"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

GÁS, QUE VOLTE PARA FICAR


José Antonio Lemos dos Santos
     Um dos maiores crimes cometidos contra Cuiabá e Mato Grosso é o pouco caso com que se tratou o complexo gasoduto /termelétrica, o maior projeto implantado no estado, no valor de 1,0 bilhão de dólares e inaugurado em 2002. Crime com interesses diversos que vão desde a velha mania da política brasileira, em especial a mato-grossense, de um político não dar continuidade a obras de outros governos, até aqueles contrários à consolidação de Cuiabá como principal polo político e econômico unificador de Mato Grosso, passando por outras motivações também menores, mas poderosas. Casos semelhantes são, por exemplo, a conexão ferroviária da capital mato-grossense e a linha aérea até Santa Cruz de La Sierra, ambos até com empresas interessadas em suas implantações, mas que mesmo assim não avançam.
     A chegada de um gasoduto disponibilizando com fartura uma fonte de energia limpa e barata como o gás natural sacode as regiões por onde passa impulsionando a economia e elevando a qualidade de vida de suas populações com a geração de amplas alternativas de novos empregos e maiores rendas. Aqui chegou e ficou por isso mesmo. Para os políticos e gestores mato-grossenses parecia ter chegado em Marte. Especialista em Planejamento Urbano, não entendo nada sobre gás ou geração de energia, mas sei o quanto é importante a disponibilidade energética para o desenvolvimento de uma cidade ou região. Aliás, a qualidade de uma cidade em uma sociedade de mercado é aquela que sua população pode bancar com sua renda.
     Relembrando, com sua extraordinária visão de futuro o saudoso ex-governador Dante de Oliveira anteviu a grande produção agropecuária atual de Mato Grosso, de alta tecnologia e grande produtividade. Percebeu, então, ser fundamental a criação das condições para a verticalização no estado dessa produção primária, agregando-lhe valor. Gerar empregos aqui em vez de exportá-los. Entendia que a Baixada Cuiabana poderia ser a base propulsora desse processo de verticalização da economia estadual com apoio da ZPE de Cáceres. Para esse salto, energia e transporte seriam essenciais. Arrancou assim das barrancas do Paraná os trilhos da Ferronorte, criou o FETHAB, implantou o Porto Seco e internacionalizou o Aeroporto Marechal Rondon, viabilizando sua ampliação a quatro mãos com o também saudoso Orlando Boni, cuiabano então presidente da Infraero. Quanto à energia, destravou a APM de Manso então com obras paralisadas e trouxe a ex-poderosa Enron para implantar o complexo termelétrica/gasoduto.
     Implantado o complexo do gás viriam com ele as vantagens regionais comparativas atraindo novas indústrias e outros investimentos. Só que o plano não avançou. Ao invés, o gás aqui foi desmoralizado com sucessivas suspensões de fornecimento até perder a confiança do mercado consumidor. Sugiro ao leitor buscar no Google pelo gás de Mato Grosso do Sul. Sentirão o mesmo que senti: inveja! Lá bombando o futuro em Campo Grande e cidades do interior para uso veicular, residencial, comercial e cogeração, enquanto aqui ...
     Na última quinta-feira, em Santa Cruz de La Sierra com a presença do presidente Evo Morales, o governador  Mauro Mendes assinou com a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos um contrato para fornecimento do gás natural até dezembro de 2020, com  renovação automática por mais 10 anos caso nesse período não se concretize uma sociedade entre a estatal boliviana e a MTGás para a expansão da cadeia do gás natural no estado. Fruto destas tratativas a termelétrica já está operando em potência máxima. Que venha então o gás, mas que venha com firmeza, confiável e para ficar. Aleluia!

segunda-feira, 11 de março de 2019

AS CHEIAS DE SÃO JOSÉ

José Antônio Lemos dos Santos
     Diziam os antigos que a estação das chuvas em Cuiabá tinha dois picos, um em dezembro/janeiro e outro em março, também chamado de “repique”, por volta do dia de São José encerrando o período chuvoso, e as cheias eram aguardadas nessas épocas, ainda que nem sempre ocorrendo as duas com a mesma intensidade. Domingo que vem, 17 de março marcará os 45 anos do dia da cota máxima da cheia de 1974 em Cuiabá, chegando a 10,87 metros, desabrigando milhares de pessoas nos antigos bairros do Terceiro (“de Dentro” e “de Fora”), Barcelos e Ana Poupino, a região mais populosa da cidade. A cheia de São José naquele ano foi uma tragédia para a cidade logo quando esta dava um salto de crescimento em decorrência da inauguração de Brasília, dentre outros fatores. Grosso modo Cuiabá saltava de 56 mil habitantes em 1960 para 240 mil em 80. Um crescimento para o qual a cidade não estava preparada, nem seus cidadãos e governantes após décadas de estagnação. Ninguém entendia quando alguns visionários, verdadeiros profetas propunham a necessidade de preparar a cidade para aquela expansão.
     A calamidade daquela cheia serviu para dar uma sacudida nas autoridades. O governo Geisel tomara posse dois dias antes já com a inundação avançada. De imediato o ministro do Interior Rangel Reis veio a Cuiabá e tomou duas decisões radicais marcantes para a cidade e que não podem ser esquecidas. Determinou a demolição do que sobrara dos bairros atingidos, transferindo suas populações para conjuntos residenciais a serem construídos, um deles o Novo Terceiro. Nesse processo foram perdidos alguns marcos da cultura de Cuiabá que viraram saudade nas lembranças dos blocos carnavalescos “Sempre Vivinha”, “Coração da Mocidade” e “Estrela Dalva”, por exemplo.
     Outra determinação do ministro foi a realização de estudos técnicos buscando evitar novas tragédias semelhantes em Cuiabá. Daí resultou Manso, em princípio só para reduzir futuros picos de novas enchentes, um “açudão” de proteção urbana. Embora pouco divulgado, Manso cumpriu essa função ao menos em 2002 e 2010 impedindo que volumes de água superiores aos 3.025 m³/s de 74 chegassem a Cuiabá. Fosse só este seu objetivo, Manso já teria valido a pena.
     Depois, já em 1978, no antigo Minter, a Comissão da Divisão do Estado, da qual tive o privilégio de participar, propôs em conjunto com técnicos do estado a transformação de Manso em um projeto de aproveitamento múltiplo (APM) de barragem, pioneiro no Brasil para solucionar também a questão energética, na época o principal problema estadual. Junto com a energização do “açudão”, foram acrescidos os objetivos de regularização de vazão do rio, garantindo uma cota mínima além da redução das cotas máximas, prevendo ainda o abastecimento urbano de água e irrigação rural para a Baixada Cuiabana, três barragens a fio d’água rio abaixo, sendo que seu lago poderia também receber projetos de piscicultura, turismo e lazer.
     Ainda há quem pense que Manso foi construída para gerar energia, o que seria um absurdo pela dimensão de seu lago, maior que a Baía da Guanabara e 10 vezes o Lago de Brasília gerando apenas 210 MW (só a Termelétrica gerava 480 MW antes de ser abandonada). E a geração elétrica é um subproduto importante pois vem garantindo a estabilidade energética ao estado. Mas Manso ainda tem muitos outros potenciais que só começam a ser explorados agora, como a aquicultura e o turismo. O correto aproveitamento integrado de Manso, além de importante para o desenvolvimento regional, seria também uma homenagem ao flagelo da cheia de 1974. O fato é que hoje, em seu Tricentenário Cuiabá pode receber com mais tranquilidade a benção das águas de São José.    

segunda-feira, 16 de abril de 2018

GÁS E FUTURO

Termelérica Cuiabá  (Imagem HiperNotícias)

José Antonio Lemos dos Santos
     Na semana em que Cuiabá comemorava seu 299º aniversário, com a cidade adentrando em seu tricentésimo ano de existência, foi noticiada a suspensão do funcionamento da Usina Termelétrica de Cuiabá e do gasoduto Bolívia-Cuiabá. Não entro aqui nos porquês dessa suspensão pois o rolo é muito grande envolvendo as 2 maiores empresas do país, presidência da república, lava-jato, em suma, desfocaria o objetivo deste artigo que é o descaso ou desleixo com que as autoridades governamentais e as lideranças civis do estado tratam o complexo industrial mais caro de Mato Grosso, fundamental para seu desenvolvimento e construído a um custo de 1,0 bilhão de dólares!
     Especialista em Planejamento Urbano, não entendo nada sobre gás, termelétrica ou rolos de empresas, mas sei o quanto é importante a disponibilidade do gás para o desenvolvimento de uma cidade ou região. Por isso sigo a Termelétrica desde sua gestação já tendo escrito muitos artigos sobre o assunto sob a ótica de Cuiabá e Mato Grosso. A Termelétrica de Cuiabá é fruto da visão de estadista do saudoso Dante de Oliveira. Com o gasoduto Bolívia-Cuiabá, integra um complexo inaugurado em 2002 a um custo de US$ 1,0 bilhão, repito. Com sua perspectiva de futuro o então governador anteviu a grande produção agropecuária atual de Mato Grosso, já prevendo a energia e a logística de transportes como os dois gargalos para esse processo. Hoje Mato Grosso é o líder do agronegócio nacional, principal fiador do saldo comercial e do PIB nacional, mas está encalacrado na logística. Só não está em crise energética justo pelas providências daquele tempo.
     Uma vez instalada em Mato Grosso uma agropecuária de alta tecnologia e produtividade, Dante percebeu ser fundamental a criação das condições para a verticalização no estado dessa produção primária, agregando-lhe valor. Gerar empregos aqui em vez de exportá-los. Entendia que a Baixada Cuiabana poderia ser a base desse processo de verticalização com apoio da ZPE de Cáceres. Para esse salto, energia e transporte seriam essenciais. Arrancou assim das barrancas do Paraná os trilhos da Ferronorte, criou o FETHAB, implantou o Porto Seco e internacionalizou o Aeroporto Marechal Rondon, providenciando sua ampliação a quatro mãos com o também saudoso Orlando Boni, cuiabano então presidente da Infraero. Na questão da energia destravou a APM de Manso, então com obras paralisadas a bastante tempo e trouxe a poderosa Enron para implantar o complexo termelétrica/gasoduto.
     Implantado o complexo do gás viriam com ele as vantagens regionais comparativas para a instalação de novas indústrias e outros investimentos. Só que o plano não avançou, a ponto do gás hoje não sensibilizar nem os taxistas e a Termelétrica ter um funcionamento descontinuado. O gás aqui foi inconfiabilizado e sempre me intrigou a causa desse aparente insucesso e do estranho silêncio de nossas lideranças empresariais e políticas sobre o assunto. Por que? Para mim não entenderam nada até hoje, na mais gentil das minhas hipóteses.
     Agora vem esta nova suspensão de funcionamento, mais séria pois afeta também o gasoduto. Ouvi no rádio o presidente do MTGás dizer que obteve uma liminar na Justiça assegurando o funcionamento do gasoduto e que, portanto, poderiam ficar tranquilos os cerca de 800 motoristas e as 4 ou 5 empresas que usam o gás como insumo energético. Infelizmente, trata-se muito mais que isso. Sugiro ao leitor buscar no Google pelo gás de Mato Grosso do Sul. Sentirão o mesmo que senti: inveja! Nos mapas, a distribuição por quase toda a Campo Grande, indo a Três Lagoas e Corumbá, para uso veicular, residencial, comercial, industrial e cogeração. Lá bombando o futuro, enquanto aqui ...

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O GÁS DE MATO GROSSO E SUAS ILAÇÕES

HiperNotícias

José Antonio Lemos dos Santos
     Inadvertidamente o chefe do grupo J&F em sua polêmica gravação no Jaburu pode ter prestado um grande serviço a Mato Grosso. Preferia vê-lo preso pelos prejuízos que causou e continua causando ao Brasil, e em especial a Mato Grosso, maior produtor de gado do país e ele o maior o maior produtor de proteína animal do mundo. Um dos focos de sua famosa conversa com o presidente Temer foi um pedido de interferência presidencial junto ao CADE em uma suposta discriminação da Petrobrás contra a Termelétrica de Cuiabá em termos do preço do fornecimento de gás para a usina hoje de propriedade do grupo.
     A Termelétrica de Cuiabá é fruto da visão de futuro de um dos maiores estadistas que o Brasil teve, Dante de Oliveira, não valorizado entre nós como merecia justamente por ser daqui. Integra um complexo com o gasoduto Bolívia-Brasil (Cuiabá) implantado a um custo total de US$ 1,0 bilhão à época. Com sua perspectiva de futuro o então governador anteviu a grande produção agropecuária atual de Mato Grosso, já prevendo a energia e a logística de transportes como os dois gargalos para esse desenvolvimento. Hoje Mato Grosso é o líder do agronegócio nacional, fiador fundamental do saldo comercial e do PIB nacional, mas está encalacrado na logística e na energia para ir além.
     Instalado no estado um parque agropecuário de alta tecnologia e produtividade, Dante via ser fundamental a criação das condições para a verticalização no estado de toda essa produção, agregando valor à produção primária. Gerar empregos aqui em vez de exportá-los. Entendia que a Baixada Cuiabana poderia ser a base desse processo de verticalização com apoio da ZPE de Cáceres. Para esse salto restava resolver as questões da energia e do transporte para levar e trazer o desenvolvimento. Arrancou assim das barrancas do Paraná os trilhos da Ferronorte, criou o FETHAB, implantou o Porto Seco e internacionalizou o Aeroporto Marechal Rondon, providenciando sua ampliação a quatro mãos com o também saudoso Orlando Boni, cuiabano então presidente da Infraero. Na questão da energia destravou a APM de Manso, com canteiro de obras e máquinas parados a bastante tempo e trouxe a Enron.
     Então o complexo foi implantado com o gasoduto, a Termelétrica, e as vantagens regionais comparativas para a indústria e outros investimentos. Só que o plano não avançou a ponto do gás hoje não sensibilizar nem os taxistas e a Termelétrica ter um funcionamento descontinuado. Inconfiabilizados, em suma. Tirando a falência de seu primeiro dono, a Enron, outro grupo internacional logo assumiu, sempre me intrigou as causas desse aparente insucesso e do estranho silêncio de nossas lideranças empresariais e políticas sobre o assunto.
     Entre as causas está a interrupção do fornecimento do gás pelo governo Evo Morales, recém empossado, mantendo o fornecimento para outros ramais do Brasil. Começava a discriminação e também minhas ilações, palavra tão na moda hoje. Discutia-se a instalação de uma grande fábrica de fertilizantes da Petrobrás para atender o Centro-Oeste, cuja melhor localização seria uma posição central, no caso, Cuiabá. O gás era a principal matéria-prima. O governo boliviano, com os governos federal e de Mato Grosso do Sul, então companheiros ideológicos, queriam a fábrica no estado irmão. E o gás para Mato Grosso foi cortado, sob mil pretextos. A primeira ilação estava pronta. Com a omissão das lideranças políticas e empresariais mato-grossenses a fábrica foi instalada em Três Lagoas, colada a São Paulo, excêntrica a seu mercado. Agora aparece a reclamação do chefe da J&F. Seria verdade? Por que a diferenciação contra a Termelétrica de Cuiabá? Não é Brasil? Outras ilações ficam para futuros artigos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O SOL



Foto: José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

Retomo as reflexões sobre os fatores positivos disponíveis para o desenvolvimento da Baixada Cuiabana, aproveitando a época de eleições e de elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Vale do Rio Cuiabá (PDDI/VRC). Não se trata de ignorar o que temos de negativo, mas só numa perspectiva correta de construção do futuro podemos corrigir os déficits do passado. Ainda festejando o Equinócio da Primavera destaco neste artigo o Sol, o poderoso e inseparável amigo de Cuiabá, insuportável para uns, indispensável para outros.
     Quando Dom Aquino chamou Mato Grosso de “terra noiva do sol, linda terra”, certamente se referia ao sol cuiabano, o mesmo que para Carmindo de Campos produz “aquele calor sadio, que às vezes é melhor, muito melhor que o frio.” Pois é esse mesmo sol tão marcante na vida cuiabana que elenco como uma das grandes vantagens comparativas da Baixada Cuiabana, se nossas lideranças conseguirem elevar o olhar para um horizonte maior que o interstício eleitoral de dois anos. Nada se desenvolve sem energia e o Sol é fonte inesgotável de energia limpa e grátis, em especial em Cuiabá. O uso da energia solar é o futuro que já começou e levará vantagem quem se preparar desde já para isso. No caso do Vale do Cuiabá com sua posição estratégica, a adoção da energia solar na matriz energética poderá ser um diferencial em sua inclusão sustentável na modernidade tecnológica global, integrada ao farto potencial hidroelétrico, ao gás natural e aos diferentes modos de bioenergia em que Mato Grosso é produtor campeão.
Foto: José Lemos

     Não sou especialista, porém acompanho o assunto por sua importância para o desenvolvimento urbano e sabemos que o sol em Cuiabá, além de fritar ovo no asfalto, pode, por exemplo, movimentar a ventilação por convecção, aquecer água, assim como iluminar ambientes fechados ou muito amplos com a solução zenital com grandes vantagens. Mas já deu também para saber que o estágio de evolução da tecnologia de aproveitamento da energia solar ainda não dá para competir com as formas convencionais de geração de energia, embora haja o consenso de que as possibilidades são muitas e serão indispensáveis para o futuro da humanidade. Dentre estas, uma chama atenção especial pelo que ela tem de simples e por sua praticabilidade imediata, inclusive regulamentada pela ANEEL, que disponibiliza em seu site manual sobre o assunto. Trata-se da Geração Distribuída (GD), uma técnica que permite a geração através de placas fotovoltaicas, ou não, em sua própria residência, comércio, indústria, com o excedente indo para à rede pública gerando créditos que abaterão o custo de seu consumo. Melhor, essa alternativa permite a geração remota, isto é, não precisa ser no próprio local do consumo. Por exemplo, uma fábrica pode ter um outro terreno afastado e lá instalar seus painéis geradores de energia para uso próprio com o excedente se transformando em créditos para consumos futuros. Um maná para uma região ensolarada quase o ano inteiro, um atrativo a mais para investimentos, se bem trabalhado.
     É preciso que a Região Metropolitana, com a força dos municípios e do governo do estado introduza no seu PDDI diretrizes nesse sentido estimulando a criação de programas de divulgação ampla, leis, normas e incentivos para facilitar a instalação de empreendimentos com esse tipo de visão. Por que não um “distrito de geração solar” em nossas zonas urbanas de alto impacto? Alguns podem pensar em delírio. Nós pioneiros em tecnologia? Agora quando! O premiadíssimo Espaço do Conhecimento do SEBRAE-MT, aqui, já faz isso com muito sucesso. Lembro ainda que Cuiabá sediou a primeira fábrica do biodiesel no Brasil e os primeiros ônibus experimentais rodaram em nossas ruas por muitos anos.
(Publicado em 30/09/16 na Página do Enock, MidiaNews, NaMarra, em 01/10/16 na FolhaMax, em 02/10/16 no HiperNotícias, em 04/10/16 pelo Diário de Cuiabá,,...)

COMENTÁRIOS:
No HiperNotícias  02/10/16:
Carlos Nunes "Pois é, há uns 40 anos, os nossos governantes eram para ter chamado os nossos melhores cientistas, e encomendado que fizesse Usinas Solares, dando um aporte financeiro nesse sentido. Provavelmente hoje, algumas já poderiam até estar funcionando. Mas não, optaram pelas usinas hidroelétricas, que são abaladas pela seca, e outras que funcionam a diesel, que dependem do Petróleo. Tem que investir no novo, naquilo que nem existe ainda, mas pode existir mais cedo do que a gente imagina. É o caso do VLT espanhol comprado pelo Silval, onde diversos sites já informaram que, quando estiver funcionando a pleno vapor, vai consumir de energia elétrica o que consome uma cidade dom 90 mil habitantes. As Estações, as composições do VLT, indo de lá pra cá, 24 horas por dia, 365 dias por ano, vão gastar energia a beça. Enquanto isso, os telejornais fizeram uma reportagem mostrando que, cientistas brasileiros começam a fabricar o novo VLT movido a Magnetismo, que vai gastar só um terço de energia que o espanhol, não polui, nem precisa abrir toda a cidade, pois com o Magnetismo ele fica mais leve, e o Alicerce sai mais barato. Isso é a revolução das máquinas, aonde uma substitui a outra muito rapidamente."

terça-feira, 16 de julho de 2013

ÁGUAS DE MANSO

José Antonio Lemos dos Santos

     As vitórias do Mixto, Cuiabá e Luverdense avançando juntos no Campeonato Brasileiro fizeram do domingo passado uma data memorável para o futebol mato-grossense. Tive o privilégio de estar no Dutrinha acompanhando a histórica rodada. Mas antes, na sexta-feira aconteceu no Palácio Paiaguás o I Fórum sobre o uso das águas de Manso para irrigação na Baixada Cuiabana. Enfim, uma importante iniciativa no até agora subutilizado empreendimento de Manso que precisa ser retomado com o aproveitamento de todas as finalidades para quais foi projetado. Uma dessas é justamente a irrigação de cerca de 50 mil hectares no Vale do Cuiabá. Integrei a Comissão Técnica do antigo Minter criada pela Lei da divisão de Mato Grosso para propor programas de desenvolvimento de apoio federal aos dois estados. Lá participei de algumas decisões técnicas importantes, tal como a transformação de Manso de um “açudão” de contenção de cheias que era originalmente, em um projeto de aproveitamento múltiplo de barragem pioneiro no Brasil. 
     Será que alguém ainda se lembra do que significam as três letras A, P e M que antecedem a denominação da barragem de Manso? Alguns sim, mas a maioria jamais soube o significado, em especial os mais jovens. Por eles é oportuno lembrar, pois o tempo passa e a história vai sendo esquecida. Manso surgiu da trágica cheia de 1974 do rio Cuiabá, que em 17 de março atingiu 10,87m e uma vazão de 3.075 m³/s, destruindo os bairros do Terceiro, Ana Poupino e Barcelos, os mais populosos de Cuiabá na época. Foi o primeiro grande problema do governo Ernesto Geisel, empossado dois dias antes, que de imediato enviou seu ministro do Interior, Rangel Reis, para conhecer a situação e tomar providências. O ministro determinou a demolição do que restou dos bairros e a construção de conjuntos habitacionais para a população flagelada. E mais, determinou a realização de estudos de soluções que impedissem novas inundações daquelas dimensões em Cuiabá. Daí surge Manso como um equipamento de proteção urbana com objetivo específico de reduzir as cotas das cheias. Em 15 de janeiro 2002, logo após sua inauguração, Manso protegeu a cidade de uma vazão de 3.250 m³/s, superior a de 74. Ainda que só por seu sentido de proteção urbana, Manso seria um dos mais importantes equipamentos da Grande Cuiabá. 
     Depois, já em 1978, os estudos motivados pela lei da divisão tiveram que buscar solução para a questão energética, identificado na época como o principal problema do estado. Havia o projeto da Usina do Funil, também no rio Cuiabá, mas faltava dinheiro. A Eletronorte estava empolgada com Tucuruí e não se interessava por outra coisa. Assim, a solução exigia criatividade e daí surge a ideia de energizar Manso, cujas obras iniciariam naquele ano. Foi assim suspenso o início da barragem e determinada a revisão geral do projeto, adotando a filosofia do uso múltiplo, então inédito no país. Manso seria também geradora de energia e a ideia da proteção urbana foi ampliada para a de regularização de vazão do rio, garantindo ao rio também uma cota mínima nas secas, com previsão de abastecimento de água para Cuiabá, Várzea Grande e cidades próximas, bem como de irrigar 50 mil hectares no vale do Cuiabá. E mais, seu lago poderia receber projetos em piscicultura, turismo e lazer. APM Manso significa “Aproveitamento Múltiplo de Manso”, uma filosofia otimizadora de barragens usada no mundo inteiro, mas que em Manso tem até hoje seu uso restrito à geração de energia e à regulagem de vazão. A discussão do projeto de irrigação da Baixada Cuiabana pode ser um sinal do fim do desperdício burro desse imenso potencial a 100 metros acima de nossas cabeças. Quem sabe trará junto, por gravidade, a água potável para a cidade? 
(Publicado em 16/07/2013 pelo Diário de Cuiabá, ...)


segunda-feira, 1 de julho de 2013

O USO EQUIVOCADO DA ENERGIA NO AUTOMÓVEL

Hélio Cesar Monti - é superintendente da Eletrobrás Eletronorte em MT.

     A humanidade sempre foi uma grande dependente de energia. Desde os primórdios,
luta e desenvolve formas variadas de garantir seus subsídios energéticos, fator
preponderante na sobrevivência da espécie humana.O problema de
suprimento energético tem motivado pesquisas nas mais variadas frentes científicas
ao longo dos séculos, mais intensamente nos últimos 50 anos.
     Hoje, predomina ainda a ‘economia do carbono‘, na qual os hidrocarbonetos, em
especial o petróleo, atendem a maior parte da demanda mundial. Mas, de alguns anos para
cá, com o aumento exponencial no consumo e com a inevitável perspectiva de
redução das reservas, a sociedade começou se preocupar em buscar
alternativas ao ‘ouro negro‘. Para tornar a situação mais crítica, com o
acréscimo na queima de combustível fóssil, a biosfera começou a se
deteriorar rapidamente,levando a uma aceleração nas ações em direção a uma
matriz energética mais limpa e ecológica.Uma das vertentes, até há
algum tempo, tratadas secundariamente neste universo, é a da
‘eficiência energética‘. Porém, hoje, a preocupação com a com o desperdício de
energia é crescente. No Brasil perde-se por ano, especificamente em energia elétrica, o
equivalente à produção de uma Itaipu. As perdas energéticas se dão em razão de vários
fatores. Por exemplo, a utilização individual de veículos automotores, movidos a combustível
não renovável,como acontece nos dias de hoje, é uma das formas menos eficientes de se usar
energia.
     Um carro com peso médio de 500 kg exige um gasto energético em combustível
excessivamente alto, principalmente quando usado para transportar apenas uma única
pessoa de 75 kg de peso médio. A energia equivalente gasta neste caso seria suficiente
para transportar dezenas de pessoas, no mesmo percurso, num transporte coletivo público
movido a eletricidade, por exemplo. Isso é ineficiência em alto grau e é o que mais se vê
nas ruas, deforma mais intensa nos países em desenvolvimento nos quais contingentes cada
vez maiores de pessoas ascendem rapidamente de classe social, passando a ter acesso a bens
duráveis, entre os quais o carro é o mais desejado.Enquanto no caso do carro de uso
individual, desloca-se cerca de 7 kg para transportar 1 kg, no caso de um ônibus coletivo,
que esteja transportando em media 25 pessoas, desloca-se apenas 1,5 kg para transportar 1 kg. É
uma diferença imensa e um grande desperdício de energia com o agravante de ser energia fóssil,
poluente, finita e não renovável.
     Este é apenas uma entre incontáveis situações em que o homem desperdiça energia
cada vez mais cara e rara. Políticas públicas são necessárias para corrigir distorções graves
como essa e conduzir a humanidade a patamares mais civilizados e altruístas no gasto
energético.
(Publicado em 01/07/2013 em A Gazeta)

terça-feira, 17 de abril de 2012

A VOLTA DA TERMELÉTRICA

José Antonio Lemos dos Santos



     Todo cidadão deseja viver em uma grande cidade, e não em uma cidade apenas grande. Viver em um grande estado, e não em um estado apenas grande. À cidadania interessa uma cidade e um estado capazes antes de tudo de oferecer qualidade de vida, com empregos, renda e infraestruturas econômicas e sociais dignas e efetivas para seus habitantes. Para tanto umas das condições essenciais é a energia. Um estado ou uma cidade sem energia, ainda que grandes, seriam semelhantes a uma anta anêmica, grande, fraca, doentia. Teríamos uma sociedade sem dinamismo e uma gente sem perspectivas, sem futuro.
     Lembro de quando trabalhava na Comissão Especial da Divisão do Estado, em 1978, no Ministério do Interior, e do diagnóstico da Fundação João Pinheiro para Programa de Desenvolvimento de Mato Grosso – PROMAT que já identificava a carência energética como um dos principais gargalos para o desenvolvimento do estado remanescente, até então alimentado por Cachoeira Dourada (GO), a 800 Km daqui. Depois de tentar infrutiferamente a viabilização da Usina do Funil, optou-se pela energização da Barragem de Manso, cujas obras tinham início marcado para aquele ano. Ao “açudão” inicial de proteção da cidade contra novas enchentes como a de 74, foram agregadas ao projeto outras finalidades como a geração de energia, controle de vazão, psicultura, turismo e irrigação de 50 mil hectares na Baixada Cuiabana, dando origem assim ao Aproveitamento Múltiplo de Manso (APM de Manso) pioneiro nesse tipo de projeto multi-finalitário no Brasil.
     Acontece que a seguir o projeto de Manso foi paralisado. Assim, já na administração Frederico Campos em 1992, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Cuiabá chegou a determinar ao prefeito a promoção de ações visando o “aproveitamento energético da bacia do Rio Cuiabá”. Seu sucessor Dante Oliveira cumpriu a lei e foi atrás dessa e outras soluções alternativas para a questão energética de Cuiabá, que de tão grave se dizia “ventou em Jataí, a luz apaga aqui”. Já como governador, com seu prestígio viabilizou Manso e a termelétrica de 480 MW com gás boliviano, um mega empreendimento internacional da finada ENRON envolvendo quase US$ 1,0 bilhão, até hoje o maior empreendimento privado em Mato Grosso, um projeto jamais sonhado pelo estado.
     O projeto da termelétrica é tão fantástico que ainda hoje muita autoridade sequer entendeu sua real dimensão. A Termelétrica de Cuiabá é mais que uma geradora de energia limpa e barata, embora só isso já fosse de enorme importância para o estado. Muito mais do que a geração de energia, é ela que viabiliza o transporte do gás boliviano em quantidade suficiente para ser um diferencial favorável para Cuiabá, Várzea Grande, com perspectivas de expansão para o estado. Só o gás já faria uma revolução no estado. Além de energia barata e limpa, o gás é também matéria-prima para diversas indústrias e deveria estar sendo usado na atração de novas empresas. Mas não, para nossas prefeituras o complexo gasoduto/termelétrica de US$ 1,0 bilhão parece estar em Marte, não mexem uma palha pelo aproveitamento dessa extraordinária vantagem comparativa que a Grande Cuiabá dispõe, como não mexeram quando o gás foi cortado por absurdos e inacreditáveis quase 5 anos. Graças porém ao empenho no caso do governador Silval Barbosa o gás voltou em setembro do ano passado e no último fim de semana a termelétrica voltou a funcionar. Como viabilizar um projeto de distribuição dessa riqueza às indústrias existentes e como utilizá-la para atrair novos investimentos? Como resgatar a confiança na continuidade de fornecimento do gás veicular? Eis um tema fundamental e desafiador para os candidatos nas eleições municipais deste ano.
(Publicado em 17/04/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

CUIABÁ E A CRISE

José Antonio Lemos dos Santos


     Na semana passada os jornais publicaram que o governo brasileiro chamou seu embaixador em Quito em protesto pela decisão do governo equatoriano de não pagar uma dívida de US$ 243,0 milhões com o BNDES referente a uma obra de uma empreiteira brasileira naquele país, acrescentando que esta é uma crise “séria”. Tomara que nosso governo esteja revendo sua forma, no mínimo generosa para muitos observadores, de encarar certas atitudes tomadas ultimamente por alguns dos nossos países vizinhos em relação a diversos interesses brasileiros, entre estas, o corte do fornecimento do gás boliviano a Mato Grosso, há mais de ano, paralisando um gasoduto e uma termelétrica de quase 1 bilhão de dólares e responsáveis por 70% da energia consumida no estado.
     Também na mesma semana foi publicada a lista de obras do Ministério dos Transportes para Mato Grosso, constantes do Plano Plurianual 2008-2011, lá constando, entre diversos itens, dois de maior interesse, especialmente para a cidade de Cuiabá. O primeiro é a construção da Ferronorte, de Alto Araguaia até Rondonópolis, confirmando a já longa expectativa dos trilhos ferroviários avançarem pelo território mato-grossense em direção a Cuiabá, maior centro de cargas do estado, dando continuidade assim ao estabelecido na concessão federal que trata do assunto. Mesmo com Mato Grosso ocupando posição chave no Ministério dos Transportes, o máximo que se poderia esperar, além disso, seria alguma referência ao trajeto Rondonópolis-Cuiabá, ao menos com os estudos ambientais definitivos a partir de Mineirinho, na BR-163 – o que seria uma agradável surpresa para os cuiabano-varzeagrandenses.
     O segundo ponto a destacar é a “Adequação de trecho rodoviário na BR-163 entre Rondonópolis – Cuiabá – Posto Gil (possivelmente duplicação ou terceira faixa)”, item que frustra a maior parte dos mato-grossenses, principalmente as centenas de milhares de pessoas que dependem desse trajeto para tocar suas vidas, em diversas atividades, importantes para cada um e para o estado como um todo. Era tido como certo o início da duplicação desse trecho rodoviário que é o mais movimentado no estado, que já chegou ao limite de sua transitabilidade, projeto falado, prometido pelas autoridades há muito tempo e, sobretudo, extremamente necessário não só pela deseconomia que gera, como pelo drama das vidas ceifadas a cada ano que passa.
     Neste item chama a atenção que nem sequer está definido o que vai ser esta “adequação”, isto é, o que vai ser feito em termos de obras, constando na matéria jornalística apenas a expressão “possivelmente duplicação ou terceira faixa”, não contestada ou esclarecida posteriormente pelo Ministério. Sem esta definição não há projeto técnico e sem este não pode haver licitação, condição necessária para o início das obras, que para todos parecia imediato.
     As matérias jornalísticas coincidem com a iniciativa dos Conselhos Federal e Regional de Economia e da Prefeitura de Cuiabá de promoverem na capital uma discussão sobre a crise global, olhada do ponto de vista de nossa cidade e de nosso estado, com a presença de figuras nacionais e locais de notório conhecimento sobre o assunto. Seus assuntos poderiam muito bem ser tratados em tão importante evento, afinal, nenhuma crise global será equacionada em nível local sem passar pela solução dos nossos graves problemas da energia e do transporte.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 25/11/2008)