem muito a ensinar sobre a falsa questão dos “elefantes brancos”, que busca indevidamente transferir para os edifícios as razões de seus eventuais maus usos ou mesmo abandonos. Mas este é um assunto a ser tratado em outro artigo.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 28/09/10)
José Antonio Lemos dos Santos
A descida da Avenida Isaac Póvoas nos proporciona a visão de um dos mais belos cartões postais de Cuiabá, a igreja Nossa Senhora do Bom Despacho. Iluminada pelo sol ou artificialmente, mesmo nesta fumaceira dos dias atuais o belíssimo edifício se impõe sobranceiro no alto do morro do Seminário sobre o centro histórico da cidade e no coração dos cuiabanos, onde sempre teve reservado um cantinho privilegiado. Chegou a ser eleita pela população em 2004 como a “cara da cidade” em concurso realizado pelo Diário de Cuiabá, ela que teve sua construção iniciada em 1914. Idealizada pelo frei Ambrósio Daydé, foi construída por Leon Mousnier a partir de projeto de seu pai George Mousnier, Conde de Manoir, que projetou também a de Cáceres - esta com duas torres - e que na época já teria sido responsável por outras igrejas em algumas cidades da América do Sul.
Em estilo neogótico, a igreja foi projetada e construída por quem realmente conhecia o gótico original e é visita obrigatória para meus alunos quando tratamos o tema. Lá estão os pináculos, arcobotantes, abóbadas nervuradas, arcos ogivais, gabletes realizados com a maior competência e fidedignidade. Segundo o arquiteto Alex de Matos em seu livro “A Igreja do Bom Despacho – Arquitetura e simbolismo”, citando o padre Pedro Cometti, a construção resultou de uma salutar competição entre os frades de origem francesa e os padres salesianos de origem italiana que haviam iniciado em 1914 as obras da igreja de Nossa Senhora Auxiliadora. Segundo o autor, essa disputa pelos fiéis acabou deixando para Cuiabá duas maravilhas arquitetônicas, autênticas obras de arte, sendo que o projeto da Bom Despacho previa ainda a torre em agulha – não construída - similar a da Nossa Senhora Auxiliadora.
Durante algumas décadas a igreja do Bom Despacho teve uso bastante restrito, que levou a sua deterioração precoce, com infiltrações, rachaduras, queda parcial do telhado, colocando em risco a estrutura do grandioso edifício. Lembro que as obras de restauração, concluídas em 2004, causaram polêmica, como não podia deixar de ser tratando-se de algo tão valioso para a população. Hoje, lá está ela, bela, ornamentando a cidade e envaidecendo o cuiabano cujos antepassados tiveram a força e a capacidade de construí-la. Porém, mais que só bela, a Bom Despacho está viva, reviveu com as missas diárias e outros eventos que lotam suas naves aos domingos. Notável a presença de turistas, alguns assistem às missas, outros apenas apreciam o edifício e tiram fotos. Uma pena que não funcione aos domingos o Museu de Arte Sacra, que fica ao lado no antigo Seminário da Conceição, outro edifício extraordinário, que junto à Bom Despacho, ao Palácio Episcopal e à Santa Casa da Misericórdia forma um dos mais pitorescos conjuntos urbanísticos do oeste brasileiro.
Após restaurado poderia continuar com sua ocupação restrita, e a tendência seria um novo período de decadência e abandono. Mas, por iniciativa de Dom Milton Santos, arcebispo de Cuiabá, a antiga igreja foi promovida a Santuário Eucarístico, agregando funções e significados novos. O milagre da revitalização aconteceu com as paróquias da cidade abraçando o novo Santuário como um projeto coletivo, dividindo entre si as funções de animação e apoio diversos, muito bem coordenados pelo jovem padre Wagner Stephan.
Este assunto nos lembra muito e tem muito a ensinar sobre a falsa questão dos “elefantes brancos”, que busca indevidamente transferir para os edifícios as razões de seus eventuais maus usos ou mesmo abandonos. Mas este é um assunto a ser tratado em outro artigo.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 28/09/10)
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