"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

O ESTÁDIO DO LICEU

Estádio do Liceu Cuiabano (Foto José Lemos)
José Antonio Lemos dos Santos
     Sábado passado à tarde (31/09) vinha pela Getúlio Vargas e ao passar pela bela fachada Art Decô do estádio do Liceu Cuiabano vi os portões do campo abertos. O sol e o calor estavam de rachar e, como ralos flocos de neve no início dos invernos de outras terras, completando o ambiente caiam do céu flocos cinzentos da vegetação incinerada pelo fogaréu que nos cerca nesta época do ano. Meio abandonado o espaço, resolvi entrar. Fotografei. Logo muitas recordações. Fiz parte do antigo ginasial naquele maravilhoso colégio e dele guardo muitas lembranças boas de colegas, professores, funcionários e de algumas armações comuns à adolescência. Ruim de bola, usei o campo mais nas aulas de Educação Física.
     Mas o estádio me traz outras indeléveis lembranças. Por exemplo, foi no Liceu que assisti pela primeira vez a um jogo de futebol em um estádio, com times de futebol organizados participando de um campeonato oficial. Eu devia ter entre 9 e 10 anos e disputavam Clube Atlético Mato-grossense versus Mixto Esporte Clube, clássico local apelidado de CAM-MEC. Era manhã de um domingo, o estádio lotado apesar da concorrência do inesquecível “Domingo Festivo na Cidade Verde”, de Adelino Praeiro e Alves de Oliveira, programa musical e de variedades ao vivo no Cine Teatro, de enorme sucesso. Não me lembro o placar final, o de menos diante do deslumbramento vivido, mas lembro dos craques Bianchi e Portela, um de cada lado, e até hoje ressoa em meus ouvidos uma falta cobrada da intermediária pelo Bianchi. A bola passou por cima da meta e acertou uma das barras de ferro que existiam atrás do gol em uma estrutura (demolida) destinada à Educação Física, barra que ficou zunindo por um tempo como a frágil corda de um instrumento musical. E até hoje zune entre as minhas melhores lembranças.
     Do passado para o presente, vimos por algum tempo uns alunos do Liceu Cuiabano em portas de bancos e nos cruzamentos mais movimentados das proximidades vendendo rifas para ajudar o time deles a participar de campeonatos fora de Cuiabá. Não os tenho visto ultimamente. Espero que não tenham sumido por desistirem do seu esporte por falta de apoio, seria triste já que uma das alternativas ao esporte é a droga. Mas o caso do estádio do Liceu e o dos jovens atletas são gêmeos e vêm do descaso dos nossos sucessivos governantes para com o esporte.
Arquibancadas do estádio do Liceu Cuiabano (Foto José Lemos)
     E dizem que Cuiabá não tem estádios e que por isso todos os jogos em todas as categorias do futebol profissional e amador, e mesmo do nosso ótimo e promissor futebol americano, têm que ser realizados na espetacular Arena Pantanal, sacrificando seu precioso gramado de Copa do Mundo que devia ser peça de propaganda positiva de Cuiabá e Mato Grosso nas transmissões pela TV e Internet e não objeto de comentários depreciativos. Não seria o caso de juntar as duas coisas e o governo estadual, que agora finalmente vem dando alguma atenção à Arena Pantanal, viabilizar uma reformazinha no estádio do Liceu Cuiabano e nos horários não utilizáveis pela própria escola alugá-lo às federações para a realização de seus jogos de menor afluência de público? Outro dia aconteceu um jogo na Arena com um público de 12 pessoas! Deve ter custado caro ao mandante do jogo e mais ao gramado.
     Mas, esta proposta só fará sentido se o resultado do aluguel for de fato destinado à promoção das diversas modalidades esportivas no Liceu Cuiabano, o mesmo que por um tempo se chamou Colégio Estadual de Mato Grosso e que em sua história formou figuras exponenciais como o Marechal Rondon, reconhecido internacionalmente como um dos vultos mais importantes da Humanidade e o Marechal Dutra que de menino pobre vendedor de bolinhos em nossas ruas chegou à presidente da República.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A PÉROLA MATO-GROSSENSE



José Antonio Lemos dos Santos

     A Arquitetura tem o condão de expressar seu tempo e suas obras são adotadas como marcos civilizatórios das diversas sociedades ao longo da história. Pode ser uma residência, catedral, castelo ou um palácio. Muitas vezes pode até parecer estar à frente de sua época, e nestes casos ela causa surpresa, estranheza, um espanto criativo que empurra a sociedade aos seus novos limites em cada tempo que se vive.
     Aqui em Cuiabá foi construída a Arena Pantanal como ápice das obras preparatórias da cidade para a Copa 2014. Seria o palco global da grande festa, a pérola coroando o conjunto de investimentos especialmente preparado para a Copa. Além de bela e plena em inovações instigantes, deveria ser também uma ferramenta múltipla “linkada” com o planeta para o desenvolvimento de Cuiabá e Mato Grosso em diversos campos, seja no esporte, em especial o futebol, na cultura, na saúde, no turismo, ela própria uma poderosa atração adicional neste centro sul-americano, às bordas do Pantanal, da Chapada, do Cerrado, da Amazônia e das belezas artificiais das grandes criações e plantações high-tech que ajudam a matar a fome no mundo.
     Mas o processo civilizatório não atinge a todos ao mesmo tempo. Enquanto a Arena e a própria Copa expressavam a vanguarda dos tempos atuais de globalização, compartilhamento, smartphone, aviões a jato, computadores e internet, muitos ainda não entenderam seu significado e o quanto ela representa como expressão dos novos patamares de desenvolvimento de Mato Grosso e sua gente. No Brasil e também em Mato Grosso os gestores públicos ficaram para trás, aqui a quilômetros do processo de desenvolvimento estadual. Não estavam e não estão à altura da nossa Arena e do desenvolvimento do estado. Tenho grandes esperanças de que a nova safra estadual de gestores ainda vai evoluir com o trabalho que inicia, colocando-se à altura da Arena Pantanal e deste Mato Grosso campeão. A Arena e o desenvolvimento de Mato Grosso são frutos do trabalho sofrido do mato-grossense que exige respeito com as coisas que lhe são caras e importantes.
     Considerada pelos jornalistas estrangeiros presentes no Brasil como a Arena mais funcional da Copa 2014 e a sétima mais fantástica do mundo por importante jornal espanhol, a Arena nos encheu de orgulho, nós que temíamos ser a vergonha da Copa, como queriam e torciam muitos por este Brasil afora. Hoje o povo aos milhares a abraça diariamente nas manhãs e tardes, frequentando sua ampla praça de entorno para brincar, caminhar, correr, enfim exercitar a vida com qualidade. Porém, ao fim do ano foi abandonada pelos seus gestores, aqueles pagos para cuidar dela. Com transmissão via satélite para o Brasil e o mundo, deixaram faltar água nos jogos do Corinthians e da Seleção Brasileira e eletrocutaram a égua Andrômeda ao final do jogo São Paulo e Santos. Depois deixaram secar o gramado. Agora, às vésperas da abertura do campeonato, com ampla repercussão negativa interditam a Arena para reparos que duram uma semana. Mesmo assim, a pérola da Copa reluz e foi selecionada entre as 32 que concorrem como a melhor do mundo em 2014 pelo mais importante site internacional especializado em estádios. Das 12 da Copa apenas 6 foram selecionadas. Já votei.
     Com os cuidados recebidos durante a interdição e que deveriam ser constantes, a Arena está de novo bela e pronta para neste domingo receber seu povo na festa de abertura do campeonato mato-grossense, com Cuiabá, Dom Bosco, Mixto e Operário em rodada dupla. A Arena Pantanal é para ser um marco de orgulho, qualidade de vida e desenvolvimento. Mas ainda precisamos crescer para estar à sua altura.
(Publicado em 29/01/15 pelo site informativo do CAU-MT, Blog do José Lemos, no dia 31/01/15 pelo Diário de Cuiabá, no dia 02/02/15 pelo Midianews, no dia 03/02 pelo PautaExtra,...)

Comentários fora do Blog:

No Diário de Cuiabá:
"Data:31/01/2015 00:15
Nome:Claudia
Profissão:estudante
Localidade:Cuiabá/MT
ATÉ TU??? FIQUEI DESAPONTADA."
"Data:31/01/2015 14:34
Nome:MARCELO AUGUSTO PORTOCARRERO
Profissão:Engenheiro
Localidade:Cuiabá/MT
Parabéns pelo excelente texto."

No Midianews:

"Elias Neves  02.02.15 08h26
por favor, por favor repito: de onde este comentarista tirou esta conclusão? A obra da Arena está com sérios problemas, um investimento milionário para atender a FIFA enquanto sequer um hospital de qualidade temos. Volto a repetir: por favor, não diga o absurdo!"

"marcos vinícius  02.02.15 12h50
Novamente meu amigo você acertou na veia.A pequenez das ideias e os achismos devem ser expostos para que o nosso estado volte a ser o que sempre deveria ter sido. Um grande abraço."
"marcelo sóter  02.02.15 18h48
Que louco este texto. Nada haver, onde este cara mora".


terça-feira, 2 de setembro de 2014

UMA MATRIZ PARA O TRICENTENÁRIO

wikipedia

José Antonio Lemos dos Santos

     Há duas semanas o professor Benedito Pedro Dorileo em um de seus belos e importantes artigos lembrou dos 120 anos de Zulmira Canavarros que serão comemorados no próximo ano e sugere que nessa comemoração seja lançada a pedra fundamental do Teatro Municipal de Cuiabá que teria o nome da homenageada e que se constituiria em marco dos 300 anos de Cuiabá. Teatróloga, musicista, poeta, ativista social, pioneira em diversas áreas da cultura cuiabana, Zulmira Canavarros marcou profundamente ao menos a geração de minha mãe, que sempre fazia referências a ela, seja através de uma música, de uma poesia e até de lembranças do time de vôlei do Mixto, no qual jogou e do qual guardava uma velha foto amarelada. Para mim a obra mais marcante de Zulmira Canavarros é o hino do Mixto, sem dúvida um dos mais belos hinos de clubes de futebol do Brasil, beleza que para quem ainda não conhece pode ser facilmente conferida no Youtube. E olha que não sou mixtense. 
     Desnecessário falar sobre os méritos da professora Zulmira para homenagens como a sugerida. Trago o assunto em especial pela oportuna lembrança do tricentésimo aniversário de Cuiabá que está por acontecer em 2019 e que daqui até lá já faltam menos de 5 anos. Uma das grandes lições da Copa foi, ou deveria ter sido, que 5 anos é pouco tempo para qualquer programação de obras de importância. Então, veio em boa hora o artigo do professor Benedito Dorileo abordando o assunto. Ou seja, se quisermos fazer alguma coisa significativa para o Tricentenário temos que começar agora, ou melhor, já deveríamos ter começado. Para termos o Teatro Municipal de Cuiabá como um justo presente para cidade em seu Tricentenário é preciso decidir agora para que no ano que vem seja lançada a pedra fundamental, marcando também os 120 anos do nascimento da grande intelectual cuiabana, abrindo assim um cronograma de obras seguro para que tudo aconteça com qualidade e no tempo certo. 
     Tenho repetido muitas vezes desde que ganhamos a oportunidade da Copa do Pantanal, que a realização deste grande evento em Cuiabá foi um artifício do Bom Jesus de Cuiabá para dar um choque de adrenalina em nós cuiabanos, preparando-nos para os novos tempos de dinamismo que a cidade vive, de modo a poder prepará-la para o Tricentenário. Também um treinamento técnico, político e administrativo. Será que aproveitamos? Acho que não. O Tricentenário, nossa maior efeméride no século se aproxima e ainda não nos movemos, faltando menos de 5 anos. 
     A Copa, em termos de planejamento já passou. É verdade que temos que cobrar, exigir a conclusão com rapidez de todas as suas obras, com qualidade, segurança e respeito ao dinheiro público. Mas, em termos de planejamento, o que nos interessa agora é continuar olhando para o futuro – um dos maiores legados da Copa - e o próximo marco são os 300 anos de Cuiabá. A exemplo da matriz de responsabilidades assumida com o governo federal e a Fifa é preciso que de imediato se pense em uma matriz de compromissos para com o Tricentenário, agora assinada entre os cuiabanos e sua cidade, entre os mato-grossenses e sua capital, e entre os brasileiros e uma das cidades que mais contribuíram para a grandeza do território nacional e hoje articula uma das regiões que mais enriquecem os saldos comerciais do país. Duas obras abririam muito bem a matriz do Tricentenário: o Teatro Municipal Zulmira Canavarros e a revitalização do Centro Histórico de Cuiabá, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, com o indispensável e muitas vezes prometido projeto de rebaixamento da fiação ampliado a toda a Zona Central da cidade. É claro que outros projetos poderão ser selecionados, com pés no chão, mas com visão ampla, compatível com a história e o futuro da cidade. Mas é preciso começar já. 
(Publicado em 02/09/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)

terça-feira, 22 de abril de 2014

BELÍSSIMA!


 José Antonio Lemos dos Santos

     Arquitetura é a arte de transformar o espaço de acordo com as necessidades do homem. Só que nem todas as transformações deste tipo podem ser consideradas Arquitetura, assim como nem toda escrita é Literatura, nem toda cura é Medicina, nem toda justiça é Direito. Foi Vitrúvio, um arquiteto do primeiro século depois de Cristo, quem complementou nossa definição de Arquitetura dizendo que para alcança-la uma construção deveria necessariamente ter três temperinhos fundamentais, chamados por ele de “Firmitas, Utilitas et Venustas”. Usou o latim que era a sua língua e no caso continuamos a usá-la ainda hoje, não por pernosticismo, mas por absoluta falta de palavras em Português que possam expressar todo o significado de cada um desses elementos que ficaram conhecidos como Tríade Vitruviana. “Firmitas” vai além da firmeza que o termo sugere e envolve também, por exemplo, as noções de estrutura, solidez, segurança e até nossa atual sustentabilidade. Já a “Utilitas” vai além da utilidade envolvendo também a funcionalidade, comodidade e o conforto. “Venustas” ultrapassa a estética e a beleza, e alcança também a zona mágica do encanto, deslumbramento e do fascínio. A utilização de qualquer uma dessas palavras em Português por certo reduziria em muito o verdadeiro significado da Tríade e da verdadeira Arquitetura. 
     Armado só com o conceito de Arquitetura apreciamos a Arena Pantanal na noite de sua pré-inauguração, 2 de abril de 2014, jogando Mixto e Santos pela Copa Brasil. A Arena Pantanal sempre despertou enorme expectativa enquanto Arquitetura, uma vez que seu projeto chegou a ser premiado dentro e fora do país e recebeu alguns elogios na imprensa, em especial, estrangeira. A ideia era observar a reação dos usuários em seu primeiro contato com este novo espaço que surge na cidade, afinal a Arquitetura é feita para o homem e aquela seria uma oportunidade ímpar para se observar as primeiras e mais espontâneas reações. Seriam de segurança, conforto e encantamento? Ou de decepção? 
     E o que vi foi uma autentica festa, desde a caminhada forçada a pé pela área restrita ao trânsito de veículos, com o público fazendo brincadeiras simpáticas disfarçando a forte expectativa pelo que veriam na nova Arena. Chegando pelo lado leste, diante daquela ampla esplanada tendo ao fundo a Arena Pantanal iluminada, pude assistir a um dos maiores espetáculos de encantamento coletivo. Lembrou-me o filme Contatos Imediatos de Spielberg, com o povo em figuras minúsculas diante da nave espacial fantástica vista pela primeira vez. Fotos de grupos, “selfies” apressados diante da ansiedade em chegar logo ao interior da espaçonave, digo, da Arena Pantanal.     
     

Foto José Lemos

     E dentro da Arena, a realização do prazer arquitetônico. Um espaço magnífico transmitindo a todos um sentimento de satisfação e de orgulho. “Firmitas, Utilitas et Venustas” mostravam-se presentes, em especial no espetáculo luminotécnico, na audácia das coberturas suspensas em grandes pórticos e no esplendor verde do gramado, digno de substituir o do saudoso Verdão, tido como o melhor gramado do Brasil. Ouviu-se bastante a expressão “nem parece Cuiabá”, talvez querendo dizer que nem parecia realidade, que tudo parecia um sonho.
     Depois daquela noite mágica voltei algumas vezes à Arena Pantanal pelo lado externo e pude observar que a população já adotou suas grandes praças como áreas de passeio e lazer com um número muito grande de pessoas em caminhadas e corridas, famílias reunidas em pé ou sentadas em cadeiras trazidas de casa, jovens e crianças em patins, skates, pipas e bicicletas usufruindo aquele novo espaço público. Oxalá consigamos mantê-la cada vez mais útil e bela. Belíssima!  
  


Fotos José Lemos
(Publicado em 22/04/2014 pelo Midianews, Página do Enock, RepórterMT,  e excepcionalmente no dia 23/04/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A ARENA DE MINHA JANELA

Após ter sido realizado seu primeiro jogo teste no dia 02/04/2014 passado, entre Mixto e Santos, posto a última foto desta série de acompanhamento da construção da Arena Pantanal a partir da varanda de meu apartamento. Veja:
Foto José Lemos

Compare com a maquete ao final das postagens e mande seu comentário. 


 Dá para comparar com a situação a 1 ano atrás (04/03/13):

Foto José Lemos
                                                                                    

E com 2 anos atrás, dia 4 de março de 2012, momentos de mais dúvidas que certezas.   Veja:
Foto: José Lemos



Era para ficar pronta em outubro de 2013. Foi prorrogado para dezembro, depois para janeiro de 2014, agora para março, com inauguração ainda em março. O primeiro grande jogo Mixto x Santos pela Copa Brasil, no dia 02/04/2014, com meia carga de público por exigência do primeiro teste, mas com metade das cadeiras instaladas. Depois Luverdense x Vasco, pela série C do Campeonato Brasileiro. Confira com a maquete para ver se ficou parecida:


terça-feira, 1 de outubro de 2013

CADEIRAS E CARAPUÇA

José Antonio Lemos dos Santos
www.olharcopa.com.br

     O maior sentido da Copa para Cuiabá é a oportunidade de grandes investimentos públicos e privados deixando importante legado em favor da qualidade de vida de seus habitantes. Uma chance de ouro para investimentos que de outra forma a cidade não veria em décadas. E bota décadas nisso. Ainda com uma imensa vantagem adicional: por ser um compromisso internacional do país, tudo está sendo feito sob os olhos atentos da imprensa nacional e internacional de maior confiabilidade pública que os dos sistemas oficiais de controle, os quais também se esforçam para não ficar para trás. Nunca um pacote de investimentos foi tão fiscalizado publicamente, certamente que ainda não o suficiente para acabar de vez com as “tenebrosas transações” que alquebram o Brasil. Assim, meio que brincando tenho dito que a Copa foi uma sacudida do Senhor Bom Jesus em nós cuiabanos para que preparemos bem sua cidade para o Tricentenário em 2019. 
     Sem querer rediscutir o que já está decidido e em fase avançada de implantação, sou dos que entendem que Cuiabá está ganhando com a Arena não só um estádio de futebol, mas uma arena multifuncional, equipamento de ponta em tecnologia de eventos de âmbito nacional e global, permitindo à cidade entrar na disputa pelos megaeventos via satélite e internet, apoiada no charme do centro sul-americano, das belezas naturais do Pantanal e Chapada, do cerrado e Amazônia, e das maravilhas tecnológicas dos grandes campos produtivos da agropecuária mato-grossense. Um elefante dourado. Cabe sermos competentes para pilotar essa nave intergalática, poderosa arma na disputa pela agenda dos grandes eventos com as poucas similares brasileiras e, em especial, saber defendê-la dos ataques dos que querem abatê-la antes mesmo de concluída pelo simples fato de ainda não terem assimilado sua perda para a pequena, pacata e ainda desajeitada Cuiabá.
     A última pressão sobre a nossa Arena Pantanal veio por suas cadeiras serem melhores do que as cadeiras da Arena de Brasília. Segundo a Secopa, as cadeiras daqui obedecem às especificações técnicas do projeto e são diferentes das de Brasília, com preços também diferentes. Especificações de materiais e mobiliários em uma obra dessa envergadura são elementos técnicos integrantes dos projetos arquitetônicos, competência e responsabilidade do arquiteto, protegido por lei em suas decisões, inclusive quanto a direitos autorais. Questionamentos técnicos, só por técnicos legalmente competentes, observada a ética profissional. Seria como questionar as prescrições de um médico, embora muitos ainda achem que a arquitetura seja apenas uma questão de gosto. Cada projeto tem suas próprias especificações técnicas conforme seu partido arquitetônico e devem ser respeitadas. Ainda mais no caso de um projeto premiado dentro e fora do país. 
     Não sei qual será a decisão do estado sobre o assunto, mas seria uma pena a alteração da cadeira especificada. Nas novas arenas a cadeira é o trono do espectador e esta será uma das vantagens de nossa compacta e belíssima Arena Pantanal. Cuiabá já se orgulhou do antigo Cine Tropical com as poltronas mais confortáveis do país. Depois, do melhor gramado no saudoso Verdão. Por que não podemos ter a melhor cadeira de todas as arenas? Se coubesse questionar algum projeto, mais apropriado seria perguntar como a Arena Nacional de Brasília pode ter cadeiras inferiores, mesmo tendo custado mais de 3 vezes a arena cuiabana? A Arena de Brasília custou R$ 1,7 bilhão e a de Cuiabá R$ 0,56 bilhão. Não nos cabe essa carapuça. Por enquanto, melhor é lotar o Dutrinha amanhã e domingo apoiando Mixto e Cuiabá em suas partidas decisivas pela ascensão no futebol brasileiro. Força Mixto e Cuiabá! 
(Publicado em 01/10/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

LIÇÕES DO LUVERDENSE


José Antonio Lemos dos Santos

A formidável campanha do Luverdense nas competições nacionais deste ano, destacada pelo jogo com o Corinthians, o campeão mundial, traz uma série de importantes lições que não se limitam apenas ao campo do futebol. A primeira delas é a compreensão na prática da força midiática do esporte, em especial, do futebol. Seria possível mensurar o quanto valeu para a cidade de Lucas do Rio Verde e mesmo para Mato Grosso a divulgação positiva gerada pelo Luverdense? As cidades são antes de tudo centros produtores de bens e serviços, gerados em si mesmas ou em suas regiões de entorno. E Lucas e sua região, assim como todo Mato Grosso, têm muito a vender, e vende, para o Brasil e o mundo em todos os setores da agropecuária, assim como na mineração e no turismo. É bom que seja conhecida. Tão logo o Luverdense foi sorteado para pegar o Corinthians, um grande comunicador da TV brasileira perguntou de que planeta era aquele time. No dia seguinte ao primeiro jogo quando o time mato-grossense venceu o campeão mundial, um outro comentarista famoso afirmava em rede nacional que Lucas do Rio Verde havia entrado no mapa do mundo. Quanto bem o Luverdense fez para a cidade que representa e para o próprio estado. 
     Sempre imaginei que o poder midiático do futebol fosse importante para mostrar ao Brasil e ao mundo nossas riquezas. Os jogos do Luverdense confirmaram que aqui no Brasil muitos dos importantes formadores da opinião pública nacional ainda desconhecem que o Tratado de Tordesilhas deixou de existir em meados do Século XVIII e ainda não se voltaram para o ocidente do imenso Brasil. Podem saber tudo do mundo, mas alguns desfilaram despudoradamente ao vivo e à cores suas vastas ignorâncias sobre o nosso país. Ainda são do tempo de Anchieta, quando os brasileiros viviam arranhando as costas do Brasil. Serviu também para mostrar que aqui mesmo em Mato Grosso a maioria de nós não conhecia o Luverdense e, por conseguinte, não conhecia também o Cuiabá e o Mixto, para ficar apenas no vice-campeão e campeão estadual deste ano. E a maioria ficou orgulhosa do que viu, assim, talvez passe a frequentar os estádios apoiando nossos times e nossos jogadores. Vale a pena deixar de vez em quando nossos ídolos nacionais e internacionais de feixes eletrônicos televisivos e torcer um pouco pelos nossos atletas reais de carne osso, moradores dos nossos bairros, que buscam viver aqui honestamente do futebol. 
     Lucas do Rio Verde mostrou extrema competência para aproveitar a oportunidade que o futebol lhe ofereceu. Em 15 dias duplicou a capacidade de seu estádio, pequenino, mas sempre bem arrumado. Não aceitou o canto das sereias que prometia levar o jogo para Brasília ou Goiânia em troca da arrecadação. Ganhou muito mais e não fez feio. Enquanto isso aqui em Cuiabá, na sede da Copa do Pantanal, foi prometida mas não ampliada a capacidade do Dutrinha, nem melhoradas suas condições de conforto, desde a demolição do Verdão. Por falta de um estádio para 10 mil pessoas o Cuiabá em 2011 teve que decidir sua ascenção à série C em Rondonópolis contra o poderoso Santa Cruz. Este ano está prestes a acontecer o mesmo com o Mixto. Será que os responsáveis estão cientes que desta vez terão que se ver com a torcida do Mixto? Desde que exista interesse e compromisso, existe também solução emergencial rápida, de qualidade e segura, conforme nos ensinou Lucas. Mas a gente perde o entusiasmo quando fica sabendo que o apagão no Dutrinha, domingo passado, na hora do jogo decisivo do Mixto rumo à série C foi por que a Cemat programou a troca de um transformador nas proximidades do estádio e não sabia do jogo. Pode? Assim é difícil. Ainda bem que a greve do DNIT terminou ontem. Viva! 
(Publicado em 10/09/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 16 de julho de 2013

ÁGUAS DE MANSO

José Antonio Lemos dos Santos

     As vitórias do Mixto, Cuiabá e Luverdense avançando juntos no Campeonato Brasileiro fizeram do domingo passado uma data memorável para o futebol mato-grossense. Tive o privilégio de estar no Dutrinha acompanhando a histórica rodada. Mas antes, na sexta-feira aconteceu no Palácio Paiaguás o I Fórum sobre o uso das águas de Manso para irrigação na Baixada Cuiabana. Enfim, uma importante iniciativa no até agora subutilizado empreendimento de Manso que precisa ser retomado com o aproveitamento de todas as finalidades para quais foi projetado. Uma dessas é justamente a irrigação de cerca de 50 mil hectares no Vale do Cuiabá. Integrei a Comissão Técnica do antigo Minter criada pela Lei da divisão de Mato Grosso para propor programas de desenvolvimento de apoio federal aos dois estados. Lá participei de algumas decisões técnicas importantes, tal como a transformação de Manso de um “açudão” de contenção de cheias que era originalmente, em um projeto de aproveitamento múltiplo de barragem pioneiro no Brasil. 
     Será que alguém ainda se lembra do que significam as três letras A, P e M que antecedem a denominação da barragem de Manso? Alguns sim, mas a maioria jamais soube o significado, em especial os mais jovens. Por eles é oportuno lembrar, pois o tempo passa e a história vai sendo esquecida. Manso surgiu da trágica cheia de 1974 do rio Cuiabá, que em 17 de março atingiu 10,87m e uma vazão de 3.075 m³/s, destruindo os bairros do Terceiro, Ana Poupino e Barcelos, os mais populosos de Cuiabá na época. Foi o primeiro grande problema do governo Ernesto Geisel, empossado dois dias antes, que de imediato enviou seu ministro do Interior, Rangel Reis, para conhecer a situação e tomar providências. O ministro determinou a demolição do que restou dos bairros e a construção de conjuntos habitacionais para a população flagelada. E mais, determinou a realização de estudos de soluções que impedissem novas inundações daquelas dimensões em Cuiabá. Daí surge Manso como um equipamento de proteção urbana com objetivo específico de reduzir as cotas das cheias. Em 15 de janeiro 2002, logo após sua inauguração, Manso protegeu a cidade de uma vazão de 3.250 m³/s, superior a de 74. Ainda que só por seu sentido de proteção urbana, Manso seria um dos mais importantes equipamentos da Grande Cuiabá. 
     Depois, já em 1978, os estudos motivados pela lei da divisão tiveram que buscar solução para a questão energética, identificado na época como o principal problema do estado. Havia o projeto da Usina do Funil, também no rio Cuiabá, mas faltava dinheiro. A Eletronorte estava empolgada com Tucuruí e não se interessava por outra coisa. Assim, a solução exigia criatividade e daí surge a ideia de energizar Manso, cujas obras iniciariam naquele ano. Foi assim suspenso o início da barragem e determinada a revisão geral do projeto, adotando a filosofia do uso múltiplo, então inédito no país. Manso seria também geradora de energia e a ideia da proteção urbana foi ampliada para a de regularização de vazão do rio, garantindo ao rio também uma cota mínima nas secas, com previsão de abastecimento de água para Cuiabá, Várzea Grande e cidades próximas, bem como de irrigar 50 mil hectares no vale do Cuiabá. E mais, seu lago poderia receber projetos em piscicultura, turismo e lazer. APM Manso significa “Aproveitamento Múltiplo de Manso”, uma filosofia otimizadora de barragens usada no mundo inteiro, mas que em Manso tem até hoje seu uso restrito à geração de energia e à regulagem de vazão. A discussão do projeto de irrigação da Baixada Cuiabana pode ser um sinal do fim do desperdício burro desse imenso potencial a 100 metros acima de nossas cabeças. Quem sabe trará junto, por gravidade, a água potável para a cidade? 
(Publicado em 16/07/2013 pelo Diário de Cuiabá, ...)


terça-feira, 21 de maio de 2013

LUVERDENSE, CÂMARA E AMÉRICA DO SUL

Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     Viva o Luverdense que na semana passada em Salvador eliminou da Copa do Brasil o poderoso Bahia, time da série “A” do Campeonato Brasileiro, jogando com o regulamento de forma amadurecida em uma exibição de gala reconhecida pelos narradores da TV soteropolitana digna da beleza da nova Arena Fonte Nova. Um feito memorável para um time de um estado que é criticado por acolher uma das sedes da Copa do Mundo sem ter um time entre os da elite do futebol brasileiro. O Mixto também já havia vencido no Dutrinha o Vitória, também classe “A” e campeão baiano. E olha que o Luverdense foi o terceiro colocado no campeonato de Mato Grosso, mostrando que o mato-grossense gosta mesmo do futebol e está a altura da fantástica Arena Pantanal. Aliás, quando os cotovelos doloridos criticam os 42 mil lugares da nova Arena, sempre esquecem que o antigo Verdão tinha 55 mil lugares, e lotava. 
     Mas neste artigo quero tratar da proposta do presidente da Câmara Municipal de Cuiabá de construção de uma nova sede para o legislativo cuiabano que, embora sem esta intenção, caminha no mesmo rumo da antiga ideia de um centro de cultura sul-americana a ser criado no exato centro geodésico da América do Sul, como uma alternativa de ocupação digna daquele espaço e de aproveitamento de um dos mais ricos potenciais geradores de emprego e renda para Cuiabá. Recorda diversos artigos em que tratei do tema, desde o publicado em 1986 no saudoso “O Estado de Mato Grosso”, capeando caderno especial sobre o assunto. 
     A ideia era, e ainda é, criar naquele espaço um centro referencial para a cultura sul-americana. Um lugar onde se desenvolvessem estudos, exposições, congressos, festivais e outras atividades sobre as manifestações populares autênticas do continente como, por exemplo, cursos das diversas línguas pré-colombianas (quíchua, aimará, guarani e outras), a gastronomia, danças, oficinas de ensino e fabricação de instrumentos musicais como a belíssima harpa paraguaia, o charango, as flautas andinas, a nossa viola de cocho, etc. Talvez até um local para encontros comerciais e cúpulas políticas continentais. No mínimo poderia ser feita uma festa anual simples comemorando, em um grande abraço sul-americano, a cultura popular do continente com barracas de cada país, musica, dança, comidas típicas, lembrando Simon Bolívar, pioneiro da integração continental. 
     Estivesse o centro geodésico em qualquer outra cidade, há muito seria atração turística importante, gerando renda e cultura em favor de sua gente, ainda mais nesta época em que a integração do continente é tão propalada e a qual o governo federal parece dedicar especial carinho. Cuiabá tem a exclusividade de ter o marco geodésico continental instalado pelo Marechal Rondon, reconhecido mundialmente como um dos maiores personagens da humanidade, e um espaço físico praticamente pronto para ser ocupado. 
Foto José Lemos

     Mas é preciso pensar grande, isto é, pensar à altura do significado mágico daquele pedaço de terra do antigo Campo D’Ourique. Nesse sentido, seria preciso buscar o apoio do Itamaraty na criação de uma fundação de caráter internacional, com apoio das embaixadas dos países do continente. Junto às belezas do Pantanal, da Chapada, das termas de São Vicente, da Amazônia, da fantástica agropecuária e a visibilidade da Copa, a criação de um centro cultural sul-americano no centro da América do Sul transformará Cuiabá em um pacote múltiplo de atrações extremamente vantajoso ao investimento do turista nacional e internacional. Empregos, renda e desenvolvimento, principalmente cultural, é o que Cuiabá e Mato Grosso ganharão com o aproveitamento dessa extraordinária riqueza. Um dia acontecerá. E pode ser agora. 

(Publicado em 21/05/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 7 de maio de 2013

MATO GROSSO, 265 ANOS

www.cuiabaesporteclube.com.br


José Antonio Lemos dos Santos

     Depois de amanhã, 9 de maio, deveríamos comemorar com muita festa e orgulho o 265° aniversário de Mato Grosso, data que lembra o ano de 1748, quando o rei de Portugal, dom João V, através de Carta Régia determina a criação de duas Capitanias, “uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá”. A Capitania das Minas de Cuiabá virou a Capitania de Mato Grosso e para governá-la foi designado Dom Antonio Rolim de Moura, que tomou posse e permaneceu em Cuiabá por cerca de um ano, até que Vila Bela fosse construída. Morou no centro histórico de Cuiabá, próximo à praça que tem o seu nome e que é popularmente conhecida como Largo da Mandioca. Depois chegou a ser o Vice-Rei do Brasil, o governante maior do país na época, já que El-Rey ficava em Portugal. Seria possível pensar na reconstrução da casa de Rolim de Moura, criando uma nova atração no centro histórico? 
     Sei que existem aqueles que acham que não temos nada a comemorar, pois em Mato Grosso faltam escolas, faltam hospitais, não tem esgoto, não tem estradas, não tem ferrovias, não tem, não tem... São os que só enxergam o que falta. E é importante que existam pessoas assim, em especial aqueles que nessa visão produzem uma critica positiva. Eu já sou da turma que prefere enxergar aquilo que existe, em especial, aquilo que foi produzido pelo trabalho do povo, patrões e empregados, apesar de todas as dificuldades, apesar de tudo aquilo que nos falta. Mato Grosso é hoje o maior produtor agropecuário do país, liderando o país em algodão, milho, girassol, soja e também é um dos maiores produtores de ouro, diamante, madeira, álcool, biodiesel, carnes de frango, suíno, peixe, gado, com um rebanho bovino de quase 30 milhões de cabeças. Mato Grosso não produz armas, bombas atômicas, mísseis, aviões de guerra, como muitos daqueles que nos criticam. Mato Grosso é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e com muito orgulho ajuda a matar a fome de um planeta cada vez mais carente de alimentos.
     Para chegar a esta posição Mato Grosso contou com a extensão e diversidade produtiva de seu território e, principalmente, com o trabalho determinado e sofrido de sua gente em todos os seus cantos e recantos. Comemorar os 265 anos de Mato Grosso é festejar a grande obra do mato-grossense que ano passado produziu um superávit comercial de US$ 13,0 bilhões para o Brasil que daria para construir vários hospitais, escolas, ferrovias, duplicações rodoviárias e melhorar em muito a qualidade dos serviços públicos. Mato Grosso mês passado entupiu literalmente o Brasil de grãos, mostrando ao mundo que o país não se preparou em termos de infraestrutura para tudo o que o estado produz, num descompasso que já custa muito caro aos brasileiros em termos econômicos, ambientais e de sacrifício de vidas humanas.
     Comemorar os 265 anos de Mato Grosso, não é ufanismo idiota nem deitar em berço esplêndido, é festejar a riqueza construída e, antes de tudo cobrar, em especial da União, tudo aquilo que o povo que a produz tem direito. É ter vibrado domingo passado com Cuiabá e Mixto na final do campeonato mato-grossense de futebol, com o Dutrinha lotado, e ainda torcer unidos pelo Luverdense depois de amanhã na Taça do Brasil. A pobreza sempre foi o álibi dos maus governantes e agora Mato Grosso é rico sim. Essa desculpa não vale mais. O mato-grossense tem que festejar com alegria, orgulho e muitas cobranças. O sucesso de Mato Grosso é a força do trabalho de seu povo unido na grandeza e diversidade de seu território, nas dimensões exatas exigidas pelo século XXI, o século da internet, da TV a cabo, do asfalto, do avião a jato. Ainda que tenha muito a consertar, Mato Grosso é para ser festejado, imitado e, principalmente, aplaudido. Viva Mato Grosso! 
(Publicado em 07/05/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 30 de abril de 2013

CUIABÁ E A COPA



José Antonio Lemos dos Santos

     Às 20h de hoje, 30 de abril, será lançado no Sesc-Arsenal o livro “Cuiabá e a Copa - A preparação”, reunindo meus artigos sobre os primeiros 40 meses da Copa em Cuiabá, publicados desde fevereiro de 2009 quando da primeira visita oficial da comissão da Fifa para escolha das sedes do Mundial de 2014, até junho de 2012 quando passam a faltar 2 anos para o primeiro jogo da Copa do Pantanal. Contente com o Dutrinha revivendo no domingo passado seus dias gloriosos com o clássico Mixto x Cuiabá, trago aos leitores uma coletânea de 93 textos abrangendo esse momento especial da cidade motivado pelo megaevento do futebol, momento muito dinâmico, denso em ações e omissões, aplausos e críticas, proposições e discussões sobre o futuro de Cuiabá. Na verdade, um assunto que ultrapassa o futebol e a própria Copa, forçando uma revisão, meio que na marra, de nossos conceitos, métodos e estruturas públicas, em especial da gestão urbana em todas as suas áreas e escalões, bem como obrigando a própria cidadania a uma autocrítica sobre sua participação na condução do destino da cidade. 
     O lançamento do livro neste momento tem a pretensão de ainda poder ajudar como um subsídio crítico no grande e difícil esforço de preparação da cidade para ser palco de uma Copa do Mundo em que toda a cidadania está empenhada tentando fazer com que essa oportunidade seja aproveitada como uma etapa na construção da cidade do futuro, que desejamos com melhores padrões de qualidade de vida, bela, justa, sustentável e plena em perspectivas de desenvolvimento para sua gente. É de fato pretensioso, mas não há como escapar desta responsabilidade de todos em ao menos tentar ajudar a cidade neste momento, responsabilidade hoje assumida pela maioria da população. A descrença inicial parece ter sido superada por um desejo de colaboração na grande obra, ao menos ao suportar os desvios, engarrafamentos e buracos com uma especial compreensão, sofrida, mas acompanhada de uma pontinha de orgulho diante da evolução das obras públicas e privadas.
     Ótimo se a pretensão do livro for alcançada, um pouco que seja. Se não, que fique então como um registro desse momento ímpar na vida de Cuiabá, um álbum de artigos, como o velho álbum de fotografias que de vez em quando a gente folheia revendo momentos queridos ou apenas importantes de nossas vidas. Colocados um ao lado do outro em uma coletânea, os artigos ganham movimento e sentido, permitindo a reconstrução de uma história contínua conforme vista pelo autor, antes contada em textos tratando de momentos aparentemente isolados. Juntos os artigos além de relembrar cada momento descrito, permitem sua concatenação, avaliar a evolução, comparar situações, rever os casos esquecidos, as idas e vindas, os acertos e erros, aferir rumos. A leitura do livro lembrará Dutra, o cuiabano que trouxe a Copa de 50 para o Brasil e, com as emoções de cada ocasião, episódios como os da expectativa pela escolha da sede e a alegria de ganhá-la, o último jogo do Verdão e sua demolição, a escolha do local da nova Arena, a mudança do VLT, a batalha pelo aeroporto, o fim da AGECOPA, e outros. 
     Mesmo sem a Copa, Cuiabá estaria vivendo agora seu momento histórico de desenvolvimento mais importante. A Copa veio turbinar ainda mais este dinamismo que precisa ser muito bem compreendido e acompanhado por suas autoridades, líderes e cidadãos em geral. Certa vez disse meio brincando que a Copa teria sido um artifício do Bom Jesus de Cuiabá para dar uma sacudidela em sua gente elevando-a à altura da cidade que estão construindo e de seu maior desafio que será a preparação para o Tricentenário daqui a 6 anos. Estou cada vez mais acreditando nisso. E aí a experiência da Copa valerá muito. 
(Publicado em 30/04/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 23 de abril de 2013

COPA, O LEGADO AVANÇA

Foto Midianews


José Antonio Lemos dos Santos

     Feliz com o Luverdense subindo na Copa do Brasil e com Cuiabá e Mixto decidindo o Campeonato Mato-grossense, repito que sou um entusiasta da Copa em Cuiabá desde quando esta era só uma remota possibilidade. A expectativa da Copa do Pantanal deixar em Cuiabá um forte legado é entusiasmante, ainda que jamais tenha pensado que ela fosse resolver todos os problemas cuiabanos, ou que fossem viabilizados todos os projetos que oportunizaria, e muito menos que todos os viabilizados fossem concluídos a tempo para a Copa. Contudo, sendo Cuiabá a menor das sedes no país, é nela que um evento global como esse ocasionará proporcionalmente maiores impactos positivos. 
     Nessa perspectiva, após quase 4 anos da escolha de Cuiabá como sede da Copa do Pantanal, como cidadão transeunte e baseado nos noticiários já dá para estimar a quantas anda o esperado legado, um legado não só de investimentos públicos, mas também privados. Aliás, foi do setor privado que vieram as primeiras respostas ao desafio da Copa. Muito mais ágil e desembaraçado que o setor público, de imediato o segmento hoteleiro tomou a iniciativa desencadeando uma série de novos empreendimentos, ampliações, e mesmo resgate de antigos projetos, alguns já inaugurados, outros com obras em andamento. Como exemplo cito a revitalização das obras do Hotel Global, paradas há décadas, e o magnífico resort em Manso em construção. Da iniciativa privada vieram ainda a instalação de novas redes comerciais com grandes lojas, a ampliação já concluída do mais antigo shopping comercial de Cuiabá e o lançamento de outros dois grandes shoppings, um destes o primeiro em Várzea Grande. Grande destaque são os R$ 400 milhões da fábrica de cimento inaugurada este mês no Aguaçu. Só estes investimentos privados já validariam a Copa do Pantanal em Cuiabá. 
Foto Midianews

     Já o setor público custou a deslanchar por motivos que não cabem neste artigo, mas dentre estes a ausência de um sistema de planejamento urbano em Várzea Grande e a desestruturação do insipiente que existia em Cuiabá, justo quando mais seria útil. De fato nem tudo aquilo que a Copa oportunizou foi viabilizado, como um teleférico na Chapada, e muito do que chegou a ser planejado foi depois abandonado, como o trecho final da Avenida Parque do Barbado. Mas a cidade virou um canteiro de obras públicas e privadas, muitas em ritmo de três turnos, infernizando a vida de muita gente, como já se previa, drama amenizado pelo encantamento das obras tomando forma dia a dia diante dos olhos, muitos ainda incrédulos. A Copa está viabilizando obras que continuariam a ser enroladas no tempo como o aeroporto, ou que jamais sairiam como as magníficas interseções em trincheiras e viadutos da Miguel Sutil, Fernando Correa, CPA e FEB, a implantação do VLT, os Centros Oficiais de Treinamento na UFMT e em Várzea Grande, a duplicação da Mário Andreazza, o recém- assumido Contorno Oeste do Rodoanel ligando o Trevo do Lagarto à estrada da Guia, dentre muitas outras obras e serviços em implantação. O legado positivo avança. 
     Será importante que todas as obras fiquem prontas e funcionando bem para o grande evento global, com a cidade sendo exibida para o mundo. Esse esforço tem que ser perseguido e cobrado sempre. Porém, caso algumas não fiquem prontas a tempo, é fundamental que atinjam um patamar de irreversibilidade a partir do qual terão que ser concluídas, mesmo após a Copa. Contudo, o maior benefício da Copa para Cuiabá não está nas obras, mas na chacoalhada que está dando em seus habitantes, cidadãos, líderes e autoridades, elevando-os à altura dos desafios e oportunidades do momento histórico de desenvolvimento que a cidade vive, discutindo projetos, pensando e construindo o futuro.
(Publicado em 23/04/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 16 de abril de 2013

LOGÍSTICA DO ABSURDO


José Antonio Lemos dos Santos

     Como diria o Odorico Paraguaçu, de Dias Gomes, começo este artigo com a alma lavada e enxaguada nas águas da vitória do Mixto sobre o poderoso Vitória baiano, porém com a barba de molho para o jogo de volta hoje à noite. Mesmo que a classificação não venha, viva o Mixto e os mixtenses, o time esteve impecável naquela noite memorável. Entretanto, neste artigo quero tratar indignado de outro assunto, aliás, o mesmo da semana passada, a questão dos transportes em Mato Grosso, em especial a expansão da ferrovia no estado.
     Sábado passado, dia 13, o site RDNews trouxe matéria de Valérya Próspero sobre o projeto da ferrovia Cuiabá-Santarém, informando que os chineses estão pedindo celeridade no processo, chegando a ameaçar a aplicar em outro estado os R$ 10,0 bilhões  que pretendem investir na obra. Os chineses estiveram aqui pela primeira vez há 2 anos quando visitaram o governador Silval manifestando interesse em investir na obra e inclusive foram com ele por terra até Santarém. Antes, em junho daquele mesmo ano, 2011, o estado, com a VALEC e ANTT já haviam assinado compromisso para início imediato dos estudos. Em dezembro do ano passado os chineses voltaram aqui reiterando as intenções de investimento quando foi prometido que no começo de 2013 seriam iniciados os estudos de viabilidade econômica, aqueles que se iniciariam em 2011. Até agora, abril de 2013, nada, “nem o estudo para fazer o processo de concessão da ferrovia foi iniciado”, o que teria motivado a cobrança de rapidez nos processos, conforme a matéria.
campoverdenews

     O incrível é que o secretário de Logística do estado, meu amigo Francisco Vuolo, filho do eterno senador Vicente Vuolo, o “pai da ferrovia”, tenha dito que “se os chineses desistissem da empreitada não estaria tudo perdido, pois, com os rumores de recuo, outros grupos da China, Rússia, Espanha e Coréia do Sul se interessaram”. Apesar de confiar na força atrativa de investimento do estado e da altíssima viabilidade do projeto em questão, nada recomendaria tamanha tranquilidade, afinal são 10,0 bilhões de reais que não se encontra por aí a toda hora. Ademais a logística constitui o principal problema do estado, problema que extrapola em muito a questão econômica, envolvendo a área ambiental, a qualidade de vida do povo e, principalmente, mortes, muitas mortes e mutilações rodoviárias evitáveis que martirizam o mato-grossense cotidianamente. Diz ainda o secretário que ”quem emperrou a documentação foi a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que, até agora, não liberou a licença necessária” para os estudos que, segundo ele, serão iniciados ainda este ano pela UFSC, com prazo de conclusão de 1 ano. Estou surpreso, pois vem sendo passada a ideia de que estes estudos já estavam em andamento faz tempo. O interessante é que na semana passada houve uma audiência pública na Câmara dos Deputados, com a presença inclusive da ANTT, e não ouvi falar de nenhuma cobrança sobre essa tal licença.
     Os fatos mostram não existir um real interesse oficial na solução da logística do estado. Querem a FICO de 1200 Km que beneficia Goiás e Bahia. Enquanto isso, os trilhos de Rondonópolis estão a 560 Km de Lucas do Rio Verde, centro de carga do agronegócio do médio norte mato-grossense com investidores com pressa em estendê-los até lá. Uma ferrovia ligando Lucas aos portos do Sudeste é uma solução imediata e não desprezível para Mato Grosso, sem prejuízo de outras. Mas nossas zelosas autoridades, estaduais e federais, insistem em enrolar. Pura moagem! Pouco somam se o produtor perde, se o ambiente é prejudicado, se vai baixar o custo de vida ou se as pessoas morrem, e lembram afinal o Justo Veríssimo, de Chico Anísio: “O povo que se exploda!”
(Publicado em 16/04/2013 pelo JornalOeste, TurmaDoÊpa, CuiabáMais, BlogDoJoâoBosquo e em 17/04/13 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

VALEU 2012, VIVA 2013!


José Antonio Lemos dos Santos


     Saudando este ano novo relembro, como fiz no início do ano passado, que a Grande Cuiabá vive o melhor momento de sua história e chega também a 2013 na perspectiva de mais um ano forte, cheio de situações extremas, positivas e negativas, que exigirão de seus dirigentes decisões ou omissões importantes marcantes para a cidade do futuro, para o bem ou para o mal. Ao cidadão cabe uma participação ativa nesse processo com a crítica propositiva do aplauso e da reprovação, do apoio e da cobrança, e sua ação ou omissão também serão decisivas para a cidade do futuro. Cobrar como na Bicicletada do “Movimento Ciclovia Já!”, em maio. Nós, cuiabano-várzeagrandenses – dirigentes e cidadãos - vivemos este momento mágico da cidade com a responsabilidade de otimizar suas oportunidades, agora em especial os projetos da Copa, iniciados ou não, cobrando qualidade em tempo hábil à preparação da cidade para a Copa e para seu tricentésimo aniversário em 2019. Melhor, a cidade para nossos descendentes, para sempre.
     2012 foi bem. Projetos públicos e privados reviram a cidade num canteiro de obras superando o pleno-emprego e a marca das mil vagas de trabalho não preenchidas. A iniciativa privada saiu na frente e já produz seus primeiros frutos: hotéis inaugurados ou em construção, grandes lojas e marcas se instalando ou em ampliação, o primeiro shopping é triplicado junto com o lançamento de 2 outros grandes shoppings, começa a produção de cimento em Aguaçu e empreendimentos imobiliários espetaculares são lançados e inaugurados. Destacam-se ainda a visita dos chineses querendo construir a ferrovia Rondonópolis-Cuiabá-Santarém e a reativação da Termelétrica e do gasoduto. Na área pública a Arena Pantanal avança e as obras de mobilidade urbana enfim saíram do papel com as interseções viárias e o VLT, com promessa de inaugurações mensais ao longo do ano. Saiu até a Ordem de Serviço para as obras do Aeroporto Marechal Rondon.  Viva!
     Salta ainda à memória de 2012 o Mixto, cheio de problemas, sagrando-se campeão da Copa Mato Grosso, o Cuiabá Arsenal chegando ao bicampeonato brasileiro de futebol americano e a vinda a Cuiabá de mais de 6 mil pessoas para realização das Olimpíadas Escolares 2012, a maior competição esportiva estudantil do país. Serviu também para testar a cidade em eventos de grande porte.  E o resultado foi bom.
     Hoje é o primeiro dia do ano, dia da Paz e também dia do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Como já disse em outros artigos, para mim a Copa do Pantanal foi um artifício do Bom Jesus para dar um choque de adrenalina no seu povo – cidadãos e autoridades – para cair a ficha de que a cidade vive um novo tempo e que é preciso prepará-la para a festa da Tricentenário. Um choque positivo de futuro, para discutir e executar projetos, ainda que tenha muita gente pensando a cidade pelo retrovisor. Nesse sentido, o maior desafio é fazer a cidade institucional chegar à altura da cidade real que esbanja vitalidade, dinamismo e desenvolvimento, centralizando uma das regiões mais dinâmicas do planeta.
     2012 trouxe também as eleições municipais com a escolha dos novos dirigentes da cidade – prefeitos e vereadores, aqueles que ficarão com a responsabilidade perante o mundo de acompanhar a reta final da preparação urbana para a Copa do Pantanal. Figuras novas na política, gente com um grande futuro pela frente, futuro que se confunde com o futuro da cidade. Poderão ser também os dirigentes do Tricentenário. Têm tudo para ser. Boa sorte para eles e para a cidade. Feliz 2013!     

terça-feira, 27 de novembro de 2012

CUIABÁ EM FESTA

José Antonio Lemos dos Santos


     Já comentei em artigo anterior que o esporte em seu sentido mais verdadeiro é uma das formas mais elevadas de celebração da vida, uma das expressões em que a vida se manifesta de forma mais intensa. O principal requisito para a prática esportiva é a vida saudável, e quem quiser ser esportista tem que cuidar da saúde. Daí porque entendo que investir em esporte é uma das alternativas mais eficazes de se investir em saúde. É claro que os investimentos na cura ou recuperação da saúde são prioritários, mas é muito mais barato e melhor investir na promoção e manutenção da saúde através dos esportes e outras práticas do que na cura das doenças. É fácil imaginar que a cada real investido na promoção dos esportes, de forma séria e bem planejada, corresponda uma redução de gastos em quantia bem superior ao investido. E os efeitos diretos e indiretos de bons programas públicos de incentivo aos esportes chegam também a outras áreas como Educação, Cultura e Segurança Pública, no mínimo.
     Assim, se esporte é saúde e saúde é vida, Cuiabá está cheia de vida, pelo menos nas últimas semanas. A cidade que em sua preparação respira e transpira a Copa do Pantanal está em festa, pois desde domingo passado sedia as Olimpíadas Escolares, o maior evento nacional na modalidade envolvendo mais de 6 mil pessoas, entre atletas, técnicos, profissionais diversos de apoio, dirigentes, observadores nacionais e internacionais, estudiosos, imprensa especializada. A abertura no Ginásio Aecim Tocantins foi um espetáculo, os hotéis estão lotados e o Centro de Convenções, transformado em Centro de Convivência, fervilha em alegria e juventude. E dizer que o palco maior do evento, o Ginásio Aecim Tocantins ainda é tido por alguns como um “elefante branco” apesar de ter viabilizado eventos como este e outros de grande porte e qualidade, tais como jogos da Liga Mundial de Vôlei, Copas América de Vôlei masculino e feminino, Copa América de Basquete feminino, Campeonato Pan-americano de Karatê, e ainda alguns jogos avulsos das seleções nacionais de vôlei e futebol de salão.
     Mas a festa esportiva em Cuiabá começou ainda no domingo anterior com o Mixto conquistando a Copa Mato Grosso, título importante para o único sobrevivente dos times tradicionais da cidade. Claro que o nosso renitente e persistente complexo de capacho vem logo dizer que o título não vale nada, que Cuiabá não tem nenhum time na série “A” e outras bobagens que seriam esquecidas caso o título não fosse ganho por algum time da cidade. Aí valeria, em especial para dizer que o futebol cuiabano acabou, que está perdendo para o interior, desconhecendo que Mato Grosso desenvolveu muito, sendo natural o surgimento de grandes equipes em outras belas e poderosas cidades do estado. Para o mixtense, o Mixto é o melhor time do mundo, independente da série em que participe. Dentro do campo, o futebol cuiabano e mato-grossense só é ruim para quem não vai ao estádio.
    Fechando a semana passada com chave de ouro, o Cuiabá Arsenal levou a melhor sobre o Coritiba Crocodiles, e é bicampeão brasileiro de futebol americano. Foi uma grande festa no Dutrinha lotado. Esse é o grande produto do esporte em suas diversas modalidades: a juventude levando longe de forma positiva o nome de Cuiabá e Mato Grosso, o melhor marketing urbano, levando também com suas taças e medalhas o exemplo para milhares de outros jovens seguirem a trilha da saúde e da vida, livrando-se das garras das drogas, dos crimes e de outros descaminhos.

(Publicado em 27/11/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

UM GRAMADO PARA O DUTRINHA


José Antonio Lemos dos Santos

     O esporte em seu sentido mais verdadeiro é uma das mais elevadas formas de celebração da vida, tanto nas vitórias como nas derrotas, ambas faces de uma mesma moeda. Seu requisito básico é a máxima vitalidade exigindo assim práticas saudáveis de vida, bem como espírito coletivo, competitividade, determinação, disciplina, enfim, os tantos aspectos que devem moldar o caráter positivo dos povos. Agregador da educação e da integração cultural, o esporte hoje vai além do aspecto lúdico ou de lazer, sendo também uma das atividades comerciais mais rentáveis no mundo, portanto uma alternativa concreta de trabalho, emprego e renda em especial para a juventude.
     Dentre os esportes, o futebol é aquele com maior número de aficionados a ponto de tornar-se também um poderoso instrumento de marketing global para países, regiões e cidades. Quando Dutra, o presidente cuiabano, trouxe a Copa de 50, já pensava em mostrar ao mundo através dela que o Brasil deixara de ser rural e avançava nos rumos da industrialização e da modernidade. Assim o esporte, e o futebol em particular, por uma série de razões, deve ser tratado hoje como coisa séria, assunto de Estado, em especial como poderoso instrumento educativo e de formação dos jovens. Para Mato Grosso e Cuiabá essa concepção é mais clara, dada a proximidade do trecho de fronteira mais vulnerável do Brasil, que expõe a juventude local aos poderes do tráfico internacional e às macabras tentações das drogas com suas garras cruéis de criminalidade e violência. Creio que é nesse sentido que Cuiabá sedia este mês as Olimpíadas Escolares com milhares de jovens brasileiros em um espetáculo vital que merecia melhor promoção, principalmente entre as escolas de todo o Estado.
     O cuiabano sempre teve um grande xodó pelo futebol, talvez pelo clima que impõe atividades em espaços abertos. Acertadamente em Cuiabá as sucessivas administrações municipais desenvolvem importantes projetos na área tais como o Miniestádios, Bom de Bola-Bom de Escola, Pixote, Peladão e assim, a par de oferecer uma ótima alternativa de lazer para a juventude, a prefeitura implanta um verdadeiro canteiro de craques. Esses jovens atletas que surgem precisam ter clubes onde desenvolver suas potencialidades como profissionais. Na falta, muitos vão para outros estados e países. Outros não têm a mesma sorte, às vezes simplesmente por não estar no lugar certo na hora certa. Para muitos destes, a alternativa é a frustração e o descaminho.
     A prefeitura avançaria ainda mais nessa área apoiando os clubes profissionais de futebol de Cuiabá. Do jeito que está é como dar boa formação técnica aos jovens, mas não fomentar a instalação de empresas para empregá-los. Bastam o apoio institucional e logístico e a manutenção do único estádio da cidade, o Dutrinha, adquirido pela prefeitura sob a alegação de que seria reformado. Até hoje, nada. Finda a temporada 2012, este é o momento certo para reformar o gramado, hoje a mais urgente carência do futebol cuiabano. Com autoridade de quem vai ao estádio em quase todos os jogos, para mim o péssimo estado do gramado eliminou o Mixto na série “D”, quase fez o mesmo com o Cuiabá na “C” e com o próprio Mixto domingo passado, prejudicando os times locais em todas as competições estaduais e nacionais de que participam. Jogar em casa aqui é desvantagem. Arrumar o gramado é urgente e barato, ainda mais para uma sede de Copa. O sucesso dos nossos times abre chances para craques locais de carne e osso, vizinhos de bairro, gente como a gente. Precisamos de mais Bogés, Fernandos e Pererecas, ídolos daqui nos quais a juventude possa se espelhar para seguir o caminho do esporte e da vida saudável, longe das drogas e dos crimes.



terça-feira, 21 de agosto de 2012

MATO GROSSO APUNHALADO

José Antonio Lemos dos Santos

     Antes que alguns levem a conversa para esse lado, adianto que não sou contra a Ferrovia da Integração do Centro-Oeste – FICO; sou contra terem amputado a Ferronorte em Rondonópolis para fazê-la. Não sou contra a ferrovia chegar a Lucas do Rio Verde, muito pelo contrário, como brasileiro e mato-grossense, desejo que chegue lá o mais rápido possível, aliás, por isso mesmo protesto contra a paralisação da Ferronorte em Rondonópolis, a 560 Km de Lucas, trocados pelos 1200 Km da FICO. Também não sou contra o agronegócio, muito pelo contrário, poucos têm escrito mais do que eu cantando e decantando seu sucesso. Muito menos sou contra o Programa de Investimentos em Logística (PIL) da presidenta Dilma, apenas questiono com veemência não contemplar os 200 Km da ligação ferroviária de Rondonópolis a Cuiabá e mais os 360 Km de Cuiabá a Lucas do Rio Verde. Mato Grosso tem desenvolvimento mais que suficiente para receber a Ferronorte e a FICO juntas, e a cada ano que passa tem muito mais. Só o superávit comercial que legou ao Brasil no primeiro semestre deste ano – US$ 6,0 bilhões! - daria para construir as duas ferrovias, duas vezes!
     O super pacote logístico lançado na semana passada reflete a audácia, coragem e visão de estadista da presidenta Dilma, qualidades que o Brasil tanto carece nestes tempos globalizados e competitivos. Contudo, quem tem coragem e competência para lançar um pacote destinado a revolucionar o Brasil pelo desenvolvimento, sabe que nada neste mundo é perfeito e ainda mais um plano nessas dimensões onde reajustes são previsíveis e normais. A retomada do projeto da Ferronorte a partir de Rondonópolis, em articulação com a FICO, seria um dos mais urgentes ajustes no PIL. Do jeito que está soa como uma punição ao cidadão mato-grossense, inclusive do norte, a troca de uma ferrovia de 560 km, em ambiente antropizado, sem araguaias ou xingús a serem transpostos, por uma outra de 1.200 Km, com o dobro da distância e desafios ambientais e antropológicos desconhecidos, em uma pré-Amazônia ainda quase virgem. Hoje o meio ambiente está sofrendo, a produção é desperdiçada pelos caminhos, os fretes disparam e, pior, as pessoas estão morrendo nas BR’s, e por isso Mato Grosso clama e reclama urgente solução logística para o estado. Em Mato Grosso, tempo é dinheiro, mas também perdas ambientais e de vidas. 
     Mato Grosso é um dos estados que vêm dando mais certo no Brasil, hoje disparado maior produtor nacional de grãos e gado e um dos maiores no mundo, ensinando que sua dimensão territorial é uma de suas forças, no tamanho exato para uma administração otimizada nestes tempos de avião a jato, asfalto, comunicações via satélite e internet. Hoje Mato Grosso é um dos poucos estados da federação capaz de bancar sua infra-estrutura mínima de subsistência sobrando ainda um excedente produtivo para investir na qualificação e ampliação de seu desenvolvimento. Este excedente desperta a cobiça de grupos estaduais minoritários mas poderosos que conseguiram contaminar o PIL com suas políticas de dominação e não do bem comum. A FICO sem a Ferronorte é uma punhalada pelas costas em Mato Grosso, um campeão, com claras intenções de dividi-lo, deslocando suas centralidades regionais para Rondonópolis e Lucas, em detrimento de Cuiabá, Várzea Grande e Sinop, criando dois estados insustentáveis, de novo no fim da fila, sem voz e sem vez. Não creio ser esta a intenção da presidenta Dilma nem do agronegócio mato-grossense, espalhado de norte a sul, de leste a oeste do estado e que só quer produzir mais e melhor, com segurança, sustentabilidade e justiça social. Como o Luverdense, o Cuiabá e o Mixto, Mato Grosso torcendo e crescendo junto também no futebol.
(Publicado em 21/08/2012 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, JornalOeste, Turma do Êpa, Página do Enock, Blog do João Bosquo)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

CUIABÁ, MIXTO E VLT

José Antonio Lemos dos Santos

     Na última quarta-feira o presidente da Agecopa comunicou a esperada decisão sobre a tecnologia que servirá de eixo para o transporte coletivo em Cuiabá, um projeto de R$ 1,1 bilhão, o maior jamais visto em Cuiabá e Várzea Grande e o maior projeto do governo estadual. R$ 600,0 milhões a mais que a opção descartada. Uma decisão fundamental para o futuro da metrópole cuiabana, para o bem ou para o mal. Esperava que pela sua importância esta divulgação oficial fosse feita pelo governador, com a presença dos prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande, dos presidentes das Câmaras e da Assembléia Legislativa, além, é claro, do presidente da Agecopa. Aguardava ainda a presença dos responsáveis técnicos pelos estudos e projetos que subsidiaram a decisão. Afinal, trata-se de um projeto de enorme interesse público não só pelo valor envolvido e o tamanho da conta que deixará, mas principalmente por empenhar a qualidade de vida futura da população em uma tecnologia de alto custo ainda não testada em cidades brasileiras.
     Porém, a divulgação da importante decisão pareceu mais com o lançamento de uma praçinha ou outra obra menor do que ao anúncio de um projeto dessa envergadura. Todos sabemos da atração que os políticos têm por eventos desse tipo, ainda que fosse pintura de meio-fio. Causa estranheza que justo no anúncio de um projeto de R$ 1,1 bilhão, o maior projeto da cidade e do estado, o governador mande outro dar a notícia, os prefeitos das cidades contempladas não estão presentes, sem banda de música, sem foguetório. Estranho. Não convenceu, a não ser aos que foram induzidos a serem torcedores em uma ilusória peleja entre uma atrasada carroça de pneus e um fantástico bonde recauchutado. Na verdade é um assunto muito sério envolvendo duas tecnologias de ponta, cabendo a estudos técnicos complexos apontarem a solução mais adequada. Esses estudos não foram citados. Assim, tudo segue como uma decisão política, ainda sem a competente base técnica, na qual o governador, por algum motivo, não quis se comprometer.
     Mesmo sem mostrar projetos a Agecopa adianta que a opção reduz em até 95% as desapropriações da alternativa descartada. Ou seja, praticamente acabariam as desapropriações. Justamente um dos maiores legados da Copa seria a solução de alguns gargalos geométricos em vias estruturais e principais da cidade. O resgate do Morro da Luz seria uma das maiores contribuições urbanísticas tanto para a modernidade quanto para o patrimônio histórico. As principais cidades do mundo, de Paris ao Rio de Janeiro, passaram por esse momento de adaptação aos novos tempos. Será que em Cuiabá querem compensar nas desapropriações a diferença de valor do projeto escolhido? E aí, como se dará o transbordo das linhas na Prainha? É bom lembrar a antiga “estação” da Bispo Dom José. São assuntos que podem estar bem resolvidos, torço que sim, mas precisam ser mostrados, com os responsáveis técnicos que respondam por eles junto ao CREA e a sociedade.
     Como alerta temos o Mixto em seu recente projeto de ascensão à série A do Campeonato Brasileiro de Futebol. Muito dinheiro e paixão, mas pouco embasamento técnico. O projeto virou aventura e acabou em tragédia. Com fantásticos gabirus e finazzis, o Mixto da série C caiu para a D, e daí para série nenhuma. Despencou para a segunda divisão do futebol mato-grossense, de onde voltou naufragado em dívidas e abandonado. O Mixto não merecia isso, nem a torcida mixtense cujo pecado foi confiar cegamente pela realização de um sonho. A cidade de Cuiabá encontra-se em seu melhor momento histórico, polarizando uma das regiões mais dinâmicas do planeta. É justo sonhar com a Copa como um instrumento de ascensão urbanística. Mas que o sonho não nos cegue.
(Publicado no dia 28/06/2011 pelo Diário de Cuiabá)