"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

LONA?

José Antonio Lemos dos Santos

     Graças à sua localização estratégica no centro da América do Sul Cuiabá tem por vocação natural ser um grande encontro de caminhos em nível do estado, do país e do continente. Assim como no xadrez e no futebol, os lugares centrais são importantes também no planejamento regional e urbano, bem como na geopolítica. Daí que tenho acompanhado a questão da logística dos transportes em todos os seus modais em relação a Cuiabá e Mato Grosso pelo menos desde a década de 70. Especial atenção era dada ao transporte aeroviário, tendo sido incluída no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Cuiabá de 1992 a internacionalização do aeroporto Marechal Rondon como uma de suas prioridades. Depois o extinto Aglomerado Urbano no final dos anos 90 que acompanhou de perto o andamento das obras do aeroporto, alertando para as perspectivas de sua paralisação, que infelizmente veio a ocorrer, com graves prejuízos para Cuiabá e Mato Grosso. 
     Como um dos projetos essenciais para a Copa do Pantanal, a atenção para o Marechal Rondon agora é redobrada, já que se encontrava paralisado desde o início da década passada quando foi inaugurada a metade da estação de passageiros, então projetada no seu total para 1,0 milhão de passageiros/ano. A história da má vontade e pouco caso oficiais para com nosso aeroporto é antiga, gerando até a pitoresca história com a primeira dama do Brasil que lhe deu seu primeiro nome, Maria Tereza Goulart. Com a Copa a moagem com nosso aeroporto foi ao paroxismo até chegarmos à situação em que nos encontramos. Cuiabá ganhou a sede da Copa, mas até hoje muita gente e muitos altos escalões pelo Brasil afora ainda não engoliram o fato. Vão tocando o assunto mais por obrigação do que por vontade. 
     De 2009, ano da escolha de Cuiabá, para cá escrevi dezenas de artigos sobre a preparação do Marechal Rondon para a Copa, inclusive um com o título Molecagem já em fevereiro de 2011. Neles e no noticiário da época dá para relembrar o quanto foi difícil chegar ao ponto em que estão as obras do aeroporto hoje. Enrolaram na licitação do projeto, no projeto e na licitação da obra. Resumindo a ópera, o projeto foi entregue em julho de 2012 e só em dezembro foi concluída a licitação para as obras e dada a ordem de serviço. Tivemos 3 anos e 7 meses da escolha de Cuiabá até a ordem de serviço e nesse período aconteceu de tudo, erros, anulações, revisões, até erro de endereço, situações absolutamente incompatíveis com a grandeza da Infraero e a capacidade de seu corpo técnico. Assim, restaram 1 ano e 5 meses para as obras, exigindo das autoridades atenção redobrados desde então. 
     A coisa só andou de fato após mudança na direção da Infraero, troca na superintendência local e a entrada do governo do estado na execução da obra. É visível que as obras deslancharam e seguem aceleradas, dentro do cronograma segundo a Infraero. Justamente nesta hora a ministra do planejamento vem falar em “erguer uma estrutura de lona” para caso o aeroporto não seja concluído a tempo, mesmo com o aeroporto já coberto. Não sabia? Justo ela como “comandante da força-tarefa” criada pela presidente Dilma para garantir a realização da Copa no Brasil? Ainda há muito para fazer, mas ainda dá tempo. Se for preciso acelerar mais, que busquem condições para maior aceleração e este deveria ser o papel da ministra neste momento. E não aventar uma alternativa indigna para qualquer cidade brasileira, em especial para uma das sedes da Copa 2014, exposta aos olhos do mundo. Ela deve saber que "lona" não existe mais em soluções destinadas a abrigar pessoas ao menos desde a década de 60 com a tragédia do circo em Niterói. Se fosse com Campo Grande ou Curitiba, trataria da mesma forma? Duvido! 
(Publicado em 14/01/2014 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 13 de março de 2012

ANIVERSÁRIO NA INFRAERO

José Antonio Lemos dos Santos


     Em artigos anteriores tenho repetido que dois dos mais importantes projetos para a cidade e para a Copa já ultrapassaram os limites do preocupante e atingem as raias do risco total em função dos prazos até 2014. Um é o da mobilidade urbana, especificamente nos projetos vinculados aos eixos do VLT, até hoje sem projeto; outro é o aeroporto, até hoje sem licitação das obras de sua estação de passageiros. Enquanto o caso da mobilidade tem sido bastante comentado, o do aeroporto não. Parece que a opinião pública e os meios informativos entenderam que o assunto está suficientemente bem acompanhado pela Infraero, apoiada nesse projeto pelo Estado desde o ano passado. Pois é, aconteceu mais um atraso no projeto do aeroporto, que todos já imaginavam pronto e que só faltava a licitação da obra. Qual o que. Semana passada a Infraero acatou pedido da empresa Globe Engenharia de adiar para dia 27 próximo a entrega do projeto executivo para as obras de ampliação do Aeroporto Marechal Rondon, que era prevista para o começo deste mês. Cerca de 15 dias de atraso podem parecer nada, mas são críticos diante do prazo que se tem até a Copa.
     Olhado ao longo do histórico das ampliações do Marechal Rondon o temor aumenta. Aos iniciantes em Aeroporto Marechal Rondon, é bom lembrar que a Infraero tem sido madrasta com o nosso aeroporto e desde as três últimas décadas o aeroporto funciona subdimensionado. A situação seria corrigida quando um cuiabano de saudosa memória, Orlando Boni, assumiu em 2002 a direção da empresa e determinou a elaboração de um projeto de qualidade, bem como um Plano Diretor para o aeroporto, compatível com seu movimento, já acelerado naquela época. Foi projetada então uma estação para 1,0 milhão de passageiros por ano, e as obras foram tocadas até enquanto permaneceu aquela direção do órgão. Ainda bem que deixou quase concluído o módulo “A” (atual ala de embarque) e o setor administrativo, o módulo “C” (atual ala(?) de desembarque), pois as obras foram paralisadas e só concluídas nos módulos iniciados graças à intervenção na época do Conselho Deliberativo do Aglomerado Urbano através de uma Moção de Repúdio, assinada pelos então governador do estado e os prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande. E é o que temos até hoje, uma estação para 1,0 milhão de passageiros/ano construída pela metade, acrescida pelo emergencial “puxadinho”, concluído também depois de muitos atrasos. Isso para mais de 2,5 milhões de passageiros usuários em 2011!
     A Copa trouxe a esperança de que a situação do Marechal Rondon fosse resolvida. Qual o que. A abertura da licitação para o projeto da ampliação do aeroporto só saiu a 3 de novembro de 2010, ano e meio após a escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa, dando até a impressão que a Infraero torcia contra a cidade. A Ordem de Serviço para o projeto só saiu 2 meses e meio depois, com prazo de execução de 6 meses para o projeto básico, que seria junho, passou para julho e depois para setembro quando foi publicada a maquete eletrônica. O projeto executivo que já fora adiado para o início de março, sofre agora mais uma prorrogação para final de março, 17 meses após sua licitação! Imagine se o aeroporto não fosse peça importante para a Copa do Mundo, um projeto nacional, compromisso internacional do país. A bem da verdade há que se ressaltar o novo elã dado à Infraero pelo presidente Gustavo Matos que no próximo dia 24 de março completa um ano de administração. Que o projeto completo do novo Aeroporto Marechal Rondon, que se arrastava por décadas, seja o marco simbólico dessa comemoração, sinal concreto de um novo tempo para a Infraero. Se possível já acompanhado pelo lançamento da licitação para as obras.
(Publicado em 13/03/2012 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, HíperNotícias, Turma do Êpa)