"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



Mostrando postagens com marcador TV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TV. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de março de 2020

COMENTÁRIOS - TORCIDAS AO SOL

Resultado de imagem para Torcida Mixto
                            Torcida ao sol                              (Imagem:noticiasdabaixada)
José Antonio Lemos dos Santos
     Acho uma tremenda besteira, ou melhor, burrice mesmo, os times mandantes dos jogos das 15 horas na Arena, colocarem a torcida adversária no setor leste, de frente para o sol. Sou a favor do televisionamento dos jogos, mas é cruel este horário das 15 horas que dizem ser exigência da TV para combinar com sua grade de programação. Mesmo com a TV e o sofá da sala, prefiro torcer pelo meu time lá na Arena. Acontece que nos grandes centros o jogo é 16 h, dá tempo para um almoço de domingo mais tranquilo, com um clima menos intenso, em especial o sol mais brando. 16h de lá são 15 h aqui, chega a ser desumano com os jogadores, pessoal que trabalha nos jogos e em especial os torcedores que são submetidos àquele solão, lembrando que entre estes existem crianças, mulheres e pessoas de mais idade. Este ano já não fui a 2 jogos do meu time porque alguém mandou a torcida do meu time para o setor Leste, com o solão das 15 horas na cara. Tive que me contentar com a TV. O problema também é financeiro já que meu ingresso vale tanto quanto o do torcedor mandante. E aqueles que iriam com esposa e filho, ou quer levar algum amigo ou visitante? O público que já é pequeno, com certeza fica menor. Domingo tem Cuiabá x União, com os dois times muito bem. Será um jogo decisivo. Mesmo com a TV transmitindo para lá, certamente muita gente de Rondonópolis vai querer estar presente ao jogo empurrando e dando força ao time de sua cidade lá na Arena. Espero que o Cuiabá não cometa essa burrice de obrigar a torcida de Rondonópolis, e de outros jogos em que for mandante, ficar no setor Leste, no mínimo vai perder uma boa renda. É um absurdo, numa Arena de 44 mil assentos, com cerca de 22 mil lugares na sombra, porque não colocar a torcida adversária no andar superior do setor Oeste, na sombra, com boa visão lateral do campo. Ou no setor Norte, ainda que com um posicionamento atrás do gol, menos favorável. Para jogos menos decisivos com previsão de menores públicos, as duas torcidas podem ficar até mesmo na mesma arquibancada inferior do setor Oeste. As torcidas não ficavam lado a lado no Dutrinha ou no Verdão? Com certeza será um grande jogo e com certeza muitos torcedores dos dois times querem estar presentes na Arena. Não é muita coisa não, mas é jogo para bater o recorde de público do estadual 2020. Mas, “pelo amor de meus netinhos”, como diria o Silvio Luiz, que esta reclamação não seja pretexto para alguma autoridade luminar (que não esteja nem aí para o futebol mato-grossense) interdite a Arena por não ser toda coberta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

ELEFANTAS E ARENA

Foto CarolinaHollandG1

José Antonio Lemos dos Santos

     Apesar de atrasado aplaudo a direção da ONG internacional “Global Sanctuary for Elephants” por ter escolhido Chapada dos Guimarães como sede de seu primeiro Santuário de Elefantes na América Latina, bem no coração da América, já estando no local as simpáticas Guida e Maia ensaiando os primeiros passos livres do cativeiro que as sacrificou por toda a vida. Bem vindas! Só conheço o projeto pelo noticiário, gostei do que vi e torço para que dê certo. O risco é logo aparecer algum luminar afirmando ter encontrado chifre em cabeça de elefante. A ótima notícia, coisa rara, emocionou o Brasil. Que esse exemplo dê aos nossos animais silvestres machucados pela antropização regional seu centro de recuperação esperado desde 74, tempos do projeto do CPA, para ser também um zoológico didático para deleite das crianças que hoje se encantam com os animais cuidados pela UFMT.
     Gostei em especial da visitação pública via internet, globalizando suas possibilidades de acessos através de visitas virtuais e de arrecadação, evitando a presença física de humanos no ambiente criado para os elefantes viverem em paz. Com a tecnologia atual só é periférico quem quiser, essa uma das lições contemporâneas, e fica para trás quem não a compreender. Um pedaço de terra no meio do cerrado da Chapada foi transformado em um espaço global com chance de arrecadar muito e assegurar a sustentabilidade do belo projeto.
Foto JoséLemos

     Porém o santuário traz outras lições e nos remete à Arena Pantanal. Não pelo “elefante branco” em que alguns quererem transformá-la, mas pelo conceito de globalização que parece ainda não assimilado pelos seus responsáveis. Não é o caso mais de discutir se a Arena devia ser construída ou não, mas de viabilizá-la sob pena de omissão lesiva ao patrimônio público. As novas arenas multifuncionais vão além dos antigos estádios e não podem ser confundidas com estes, assim como o santuário dos elefantes não se confunde como um zoológico comum. É um novo tipo de espaço, fruto de um programa de necessidades novo gerado a partir de demandas e possibilidades técnicas do mundo moderno, da internet, da fibra ótica e da TV via satélite. A arena moderna e o santuário global são filhos do tempo atual, irmãos dos iPads. As atuais arenas são complexas plataformas midiáticas globais para eventos de apelo supra local, podendo chegar à audiências planetárias, como na Copa do Mundo. Sua viabilização está em plateias regionais, nacionais e mundiais com direitos de transmissão e publicidade pela TV ou Internet, não mais só pela bilheteria local.
     Para gerir um equipamento tão complexo e valioso é evidente a necessidade de uma estrutura especializada, tendo sempre como foco o esporte e o futebol profissional, mas como pano de fundo as atrações turísticas de Mato Grosso, seu circuito de cultura e lazer, bem como a rede hoteleira ampliada pela Copa, propondo projetos e disputando a agenda internacional de eventos com um ano ou mais de antecedência. A experiência do SEBRAE-MT com o Centro de Convenções poderia ser aproveitada na Arena, agregando o Ginásio Aecim Tocantins e gerando um núcleo articulado fomentador de grandes eventos em Mato Grosso.
     Mato Grosso tem o privilégio de uma dessas estruturas high-tech, uma potencial ferramenta de estado para promoção do desenvolvimento regional, de interesse direto para Cuiabá e Várzea Grande. O mundo hoje é globalizado e não existe quem não estiver na vitrine planetária. As arenas estão sendo inventadas para colocar um país, cidade ou região aos olhos do mundo, levando suas potencialidades, produtos e belezas aos olhos globais, gerando emprego, renda e qualidade de vida. Visão ampla e interesse público são os desafios.
(Publicado em 22/1016 pelo Midianews, Página do Enock, FolhaMax, ...)

COMENTÁRIOS
No MidiaNewa:
Carlos Nunes 22.10.16 09h05:
"Pois é, elefantas e elefantes brancos. Numa cidade em que o futebol acabou faz tempo, hoje não enche mais estádios como antigamente, torraram dinheiro para fazer a Arena Pantanal...enquanto o nosso Hospital Central ficou parado na construção há décadas - aí morreram crianças, idosos, até por falta de UTI's. Quantos morreram? Bem, como o Datena diz: são pobres, são invisíveis, ninguém sabe. Outro dia, aqui em Cuiabá, uma senhora "pobre" levou um tombo em casa, e teve traumatismo craneano, precisava urgentemente de UTI...e não tinha vaga, como doença não espera vaga aparecer - MORREU. É mais uma invisível. Sinceramente, não seria melhor ter pego toda a dinheirama que torraram no elefante branco Arena Pantanal, e aplicado na conclusão do Hospital Central, e feito vários outros nos 141 municípios de MT. Outro fato foi narrado: um cuiabano foi passear num determinado município, e lá teve um grave enfarte, precisou também de UTI, e nesse município, pior ainda, nem tinha UTI, colocaram num carro para leva-lo pra outra cidade, e ele morreu no caminho. Puxa vida! Cardíacos, hipertensos, etc, não podem nem passear em determinados municípios de MT, porque se tiverem um "ataque" MORREM. Enquanto isso, está lá o elefante branco Arena Pantanal, numa cidade onde futebol dos bons...acabou faz tempo. Ou não? Em terra de cegos que não querem ver...quem tem plano de saúde está salvo (mais ou menos), e quem é cliente do SUS - Salve-se se puder, irmã da Segurança - Salve-se quem Puder."

terça-feira, 19 de maio de 2015

DUTRA, O PRESIDENTE ESQUECIDO

f5dahistoria.wordpress.com

José Antonio Lemos dos Santos

     Neste 18 de maio devíamos ter reverenciado Dutra na lembrança de seu nascimento, o cuiabaninho que vendia bolos no centro de Cuiabá e que chegou a presidente da República. Filho de viúva de veterano da Guerra do Paraguai, pobre, sem qualquer ajuda, negada reiteradas vezes pelas autoridades, saiu daqui lavando pratos nas lanchas e trens que o levaram a um colégio militar, e de lá à presidência da República e à História do país. Foi e venceu, mantendo forte influência na política brasileira até o fim da vida. Um orgulho cujo aniversário, entretanto, passou despercebido, em especial, em sua própria terra, da mesma forma como é todos os anos e como foi ano passado, ano da Copa do Pantanal que devia tê-lo como grande homenageado. Dutra foi quem trouxe para o Brasil a primeira Copa do Mundo, em 1950. Presidente, queria mostrar ao mundo um Brasil novo, que deixava de ser rural e se industrializava. Construiu o Maracanã, o maior investimento até então em um esporte ainda não popular no mundo e que, junto com a Copa trazida por ele foi uma das causas da consolidação do futebol como uma das maiores paixões de massa do país e do mundo. 
     Não fosse pela Copa de 50, mesmo assim o aniversário de Dutra deveria ser lembrado. Injustiçado pela história oficial, sua vida pública inicia como ministro da Guerra, onde ficou por 9 anos, o ministro brasileiro mais duradouro, onde criou a FEB e depois, com o apoio dos oficiais vitoriosos contra as ditaduras nazifascistas, forçou a queda do ditador Getúlio. E de ministro foi a presidente pelo voto do povo, tendo sido um dos mais importantes pelas inovações que trouxe ao Brasil. De imediato convocou a Constituinte redemocratizando o país. Eleito para um mandato de seis anos curvou-se à nova Constituição aceitando os cinco anos que ela estabelecia, mesmo sendo presidente e o militar mais poderoso do país. Aos que temiam a volta de Getúlio e lhe propunham um golpe para ficar mais um ano, respondeu: “nem um minuto a mais, nem um minuto a menos do que manda o livrinho”. Virou “o homem do livrinho”, da Constituição mais democrática que o Brasil já teve, assinada por ele, trazida sempre em seu bolso. 
     Dutra introduziu o planejamento no Brasil com o Plano SALTE e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida com a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o conceito de Produto Interno Bruto e pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra. Criou o Instituto Rio Branco, base da qualidade de nossa diplomacia, e a Chesf. É dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, fundamento da inteligência estratégica nacional. Criou ainda os sistemas Sesi, Sesc e Senai, e durante seu governo foi implantada a TV no Brasil. Pagou o pato pelo fechamento do Partido Comunista, na verdade uma decisão do STJ, e por isso, e também por ter fechado os cassinos, desagradou à esquerda formadora da intelectualidade da época, e foi jogado ao ostracismo. 
     Uma das promessas da Copa do Pantanal foi a criação do Memorial Dutra, uma justa e oportuna homenagem a um presidente em sua terra natal. O projeto foi depois abandonado, mas não pode ser abandonado pelos cuiabanos. Quem sabe através de suas criações SESC, SESI, ou SENAI, que tanto já tem dado a Cuiabá e Mato Grosso, ou quem sabe as 3 juntas? Talvez o seu nome em uma via como tem seu adversário derrotado nas eleições presidenciais? Não teria sobrado um viaduto, trincheira ou avenida para ele? Talvez trazer para Cuiabá o Colégio Militar prometido desde a década de 50? Toda cidade é um centro produtor, mas o principal produto de uma cidade é sua gente. Por isso, as cidades lembram e reverenciam seus vultos. Infelizmente, nem todas. 
(Publicado  em 19/05/2015 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, FolhaMax, ...)
Comentários:
No Midianews:
Tonzinho  19.05.15 15h14
parabens colega pela brilhante materia. Como dizia minha avò, Santo de Casa não faz milagre.

Robélio Orbe  19.05.15 12h10
O brasileiro por natureza é um povo sem memória... isso se deve porque nas escolas esses heróis não são lembrados. O povo gosta de Funk, carnaval, futebol e bundalele. Na Praça Alencastro temos um busto em memória ao Presidente Dutra.
João  19.05.15 11h08
Construi o estadio Presidente Dutra, o Liceu Cuiabano, etc, etc,
ROBERTO  19.05.15 10h24
REALMENTE O BRASILEIRO, MATOGROSSENSE, CUIABANO, NÃO REVERENCIA SEUS FILHOS ILUSTRES. RECONHEÇO, NÃO SABIA QUE O MARECHAL ERA NASCIDO, NESTA TERRA. PARABÉNS, PELO ARTIGO, NÓS REALMENTE NÃO TEMOS HISTÓRIA, PQ ESQUECEMOS DOS NOSSOS PRÓPRIOS COMPATRIOTAS... POIS É... QUE PAÍS É ESSE ..

Reinaldo Thommen  19.05.15 09h16
Bem lembrado, somos um povo sem memória, sem passado, reverenciamos ídolos estrangeiros, enquanto os nossos são abandonados, ouvi dizer que aqui em Cuiabá temos uma praça Popeye? é brincadeira! Tivemos heróis cuiabanos que foram mortos na segunda guerra mundial, e ninguém diz nada. Povo sem memória.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

ELEFANTE DOURADO

José Antonio Lemos dos Santos

opiniaoenoticia.com.br

     A importante questão da viabilização pós-Copa 2014 das magníficas arenas é levantada na mídia com frequência, infelizmente nem sempre com a seriedade que requer. Por exemplo, no caso da Arena Pantanal ainda tem gente por esse Brasil afora que não engoliu Cuiabá como uma das sedes da Copa e utiliza o assunto para descredenciar a escolha da capital mato-grossense pela FIFA. Suponho até que alguns cronistas de renome nacional tinham compromisso com outras cidades pretendentes à sede perdida para Cuiabá, logo Cuiabá tão pacata, tão distante, tão impossível. Contudo o assunto é importante para todas as sedes. 
     Só com o público das arquibancadas o futebol brasileiro não resolverá o problema das maravilhosas arenas, uma questão que a meu ver só será resolvida quando o conceito das arenas se livrar da ideia dos antigos estádios de futebol. As novas arenas multifuncionais que se instalam hoje pelo mundo vão além e não podem ser confundidas com os antigos estádios. Trata-se de um novo tipo de edifício, resultante de um programa de necessidades novo, gerado a partir de demandas e possibilidades técnicas do mundo moderno, da internet, da fibra ótica e da TV via satélite. A arena moderna é filha do tempo atual, irmã das lan houses e tablets, assim como o anfiteatro romano, os aeroportos e shoppings centers foram novidades cada qual em sua época. As atuais arenas são complexas plataformas midiáticas globais para eventos que extrapolam o interesse local, podendo chegar ao nível da audiência planetária, como os casos de uma Copa do Mundo ou Olimpíada, ou um show do Rolling Stones. Sua viabilidade está em plateias nacionais e até mundiais possibilitadas pela TV e internet através de direitos de transmissão e publicidade, não mais pela antiga bilheteria local. 
     Para administrar um equipamento tão complexo não bastará a nomeação de um gerente para acender e apagar as luzes antes e depois dos jogos. É evidente que será preciso uma estrutura especializada para sua gestão e no caso da Arena Pantanal talvez até em conjunto com o Ginásio Aecim Tocantins, um complexo de investimentos bilionário. Sua estrutura de gestão deve trabalhar tendo como pano de fundo as potencialidades atrativas diferenciadas do Pantanal, Amazônia e cerrado, da Chapada e do Araguaia, do centro da América do Sul e do celeiro mundial de alimentos que é Mato Grosso, correndo o Brasil e o mundo propondo projetos e disputando com as outras arenas a agenda internacional de eventos esportivos, culturais e de negócios, com um ano ou dois de antecedência. Justo por ser a menor delas, a Arena Pantanal terá custos vantajosos em relação às suas coirmãs do Brasil. 
     Já finalizando suas obras, Mato Grosso terá o privilégio de uma dessas estruturas fantásticas, a ser pensada como poderosa ferramenta de estado para promoção de desenvolvimento regional. O mundo hoje é midiático, globalizado e plano. Só é periferia quem quer. Quem não estiver na vitrine global, não existe, fica para trás, morre. As arenas estão sendo inventadas e construídas para colocar um país, uma cidade ou região aos olhos do mundo, fazendo seu marketing, mostrando aquilo que tem para oferecer ao planeta. Será preciso aprender a pilotar essa nave galáctica que pousou em Cuiabá aproveitando as experiências semelhantes já existentes pelo mundo e as que começam a acontecer no Brasil. Nada de elefantes brancos! Na verdade Mato Grosso terá à sua disposição a força de um elefante dourado para impulsioná-lo ainda mais em sua integração produtiva com o planeta, levando suas potencialidades, produtos e belezas naturais aos olhos globais, gerando emprego, renda e qualidade de vida para sua população. Grandeza de visão e competência gestora são os próximos desafios. 
(Publicado em 130813 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O PAPA E NOSSAS CIDADES

José Antonio Lemos dos Santos

noticias.uol.com.br

     A visita do papa Francisco ao Brasil ultrapassou em muito sua dimensão religiosa e sacudiu o país em todos os setores. No mínimo deixou farto material a ser estudado, inclusive no campo do planejamento de proteção de altas autoridades. A alteração de última hora em seu trajeto de chegada ao Rio, desconhecido até pelas autoridades locais, desarmaria qualquer tipo de atentado hipoteticamente planejado, permitindo à Sua Santidade a utilização de um carro simples, com vidro aberto. Nada aconteceu que desrespeitasse a figura do Santo Padre. Teria sido uma estratégia consciente ou uma irresponsabilidade dos serviços de segurança? Ou foi mais uma das bem vindas determinações inovadoras de Francisco? Não há como não lembrar o assassinato do presidente Kennedy a bordo do Lincoln presidencial conversível com hora e trajeto marcados. De outro lado, deixando a hipótese dos atentados hoje tão comuns, não seria muito mais arriscado expor o papa em um carro, mesmo que blindado no centro de uma aglomeração de 1 milhão de pessoas como a que havia se reunido dias antes no Rio e que aconteciam em todo país embaladas pela indignação política geral, pela disponibilização midiática global da Copa das Confederações e pela força de aglutinação das redes sociais? 
     Contudo, dentre as muitas lições do Papa Francisco pinço aquela que mais se aproximaria ao caso da gestão das cidades. Foi proferida no Teatro Municipal do Rio de Janeiro quando disse que o “futuro exige hoje a tarefa de reabilitar a Política, que é uma das formas mais altas da Caridade.” Interessante é que está frase que eu ouvira “ao vivo” pela TV não encontrei nas “transcrições na íntegra” a que recorri depois na internet. Na dúvida, consultei aos vídeos do Youtube e a frase está lá. Mas por que me atraiu esta frase em um discurso cheio de ensinamentos preciosos? Justamente a colocação da Política como uma das mais elevadas formas da Caridade, coisas que parecem tão opostas ao senso comum atual brasileiro. Nada mais “nada a ver” do que Política e Caridade. No entanto o papa Francisco colocou a Política como “uma das formas mais altas da Caridade”, e afirmou, com a ênfase da repetição, ser urgente reabilitá-la.
     O que a Política teria a ver com a Caridade? Reflito. Em uma República, a verdadeira Política, a com “P” maiúsculo é a arte da disputa pelo poder tendo em vista a realização do bem comum, da coisa pública, a “res-publica”. O verdadeiro político seria então aquele que se dedica a trabalhar pelo bem de todos. Sem dúvida, uma forma elevada da Caridade. Não pode jamais ser confundida com a política com “p” minúsculo, também conhecida como politicagem, que se dá em função de interesses pessoais, ou de grupos partidários, econômicos, corporativos etc. Contra esta situação é que o povo foi às ruas, repelindo a companhia de figuras ou bandeiras da nossa atual política.
     A cidade é o bem comum por excelência, a grande casa, a construção coletiva que envolve a todos. Deveria ser a coisa pública mais palpável. No entanto as cidades brasileiras de um modo geral foram transformadas em butins eleitorais, tomadas pela classe política como objetos de barganhas eleitoreiras que as conduzem de forma acelerada ao caos e à metástase urbana que assistimos e sofremos. Fica cada vez mais claro que as cidades brasileiras só terão a qualidade que a população exige e tem direito no dia em que forem retomadas pela cidadania. O resgate da cidade pelo cidadão, seu verdadeiro dono, passa pelo resgate do bem comum como objetivo máximo de uma nação, a reproclamação da República e, como me disse Francisco, a reabilitação da verdadeira Política como a principal ferramenta de sua realização. 
(Publicado em 06/08/13 pelo Diário de Cuiabá)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

REVENDO ARTIGOS PASSADOS

Com postagens a cada quinta feira, inicio hoje a postagem de meus artigos antigos publicados em jornais e revistas diversos,  como uma forma de rever o passado, não apenas numa visão saudosista, mas como eventual subsídio aos que se interessam em tentar compreender o que se passa hoje e àqueles que se preocupam com a construção do futuro. (As fotos são adicionadas com a postagem).


SÁBADO, 5 DE JANEIRO DE 1991

(Publicado pelo extinto Jornal do Dia)

CUIABÁ E O ANO DE 1990

José Antonio Lemos dos Santos

     Uma retrospectiva sobre o desenvolvimento de nossa cidade em 1990 não pode deixar de basear-se primeiramente nas grandes questões que se encontravam pendentes no seu alvorecer, entre elas a ligação ferroviária, a hidrelétrica de Manso e a saída para o Pacífico.
     E, 90, logo após sua posse, o presidente Collor esteve na fazenda Itamaraty, do mesmo proprietário da Ferronorte, dando a entender q importância da chamada ferrovia Leste-Oeste para o seu governo. Essa importância talvez tenha algo a ver com a denominação de “ano ferroviário” para o ano de 91 dada, em recente entrevista, pelo ministro da Infra-Estrutura, o qual, por sinal, tem como seu secretário geral o conterrâneo Simá de Freitas, nomeação destacável por si só, mas que também pode constituir mais uma evidência em favor do nosso antigo sonho ferroviário.
Ponte Rodoferroviária SP-MS, 3700 m, inaugurada em 1998  (Imagem: santafedosul.sp.gov.br)

     Destaca-se no caso da ferrovia o compromisso público do governador de São Paulo, que quer ser presidente, em iniciar a tão esperada ponte sobre o rio Paraná. Cabe ser lembrado também o dispendioso encarte na revista Veja, patrocinado por Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo, defendendo que a ferrovia passe por seus territórios. Assim, a ligação ferroviária virou um projeto nacional, restando saber qual o seu percurso. Por que não começar por Cuiabá enquanto se discute o resto?
     Outra questão pendente era a saída para o Pacífico através da Bolívia, e as informações são de que a estrada está em construção, ainda que com dificuldades, tanto do lado do Brasil quanto da Bolívia. De qualquer forma em 90 já começaram a se tornar comuns visitas a San Matias.
     Quanto à Usina de Manso, aconteceu aquilo que de melhor poderia ter acontecido: entrou no orçamento da União. Nestes tempos de crise trata-se de algo que não pode ser menosprezado, o que infelizmente vem sendo feito. Foi uma grande conquista, cabendo agora aos políticos e às lideranças mais diretamente interessadas garantir que esses recursos sejam realmente efetivados.
     1989 deixou para 1990 o início da instalação da fábrica da Antarctica. Depois de muitas postergações a Licença Ambiental foi concedida e, ao final, não se sabe em que pé está a situação. Um estado que precisa de empregos e renda deve preparar-se para respostas mais rápidas e precisas na área do meio ambiente, principalmente a respeito de indústrias alimentícias e outros tipos de agroindústrias de impactos ambientais relativamente baixos. Se não pudermos ter esse tipo de indústria, que outro tipo de industrialização nos restaria?
     Fora estas questões advindas de anos anteriores, 1990 foi muito restrito em novidades. Foram aprovadas as novas Leis Orgânicas de Cuiabá e Várzea Grande e a prefeitura iniciou a implantação do Instituo de Pesquisas e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá (IPDU). Tivemos finalmente as imagens da TV Universitária e a UFMT poderia fazer o mesmo com a FM Educativa.. Permanece entretanto o absurdo dos cuiabanos e varzeagrandenses não terem acesso as programações das redes Manchete e SBT.
     90 trouxe a seleção brasileira de futebol, e temos a notícia de sua volta em 91. O Muxirum Cuiabano consolidou-se como o grande movimento cultural pelos nossos valores e, na sua esteira, firmou-se a figura de Liu Arruda, criando tipos magníficos, produzindo arte das mais puras em terreno perigosamente próximo ao deboche e ao ridículo.
     Contudo a grande notícia do ano, embora tão pouco divulgada, é a da vinda do Papa João Paulo II à nossa cidade em outubro próximo. Poucas cidades começarão melhor a última década do século. Como os recursos para Manso, esta visita também pode não se efetivar, o que será bem difícil, principalmente se toda a comunidade, com suas autoridades, interessar-se objetivamente pela sua realização. 


















Imagens: vgnoticias.com.br









terça-feira, 19 de junho de 2012

ELEFANTES DOURADOS

                                   


José Antonio Lemos dos Santos


      As novas arenas multifuncionais que se instalam hoje pelo mundo não podem ser confundidas com os antigos estádios de futebol. Trata-se de um novo tipo de edifício, resultante de um programa de necessidades novo gerado a partir de demandas e possibilidades técnicas do mundo atual, como a internet e a TV via satélite. A arena moderna é filha do tempo atual, irmã da lan house e do tablet, assim como surgiram como novidades cada qual em sua época o anfiteatro romano, os aeroportos e shoppings centers. As atuais arenas são complexas plataformas midiáticas globais a partir das quais são gerados eventos que extrapolam o interesse local, podendo chegar ao nível de uma audiência planetária, como os casos dos jogos de uma Copa do Mundo ou Olimpíada, ou um show do U2. Sua viabilidade está em audiências nacionais e até mundiais possibilitadas pela TV e internet através de direitos de transmissão e publicidades, não mais pela antiga bilheteria local.

     A um custo final na casa dos R$ 600,0 milhões, mais cerca de R$ 250,0 milhões equivalentes à perda do antigo Verdão, a Arena Pantanal será o maior equipamento urbano construído em Cuiabá, só perdendo para o complexo Termelétrica/Gasoduto que envolveu próximo de 1,0 bilhão de dólares. É um fato concreto, irreversível, já avançado em quase 50% de suas obras e é necessário que as autoridades, os especialistas e a população em geral tenham a compreensão correta do que seja este novo equipamento urbano, para que se possa extrair dele todas as imensas potencialidades que traz para a cidade e o estado, que ultrapassam em muito seu valor de construção e manutenção.

      Tem que ser pensado como poderosa ferramenta de promoção de desenvolvimento regional. O mundo hoje é midiático, globalizado e plano. Só é periferia quem quer. Quem não estiver na vitrine global, não existe, fica para trás, morre. As arenas estão sendo inventadas e construídas agora para colocar um país, uma cidade ou região aos olhos do mundo, fazendo seu marketing, mostrando aquilo que tem para oferecer ao mundo. É claro que a região tem que ter o que mostrar. E o Brasil constrói suas 12 primeiras arenas, uma delas em Cuiabá tendo o Pantanal como âncora. Só que Mato Grosso tem muito mais que as maravilhas do Pantanal. Tem alimentos, biocombustíveis, o centro da América do Sul, as belezas amazônicas, o cerrado, as atrações da agropecuária mais desenvolvida no mundo, as culturas locais pré e pós-colombianas, e até um especial e atrativo calor escaldante e sadio.

     Por isso as arenas têm que ser entendidas, em especial em Mato Grosso, como base de uma política bancada pelo estado para o desenvolvimento regional multisetorial e só funcionará em conjunto com outras ferramentas e segmentos que lhes sejam compatíveis em atualidade. O retorno integral de seu investimento envolverá uma enorme parcela não contabilizável espalhada em diversos setores da sociedade, direta e indiretamente e refletirá nas exportações, na ocupação hoteleira, no comércio local, na cultura globalizada trazida e levada pelo turismo, na preparação das cidades para esse novo tempo.

     Mato Grosso terá o privilégio de uma dessas estruturas fantásticas. Elas exigem um modelo de gestão à sua altura e à altura do mundo de hoje. Será preciso saber trabalhar com essa nave galáctica que pousou em Cuiabá aproveitando as experiências semelhantes que já existem pelo mundo. Nada de elefantes brancos! Na verdade Mato Grosso ganhou a força de um elefante dourado que irá impulsioná-lo ainda mais em sua integração produtiva com o planeta, levando suas potencialidades, produtos e belezas naturais aos olhos de todo o mundo. Não pode continuar sendo confundido com um estádio de futebol.


(Publicado em 19/06/2012 pelo Diário de Cuiabá)
 

terça-feira, 29 de maio de 2012

O CUIABANO QUE TROUXE A COPA

                            Dutra o primeiro a subir a rampa do Maraca.  (Foto extraída de jblog.com.br)      


José Antonio Lemos dos Santos

Toda cidade é um centro produtor, só que a produção de uma cidade vai muito além da produção econômica. Seu principal produto é a sua gente e a qualidade de seu povo deveria ser a melhor medida de seu sucesso. Por isso as cidades lembram seus vultos como modelos para reproduzi-los em todas as áreas. Nos meus tempos de grupo escolar, estudávamos suas vidas para aprender com eles e respeitá-los, e através deles, respeitar nossa gente, a boa cepa de onde surgiram.

No último dia 18 devíamos ter reverenciado Dutra, o cuiabaninho vendedor de bolos do Mundéu que chegou a presidente da República. Filho de viúva de veterano da Guerra do Paraguai, pobre, sem nenhuma ajuda saiu daqui lavando pratos nas lanchas e trens que o levaram a um colégio militar, e de lá chegou à Presidência da República e à História do país. Foi e venceu, mantendo forte influência na política brasileira até o fim da vida. Um orgulho nacional, cujo aniversário passou despercebido em sua própria terra. Nem em artigo meu como faço anualmente. Optei em cobrar as obras do Aeroporto Marechal Rondon. Mais de três anos – 3 anos! - após Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa, até hoje a Infraero não aprontou sequer o projeto para a ampliação do aeroporto! Até parece que a Infraero não quer Cuiabá sediando a Copa do Pantanal.

Mas o aniversário de Dutra não pode passar em branco. Injustiçado pela história oficial, sua vida pública inicia como Ministro da Guerra, onde ficou por 9 anos – o ministro mais duradouro - onde criou a FEB e depois, com o apoio dos oficiais vitoriosos contra as ditaduras nazifacistas, forçou a queda do ditador Getúlio. E de ministro foi a presidente pelo voto do povo, tendo sido um dos mais importantes pelas inovações que trouxe ao Brasil. De imediato convocou a Constituinte organizando a volta do país à democracia. Eleito para um mandato de seis anos curvou-se à nova Constituição aceitando os cinco anos que estabelecia, mesmo sendo presidente e o militar mais poderoso do país. Aos que temiam a volta de Getúlio e queriam que ficasse mais um ano, respondeu: “nem um minuto a mais, nem um minuto a menos do que manda o livrinho”. Virou “o homem do livrinho”, da Constituição mais democrática que o Brasil já teve, assinada por ele. 


Dutra introduziu o planejamento no Brasil com o Plano SALTE e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida com a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o conceito de Produto Interno Bruto e pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra. Criou o Instituto Rio Branco, base da qualidade de nossa diplomacia, e a CHESF. É dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, fundamento da inteligência estratégica nacional. Criou ainda os sistemas SESI, SESC e SENAI, e durante seu governo foi inaugurada a TV no Brasil. Ficou com a culpa do fechamento do Partido Comunista, na verdade uma decisão do STJ, e por isso e por ter fechado os cassinos desagradou à esquerda, matriz dos historiadores, jornalistas e artistas da época, e foi jogado ao ostracismo.
                                   Dutra assina Decreto de criação do Sesi. (sesisp.org.br)
Foto viadutra.com.br

Fato importante para Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, foi o cuiabano Dutra quem trouxe para o Brasil a primeira Copa do Mundo, em 1950. Queria mostrar ao mundo um Brasil novo, com grandes cidades, que deixava de ser rural e se industrializava. Construiu o Maracanã, o maior do mundo, um dos motivos da paixão nacional pelo futebol. Uma das promessas iniciais da Copa do Pantanal foi a criação do Memorial Dutra, uma justa e oportuna homenagem a um presidente tão importante para todos os brasileiros em sua terra natal. Um projeto que não pode ser esquecido pelos cuiabanos. 

(Publicado em 29/05/2012 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, Hipernoticias, Blog do João Bosquo, Página do Enock, Varanda Cuiabana, Brasilocal, RepórterMT,)
                                                           


domingo, 11 de março de 2012

ENTREVISTA

Veja a entrevista dada na TV Record Cuiabá (Canal 10) em 06/03/2012 tratando das obras da Copa:

http://www.grupogazeta.com.br/video/play/id/6546/programa/3

terça-feira, 22 de março de 2011

DUTRA, UM GRANDE PRESIDENTE

José Antonio Lemos dos Santos


     A visita de Barack Obama ao Brasil no último fim de semana foi oportunidade para se relembrar Dutra, ao menos como um dos poucos presidentes que receberam um colega americano e o único presidente brasileiro a desfilar em carro aberto em Nova Iorque, com chuva de papel picado. Também foi chance para a mídia nacional lembrar a piadinha do Dutra recebendo Truman, uma piada como as que correm sobre todos os presidentes, em especial os com algum problema físico, no caso, de dicção, como o Lula e o rei da Inglaterra, que até ganhou Oscar por isso. Aliás, talvez também fosse oscareado um filme sobre esse pequeno cuiabano tatibitate, vendedor dos bolinhos de sua mãe nas ruas de Cuiabá, que pagou lavando pratos suas passagens para ir estudar, chegar à Presidência da República e entrar para a História do país. Foi e venceu, mantendo-se até o fim da vida como uma das maiores influências na política brasileira. Um orgulho nacional, um exemplo.
     Injustiçado pela história e pela mídia, a grandeza de Dutra começa em sua origem humilde. Sua vida pública inicia como Ministro da Guerra, permanecendo nesse cargo por 9 anos - o mais duradouro dos ministros - onde criou a FEB e depois, com o apoio dos oficiais vitoriosos contra as ditaduras nazi-facistas européias, forçou a queda do ditador Getúlio. E de ministro foi a presidente, pelo voto do povo. Se não foi o melhor dos presidentes, foi, seguramente, um dos mais importantes pelas inovações que trouxe ao Brasil. Como presidente logo convocou a Constituinte organizando a volta do país à democracia. Eleito para um mandato de seis anos, e mesmo sendo presidente e o militar mais poderoso do país, curvou-se à nova Constituição aceitando os cinco anos que estabelecia. Aqueles que temiam a volta de Getúlio e queriam que ficasse o ano a mais a que teria direito, respondeu: “nem um minuto a mais, nem um minuto a menos”. Virou “o homem do livrinho”, o homem da nova Constituição Federal assinada por ele, a mais democrática que o Brasil já teve. Essa piadinha é pouco lembrada.
     Dutra introduziu o planejamento no Brasil, com o Plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia) e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida com a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o hoje tão usado conceito de Produto Interno Bruto e pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra. Criou o Instituto Rio Branco, base da qualidade de nossa diplomacia, e a CHESF, e é dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, fundamento da inteligência estratégica nacional. É ainda de Dutra a criação do SESI e do SENAI, de onde saiu o Presidente Lula, e no seu governo foi inaugurada a TV no Brasil. Injustamente ficou com a culpa do fechamento do Partido Comunista, na verdade uma decisão do STJ. Por isso e por ter fechado os cassinos desagradou a esquerda, matriz dos historiadores, jornalistas e artistas da época, principais formadores da opinião pública, e foi jogado ao ostracismo.
     Dutra foi também o responsável pela realização em 1950 da primeira Copa do Mundo no Brasil. Queria mostrar ao mundo um Brasil novo, com grandes cidades, que deixava de ser rural e se industrializava. Assim, constrói o Maracanã, o maior estádio de futebol do mundo, uma das razões para a fixação do futebol como paixão nacional. Daí que uma das principais promessas da Agecopa para a Copa do Pantanal é a criação do Memorial Dutra no local onde hoje funciona o Centro de Reabilitação Dom Aquino, no que poderia ter a parceria do SENAI nacional, numa justa e oportuna homenagem ao seu criador em sua terra natal, um presidente tão importante para os industriários brasileiros, para o futebol nacional e para o Brasil.

sábado, 5 de janeiro de 1991

CUIABÁ E O ANO DE 1990

José Antonio Lemos dos Santos


     Uma retrospectiva sobre o desenvolvimento de nossa cidade em 1990 não pode deixar de basear-se primeiramente nas grandes questões que se encontravam pendentes no seu alvorecer, entre elas a ligação ferroviária, a hidrelétrica de Manso e a saída para o Pacífico.
     E, 90, logo após sua posse, o presidente Collor esteve na fazenda Itamaraty, do mesmo proprietário da Ferronorte, dando a entender q importância da chamada ferrovia Leste-Oeste para o seu governo. Essa importância talvez tenha algo a ver com a denominação de “ano ferroviário” para o ano de 91 dada, em recente entrevista, pelo ministro da Infra-Estrutura, o qual, por sinal, tem como seu secretário geral o conterrâneo Simá de Freitas, nomeação destacável por si só, mas que também pode constituir mais uma evidência em favor do nosso antigo sonho ferroviário.
     Destaca-se no caso da ferrovia o compromisso público do governador de São Paulo, que quer ser presidente, em iniciar a tão esperada ponte sobre o rio Paraná. Cabe ser lembrado também o dispendioso encarte na revista Veja, patrocinado por Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo, defendendo que a ferrovia passe por seus territórios. Assim, a ligação ferroviária virou um projeto nacional, restando saber qual o seu percurso. Por que não começar por Cuiabá enquanto se discute o resto?
     Outra questão pendente era a saída para o Pacífico através da Bolívia, e as informações são de que a estrada está em construção, ainda que com dificuldades, tanto do lado do Brasil quanto da Bolívia. De qualquer forma em 90 já começaram a se tornar comuns visitas a San Matias.
     Quanto à Usina de Manso, aconteceu aquilo que de melhor poderia ter acontecido: entrou no orçamento da União. Nestes tempos de crise trata-se de algo que não pode ser menosprezado, o que infelizmente vem sendo feito. Foi uma grande conquista, cabendo agora aos políticos e às lideranças mais diretamente interessadas garantir que esses recursos sejam realmente efetivados.
     1989 deixou para 1990 o início da instalação da fábrica da Antártica. Depois de muitas postergações a Licença Ambiental foi concedida e, ao final, não se sabe em que pé está a situação. Um estado que precisa de empregos e renda deve preparar-se para respostas mais rápidas e precisas na área do meio ambiente, principalmente a respeito de indústrias alimentícias e outros tipos de agroindústrias de impactos ambientais relativamente baixos. Se não pudermos ter esse tipo de indústria, que outro tipo de industrialização nos restaria?
     Fora estas questões advindas de anos anteriores, 1990 foi muito restrito em novidades. Foram aprovadas as novas Leis Orgânicas de Cuiabá e Várzea Grande e a prefeitura iniciou a implantação do Instituo de Pesquisas e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá (IPDU). Tivemos finalmente as imagens da TV Universitária e a UFMT poderia fazer o mesmo com a FM Educativa.. Permanece entretanto o absurdo dos cuiabanos e varzeagrandenses não terem acesso as programações das redes Manchete e SBT.
     90 trouxe a seleção brasileira de futebol, e temos a notícia de sua volta em 91. O Muxirum Cuiabano consolidou-se como o grande movimento cultural pelos nossos valores e, na sua esteira, firmou-se a figura de Liu Arruda, criando tipos magníficos, produzindo arte das mais puras em terreno perigosamente próximo ao deboche e ao ridículo.
     Contudo a grande notícia do ano, embora tão pouco divulgada, é a da vinda do Papa João Paulo II à nossa cidade em outubro próximo. Poucas cidades começarão melhor a última década do século. Como os recursos para Manso, esta visita também pode não se efetivar, o que será bem difícil, principalmente se toda a comunidade, com suas autoridades, interessar-se objetivamente pela sua realização.

José Antonio Lemos dos Santos, cuiabano, arquiteto.

(Publicado pelo extinto Jornal do Dia em 05/01/1991)