"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 20 de abril de 2020

CUIABÁ 320-19

CAPITANIA FLUVIAL DO PANTANAL CHEGA A CUIABÁ-MT | CFPN
                Rio Cuiabá      (Foto: Marinha do Brasil)
José Antonio Lemos dos Santos
     Uma cidade não dá no pé como caju ou goiaba. A cidade é uma invenção humana, aliás, a maior, a mais importante, a mais bem sucedida e, também, a mais complexa. Ela é um objeto construído pelo homem, normalmente edificada a cada dia pelos seus donos, os cidadãos, numa obra sem fim, um grande e permanente canteiro de obras. Ao contrário do que parece, não são os governos que constroem a cidade normal e saudável. Ela é construída aos poucos e cotidianamente pelo cidadão, do mais simples ao mais poderoso; aos governos cabem as obras comuns de infraestrutura, bem como sua ordenação, através do planejamento e controle dessa grande obra.
     Assim é Cuiabá, nascida à beira de um corguinho chamado Ikuiebô,  o “córrego das estrelas” para seus habitantes originais, os Bororos, pelas pepitas que faiscavam em suas margens à luz da lua. A monumental Enciclopédia Bororo dos Salesianos ensina que a cidade recebeu o nome das pedras que ainda hoje ficam na foz deste mesmo corguinho, agora um canal de esgoto sob a grande avenida Coronel Duarte, a popular Prainha, e que eram chamadas pelos autóctones de Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão. Já existiam ocupações anteriores nas regiões do São Gonçalo Beira-Rio e do Coxipó do Ouro, hoje áreas dinâmicas e integradas da cidade, embora na época distantes e em decadência pela descoberta do ouro às margens do Ikuiebô.
     E ela floresceu formosa, mãe de cidades e estados, mãe do próprio Mato Grosso. O aniversário de Cuiabá deveria ser também o aniversário deste “Ocidente do imenso Brasil”. Sobreviveu a duras penas, forjando uma gente corajosa e sofrida, mas alegre e hospitaleira, dona de rico patrimônio cultural e com proezas que cobram mais carinho dos historiadores. Cuiabá hoje vibra em dinamismo, globalizada e provinciana, festeira e trabalhadora, centro de uma das regiões mais produtivas do planeta, agora abalada com o mundo pela covid-19.
     Mas Cuiabá que já venceu males maiores como a varíola e a gripe espanhola, vencerá mais esta, seguindo vibrante na construção do seu futuro a ser planejado e controlado em favor do bem comum, para que a soma do trabalho de cada um na grande obra urbana resulte numa cidade cada vez mais bela, justa, confortável, segura e ambientalmente sustentável, com padrões crescentes de qualidade de vida. Neste processo, 2020 é especial pelas eleições municipais previstas, que mesmo ameaçadas pela pandemia, serão um tempo para a sociedade pensar seu futuro, eleitores e candidatos.
     Para o Tricentenário, a cada ano escrevi artigos em contagem anual regressiva a partir do 290º aniversário da cidade. Passados os 300 anos, Cuiabá deveria adotar um novo marco a ser alcançado, por exemplo o seu 320º aniversário, um prazo de 20 anos, horizonte mínimo para o planejamento de uma cidade e um tempo com alguma chance de alcançar com meus artigos. Neste período além de metas macro como o resgate do Sistema de Municipal de Desenvolvimento Urbano, um urgente e agressivo plano de recuperação econômica pós pandemia, a otimização da infraestrutura, o ajustamento da malha viária através dos padrões geométricos mínimos de cada via e a desocupação digna das áreas de risco, poderiam ser incluídos também projetos específicos perseguidos a tempos pela cidade metropolitana, entre estes a revitalização do Centro Histórico, a ferrovia, o Rodoanel, o centro cultural sul-americano, a internacionalização do aeroporto e seu hub aeroviário, a distribuição do gás e a consolidação da Região Metropolitana como principal polo de verticalização da economia do estado. E por que não um time na série “A” do brasileirão? 20 anos dá? Agora só faltam 19.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O LARGO DO ROSÁRIO

Foto José Lemos
José Antonio Lemos dos Santos
     Suponhamos que você tenha adquirido um imóvel e precisasse demolir uma edificação existente no terreno. Depois por algum motivo você teve que interromper a demolição e essa interrupção durou mais do que o esperado deixando no local as ruínas da demolição não concluída, enfeiando a cidade e oferecendo riscos à segurança e à saúde da população. Se isso acontecesse e se vivêssemos num país onde as leis fossem cumpridas, em especial as a favor da população, em pouco tempo seu imóvel seria vistoriado pela prefeitura para avaliar os riscos à segurança pública ou os prejuízos à estética da cidade e em caso de confirmação dos malefícios, você seria intimado a tomar as providências devidas com prazo fixado e sem prejuízo de multas.
     Seguindo o raciocínio, quando o governo desapropria um imóvel também está assumindo as responsabilidades por ele, ficando sujeito às mesmas regras cabíveis aos simples mortais. Quando o governo decidiu implantar o VLT em Cuiabá tinha como uma de suas primeiras tarefas a desapropriação dos imóveis por onde o projeto passaria. E, de fato desapropriou diversos imóveis. Fato é que, por razões que extrapolam a este artigo, o empreendimento governamental foi paralisado e até hoje, passados quase cinco anos ou mais, não existe perspectiva de prazos para sua continuidade, a não ser a manifestação do governador e seu secretário de infraestrutura no sentido de decidir se sim ou não em um ano, mas afirmam, com preferência inicial pela implantação. Acho bom.
Foto José Lemos
     Enquanto seguia o projeto do VLT muitos dos imóveis desapropriados foram devidamente demolidos e seus entulhos retirados, porém sem nenhum outro cuidado adicional, nem fechamento ou limpeza, e muitos estão hoje servindo para depósito de lixo ou entulhos de terceiros, abrigo de marginais, foco de animais peçonhentos e aedes aegypti, além de enfeiar a cidade. E continuam assim, de mal a cada vez pior. Por suposto a prefeitura não visitou o setor competente do governo cobrando providências ou, se foi, nem deram bola.
     Uma quadra inteira no centro histórico de Cuiabá chamada hoje de “ilha da banana” por parecer com a fruta nas imagens de satélite, é o símbolo maior dessa vexatória situação que traz tão graves prejuízos à cidade. Localizada no sítio onde se deu a descoberta do ouro da origem de Cuiabá, bem em frente a alguns de seus cartões postais como a igreja do Rosário e São Benedito, a igreja do Senhor dos Passos, a mesquita de Cuiabá e colada ao Morro da Luz, deveria ser um dos pontos mais acarinhados pelo cuiabano no Tricentenário. Mas ao contrário, teve a quase totalidade de seus imóveis desapropriados e demolidos restando lá suas ruínas já a anos, colocando sob diversos e graves riscos a população, dando péssima impressão aos turistas, em suma, maculando um espaço que deveria ser sagrado ao cuiabano. Enquanto isso a prefeitura corre atrás de novos projetos para “embelezar” a cidade, quando podia também concentrar esforços na “ilha da banana”.
     No ano do Tricentenário de Cuiabá essa situação não pode perdurar. Como não dá tempo para implantar de forma definitiva o “Largo do Rosário” proposto com o VLT, por certo que até a Festa de São Benedito ainda daria para limpar aquela área, aplainá-la, basicamente um trabalho de tratores complementado com passeios, bancos, iluminação, arborização e gramados em um projeto emergencial simples, compatível com o prazo e a versão definitiva do “Largo”. Muitos dos largos históricos começaram como um espaço simples aberto à frente de igrejas ou órgãos públicos. Alguns dirão que não dá tempo nem para isso. Então, que no mínimo limpem a área despoluindo a paisagem. O que não dá é continuar do jeito que está.
Foto José Lemos

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

DIFERENCIAL HISTÓRICO DE CUIABÁ

Foto José Lemos
José Antonio Lemos dos Santos
     As melhores cidades do mundo aprenderam faz tempo que o patrimônio histórico urbano não é uma carga inútil ou um sacrifício. Ao contrário, ensinam tratar-se de enorme riqueza e que seu aproveitamento sustentável é seguramente um investimento com enorme potencial de retorno financeiro pelo incremento turístico e de outras atividades produtivas na área beneficiada, ou em termos de empregos, renda, merchandising urbano e elevação da autoestima da população. Esta lição vale para qualquer cidade, pois todas têm o que mostrar, contar e encantar aos seus visitantes. É claro que estes benefícios variarão conforme a importância do patrimônio considerado e seu poder de atração, as facilidades de acesso e as possibilidades de combinação com outras atrações otimizando o investimento do turista.
      O centro histórico de Cuiabá tem um significado que transcende a história local, pois a cidade que nasceu do ouro como tantas outras, foi também a ocupação portuguesa mais a oeste da linha de Tordesilhas, em terras então espanholas, quando este Tratado era rediscutido visando a redefinição dos limites da ocupação continental entre portugueses e espanhóis. Prevaleceu então o direito pela posse, o “Uti Possidetis”, e Cuiabá nessa discussão passa desde cedo a ter uma função estratégica para a Coroa Portuguesa na ocupação da hinterlândia continental que veio posteriormente a se consolidar como território brasileiro. Mais que a história de uma cidade, a história de Cuiabá se confunde com a história do oeste brasileiro, aspecto ainda pouco reconhecido pela história oficial brasileira. Com base neste papel transcendental, Dom Aquino chamou Cuiabá de “Celula Mater”, a célula mãe que está na origem de 3 estados e praticamente todos seus municípios, peça chave na ocupação, defesa, promoção e suporte para esta imensa região que hoje se apresenta como uma das mais dinâmicas no mundo. Este grande diferencial está registrado na fisionomia atual da cidade, ainda que seus traços mais antigos estejam desaparecendo.
     Mas o cuiabano histórico, além da fibra, valentia, alegria e hospitalidade que sempre o caracterizaram, ele é também um personagem simples, pacato e de extrema boa-fé, incapaz de reconhecer seus próprios méritos e virtudes. Assim quando se comemora o aniversário da cidade, de fato deveríamos estar comemorando em conjunto o aniversário do oeste brasileiro. Mas, agora de quê? Ao tratar seu patrimônio histórico o cuiabano deveria estar tratando de um registro cultural pertencente também ao Brasil. Aliás, que outro motivo levaria o Centro Histórico de Cuiabá ao tombamento pelo Patrimônio Histórico Nacional? 
     O Centro Histórico de Cuiabá merece tratamento à altura de seu significado diferenciado, postura que deve fundamentar a busca pelas devidas parcerias com o governo federal, também com grande responsabilidade no assunto. Debaixo de um sol inigualável no exato centro geodésico da América do Sul, à beira do Pantanal, próxima à Chapada dos Guimarães, Nobres, termas de São Vicente, das belezas amazônicas e do cerrado, e mesmo das plantações high-tech com suas floradas dos girassóis e algodoais, Cuiabá não pode abrir mão de seu patrimônio histórico urbano enlaçando um extraordinário pacote turístico para Mato Grosso como poderosa ferramenta para seu desenvolvimento e do estado. Porém uma empreitada como esta exige firme convergência de interesses das lideranças políticas e empresariais, da sociedade civil organizada e das autoridades governamentais em todos os poderes e instâncias. Em suma, união e vontade política, recursos indispensáveis, mas que infelizmente se mostraram escassos nestas décadas em que o assunto tem sido tratado. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

RUÍNAS DO CENTRO HISTÓRICO

José Antonio Lemos dos Santos
     As lágrimas que caem a cada desmoronamento no centro histórico de Cuiabá, mesmo as dos crocodilos, não caem pelo patrimônio que se esvai, caem por nós. O que estamos fazendo com a história de Cuiabá, parte significativa da história do Brasil, faz lembrar John Donne, que conheci numa citação de Hemingway: ”A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes perguntar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
     A história é antes de tudo a história dos homens que a protagonizam deixando marcas ao longo do tempo em suas diversas manifestações como arquitetura, pintura, música, literatura, tecnologia e outras que passam a ser consideradas a própria história que as gerou, tomando a obra pelo seu criador. Parafraseando Donne, a cada patrimônio perdido diminui cada cuiabano de coração, nato ou não, pois somos parte direta dessa história de Cuiabá. Daí, a dor e as lágrimas dos cuiabanos pela destruição acelerada de seu centro histórico pois é a destruição da história de cada um de nós e de todos nós, e um povo sem história morre, desaparece. Não pergunte, pois, por quem choramos, choramos por nós, pela nossa própria destruição, que acelera a cada eventual patrimônio que desaparece.
     O que seria a história presente se não a construção do futuro com as condições deixadas pelo passado? Ou, a história não seria o futuro chegando rapidinho, tornando-se presente e de imediato virando passado? Passado, presente e futuro são momentos diferentes de um mesmo fluxo, a história. Assim, chorar pela destruição da história é prantear também pelo presente e pelo futuro. Em especial no caso de Cuiabá pois seu maior patrimônio histórico é o futuro. Que outro motivo haveria para as gerações passadas sofrerem tanto isolados neste ermo do mundo, a não ser para legar ao futuro uma localização mágica, que hoje se revela privilegiada e estratégica no exato centro do continente sul-americano e centro de uma das regiões mais ricas do planeta? Daí o atual dinamismo vivido por esta cidade, iluminada pelo futuro que brilha à sua frente. Bem diferente de suas irmãs do ciclo do ouro transformadas em museus, Cuiabá segue viva em função do futuro que lhe foi legado. Falta-lhe compatibilizar o futuro com o passado, como fazem as melhores cidades do mundo. Sabem que cuidar do passado é promover o orgulho local e gerar renda e empregos de qualidade.
     Outro dia desmoronou a Gráfica Pepe, casarão de refinada arquitetura, queda anunciada e assistida por todos pois já há algum tempo a fachada se inclinava sob o peso do belo e autêntico frontão eclético, uma joia que foi caindo à vista de todos e caiu. Ano trasado foi a Casa de Bem-bem, peça rara da arquitetura colonial brasileira. Antes, a casa de Rolim de Moura, primeiro governador do estado e primeiro Vice-Rei do Brasil. Foram-se também as de Dutra e Murtinho. Foi-se o Palácio Alencastro, depois a Catedral e o sobradão do antigo PSD. Qual será o próximo? Talvez a Casa Orlando do último abastecimento do lendário Coronel Fawcett? O sobradão do Beco Alto? as casas de Generoso Ponce e Deodoro? A de Floriano nem se tem notícia.
     O mesmo acontece com a Arena Pantanal, moderna, mas não menos histórica, um edifício aclamado no mundo, palco para grandes eventos nacionais e internacionais, porém, criminosamente abandonada. E com ela vai o futuro que prometia, assim como o futuro prometido pela ferrovia, pelo gasoduto e termelétrica, pelo Porto Seco, pela internacionalização do aeroporto, pelos COTs da Copa e tantas outras potencialidades, tudo abandonado. E nós cuiabanos assistindo, quando muito choramos, lágrimas para nós mesmos. Até quando?


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

NATAL, PÉROLAS E PORCOS

CristianismoConsciente
José Antonio Lemos dos Santos

     Não se trata da Família Pig do desenho na TV, e sim de nós mesmos, ditos humanos, cidadãos. As coisas em si são boas e belas, pérolas para benefício da Humanidade, mas caídas em mãos humanas é preciso sorte para que não virem lama. Parece que confundimos o barro bíblico que nos modelou com a lama fétida dos chiqueiros e por isso também busquemos a lama para nosso destino enquanto espécie, levando junto tudo o que tocamos. Temos uma notável atração pela porcaria.
     É difícil em pleno Natal iniciar um texto assim, em especial para quem às vezes é criticado justamente por ser otimista e esperançoso, condições aliás indispensáveis ao arquiteto e urbanista. Contudo, pensando bem, ao contrário do que parece, não existe ocasião mais propícia. O Natal ensina que a origem e destino do homem são divinos e não porcos, lembrando a chegada de Deus feito homem para nos ensinar a grande lição, o homem é filho de Deus, obra divina, criado para o bem, para o belo e para o justo. A cada Natal renasce essa esperança do reencontro com o divino e a certeza de ser esse o caminho.
      Enquanto isso, todos vimos o que foi feito da “Casa de Bem Bem”. Uma pérola da cultura mato-grossense, uma joia a ser conservada e reverenciada com carinho. Nada mais compatível aos porcos do que destelhar a casa em pleno período de chuva e parar a obra! Na certa a taipa socada exposta à chuva daria uma boa lama em pleno centro histórico de Cuiabá, área tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional por sua importância nacional.  E não adianta jogar a culpa nas porcas autoridades responsáveis. Tal crime só aconteceu porque somos complacentes com a porcaria deixando que ela avance em seu chafurdar Expresso minha indignação na rede social, escrevo um artigo, desopilo o fígado e fica por isso mesmo. Logo os porcos nos indignarão de novo. Se a cada avanço da porcaria tivéssemos uma reação de fato contundente e objetiva ela não avançaria. Nossa leniência também nos faz porcos, ao menos cumplices da porcaria que assola Cuiabá, e o país.
     Também assistimos complacentes ao absurdo da profusão dos cabos desativados pendurados nos postes da cidade. A porcaria é também aérea. Falam que a prefeitura não pode fazer nada porque não existe lei que obrigue as concessionárias a retirar os cabos obsoletos. Elas que já deviam ter rebaixado a fiação em muitas áreas da cidade agora querem usar nossa paisagem como lixeira. A mesma lei que proíbe o cidadão deixar seu lixo nos logradouros públicos não serve para elas? Presente do Tricentenário? Esperam que algum motoqueiro seja degolado por um desses fios atravessados pelas ruas? Depois virão as lágrimas de crocodilo pela vítima e as promessas de “providências  enérgicas” para que o fato não se repita, lágrimas falsas que o bom português traduz como “de hoje para trás, nunca mais.”  E fica tudo assim.
     Todos sabemos da podriqueira que virou nossa tão sonhada democracia, com os políticos chafurdando felizes às nossas custas. Às vésperas do Natal as câmaras de Cuiabá e Várzea Grande criaram o 13º salário para os vereadores. Falam que é legal mesmo afrontando a Moralidade, um dos princípios da administração pública no país. Pode? E o que fizeram com a Copa, a maior oportunidade de investimentos jamais vista por Cuiabá? Um retrato disso é o novo desbarrancamento da cabeceira da Ponte do São Gonçalo trajeto que se tornou indispensável a boa parte dos cuiabanos. Desculpem-me os porcos, hoje suínos, limpos, por compará-los aos que insistem em querer ser porcos, apesar de sua origem divina. Viva a esperança do Natal do Deus menino!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

POR QUE?

Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos
     Mil perguntas em busca de respostas aquecem a cabeça das pessoas. Este artigo é dedicado a algumas delas. Nem serão abordadas questões tidas como mais complexas tais como quando a ferrovia chegará a Nova Mutum passando por Cuiabá, ou quando o Brasil terá uma verdadeira reforma política? São abordadas aquelas aparentemente mais simples e que por isso mesmo tornam incompreensíveis aos simples mortais o silêncio ou as (des)explicações dadas pelos responsáveis.
     Primeiro, com seu PIB crescendo a 5,1% para uma recessão de 3,6 % no país, a maior recessão da história brasileira, como o governo do estado que mais cresce no Brasil está sempre em grandes dificuldades financeiras em suas sucessivas administrações? Isso para um crescimento populacional de pouco mais de 1%. Quer dizer, as demandas sociais crescem bem abaixo do ritmo de crescimento de suas riquezas, e não podem ser dadas como desculpa. Imaginem se Mato Grosso estivesse em recessão como a maioria dos demais estados brasileiros? Não dá para entender, só suspeitar.
     Por que os ônibus de Cuiabá da última aquisição (2016) não trazem mais em sua numeração externa o ano de sua aquisição? Muita gente não sabia pois a informação não era devidamente passada ao público, mas a bastante tempo os dois primeiros números da identificação dos ônibus indicavam o seu ano de fabricação. Uma forma simples do usuário fiscalizar se o veículo estava dentro de seu prazo de validade conforme definido nas concessões. Em vez de orientar o usuário para agir como fiscal, retiraram a numeração. Um vereador ficou de buscar as explicações, já faz tempo. Não dá para entender, só suspeitar.
Foto José Lemos

      Ainda que sem querer, um dos bons legados da Copa foi ter engajado o cidadão e a mídia em uma constante cobrança sobre o andamento de suas obras, mesmo após a realização do grande evento internacional. Por que não se aplica a mesma cobrança intensa e necessária para as demais obras públicas? Como estão o Pronto Socorro de Cuiabá, o novo aquário, a duplicação para Rondonópolis, o Hospital Central de Cuiabá, a ZPE de Cáceres?
     Por que o desprezo institucional para com o Centro Histórico de Cuiabá, Patrimônio Histórico Nacional tombado pelo IPHAN, diferencial que poderia e deveria estar rendendo muitos empregos e renda para o cuiabano? O Tricentenário poderá ser o elemento aglutinador dos governos estadual e municipal na busca junto ao governo federal os recursos que são também da obrigação da União por se tratar de seu patrimônio histórico? A prefeitura levanta a possibilidade de incentivar o uso do espaço por faculdades, resgatando a vida para o coração da cidade, assunto que poderia ser trabalhado em paralelo com a retirada do lixo aéreo deixado pelas concessionária de energia e telefônicas nos postes. Um patrimônio riquíssimo não aproveitado.
circuitomt

     Dentre diversas outras perguntas que tornam insuficiente o espaço de um artigo, lembro rapidamente do voo internacional de Cuiabá para a Bolívia. Por que não é inaugurado, apesar do interesse da empresa aérea e da autorização do governo boliviano?  Complementando a questão do voo para a Bolívia, porque o Centro Geodésico da América do Sul não é devidamente aproveitado como um polo turístico de interesse internacional gerador de trabalho, renda e cultura para a população? E por que a birra para com o futebol cuiabano, manifesto na absurda interdição do Dutrinha por falta de segurança (quais teriam melhor no estado?) e no tratamento que vem sendo dado à Arena Pantanal, um dos estádios mais espetaculares do mundo, mas que não tem condições de executar o Hino Nacional pelo não funcionamento de seu sistema de som?
(Publicado em 03/10/2017 pelo Diário de Cuiabá, FolhaMax, NewsCuiabá, ODocumento, ...)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

REVITALIZANDO O CENTRO

Estrela Guia News

José Antonio Lemos dos Santos
     O artigo da semana passada sobre a possibilidade da UFMT ocupar a antiga sede da Delegacia da Receita Federal (DRF) na avenida Getúlio Vargas, despertou bastante interesse dos leitores, alguns entusiasmados com a proposta do professor José Afonso Portocarrero. Relembrando, a ideia é a instalação de uma faculdade, em princípio a de Arquitetura e Urbanismo, trazendo toda a cadeia de atividades a ela relacionada, tais como livrarias, lanchonetes, copiadoras, repúblicas, sorveterias, restaurantes e outras, resgatando o movimento de pessoas e da economia característicos dessa região em décadas passadas.
     A revitalização do centro histórico de Cuiabá tombado pelo Património Histórico Nacional e suas cercanias é antigo desejo da cuiabania, uma necessidade urbanística e uma imposição da história não só local, mas de Mato Grosso e do Brasil. Alguns menos ligados à história do Brasil e mesmo do continente sul-americano podem desconhecer que este lado do oeste brasileiro pertencia à coroa espanhola e Cuiabá foi o primeiro polo fixo da ocupação portuguesa por estas bandas. Primeiro e único durante muito tempo. Daí Cuiabá ser considerada a célula “mater” deste “ocidente do imenso Brasil” na letra do hino de Dom Aquino, mãe remota de todas suas cidades e estados.  O cuiabano comeu o pão que o diabo amassou para assegurar como brasileira esta rica parte do Brasil. Por isso a importância do Centro Histórico de Cuiabá ultrapassa os limites da própria cidade e deve ser cuidado com o carinho de uma relíquia urbanística não só pela cuiabania e governo municipal, mas também pelo estado e federação.
     A ideia soma-se à uma anterior determinação do prefeito Emanuel Pinheiro no mesmo sentido propondo incentivos fiscais para faculdades e escolas instalarem na região. Não sou da prefeitura, já questionei alguns projetos do prefeito e sou contra algumas atitudes suas até que explicadas convincentemente, mas ele está sendo brilhante com esta proposta concreta, em especial pela proximidade do Tricentenário da cidade. E ele sabe que só isto não basta. Mas é um passo importante.
     Como disse, o projeto de revitalização do centro histórico é sonho antigo da gente cuiabana e da própria prefeitura e que vem sendo atrapalhado pela mesquinharia política de alguns governantes que ainda creem na bobagem de que ajudar um projeto de outro seria como colocar azeitona na empadinha daquele que um dia poderá ser seu adversário. Até outro dia quando a prefeitura tomava a iniciativa o estado puxava o tapete, e quando o estado queria, a prefeitura atrapalhava. Presenciei algumas vezes. Tal desunião torna-se grave neste projeto porque seu grande gargalo é o rebaixamento da fiação, projeto muito caro, que não se viabiliza sem o apoio federal. E se não houver união não haverá força suficiente para sensibilizar o governo federal diante da grande demanda de projetos semelhantes que pressiona Brasília.
     Nada menos histórico do que um poste desproporcional, com um transformador gigante e um monte de fios pendurados, agredindo uma fachada restaurada a muito custo. Com a fibra ótica muitos desses fios foram inutilizados e hoje são lixos aéreos que, segundo soube, não são retirados pelo custo de sua remoção. Fala sério! Como podem empresas imensas, algumas multinacionais, concessionárias públicas, deixar seu lixo pendurado pelas ruas enfeando a já combalida paisagem urbana e pondo em risco o cidadão? Senhor prefeito, a retirada urgente desse lixo aéreo seria outro passo de sua administração em sinal de respeito ao centro histórico no rumo da revitalização. Isto, sem prejuízo da busca de recursos para o rebaixamento da fiação junto com o estado, unidos finalmente. O Tricentenário é a chance.
(Publicado em 26/09/17 pelo Diário de Cuiabá, FolhaMax, MidiaNews, ...)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

SÓ DE BOAS

AgoraMT
José Antonio Lemos dos Santos

     Depois de duas semanas gripado e uma com o PC no estaleiro nada
como retomar o elã com boas notícias que precisam ser compartilhadas,
em especial, em momentos como este em que o lado ruim do Brasil
predomina nos noticiários. Ainda que a pretexto de execração as más
notícias se alastram como vírus perverso e contaminam todos os meios
de comunicação, corações e mentes, dando impressão de que tudo virou
essa tranqueira nefasta e que tudo é negativo sem luzes indicativas
para possíveis saídas. Mas não é bem assim, ou melhor, talvez a gente
não queira que seja assim apegando-nos às notícias boas que aparecem
aqui e ali nesse mar de lama como se fossem boias de esperança.
     E vamos às boas. Semana trazada Cuiabá sediou uma das etapas do
Gran Prix Mundial de Voley Feminino com jogos decisivos para a
classificação da seleção brasileira para as finais na China. Estiveram
no calor cuiabano, amainado naqueles dias por uma ligeira virada do
tempo, algumas das melhores seleções do mundo, Brasil, Bélgica,
Holanda e Estados Unidos, esta treinada por Karch Kiraly, ícone
mundial do esporte. Uma grande chance para os jovens mato-grossenses
verem ao vivo as grandes atletas, sentindo que seus ídolos são gente
da carne e osso, igual a todos, e não um feixe de elétrons, distantes,
servidos no conforto dos sofás, com pipocas, pizzas e refrigerantes.
São reais e podem muito bem servirem como boas inspirações de vida.
     Num mesmo domingo, tendo pela manhã o jogo decisivo do Brasil
contra os Estados Unidos, no período da tarde aconteceu a espetacular
apresentação da Esquadrilha da Fumaça, enchendo as ruas da cidade no
entorno do belo Parque Tia Nair. Tanto nas ruas quanto no Ginásio
Aecim Tocantins o público em delírio a cada jogada das extraordinárias
jogadoras brasileiras e americanas ou a cada manobra dos exímios
pilotos da Forção Aérea Brasileira. Cinquenta mil pessoas? É muito bom
ver jovens e adultos, famílias inteiras vibrando juntos positivamente.
     Nessa mesma linha de grandes eventos surgiu a determinação do
prefeito Emanuel Pinheiro pela inserção da cidade no circuito nacional
de corridas de Stock Cars, e já iniciando tratativas para viabilização
do grande evento como parte das comemorações dos 300 anos de Cuiabá. A
ideia é ser nas pistas em volta do belo Parque das Águas, local bem
escolhido. Há que se torcer muito, pois trata-se de evento de altos
custos. Mas se outras cidades de mesmo porte podem ter por que não se
pode tentar aqui. O perigo são aqueles “do contra” e que nessa hora
para dourar seus discursos lembram de hospitais, escolas, cadeias,
esquecendo que investir pesado em esporte e lazer de qualidade é a
forma mais eficaz e sustentável de se promover a Saúde verdadeira.
     Outra boa notícia partiu também do prefeito de Cuiabá, acenando
em presentear a cidade no seu Tricentenário com seu Centro Histórico
revitalizado como um centro cultural universitário com o apoio de
diversas instituições de ensino que já teriam manifestado interesse.
Promete muitas possibilidades de incentivos fiscais e de serviços de
apoio. Brilhante, muito embora o rebaixamento da fiação seja um
obstáculo a esse antigo sonho cuiabano. Mas isso já é o vírus da
ruindade querendo contaminar nossa esperança. O prefeito saberá como
somar as forças da prefeitura, com o estado e a União, esta com
importante responsabilidade no assunto já que se trata de um
Patrimônio Histórico Nacional.
     Sem dúvidas boas notícias. O mais importante é encarar o presente
e o futuro de forma positiva e nas dimensões atuais de Mato Grosso e
sua capital. Bem trabalhados todos os custos voltarão em forma de
emprego, renda e qualidade de vida para a população.
(Publicado  em 01/08/17 pelo Midianews, FolhaMax, PáginaDoEnock, Diário de Cuiabá, ...)

sábado, 1 de abril de 2017

CUIABÁ 300-2

 
DroneCuiabá

José Antonio Lemos dos Santos

     Desde 2009 a cada aniversário de Cuiabá escrevo estes artigos em contagem anual regressiva não só para comemorar o aniversário do ano, mas também para lembrar o tempo disponível para a preparação da cidade para seu Tricentenário. A preocupação era comemorar a efeméride com a cidade engalanada com melhores padrões urbanísticos e jubilosa com sua população usufruindo níveis superiores de qualidade de vida. Esse seria o maior presente. Vale registrar que nesse período aconteceram algumas iniciativas consistentes, destacando-se a feira “Edificar”, evento bianual produzido pelo Sinduscon/MT, Secovi/MT e Indústria D’Eventos tendo como tema a expressão “Cuiabá 300”.
      De fato, essa preocupação vem de 1989 com a Lei Orgânica de Cuiabá na qual foi trabalhado o capítulo da “Política Urbana” com a expectativa de garantir a consolidação das bases de uma gestão urbana moderna, contínua, participativa, feita sob medida para Cuiabá, tendo 30 anos como horizonte de planejamento, isto é, 2019, ou seja, Cuiabá em seu Tricentenário. O capítulo continua lá na Lei Orgânica mas a cidade não consolidou sua política urbana, ao contrário, desmantelou o que vinha sendo montado e a Cidade Verde ficou para trás de outras irmãs brasileiras que tomaram a mesma iniciativa, mesmo que depois.
     Com esse processo interrompido a alternativa à época seria a rápida preparação de uma agenda de projetos importantes, ainda que pontuais, para presentear a cidade. Foi quando aconteceu o milagre. Em 2009 a história surpreende os cuiabanos com o fantástico desafio da Copa do Mundo. Cheguei a acreditar que esse grande evento tivesse sido um artifício do Bom Jesus para treinar nós cuiabanos na preparação de sua cidade dignamente para os 300 anos. Um aprendizado de 5 anos para então se trabalhar uma agenda própria para a festa. Hoje sei que a Copa foi o próprio presente do santo padroeiro para sua cidade. Sem ele não teríamos nem as obras da Copa que ainda relutam em concluir.
     Festejar os 298 anos é exaltar uma cidade nascida entre as pepitas de um corguinho com muito ouro chamado pelos nativos de Ikuiebo, Córrego das Estrelas, que desaguava em um belo rio entre grandes pedras chamado Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão em bororo. E ela floresceu bonita, célula-mater deste “ocidente do imenso Brasil”. Mãe de cidades e Estados, o aniversário de Cuiabá é também do Brasil neste vasto Oeste brasileiro. Por quase três séculos resistiu a duras penas, tempo heroico que forjou uma gente corajosa e sofrida, mas alegre e hospitaleira, dona de rico patrimônio cultural e com proezas que merecem maior carinho da história oficial. Como um astronauta moderno, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave só por um cordão prateado, assim foi Cuiabá por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização só pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai. A cidade hoje vibra em dinamismo, globalizada e provinciana, festeira e trabalhadora, centro de uma das regiões mais produtivas do planeta que ajudou a ocupar e desenvolver.

Wikipedia

     Agora só restam 2 anos. Como evitar a simpática mesmice da “Garota Tricentenário” ou de um sambinha comemorativo? Logo, nem um miojo. Ficar nas obras da Copa? Os hospitais da UFMT e da prefeitura? Talvez ao menos um projeto para a revitalização do Centro Histórico envolvendo compromissos dos governos federal, estadual e municipal, abarcando toda amplitude de uma obra como esta, desde o rebaixamento da fiação até sua viabilização como um shopping cultural a céu aberto. Nada tão vergonhoso no Tricentenário do que o Centro Histórico como está. Mas, a esperança morre por último e não custa relembrar que, afinal, Deus é brasileiro e o Bom Jesus é de Cuiabá. Viva Cuiabá!



domingo, 8 de maio de 2016

ESTADO UNIDO DE MATO GROSSO


José Antonio Lemos dos Santos

     O dia 9 de maio marca o aniversário de Mato Grosso e ainda não é comemorado com toda a efusividade e orgulho que o homenageado merece. A data lembra 1748 quando o rei de Portugal, dom João V, através de Carta Régia determina a criação de duas Capitanias, “uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá”. A que seria das Minas de Cuiabá virou a Capitania de Mato Grosso e para governá-la foi nomeado dom Antonio Rolim de Moura, futuro Conde de Azambuja, que tomou posse e permaneceu em Cuiabá até Vila Bela ficar pronta. Morou em Cuiabá próximo à pracinha que lhe homenageia, conhecida como Largo da Mandioca. Depois chegou a ser vice-rei, o governante maior no Brasil na época, representante local de El-Rey. Se o presente para Cuiabá em seu Tricentenário pudesse ser a revitalização do seu centro histórico, ao menos com um projeto completo envolvendo os governos federal, estadual e municipal, a reconstrução histórica da casa de Rolim de Moura seria mais uma poderosa atração nesse que poderá ser um novo polo cultural e turístico cuiabano, gerador de emprego e renda.
     Sei que muitos acham que não temos nada a comemorar, alegando que em Mato Grosso faltam escolas, hospitais, esgoto, rodovias, ferrovias, etc. São os que só enxergam o que falta. E é bom que existam pessoas assim, desde que de forma construtiva. Prefiro enxergar aquilo que existe, em especial o que foi produzido pelo trabalho do povo, autônomos, patrões e empregados, apesar de todas as dificuldades e de tudo o que nos falta. Mato Grosso é hoje o maior produtor agropecuário do país, liderando o país em gado, algodão, milho, girassol, milho de pipoca, feijão, soja e também é um dos maiores produtores de ouro, diamante, madeira, álcool, biodiesel, carnes de frango, suíno e peixe. Melhor, Mato Grosso não produz armas, instrumentos da morte, como muitos dos que nos criticam. Ao contrário, com orgulho ajuda a matar a fome do mundo, ainda que sem plena consciência desse importante papel.
     Para chegar a esta posição Mato Grosso conta com a extensão e diversidade produtiva de seu território e, principalmente, com o trabalho sofrido e determinado de sua gente em todos os cantos. Comemorar os 268 anos de Mato Grosso é festejar a grande obra do mato-grossense que ano passado, apesar da crise, produziu um superávit comercial de US$ 13,7 bilhões, mais de 2/3 (66,4%) do saldo comercial brasileiro, o que daria para construir vários hospitais, escolas, ferrovias, duplicações rodoviárias e melhorar a qualidade dos serviços públicos. É o sexto estado maior exportador do Brasil e literalmente vem entupindo o Brasil alimentos, para consumo nacional e mundial, em um país que não se preparou, e não se prepara, para o tanto que este estado gigante produz, descompasso que tem custado caro em termos econômicos, ambientais e de vidas humanas aos mato-grossenses. 
     Comemorar os 268 anos de Mato Grosso não é ufanismo idiota, é festejar a riqueza construída, mas também cobrar tudo o que o povo que a produz tem direito. É ver hoje Mato Grosso rico espantando a pobreza que sempre foi o álibi dos maus governantes. O mato-grossense tem que festejar com alegria, orgulho e muitas cobranças. O sucesso de Mato Grosso é a força do trabalho de seu povo unido na grandeza e diversidade de seu território, e seu maior produto é sua gente, que lembro na figura de Rondon, um dos maiores homens gerados pela a Humanidade, cuja data, 5 de maio, passou despercebida em sua própria terra. Ainda com muito a consertar, Mato Grosso é para ser festejado, imitado e, sobretudo, aplaudido.  Viva Mato Grosso, unido e forte!
brasil.gov.br

(Publicado em 08/05/2016 pelos site Midianews, JornalOeste de áceres, Página do Enock, MatoGrossoNoticias, ...)

Comentários em sites:
No Midianews:

Benedito Carlos Teixeira Seror  08.05.16 12h21
Leio com muita atenção os artigos do Prof. José Antônio Lemos e sempre fico impressionado com seu otimismo, e o admiro pela coragem com que expõe e defende suas ideias. Torço para que em breve Mato Grosso seja definitivamente inserido no mundo das oportunidades para todos, modernizando-se, sem perder suas ricas tradições. O débito de políticas públicas que existe para com os que aqui vivem precisa urgentemente ser quitado. Com educação e cidadania conquistadas, poderemos alavancar as transformações de há muito aguardadas.
Nelson  08.05.16 16h13
Parabéns também para vc professor José Antonio Lemos pelo artigo que registra data de aniversário do nosso poderoso estado de Mato Grosso citando o primeiro governador Dom Rolim de Moura, personagem importante da nossa história relegado ao olvido pelos matogrossenses tal como o prédio que o abrigou.
manoel  09.05.16 09h51
"ALIMENTOS PARA O MUNDO" - Esta é a vocação deste Estado fenomenal. Parabéns Mato Grosso.

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quarta-feira, 6 de abril de 2016

CUIABÁ 300-3!

cuiaba.mt.gov.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Desde 8 de abril de 2009 a cada aniversário de Cuiabá escrevo artigos cujos títulos simulam uma contagem regressiva até 2019, ano de seu Tricentenário. Já estamos a apenas 3 anos da grande data. Essa preocupação com os 300 anos de Cuiabá já vinha desde 1989 quando a então nova Lei Orgânica do Município estabelecia um capítulo especial para a Política Urbana adotando entre suas ferramentas o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, cujos horizontes de planejamento vão de 20 a 30 anos, já forçando nosso olhar para o ainda distante 2019.
     Em 1999, a 20 anos do Tricentenário, o IPDU coloca em público a expressão “Cuiabá 300” como meta de trabalho, buscando estruturar o desenvolvimento urbano de forma que a cidade alcançasse padrões urbanísticos e de qualidade de vida mais elevados até 2019. Mas, esse processo foi interrompido e a alternativa que restou foi a preparação em tempo hábil de uma agenda de projetos pontuais para presentear a cidade. Em compensação, de imediato, em 2009 a história surpreende os cuiabanos com o fantástico desafio da Copa do Mundo. Estou cada vez mais convencido de que esse grande evento foi um artifício do Bom Jesus para um choque em nós cuiabanos fazendo-nos entender os novos tempos que a cidade vive e, assim, prepará-la condignamente para o seu Tricentenário. A cidade, enfim, teria que olhar para o futuro. Contudo, finda a Copa, o futuro sumiu de novo à nossa frente.
     Comemorar os 297 anos é exaltar uma cidade surgida entre as pepitas de um corguinho com muito ouro que era chamado pelos nativos de Ikuiebo, Córrego das Estrelas, que desembocava em um belo rio em meio a grandes pedras chamadas Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão em bororo. E ela floresceu bonita, célula-mater deste “ocidente do imenso Brasil”. Mãe de cidades e Estados, o aniversário de Cuiabá é também o aniversário do Brasil neste vasto Oeste brasileiro. Por quase três séculos sobreviveu a duras penas, tempo heroico que forjou uma gente corajosa e sofrida, mas alegre e hospitaleira, dona de um riquíssimo patrimônio cultural e com proezas que merecem maior carinho da história oficial brasileira. Como um astronauta moderno, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave só por um cordão prateado, assim Cuiabá ficou por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização só pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai. Cuiabá hoje vibra em dinamismo, globalizada e provinciana, festeira e trabalhadora, centro de uma das regiões mais produtivas do planeta que ajudou a ocupar e desenvolver.
     Agora só estamos a 3 anos do Tricentenário. O que poderia ser feito, para não ficar apenas na simpática mesmice da “Garota Tricentenário” ou de um bolo de 300 metros lambuzando a praça? Concluir as obras da Copa? Os hospitais da UFMT? Talvez, enfim, ao menos um projeto completo para a revitalização do Centro Histórico de Cuiabá envolvendo os governos federal, estadual e municipal, com recursos assegurados para sua execução e abarcando toda amplitude de um projeto como este, desde o rebaixamento da fiação, repaginação urbanística, incentivos tributários, até um modelo de gestão do espaço a ser tratado como um shopping cultural a céu aberto. Nada mais vergonhoso no Tricentenário do que o Centro Histórico como está, sem ao menos um projeto. Para quem já trabalhou e viu tanta gente boa trabalhar por esse projeto a mais de 30 anos, parece impossível crer que vá acontecer em apenas 3 anos. Mas, como a esperança é a última que morre, não custa nada relembrar o assunto, afinal Deus é brasileiro e o Bom Jesus é de Cuiabá. Apesar da não tão recomendável experiência da Copa, quem sabe Ele interceda de novo por sua terra?
(Publicado em 06/04/2016 pela Página do Enock, Site do CAU-MT, Jornal Oeste e em 08/04/2016 no Midianews ...)

Comentários por e-mail;
Em 07/04/16 Archimedes Lima Neto - Assoc. Bras. de Eng. Civis:
"Tão perto... 300 -3 ..."

Em 08/04/16 Cleber Lemes
"Bom Dia Dr. José Antonio ! 
Parabéns pelo excelente artigo, suscinto mas objetivo, uma aula de história. Faço minha as suas palavras em prol da Comemoração dos 300 anos de Cuiabá, não com bolo , mas sim com a revitalização do Centro histórico , bem como uma atenção dos nossos governantes Federal/ Estadual e Municipal para uma SAUDE mais digna. Abs 
​Cleber"

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quarta-feira, 8 de abril de 2015

CUIABÁ 300-4

brasilcidade.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Desde o anúncio da sede da Copa em Cuiabá tenho repetido cada vez mais convicto que esse grande evento foi um artifício do Senhor Bom Jesus para um choque em nós cuiabanos fazendo-nos entender os novos tempos que a cidade vive e, assim, prepará-la condignamente para o seu Tricentenário. Com a Copa Cuiabá voltaria os olhos para o futuro, discutindo projetos e melhorias em seus padrões urbanísticos. Minha grande expectativa de legado da Copa era que uma vez forçada a voltar-se para o futuro e concluídas as obras Cuiabá permanecesse para sempre nessa postura, emendando de imediato com uma nova matriz de projetos, compromissada agora não mais com a FIFA, mas com o tricentenário, compromissos do cuiabano com sua cidade, do mato-grossense com sua capital, do Brasil com a cidade baluarte da expansão ocidental de seu território. Que nada! Passada a Copa, o futuro sumiu de novo de nossa frente atolados que ficamos em obras importantes, mas inconclusas, mal feitas, suspeitas de corrupção, que precisam, é claro, ser concluídas, corrigidas, inclusive, com a punição dos que erraram tecnicamente ou que tenham se aproveitado indevidamente desta oportunidade histórica de investimentos para a cidade. E - por que não? – também aplaudir os que, limpos, conseguiram fazer muita coisa que hoje já ajuda a cidade, apesar das imensas dificuldades técnicas, burocráticas e políticas. 
     Neste 8 de abril de 2015 comemoramos os 296 anos de Cuiabá, a apenas 4 anos de seu tricentésimo aniversário. Aprendemos com a Copa, ou devíamos ter aprendido, que 5 anos é prazo curto para intervenções significativas na cidade, ainda que pontuais. 4 anos é menos ainda. Meu temor é que só na véspera da festa nos preocupemos com ela, sem ter então como fugir da ideia de um bolo de trezentos metros ou quilos lambuzando o Jardim Alencastro e dos indefectíveis concursos para logotipo, garota, samba, rasqueado ou lambadão, para símbolos daquela que deve ser a grande data de Cuiabá no século.
     Comemorar os 296 anos é exaltar uma cidade que nasceu entre as pepitas de um corguinho com muito ouro, tanto que era chamado pelos nativos de Ikuiebo, Córrego das Estrelas, que desembocava em um belo rio em meio a grandes pedras chamadas Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão em bororo. A cidade floresceu bonita, célula-mater do Oeste brasileiro, raiz de tudo neste “ocidente do imenso Brasil”, mãe de cidades e Estados. Por quase três séculos sobreviveu a duras penas, período heroico que forjou uma gente corajosa e sofrida, mas alegre e hospitaleira, criadora de um dos mais ricos patrimônios culturais do Brasil e com proezas que merecem melhor tratamento da história oficial brasileira. Como um astronauta moderno, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave só por um cordão prateado, assim Cuiabá sobreviveu por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização apenas pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai. 
     Próxima de completar seus 3 séculos de existência, Cuiabá polariza hoje uma das regiões mais produtivas do planeta que ajudou a ocupar e desenvolver, esta que agora a empurra para cima demandando serviços de sofisticação crescente em sadio processo de simbiose regional. Aos 296 anos, Cuiabá vibra em dinamismo, globalizada e provinciana, festeira e trabalhadora. Com gente nova e competente no assunto na prefeitura e Estado, nos 4 anos restantes talvez ainda dê para ao menos revitalizar seu centro histórico, presenteando a cidade com seu velho coração totalmente remoçado e pulsante na metrópole que se firma cada vez mais bela no coração continental, buscando também ser cada vez mais justa, democrática e sustentável. Mas tem que ser já. Viva Cuiabá! 
(Publicado em 07/04/2015 pelo Diário de Cuiabá e Midianews, informativos CAU/MT e UNIC)
COMENTÁRIOS:
No Midianews:
"Elias Neves  07.04.15 17h48
No apogeu das obras o "nobre" professor José Antônio sempre parabenizava os eficientes projetos e a condução das obras. Resumindo: poupe-me pelos seus cabelos brancos."

"José Maria  07.04.15 16h21
Parabéns ao José Lemos por mais uma bela narrativa. Particularmente, acho que não temos o que comemorar nos 296 anos de aniversário desta cidade que tantos amamos, uma vez que várias oportunidades foram desperdiçadas com a Copa do mundo. Espero que ao menos no aniversário de 300 anos tenhamos muitas coisas a se comemorar, não apenas no aspecto urbanístico, mobilidade urbana, mas principalmente em saúde, segurança, educação."
"marcos  07.04.15 22h43
Prezado amigo.Continue a apresentar sua idéias, as quais considero necessárias na falta de presença de outros articulistas cuiabanos.Na verdade não temos um projeto para Cuiabá, que possamos chamar de nosso.Os críticos de primeira hora são os mesmos.Não tem a visão de futuro que precisamos para nossa cidade.Para que isto aconteça necessitamos de mentes preparadas e motivadas, como a sua. Do amigo Marcos Vinícius"

terça-feira, 2 de setembro de 2014

UMA MATRIZ PARA O TRICENTENÁRIO

wikipedia

José Antonio Lemos dos Santos

     Há duas semanas o professor Benedito Pedro Dorileo em um de seus belos e importantes artigos lembrou dos 120 anos de Zulmira Canavarros que serão comemorados no próximo ano e sugere que nessa comemoração seja lançada a pedra fundamental do Teatro Municipal de Cuiabá que teria o nome da homenageada e que se constituiria em marco dos 300 anos de Cuiabá. Teatróloga, musicista, poeta, ativista social, pioneira em diversas áreas da cultura cuiabana, Zulmira Canavarros marcou profundamente ao menos a geração de minha mãe, que sempre fazia referências a ela, seja através de uma música, de uma poesia e até de lembranças do time de vôlei do Mixto, no qual jogou e do qual guardava uma velha foto amarelada. Para mim a obra mais marcante de Zulmira Canavarros é o hino do Mixto, sem dúvida um dos mais belos hinos de clubes de futebol do Brasil, beleza que para quem ainda não conhece pode ser facilmente conferida no Youtube. E olha que não sou mixtense. 
     Desnecessário falar sobre os méritos da professora Zulmira para homenagens como a sugerida. Trago o assunto em especial pela oportuna lembrança do tricentésimo aniversário de Cuiabá que está por acontecer em 2019 e que daqui até lá já faltam menos de 5 anos. Uma das grandes lições da Copa foi, ou deveria ter sido, que 5 anos é pouco tempo para qualquer programação de obras de importância. Então, veio em boa hora o artigo do professor Benedito Dorileo abordando o assunto. Ou seja, se quisermos fazer alguma coisa significativa para o Tricentenário temos que começar agora, ou melhor, já deveríamos ter começado. Para termos o Teatro Municipal de Cuiabá como um justo presente para cidade em seu Tricentenário é preciso decidir agora para que no ano que vem seja lançada a pedra fundamental, marcando também os 120 anos do nascimento da grande intelectual cuiabana, abrindo assim um cronograma de obras seguro para que tudo aconteça com qualidade e no tempo certo. 
     Tenho repetido muitas vezes desde que ganhamos a oportunidade da Copa do Pantanal, que a realização deste grande evento em Cuiabá foi um artifício do Bom Jesus de Cuiabá para dar um choque de adrenalina em nós cuiabanos, preparando-nos para os novos tempos de dinamismo que a cidade vive, de modo a poder prepará-la para o Tricentenário. Também um treinamento técnico, político e administrativo. Será que aproveitamos? Acho que não. O Tricentenário, nossa maior efeméride no século se aproxima e ainda não nos movemos, faltando menos de 5 anos. 
     A Copa, em termos de planejamento já passou. É verdade que temos que cobrar, exigir a conclusão com rapidez de todas as suas obras, com qualidade, segurança e respeito ao dinheiro público. Mas, em termos de planejamento, o que nos interessa agora é continuar olhando para o futuro – um dos maiores legados da Copa - e o próximo marco são os 300 anos de Cuiabá. A exemplo da matriz de responsabilidades assumida com o governo federal e a Fifa é preciso que de imediato se pense em uma matriz de compromissos para com o Tricentenário, agora assinada entre os cuiabanos e sua cidade, entre os mato-grossenses e sua capital, e entre os brasileiros e uma das cidades que mais contribuíram para a grandeza do território nacional e hoje articula uma das regiões que mais enriquecem os saldos comerciais do país. Duas obras abririam muito bem a matriz do Tricentenário: o Teatro Municipal Zulmira Canavarros e a revitalização do Centro Histórico de Cuiabá, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, com o indispensável e muitas vezes prometido projeto de rebaixamento da fiação ampliado a toda a Zona Central da cidade. É claro que outros projetos poderão ser selecionados, com pés no chão, mas com visão ampla, compatível com a história e o futuro da cidade. Mas é preciso começar já. 
(Publicado em 02/09/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)

terça-feira, 6 de maio de 2014

ESTADO UNIDO DE MATO GROSSO

Aprosoja

José Antonio Lemos dos Santos

     Na próxima sexta, 9 de maio, deveríamos comemorar com muita festa e orgulho o 266° aniversário de Mato Grosso, data que lembra o ano de 1748, quando o rei de Portugal, dom João V, através de Carta Régia, determina a criação de duas Capitanias, “uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá”. A Capitania das Minas de Cuiabá virou a Capitania de Mato Grosso e para governá-la foi designado dom Antonio Rolim de Moura, que tomou posse e permaneceu em Cuiabá por cerca de um ano, até que Vila Bela fosse construída. Morou no centro histórico de Cuiabá, próximo à praça que tem o seu nome e que é popularmente conhecida como Largo da Mandioca. Depois chegou a ser o vice-rei do Brasil, o governante maior no país na época, já que El-Rey ficava em Portugal. Que tal pensar na reconstrução da casa de Rolim de Moura na Mandioca, uma nova atração no centro histórico de Cuiabá? 
     Sei que existem aqueles que acham que não temos nada a comemorar, alegando que em Mato Grosso faltam escolas, hospitais, não tem esgoto, não tem rodovias nem ferrovias, não tem, não tem... São os que só enxergam o que falta. E é bom que existam pessoas assim, em especial os que com essa visão produzem uma crítica positiva. Eu já sou da turma que prefere enxergar aquilo que existe, em especial aquilo que foi produzido pelo trabalho do povo, patrões e empregados, apesar de todas as dificuldades, apesar de tudo aquilo que nos falta. Mato Grosso é hoje o maior produtor agropecuário do país, liderando o país em algodão, milho, girassol e soja e também é um dos maiores produtores de ouro, diamante, madeira, álcool, biodiesel, carnes de frango, suíno, peixe e gado, com um rebanho bovino de quase 30 milhões de cabeças. Mato Grosso não produz armas, bombas atômicas, mísseis, aviões de guerra, como muitos daqueles que nos criticam. Ao contrário, é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e com muito orgulho ajuda a matar a fome de um planeta cada vez mais carente de alimentos.
     Para chegar a esta posição Mato Grosso conta com a extensão e diversidade produtiva de seu território e, principalmente, com o trabalho determinado e sofrido de sua gente em todos os cantos. Comemorar os 266 anos de Mato Grosso é festejar a grande obra do mato-grossense que ano passado produziu um superávit comercial de US$ 14,4 bilhões para o Brasil que daria para construir vários hospitais, escolas, ferrovias, duplicações rodoviárias e melhorar em muito a qualidade dos serviços públicos. Mato Grosso literalmente vem entupindo o Brasil de grãos, mostrando ao mundo que o país não se preparou para o tanto que este estado produz, num descompasso que já custa muito caro em termos econômicos, ambientais e de vidas humanas aos mato-grossenses em especial. 
     Comemorar os 266 anos de Mato Grosso não é ufanismo idiota nem se deitar em berço esplêndido, é festejar a riqueza construída e, antes de tudo, cobrar tudo aquilo a que o povo que a produz tem direito. É vibrar com as exibições do Mixto, Luverdense e Cuiabá na Arena Pantanal, palco fantástico da Copa. É ver o cuiabano torcendo pelo Luverdense e o Luverdense torcendo pelo Cuiabá. É ver hoje Mato Grosso rico espantando a pobreza que sempre foi o álibi dos maus governantes. A desculpa da pobreza não vale mais. O mato-grossense tem que festejar com alegria, orgulho e muitas cobranças. O sucesso de Mato Grosso é a força do trabalho de seu povo unido na grandeza e diversidade de seu território, nas dimensões exatas exigidas pelo século XXI, o século da internet, da TV a cabo, do asfalto, do avião a jato... Ainda que tenha muito a consertar, Mato Grosso é para ser festejado, imitado e, sobretudo, aplaudido. Viva Mato Grosso, unido e cada vez mais forte! 
(Publicado em 06/05/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)

terça-feira, 29 de abril de 2014

MATRIZ DO TRICENTENÁRIO

José Antonio Lemos dos Santos

     Desde que Cuiabá foi escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 tenho repetido que essa surpreendente e não sonhada regalia foi um artifício do Senhor Bom Jesus de Cuiabá para dar uma sacudida em nós cuiabanos forçando-nos a entrar no ritmo dos novos tempos de sua cidade, condição para compreendê-la e prepará-la para o seu Tricentenário. Da escolha em 2009 até hoje 5 anos se passaram rapidamente, a Copa chegou e já virou passado em termos de planejamento. Para a Copa do Pantanal, resta-nos concluir as obras que ainda possam ser concluídas a tempo e correr para o abraço na recepção aos visitantes, fazendo a festa da melhor maneira possível.
     A Copa nos fez olhar para o futuro, pensar em projetos para a cidade, correr contra o tempo, discutir obras - seus avanços e transtornos - torcer para tudo dar certo, e esse redirecionamento de perspectiva foi bom e precisa ser cultivado como um dos principais legados do grande evento. Cuiabá não pode perder este pique e para não perdê-lo é fundamental o estabelecimento já de um novo objetivo macro, com data fixa, o Tricentenário, escrito com inicial maiúscula como são tratadas as efemérides. Está bem aí a 5 anos, tempo muito curto como nos ensinou duramente a Copa, com relógios e calendários correndo cada vez mais rápidos. É preciso agir desde agora estabelecendo já uma nova matriz de responsabilidade com metas e projetos a serem alcançados em 2019, nos moldes da que foi feita para a Copa, agora a matriz do Tricentenário, pactuada não mais com a Fifa, mas entre os cuiabanos e sua cidade, os mato-grossenses e sua capital, os brasileiros e a cidade que alargou os horizontes ocidentais do Brasil. 
     Arrisco-me a iniciar com algumas propostas óbvias. A primeira seria concluir ainda dentro do atual governo as obras da matriz da Copa que não ficarem prontas para o evento, o máximo que for possível. A permanência do governador Silval Barbosa até o final de seu mandato foi um gesto fundamental de responsabilidade e visão pública. As obras da Copa correm o risco de dependerem da grandeza ou da mesquinhez política do futuro governador, já que temos a tradição canalha dos governantes não darem continuidade às obras dos antecessores no absurdo raciocínio de que favoreceriam o concorrente. Não só param as obras como prejudicam o funcionamento das que foram concluídas e para isso usam de explicações verdadeiras ou não, tais como corrupção ou mudança de prioridades. Param as obras, mas não punem os supostos corruptos. Punem o povo. E estão descobrindo que obras públicas dão muito trabalho e polêmicas e é muito mais confortável não fazê-las. 
     Uma outra proposta para matriz do Tricentenário seria a revitalização do Centro Histórico de Cuiabá, com rebaixamento da fiação, expandido a toda a área central da cidade, trabalhando o passado dentro de uma perspectiva de futuro, como deve ser feito. Este é um projeto que vem rolando há décadas e que parece estar bem avançado em termos de viabilização pela prefeitura, estado e união. Mas para aprontar e funcionar em 2019 é preciso começar já. Assim também o projeto do atual prefeito de um centro administrativo municipal, no qual só ressalvo que o atual Palácio Alencastro seja preservado como gabinete oficial do prefeito e sede simbólica do poder político de Cuiabá, sob pena de matar o centro histórico da cidade. Importante também seria presentear a cidade com um órgão moderno para o planejamento urbano contínuo de longo prazo de forma que a cidade não evolua mais aos saltos de curto prazo. São muitas as alternativas de projetos a serem avaliadas, com os pés no chão. 2019 já começou. Não dá para subestimar o tempo, o único recurso realmente não renovável. 
(Publicado em 29/04/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

RENOVANDO LEMBRANÇAS

MOACYR FREITAS - é arquiteto e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso

É importante saber que também outros colegas observam a pouca urgência ou descaso que sofre nossa capital no trato da sua parte mais querida.
Várias vezes tenho escrito o meu lamento; magoado; vendo o desprezo que dão a minha cidade natal.
Aqueles que me conhecem sabem da minha atividade como profissional ativo que fui. Hoje, pela idade, apenas coisas escritas posso oferecer. São mais lamentos do que outra coisa.
Leio o que escrevem outros colegas, como José Antônio Lemos, e suas palavras tocam-me ao reconhecer que estão eles também provocando os insensíveis governantes para corrigirem o rumo que vêm dando no trato da nossa cidade envelhecida.
O tempo vai passando e nada de concreto acontece em relação a revitalização do seu patrimônio histórico cultural. Não é por falta de informação histórica.
Quantos novos cuiabanos gostariam de reconhecer os lugares históricos de sua cidade natal?! Não me refiro aos turistas, mas aos nossos nativos que não veem reconhecidos os lugares onde seus antepassados realizaram seus relevantes feitos contados na história. Por que não são revelados?
Daí, porque ainda insistimos com nossos governantes para que se esforcem, se apressem para dar-lhes essa resposta. Para não ficar “parecendo que não existe nada lá atrás”, como escrevera assim nossa colega professora da UFMT, Luciana Mascaro.
Quantos lugares que nenhuma referência a eles aparece! Como: 

- O beira-rio de São Gonçalo Velho, com a história de suas capelas primitivas, a do primeiro local e a do bairro do Porto, hoje com a imagem do santo padroeiro;

- A antiga Cervejaria Cuiabana do Porto, cujas dependências ainda existem. Ela foi muito ligada à história da cidade;

- Gasômetro do Porto, que localizei seus restos construtivos semi-enterrados, próximo ao camelódromo da av. Prainha;

- Deveriam estar no Museu Histórico de Mato Grosso sessenta telas (60x80 cm), que mostram a história de Mato Grosso no seu período colonial e provincial, numeradas em sequência histórica. Última vez que as vi, pouco mais de vinte estavam expostas. Mesmo assim, misturadas a outras coisas, sem a ordem numérica. Nenhum outro Estado da Federação tem sua história contada em telas, observara, certa vez, uma professora de história da UFMT.

Nesse mesmo Museu, está a miniatura do bonde puxado por burros que existiu em Cuiabá no início do séc. XX. Ninguém comenta ter visto essa miniatura! Eu mesmo a construí e doei ao Museu, protegido numa redoma de vidro. Será que ainda lá existe?

- A antiga hidráulica do Porto. Ainda está lá o abrigo das máquinas com acesso e tudo, próximo ao Museu do Rio e Aquário. Lembraram e restauraram a Caixa D’água Velha, mas esqueceram dela, a primeira hidráulica;

- O histórico Cemitério do Cai-Cai... O local dele, hoje é uma pracinha margeando a Rua São Sebastião, que ocupa apenas a metade da área.

- A Casa da Pólvora no Parque Mãe Bonifácia, onde ficavam isolados os variolosos da epidemia que assolou Cuiabá, após a Retomada de Corumbá na Guerra com o Paraguai;

- Muitas edificações no Centro Histórico estão ligadas à história da cidade, algumas foram lembradas... Vê-se outras ainda com possibilidades de preservação, antes que desmoronem, como aconteceu com a residência do historiador Rubens de Mendonça. Acredito que no antigo Largo do Sebo, Praça da Mandioca ou Conde de Azambuja, estejam ainda lá a Casa de Fundição de Cuiabá do séc. XVIII; 

- A Santa Casa de Misericórdia... Seu primeiro pavilhão é do séc. XVIII;

- E as igrejas!... Quanta história! É preciso mostrá-la, assinalando os locais nas praças com placas elucidativas, com banco e chafarizes próximos, por causa do calor. Para sua contemplação e meditação. Que tenha boa iluminação e bem vigiadas, diuturnamente.

Vamos amar de verdade nossa Cuiabá.
Esqueçam um pouco os passos da política; ela só perturba o rumo e o ritmo da administração, tirando atenção dos governantes a sua verdadeira missão. Infelizmente, não podemos impedir isso. Que pena! Continuamos esperando...

(Publicado em 18/11/2013 pelo Midianews)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O BARROCO DE SÃO FRANCISCO

sampa.art.br

Veja no link abaixo o interior da Igreja de São Francisco, uma das maravilhas do Centro Histórico de Salvador, Bahia, Patromônio da Humanidade, um dos pontos culminantes da Arquitetura Barroca no Brasil:
http://www.onzeonze.com.br/blog360/toursaofrancisco/index.html


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

SERÁ QUE AGORA SAI?

CENTRO HISTÓRICO (DIÁRIO DE CUIABÁ 22/08/12)

Calçadas livres e fios no subsolo

Obra está orçada em R$ 110,9 milhões e no projeto será contemplada ainda a rede de saneamento básico da área central


Foto: Guilherme Silveira/DC

STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
Mais visíveis que as próprias casas, a fiação do Centro Histórico de Cuiabá será aterrada no ano que vem. O convênio foi assinado ontem e tem a participação dos governos Federal, do Estado e Municipal. Serão aproximadamente de 14 quilômetros de fios elétricos realocados para o subsolo. A obra está orçada em R$ 110,9 milhões. 


O projeto básico está pronto, porém o projeto executivo está em fase de licitação. As obras incluem além do rebaixamento da fiação, o recapeamento do asfalto, a instalação da rede de saneamento básico e recuperação da fachada das casas que tiverem algum tipo de danos com a construção. 

Os recursos vão ser liberados à medida que as fases do projeto sejam conclusas. O dinheiro vem Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), bem como do Município e governo de Mato Grosso. 

A superintendente do IPHAN, Marina Lacerda, disse que os benefícios da obra não se resumem ao aspecto estético. Eles também favorecem o trânsito das pessoas no centro da cidade. Atualmente com 400 casas tombadas como patrimônio histórico, o centro possui calçadas muito estreitas, que têm quase todo o espaço ocupado por postes. “Como a fiação vai ficar no subsolo, os postes vão ser retirados. As calçadas não vão aumentar”, explicou. 



Moradora de uma das antigas casas, localizadas na rua Pedro Celestina, Elza Vitória Pacheco, de 85 anos, contou que se mudou para o local no dia de casamento dela, há 65 anos. 

A fachada branca de janelas azuis ainda guarda a lembrança de como era o centro de Cuiabá naquela época. Elza explicou que tudo era muito simples, sem fiação elétrica e com pouquíssimos postes. “Todas as casas aqui eram de famílias e todo mundo se conhecia. Agora a maioria é comércio ou escritório, e ninguém sabe quem é quem, muito menos se falam”. 

Outro ponto que ela destacou é a falta de árvores no centro da cidade. No fundo de sua casa ainda existem pés de acerola, mamão, manga, que antes também podiam ser vistos emoldurando as ruas. Quando questionada sobre o aterramento da fiação elétrica, embora acredite que isso seja uma mudança positiva, disse que não acha que vai trazer de volta a beleza e simplicidade de antigamente. 

Antigo vizinho de Elza, atualmente morador de São Paulo, Benildo Borges, de 75 anos, afirmou que a fiação e os postes estragam a beleza que restou dos tempos de sua infância. “É horrível todos esses fios aqui. O centro histórico ainda é bonito, mas precisa ser restaurado, porque a cidade sofre com o estado em que ele se encontra”, explicou. 

Além da questão estética, Borges ainda ressaltou os perigos da fiação nas pequenas ruas do centro. De acordo com ele, o tempo em que está na cidade foi o suficiente pra ver que não é seguro passar de carro, muito menos andar pela região. “Cuiabá está precisando de mais espaço. Tem que dar um jeito nessa situação”, disse.