MARCELO PAES DE BARROS, doutorando em Física Ambiental, professor do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso
Nada podemos fazer para evitar. Neste momento em alguma abóbada do interior do continente tem início uma invasão. O invasor, Stratus, um indivíduo grave e tedioso, lentamente começa sua investida para tomar todo o céu. Sem resistências, a penumbra vai tomando toda a terra, como um véu que projeta uma luz lúgubre e monótona. Terminada a investida, no território sob o domínio de Stratus, prevalece uma paisagem opressivamente cinza, que parece não ter fim.
De formas indefinidas e pouco espontâneo, Stratus disputa os céus com Cumulus e Nimbus. Aliás, para aqueles oprimidos sob o domínio de Stratus, é bom saber que a combinação de Cumulus e Nimbus, como um casal de tiranos, pode tornar mais difícil as condições de vida abaixo do céu. Cumulunimbus pode estender seu domínio por centenas de quilômetros, produzindo condições extremas e destrutivas, trazendo danos materiais e perdas de vidas.
Os embates entre estes seres não tem hora marcada, acontecem nos céus todos os dias, desde a aurora dos tempos, por todo o Planeta. Para presenciar um destes eventos basta encontrar um bom lugar para contemplar o céu, afinal, Stratus, Cumulus e Nimbus são tipos de nuvens que se sucedem conforme o humor da atmosfera.
Assim como a observação dos padrões de distribuição das nuvens no céu possibilitou a classificação destas e permitiu previsões confiáveis de mudanças no tempo atmosférico, em outros aspectos da natureza também são possíveis previsões baseadas em padrões encontrados nas regularidades na disposição de formas, números ou cores. Estudos sobre padrões são aplicados em diversas ciências. Pesquisadores comparando os padrões de crescimento de dois tipos celulares, células cancerosas e normais, mostraram que as colônias de células cancerosas possuem uma fragmentação menor, característica interessante para distinção destas. O estudo dos padrões também é aplicado para avaliar a distribuição de minérios no solo, a fragmentação de florestas, entre outras possibilidades.
Neste sentido, pesquisas recentes do Programa de Pós-Graduação em Física Ambiental (UFMT) confirmaram que o padrão de distribuição das áreas verdes na cidade de Cuiabá contribuem fortemente para a formação do seu ambiente térmico. A extensão desta influência, de até 500 m, e a intensidade, de até 7,0 °C, varia com o período do dia e a estação do ano. Porém em todos os horários em que o estudo foi conduzido as menores temperaturas do ar foram encontradas em espaços com maiores percentuais de áreas vegetadas.
Em recortes do espaço urbano com baixos percentuais de área vegetada o padrão de distribuição dessa vegetação atua de forma mais decisiva nos ambientes térmicos, sendo que nesses casos uma vegetação menos fragmentada resulta, mesmo que discretamente, em redução da temperatura do ar.
A recente urbanização, que nem sempre levou em conta o clima local, produziu espaços carentes de vegetação, onde as condições ambientais foram ultrajadas, com agravo à saúde física e mental das populações. A intensificação desse processo pode gerar uma nova condição climática que afetará a qualidade de vida de toda a cidade.
Estamos numa emboscada, auto-infligida, cujas consequências ainda ignoramos. Como as condições econômicas sugerem que essa dinâmica urbana se manterá por alguns anos, torna-se imprescindível que optemos por soluções sustentáveis e bioclimáticas, cuidados que irão decorrer na qualidade ambiental e valorização do nosso espaço.
A recuperação dos córregos da cidade e a reconstituição da vegetação que os acompanha, constituída em parques urbanos, a conservação das pequenas áreas verdes e um programa efetivo de arborização de praças e vias públicas, são políticas públicas que podem fornecer o percentual e o padrão de distribuição das áreas verdes suficientes para uma melhor ambiência nestes espaços urbanos.
A catástrofe climática urbana, provocada pela combinação insatisfatória da disposição urbana e dos sistemas de tráfego, resultados dessa forma de ocupação, com as características climáticas da região, isso podemos evitar.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 20/01/2012)
José Antonio Lemos dos Santos, arquiteto e urbanista, é professor universitário aposentado . Troféu "João Thimóteo"-1991-IAB/MT/ "Diploma do Mérito IAB 80 Anos"/ Troféu "O Construtor" - Sinduscon MT Ano 2000 / Arquiteto do Ano 2010 pelo CREA-MT/ Comenda do Legislativo Cuiabano 2018/ Ordem do Mérito Cuiabá 300 Anos da Câmara Municipal de Cuiabá 2019.
"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
LIXO AGROTÓXICO RECICLADO NA ARQUITETURA
José Antonio Lemos dos Santos
Todos sabemos certamente que o destino final das embalagens usadas de agrotóxicos era e é um dos grandes problemas ambientais no Brasil e no mundo. Mas o que nem todos sabem é que Mato Grosso é um estado referência na destinação final correta dessas embalagens. Logo Mato Grosso, justa ou injustamente tão criticado pelos seus problemas ambientais ? Em Cuiabá existe uma empresa que trabalha com a reciclagem de quase todas elas produzindo eletrodutos, drenos e outros itens importantes para a construção civil. A Plastibrás, localizada no Distrito Industrial de Cuiabá, foi a segunda indústria desse tipo a se instalar no país. Se interessar veja mais informações nos folhetos ilustrativos ou no vídeo disponível no site da empresa:
http://www.plastibras.ind.br/portal/a-empresa
Em tempo: Esta postagem não tem a intenção de ser um comercial, mas um informativo sobre um empreendimento local, uma forma ecologicamente correta e prática de responder aos desafios ambientais atuais, com uma solução que transforma um grande problema em empregos, renda, proteção à natureza, gerando ainda produtos úteis à sociedade, no caso, produtos de especial interesse aos arquitetos e urbanistas e todo o setor da construção civil.
Todos sabemos certamente que o destino final das embalagens usadas de agrotóxicos era e é um dos grandes problemas ambientais no Brasil e no mundo. Mas o que nem todos sabem é que Mato Grosso é um estado referência na destinação final correta dessas embalagens. Logo Mato Grosso, justa ou injustamente tão criticado pelos seus problemas ambientais ? Em Cuiabá existe uma empresa que trabalha com a reciclagem de quase todas elas produzindo eletrodutos, drenos e outros itens importantes para a construção civil. A Plastibrás, localizada no Distrito Industrial de Cuiabá, foi a segunda indústria desse tipo a se instalar no país. Se interessar veja mais informações nos folhetos ilustrativos ou no vídeo disponível no site da empresa:
http://www.plastibras.ind.br/portal/a-empresa
Em tempo: Esta postagem não tem a intenção de ser um comercial, mas um informativo sobre um empreendimento local, uma forma ecologicamente correta e prática de responder aos desafios ambientais atuais, com uma solução que transforma um grande problema em empregos, renda, proteção à natureza, gerando ainda produtos úteis à sociedade, no caso, produtos de especial interesse aos arquitetos e urbanistas e todo o setor da construção civil.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
TRAGÉDIAS DE VERÃO
José Antonio Lemos dos Santos
Indignados, de novo lamentamos as tragédias urbanas que se repetem a cada verão brasileiro. Seria uma inexorável sina nacional? Não. Aceitá-la seria desconhecer os avanços do Urbanismo que produz cidades com alta qualidade de vida pelo mundo afora, e da ciência e da tecnologia de um modo geral que realizam maravilhas, mapeando superfícies de planetas distantes ou trazendo imagens precisas do microcosmo. Seria tão difícil mapear ocupações de riscos em nossas cidades e em um ano transferi-las dignamente? Estou certo que não. Ante a grandeza das dores do ano passado e as palavras da presidenta Dilma na época, escrevi acreditando que aquele martírio de tantos brasileiros pudesse servir de “uma lição definitiva, ao menos uma forte luz de esperança de salvação para nossas cidades”. Qual o que.
Desde 1988 a Constituição exige de nossas cidades o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano. O Estatuto da Cidade reforçou a exigência. Após quase 24 anos, a maior parte das cidades brasileiras já dispõem desse imprescindível instrumento de controle urbano, que tem entre seus fundamentos a definição das áreas de risco. Mas a desculpa das autoridades é que nossas cidades não dispõem desse mapeamento, tendo inclusive sido criada uma outra lei obrigando os municípios a fazê-lo, repetindo a exigência constitucional dos Planos Diretores. Seria tão difícil marcar nelas as ocupações arriscadas? Creio que não. Também tenho certeza que todas as cidades brasileiras, ou sua imensa maioria, já têm suas ocupações de risco plotadas pelos seus órgãos de planejamento urbano ou suas Defesas Civis. Se não têm, o que eu duvido, bastariam alguns técnicos habilitados trabalhando com imagens de satélite facilmente adquiríveis ou, como se trata de salvar muitas vidas, com as disponíveis até mesmo em celulares do uso cotidiano. O programa “Minha Casa, Minha Vida” viabilizaria as transferências.
Confio na capacidade do urbanismo nacional e não acredito que as autoridades brasileiras em geral sejam também tão desumanas, além de incompetentes e corruptas. Hoje sou inclinado a pensar que a questão é ainda mais ampla e mais grave. O país encalacrou-se numa situação que o incapacita a executar qualquer projeto ou programa. Nos projetos sem prazo as coisas vão se enrolando por décadas, e quase ninguém percebe o tempo transcorrido, vide aqui em Mato Grosso a BR-163, a ligação ferroviária de Cuiabá, o Aeroporto Marechal Rondon. Já os projetos com prazo fixos não perdoam atrasos e cobram um preço alto. As tragédias de verão são improrrogáveis, não aceitam enrolação e são cruéis se os projetos preventivos não acontecerem no tempo certo.
O projeto da Copa do Mundo de 2014 vem denunciando ao mundo e a nós mesmos esse sistema político-administrativo enrolado, perdulário, corrupto e incapaz. Paralisante. Para impedir a corrupção, ao invés de simplesmente punir os responsáveis como é feito nos países civilizados, o Brasil optou pela criação de mecanismos de proteção sobre os processos, criando um labirinto burocrático no qual nada avança, a não ser a própria corrupção. Hoje, mesmo o mais capaz e bem intencionado dos governantes não se desvencilharia. A solução apressada foi o Regime Diferenciado de Contratações, uma forma legal de descumprir a lei, incrível, mas na situação talvez a única capaz de atender prazos como os da Copa e dos verões brasileiros que insistem em se suceder. Mais certo e definitivo será algum dia simplificar os processos, assegurados os interesses públicos, e punir aqueles que os corromperem. No fim da história, a impunidade é que está nos matando.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 17/01/2012)
Deslizamento em Belo Horizonte.
Deslizamento em Sapucaia (RJ)
Confio na capacidade do urbanismo nacional e não acredito que as autoridades brasileiras em geral sejam também tão desumanas, além de incompetentes e corruptas. Hoje sou inclinado a pensar que a questão é ainda mais ampla e mais grave. O país encalacrou-se numa situação que o incapacita a executar qualquer projeto ou programa. Nos projetos sem prazo as coisas vão se enrolando por décadas, e quase ninguém percebe o tempo transcorrido, vide aqui em Mato Grosso a BR-163, a ligação ferroviária de Cuiabá, o Aeroporto Marechal Rondon. Já os projetos com prazo fixos não perdoam atrasos e cobram um preço alto. As tragédias de verão são improrrogáveis, não aceitam enrolação e são cruéis se os projetos preventivos não acontecerem no tempo certo.
O projeto da Copa do Mundo de 2014 vem denunciando ao mundo e a nós mesmos esse sistema político-administrativo enrolado, perdulário, corrupto e incapaz. Paralisante. Para impedir a corrupção, ao invés de simplesmente punir os responsáveis como é feito nos países civilizados, o Brasil optou pela criação de mecanismos de proteção sobre os processos, criando um labirinto burocrático no qual nada avança, a não ser a própria corrupção. Hoje, mesmo o mais capaz e bem intencionado dos governantes não se desvencilharia. A solução apressada foi o Regime Diferenciado de Contratações, uma forma legal de descumprir a lei, incrível, mas na situação talvez a única capaz de atender prazos como os da Copa e dos verões brasileiros que insistem em se suceder. Mais certo e definitivo será algum dia simplificar os processos, assegurados os interesses públicos, e punir aqueles que os corromperem. No fim da história, a impunidade é que está nos matando.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 17/01/2012)
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
IPORAN
José Antonio Lemos dos Santos
O pelotão do Tenente Iporan, logo antes do ataque a Montese. (http://www.portalfeb.com.br/)
Não quero cantar as guerras, nem mocinhos, nem bandidos. Falo de heróis. Heróis são aqueles que abraçam com apego uma causa e agem de forma extraordinária para defendê-la com sucesso, podendo ser a camisa de um time, a bandeira de um país, ou uma cidade, uma criança afogando, um empreendimento arriscado. Podem estar de ambos os lados de uma disputa ou desafio e surgem em diversas situações. A guerra é a pior delas. As guerras produzem antes de tudo mártires, heróis ou não, todos vítimas de uma mesma tragédia, e como tal merecem respeito, todos, do lado de cá ou de lá, vencedores ou vencidos.
As cidades são centros produtores que extrapolam o campo da economia. Seu principal produto é sua gente, cuja qualidade deve ser o principal critério de avaliação de seu sucesso. Cada povo lembra seus heróis personificando sua capacidade de enfrentar adversidades em situações extremas. São lembrados aos jovens como exemplos daquilo que sua gente, ele próprio, é capaz de fazer, até onde pode chegar. Um povo que esquece seus heróis, seus vultos, que não reverencia sua história e sua cultura, perde suas raízes, vira massa inconsciente para interesses escusos, ameba, borra histórica. A propósito, soube do falecimento do Coronel Iporan por um parente meu de fora, que nem é cuiabano, mas também é brasileiro, carioca. Ele, lá, achou importante.
Falo do Coronel Iporan Nunes de Oliveira, herói da II Guerra Mundial, falecido no dia 3 de dezembro passado sem maiores ou menores reverências em Cuiabá, sua terra natal. Em Cuiabá e Várzea Grande existem ruas com seu nome. Minha mãe, cuiabana de tchapa-e-cruz, contava de sua bravura e de sua condecoração por um militar estrangeiro, que veio especialmente a Cuiabá para homenageá-lo. Ela dizia que nosso herói havia recebido todas as medalhas de guerra, menos a “de sangue”, que nem sei se existe de fato ou se é um resto do meu imaginário infantil, posto lá pela história contada por minha mãe.
A internet tem muito sobre o herói cuiabano. Ele participou de diversas missões na II Guerra, ”nas quais sempre fazia prisioneiros alemães”, e em especial das batalhas de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese. A tomada de Montese em 14 de abril de 1945 foi sua ação mais memorável. O último bastião nazista nos Apeninos oferecia intensa resistência e sua conquista foi o mais sangrento dos combates brasileiros. A situação era de impasse sem conclusão previsível quando o pelotão comandado pelo então 1º Tenente Iporan abriu uma pequena brecha no campo minado que protegia uma das bordas fortificadas da posição nazista. Teve seu contato cortado com o restante das tropas, mas mesmo assim avançou entrando com na cidade, tomando a torre local, fazendo vários prisioneiros e mantendo a posição de resistência. Diz a justificativa para sua Cruz de Combate de 1ª Classe: “Seu pelotão foi a primeira tropa brasileira a romper o dispositivo defensivo e adentrar no fortificado ponto de defesa dos alemães, em um momento em que as unidades da FEB engajadas na batalha sofriam pesadas perdas decorrentes da obstinada resistência inimiga. Demonstrou coragem, decisão, vontade, senso de cumprimento do dever e iniciativa.”
O pelotão do Tenente Iporan, logo antes do ataque a Montese. (http://www.portalfeb.com.br/)
Não quero cantar as guerras, nem mocinhos, nem bandidos. Falo de heróis. Heróis são aqueles que abraçam com apego uma causa e agem de forma extraordinária para defendê-la com sucesso, podendo ser a camisa de um time, a bandeira de um país, ou uma cidade, uma criança afogando, um empreendimento arriscado. Podem estar de ambos os lados de uma disputa ou desafio e surgem em diversas situações. A guerra é a pior delas. As guerras produzem antes de tudo mártires, heróis ou não, todos vítimas de uma mesma tragédia, e como tal merecem respeito, todos, do lado de cá ou de lá, vencedores ou vencidos.
As cidades são centros produtores que extrapolam o campo da economia. Seu principal produto é sua gente, cuja qualidade deve ser o principal critério de avaliação de seu sucesso. Cada povo lembra seus heróis personificando sua capacidade de enfrentar adversidades em situações extremas. São lembrados aos jovens como exemplos daquilo que sua gente, ele próprio, é capaz de fazer, até onde pode chegar. Um povo que esquece seus heróis, seus vultos, que não reverencia sua história e sua cultura, perde suas raízes, vira massa inconsciente para interesses escusos, ameba, borra histórica. A propósito, soube do falecimento do Coronel Iporan por um parente meu de fora, que nem é cuiabano, mas também é brasileiro, carioca. Ele, lá, achou importante.
Falo do Coronel Iporan Nunes de Oliveira, herói da II Guerra Mundial, falecido no dia 3 de dezembro passado sem maiores ou menores reverências em Cuiabá, sua terra natal. Em Cuiabá e Várzea Grande existem ruas com seu nome. Minha mãe, cuiabana de tchapa-e-cruz, contava de sua bravura e de sua condecoração por um militar estrangeiro, que veio especialmente a Cuiabá para homenageá-lo. Ela dizia que nosso herói havia recebido todas as medalhas de guerra, menos a “de sangue”, que nem sei se existe de fato ou se é um resto do meu imaginário infantil, posto lá pela história contada por minha mãe.
Fotos e pintura do site www.forte.for.br
A condecoração trazida a Cuiabá pelo “militar estrangeiro” foi a Silver Star do Exército dos EUA, trazida com numerosa comitiva pelo General Charles Gerhalt. Recebeu ainda a Ordem do Império Britânico, diploma assinado de próprio punho pelo Rei George VI, o Rei gago, sucesso recente no cinema. Em 1964 passou à reserva. Depois trabalhou como administrador de shoppings e chefe de segurança ferroviário. Se fosse americano era, no mínimo, filme épico. Brasileiro e, ademais, cuiabano, apenas mais um herói oficialmente esquecido.
* JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário
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domingo, 8 de janeiro de 2012
ESPAÑISTÁN
Veja no link abaixo um filmezinho divertido que trata da Espanha, mas que pode ser de algum interesse para os brasileiros.
http://www.youtube.com/watch?v=EqW9srTn7xM&feature=player_embedded
sábado, 7 de janeiro de 2012
RESORT EM MANSO E PÓS-MODERNISMO
O projeto do Resort Maluí (ver aqui no Blog na coluna á direita) em Manso, sugeriu a releitura do manifesto de Robert Venturi, considerado o documento inicial do Pós-modernismo na Arquitetura. Para facilitar quem quiser rever o Manifesto coloquei o texto a seguir. Tem a ver? Ou não? Pós-modernismo autêntico ou apenas a "incoerência ou arbritariedade de uma arquitetura incompetente, nem do preciosismo intrincado do pitoresco ou do expressionismo" renegado pelo texto? Ao menos para tentar iniciar uma frutífera polêmica de férias escolares, digo que para mim trata-se de uma autêntica manifestação posmodernista em pleno coração sul-americano.
José Antonio
GENTIL MANIFESTO
Robert Venturi
(Abre o livro Complexity and Contradiction in Architecture, do autor, 1966. )
"Gosto de complexidade e de contradição em arquitetura. Não gosto da incoerência ou arbritariedade de uma arquitetura incompetente, nem do preciosismo intrincado do pitoresco ou do expressionismo. Pelo contrário, refiro‑me a uma arquitetura complexa e contraditória, baseada na riqueza e na ambigüidade da experiência moderna, inclusive na experiência que é inerente à arte. Em toda parte, exceto em arquitetura, complexidade e contradição sempre foram reconhecidas: da comprovação da máxima inconsistência da Matemática, por Güdel, à análise de T. S. Eliot sobre a poesia 'difícil', até à definição de Joseph Albers sobre a qualidade paradoxal da pintura.”
“Mas a arquitetura é necessariamente complexa e contraditória, até no inclusivismo dos tradicionais elementos vitruvianos: comodidade, solidez e encanto. E hoje as necessidades de programa, estrutura, equipamentos mecânicos e expressão, mesmo de edifícios simples em simples contextos, são diversas e conflitantes de modo anteriormente inimaginável. Somam‑se às dificuldades a dimensão e a escala sempre crescentes da arquitetura no planejamento urbano e regional. Acolho os problemas e exploro as incertezas. Ao abraçar contradição e complexidade tenho como objetivos tanto a vitalidade como a validade.”
“Os arquitetos não podem mais aceitar a intimidação da linguagem puritanamente moral da arquitetura moderna ortodoxa. Gosto mais de elementos híbridos do que 'puros', de comprometidos mais do que 'limpos', dos distorcidos mais do que dos 'diretos', ambíguos mais do que 'articulados', dos perversos e impessoais, dos convencionais mais do que dos projetados', de acomodações em vez de 'exclusões', dos redundantes em vez dos 'simples', tanto conhecidos quanto inovadores, inconsistentes e equívocos em lugar de 'diretos e claros'. Sou pela vitalidade confusa, contra a 'unidade óbvia'. Incluo o non sequitur e proclamo a dualidade.”
“Prefiro a riqueza de significados à clareza do significado; a função implícita à função explícita. Prefiro 'ambos, um e outro' a 'ou um ou outro'; preto e branco, e às vezes cinza, a preto ou branco. Uma arquitetura válida evoca muitos níveis de significado e combinações de focos: seu espaço e seus elementos tornam‑se legíveis e trabalháveis de diversas formas simultaneamente.”
"Mas uma arquitetura de complexidade e contradição tem uma obrigação especial para com o todo: sua verdade deve estar em sua totalidade ou em suas implicações de totalidade. Deve incorporar a difícil unidade da inclusão ao invés da fácil unidade da exclusão. More is not less".
(Extraído de ARQUITETURAS & TEORIAS, João Rodolfo Stroeter, Editora Nobel – 1986)
José Antonio
GENTIL MANIFESTO
Robert Venturi
(Abre o livro Complexity and Contradiction in Architecture, do autor, 1966. )
"Gosto de complexidade e de contradição em arquitetura. Não gosto da incoerência ou arbritariedade de uma arquitetura incompetente, nem do preciosismo intrincado do pitoresco ou do expressionismo. Pelo contrário, refiro‑me a uma arquitetura complexa e contraditória, baseada na riqueza e na ambigüidade da experiência moderna, inclusive na experiência que é inerente à arte. Em toda parte, exceto em arquitetura, complexidade e contradição sempre foram reconhecidas: da comprovação da máxima inconsistência da Matemática, por Güdel, à análise de T. S. Eliot sobre a poesia 'difícil', até à definição de Joseph Albers sobre a qualidade paradoxal da pintura.”
“Mas a arquitetura é necessariamente complexa e contraditória, até no inclusivismo dos tradicionais elementos vitruvianos: comodidade, solidez e encanto. E hoje as necessidades de programa, estrutura, equipamentos mecânicos e expressão, mesmo de edifícios simples em simples contextos, são diversas e conflitantes de modo anteriormente inimaginável. Somam‑se às dificuldades a dimensão e a escala sempre crescentes da arquitetura no planejamento urbano e regional. Acolho os problemas e exploro as incertezas. Ao abraçar contradição e complexidade tenho como objetivos tanto a vitalidade como a validade.”
“Os arquitetos não podem mais aceitar a intimidação da linguagem puritanamente moral da arquitetura moderna ortodoxa. Gosto mais de elementos híbridos do que 'puros', de comprometidos mais do que 'limpos', dos distorcidos mais do que dos 'diretos', ambíguos mais do que 'articulados', dos perversos e impessoais, dos convencionais mais do que dos projetados', de acomodações em vez de 'exclusões', dos redundantes em vez dos 'simples', tanto conhecidos quanto inovadores, inconsistentes e equívocos em lugar de 'diretos e claros'. Sou pela vitalidade confusa, contra a 'unidade óbvia'. Incluo o non sequitur e proclamo a dualidade.”
“Prefiro a riqueza de significados à clareza do significado; a função implícita à função explícita. Prefiro 'ambos, um e outro' a 'ou um ou outro'; preto e branco, e às vezes cinza, a preto ou branco. Uma arquitetura válida evoca muitos níveis de significado e combinações de focos: seu espaço e seus elementos tornam‑se legíveis e trabalháveis de diversas formas simultaneamente.”
"Mas uma arquitetura de complexidade e contradição tem uma obrigação especial para com o todo: sua verdade deve estar em sua totalidade ou em suas implicações de totalidade. Deve incorporar a difícil unidade da inclusão ao invés da fácil unidade da exclusão. More is not less".
(Extraído de ARQUITETURAS & TEORIAS, João Rodolfo Stroeter, Editora Nobel – 1986)
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
A ARENA DE MINHA JANELA
O estágio das obras da Arena Pantanal visto de minha janela hoje, 04/01/2012.
Compare com a situação em 04/08/2011, 5 meses atrás.
Caso interesse, veja um filme das obras em no primeiro dia de 2012, clicando no link correspondente aqui no Blog, na coluna à esquerda, primeira seção.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
O PREFEITO DO TRICENTENÁRIO
José Antonio Lemos dos Santos
Vivendo o melhor momento econômico de sua história, a Grande Cuiabá chega a 2012 com a perspectiva de mais um ano forte, cheio de situações extremas, positivas e negativas. Como o ano que passou e os próximos neste seu terceiro grande salto de desenvolvimento, 2012 não será um ano qualquer pois forçará seus dirigentes a decisões ou omissões importantes que marcarão a cidade do futuro, para o bem ou para o mal. Ao cidadão cabe uma participação ativa nesse processo com a crítica consciente do aplauso e da reprovação, do apoio e da cobrança, e, em especial, com a força construtiva de seu voto nas eleições deste ano. Os cuiabanos – dirigentes e cidadãos - que vivem este momento mágico da cidade tem a responsabilidade de otimizar as oportunidades positivas na construção da cidade que receberá a Copa do Pantanal e em 7 anos festejará seu tricentésimo aniversário.
No auspicioso emaranhado de situações que o ano de 2012 trará ao cuiabano, tentaria identificar dois grandes compromissos para o cidadão, dono da cidade. Primeiro, um intransigente acompanhamento ao pacote de obras que a cidade recebe como sede da Copa do Pantanal, e também como pólo de um das regiões mais dinâmicas do planeta. Segundo, as eleições municipais, afinal, elas poderão eleger o prefeito do Tricentenário de Cuiabá. Os dois compromissos se fundem, uma vez que as obras de hoje constroem a cidade da festa dos 300 anos, ela própria seu verdadeiro bolo comemorativo.
Quanto às obras, hoje merecem atenção especial o Aeroporto Marechal Rondon e o VLT. Numa visão otimista restam 2 anos para as obras, mas até agora não vieram a público seus projetos técnicos. A Infraero outro dia apresentou a maquete de um estudo preliminar e a Secopa falou em um “termo de referência” para o VLT. Dada a urgência, nessa cobrança o cidadão vai ter que clamar com a arma do voto em punho a ação dos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. Não tem essa de cada um se esconder em seu quadrado, municipal, estadual ou federal. A cidade é só uma e é obrigação de todos eles. O aeroporto e a mobilidade urbana são projetos imprescindíveis para a Cuiabá do futuro e para a Copa, e têm que estar executados até o final de 2013.
Quanto às eleições, a escolha dos dirigentes municipais na Grande Cuiabá – prefeitos e vereadores - é essencial pois deles dependerá a preparação da cidade para o seu Tricentenário, a mais significativa efeméride cuiabana no século, sua maior festa e maior projeto. O Bom Jesus de Cuiabá deu uma forte mãozinha arranjando a Copa do Pantanal como um poderoso instrumento nessa preparação, em termos de obras e serviços públicos, bem como treinamento e avaliação dos gestores públicos e da própria cidadania. Contando com uma muito provável reeleição, o futuro prefeito será o prefeito do Tricentenário. Mesmo não reeleito, ainda assim será responsável por 4 dos 6 anos após sua posse até 2019. A responsabilidade é grande, tanto dos eleitores como dos partidos na escolha de candidatos a altura dessa honraria.
Melhor. O Tricentenário traz também a possibilidade de Cuiabá livrar-se da desgraça de ser tratada apenas como um trampolim político, balcão eleitoral visando o governo do estado. Quando qualquer processo de planejamento urbano exige um horizonte mínimo de 20 anos, em Cuiabá é de 2, cativo ao calendário eleitoral. Nada interessa além disso. Impossível! Ser o prefeito de Cuiabá no ano do Tricentenário será um laurel político e histórico, mas exigirá a permanência no cargo, abdicando à eleição ao estado de 2018. Daí talvez Cuiabá volte a ter um governante que resgate na prefeitura seus amplos horizontes e busque apenas a honra de bem governar sua cidade.
(Publicado pelo Diário de Cuiabé em 03/01/2012)
Vivendo o melhor momento econômico de sua história, a Grande Cuiabá chega a 2012 com a perspectiva de mais um ano forte, cheio de situações extremas, positivas e negativas. Como o ano que passou e os próximos neste seu terceiro grande salto de desenvolvimento, 2012 não será um ano qualquer pois forçará seus dirigentes a decisões ou omissões importantes que marcarão a cidade do futuro, para o bem ou para o mal. Ao cidadão cabe uma participação ativa nesse processo com a crítica consciente do aplauso e da reprovação, do apoio e da cobrança, e, em especial, com a força construtiva de seu voto nas eleições deste ano. Os cuiabanos – dirigentes e cidadãos - que vivem este momento mágico da cidade tem a responsabilidade de otimizar as oportunidades positivas na construção da cidade que receberá a Copa do Pantanal e em 7 anos festejará seu tricentésimo aniversário.
No auspicioso emaranhado de situações que o ano de 2012 trará ao cuiabano, tentaria identificar dois grandes compromissos para o cidadão, dono da cidade. Primeiro, um intransigente acompanhamento ao pacote de obras que a cidade recebe como sede da Copa do Pantanal, e também como pólo de um das regiões mais dinâmicas do planeta. Segundo, as eleições municipais, afinal, elas poderão eleger o prefeito do Tricentenário de Cuiabá. Os dois compromissos se fundem, uma vez que as obras de hoje constroem a cidade da festa dos 300 anos, ela própria seu verdadeiro bolo comemorativo.
Quanto às obras, hoje merecem atenção especial o Aeroporto Marechal Rondon e o VLT. Numa visão otimista restam 2 anos para as obras, mas até agora não vieram a público seus projetos técnicos. A Infraero outro dia apresentou a maquete de um estudo preliminar e a Secopa falou em um “termo de referência” para o VLT. Dada a urgência, nessa cobrança o cidadão vai ter que clamar com a arma do voto em punho a ação dos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. Não tem essa de cada um se esconder em seu quadrado, municipal, estadual ou federal. A cidade é só uma e é obrigação de todos eles. O aeroporto e a mobilidade urbana são projetos imprescindíveis para a Cuiabá do futuro e para a Copa, e têm que estar executados até o final de 2013.
Quanto às eleições, a escolha dos dirigentes municipais na Grande Cuiabá – prefeitos e vereadores - é essencial pois deles dependerá a preparação da cidade para o seu Tricentenário, a mais significativa efeméride cuiabana no século, sua maior festa e maior projeto. O Bom Jesus de Cuiabá deu uma forte mãozinha arranjando a Copa do Pantanal como um poderoso instrumento nessa preparação, em termos de obras e serviços públicos, bem como treinamento e avaliação dos gestores públicos e da própria cidadania. Contando com uma muito provável reeleição, o futuro prefeito será o prefeito do Tricentenário. Mesmo não reeleito, ainda assim será responsável por 4 dos 6 anos após sua posse até 2019. A responsabilidade é grande, tanto dos eleitores como dos partidos na escolha de candidatos a altura dessa honraria.
Melhor. O Tricentenário traz também a possibilidade de Cuiabá livrar-se da desgraça de ser tratada apenas como um trampolim político, balcão eleitoral visando o governo do estado. Quando qualquer processo de planejamento urbano exige um horizonte mínimo de 20 anos, em Cuiabá é de 2, cativo ao calendário eleitoral. Nada interessa além disso. Impossível! Ser o prefeito de Cuiabá no ano do Tricentenário será um laurel político e histórico, mas exigirá a permanência no cargo, abdicando à eleição ao estado de 2018. Daí talvez Cuiabá volte a ter um governante que resgate na prefeitura seus amplos horizontes e busque apenas a honra de bem governar sua cidade.
(Publicado pelo Diário de Cuiabé em 03/01/2012)
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sábado, 31 de dezembro de 2011
SANTUÁRIO PROFANADO
Mesmo que não se concorde total ou parcialmente com o artigo abaixo, trata-se de um belo e importante texto, principalmente para os arquitetos e urbanistas, que têm no assunto um dos principais e atuais campos de preocupação. As imagens são da internet e foram acrescentadas por mim.
SANTUÁRIO PROFANADO
Luiz Antonio Simas, O Globo
A anunciada intenção do governo do Rio de Janeiro de privatizar o Maracanã é mais um capítulo da febre tecnocrática e desumanizadora que assola nossos governantes.
Marca, lamentavelmente, a supremacia do mercado sobre a cultura — entendida como conjunto de símbolos, projeções, anseios e comportamentos que caracterizam um povo em sua cotidiana tarefa de reinventar a vida. É ela, a cultura, que nos humaniza.
Ferido por reformas que o descaracterizaram, atravessado, feito o padroeiro, por flechas suspeitas, o Maracanã é vítima da mania de modernizar o eterno, profanar o sagrado e tornar provisório, marcado pelas vicissitudes do tempo, o que já transcendeu a esse próprio tempo, o cronológico, e vive no território do mito.
Reformas e privatizações fazem parte, ainda, do contexto mais amplo de elitização do esporte, transformado em grande negócio. O futebol, que começou no Brasil restrito às elites, foi tomado pelo povo e virou a paixão da massa.
Numa macabra volta ao passado, assiste-se agora a uma nova elitização do jogo. Distante do povo, o futebol retorna, sob o manto da gestão empresarial, ao berço aristocrático de onde saiu.
Existem lugares de esquecimento, territórios do efêmero — penso nos shoppings — e lugares de memória, territórios de permanência. Esses últimos são espaços que, sacralizados pelos homens em suas geografias de ritos, antecedem a sua própria criação e parecem estar aí desde a véspera da primeira manhã do mundo.
Exemplifico.
No velho cais da Praça Quinze vivem, consagrados na memória das pedras, os marujos que, liderados por João Cândido, quebraram as chibatas da Marinha na revolta de 1910.
Na materialidade da Pedra do Sal ressoam batuques de sambas e berram os bodes imolados aos deuses que chegaram da África nos porões dos negreiros, acompanhando seu povo. Ali assombra um silêncio que grita o horror do cativeiro em suas noites.
Cada degrau da escadaria da ermida de Nossa Senhora da Penha, a mais carioca das santas, materializa os milagres e a dor de joelhos esfolados em sacrifícios de gratidão aos prodígios da Virgem.
O Maracanã era assim, como a Penha, a pedra e o cais. Nasceu estádio de futebol antes do rio que lhe nomeia; é carioca antes de Estácio de Sá; é de um tempo anterior ao tempo, como se erguido antes que a primeira flecha tupinambá cortasse o céu da Guanabara.
O Maracanã é o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, onde Jeremias e Daniel bailam no ar como Zizinho e Didi bailaram nas quatro linhas. É o terreiro do Opô Afonjá, onde Xangô dançou pelo corpo de Mãe Aninha como Ademir, feito raio, rasgou o campo em direção ao gol. É a primeira ponte do Capibaribe e todas as pontes de São Castilho. É a ciranda de Lia de Itamaracá e a areia da praia onde Lia cantou ciranda, pois ali, na grama verde, um anjo de pernas tortas cirandou um dia.
Isso é cultura, não mensurável pelas regras do deus mercado.
O Maracanã é mais, muito mais, do que tudo isso. É o templo onde oraram e comungaram brasileiros comuns — feito eu, meu pai e meu avô. Sempre juntos, na alegria e na tristeza, na vitória e na derrota, porque aqueles a quem os deuses da bola uniram no cimento das arquibancadas dinheiro nenhum deveria separar.
Luiz Antonio Simas é professor de História
SANTUÁRIO PROFANADO
Luiz Antonio Simas, O Globo
A anunciada intenção do governo do Rio de Janeiro de privatizar o Maracanã é mais um capítulo da febre tecnocrática e desumanizadora que assola nossos governantes.
Marca, lamentavelmente, a supremacia do mercado sobre a cultura — entendida como conjunto de símbolos, projeções, anseios e comportamentos que caracterizam um povo em sua cotidiana tarefa de reinventar a vida. É ela, a cultura, que nos humaniza.
Ferido por reformas que o descaracterizaram, atravessado, feito o padroeiro, por flechas suspeitas, o Maracanã é vítima da mania de modernizar o eterno, profanar o sagrado e tornar provisório, marcado pelas vicissitudes do tempo, o que já transcendeu a esse próprio tempo, o cronológico, e vive no território do mito.
Reformas e privatizações fazem parte, ainda, do contexto mais amplo de elitização do esporte, transformado em grande negócio. O futebol, que começou no Brasil restrito às elites, foi tomado pelo povo e virou a paixão da massa.
Numa macabra volta ao passado, assiste-se agora a uma nova elitização do jogo. Distante do povo, o futebol retorna, sob o manto da gestão empresarial, ao berço aristocrático de onde saiu.
Existem lugares de esquecimento, territórios do efêmero — penso nos shoppings — e lugares de memória, territórios de permanência. Esses últimos são espaços que, sacralizados pelos homens em suas geografias de ritos, antecedem a sua própria criação e parecem estar aí desde a véspera da primeira manhã do mundo.
Exemplifico.
No velho cais da Praça Quinze vivem, consagrados na memória das pedras, os marujos que, liderados por João Cândido, quebraram as chibatas da Marinha na revolta de 1910.
Na materialidade da Pedra do Sal ressoam batuques de sambas e berram os bodes imolados aos deuses que chegaram da África nos porões dos negreiros, acompanhando seu povo. Ali assombra um silêncio que grita o horror do cativeiro em suas noites.
Cada degrau da escadaria da ermida de Nossa Senhora da Penha, a mais carioca das santas, materializa os milagres e a dor de joelhos esfolados em sacrifícios de gratidão aos prodígios da Virgem.
O Maracanã era assim, como a Penha, a pedra e o cais. Nasceu estádio de futebol antes do rio que lhe nomeia; é carioca antes de Estácio de Sá; é de um tempo anterior ao tempo, como se erguido antes que a primeira flecha tupinambá cortasse o céu da Guanabara.
O Maracanã é o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, onde Jeremias e Daniel bailam no ar como Zizinho e Didi bailaram nas quatro linhas. É o terreiro do Opô Afonjá, onde Xangô dançou pelo corpo de Mãe Aninha como Ademir, feito raio, rasgou o campo em direção ao gol. É a primeira ponte do Capibaribe e todas as pontes de São Castilho. É a ciranda de Lia de Itamaracá e a areia da praia onde Lia cantou ciranda, pois ali, na grama verde, um anjo de pernas tortas cirandou um dia.
Isso é cultura, não mensurável pelas regras do deus mercado.
O Maracanã é mais, muito mais, do que tudo isso. É o templo onde oraram e comungaram brasileiros comuns — feito eu, meu pai e meu avô. Sempre juntos, na alegria e na tristeza, na vitória e na derrota, porque aqueles a quem os deuses da bola uniram no cimento das arquibancadas dinheiro nenhum deveria separar.
Luiz Antonio Simas é professor de História
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
ONU INDICA BRT PARA MOBILIDADE URBANA
Sistema reduz emissões e melhora o transporte coletivo
A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou os benefícios obtidos por cidades que implantaram o sistema BRT (Bus Rapid Transit) no seu transporte coletivo pela redução da emissão de gases tóxicos e melhora na eficiência do serviço, fatores que influenciam diretamente na qualidade de vida dos cidadãos.
Os dados apresentados no relatório “Rumo a uma Economia Verde – Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza”, produzido pela ONU, além de ressaltar a alternativa bem sucedida que é o BRT para a mobilidade urbana, aponta a necessidade de os governos apostarem em soluções de mobilidade baseadas em sistemas sustentáveis de transporte.
O documento produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destaca que Curitiba, primeira cidade do mundo que adotou o BRT, ainda nos anos 1970, houve redução do uso de combustíveis e, consequentemente, 30% a menos na emissão de gases tóxicos. Bogotá, na Colômbia, onde opera o conhecido sistema BRT, Transmilênio, também registrou o declínio de 14% da emissão de gases.
O BRT é um sistema de transporte público de alta capacidade que integra estações, veículos, serviços, vias expressas e sistemas de transportes inteligentes. Hoje, mais de 120 cidades no mundo tem BRT em operação e outras dezenas começam a implementá-lo. O BRT tem custos relativamente baixos e tempo de implementação curto. Ele é conhecido como metrô de superfície.
(Publicado pelo site EMBARQ Brasil http://embarqbrasil.org/ em 02/12/2011)
A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou os benefícios obtidos por cidades que implantaram o sistema BRT (Bus Rapid Transit) no seu transporte coletivo pela redução da emissão de gases tóxicos e melhora na eficiência do serviço, fatores que influenciam diretamente na qualidade de vida dos cidadãos.
Os dados apresentados no relatório “Rumo a uma Economia Verde – Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza”, produzido pela ONU, além de ressaltar a alternativa bem sucedida que é o BRT para a mobilidade urbana, aponta a necessidade de os governos apostarem em soluções de mobilidade baseadas em sistemas sustentáveis de transporte.
O documento produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destaca que Curitiba, primeira cidade do mundo que adotou o BRT, ainda nos anos 1970, houve redução do uso de combustíveis e, consequentemente, 30% a menos na emissão de gases tóxicos. Bogotá, na Colômbia, onde opera o conhecido sistema BRT, Transmilênio, também registrou o declínio de 14% da emissão de gases.
O BRT é um sistema de transporte público de alta capacidade que integra estações, veículos, serviços, vias expressas e sistemas de transportes inteligentes. Hoje, mais de 120 cidades no mundo tem BRT em operação e outras dezenas começam a implementá-lo. O BRT tem custos relativamente baixos e tempo de implementação curto. Ele é conhecido como metrô de superfície.
(Publicado pelo site EMBARQ Brasil http://embarqbrasil.org/ em 02/12/2011)
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
NOVO AEROPORTO DE CUIABÁ-VÁRZEA GRANDE
Depois de publicado aqui no blog no início de setembro, agora é oficial, noticiado pelo site da própria Infraero. Veja no link abaixo a nova estação de passageiros do Aeroporto Marechal Rondon.
http://www.youtube.com/watch?v=U7c3IteLZjA&context=C349070cADOEgsToPDskJbipgAFeR1qUsgFV4AmAQU
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
DESCULPAS ESFARRAPADAS
José Antonio Lemos dos Santos
Mentalizava para o Natal um artigo positivo, alvissareiro, quando na quinta-feira o ministro Aloízio Mercadante afirmou que “morrerão pessoas neste verão”, acrescentando, “e nos próximos”, por causa de deslizamentos e inundações nas cidades. Segundo o ministro, o governo não pode evitar, mesmo que funcionasse o Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais – Cemaden, prometido para novembro. Disse que o Brasil está atrasado no mapeamento das áreas de risco, indispensável à operação do sistema de alerta que está sendo montado. A causa desse atraso seria a falta de geólogos para os levantamentos. Segundo ele, nenhum geólogo apareceu no concurso do Cemaden, pois estes profissionais estão absorvidos na mineração e no petróleo, que “paga melhor, imagina subir morro para ver pobre em áreas de deslizamento. Não há como competir.” Injusto, mas sobrou para os geólogos.
O ministro foi no mínimo infeliz. Os desastres de verão que vem acontecendo em nossas cidades nos últimos anos são grandes tragédias urbanas e não “mortes de pessoas”. Por isso, partida de um ministro, esta declaração não pode passar despercebida, como se fosse algum “probleminha” que tivéssemos que aturar durante alguns anos, banalizada como tantos outros dados estatísticos. Estas tragédias vão continuar causando indignação nacional enquanto se repetirem. E o país indignado continuará cobrando de seus dirigentes uma grande ação nacional emergencial no sentido de que não mais se repitam as absurdas tragédias de cada verão, absurdas porque previsíveis. Ninguém aceita.
Como urbanista, me senti ofendido. A Constituição Federal desde 1988 obriga as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes a terem seu Plano Diretor. Ao longo destes quase 24 anos a grande maioria delas já dispõem deste instrumento que estabelece em suas leis específicas onde pode ou não pode construir. Seria subestimar a ciência do Urbanismo e a capacidade do Urbanismo brasileiro, admitir que os nossos Planos Diretores não partissem dessa avaliação básica. Uma das primeiras providências quando da elaboração do Plano Diretor de Cuiabá em 1990 foi a confecção de uma Carta Geotécnica com a UFMT. Não bastasse a Constituição Federal, o Brasil tem a Lei do Parcelamento Urbano de 1979, que não permite o parcelamento em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações ou que tenham sido aterrados com material nocivo à saúde pública, ou com declividade igual ou superior a 30%, ou com condições geológicas desfavoráveis, ou ainda naquelas onde a poluição impeça soluções sanitárias suportáveis. São determinações que podem e devem ser aplicadas a partir dos Planos Diretores, e o prefeito que não cumpri-las deveria ir para a cadeia.
A ação nacional urgente prescinde de grandes sistemas de informações além dos que já subsidiam os Planos Diretores municipais. Eles podem ser aprimorados com o avanço das ações. Por exemplo, o programa “Minha Casa, Minha Vida”, do próprio governo do ministro, construiu este ano com as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, cerca de 3.700 casas das quais 2.600 foram para casos de risco ou vulnerabilidade. Se isto está acontecendo na Grande Cuiabá, em outras cidades brasileiras deve estar acontecendo o mesmo. Ainda é muito pouco, mas já é considerável e inédito. São vidas protegidas, vidas preservadas, pessoas que não morrerão por deslizamento ou enchentes. O ministro parece ter confundido um projeto de seu ministério com o problema geral. Escolheu um sistema de alerta incompatível com a realidade e a urgência das nossas cidades e agora espera adaptar as cidades ao sistema. Enquanto isso vaticina, “morrerão pessoas” nos próximos verões. Até que o Cemaden funcione. Que Deus nos ajude.
(Publicado no Diário de Cuiabá em 20/12/11)
Mentalizava para o Natal um artigo positivo, alvissareiro, quando na quinta-feira o ministro Aloízio Mercadante afirmou que “morrerão pessoas neste verão”, acrescentando, “e nos próximos”, por causa de deslizamentos e inundações nas cidades. Segundo o ministro, o governo não pode evitar, mesmo que funcionasse o Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais – Cemaden, prometido para novembro. Disse que o Brasil está atrasado no mapeamento das áreas de risco, indispensável à operação do sistema de alerta que está sendo montado. A causa desse atraso seria a falta de geólogos para os levantamentos. Segundo ele, nenhum geólogo apareceu no concurso do Cemaden, pois estes profissionais estão absorvidos na mineração e no petróleo, que “paga melhor, imagina subir morro para ver pobre em áreas de deslizamento. Não há como competir.” Injusto, mas sobrou para os geólogos.
O ministro foi no mínimo infeliz. Os desastres de verão que vem acontecendo em nossas cidades nos últimos anos são grandes tragédias urbanas e não “mortes de pessoas”. Por isso, partida de um ministro, esta declaração não pode passar despercebida, como se fosse algum “probleminha” que tivéssemos que aturar durante alguns anos, banalizada como tantos outros dados estatísticos. Estas tragédias vão continuar causando indignação nacional enquanto se repetirem. E o país indignado continuará cobrando de seus dirigentes uma grande ação nacional emergencial no sentido de que não mais se repitam as absurdas tragédias de cada verão, absurdas porque previsíveis. Ninguém aceita.
Como urbanista, me senti ofendido. A Constituição Federal desde 1988 obriga as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes a terem seu Plano Diretor. Ao longo destes quase 24 anos a grande maioria delas já dispõem deste instrumento que estabelece em suas leis específicas onde pode ou não pode construir. Seria subestimar a ciência do Urbanismo e a capacidade do Urbanismo brasileiro, admitir que os nossos Planos Diretores não partissem dessa avaliação básica. Uma das primeiras providências quando da elaboração do Plano Diretor de Cuiabá em 1990 foi a confecção de uma Carta Geotécnica com a UFMT. Não bastasse a Constituição Federal, o Brasil tem a Lei do Parcelamento Urbano de 1979, que não permite o parcelamento em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações ou que tenham sido aterrados com material nocivo à saúde pública, ou com declividade igual ou superior a 30%, ou com condições geológicas desfavoráveis, ou ainda naquelas onde a poluição impeça soluções sanitárias suportáveis. São determinações que podem e devem ser aplicadas a partir dos Planos Diretores, e o prefeito que não cumpri-las deveria ir para a cadeia.
A ação nacional urgente prescinde de grandes sistemas de informações além dos que já subsidiam os Planos Diretores municipais. Eles podem ser aprimorados com o avanço das ações. Por exemplo, o programa “Minha Casa, Minha Vida”, do próprio governo do ministro, construiu este ano com as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, cerca de 3.700 casas das quais 2.600 foram para casos de risco ou vulnerabilidade. Se isto está acontecendo na Grande Cuiabá, em outras cidades brasileiras deve estar acontecendo o mesmo. Ainda é muito pouco, mas já é considerável e inédito. São vidas protegidas, vidas preservadas, pessoas que não morrerão por deslizamento ou enchentes. O ministro parece ter confundido um projeto de seu ministério com o problema geral. Escolheu um sistema de alerta incompatível com a realidade e a urgência das nossas cidades e agora espera adaptar as cidades ao sistema. Enquanto isso vaticina, “morrerão pessoas” nos próximos verões. Até que o Cemaden funcione. Que Deus nos ajude.
(Publicado no Diário de Cuiabá em 20/12/11)
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
ÁLIBI PREVENTIVO PARA TRAGÉDIAS
Veja a notícia abaixo. O ministro deve estar desinformado (certamente não está brincando). A Constituição Federal, portanto desde 1988, obriga todas as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes a terem seu Plano Diretor. E ao longo destes quase 24 anos a grande maioria delas já dispõem deste instrumento de controle urbano estabelecendo onde pode ou não pode construir. Seria subestimar a inteligência e a capacidade da ciência do Urbanismo em geral, e do Urbanismo brasileiro em particular, admitir que os nossos Planos Diretores não partissem dessa avaliação inicial. Não bastasse a Constituição Federal, o Brasil tem a Lei do Parcelamento Urbano, mais antiga ainda, que vem desde 1979 - 32 anos atrás! - que determina (ainda é vigente) não ser permitido o parcelamento urbano em "terrenos alagadiços e sujeitos à inundações ... em terrenos que tenham sido aterrados com material nocivo à saúde pública ... em terreno com declividade igual ou superior a 30% (trinta por cento) ... em terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação ... em áreas de preservação ecológica ou naquelas onde a poluição impeça condições sanitárias suportáveis, até a sua correção.". O cumprimento destas determinações legais de 1979, de fácil mapeamento (nem precisa "subir morro para ver pobre em áreas de deslizamento"), já seria mais que suficiente para evitar a grande maioria dessas tragédias urbanas. Um absurdo supor que as cidades brasileiras acima de 20 mil habitantes não tenham regulamentado o uso e a ocupação do seu solo urbano. Com certeza as cidades de porte médio para cima todas tem. O que falta é responsabilidade das autoridades públicas em fazer cumprir o que já está planejado. Como urbanista me considero ofendido tecnicamente com as declarações do ministro. No caso de Cuiabá, uma das primeiras providências na elaboração de seu Plano Diretor , no início da década de 90, foi a confecção da Carta Geotécnica com a UFMT.
Sexta, 16 de dezembro de 2011, 08h20
ALERTA
MINISTRO DIZ QUE "MORRERÃO PESSOAS" DEVIDO ÀS CHUVAS NESTE VERÃO
A principal dificuldade é a falta de geólogos para fazer levantamentos das áreas de risco nos municípios.
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, afirmou ontem no Senado que o governo não tem como impedir mortes nesta temporada de chuvas por conta de deslizamentos em enchentes. "Morrerão pessoas neste verão. E nos próximos".
Segundo o ministro, o país não terá um sistema capaz de "impedir vítimas" mesmo que o Cemaden (Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais), prometido para novembro, comece a funcionar 24 horas por dia, o que ainda não aconteceu.
"O que nós estamos fazendo é diminuir o impacto dos extremos climáticos que estão se agravando."
Mercadante afirmou que o país está atrasado no mapeamento de áreas sob risco de desastres naturais nos municípios. Essa informação é crucial para que o Cemaden, o centro que o governo está montando para produzir alertas de desastre a tempo de salvar vidas, possa fazer previsões de qualidade.
"Não queremos criar qualquer tipo de ilusão. Não há como impedir especialmente deslizamentos, em que temos entre duas e seis horas para tirar uma comunidade, uma favela, um bairro inteiro. Não temos tradição, não temos estrutura, não temos mobilidade para isso."
A principal dificuldade é a falta de geólogos para fazer levantamentos das áreas de risco nos municípios. De 251 cidades críticas, apenas 56 têm mapeamentos geológicos --e nem todas elas na escala necessária ao trabalho do sistema de alerta. Apenas 35 estão na base de dados do Cemaden hoje.
Mercadante afirmou que nenhum geólogo apareceu no concurso do Cemaden. Segundo ele, esses profissionais são todos absorvidos pelo setor de mineração e petróleo. "Paga melhor, imagina subir morro para ver pobre em áreas de deslizamento. Não há como competir."
Outro problema apontado pelo ministro é a precariedade da Defesa Civil em vários Estados, com exceções como a de Santa Catarina, que melhorou seu sistema depois da tragédia de 2008. "Houve um salto de qualidade, mas a situação da Defesa Civil é muito heterogênea."
Enquanto Mercadante falava no Senado ontem, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, dizia que o sistema de defesa civil do país está mais preparado do que no passado para evitar mortes.
Ele disse que o governo investiu neste ano R$ 132 milhões em drenagem e R$ 120 milhões em barragens e contenção de encostas, e que realizou simulados de preparação de desastres em 12 cidades.
Bezerra disse, porém, que a preparação não cabe só ao governo federal. "É preciso envolvimento dos governos estaduais, dos municípios e também do Congresso."
MAIS CHUVA
A chuva voltou a causar estragos ontem em Minas Gerais, que registrou alagamentos e desabamentos em Belo Horizonte e região metropolitana.
No Rio Grande do Sul, o dia foi de reparos em São Jerônimo, Triunfo, Fazenda Nova e Caxias do Sul, atingidas por chuva de granizo na quarta.
Em São Paulo, a chuva ocorrida na madrugada de ontem provocou alagamentos, quedas de árvores e problemas em semáforos. Um desabamento de casa deixou quatro pessoas feridas.
(http://www.hipernoticias.com.br/TNX/conteudo.php?cid=7982&sid=171 )
Sexta, 16 de dezembro de 2011, 08h20
ALERTA
MINISTRO DIZ QUE "MORRERÃO PESSOAS" DEVIDO ÀS CHUVAS NESTE VERÃO
A principal dificuldade é a falta de geólogos para fazer levantamentos das áreas de risco nos municípios.
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, afirmou ontem no Senado que o governo não tem como impedir mortes nesta temporada de chuvas por conta de deslizamentos em enchentes. "Morrerão pessoas neste verão. E nos próximos".
Segundo o ministro, o país não terá um sistema capaz de "impedir vítimas" mesmo que o Cemaden (Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais), prometido para novembro, comece a funcionar 24 horas por dia, o que ainda não aconteceu.
"O que nós estamos fazendo é diminuir o impacto dos extremos climáticos que estão se agravando."
Mercadante afirmou que o país está atrasado no mapeamento de áreas sob risco de desastres naturais nos municípios. Essa informação é crucial para que o Cemaden, o centro que o governo está montando para produzir alertas de desastre a tempo de salvar vidas, possa fazer previsões de qualidade.
"Não queremos criar qualquer tipo de ilusão. Não há como impedir especialmente deslizamentos, em que temos entre duas e seis horas para tirar uma comunidade, uma favela, um bairro inteiro. Não temos tradição, não temos estrutura, não temos mobilidade para isso."
A principal dificuldade é a falta de geólogos para fazer levantamentos das áreas de risco nos municípios. De 251 cidades críticas, apenas 56 têm mapeamentos geológicos --e nem todas elas na escala necessária ao trabalho do sistema de alerta. Apenas 35 estão na base de dados do Cemaden hoje.
Mercadante afirmou que nenhum geólogo apareceu no concurso do Cemaden. Segundo ele, esses profissionais são todos absorvidos pelo setor de mineração e petróleo. "Paga melhor, imagina subir morro para ver pobre em áreas de deslizamento. Não há como competir."
Outro problema apontado pelo ministro é a precariedade da Defesa Civil em vários Estados, com exceções como a de Santa Catarina, que melhorou seu sistema depois da tragédia de 2008. "Houve um salto de qualidade, mas a situação da Defesa Civil é muito heterogênea."
Enquanto Mercadante falava no Senado ontem, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, dizia que o sistema de defesa civil do país está mais preparado do que no passado para evitar mortes.
Ele disse que o governo investiu neste ano R$ 132 milhões em drenagem e R$ 120 milhões em barragens e contenção de encostas, e que realizou simulados de preparação de desastres em 12 cidades.
Bezerra disse, porém, que a preparação não cabe só ao governo federal. "É preciso envolvimento dos governos estaduais, dos municípios e também do Congresso."
MAIS CHUVA
A chuva voltou a causar estragos ontem em Minas Gerais, que registrou alagamentos e desabamentos em Belo Horizonte e região metropolitana.
No Rio Grande do Sul, o dia foi de reparos em São Jerônimo, Triunfo, Fazenda Nova e Caxias do Sul, atingidas por chuva de granizo na quarta.
Em São Paulo, a chuva ocorrida na madrugada de ontem provocou alagamentos, quedas de árvores e problemas em semáforos. Um desabamento de casa deixou quatro pessoas feridas.
(http://www.hipernoticias.com.br/TNX/conteudo.php?cid=7982&sid=171 )
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AGORA É HORA DE CONSTRUIR
12 de Dezembro de 2011. No início da noite da sexta-feira, 9 de dezembro, o Juiz Federal Substituto Bruno César Bandeira Apolinário, da 3ª Vara/DF na titularidade, que havia concedido medida cautelar suspendendo a posse do arquiteto Haroldo Pinheiro na presidência do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR) reconsiderou sua decisão.
Atendendo solicitação do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), o juiz comunicou ter apreciado e indeferido a impugnação interposta pelo arquiteto Ronaldo Tanimoto Celestino contra o resultado das eleições para os cargos de conselheiro do CAU-BR.
“Subsidiariamente, requer que os efeitos da decisão proferida sejam restringidos ao conselheiro representante do Estado do São Paulo no CAU–BR, unidade da federação pela qual saiu candidato o autor” escreveu o juiz em seu despacho. Dessa forma, é apenas com relação ao cargo de conselheiro federal por São Paulo e seu suplente – para o quais foram eleitos os arquiteto Miguel Pereira (titular), e Daniel Amor (suplente) - que o juiz irá examinar a solicitação.
“É que o requerente Ronald Tanimoto Celestino, sendo candidato ao CAU–BR como representante do Estado de São Paulo, detém legitimidade para se insurgir contra o resultado da eleição ao conselho em tela tão somente no que diz respeito à vaga destinada à representação daquela unidade da federação”, argumentou o juiz.
( http://www.arcoweb.com.br/noticias/haroldo-pinheiro-recupera-presidencia-do-cau-br.html )
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
NIEMEYER, 104 ANOS
Hoje, 15 de dezembro, Oscar Niemeyer está completando 104 anos, na ativa. Falar sobre o grande mestre é pouco, e desnecessário. O melhor é dar uma espiada no seu site:
http://www.niemeyer.org.br/
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
RESORT EM MANSO
Veja no link abaixo uns filmezinhos mostrando o projeto do resort de Manso.
http://vimeo.com/33086298
http://vimeo.com/33086298
UM BALANÇO NA COPA
José Antonio Lemos dos Santos
Um balanço rápido sobre a preparação da Copa do Pantanal e as perspectivas de legado para Cuiabá e o estado, mostra que até agora a grande resposta positiva tem vindo da iniciativa privada. Dentre seus maiores empreendimentos, destacam-se o setor hoteleiro com 15 torres (até o momento) e um sofisticado resort de R$ 63,0 milhões no Lago de Manso, a indústria imobiliária com quase 100 projetos de grande porte, muitos com várias torres, o setor comercial com o Shopping Goiabeiras triplicando sua área, em um investimento de R$ 85,0 milhões e no setor industrial a fábrica de cimento de R$ 390,0 milhões no Aguaçu. Trata-se de um considerável aporte de recursos em um curto prazo. Viriam nesse volume sem a Copa? Acho que não tão cedo. E seria mais com alguma campanha oficial externa para atração de investimentos.
Entretanto, a situação é alarmante quanto às intervenções de responsabilidade dos governos. Bem verdade que existem pontos positivos, como o andamento das obras da Arena Multiuso, o recapeamento asfáltico da cidade e a duplicação da ponte e avenida Mário Andreazza. Porém é quase só e chega ao absurdo quanto ao aeroporto e a mobilidade urbana. Com a Arena, são os três projetos fundamentais para a Copa acontecer. Até hoje a Infraero não apresentou o projeto básico da nova estação, prometido primeiro para junho, depois para setembro, depois para dezembro e agora para março do ano que vem. Seria fruto do pouco caso com que a Infraero sempre tratou Cuiabá ou o atraso na conclusão do projeto do VLT estaria atrasando a Infraero? Como a data da Copa não muda, creio que o aeroporto chegou ao limite de alerta máximo, mesmo considerando a obra em três turnos.
Quanto à mobilidade, depende muito da conclusão do projeto do VLT que também não veio à luz até agora. Já manifestei minha curiosidade técnica pela solução da integração de mais de 40 mil passageiros na Prainha sem as desapropriações no Morro da Luz. A conclusão do projeto do novo modal é também determinante para a geometria das avenidas por onde passa, que são as vias estruturais da cidade, logo, as mais importantes no contexto da mobilidade. Já as demais vias estruturais fora do trajeto do VLT chegaram a ter suas licitações suspensas pelo DNIT por motivos risíveis que mais pareciam desculpas para não fazer. Felizmente o bom senso prevaleceu e o governador assinou na semana passada um convênio de R$ 165,0 milhões com o órgão federal para as obras. Ainda bem, mesmo que o cronograma de obras tenha sido empurrado desnecessariamente para os limites da viabilidade construtiva, considerado um regime de três turnos. Ainda assim, viva!
O Dutrinha é emblemático neste quadro. Desde a demolição do Verdão foi prometida sua adaptação para voltar a ser provisoriamente o único estádio da Grande Cuiabá nas competições estaduais e nacionais. Pois bem, passaram os campeonatos do ano e o Cuiabá, sozinho, classificou-se brilhantemente para série “C” mas ainda não tem onde jogar. Pintaram os muros, derrubaram a única árvore lá existente e a prefeitura comprou o estádio como condição legal para os investimentos do estado. Porém nada de adaptação de fato. Parece que na preparação da festa máxima do futebol mundial, o futebol local foi esquecido.
São gigantes os desafios que Mato Grosso e o Brasil assumiram ao pleitearem a Copa. Sem abrir mão das críticas, resta torcer para que se realize no tempo que sobra o máximo que a Copa oportunizou, de forma limpa, bem feita e pensando no legado para o povo. No mais, a Copa expõe ao próprio país e ao mundo as entranhas de uma estrutura político-administrativa enrolada, perdulária e incompetente, que precisa ser totalmente reconstruída. Este, o maior legado até agora.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 13/12/2011)
Um balanço rápido sobre a preparação da Copa do Pantanal e as perspectivas de legado para Cuiabá e o estado, mostra que até agora a grande resposta positiva tem vindo da iniciativa privada. Dentre seus maiores empreendimentos, destacam-se o setor hoteleiro com 15 torres (até o momento) e um sofisticado resort de R$ 63,0 milhões no Lago de Manso, a indústria imobiliária com quase 100 projetos de grande porte, muitos com várias torres, o setor comercial com o Shopping Goiabeiras triplicando sua área, em um investimento de R$ 85,0 milhões e no setor industrial a fábrica de cimento de R$ 390,0 milhões no Aguaçu. Trata-se de um considerável aporte de recursos em um curto prazo. Viriam nesse volume sem a Copa? Acho que não tão cedo. E seria mais com alguma campanha oficial externa para atração de investimentos.
Entretanto, a situação é alarmante quanto às intervenções de responsabilidade dos governos. Bem verdade que existem pontos positivos, como o andamento das obras da Arena Multiuso, o recapeamento asfáltico da cidade e a duplicação da ponte e avenida Mário Andreazza. Porém é quase só e chega ao absurdo quanto ao aeroporto e a mobilidade urbana. Com a Arena, são os três projetos fundamentais para a Copa acontecer. Até hoje a Infraero não apresentou o projeto básico da nova estação, prometido primeiro para junho, depois para setembro, depois para dezembro e agora para março do ano que vem. Seria fruto do pouco caso com que a Infraero sempre tratou Cuiabá ou o atraso na conclusão do projeto do VLT estaria atrasando a Infraero? Como a data da Copa não muda, creio que o aeroporto chegou ao limite de alerta máximo, mesmo considerando a obra em três turnos.
Quanto à mobilidade, depende muito da conclusão do projeto do VLT que também não veio à luz até agora. Já manifestei minha curiosidade técnica pela solução da integração de mais de 40 mil passageiros na Prainha sem as desapropriações no Morro da Luz. A conclusão do projeto do novo modal é também determinante para a geometria das avenidas por onde passa, que são as vias estruturais da cidade, logo, as mais importantes no contexto da mobilidade. Já as demais vias estruturais fora do trajeto do VLT chegaram a ter suas licitações suspensas pelo DNIT por motivos risíveis que mais pareciam desculpas para não fazer. Felizmente o bom senso prevaleceu e o governador assinou na semana passada um convênio de R$ 165,0 milhões com o órgão federal para as obras. Ainda bem, mesmo que o cronograma de obras tenha sido empurrado desnecessariamente para os limites da viabilidade construtiva, considerado um regime de três turnos. Ainda assim, viva!
O Dutrinha é emblemático neste quadro. Desde a demolição do Verdão foi prometida sua adaptação para voltar a ser provisoriamente o único estádio da Grande Cuiabá nas competições estaduais e nacionais. Pois bem, passaram os campeonatos do ano e o Cuiabá, sozinho, classificou-se brilhantemente para série “C” mas ainda não tem onde jogar. Pintaram os muros, derrubaram a única árvore lá existente e a prefeitura comprou o estádio como condição legal para os investimentos do estado. Porém nada de adaptação de fato. Parece que na preparação da festa máxima do futebol mundial, o futebol local foi esquecido.
São gigantes os desafios que Mato Grosso e o Brasil assumiram ao pleitearem a Copa. Sem abrir mão das críticas, resta torcer para que se realize no tempo que sobra o máximo que a Copa oportunizou, de forma limpa, bem feita e pensando no legado para o povo. No mais, a Copa expõe ao próprio país e ao mundo as entranhas de uma estrutura político-administrativa enrolada, perdulária e incompetente, que precisa ser totalmente reconstruída. Este, o maior legado até agora.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 13/12/2011)
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
JOAQUIM MURTINHO
José Antonio Lemos dos Santos
A cidade é um centro de produção, mas sua produção vai além da economia, extrapola os bens e serviços e seu principal produto é a sua gente. A qualidade de seu povo é a melhor medida do sucesso de uma cidade. Já foi assim e devia continuar sendo. As cidades devem lembrar seus vultos como exemplos para reproduzi-los em todas as áreas do desenvolvimento humano. Nos meus tempos de escola primária, do “grupo” escolar, estudávamos suas vidas aprendendo a respeitá-los, e através deles aprendemos a respeitar ainda mais nossa gente.
Amanhã, 7 de dezembro, devíamos lembrar Joaquim Murtinho, nascido em Cuiabá em 1848. Foi engenheiro civil e médico homeopata, professor da Escola Politécnica, Deputado Federal, Senador, Ministro da Viação e da Fazenda. Para Rubens de Mendonça, foi o maior estadista e financista brasileiro no período republicano. Alguns hoje só o conhecem como nome de escolas ou ruas, aqui, no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande, ou ainda como nome de cidades em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Seu prestígio era tal que certa vez Dom Pedro II, Imperador do Brasil, tido como um dos governantes brasileiros mais cultos, assistindo a uma palestra dele sobre homeopatia, quis questioná-lo, recebendo em troca a sugestão de que quando "tivesse ímpetos de assistir a uma defesa de tese que Sua Majestade não entenda, deixe-se ficar em casa e leia uma página de Spencer".
Mudaram os tempos e mudaram muito as relações de respeito entre a autoridade política e a autoridade técnica. Hoje qualquer político ou preposto de quinto escalão ou menos acha que pode desprezar o especialista enquanto ele próprio propõe sobre questões técnicas que não entende, como a preparação de nossas cidades para a Copa. Depois quer que o especialista se responsabilize tecnicamente pelas decisões, chegando até a forçar mudanças de pareceres em função dos interesses da hora. Imagine se não fosse a República e tivéssemos imperadores. Felizmente, os bons técnicos, como Murtinho, ainda insistem em existir, convictos da importância de sua responsabilidade social como portadores do conhecimento científico e do domínio tecnológico.
Pioneiro da homeopatia no Brasil foi, porém, como Ministro da Fazenda que Murtinho ficou na história. Lembro Joelmir Betting em artigo de 1984 na Folha de São Paulo: “O saneamento da moeda nacional começou com a presença mágica do ministro Joaquim Murtinho (a partir de 1899). Murtinho só não é apostila nas escolas de economia do mundo ocidental porque nasceu no Brasil, teorizou no Brasil, e não em algum reduto da aristocracia acadêmica nos dois lados do Atlântico Norte.”
Diz mais: “Mal empossado no cargo de chanceler do Tesouro, que ele chamava de “monarca dos entulhos”, Joaquim Murtinho disparou um vigoroso “pacote” econômico, politicamente atrevido: a palavra de ordem era a de acabar, em rito sumário, com a especulação financeira do setor bancário”, e segue, “Murtinho entendia que o Brasil da virada do século não podia tolerar uma economia meramente escritural, era preciso promover o refluxo da poupança nacional do mercado de papéis e de divisas para o mercado de produtos e de serviços.” A inflação foi quase a zero gerando o “pânico bancário” de 1900, com o sistema financeiro “experimentando uma quebradeira em cascata”, diz Betting.
Aprendi com meu pai, que foi bancário orgulhoso em sê-lo, a reconhecer o valor dos bancos, mas, amargando seus juros, suas portas giratórias, e o número crescente de taxas exorbitantes, concluo esta homenagem ainda com Betting: “O “czar” Murtinho lavou as mãos enluvadas: que se quebrem todas as casas bancárias, desde que se salvem todas as fábricas, empórios e fazendas...”. Dá para esquecer?
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 06/12/2011)
A cidade é um centro de produção, mas sua produção vai além da economia, extrapola os bens e serviços e seu principal produto é a sua gente. A qualidade de seu povo é a melhor medida do sucesso de uma cidade. Já foi assim e devia continuar sendo. As cidades devem lembrar seus vultos como exemplos para reproduzi-los em todas as áreas do desenvolvimento humano. Nos meus tempos de escola primária, do “grupo” escolar, estudávamos suas vidas aprendendo a respeitá-los, e através deles aprendemos a respeitar ainda mais nossa gente.
Amanhã, 7 de dezembro, devíamos lembrar Joaquim Murtinho, nascido em Cuiabá em 1848. Foi engenheiro civil e médico homeopata, professor da Escola Politécnica, Deputado Federal, Senador, Ministro da Viação e da Fazenda. Para Rubens de Mendonça, foi o maior estadista e financista brasileiro no período republicano. Alguns hoje só o conhecem como nome de escolas ou ruas, aqui, no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande, ou ainda como nome de cidades em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Seu prestígio era tal que certa vez Dom Pedro II, Imperador do Brasil, tido como um dos governantes brasileiros mais cultos, assistindo a uma palestra dele sobre homeopatia, quis questioná-lo, recebendo em troca a sugestão de que quando "tivesse ímpetos de assistir a uma defesa de tese que Sua Majestade não entenda, deixe-se ficar em casa e leia uma página de Spencer".
Mudaram os tempos e mudaram muito as relações de respeito entre a autoridade política e a autoridade técnica. Hoje qualquer político ou preposto de quinto escalão ou menos acha que pode desprezar o especialista enquanto ele próprio propõe sobre questões técnicas que não entende, como a preparação de nossas cidades para a Copa. Depois quer que o especialista se responsabilize tecnicamente pelas decisões, chegando até a forçar mudanças de pareceres em função dos interesses da hora. Imagine se não fosse a República e tivéssemos imperadores. Felizmente, os bons técnicos, como Murtinho, ainda insistem em existir, convictos da importância de sua responsabilidade social como portadores do conhecimento científico e do domínio tecnológico.
Pioneiro da homeopatia no Brasil foi, porém, como Ministro da Fazenda que Murtinho ficou na história. Lembro Joelmir Betting em artigo de 1984 na Folha de São Paulo: “O saneamento da moeda nacional começou com a presença mágica do ministro Joaquim Murtinho (a partir de 1899). Murtinho só não é apostila nas escolas de economia do mundo ocidental porque nasceu no Brasil, teorizou no Brasil, e não em algum reduto da aristocracia acadêmica nos dois lados do Atlântico Norte.”
Diz mais: “Mal empossado no cargo de chanceler do Tesouro, que ele chamava de “monarca dos entulhos”, Joaquim Murtinho disparou um vigoroso “pacote” econômico, politicamente atrevido: a palavra de ordem era a de acabar, em rito sumário, com a especulação financeira do setor bancário”, e segue, “Murtinho entendia que o Brasil da virada do século não podia tolerar uma economia meramente escritural, era preciso promover o refluxo da poupança nacional do mercado de papéis e de divisas para o mercado de produtos e de serviços.” A inflação foi quase a zero gerando o “pânico bancário” de 1900, com o sistema financeiro “experimentando uma quebradeira em cascata”, diz Betting.
Aprendi com meu pai, que foi bancário orgulhoso em sê-lo, a reconhecer o valor dos bancos, mas, amargando seus juros, suas portas giratórias, e o número crescente de taxas exorbitantes, concluo esta homenagem ainda com Betting: “O “czar” Murtinho lavou as mãos enluvadas: que se quebrem todas as casas bancárias, desde que se salvem todas as fábricas, empórios e fazendas...”. Dá para esquecer?
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 06/12/2011)
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domingo, 4 de dezembro de 2011
Palacete do Presidente em Cuiabá
Barão ocupa palacete como presidente da Província de MT
Romilson Dourado
O brigadeiro Manoel de Almeida Gama Lobo, o Barão de Batovi, esteve à frente do Palacete do Presidente (da Província) por 16 meses, de maio de 1884 a outubro de 1885. O palacete fica à rua Pedro Celestino com a Cândido Mariano, no centro de Cuiabá. A imagem acima pertence ao acervo do fotógrafo Eurípedes Andreatto, o Nenê. No Museu da Imagem e do Som de Cuiabá existe apenas uma cópia do negativo dessa imagem em papel 50X60 cm. Barão de Batovi foi militar e político. Participou da Guerra do Paraguai e foi presidente da província de Mato Grosso, nomeado por carta imperial. Lutou nas guerras do Sul, na Campanha contra Rosas, na luta contra Aguirre e na Guerra da Tríplice Aliança. Em 1891, já na República, foi graduado no posto de Marechal de Campo. Ele se envolveu na Revolução Federalista e, por conta disso, foi preso e sumariamente fuzilado a mando do então presidente e antigo amigo Floriano Peixoto, na Fortaleza de Anhatomirim.
http://www.rdnews.com.br/blog/post/barao-ocupa-palacete-como-presidente-da-provincia-de-mt--2
Romilson Dourado
O brigadeiro Manoel de Almeida Gama Lobo, o Barão de Batovi, esteve à frente do Palacete do Presidente (da Província) por 16 meses, de maio de 1884 a outubro de 1885. O palacete fica à rua Pedro Celestino com a Cândido Mariano, no centro de Cuiabá. A imagem acima pertence ao acervo do fotógrafo Eurípedes Andreatto, o Nenê. No Museu da Imagem e do Som de Cuiabá existe apenas uma cópia do negativo dessa imagem em papel 50X60 cm. Barão de Batovi foi militar e político. Participou da Guerra do Paraguai e foi presidente da província de Mato Grosso, nomeado por carta imperial. Lutou nas guerras do Sul, na Campanha contra Rosas, na luta contra Aguirre e na Guerra da Tríplice Aliança. Em 1891, já na República, foi graduado no posto de Marechal de Campo. Ele se envolveu na Revolução Federalista e, por conta disso, foi preso e sumariamente fuzilado a mando do então presidente e antigo amigo Floriano Peixoto, na Fortaleza de Anhatomirim.
http://www.rdnews.com.br/blog/post/barao-ocupa-palacete-como-presidente-da-provincia-de-mt--2
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COPA: RESORT EM MANSO
03/12/2011 - 21:35
Olhar Direto
Grupo investe R$ 63 mi e cria 800 empregos em mega empreendimento
Da Redação - Lucas Bólico
Foto: Reprodução
Um pequeno conglomerado de empresas investirá R$ 63 milhões em um mega empreendimento turístico localizado às margens do Lago de Manso. A estimativa é que a obra do Maluí Manso Hotel Iate Golf & Resort gere pelo menos 800 empregos, distribuídos entre operários da construção e o corpo de funcionários que trabalhará diariamente no local em funcionamento.
De acordo com Jair Serratel Nogueira, um dos sócios do empreendimento, as obras se iniciam já na próxima segunda-feira (5), com a meta de que a inauguração aconteça antes da Copa do Mundo de 2014. O empreendimento deverá abrir as portas no dia 1º de maio de 2014.
Entre 30% e 40% do quadro de funcionários deverá ser preenchido com mato-grossenses. A dificuldade maior tem sido é encontrar mão de obra qualificada para lidar com turistas de diferentes cantos do mundo. Para isso, os empresários irão qualificar, em parceria com o Sebrae e a Prefeitura de Chapada, o maior número de pessoas possível.
A mega obra será construída em uma área de 117 hectares. No total, será construído um hotel com 244 leitos, sendo 148 apartamentos e 92 bangalôs, um centro de eventos com capacidade para mil pessoas, SPA, piscinas com lâmina d’água de três mil metros quadrados, quadras poliesportivas de tênis, campo oficial para futebol, marina, porto para atracar embarcações à beira do resort, campo de golfe com nove buracos e três restaurantes.
O empreendimento cinco estrelas terá um sistema de comercialização pouco utilizado no Brasil, mas muito comum nos Estados Unidos. Será aplicado o Sistema Fracionado de Compra de Imóvel, no qual cada apartamento ou bangalô poderá ser escriturado por até 13 proprietários, que terão direito a passar quatro semanas do ano em férias no local pelo resto da vida.
Os preços variam entre R$ 34 mil e R$ 72 mil, que podem ser divididos em até 60 meses. Os preços variam de acordo com o nível do quarto ou bangalô adquirido. Mas além do lazer e das férias familiares, o Maluí também será palco de negócios.
“Terá um centro de eventos, que poderá ser usado em diferentes eventos corporativos. O espaço também poderá ser utilizado para leilões de gado. Hoje os leilões não tem muita opção, a não ser em feiras”, afirma Jair Serratel Nogueira.
O grupo responsável pela obra é composto por Jair Serratel Nogueira, as empresas Teixeira Holzmann, Euro Consultoria, Bongiolo e TBA Blairo Maggi.
Olhar Direto
Grupo investe R$ 63 mi e cria 800 empregos em mega empreendimento
Da Redação - Lucas Bólico
Foto: Reprodução
Um pequeno conglomerado de empresas investirá R$ 63 milhões em um mega empreendimento turístico localizado às margens do Lago de Manso. A estimativa é que a obra do Maluí Manso Hotel Iate Golf & Resort gere pelo menos 800 empregos, distribuídos entre operários da construção e o corpo de funcionários que trabalhará diariamente no local em funcionamento.
De acordo com Jair Serratel Nogueira, um dos sócios do empreendimento, as obras se iniciam já na próxima segunda-feira (5), com a meta de que a inauguração aconteça antes da Copa do Mundo de 2014. O empreendimento deverá abrir as portas no dia 1º de maio de 2014.
Entre 30% e 40% do quadro de funcionários deverá ser preenchido com mato-grossenses. A dificuldade maior tem sido é encontrar mão de obra qualificada para lidar com turistas de diferentes cantos do mundo. Para isso, os empresários irão qualificar, em parceria com o Sebrae e a Prefeitura de Chapada, o maior número de pessoas possível.
A mega obra será construída em uma área de 117 hectares. No total, será construído um hotel com 244 leitos, sendo 148 apartamentos e 92 bangalôs, um centro de eventos com capacidade para mil pessoas, SPA, piscinas com lâmina d’água de três mil metros quadrados, quadras poliesportivas de tênis, campo oficial para futebol, marina, porto para atracar embarcações à beira do resort, campo de golfe com nove buracos e três restaurantes.
O empreendimento cinco estrelas terá um sistema de comercialização pouco utilizado no Brasil, mas muito comum nos Estados Unidos. Será aplicado o Sistema Fracionado de Compra de Imóvel, no qual cada apartamento ou bangalô poderá ser escriturado por até 13 proprietários, que terão direito a passar quatro semanas do ano em férias no local pelo resto da vida.
Os preços variam entre R$ 34 mil e R$ 72 mil, que podem ser divididos em até 60 meses. Os preços variam de acordo com o nível do quarto ou bangalô adquirido. Mas além do lazer e das férias familiares, o Maluí também será palco de negócios.
“Terá um centro de eventos, que poderá ser usado em diferentes eventos corporativos. O espaço também poderá ser utilizado para leilões de gado. Hoje os leilões não tem muita opção, a não ser em feiras”, afirma Jair Serratel Nogueira.
O grupo responsável pela obra é composto por Jair Serratel Nogueira, as empresas Teixeira Holzmann, Euro Consultoria, Bongiolo e TBA Blairo Maggi.
sábado, 3 de dezembro de 2011
CULTURA EM UM SITE
Tenha em apenas no link abaixo (basta clicar nele) uma visão geral das artes e da cultura em geral em todos os tempos:
http://www.sabercultural.com/
Para facilitar o acesso a qualquer tempo, o link permanecerá aqui no Blog do José Lemos, na Coluna à direita, na Seção "Sites de Interesse".
http://www.sabercultural.com/
Para facilitar o acesso a qualquer tempo, o link permanecerá aqui no Blog do José Lemos, na Coluna à direita, na Seção "Sites de Interesse".
terça-feira, 29 de novembro de 2011
DIVISÃO PARA QUEM? III
José Antonio Lemos dos Santos
A posição contra novas divisões territoriais no Brasil, sobretudo em Mato Grosso, mostrada em artigos anteriores, parte da idéia de que um país que paga em média quase que 40% de tudo o que produz só para sustentar suas incompetentes e perdulárias estruturas políticas e administrativas, não poderia sequer pensar em mais governos e mais políticos. Mas é isso o que quer a classe política em geral por trás dos vários projetos de divisão que circulam pelo Brasil, cujos principais argumentos comento esticando o assunto em mais este artigo.
Ao contrário das conversas divisionistas, a situação de desamparo e abandono de muitos brasileiros e mato-grossenses, nada tem a ver com suas distâncias geométricas ou geográficas de suas capitais. No caso específico de Mato Grosso, o desenvolvimento e a exclusão estão presentes lado a lado em todo estado. Há pobreza e exclusão em bairros da capital tanto quanto em Vila Rica ou Juína. Ou até pior. Municípios da chamada Baixada Cuiabana estão entre os mais pobres e carentes do estado. Querem forçar a criação de novas pirâmides de cargos através da enganosa idéia de que o abandono é causado pela distância e que só existe nas regiões que pretendem dividir. Nada mais falso. A exclusão está em todos os lugares e é um dos maiores problemas de Mato Grosso e do Brasil. Ao contrário, este quadro desequilibrado e injusto impõe a aplicação dos recursos públicos diretamente na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos (escolas, estradas, hospitais, etc.), ao invés de torrá-los em novas e dispendiosas estruturas estaduais.
Os divisionistas alegam ainda que os estados menores são mais desenvolvidos. Nesse ponto, Mato Grosso dá show de desenvolvimento em relação aos estados brasileiros de menores dimensões. Aliás, existem estados historicamente importantes no Brasil, bem menores que Mato Grosso que não viabilizam sequer a própria subsistência. Basta aplicar a fórmula desenvolvida no IPEA para cálculo do custo mínimo de manutenção de um estado. Ainda referente às dimensões, os divisionistas gostam de citar o tamanho dos estados americanos, mas não explicam que a divisão territorial americana aconteceu séculos atrás, nos tempos das diligências, das comunicações por fumaça e estafetas a galope.
Contudo, a maior das falácias divisionistas é atribuir o atual desenvolvimento de Mato Grosso e do Tocantins ao processo de divisão territorial que lhes deu origem. Na verdade o desenvolvimento dessas regiões começou bem antes de serem divididos, ainda na década de 50 com a política federal da integração nacional, expressa na Marcha para o Oeste e a construção de Brasília, seguido por uma forte política de investimentos na década de 70 com os Programas Especiais de Desenvolvimento tipo Prodepan, Polocentro, Polamazônia e Polonoroeste. Tais programas significaram apoio direto à economia que se instalava nessas regiões, com linhas especiais de financiamento, infra-estrutura de energia, de transporte e reforço às estruturas urbanas. Quando os estados foram divididos já se encontravam em franco desenvolvimento, a partir de uma base de infra-estrutura suficiente para que o processo deslanchasse, fruto de um trabalho anterior de planejamento e execução competente levado a cabo pela Sudeco, hoje injustamente esquecido.
As falácias são mentiras de pernas menos curtas. Mas só vão um pouquinho mais longe que as mentiras. Em pleno século XXI, na era do avião a jato, asfalto, comunicações via satélite, internet, Mato Grosso tem a dimensão territorial exata para o sucesso. Líder nacional no agronegócio, ainda com muito, muito mesmo a corrigir, Mato Grosso é a prova de que o Brasil não precisa de redivisões, com mais governos e mais políticos. Mato Grosso é para ser imitado, e não dividido.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 29/11/11)
A posição contra novas divisões territoriais no Brasil, sobretudo em Mato Grosso, mostrada em artigos anteriores, parte da idéia de que um país que paga em média quase que 40% de tudo o que produz só para sustentar suas incompetentes e perdulárias estruturas políticas e administrativas, não poderia sequer pensar em mais governos e mais políticos. Mas é isso o que quer a classe política em geral por trás dos vários projetos de divisão que circulam pelo Brasil, cujos principais argumentos comento esticando o assunto em mais este artigo.
Ao contrário das conversas divisionistas, a situação de desamparo e abandono de muitos brasileiros e mato-grossenses, nada tem a ver com suas distâncias geométricas ou geográficas de suas capitais. No caso específico de Mato Grosso, o desenvolvimento e a exclusão estão presentes lado a lado em todo estado. Há pobreza e exclusão em bairros da capital tanto quanto em Vila Rica ou Juína. Ou até pior. Municípios da chamada Baixada Cuiabana estão entre os mais pobres e carentes do estado. Querem forçar a criação de novas pirâmides de cargos através da enganosa idéia de que o abandono é causado pela distância e que só existe nas regiões que pretendem dividir. Nada mais falso. A exclusão está em todos os lugares e é um dos maiores problemas de Mato Grosso e do Brasil. Ao contrário, este quadro desequilibrado e injusto impõe a aplicação dos recursos públicos diretamente na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos (escolas, estradas, hospitais, etc.), ao invés de torrá-los em novas e dispendiosas estruturas estaduais.
Os divisionistas alegam ainda que os estados menores são mais desenvolvidos. Nesse ponto, Mato Grosso dá show de desenvolvimento em relação aos estados brasileiros de menores dimensões. Aliás, existem estados historicamente importantes no Brasil, bem menores que Mato Grosso que não viabilizam sequer a própria subsistência. Basta aplicar a fórmula desenvolvida no IPEA para cálculo do custo mínimo de manutenção de um estado. Ainda referente às dimensões, os divisionistas gostam de citar o tamanho dos estados americanos, mas não explicam que a divisão territorial americana aconteceu séculos atrás, nos tempos das diligências, das comunicações por fumaça e estafetas a galope.
Contudo, a maior das falácias divisionistas é atribuir o atual desenvolvimento de Mato Grosso e do Tocantins ao processo de divisão territorial que lhes deu origem. Na verdade o desenvolvimento dessas regiões começou bem antes de serem divididos, ainda na década de 50 com a política federal da integração nacional, expressa na Marcha para o Oeste e a construção de Brasília, seguido por uma forte política de investimentos na década de 70 com os Programas Especiais de Desenvolvimento tipo Prodepan, Polocentro, Polamazônia e Polonoroeste. Tais programas significaram apoio direto à economia que se instalava nessas regiões, com linhas especiais de financiamento, infra-estrutura de energia, de transporte e reforço às estruturas urbanas. Quando os estados foram divididos já se encontravam em franco desenvolvimento, a partir de uma base de infra-estrutura suficiente para que o processo deslanchasse, fruto de um trabalho anterior de planejamento e execução competente levado a cabo pela Sudeco, hoje injustamente esquecido.
As falácias são mentiras de pernas menos curtas. Mas só vão um pouquinho mais longe que as mentiras. Em pleno século XXI, na era do avião a jato, asfalto, comunicações via satélite, internet, Mato Grosso tem a dimensão territorial exata para o sucesso. Líder nacional no agronegócio, ainda com muito, muito mesmo a corrigir, Mato Grosso é a prova de que o Brasil não precisa de redivisões, com mais governos e mais políticos. Mato Grosso é para ser imitado, e não dividido.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 29/11/11)
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
BRT DO RIO
Veja no link abaixo o projeto do BRT no Rio de Janeiro, chamado "Trajeto Transcarioca".
http://www.youtube.com/watch?v=Ci92FEtol6w&feature=email
http://www.youtube.com/watch?v=Ci92FEtol6w&feature=email
domingo, 27 de novembro de 2011
MUSEU DO AMANHÃ
Veja no link abaixo, ou na seção "VISITAS DE ARQUITETURA" (a 15a. na coluna à direita) a maquete eletrônica do MUSEU DO AMANHÃ, projeto de Santiago Calatrava para o Rio de Janeiro.
http://www.youtube.com/watch?v=TwZ_YaLSzrU&feature=fvsr
E aí? Algum comentário?
http://www.youtube.com/watch?v=TwZ_YaLSzrU&feature=fvsr
E aí? Algum comentário?
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
LIVRO SOBRE TECNOLOGIA INDÍGENA GANHA PRÊMIO NACIONAL
25º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira
Ganhar um prêmio é sempre bom, mas tem um gosto especial quando a distinção acontece além das divisas do Estado onde o trabalho foi produzido. Foi o que aconteceu com o livro “Tecnologia indígena em Mato Grosso: habitação”, do arquiteto José Afonso Botura Portocarrero. Lançado há um ano pela Entrelinhas Editora, com apoio do Sebrae-MT, a obra foi contemplada com o 25º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, considerado o mais importante do setor. A cerimônia de premiação, realizada em São Paulo, na noite de terça-feira (22), foi presidida pela diretora geral do MCB, Mirian Lerner, pelo secretário de Estado de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, e pelo diretor da agência DPZ, publicitário Roberto Duailibi, que foi o criador do Prêmio Design há 25 anos, quando era o diretor geral do museu.
“Estou muito contente com essa premiação, reconhecida como a mais séria e respeitada da arquitetura no Brasil. É especialmente significativo ganhar esse prêmio do Museu da Casa Brasileira pelo fato de estarmos fora do circuito Rio-São Paulo”, comentou o autor, chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Tecnologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que viajou à capital paulista para participar da cerimônia de premiação. O autor e a Entrelinhas Editora foram premiados com o segundo lugar na categoria “trabalhos escritos publicados”. Segundo a comissão julgadora, o “livro apresenta ampla e excelente análise de objeto pouco estudado, desenvolvendo reflexões comparativas sobre as estruturas das habitações indígenas da região de Mato Grosso. Sua contribuição é fundamental para o conhecimento e principalmente para possíveis reflexões e direcionamentos em pesquisas futuras”.
Apaixonado pelo estudo das tecnologias indígenas, Portocarrero vem se dedicando ao tema como pesquisador desde o mestrado e estendeu suas pesquisas a 10 povos de Mato Grosso no doutorado, realizado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele acredita que o prêmio contribui para divulgar a importância de se pesquisar a contribuição dos indígenas para a arquitetura, a valorizá-la e preservar essa memória. “Essas tecnologias estão longe de estarem ultrapassadas e o prêmio vai fazer com que mais estudantes de arquitetura se interessem pelo assunto”, comenta o escritor, que espera que sua obra seja adotada em outros cursos de Arquitetura e Urbanismo do país.
A partir das referências do desenho cultural das casas indígenas, o arquiteto desenvolveu alguns projetos na perspectiva da etnoarquitetura, entre eles, o Espaço do Conhecimento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso (Sebrae-MT), em Cuiabá. Para o superintendente do Sebrae-MT, José Guilherme Barbosa Ribeiro, é “uma honra” trabalhar com Portocarrero, “uma pessoa que sabe transformar a teoria na prática”. Ele também ficou muito feliz com o Prêmio do MCB que, na sua opinião, veio naturalmente como consequência de “uma configuração de esforços e competências”. “Quando instituições, empresas e pessoas trabalhem em conjunto em prol do bem, o reconhecimento acaba acontecendo”, comenta. Na opinião da editora Maria Teresa Carrión Carracedo, o prêmio é “um reconhecimento de que a sociedade brasileira tem muito o que aprender sobre design e sustentabilidade, além de outras áreas de conhecimento, com os povos que há milênios vivem neste território.”
“As pesquisas de Portocarrero e da Tecnoíndia trazem esta importante contribuição à cultura nacional. Estamos felizes por termos divulgado este trabalho em parceria com o Sebrae-MT”, acrescenta. A propósito, a premiação de “Tecnologia indígena em Mato Grosso: habitação” coincide com a realização da segunda Feira do Livro Indígena (Flimt), no Pavilhão das Artes, e, no final da tarde desta quinta-feira (24), o autor estará presente ao evento, juntamente com a antropóloga Maria Fátima Roberto Machado. Durante a feira estarão expostas maquetes de habitações indígenas feitas por Portocarrero.
Sobre a obra – “Tecnologia indígena em Mato Grosso: habitação” trata do desenho das habitações tradicionais de 10 povos e seus aspectos construtivos. Fartamente ilustrada com fotos e desenhos, a obra, na avaliação do arquiteto Carlos Zibel Costa (FAU-USP), orientador de José Afonso Botura Portocarrero, “nos abre em toda sua originalidade e dignidade, mas também em toda sua restrição e especificidade tecnológica e socioeconômica a Arquitetura Indígena Brasileira de cada etnia estudada”.
“Ora, é justamente esse processo que a retira do limbo empoeirado das citações históricas e dos preconceitos, convidando-as a adentrar o universo das culturas locais e das civilizações dominantes no mundo globalizado e vivo da época presente”, afirma o orientador no prefácio do livro.
No texto da apresentação, a professora doutora Maria Fátima Roberto Machado, do Departamento de Antropologia/Museu Rondon – UFMT e coordenadora do Núcleo Tecnoíndia, elogia a postura etnográfica de Portocarrero no levantamento dos desenhos das casas indígenas e o valor do material levantado por seu ineditismo.
“(...) Talvez uma das mais importantes contribuições de um intelectual comprometido com o mundo em que vive seja colocar a sua energia criadora à disposição do entendimento entre as pessoas, considerando as mais diferentes culturas e as mais diferentes condições materiais de existência”, diz Maria Fátima, numa referência ao desafio enfrentado pelo autor em suas pesquisas.
Portocarrero acredita que a premiação vai ajudar divulgar o blog do Núcleo de Estudos e Pesquisas Tecnologias Indígenas (www.nucleotecnoindia.com), do qual é um criadores.
Sobre o autor – José Afonso Botura Portocarrero nasceu em Bela Vista (hoje Mato Grosso do Sul), na fronteira com o Paraguai, e se formou como arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (SP). Iniciou a carreira docente no Departamento de Engenharia Civil da UFMT e participou da criação do Departamento de Arquitetura e Urbanismo dessa universidade. Em 2001, apresentou dissertação sobre a casa Bororo no mestrado em História da UFMT e, cinco anos depois, teve sua tese de doutorado aprovada na FAU-USP, tendo como orientador o arquiteto Prof. Dr. Carlos Roberto Zibel Costa.
Como arquiteto, Portocarrero projetou a sede da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat), conhecida como a “oca”, e também elaborou o projeto do Memorial Rondon (em parceria com o arquiteto Paulo César Molina Monteiro), que começou a ser construído na borda do Pantanal, em Mimoso, distrito de Santo Antônio de Leverger, durante o segundo governo Dante de Oliveira.
Sobre o prêmio – O Prêmio Design MCB foi criado em 1986, pelo publicitário Roberto Duailibi, então à frente do Museu da Casa Brasileira, para incentivar o design em nosso país, numa época em pouca gente sabia o que era isso ou dava importância a esta atividade. Ao longo dos últimos 25 anos, o prêmio cresceu em credibilidade graças a seu caráter cultural, sem interesses comerciais, garantido pela característica da instituição que o promove – um museu dedicado ao design e à arquitetura, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo.
Em 2011, houve recorde de inscrições: 810 em produtos e trabalhos teóricos, nas seguintes categorias: Equipamentos de construção, de transporte, e eletroeletrônicos, Iluminação, Mobiliário, Têxteis, Utensílios, Trabalhos escritos publicados e não publicados. Ao todo, foram premiados 33 trabalhos e os vencedores foram contemplados com inscrição gratuita no iF Product Design Award 2013, ação realizada em parceria com o Centro Design Paraná. Para celebrar os 25 anos do Prêmio Design foram lançados durante a cerimônia de premiação um site especial e o livro “21-25º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira”, que reúne os projetos finalistas e premiados nessas cinco edições. Também foi inaugurada uma instalação interativa que disponibiliza ao público grande parte da memória do Prêmio, cuja história se mistura à do próprio design brasileiro. Os trabalhos finalistas e premiados ficarão expostos no MCB até o dia 15 de janeiro. (Entrelinhas Editora)
(Extraído do site da UFMT em 24/11/2011)
Ganhar um prêmio é sempre bom, mas tem um gosto especial quando a distinção acontece além das divisas do Estado onde o trabalho foi produzido. Foi o que aconteceu com o livro “Tecnologia indígena em Mato Grosso: habitação”, do arquiteto José Afonso Botura Portocarrero. Lançado há um ano pela Entrelinhas Editora, com apoio do Sebrae-MT, a obra foi contemplada com o 25º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, considerado o mais importante do setor. A cerimônia de premiação, realizada em São Paulo, na noite de terça-feira (22), foi presidida pela diretora geral do MCB, Mirian Lerner, pelo secretário de Estado de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, e pelo diretor da agência DPZ, publicitário Roberto Duailibi, que foi o criador do Prêmio Design há 25 anos, quando era o diretor geral do museu.
“Estou muito contente com essa premiação, reconhecida como a mais séria e respeitada da arquitetura no Brasil. É especialmente significativo ganhar esse prêmio do Museu da Casa Brasileira pelo fato de estarmos fora do circuito Rio-São Paulo”, comentou o autor, chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Tecnologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que viajou à capital paulista para participar da cerimônia de premiação. O autor e a Entrelinhas Editora foram premiados com o segundo lugar na categoria “trabalhos escritos publicados”. Segundo a comissão julgadora, o “livro apresenta ampla e excelente análise de objeto pouco estudado, desenvolvendo reflexões comparativas sobre as estruturas das habitações indígenas da região de Mato Grosso. Sua contribuição é fundamental para o conhecimento e principalmente para possíveis reflexões e direcionamentos em pesquisas futuras”.
Apaixonado pelo estudo das tecnologias indígenas, Portocarrero vem se dedicando ao tema como pesquisador desde o mestrado e estendeu suas pesquisas a 10 povos de Mato Grosso no doutorado, realizado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele acredita que o prêmio contribui para divulgar a importância de se pesquisar a contribuição dos indígenas para a arquitetura, a valorizá-la e preservar essa memória. “Essas tecnologias estão longe de estarem ultrapassadas e o prêmio vai fazer com que mais estudantes de arquitetura se interessem pelo assunto”, comenta o escritor, que espera que sua obra seja adotada em outros cursos de Arquitetura e Urbanismo do país.
A partir das referências do desenho cultural das casas indígenas, o arquiteto desenvolveu alguns projetos na perspectiva da etnoarquitetura, entre eles, o Espaço do Conhecimento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso (Sebrae-MT), em Cuiabá. Para o superintendente do Sebrae-MT, José Guilherme Barbosa Ribeiro, é “uma honra” trabalhar com Portocarrero, “uma pessoa que sabe transformar a teoria na prática”. Ele também ficou muito feliz com o Prêmio do MCB que, na sua opinião, veio naturalmente como consequência de “uma configuração de esforços e competências”. “Quando instituições, empresas e pessoas trabalhem em conjunto em prol do bem, o reconhecimento acaba acontecendo”, comenta. Na opinião da editora Maria Teresa Carrión Carracedo, o prêmio é “um reconhecimento de que a sociedade brasileira tem muito o que aprender sobre design e sustentabilidade, além de outras áreas de conhecimento, com os povos que há milênios vivem neste território.”
“As pesquisas de Portocarrero e da Tecnoíndia trazem esta importante contribuição à cultura nacional. Estamos felizes por termos divulgado este trabalho em parceria com o Sebrae-MT”, acrescenta. A propósito, a premiação de “Tecnologia indígena em Mato Grosso: habitação” coincide com a realização da segunda Feira do Livro Indígena (Flimt), no Pavilhão das Artes, e, no final da tarde desta quinta-feira (24), o autor estará presente ao evento, juntamente com a antropóloga Maria Fátima Roberto Machado. Durante a feira estarão expostas maquetes de habitações indígenas feitas por Portocarrero.
Sobre a obra – “Tecnologia indígena em Mato Grosso: habitação” trata do desenho das habitações tradicionais de 10 povos e seus aspectos construtivos. Fartamente ilustrada com fotos e desenhos, a obra, na avaliação do arquiteto Carlos Zibel Costa (FAU-USP), orientador de José Afonso Botura Portocarrero, “nos abre em toda sua originalidade e dignidade, mas também em toda sua restrição e especificidade tecnológica e socioeconômica a Arquitetura Indígena Brasileira de cada etnia estudada”.
“Ora, é justamente esse processo que a retira do limbo empoeirado das citações históricas e dos preconceitos, convidando-as a adentrar o universo das culturas locais e das civilizações dominantes no mundo globalizado e vivo da época presente”, afirma o orientador no prefácio do livro.
No texto da apresentação, a professora doutora Maria Fátima Roberto Machado, do Departamento de Antropologia/Museu Rondon – UFMT e coordenadora do Núcleo Tecnoíndia, elogia a postura etnográfica de Portocarrero no levantamento dos desenhos das casas indígenas e o valor do material levantado por seu ineditismo.
“(...) Talvez uma das mais importantes contribuições de um intelectual comprometido com o mundo em que vive seja colocar a sua energia criadora à disposição do entendimento entre as pessoas, considerando as mais diferentes culturas e as mais diferentes condições materiais de existência”, diz Maria Fátima, numa referência ao desafio enfrentado pelo autor em suas pesquisas.
Portocarrero acredita que a premiação vai ajudar divulgar o blog do Núcleo de Estudos e Pesquisas Tecnologias Indígenas (www.nucleotecnoindia.com), do qual é um criadores.
Sobre o autor – José Afonso Botura Portocarrero nasceu em Bela Vista (hoje Mato Grosso do Sul), na fronteira com o Paraguai, e se formou como arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (SP). Iniciou a carreira docente no Departamento de Engenharia Civil da UFMT e participou da criação do Departamento de Arquitetura e Urbanismo dessa universidade. Em 2001, apresentou dissertação sobre a casa Bororo no mestrado em História da UFMT e, cinco anos depois, teve sua tese de doutorado aprovada na FAU-USP, tendo como orientador o arquiteto Prof. Dr. Carlos Roberto Zibel Costa.
Como arquiteto, Portocarrero projetou a sede da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat), conhecida como a “oca”, e também elaborou o projeto do Memorial Rondon (em parceria com o arquiteto Paulo César Molina Monteiro), que começou a ser construído na borda do Pantanal, em Mimoso, distrito de Santo Antônio de Leverger, durante o segundo governo Dante de Oliveira.
Sobre o prêmio – O Prêmio Design MCB foi criado em 1986, pelo publicitário Roberto Duailibi, então à frente do Museu da Casa Brasileira, para incentivar o design em nosso país, numa época em pouca gente sabia o que era isso ou dava importância a esta atividade. Ao longo dos últimos 25 anos, o prêmio cresceu em credibilidade graças a seu caráter cultural, sem interesses comerciais, garantido pela característica da instituição que o promove – um museu dedicado ao design e à arquitetura, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo.
Em 2011, houve recorde de inscrições: 810 em produtos e trabalhos teóricos, nas seguintes categorias: Equipamentos de construção, de transporte, e eletroeletrônicos, Iluminação, Mobiliário, Têxteis, Utensílios, Trabalhos escritos publicados e não publicados. Ao todo, foram premiados 33 trabalhos e os vencedores foram contemplados com inscrição gratuita no iF Product Design Award 2013, ação realizada em parceria com o Centro Design Paraná. Para celebrar os 25 anos do Prêmio Design foram lançados durante a cerimônia de premiação um site especial e o livro “21-25º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira”, que reúne os projetos finalistas e premiados nessas cinco edições. Também foi inaugurada uma instalação interativa que disponibiliza ao público grande parte da memória do Prêmio, cuja história se mistura à do próprio design brasileiro. Os trabalhos finalistas e premiados ficarão expostos no MCB até o dia 15 de janeiro. (Entrelinhas Editora)
(Extraído do site da UFMT em 24/11/2011)
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
MT DÁ SHOW NO PIB AGROPECUÁRIO
Veja no site abaixo o sucesso de Mato Grosso. Entre os 100 municípios com os maiores PIB's agropecuários Mato Grosso entra com 24. Entre os 10 primeiros, 6 são mato-grossenses.
http://www.terra.com.br/economia/infograficos/pib-agropecuario/
O link encontra-se também aqui no Blog do José Lemos, na 3a. Seção da coluna à direita, denominada "Maravilhas de Mato Grosso".
http://www.terra.com.br/economia/infograficos/pib-agropecuario/
O link encontra-se também aqui no Blog do José Lemos, na 3a. Seção da coluna à direita, denominada "Maravilhas de Mato Grosso".
terça-feira, 22 de novembro de 2011
O LEGADO DA COPA
José Antonio Lemos dos Santos
Outro dia soube que ao bancar a sua Copa do Mundo em 2006 a Alemanha tinha como objetivo principal a recuperação de dois valores imateriais, imensuráveis, que eles haviam perdido na trágica aventura do nazismo. O primeiro era o resgate da altivez e orgulho alemão ao hastear a sua bandeira e cantar o hino nacional, a pleno pulmões, com peito estufado e cabeça erguida. O segundo era resgatar para o mundo a tradicional figura alegre, amistosa e receptiva do povo alemão, um dos povos mais simpáticos da Europa. E a avaliação que fazem é que esse duplo objetivo foi alcançado plenamente, o que por si só teria pago com sobras tudo o que gastaram com a realização da Copa. Mesmo assim, numa demonstração de extrema seriedade com a coisa pública, persistirão com um sistema de avaliações permanentes dos resultados da Copa até 2016, ou seja, 10 anos após a realização da Copa, tendo em vista os demais objetivos e a consolidação de todos os resultados.
É fantástico o poder midiático global de uma Copa e por isso o grande interesse dos países, ricos ou pobres, por ela. Dutra, o presidente cuiabano, ao trazer a primeira Copa do Mundo para o Brasil – é bom não esquecer que foi ele que trouxe a Copa de 50 e construiu o Maracanã, queria mostrar ao mundo que o país havia deixado de ser rural e que dispunha de outras grandes cidades além do Rio de Janeiro. E hoje o que o Brasil pretende com a Copa de 2014? Já sei que para muitos será apenas uma grande oportunidade para roubalheiras homéricas, porém, embora esta possa ser uma tendência, não acredito ter sido este o objetivo que levou o Brasil e Mato Grosso a se envolverem em um compromisso internacional de tal envergadura e de tamanha exposição global. Trata-se de um evento que se realiza, desde sua preparação em uma cristaleira mundial, aos olhos de todos. Já outros, de visão bem estreita ou maliciosa, insistem em pensar que o objetivo seria apenas a realização de 4 jogos internacionais, alguns até calculando um custo absurdo para cada jogo por esse raciocínio.
Quanto a Mato Grosso e Cuiabá, em termos de objetivo nacional aceito que a inclusão foi para mostrar ao mundo que o Brasil além das praias do litoral tem o Pantanal, uma das maravilhas naturais do planeta, assim como a inclusão de Manaus foi para mostrar as belezas da Amazônia. Em termos locais, acredito que o objetivo tenha sido o legado material e imaterial a ser deixado pela Copa para a cidade e o estado, em termos de imagem, obras, serviços e promoção das pessoas com as oportunidades criadas. Por esse legado os mato-grossenses, em especial os cuiabanos, têm que estar atentos, criticando, aplaudindo e cobrando. E é por ele que não se pode esquecer a iniciativa corajosa e visionária do pleito para o estado de uma das sedes da Copa.
Passados 2 anos da escolha de Cuiabá e a menos de mil dias para a Copa, será que já podemos fazer alguma avaliação positiva ou negativa da preparação para o grande evento? É certo que uma avaliação como esta exigirá outros artigos, mas de cara pelo menos um grande legado já pode ser registrado. Trata-se da reconstrução ou resgate da auto-estima cuiabana e mato-grossense, de valor imensurável. Acostumados a ser tratados como periferia, assumimos ultimamente uma personalidade tão simplória, humilde e resignada que nos surpreendemos incrédulos ao ouvir o nome Cuiabá da boca do presidente da FIFA, simbolizando a vitória de Mato Grosso, quando da escolha das sedes da Copa de 2014. E ficamos orgulhosos constatando que podíamos sim vencer, que enfim não éramos mais o fim da fila, que estamos mais fortes e que poderíamos enfrentar outros grandes desafios. A começar pelo primeiro, a própria preparação da Copa do Pantanal. Será?
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 22/11/2011)
Outro dia soube que ao bancar a sua Copa do Mundo em 2006 a Alemanha tinha como objetivo principal a recuperação de dois valores imateriais, imensuráveis, que eles haviam perdido na trágica aventura do nazismo. O primeiro era o resgate da altivez e orgulho alemão ao hastear a sua bandeira e cantar o hino nacional, a pleno pulmões, com peito estufado e cabeça erguida. O segundo era resgatar para o mundo a tradicional figura alegre, amistosa e receptiva do povo alemão, um dos povos mais simpáticos da Europa. E a avaliação que fazem é que esse duplo objetivo foi alcançado plenamente, o que por si só teria pago com sobras tudo o que gastaram com a realização da Copa. Mesmo assim, numa demonstração de extrema seriedade com a coisa pública, persistirão com um sistema de avaliações permanentes dos resultados da Copa até 2016, ou seja, 10 anos após a realização da Copa, tendo em vista os demais objetivos e a consolidação de todos os resultados.
É fantástico o poder midiático global de uma Copa e por isso o grande interesse dos países, ricos ou pobres, por ela. Dutra, o presidente cuiabano, ao trazer a primeira Copa do Mundo para o Brasil – é bom não esquecer que foi ele que trouxe a Copa de 50 e construiu o Maracanã, queria mostrar ao mundo que o país havia deixado de ser rural e que dispunha de outras grandes cidades além do Rio de Janeiro. E hoje o que o Brasil pretende com a Copa de 2014? Já sei que para muitos será apenas uma grande oportunidade para roubalheiras homéricas, porém, embora esta possa ser uma tendência, não acredito ter sido este o objetivo que levou o Brasil e Mato Grosso a se envolverem em um compromisso internacional de tal envergadura e de tamanha exposição global. Trata-se de um evento que se realiza, desde sua preparação em uma cristaleira mundial, aos olhos de todos. Já outros, de visão bem estreita ou maliciosa, insistem em pensar que o objetivo seria apenas a realização de 4 jogos internacionais, alguns até calculando um custo absurdo para cada jogo por esse raciocínio.
Quanto a Mato Grosso e Cuiabá, em termos de objetivo nacional aceito que a inclusão foi para mostrar ao mundo que o Brasil além das praias do litoral tem o Pantanal, uma das maravilhas naturais do planeta, assim como a inclusão de Manaus foi para mostrar as belezas da Amazônia. Em termos locais, acredito que o objetivo tenha sido o legado material e imaterial a ser deixado pela Copa para a cidade e o estado, em termos de imagem, obras, serviços e promoção das pessoas com as oportunidades criadas. Por esse legado os mato-grossenses, em especial os cuiabanos, têm que estar atentos, criticando, aplaudindo e cobrando. E é por ele que não se pode esquecer a iniciativa corajosa e visionária do pleito para o estado de uma das sedes da Copa.
Passados 2 anos da escolha de Cuiabá e a menos de mil dias para a Copa, será que já podemos fazer alguma avaliação positiva ou negativa da preparação para o grande evento? É certo que uma avaliação como esta exigirá outros artigos, mas de cara pelo menos um grande legado já pode ser registrado. Trata-se da reconstrução ou resgate da auto-estima cuiabana e mato-grossense, de valor imensurável. Acostumados a ser tratados como periferia, assumimos ultimamente uma personalidade tão simplória, humilde e resignada que nos surpreendemos incrédulos ao ouvir o nome Cuiabá da boca do presidente da FIFA, simbolizando a vitória de Mato Grosso, quando da escolha das sedes da Copa de 2014. E ficamos orgulhosos constatando que podíamos sim vencer, que enfim não éramos mais o fim da fila, que estamos mais fortes e que poderíamos enfrentar outros grandes desafios. A começar pelo primeiro, a própria preparação da Copa do Pantanal. Será?
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 22/11/2011)
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
DIVISÃO PARA QUEM? II
José Antonio Lemos dos Santos
Volta e meia as ideias divisionistas voltam à luz. Houve tempo em que tinham enorme facilidade de disseminação em Mato Grosso. Hoje, porém, o estado é forte e tem um governador que se diz convencido de que aqueles dias se foram, dispondo-se a ser o governador da integração, consolidador da unidade mato-grossense, mais produtiva a cada ano que passa. Já fui contra as propostas divisionistas por patriotismo, amor à terra natal e tudo aquilo que se aprendia nos colégios e que hoje parece tão antigo e distante. Continuo contrário às propostas divisionistas, só que agora por motivos bem concretos e pragmáticos. Entre outros, por exemplo, acho que um país que paga em impostos, em média, quase 40% do que produz só para sustentar suas ineficientes e perdulárias estruturas político-administrativas, não pode desejar, nem permitir a criação de mais governos. Ao contrário, melhor seria se discutíssemos a redução deles. Que tal a extinção das cadeiras do Senado criadas na ditadura para os senadores biônicos?
Absurdo maior tratando-se da divisão de um estado campeão em produção e desenvolvimento. Aplicando a fórmula apresentada em 2009 pelo IPEA para cálculo do custo mínimo de um estado, Mato Grosso se destacava à época com uma das melhores relações do país entre arrecadação e custos, com 2,2 de índice. Mato Grosso, após séculos amargando dificuldades, hoje além de ter condições de bancar sua subsistência, ainda lhe sobrariam recursos superiores a 120% desse valor, para investir no desenvolvimento da qualidade de vida de sua gente. Este suado e valioso superávit, fruto do trabalho duro do mato-grossense de todos os seus rincões, não pode ser desperdiçado em novas pirâmides faraônicas de cargos públicos. E é isso que interessa à classe política com suas propostas divisionistas. Não importa se o estado perca sua atual posição de líder e volte para o final da fila, sem vez e sem voz. Outro dia empurraram aos cuiabanos, à socapa, mais uma meia dúzia de novos e caros vereadores. É isso que querem!
Aqueles que por boa fé apóiam as propostas divisionistas na esperança de ter mais escolas, hospitais, estradas, segurança, vão receber para sustentar mais 3 senadores, 8 deputados federais e 24 estaduais, 20 desembargadores, 7 conselheiros do TCE e mais 8 do TRE, mais secretários, diretores, etc., todos com seus séqüitos e sinecuras. E, pior, as propostas não se limitam à criação de um, mas de dois ou três novos estados! Uma festa para os políticos, com cargos a mãos cheias para acomodação de seus cupinchas e correligionários, com mais segurança nas eleições futuras. Desperdício de recursos preciosos que deveriam ser aplicados diretamente em obras e serviços públicos, inclusive com melhoria na remuneração e qualificação dos funcionários e servidores para um melhor atendimento ao povo.
Em pleno século XXI, na era do avião a jato, asfalto, comunicações via satélite, internet, Mato Grosso prova ter a dimensão territorial exata para o êxito. Campeão nacional na produção de grãos, algodão, biodiesel, rebanho bovino, diamantes, calcário, Mato Grosso está ainda entre os maiores em diversas outras culturas, entre os maiores exportadores do país, e é um dos poucos estados superavitários na balança comercial brasileira. Embora com muito a corrigir, Mato Grosso mostra que o Brasil não precisa de redivisões, com mais governos e mais políticos. Mato Grosso é para ser imitado, e não dividido. O fabuloso esforço produtivo do mato-grossense de todas as suas regiões é para ser aplicado de fato em favor de sua qualidade de vida e não ser destinado ao ralo dos antigos ou novos currais eleitorais que precisam ser definitivamente banidos de nossa história.
(Publicados pelo Diário de Cuiabá em 15/11/2011)
Volta e meia as ideias divisionistas voltam à luz. Houve tempo em que tinham enorme facilidade de disseminação em Mato Grosso. Hoje, porém, o estado é forte e tem um governador que se diz convencido de que aqueles dias se foram, dispondo-se a ser o governador da integração, consolidador da unidade mato-grossense, mais produtiva a cada ano que passa. Já fui contra as propostas divisionistas por patriotismo, amor à terra natal e tudo aquilo que se aprendia nos colégios e que hoje parece tão antigo e distante. Continuo contrário às propostas divisionistas, só que agora por motivos bem concretos e pragmáticos. Entre outros, por exemplo, acho que um país que paga em impostos, em média, quase 40% do que produz só para sustentar suas ineficientes e perdulárias estruturas político-administrativas, não pode desejar, nem permitir a criação de mais governos. Ao contrário, melhor seria se discutíssemos a redução deles. Que tal a extinção das cadeiras do Senado criadas na ditadura para os senadores biônicos?
Absurdo maior tratando-se da divisão de um estado campeão em produção e desenvolvimento. Aplicando a fórmula apresentada em 2009 pelo IPEA para cálculo do custo mínimo de um estado, Mato Grosso se destacava à época com uma das melhores relações do país entre arrecadação e custos, com 2,2 de índice. Mato Grosso, após séculos amargando dificuldades, hoje além de ter condições de bancar sua subsistência, ainda lhe sobrariam recursos superiores a 120% desse valor, para investir no desenvolvimento da qualidade de vida de sua gente. Este suado e valioso superávit, fruto do trabalho duro do mato-grossense de todos os seus rincões, não pode ser desperdiçado em novas pirâmides faraônicas de cargos públicos. E é isso que interessa à classe política com suas propostas divisionistas. Não importa se o estado perca sua atual posição de líder e volte para o final da fila, sem vez e sem voz. Outro dia empurraram aos cuiabanos, à socapa, mais uma meia dúzia de novos e caros vereadores. É isso que querem!
Aqueles que por boa fé apóiam as propostas divisionistas na esperança de ter mais escolas, hospitais, estradas, segurança, vão receber para sustentar mais 3 senadores, 8 deputados federais e 24 estaduais, 20 desembargadores, 7 conselheiros do TCE e mais 8 do TRE, mais secretários, diretores, etc., todos com seus séqüitos e sinecuras. E, pior, as propostas não se limitam à criação de um, mas de dois ou três novos estados! Uma festa para os políticos, com cargos a mãos cheias para acomodação de seus cupinchas e correligionários, com mais segurança nas eleições futuras. Desperdício de recursos preciosos que deveriam ser aplicados diretamente em obras e serviços públicos, inclusive com melhoria na remuneração e qualificação dos funcionários e servidores para um melhor atendimento ao povo.
Em pleno século XXI, na era do avião a jato, asfalto, comunicações via satélite, internet, Mato Grosso prova ter a dimensão territorial exata para o êxito. Campeão nacional na produção de grãos, algodão, biodiesel, rebanho bovino, diamantes, calcário, Mato Grosso está ainda entre os maiores em diversas outras culturas, entre os maiores exportadores do país, e é um dos poucos estados superavitários na balança comercial brasileira. Embora com muito a corrigir, Mato Grosso mostra que o Brasil não precisa de redivisões, com mais governos e mais políticos. Mato Grosso é para ser imitado, e não dividido. O fabuloso esforço produtivo do mato-grossense de todas as suas regiões é para ser aplicado de fato em favor de sua qualidade de vida e não ser destinado ao ralo dos antigos ou novos currais eleitorais que precisam ser definitivamente banidos de nossa história.
(Publicados pelo Diário de Cuiabá em 15/11/2011)
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domingo, 13 de novembro de 2011
DIREITO AO DELÍRIO
Veja no link abaixo que bela reflexão de Eduardo Galeano:
http://www.youtube.com/watch?v=m-pgHlB8QdQ&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=m-pgHlB8QdQ&feature=share
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
OBRAS DA ARENA DO PANTANAL EM 07/11/11
Veja no link abaixo a situação das obras da Arena do Pananal:
http://www.copanopantanal.com.br/?p=fotosconstrucao
http://www.copanopantanal.com.br/?p=fotosconstrucao
terça-feira, 8 de novembro de 2011
DIA MUNDIAL DO URBANISMO
José Antonio Lemos dos Santos
A cidade constitui a maior, mais complexa e mais bem-sucedida das invenções do homem. Surgida há 5 mil anos, com ela surge a civilização transformadora e aceleradora da evolução humana. De lá para cá o mundo foi se urbanizando e a partir de 2008 a população global urbana supera a população rural, com muitos países com percentuais superiores a 80%, como o Brasil.
Na história da cidade a grande mudança foi com a Revolução Industrial. Até então ela não fora questionada, ainda que tenha enfrentado importantes crises em seu desenvolvimento. Com a industrialização, a urbanização acelera e as cidades se desequilibram gravemente, exigindo controle e intervenções em seu desenvolvimento. Surge então a ciência do Urbanismo, que evolui e supera a etapa do urbanismo modernista da Carta de Atenas, passa pelas experiências pós-modernistas do Novo Urbanismo, e chega a uma nova Revolução, a da informática e da globalização, com os desafios da compatibilidade ambiental, da inclusão e das possibilidades das cidades inteligentes, verdes e sustentáveis.
De extrema complexidade, a cidade é comparável a um organismo vivo em dimensões imensas, que vão das pequenas vilas até as megalópoles, chegando a centenas ou milhares de quilômetros quadrados com dezenas de milhões de habitantes. A cidade é um enorme recipiente, articulado regionalmente, onde acontecem as relações urbanas em toda sua múltipla diversidade. Sua função é permitir que tais relações aconteçam da melhor forma com sustentabilidade, conforto, segurança e, sobretudo, justiça. Ajudá-las no cumprimento desta função é o objetivo do Urbanismo.
Em evolução contínua, o Urbanismo reflete a complexidade de seu objeto de trabalho e abrange os diversos campos de conhecimento que a cidade envolve. O urbanista não é mais um especialista, mas um generalista voltado a entender o organismo urbano com um todo. Não se pode tratar os problemas da cidade sem antes tratar da cidade com problemas. O urbanista precisa saber um pouco de tudo para enxergar o todo, e, em especial, saber que esse conhecimento é quase nada sem a companhia das diversas especializações técnicas nas múltiplas facetas da cidade.
8 de novembro é o Dia Mundial do Urbanismo, criado em 1949 para uma reflexão global sobre o assunto. As cidades de novo vivem uma Revolução com as perspectivas da informática, do ciberespaço, e a iminência do colapso com a água, lixo, transportes, poluição, energia, emprego, uso do solo e segurança. As cidades falhando, a civilização explode. O problema maior do século XXI são as cidades. Inaceitável que no Brasil o Urbanismo e o urbanista sejam tão desconsiderados. Como pode uma cidade como Cuiabá ter nos quadros de sua prefeitura apenas seis arquitetos? E quantos dedicados ao Urbanismo? Como pode Cuiabá extinguir seu órgão específico de planejamento urbano? Como pode uma nova lei de Uso e Ocupação do Solo Urbano ser aprovada por unanimidade em apenas um dia de tramitação na Câmara de Cuiabá? E a marginalização dos urbanistas na preparação da cidade para a Copa? A falta do Urbanismo asfixia as cidades brasileiras, estressando, mutilando e matando seus cidadãos. Mas ainda são os locais da diversidade e da inovação. Crise é risco e oportunidade, e a crise urbana é o grande desafio global e local. Ao lado da aparentemente inevitável tragédia urbana global está a oportunidade da reinvenção urbana em busca de cidades mais justas, seguras, sustentáveis e humanas.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 08/11/2011)
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terça-feira, 1 de novembro de 2011
PEQUENAS GRANDES OBRAS II
José Antonio Lemos dos Santos
Já tratei do assunto 2 anos atrás e ele continua válido e urgente. Destacava que em relação à Copa eram sempre lembradas as obras de maior vulto em detrimento das de pequeno porte, que embora menores, não deveriam ser desconsideradas. Ao contrário, alertava que sem estas seria muito provável que as grandes obras, também importantes, não dessem os resultados esperados. Talvez continuem sendo postergadas pelo fato de serem obras “mais baratas”, portanto, em tese, mais fáceis de serem viabilizadas a qualquer momento. O fato, entretanto, é que, não sendo realizadas, problemas menores se tornam maiores, impondo à população situações de desconforto, insegurança e de prejuízo na qualidade de vida. De uma extensa lista de pequenas obras necessárias, como exemplos cito novamente algumas que considero entre as de melhores benefícios para hoje e para a Copa.
A primeira trata de um retorno na Avenida Miguel Sutil, entre as rótulas do Centro de Convenções e a do Santa Rosa, ficando sua localização precisa dependendo de maiores estudos dos órgãos municipais responsáveis pelo planejamento do trânsito e da cidade. Sua geometria pode suprimir em um trecho as faixas de estacionamento, bem como contar com a faixa de domínio da antiga rodovia perimetral, cedida pelo governo federal à responsabilidade da prefeitura municipal. A existência neste trecho de instalações residenciais, comerciais e hospitalares fortemente geradores de tráfego ajuda a sobrecarregar a rótula do Santa Rosa e o crônico engarrafamento de veículos no sentido Centro de Convenções - Santa Rosa. Independente de pesquisas, pode-se afirmar que grande parte desse fluxo teria como destino as regiões do CPA, do Coxipó e da UFMT/Unic e só chegam à rotula do Santa Rosa, a contragosto, por absoluta falta de alternativa. O retorno liberaria parte considerável do tráfego engarrafado, permitindo a volta pela própria Miguel Sutil, sem o sacrifício de ter que se chegar à rótula do Santa Rosa sobrecarregando-a, para só então fazer o contorno e seguir no rumo originalmente desejado. Uma pequena obra como esta poderia dar uma sobrevida àquela importante rótula e um alívio para muita gente.
De forma semelhante no trecho entre esta mesma rótula do Santa Rosa e a do Círculo Militar, cabe uma nova rótula, na interseção da Ramiro de Noronha com a Miguel Sutil. Soube que teria entrado nos planos para a Copa. Esta nova rótula funcionaria como retorno, e também como acesso à Avenida Ramiro de Noronha, via de ótimas dimensões e praticamente ociosa. Articulada com a Thogo Pereira, 8 de Abril e Estevão de Mendonça, pode se transformar em importante via alternativa de distribuição central, em apoio a Avenida do Lavapés, também aliviando a carga da rótula do Santa Rosa. Ligaria direto a Miguel Sutil à Coronel Duarte, no Porto, sem demandar o centro.
Foi boa a pavimentação da travessa que sai da Avenida República do Líbano, bem em frente ao Terminal Rodoviário de Cuiabá, ligando à Rua Tereza Lobo. Mas ficou faltando o principal, que seria sua continuidade até a Miguel Sutil. Seria um generoso desafogo à Rua Jules Rimet e à chamada rótula da Rodoviária, também em colapso nas horas de pico. Poderia ser combinada com a construção de um pequeno parque envolvendo a última nascente viva do córrego da Prainha, beneficiando a região do Alvorada e Consil, uma das únicas desprovidas de área verde na cidade. Fechando esta pequena lista de sugestões, outra obra minúscula, mas de grande resultado seria a ligação da Travessa Monsenhor Trebaure à Marechal Deodoro, dependendo apenas da desapropriação de um pequeno terreno. Ajudaria muito à Mato Grosso.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 01/11/2011)
Já tratei do assunto 2 anos atrás e ele continua válido e urgente. Destacava que em relação à Copa eram sempre lembradas as obras de maior vulto em detrimento das de pequeno porte, que embora menores, não deveriam ser desconsideradas. Ao contrário, alertava que sem estas seria muito provável que as grandes obras, também importantes, não dessem os resultados esperados. Talvez continuem sendo postergadas pelo fato de serem obras “mais baratas”, portanto, em tese, mais fáceis de serem viabilizadas a qualquer momento. O fato, entretanto, é que, não sendo realizadas, problemas menores se tornam maiores, impondo à população situações de desconforto, insegurança e de prejuízo na qualidade de vida. De uma extensa lista de pequenas obras necessárias, como exemplos cito novamente algumas que considero entre as de melhores benefícios para hoje e para a Copa.
A primeira trata de um retorno na Avenida Miguel Sutil, entre as rótulas do Centro de Convenções e a do Santa Rosa, ficando sua localização precisa dependendo de maiores estudos dos órgãos municipais responsáveis pelo planejamento do trânsito e da cidade. Sua geometria pode suprimir em um trecho as faixas de estacionamento, bem como contar com a faixa de domínio da antiga rodovia perimetral, cedida pelo governo federal à responsabilidade da prefeitura municipal. A existência neste trecho de instalações residenciais, comerciais e hospitalares fortemente geradores de tráfego ajuda a sobrecarregar a rótula do Santa Rosa e o crônico engarrafamento de veículos no sentido Centro de Convenções - Santa Rosa. Independente de pesquisas, pode-se afirmar que grande parte desse fluxo teria como destino as regiões do CPA, do Coxipó e da UFMT/Unic e só chegam à rotula do Santa Rosa, a contragosto, por absoluta falta de alternativa. O retorno liberaria parte considerável do tráfego engarrafado, permitindo a volta pela própria Miguel Sutil, sem o sacrifício de ter que se chegar à rótula do Santa Rosa sobrecarregando-a, para só então fazer o contorno e seguir no rumo originalmente desejado. Uma pequena obra como esta poderia dar uma sobrevida àquela importante rótula e um alívio para muita gente.
De forma semelhante no trecho entre esta mesma rótula do Santa Rosa e a do Círculo Militar, cabe uma nova rótula, na interseção da Ramiro de Noronha com a Miguel Sutil. Soube que teria entrado nos planos para a Copa. Esta nova rótula funcionaria como retorno, e também como acesso à Avenida Ramiro de Noronha, via de ótimas dimensões e praticamente ociosa. Articulada com a Thogo Pereira, 8 de Abril e Estevão de Mendonça, pode se transformar em importante via alternativa de distribuição central, em apoio a Avenida do Lavapés, também aliviando a carga da rótula do Santa Rosa. Ligaria direto a Miguel Sutil à Coronel Duarte, no Porto, sem demandar o centro.
Foi boa a pavimentação da travessa que sai da Avenida República do Líbano, bem em frente ao Terminal Rodoviário de Cuiabá, ligando à Rua Tereza Lobo. Mas ficou faltando o principal, que seria sua continuidade até a Miguel Sutil. Seria um generoso desafogo à Rua Jules Rimet e à chamada rótula da Rodoviária, também em colapso nas horas de pico. Poderia ser combinada com a construção de um pequeno parque envolvendo a última nascente viva do córrego da Prainha, beneficiando a região do Alvorada e Consil, uma das únicas desprovidas de área verde na cidade. Fechando esta pequena lista de sugestões, outra obra minúscula, mas de grande resultado seria a ligação da Travessa Monsenhor Trebaure à Marechal Deodoro, dependendo apenas da desapropriação de um pequeno terreno. Ajudaria muito à Mato Grosso.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 01/11/2011)
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