"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O ANO DO TRICENTENÁRIO

Cuiabá Sob o Duplo Arco-Íris 14/01/19 Foto: Cássia Abdalah
José Antonio Lemos dos Santos
     Enfim chegou 2019, um ano que parecia não chegar nunca, tantas as atribulações vividas em 2018 especialmente no Brasil pelo seu grave momento político, e mesmo no mundo com EUA e Coréia do Norte arreganhando-se os dentes com ameaças nucleares que felizmente deram em nada. 2019 enfim chegou trazendo para o Brasil os novos governos, federal e estaduais, e novos parlamentos, escolhidos após duras eleições renovadoras de esperanças e apreensões para o país.
     Para Cuiabá 2019 vai além, afinal é o ano do Tricentenário aguardado há anos com grande expectativa pela população. A efeméride marca a fundação de uma cidade especial nascida do ouro e  que nestes seus 300 anos viveu mais momentos de isolamento, sofrimento e luta do que de ostentação e opulência, sacrifício que contudo lhe rendeu uma história rica em episódios de heroísmo e bravura com vultos de destaque mundo afora, um modo de viver plasmado pelo calor sadio e uma cultura fascinante que vai do erudito ao popular, de José Magno ao rasqueado e lambadão, passando pela culinária, o guaraná e o tereré, mitos e lendas. Porém o principal produto é a simpática figura do cuiabano folclórico de linguajar exclusivo, simplório, pacato, festeiro, criador de apelidos como ninguém e, sobretudo, hospitaleiro.
     Hoje a cidade é uma metrópole dinâmica, centro de uma das regiões mais produtivas do planeta. A história que vem dos garimpos originais e chega até hoje apontando para um futuro exuberante é o pano de fundo da grande expectativa cuiabana. Para os especialistas era importante que a data não fosse marcada só pelos festejos, mas que a própria urbs se estruturasse elevando seus padrões de qualidade de vida conforme as novas funções regionais, nacionais e globais a que se destinava com a esperada polarização de uma das principais fontes de alimentos do mundo. Assim, na década de 80 um grupo de profissionais capitaneados pelo IAB-MT, APA-MT, CREA-MT, UFMT e Câmara Municipal deflagrou um movimento visando institucionalizar o planejamento urbano estrutural de longo prazo em Cuiabá e preparar a cidade para os saltos de desenvolvimento que viriam. Este processo inseriu um capítulo dedicado à Política Urbana na Lei Orgânica Municipal de 1989. O horizonte de planejamento era de 30 anos, portanto, 2019, já pensando no Tricentenário, tendo ainda como meta mais curta a virada do século, sistema este que durou só até o segundo quinquênio dos anos 2000.
     Deixou, todavia avanços como a criação do IPDU, do Conselho de Desenvolvimento Urbano e da SMADES, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e suas leis, como as do Uso e Ocupação do Solo Urbano e da Hierarquização Viária, bem como vários projetos pontuais como o Parque Mãe Bonifácia, o finado Aquário e o Centro de Eventos do Pantanal. A ideia urbanística básica era a cidade crescer para dentro, adensá-la e compactá-la, reduzindo custos operacionais, otimizando infraestrutura e facilitando a mobilidade urbana. Com a desativação do sistema voltamos ao pragmatismo das soluções imediatas, que também legou projetos pontuais importantes como os parques das Águas e Tia Nair.
     Nas últimas décadas iniciativas isoladas trataram do assunto em matérias jornalísticas, seminários, palestras, artigos publicados, destacando os eventos bianuais denominados “Edificar” produzidos pelo Sinduscon-MT e Secovi-MT e a criação pela prefeitura de uma secretaria especial para o Tricentenário. Porém, apesar de tudo, o grande diferencial foi a Copa, inesperada e para mim um artifício do Bom Jesus de Cuiabá para ajudar no preparo de sua cidade para seu tricentésimo aniversário. Enfim 2019, um marco para uma bela história.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

2018, A NAÇÃO VITORIOSA

Imagem:CartaMaior
José Antonio Lemos dos Santos
     Não se trata de quem ganhou ou deixou de ganhar as eleições, nem de discutir se os caminhos escolhidos foram os melhores, mas de uma nação que ao iniciar o ano tinha pela frente um conjunto de desafios e escolhas de enorme dificuldade e que ao final sai vitoriosa, ainda que chamuscada, combalida em função dos duros e sucessivos embates incontornáveis. Os riscos em cantar vitória antes do tempo são grandes pois ainda faltam alguns dias para o fim do ano e no Brasil existe a qualquer momento a chance de uma rasteira de esquerda ou de direita, de cima ou de baixo na ordem institucional.
     2018 parece ter sido enfim o ano do encontro do Brasil com sua própria história, com a qual um dia teria que prestar contas para definir seu próprio caminho e deixar de ser este país do faz de conta para inglês ver ou um país laboratório para francês estudar, eterno túmulo caiado com pouco ou nenhum compromisso com a vida e os reais interesses de seu povo. A vitória tratada aqui é a das instituições nacionais que sobreviveram após os embates mostrando que, ainda que frágeis, são bem maiores e mais fortes do que seus eventuais componentes. Preservadas, fica mantida a trilha democrática como caminho para a evolução do país através de sucessivas eleições com novos e livres posicionamentos, e a alternância do poder, reforçando ou corrigindo escolhas anteriores.
     Em um ambiente de economia em forte recessão e grave crise de desemprego, ao iniciar 2018 os desafios políticos nacionais antevistos também eram muitos, a começar por um presidente enfraquecido por um mandato de legitimidade fortemente contestada por sua origem. E logo haveria o julgamento em segunda instância de um ex-presidente, eleito por duas vezes ao cargo e um dos maiores líderes políticos do país. Esse resultado implicaria ou não em sua prisão e nas possibilidades legais de sua nova candidatura a presidente? Como seriam recebidos pelas ruas os possíveis resultados de absolvição ou condenação do líder? Caso condenado, o país estaria preparado para a aplicação da pena? Ademais surgia uma incisiva candidatura de direita. Os riscos de radicalização política do país eram evidentes mesmo antes do início do processo eleitoral. O país conseguiria chegar até as eleições e realizá-las? E resistiria aos embates eleitorais? A radicalização chegou a tiros em uma caravana do ex-presidente e à uma trágica facada no candidato posteriormente eleito. Mas a nação resistiu.
     Pior, além dos problemas previstos aconteceram também os imprevistos, como as graves denúncias da JBS contra o já enfraquecido presidente da República, a greve dos caminhoneiros que quase levou o país ao caos completo, e a morte em acidente aéreo de um dos mais importantes ministros do STF naquele momento. Mas a nação resistiu.
     O presidente Michel Temer cuja figura pessoal ou política jamais me inspirou simpatia ou confiança, que nunca recebeu meu voto e nem receberia, mesmo com um mandato contestado surpreendeu ao mostrar grande habilidade no trato político e muita paciência nos momentos mais críticos. Soube fingir de morto nas horas certas, e de fraco quando preciso evitando reações mais enérgicas que poderiam fazer o circo pegar fogo, mas também soube ser forte e corajoso como na recuperação da Petrobrás e na intervenção no Rio de Janeiro. Assim, como um verdadeiro “bagre ensaboado”, enfrentou as águas turvas e revoltas das crises enfrentadas assegurando ao país as fundamentais eleições ameaçadas, emplacar algumas reformas, enquadrar a inflação e reverter ainda que timidamente o quadro da crise econômica e social de recessão e desemprego. E a nação resistiu e venceu 2018. Até agora.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

ARQUITETOS E POLÍTICA

Cuiabá vista do Ribeirão do Lipa (imagem: blog gerencialconstrutora)
José Antonio Lemos dos Santos
     O artigo da semana passada avaliando os resultados das eleições proporcionais deste ano em Mato Grosso suscitou algumas considerações adicionais. Uma é recorrente e me persegue questionando o que tem a ver arquiteto com política tendo em vista o tratamento público dado ao assunto por alguns profissionais desta área, dentre os quais eu, mesmo não sendo especialistas. A oportunidade do Dia do Arquiteto, agora no último dia 15 de dezembro, permite alinhar algumas explicações. Bastaria dizer que o arquiteto além de técnico também é um cidadão como qualquer outro, cabendo-lhe assim a responsabilidade de sempre se preocupar e se manifestar sobre os destinos de sua cidade, estado e país. Porém, no caso do arquiteto cabem algumas razões especiais.
     Tendo como mister essencial a transformação do espaço em geral em abrigos “latu sensu”, belos, funcionais, seguros, sustentáveis e sobretudo dignos, indispensáveis ao desenvolvimento do homem em sociedade, a Arquitetura é uma das profissões com maior amplitude de competências abrangendo desde a arquitetura de interiores, passando pelo edifício, bairros, cidades, metrópoles chegando até ao planejamento regional enquanto expressão das cidades organizadas em redes hierárquicas. Ou seja, a matéria-prima trabalhada pelo arquiteto é o espaço em todas as suas dimensões. Ocorre que por problemas internos à própria categoria a profissão não é tão bem compreendida pela sociedade, limitando este entendimento a uma ou duas de suas áreas de atuação, também importantes, mas não as únicas neste amplo campo de competências do profissional chamado arquiteto, que por formação e pela lei assina tecnicamente como arquiteto e urbanista.
     O espaço, matéria-prima da arquitetura, é contínuo e em sua continuidade interliga suas parcelas aparentemente isoladas de tal forma que hoje uma das primeiras condições na elaboração de um projeto arquitetônico é a avaliação de suas relações com o entorno. Assim, mesmo as intervenções de caráter pontual têm interferências no espaço coletivo, no mínimo na vizinhança mais próxima, o que agrega de imediato à Arquitetura um caráter político, entendendo este como o conjunto de preocupações voltadas à promoção do bem comum, da coisa pública, da “res-publica”. Daí as atividades dos arquitetos não se submeterem só à normas técnicas, mas também à leis e normas edilícias e urbanísticas que dependem da interferência decisiva dos políticos do executivo ou do legislativo em todos os níveis de governo. Como exemplos, o Código de Obras ou a Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano.
     Assim, entre o arquiteto e seu objeto de trabalho estão sempre os poderes públicos representados pelos políticos, pois estes são, ou deveriam ser, os representantes do povo cabendo a eles as decisões de fazer, do que fazer, como fazer, ou não fazer, decisões que precisam ser sempre embasadas em assessorias técnicas especializadas e estruturadas institucionalmente. Desse modo a preocupação do arquiteto com a política deve se dar em todo o seu campo de competências, e muito em especial quando dedicado ao planejamento urbano ou regional.
     Convém lembrar sempre que sendo um objeto construído, a cidade tem uma dimensão técnica inalienável. Mas como esse objeto tem um “dono coletivo” - o cidadão aos milhares ou milhões - tem ainda uma dimensão política também inalienável. A técnica e a política devem andar juntas, sem supremacia de uma ou outra. Daí o imperativo do interesse do arquiteto pela política, em especial nos critérios definidores da qualidade dos políticos como representantes do povo com a responsabilidade de buscar sempre a realização do bem-comum, dos interesses republicanos, dos quais a cidade é o maior exemplo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

PROPORCIONAIS, NÚMEROS E REPRESENTATIVIDADE

Charge prof. José Maria de Andrade

José Antonio Lemos dos Santos
     Nestas eleições Mato Grosso contou com 2.329.374 eleitores aptos a votar. Destes, 571.047 e 555.860 votaram diretamente nos candidatos eleitos a deputado federal e estadual respectivamente. Ou seja, nas eleições proporcionais deste ano menos de 1 em cada 4 do total de eleitores de Mato Grosso (menos de 25%) elegeu diretamente o candidato em quem votou. Se você se encontra entre estes que viram seu candidato eleito diretamente com seu voto, parabéns, você se encontra naquele menos de um quarto dos eleitores mato-grossenses que conseguiu esse privilégio e agora, após o voto, pode continuar a cumprir seu dever cívico de acompanhar, colaborar ou cobrar, aplaudir ou criticar o desempenho de seu escolhido nos respectivos parlamentos.
     Ocorre que do total dos 2.329.374 eleitores mato-grossenses nem todos foram tão felizes já que 800.033 e 841.164 votaram nos candidatos não eleitos a deputado federal e estadual respectivamente. Ou seja, nas proporcionais os que não foram eleitos em seu conjunto tiveram diretamente neles muito mais votos que os eleitos. Mas se você estiver entre estes não deve estar aborrecido pois sabe que os votos nas proporcionais nunca são perdidos e o seu também não foi ajudando na definição daqueles que foram eleitos ao completar os votos necessários à conquista de cada uma de suas cadeiras, número estabelecido pelo Quociente Eleitoral, que no caso foi de 185.158 e 63.138 eleitores respectivamente para federal e estadual.
      Até aqui nenhum demérito aos eleitos, afinal assim são as proporcionais nos países de democracia mais avançada. O grande problema fica com esta maioria de eleitores que indiretamente elegeu candidatos sem saber quem são, e foram decisivos nela. Por exemplo, mesmo o candidato mais votado para deputado federal que teve 126.249 votos, precisou de mais 58.909 votos dados a outros candidatos companheiros de chapa para completar o Quociente Eleitoral, sem o que não seria eleito. Para se ter uma ideia, para esta complementação o mais votado precisou de mais votos de seus correligionários derrotados do que os 49.912 votos obtidos pelo eleito a federal menos votado, o qual, por sua vez precisou de 135.246 votos dados a seus companheiros de chapa derrotados para se eleger. Por essa característica a Justiça Eleitoral decidiu que nas proporcionais as cadeiras pertencem aos partidos e não aos candidatos. Mas, incrível, mesmo assim podem mudar de partido, levando com eles os votos dados a outros que foram companheiros de chapa na eleição. Sinceramente não dá para entender.
     Já o estadual mais votado alcançou 51.546 votos e mesmo sendo o mais votado precisou de 11.592 votos dados a seus companheiros derrotados, mais que os 11.374 votos obtidos pelo estadual eleito menos votado, que por sua vez precisou de recorrer a 51.764 votos dados a seus companheiros de chapa derrotados, quase 5 vezes os votos dirigidos diretamente a ele. E mesmo assim pode mudar de partido.
     Sem demérito aos eleitos, assim são as proporcionais. O grande problema, repito, é que no Brasil as listas dos candidatos por partido ou coligação não são dadas ao conhecimento do eleitor, que vota em um time de candidatos sem saber quais são seus componentes. Assim, essa maioria de eleitores que não elegeu diretamente seus escolhidos acaba indiretamente elegendo outros sem saber quais poderiam ser, muitas vezes um que até queria fora da vida pública, e a representatividade das proporcionais cai a zero pois ao fim não expressa nem a escolha por candidatos individuais, nem a proporcionalidade política que deveria expressar. Pior, o eleitor fica com a pecha de não saber votar, paga a conta, o pato e ainda sofre as consequências.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

URBANISMO E REPÚBLICA

Morro da Boa Esperança após deslizamento (Imagem:Cidade de Niterói)
José Antonio Lemos dos Santos
     8 de novembro passado, Dia Mundial do Urbanismo e antevéspera de mais uma tragédia urbana anunciada e evitável, 8 anos após o drama do Morro do Bumba com quase 50 mortos. De novo na mesma Niterói, uma das cidades brasileiras mais desenvolvidas, mas que desde 2010 não conseguiu concluir o levantamento de suas áreas de risco. 8 de novembro, início de uma semana que poderia ser encerrada no dia 15 de forma menos melancólica com o 129º aniversário da Proclamação da República. Contudo, na madrugada do dia 10 depois da festinha pelos 3 anos de Arhur, a grande pedra que pairava a anos sobre a cabeça de todos e à vista de todos, rolou no Morro da Boa Esperança soterrando um conjunto de casas matando 15 pessoas, entre elas o pequeno aniversariante e sua irmãzinha Nicole de 8 meses.   
    Comemorar Urbanismo e República no Brasil só se for para lembrar a enorme defasagem civilizatória do país, onde Urbanismo e República não passam de figuras de retórica. Civilização e cidade são irmãs xipófagas inseparáveis em que uma não pode viver sem a outra, e a cidade é o maior e melhor exemplo de uma “res-publica”, do bem comum, sentido maior do conceito republicano. Nada mais incompatível com o urbano do que a barbárie da prevalência de interesses pessoais, partidários ou grupais sobre aqueles princípios civilizatórios vitoriosos em quase todo o mundo da vida colaborativa em um espaço comum, a cidade, que deve funcionar para todos ou não funciona.
     As cidades são objetos artificiais dinâmicos, construídos e em constante construção e reconstrução pelo homem. Entre nós cabe às prefeituras a coordenação dessa obra imensa e contínua, bem como organizar e garantir seu funcionamento seguro, confortável, sustentável e, sobretudo, justo. Como objeto construído, a cidade tem uma dimensão técnica que lhe é inalienável. Ademais, ela é um objeto que tem múltiplos donos, os cidadãos, todos com direitos sobre ela, o que lhe acrescenta outra dimensão, a política, também inalienável. Estas duas dimensões, a técnica e a política têm que funcionar juntas.
     Ocorre que as cidades brasileiras foram dominadas pela política que marginalizou aos poucos até praticamente suprimir a participação técnica em seus processos de gestão. Sem a técnica, a política virou politicagem a qual só interessa ganhar as eleições a cada 2 anos. Salvo umas 5 ou 6, as cidades brasileiras transformaram-se em grandes butins eleitorais a serem exploradas conforme interesses menores. As leis e normas que seriam de execução obrigatória passam a ser tratadas como prerrogativas e aplicadas ou não de acordo com o custo/benefício em número de votos. A ciência do Urbanismo fica de fora pois estorva a liberdade das autoridades na exploração do rico butim e o planejamento urbano vira uma obrigação legal de “ter”, mas não de “fazer”. Daí a falta de estruturas técnicas especializadas nas prefeituras e a não aplicação das leis e outras normas urbanísticas, como as “áreas de risco”, em uma das quais deixaram ficar a casa do Arthur, crime no mínimo de negligência urbanística. Porém, o Urbanismo fica fora até das comissões de apuração das responsabilidades.
     Não foi a chuva, a pedra ou o morro que matou Arthur, sua irmã e vizinhos, mas nossa irresponsabilidade pública. A pedra que pairava sobre aquele brasileirinho, paira também sobre a cabeça de cada um de nós. Sabemos que a qualquer momento ela vai despencar, não só nas áreas de risco, mas nas obras malfeitas, no trânsito bagunçado, na poluição, na infeliz novidade do lixo aéreo, nas inundações como a de Belo Horizonte no dia da República matando 5 pessoas, e em todas as arapucas que a barbárie nacional consegue agregar à nossa vida urbana. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O RESGATE DO FUTURO

Indústria do vestuário em Cuiabá (HiperNotícias)

José Antonio Lemos dos Santos   
     Em artigo de 1999 saudei a expectativa de que a virada do século impulsionaria Cuiabá a um terceiro salto de desenvolvimento, qualitativamente diferente dos anteriores. Na época à frente do IPDU da prefeitura, tinha a leitura de que em sua história Cuiabá havia dado dois grandes saltos de desenvolvimento. O primeiro chamávamos o “salto da sobrevivência” quando sobreviveu à exaustão do ouro, e o segundo, na última metade do século XX, quando a cidade deixa de ser fim de linha e passa a servir de apoio para a ocupação da Amazônia Meridional, o “portal da Amazônia”, quando a cidade decuplicou sua população. O artigo era um alerta pela preparação urbanística da cidade para esses novos tempos do novo século, hoje ainda mais válido.
     Com a ocupação o antigo “vazio econômico” passou a gerar riquezas em especial na agropecuária. Se Cuiabá centralizara uma grande região pouco produtiva, na virada do século passaria a ser o centro de uma região altamente dinâmica, de produção crescente e desafiadora. Ou seja, aquela região que por séculos foi protegida para os brasileiros e apoiada em seu desenvolvimento por Cuiabá, passaria a gerar um fluxo reverso de riquezas empurrando a cidade para cima dando origem então ao “terceiro salto” saudado naquele artigo de 1999 do ponto de vista de Cuiabá, mas válido também para o estado, duas faces de uma moeda.
     Porém a previsão do artigo para terceiro salto era mais ambiciosa com os megaprojetos que entusiasmavam todos na época e eram tidos como irreversíveis. O então governador Dante de Oliveira, saudoso estadista, anteviu a imensa produção primária estadual e buscou criar condições para sua verticalização dentro do próprio estado, viabilizando com seu prestígio nacional grandes projetos em especial nas áreas de transportes e energia, destravando o projeto da Ferronorte que cruzaria o estado do sul ao norte e hoje já estaria com seus trilhos nos portos amazônicos do Pará e Rondônia se não parassem a 5 anos em Rondonópolis, a continuidade da BR-163, a internacionalização e ampliação do aeroporto Marechal Rondon, com linha aérea funcionando para a Bolívia (depois perdida para Campo Grande). Na área da energia destravou Manso e viabilizou o complexo gasoduto/termelétrica, um audacioso projeto internacional de US$ 1,0 bilhão deixado em operação e hoje vergonhosamente paralisado. Lutou pela ecovia do Paraguai, por uma saída para o Pacífico e criou o Centro de Convenções do Pantanal.
     Após quase 20 anos, a euforia daquele artigo ficou pela metade. A parte referente à sociedade civil trabalhadora e empreendedora, superou as expectativas. Mato Grosso hoje é o maior produtor agropecuário do Brasil, com seu PIB crescendo 2 vezes o chinês e 10 vezes o brasileiro, puxando uma ampla cadeia produtiva. Mas a outra metade dependente dos governos e dos políticos foi decepcionante. Pior que não fazer é não concluir o que já estava começado e pior ainda é deixar desfazer o que já estava em funcionamento. A ferrovia parou por interesses menores, a ampliação do aeroporto ainda não foi concluída, o complexo gasoduto/termelétrica está desativado e o voo para Santa Cruz ficou para algum mês que vem, e que não vem nunca. A outra metade aguarda um quarto salto de desenvolvimento, o da verticalização.
     Cidadão, empresário e político já de uma geração de mato-grossenses fruto dessa história recente, o governador eleito sabe que Mato Grosso vem perdendo para outros a maior das riquezas que produz, os empregos de qualidade. A iminente condenação do estado a um celeiro desafia o novo governador a resgatar o futuro que já devia ter acontecido liderando a mais urgente das providências para Mato Grosso, o salto da verticalização e da qualidade de vida. Que Deus o ilumine.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

E A ÁGUIA VOA...


José Antonio Lemos dos Santos
     Neste domingo que passou a democracia brasileira superou com galhardia seu maior desafio dentre os colocados no perigoso circuito de grandes obstáculos previstos para este ano de 2018. Ainda será longo o trajeto rumo à consolidação democrática brasileira retomado em 1988 e simbolizado no Monumento à Democracia aqui em Cuiabá por uma aguerrida águia de bronze alçando voo. Conforme avaliado em artigo recente, ao longo destas 3 décadas a águia vem seguindo em seu voo aos trancos e barrancos, alvejada à direita e à esquerda, por cima ou por baixo, mas resistindo e sempre avançando.
     Agora supera mais um grande desafio com a realização das eleições para presidente da República, que temi não acontecer, importante e difícil etapa do processo eleitoral ainda a ser concluído, é bom lembrar, com a posse dos eleitos. Esta foi a primeira eleição de fato, verdadeira, vivida por mim em quase 70 anos de vida. Nunca vi tamanho interesse em discussões que foram muito além de posições partidárias, de peças publicitárias enganosas, mas abordando de forma muitas vezes dolorida questões fundamentais para cada cidadão e para uma nação que se quer democrática. Infelizmente foram bastante comuns brigas em família, entre colegas, desligamentos irados de grupos de internet, etc. Mas o Brasil precisava passar por essa catarse dolorosa e sofrida para escolher seu rumo entre os caminhos em disputa.
     Ainda engatinhamos como democratas e só agora estamos aprendendo a conhecer e reconhecer, respeitar e incluir as diferenças que cada um de nós cidadãos representamos. Ao invés de nos separar só a inclusão respeitosa dessas diferenças consolidará o país como a verdadeira nação livre e democrática desejada. Não dá para jogar debaixo do tapete, não somos iguais. A Democracia é a melhor solução para se buscar a unidade indispensável em meio a esta diversidade também indispensável. E nada a diminuir o brasileiro por esta aprendizagem. A plenitude democrática é uma utopia buscada mesmo sabendo que jamais será alcançada e, por isso, mesmo países com mais tempo de vivência e aprendizagem democrática frequentemente dão escabrosas escorregadas.
     Aliás, a Internet e suas redes sociais fizeram a grande diferença nestas eleições e com certeza está reinventando a democracia não só no Brasil, mas no mundo, nivelando a todos. Começou nos EUA, porém no Brasil mostrou todo seu potencial revolucionário dando poder ao cidadão, arrancando-lhe o cabestro das mídias tradicionais com suas verdades e mentiras. Com a internet e suas redes sociais o cidadão passou a ser sua própria agência de notícias, produzindo ou multiplicando ele próprio suas notícias também verdadeiras ou falsas, reduzindo a pó de traque as mídias tradicionais que também precisarão se reinventar. A médio e longo prazo o cidadão livre para buscar, produzir e compartilhar suas próprias notícias ganhou as eleições, de ambos os lados em disputa. Como reagirá o stablishment?   
     O mais importante de tudo é que no domingo, dia da votação, após todo período de tensão, o povo saiu às ruas em busca de suas urnas de forma pacífica e tranquila dando uma demonstração de que o gene da Democracia com “D” maiúsculo faz parte de sua constituição como cidadão. Depois do voto, as praças, shoppings e parques estavam cheios em ambientes fraternais e festivos. O Parque Mãe Bonifácia lotado me pareceu o palco máximo nessa exaltação democrática. Famílias em piqueniques, caminhadas e corridas individuais ou em grupos, brincadeiras entre pais e filhos, nada lembrava os dias de debates acalorados, de angústia e apreensão que todos acabavam de viver.  Um exemplo para o mundo, motivo de orgulho para o brasileiro.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

VEJA O ESTADUAL (RE)ELEITO COM SEUVOTO

Charge prof. Zé Maria

LEMBRE-SE: MESMO QUE O CANDIDATO NÃO TENHA SIDO ELEITO DIRETAMENTE COM O SEU VOTO,  FOI SEU VOTO QUE INDIRETAMENTE O ELEGEU, PORTANTO,  VOCÊ TEM TODO O DIREITO E O DEVER DE ACOMPANHÁ-LO, APLAUDI-LO OU COBRÁ-LO DURANTE SEU MANDATO. O QUOCIENTE ELEITORAL,  ISTO É O NÚMERO DE VOTOS NECESSÁRIOS PARA CONQUISTAR UMA CADEIRA FOI 63.138 VOTOS. NESTAS ELEIÇÕES NENHUM CANDIDATO ALCANÇOU O QUOCIENTE ELEITORAL.TODOS PRECISARAM DE VOTOS - E PODE TER SIDO O SEU - DE OUTROS CANDIDATOS DO PARTIDO OU COLIGAÇÃO PARA SE ELEGER. NEM POR ISSO É MENOR.



1 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "A FORÇA DA UNIÃO I" (PR, PRB, PCdoB e PT) - Nº INICIADOS PELAS DEZENAS  22, 10, 65 e 13
VOCÊ ELEGEU:          LÚDIO CABRAL (PT)    -  22.701 VOTOS
                                     VALDIR BARRANCO   (PT)  - 21.970 VOTOS
                                     VALMIR MORETTO  (PRB) -  21.261 VOTOS

PARABÉNS SE VOCÊ ELEGEU O SEU ESCOLHIDO, SE NÃO, QUE OS ELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS, APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LOS DO MESMO JEITO.


2 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "A FORÇA DA UNIÃO II "   (PP, PODEMOS, PROS e PMN) - Nº INICIADOS PELAS DEZENAS  11, 19, 90 e 33
VOCÊ ELEGEU:          PAULO ARAÚJO (PP)  -  11.645 VOTOS
                                     JOÃO BATISTA DO SINDISPEN (PROS) - 11.374 VOTOS
                                     
PARABÉNS SE VOCÊ ELEGEU O SEU ESCOLHIDO, SE NÃO, QUE OS ELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS, APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LOS DO MESMO JEITO.


3 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "A FORÇA DA UNIÃO II " (PTB e PV) -  Nº INICIADOS PELAS DEZENAS  14 e 43
VOCÊ ELEGEU:    FAISSAL (PV)  -  20.509 VOTOS
                               DR. GIMENEZ -  12.058 VOTOS
                                                                          
PARABÉNS SE VOCÊ ELEGEU O SEU ESCOLHIDO, SE NÃO, QUE OS ELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS,  APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LOS DO MESMO JEITO.


4 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "FÉ E TRABALHO" (SOLIDARIEDADE, PATRIOTAS, AVANTE, PRP, DC e PRTB) -  Nº INICIADOS PELAS DEZENAS  77, 51, 70, 44, 27 e 28
VOCÊ ELEGEU:           ELIZEU NASCIMENTO (DC)  -   21.347 VOTOS 
                                      ULYSSES MORAES (DC)      -   18.721 VOTOS
                                                                          
PARABÉNS SE VOCÊ ELEGEU O SEU ESCOLHIDO, SE NÃO, QUE OS ELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS, APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LOS DO MESMO JEITO.


5 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO " PRA MUDAR MATO GROSSO IV"  (DEM, MDB, PSD, PDT e PSC) -  Nº INICIADOS PELAS DEZENAS 25, 15, 55, 12 e 20)
VOCÊ (RE)ELEGEU:    JANAÍNA RIVA (MDB)   -   51.546 VOTOS  REELEITA  (MAIS VOTADO)
                                      NININHO (PSD)  -  37.501 VOTOS    REELEITO
                                      EDUARDO BOTELHO  (DEM)   -    33.788  VOTOS    REELEITO
                                      DILMAR DAL BOSCO (DEM)    -    28.827 VOTOS     REELEITO
                                      SEBASTIÃO MACHADO REZENDE (PSC)  -  25.683  VOTOS  REELEITO
                                      XUXU DAL MOLIN  (PSC)  - 23.764 VOTOS REELEITO
                                      JOÃO JOSÉ DE MATOS (MDB)  - 19.836 VOTOS
                                      THIAGO SILVA (MDB)  -   19.339 VOTOS
                                      PROF. ALLAN (PDT) -  18.629 VOTOS    REELEITO
                                                                          
PARABÉNS SE VOCÊ (RE) ELEGEU O SEU ESCOLHIDO, SE NÃO, QUE OS (RE)ELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS, APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LOS DO MESMO JEITO.


6 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DO PSDB (SEM COLIGAÇÃO)   Nº INICIADO PELA DEZENA  45
 VOCÊ (RE)ELEGEU:    GUILHERME MALUF (PSDB)  -  29.959  VOTOS   REELEITO
                                       WILSON SANTOS (PSDB)       -  14.855  VOTOS    REELEITO                                 
                                                                          
PARABÉNS SE VOCÊ REELEGEU O SEU ESCOLHIDO, SE NÃO, QUE OS REELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS, APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LOS DO MESMO JEITO.


7 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DO PSL (SEM COLIGAÇÃO) -  Nº INICIADO PELA DEZENA  17
VOCÊ ELEGEU:          DELEGADO CLAUDINEI  -  29.988 VOTOS
                                     SILVIO FAVERO                -  12.059  VOTOS                                     
                                                                                                              
PARABÉNS SE VOCÊ ELEGEU O SEU ESCOLHIDO, SE NÃO, QUE OS ELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS,  APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LOS DO MESMO JEITO.

8 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "SEGUE EM FRENTE MATO GROSSO III" (PSB e  PPS) -  Nº INICIADOS PELAS DEZENAS 40 e 23
VOCÊ (RE)ELEGEU:    MAX RUSSI (PSB) -  35.042 VOTOS     REELEITO                            
                                      DR. EUGÊNIO (PSB)   -  13.458  VOTOS
                                     

PARABÉNS SE VOCÊ (RE)ELEGEU O SEU ESCOLHIDO, SE NÃO, QUE O (RE)ELEITO  INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJA TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LO,  APLAUDI-LO OU COBRÁ-LO DO MESMO JEITO.



9 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DO PSOL (SEM COLIGAÇÃO) -  Nº INICIADO PELA DEZENA  50
VOCÊ ELEGEU:           NINGUÉM.
                                                                          
PARABÉNS! O VOTO PROPORCIONAL NUNCA É PERDIDO, AJUDA A DEFINIR A PROPORÇÃO DAS CORRENTES IDEOLÓGICAS. ASSIM  FOI IMPORTANTE CUMPRIR O DEVER CÍVICO DO VOTO E VOCÊ TEM O MESMO DIREITO (OBRIGAÇÃO) DE ACOMPANHAR,  APLAUDIR E DE COBRAR AQUELES QUE FORAM (RE)ELEITOS.


10 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DO PTC (SEM COLIGAÇÃO) -  Nº INICIADO PELA DEZENA  36
VOCÊ (RE)ELEGEU:           NINGUÉM.
                                                                          
PARABÉNS! O VOTO PROPORCIONAL NUNCA É PERDIDO, AJUDA A DEFINIR A PROPORÇÃO DAS CORRENTES IDEOLÓGICAS. ASSIM  FOI IMPORTANTE CUMPRIR O DEVER CÍVICO DO VOTO E VOCÊ TEM O MESMO DIREITO (OBRIGAÇÃO) DE ACOMPANHAR,  APLAUDIR E DE COBRAR AQUELES QUE FORAM (RE)ELEITOS.


11 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "REDEFININDO MATO GROSSO" (PPL e REDE)-  Nº INICIADOS PELAS DEZENAS 54 e 18
VOCÊ (RE)ELEGEU:   NINGUÉM.
                                                                          
PARABÉNS! O VOTO PROPORCIONAL NUNCA É PERDIDO, AJUDA A DEFINIR A PROPORÇÃO DAS CORRENTES IDEOLÓGICAS. ASSIM  FOI IMPORTANTE CUMPRIR O DEVER CÍVICO DO VOTO E VOCÊ TEM O MESMO DIREITO (OBRIGAÇÃO) DE ACOMPANHAR,  APLAUDIR E DE COBRAR AQUELES QUE FORAM (RE)ELEITOS.





quarta-feira, 10 de outubro de 2018

VEJA O FEDERAL (RE)ELEITO COM SEU VOTO

José Antonio Lemos dos Santos

LEMBRE-SE QUE NAS PROPORCIONAIS MESMO QUE O CANDIDATO NÃO TENHA SIDO ELEITO DIRETAMENTE COM O SEU VOTO,  FOI SEU VOTO QUE INDIRETAMENTE O ELEGEU, PORTANTO,  VOCÊ TEM TODO O DIREITO E O DEVER DE ACOMPANHÁ-LO, APLAUDI-LO OU COBRÁ-LO DURANTE SEU MANDATO. O QUOCIENTE ELEITORAL,  ISTO É O NÚMERO DE VOTOS NECESSÁRIOS PARA CONQUISTAR UMA CADEIRA NA CÂMARA FEDERAL FOI 185.158 VOTOS. NESTAS ELEIÇÕES NENHUM CANDIDATO ALCANÇOU O QUOCIENTE ELEITORAL.TODOS PRECISARAM DE VOTOS - E PODE TER SIDO O SEU - DE OUTROS CANDIDATOS DO PARTIDO OU COLIGAÇÃO PARA SE ELEGER. NEM POR ISSO É MENOR.



1 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "A FORÇA DA UNIÃO IV " (PROS, PMN, PT, PR, PTB, PODEMOS, PRB e PP) - Nº INICIADOS PELAS DEZENAS  90, 33, 13, 22, 14, 19, 10 e 11.

VOCÊ ELEGEU ESTES NOVOS    JOSÉ MEDEIROS     (PODEMOS) - 82.528 VOTOS
DEPUTADOS FEDERAIS:               EMANUELZINHO      (PTB)         -   76.781 VOTOS
                                                         NERI GELLER           (PP)  -             73.072 VOTOS
                                                         PROFª ROSA NEIDE (PT)   -            51.015 VOTOS
                                                                                                                                        
PARABÉNS, SE VOCÊ ELEGEU DIRETAMENTE O SEU ESCOLHIDO PODE (DEVE) APLAUDI-LO OU COBRÁ-LO. SE NÃO, QUE OS ELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS, APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LO DO MESMO JEITO.


2 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "FÉ E TRABALHO II"   (PATRIOTAS, AVANTE, PRP e PSL) - Nº INICIADOS PELAS DEZENAS  51, 70, 44 e 17.

VOCÊ ELEGEU 
ESTE NOVO DEPUTADO FEDERAL:    NÉLSON BARBUDO  (PSL)  -  126.249 VOTOS
                                     
PARABÉNS, SE VOCÊ ELEGEU DIRETAMENTE O SEU ESCOLHIDO PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LO, APLAUDI-LO E COBRÁ-LO. SE NÃO, QUE O ELEITO INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJA TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LO, APLAUDI-LO OU COBRÁ-LO DO MESMO JEITO.


3 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "PRÁ MUDAR MATO GROSSO II" ( DEM, MDB, PDT e PSD)-  Nº INICIADOS PELAS DEZENAS  25, 15, 12 e 55

VOCÊ (RE)ELEGEU 
ESTES DEPUTADOS FEDERAIS:  CARLOS BEZERRA      (MDB)  - 59.155 VOTOS   REELEITO
                                                         JUAREZ COSTA            (MDB)  - 49.912 VOTOS
                                                                          
PARABÉNS, SE VOCÊ (RE)ELEGEU DIRETAMENTE O SEU ESCOLHIDO PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LO, APLAUDI-LO E COBRÁ-LO. SE NÃO, QUE OS(RE)ELEITOS INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJAM TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LOS, APLAUDI-LOS OU COBRÁ-LOS DO MESMO JEITO.


4 - SE VOCÊ VOTOU EM ALGUM CANDIDATO  DA COLIGAÇÃO "SEGUE EM FRENTE MATO GROSSO II" (PSDB, SOLIDARIEDADE, PPS e PSB)  Nº INICIADOS PELA DEZENA  45, 77, 23 e 40

VOCÊ ELEGEU
ESTE NOVO DEPUTADO FEDERAL:  DR. LEONARDO  (SOLIDARIEDADE) - 52.335  VOTOS                                                                                                            
PARABÉNS, SE VOCÊ ELEGEU DIRETAMENTE O SEU ESCOLHIDO PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LO, APLAUDI-LO E COBRÁ-LO. SE NÃO, QUE O ELEITO INDIRETAMENTE COM SEU VOTO SEJA TAMBÉM DE SEU AGRADO. PODE (DEVE) ACOMPANHÁ-LO, APLAUDI-LO OU COBRÁ-LO DO MESMO JEITO.


SE  VOTOU EM CANDIDATO DE OUTROS PARTIDOS OU COLIGAÇÕES VOCÊ JÁ SABE QUE NÃO CONSEGUIU ELEGÊ-LO, MESMO ASSIM PARABÉNS! O VOTO PROPORCIONAL NUNCA É PERDIDO, AJUDA A DEFINIR A PROPORÇÃO DAS CORRENTES IDEOLÓGICAS DEFINIDORA DO NÚMERO DE CADEIRAS A SEREM DISTRIBUÍDAS ENTRE AS CORRENTES PARTIDÁRIAS EM DISPUTA. ASSIM  FOI IMPORTANTE CUMPRIR O DEVER CÍVICO DO VOTO E VOCÊ TEM O MESMO DIREITO (OBRIGAÇÃO) DE ACOMPANHAR,  APLAUDIR OU COBRAR TODOS AQUELES QUE FORAM ELEITOS.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O VOO DA ÁGUIA

Imagem Internet
 José Antonio Lemos dos Santos
     Neste domingo do primeiro turno das eleições o Facebook trouxe uma foto e um comentário sobre o “Monumento Ulysses Guimarães” na avenida do CPA lembrando sua construção na gestão do prefeito Dante de Oliveira e que simbolizaria “a ação metafórica de uma Águia voando em direção à região norte do Estado de Mato Grosso, onde por certo está e estará ocorrendo o desenvolvimento, principalmente o econômico financeiro e ainda a miscigenação das culturas que para cá vieram...” Oportuna a lembrança justo na semana em que a Constituição Brasileira completava 30 anos e exato no dia da realização uma das eleições mais importantes e difíceis já realizadas no Brasil.
     O monumento, hoje bem degradado, projetado com o colega Ademar Poppi, suscita algumas interpretações, umas lúcidas como esta da postagem, outras jocosas como a que dizia que o marco de fato apontava para o Palácio Paiaguás que seria o alvo político do então prefeito. Lembro também de uma tipo mundo-cão que via os círculos concêntricos em pedra portuguesa (não mais existente) em volta do monumento como se fossem ondas circulares no mar em torno do rabo semimergulhado do helicóptero em que faleceu o grande político brasileiro. Criatividade.
     Mas, de fato o monumento foi proposto por Dante de Oliveira como uma homenagem a Ulysses Guimarães, o político fiador do processo de redemocratização do Brasil e de sua nova Constituição. Foi idealizado como expressão simbólica da transição entre o período militar e a democracia que se instalava no país. O partido arquitetônico foi então uma águia, uma ave forte, valente, criada pelo renomado escultor Nikos Vlavianos, simbolizando a democracia alçando seu voo no Brasil, um voo que se pretendia cada vez mais alto, livre, seguro e verdadeiro, como pretendemos até hoje. Uma vez aprovado o partido era preciso que ele tivesse uma direção, um rumo determinado e escolhemos o Norte, o marco zero da bússola, a partir do qual todas as direções se orientam.
     Mais que agradável, a referência ao também chamado “Monumento à Democracia” neste momento é muito oportuna pois enseja uma avaliação de a quantas anda nossa águia democrática em seu tão acalentado voo alçado a cerca de três décadas atrás. Em especial agora em que acaba de ultrapassar um momento de enorme turbulência sendo bombardeada por todos os lados, à esquerda e à direita, talvez a maior barreira de fogos que já tenha enfrentado dentre os diversos momentos de risco que enfrentou. A morte de Tancredo, a posse de Sarney, os impeachments de Collor e Dilma foram momentos em que a democracia se mostrou suficientemente forte para resistir e resistiu, ainda que enlameada pela a corrupção que vinha se generalizando e se generalizou plenamente. No início de 2018 a agenda das enormes dificuldades para o ano já se mostrava lotada em especial com o julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula e seus graves desdobramentos e também com as eleições previstas para outubro que já se prenunciavam em tons de radical polarização. Tudo isso envolto em um ambiente de forte desemprego. Porém, além das previsões vieram o escândalo da JBS e a greve dos caminhoneiros. Muito difícil. As chances da nossa águia da democracia ser abatida tornaram-se então enormes.
     Eis que em meio à tormenta surge uma força de alento com pesquisa Datafolha constatando o apoio à democracia por 69% da população brasileira, número jamais alcançado no Brasil, nem mesmo durante as primeiras eleições após a redemocratização, quando se instalou em Cuiabá a águia de bronze que lembramos hoje a alçar seu voo democrático em nosso país. Ainda que chamuscada, ferida, enlameada, a grande ave valente persiste em seu voo e vai vencendo os obstáculos.