"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A PÉROLA MATO-GROSSENSE



José Antonio Lemos dos Santos

     A Arquitetura tem o condão de expressar seu tempo e suas obras são adotadas como marcos civilizatórios das diversas sociedades ao longo da história. Pode ser uma residência, catedral, castelo ou um palácio. Muitas vezes pode até parecer estar à frente de sua época, e nestes casos ela causa surpresa, estranheza, um espanto criativo que empurra a sociedade aos seus novos limites em cada tempo que se vive.
     Aqui em Cuiabá foi construída a Arena Pantanal como ápice das obras preparatórias da cidade para a Copa 2014. Seria o palco global da grande festa, a pérola coroando o conjunto de investimentos especialmente preparado para a Copa. Além de bela e plena em inovações instigantes, deveria ser também uma ferramenta múltipla “linkada” com o planeta para o desenvolvimento de Cuiabá e Mato Grosso em diversos campos, seja no esporte, em especial o futebol, na cultura, na saúde, no turismo, ela própria uma poderosa atração adicional neste centro sul-americano, às bordas do Pantanal, da Chapada, do Cerrado, da Amazônia e das belezas artificiais das grandes criações e plantações high-tech que ajudam a matar a fome no mundo.
     Mas o processo civilizatório não atinge a todos ao mesmo tempo. Enquanto a Arena e a própria Copa expressavam a vanguarda dos tempos atuais de globalização, compartilhamento, smartphone, aviões a jato, computadores e internet, muitos ainda não entenderam seu significado e o quanto ela representa como expressão dos novos patamares de desenvolvimento de Mato Grosso e sua gente. No Brasil e também em Mato Grosso os gestores públicos ficaram para trás, aqui a quilômetros do processo de desenvolvimento estadual. Não estavam e não estão à altura da nossa Arena e do desenvolvimento do estado. Tenho grandes esperanças de que a nova safra estadual de gestores ainda vai evoluir com o trabalho que inicia, colocando-se à altura da Arena Pantanal e deste Mato Grosso campeão. A Arena e o desenvolvimento de Mato Grosso são frutos do trabalho sofrido do mato-grossense que exige respeito com as coisas que lhe são caras e importantes.
     Considerada pelos jornalistas estrangeiros presentes no Brasil como a Arena mais funcional da Copa 2014 e a sétima mais fantástica do mundo por importante jornal espanhol, a Arena nos encheu de orgulho, nós que temíamos ser a vergonha da Copa, como queriam e torciam muitos por este Brasil afora. Hoje o povo aos milhares a abraça diariamente nas manhãs e tardes, frequentando sua ampla praça de entorno para brincar, caminhar, correr, enfim exercitar a vida com qualidade. Porém, ao fim do ano foi abandonada pelos seus gestores, aqueles pagos para cuidar dela. Com transmissão via satélite para o Brasil e o mundo, deixaram faltar água nos jogos do Corinthians e da Seleção Brasileira e eletrocutaram a égua Andrômeda ao final do jogo São Paulo e Santos. Depois deixaram secar o gramado. Agora, às vésperas da abertura do campeonato, com ampla repercussão negativa interditam a Arena para reparos que duram uma semana. Mesmo assim, a pérola da Copa reluz e foi selecionada entre as 32 que concorrem como a melhor do mundo em 2014 pelo mais importante site internacional especializado em estádios. Das 12 da Copa apenas 6 foram selecionadas. Já votei.
     Com os cuidados recebidos durante a interdição e que deveriam ser constantes, a Arena está de novo bela e pronta para neste domingo receber seu povo na festa de abertura do campeonato mato-grossense, com Cuiabá, Dom Bosco, Mixto e Operário em rodada dupla. A Arena Pantanal é para ser um marco de orgulho, qualidade de vida e desenvolvimento. Mas ainda precisamos crescer para estar à sua altura.
(Publicado em 29/01/15 pelo site informativo do CAU-MT, Blog do José Lemos, no dia 31/01/15 pelo Diário de Cuiabá, no dia 02/02/15 pelo Midianews, no dia 03/02 pelo PautaExtra,...)

Comentários fora do Blog:

No Diário de Cuiabá:
"Data:31/01/2015 00:15
Nome:Claudia
Profissão:estudante
Localidade:Cuiabá/MT
ATÉ TU??? FIQUEI DESAPONTADA."
"Data:31/01/2015 14:34
Nome:MARCELO AUGUSTO PORTOCARRERO
Profissão:Engenheiro
Localidade:Cuiabá/MT
Parabéns pelo excelente texto."

No Midianews:

"Elias Neves  02.02.15 08h26
por favor, por favor repito: de onde este comentarista tirou esta conclusão? A obra da Arena está com sérios problemas, um investimento milionário para atender a FIFA enquanto sequer um hospital de qualidade temos. Volto a repetir: por favor, não diga o absurdo!"

"marcos vinícius  02.02.15 12h50
Novamente meu amigo você acertou na veia.A pequenez das ideias e os achismos devem ser expostos para que o nosso estado volte a ser o que sempre deveria ter sido. Um grande abraço."
"marcelo sóter  02.02.15 18h48
Que louco este texto. Nada haver, onde este cara mora".


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O Dutrinha e a Copa

O Dutrinha e a Copa
José Antonio Lemos dos Santos

Um dos maiores desafios colocados pela Copa do Pantanal é garantir ao futebol profissional de Cuiabá e Várzea Grande condições mínimas de disputa nas competições locais e nacionais enquanto é construído o novo Verdão e até sua liberação ao uso local depois da Copa. Mais que isso, é parte desse desafio recolocar ao menos um time local de volta à elite do futebol brasileiro até 2014, um desafio hercúleo, mas não impossível. Aliás, ano passado assisti um programa de TV com os ministros das cidades e do esporte discutindo a realização da Copa do Mundo no Brasil. Referindo-se à amplitude da problemática os ministros desfiaram uma série de assuntos e para minha satisfação como torcedor (de arquibancada) do futebol mato-grossense, o ministro das cidades disse que havia conversado informalmente com o governador Blairo Maggi sobre a possibilidade de estimular empresários a patrocinarem um time local em um projeto de retorno à série “A” do campeonato brasileiro, e lembrou do Mixto como exemplo.
Nesse contexto é fundamental o velho Dutrinha, que deveria ter sido melhor considerado tão logo Cuiabá foi escolhida como sede e decidida a demolição do antigo Verdão. Só em 2010 foram realizadas umas tímidas reformas e nenhuma ampliação, atraso compreensível tendo em vista que nesse período a própria Agecopa era implantada, mas que de qualquer forma custou muito caro para os times de Cuiabá e Várzea Grande. Jogar distante da torcida teve enorme importância na queda do Mixto para série “D” e no desempenho de todos os times de Cuiabá e Várzea Grande no campeonato estadual, competições equilibradas em que o fator torcida conta muito. Ao contrário do que querem crer alguns que nunca vão aos nosso jogos, as torcidas locais pressionam os adversários, tem lotado o Dutrinha, ainda que o público pagante divulgado seja ínfimo em relação ao público realmente presente e que faz muita festa, vaia, aplaude, pula, xinga e canta, fazendo do velho estádio um daqueles “alçapões” tão temidos no futebol. O futebol mato-grossense precisa da ampliação do Dutrinha.
Animado com o desempenho do Mixto na série “D” e com a perspectiva do Operário na Copa do Brasil, o torcedor cuiabano-varzeagrandense recebe como um balde de água fria a notícia de que a ampliação do Dutrinha não estaria mais nos planos da Agecopa. A construção do novo Verdão e dos dois CT’s exigidos pela FIFA não podem ser pretextos para a não ampliação do Dutrinha, hoje tecnicamente tão fácil e barata em relação a tudo que se planeja investir na Copa do Pantanal. Os competentes arquitetos da Agecopa podem projetá-la com rapidez – se é que já não o fizeram - usando a tecnologia dos pré-moldados ou até das estruturas metálicas removíveis, usada no novo Verdão. Para evitar nova interdição do estádio a solução seria uma nova arquibancada no lado do Sesc Arsenal, elevando a capacidade do Dutrinha para mais de 10 mil espectadores, suficiente para garantir o mando de campo dos times locais.
Sem poder jogar até 2014 ou 2015 os jogos mais difíceis ao lado de suas torcidas os times de Cuiabá e Várzea-Grande ficam condenados em suas aspirações de ascensão no futebol brasileiro. E seria o fim. Conhecendo a sensibilidade pública de Carlos Brito, a cuiabanidade de Yênes Magalhães, a história de Agripino Bonilha no futebol mato-grossense e a paixão mixtense de Roberto França, acredito que a Agecopa fará da Copa do Pantanal um meio de reconstrução do futebol de Mato Grosso, em especial de Cuiabá e Várzea Grande. O Dutrinha ampliado é a ponte necessária aos novos bons tempos do nosso futebol, condição indispensável à viabilização futebolística do novo Verdão.
(Publicado no Diário de Cuiabá em 31/08/2010)