"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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quarta-feira, 8 de abril de 2026

CUIABÁ, CELULA MATER

 José Antonio Lemos dos Santos

     Urbanista por formação e ofício, além disso cuiabano bairrista, sinto a obrigação e o prazer de estudar Cuiabá e poder contar sua história. Para facilitar a narrativa, divido a evolução da cidade em 5 fases, procurando corresponder aos momentos diferentes pelas quais a cidade passou e vem passando.  A primeira seria a “Cidade do Ouro”, depois a “Cidade Baluarte”, seguida da “Cidade Verde”, depois “Portal da Amazônia” e, por fim a “Capital do Agronegócio”.

     A “Cidade Baluarte”, porém, sempre me desafiou, pois, as cidades garimpeiras tendem a tornar-se cidades-fantasmas quando o ouro acaba, a não ser quando descobrem outra função, como por exemplo, Ouro Preto e Goiás Velho, cidades-irmãs de Cuiabá, que receberam a função de capitais das então recém-criadas Capitanias de Goiás e Minas Gerais, garantindo suas sobrevivências. Cuiabá não teve tal privilégio, preterida por Vila Bela, construída para ser a capital mais a oeste por razões estratégicas. Como Cuiabá então conseguiu sobreviver?

     Esta resposta veio no magnífico livro “O poder metropolitano em Cuiabá”, da Entrelinhas/UFMT, de autoria do professor, doutor Otávio Canavarros, riquíssimo em informações e argumentos que merecem ser esmiuçadas pelo leitor, mas que pelo que cabe neste artigo, pinço apenas a afirmação de que Cuiabá teve importante papel na estratégia da Coroa Portuguesa visando a posse das terras então espanholas a Oeste de Tordesilhas. Quando o ouro apareceu em Cuiabá, os limites do tratado de Tordesilhas já estavam superados em muito pelos portugueses através de alianças com os indígenas e dos bandeirantes paulistas que expulsaram os espanhóis e chegaram ao Guaporé alcançando o território que pretendiam para si e que hoje configura os limites a Oeste do território brasileiro. A negociação entre oficial entre os países se dava em cima do “fato consumado”, o direito pela posse, o uti possidetis, e o acerto diplomático era questão de tempo, que veio afinal com a estruturação do poder da Coroa Portuguesa em Cuiabá quando elevada à Vila Real em 1727, depois reafirmada com a criação da Capitania de Mato Grosso em 1748, a assinatura do Tratado de Madri em 1750, a fundação de Vila Bela em 1752 e o Tratado de Santo Idelfonso em 1777. Traduzindo para minhas palavras de leigo, em 50 anos Portugal sacramentou seu domínio sobre o território que pretendia e que hoje é parte importante do território brasileiro. 

     Assim, findo o ouro, Cuiabá foi destinada pelos interesses da Coroa Portuguesa a ser seu baluarte nas terras recém conquistadas, o que permitiu sua sobrevivência como cidade, não obstante a origem garimpeira. “Celula-mater” da extensa região recém conquistada, Cuiabá multiplica-se hoje em 3 estados e 273 municípios, desde a primeira demarcação de limites de um município na região, Poconé, em 1831. Mesmo com o importante livro do doutor Otávio Canavarros, a história oficial brasileira ainda subestima Cuiabá. Suas marcas históricas são cicatrizes que deviam estar sendo reverenciadas como monumentos à História do Brasil e não marginalizadas como restos de episódios locais banais provincianos. 


segunda-feira, 9 de abril de 2018

CUIABÁ EM 5 FASES

Torre aos Navegantes Platinos - Estudo arquiteto Ademar Poppi

José Antonio Lemos dos Santos
     Atendendo honroso desafio da Arquidiocese de Cuiabá por ocasião do aniversário da cidade preparei um resumo da história de Cuiabá em 5 fases, que reproduzo neste artigo ciente dos riscos que envolvem todas as simplificações. A primeira fase iria então de 1719 a 1750 e foi chamada de “A Cidade do Ouro” com início na descoberta das Jazidas do Sutil, quando se deu a fundação da cidade. A notícia do ouro abundante espalhou rapidamente atraindo milhares de pessoas em busca de riqueza e consta que a cidade nesse período chegou a ser a maior do Brasil.
     A segunda fase, chamada de “Cidade Baluarte”, vai de 1750 a 1870 e começa com a rápida exaustão do ouro. A cidade tinha tudo para se transformar em uma “cidade-fantasma” não fosse o interesse da Coroa Portuguesa em manter a posse desta parte central do continente situada além do limite estabelecido pelo Tratado de Tordesilhas sendo então pertencente à Espanha. Discutia-se o Tratado de Madri baseado no direito pela posse, e Cuiabá virou uma posição estratégica permanente para a coroa portuguesa. Foi base para a construção de Vila Bela e depois já no Império, serviu de centro da valorosa defesa do território brasileiro em episódios da Guerra do Paraguai na defesa de Dourados e a Retomada de Corumbá, esta sacrificando metade da população da cidade com a Varíola trazida pelas tropas em seu retorno.
     A terceira fase iria de 1870 a 1960, e foi denominada “A Cidade Verde” e começa após a Guerra do Paraguai com um período de lenta expansão e intervalos de estagnação iniciado com a reabertura dos portos platinos e a liberação das importações para Cuiabá o que permitiu uma substancial elevação nos níveis da vida urbana, inclusive da arquitetura local com a construção de edifícios públicos, religiosos e residenciais com altos padrões construtivos e materiais finos de procedência europeia. Época dos primeiros melhoramentos públicos como praças e jardins sofisticados, distribuição de água, linha de bonde com tração animal e ao final as obras do Estado Novo requalificando a cidade. É desta fase o epíteto “Cidade Verde” dado por Dom Aquino, e adotado como paradigma para a cidade.
     Entre 1960 e 2000 a quarta fase denominada “O Portal da Amazônia” vem no rastro da Marcha para o Oeste de Getúlio Vargas e a construção de Brasília, com a cidade transformando-se no principal polo de passagem e apoio logístico para a ocupação da Amazônia Meridional. Época de inadministráveis fluxos migratórios de destino ou passagem, a cidade conturbou-se a Várzea Grande e decuplicou sua população em 4 décadas. Muita gente, pouca infraestrutura urbana e pouco apoio federal em ajuda à cidade no desempenho de seu importante papel nesse momento da ocupação do território nacional. Desta fase é o CPA, o antigo estádio José Fragelli, Terminal Rodoviário, Distrito Industrial, UFMT, e a nova Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.
     Enfim, a fase atual a partir do ano 2000, denominada aqui de “A Capital do Agronegócio”, surgiu com a explosão econômica da Amazônia Meridional e, em especial, de Mato Grosso, agora uma das áreas mais produtivas do planeta. Cuiabá permanece como principal polo urbano de apoio a esse processo, agora na prestação de serviços comerciais, bancários, de comunicação, saúde, educação e cultura especializados.  As elevadas taxas de crescimento demográfico são atenuadas e a cidade se metropoliza baseada principalmente em investimentos privados. Nesta fase destacam-se os vultosos recursos privados e públicos oportunizados pela Copa do Pantanal viabilizando obras de infraestrutura urbana, ampliação do aeroporto, uma fábrica de cimento e a ampliação das redes hoteleira e de shoppings comerciais.

Atend

domingo, 8 de maio de 2016

ESTADO UNIDO DE MATO GROSSO


José Antonio Lemos dos Santos

     O dia 9 de maio marca o aniversário de Mato Grosso e ainda não é comemorado com toda a efusividade e orgulho que o homenageado merece. A data lembra 1748 quando o rei de Portugal, dom João V, através de Carta Régia determina a criação de duas Capitanias, “uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá”. A que seria das Minas de Cuiabá virou a Capitania de Mato Grosso e para governá-la foi nomeado dom Antonio Rolim de Moura, futuro Conde de Azambuja, que tomou posse e permaneceu em Cuiabá até Vila Bela ficar pronta. Morou em Cuiabá próximo à pracinha que lhe homenageia, conhecida como Largo da Mandioca. Depois chegou a ser vice-rei, o governante maior no Brasil na época, representante local de El-Rey. Se o presente para Cuiabá em seu Tricentenário pudesse ser a revitalização do seu centro histórico, ao menos com um projeto completo envolvendo os governos federal, estadual e municipal, a reconstrução histórica da casa de Rolim de Moura seria mais uma poderosa atração nesse que poderá ser um novo polo cultural e turístico cuiabano, gerador de emprego e renda.
     Sei que muitos acham que não temos nada a comemorar, alegando que em Mato Grosso faltam escolas, hospitais, esgoto, rodovias, ferrovias, etc. São os que só enxergam o que falta. E é bom que existam pessoas assim, desde que de forma construtiva. Prefiro enxergar aquilo que existe, em especial o que foi produzido pelo trabalho do povo, autônomos, patrões e empregados, apesar de todas as dificuldades e de tudo o que nos falta. Mato Grosso é hoje o maior produtor agropecuário do país, liderando o país em gado, algodão, milho, girassol, milho de pipoca, feijão, soja e também é um dos maiores produtores de ouro, diamante, madeira, álcool, biodiesel, carnes de frango, suíno e peixe. Melhor, Mato Grosso não produz armas, instrumentos da morte, como muitos dos que nos criticam. Ao contrário, com orgulho ajuda a matar a fome do mundo, ainda que sem plena consciência desse importante papel.
     Para chegar a esta posição Mato Grosso conta com a extensão e diversidade produtiva de seu território e, principalmente, com o trabalho sofrido e determinado de sua gente em todos os cantos. Comemorar os 268 anos de Mato Grosso é festejar a grande obra do mato-grossense que ano passado, apesar da crise, produziu um superávit comercial de US$ 13,7 bilhões, mais de 2/3 (66,4%) do saldo comercial brasileiro, o que daria para construir vários hospitais, escolas, ferrovias, duplicações rodoviárias e melhorar a qualidade dos serviços públicos. É o sexto estado maior exportador do Brasil e literalmente vem entupindo o Brasil alimentos, para consumo nacional e mundial, em um país que não se preparou, e não se prepara, para o tanto que este estado gigante produz, descompasso que tem custado caro em termos econômicos, ambientais e de vidas humanas aos mato-grossenses. 
     Comemorar os 268 anos de Mato Grosso não é ufanismo idiota, é festejar a riqueza construída, mas também cobrar tudo o que o povo que a produz tem direito. É ver hoje Mato Grosso rico espantando a pobreza que sempre foi o álibi dos maus governantes. O mato-grossense tem que festejar com alegria, orgulho e muitas cobranças. O sucesso de Mato Grosso é a força do trabalho de seu povo unido na grandeza e diversidade de seu território, e seu maior produto é sua gente, que lembro na figura de Rondon, um dos maiores homens gerados pela a Humanidade, cuja data, 5 de maio, passou despercebida em sua própria terra. Ainda com muito a consertar, Mato Grosso é para ser festejado, imitado e, sobretudo, aplaudido.  Viva Mato Grosso, unido e forte!
brasil.gov.br

(Publicado em 08/05/2016 pelos site Midianews, JornalOeste de áceres, Página do Enock, MatoGrossoNoticias, ...)

Comentários em sites:
No Midianews:

Benedito Carlos Teixeira Seror  08.05.16 12h21
Leio com muita atenção os artigos do Prof. José Antônio Lemos e sempre fico impressionado com seu otimismo, e o admiro pela coragem com que expõe e defende suas ideias. Torço para que em breve Mato Grosso seja definitivamente inserido no mundo das oportunidades para todos, modernizando-se, sem perder suas ricas tradições. O débito de políticas públicas que existe para com os que aqui vivem precisa urgentemente ser quitado. Com educação e cidadania conquistadas, poderemos alavancar as transformações de há muito aguardadas.
Nelson  08.05.16 16h13
Parabéns também para vc professor José Antonio Lemos pelo artigo que registra data de aniversário do nosso poderoso estado de Mato Grosso citando o primeiro governador Dom Rolim de Moura, personagem importante da nossa história relegado ao olvido pelos matogrossenses tal como o prédio que o abrigou.
manoel  09.05.16 09h51
"ALIMENTOS PARA O MUNDO" - Esta é a vocação deste Estado fenomenal. Parabéns Mato Grosso.

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

MATO GROSSO EM SAMBAS-ENREDO

youtube.com

Para conhecer ou não esquecer. Tereza de Benguela com Vila Bela e Joãozinho Trinta na Sapucaí em 1994. Cuiabá com a Mangueira em 2013. Sorriso com a Unidos da Tijuca em 2016 e Mato Grosso sendo homenageado pela Mancha Verde também em 2016. Está bem aí ao lado na seção Mato Grosso, no canto esquerdo do Blog. Basta clicar.

terça-feira, 6 de maio de 2014

ESTADO UNIDO DE MATO GROSSO

Aprosoja

José Antonio Lemos dos Santos

     Na próxima sexta, 9 de maio, deveríamos comemorar com muita festa e orgulho o 266° aniversário de Mato Grosso, data que lembra o ano de 1748, quando o rei de Portugal, dom João V, através de Carta Régia, determina a criação de duas Capitanias, “uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá”. A Capitania das Minas de Cuiabá virou a Capitania de Mato Grosso e para governá-la foi designado dom Antonio Rolim de Moura, que tomou posse e permaneceu em Cuiabá por cerca de um ano, até que Vila Bela fosse construída. Morou no centro histórico de Cuiabá, próximo à praça que tem o seu nome e que é popularmente conhecida como Largo da Mandioca. Depois chegou a ser o vice-rei do Brasil, o governante maior no país na época, já que El-Rey ficava em Portugal. Que tal pensar na reconstrução da casa de Rolim de Moura na Mandioca, uma nova atração no centro histórico de Cuiabá? 
     Sei que existem aqueles que acham que não temos nada a comemorar, alegando que em Mato Grosso faltam escolas, hospitais, não tem esgoto, não tem rodovias nem ferrovias, não tem, não tem... São os que só enxergam o que falta. E é bom que existam pessoas assim, em especial os que com essa visão produzem uma crítica positiva. Eu já sou da turma que prefere enxergar aquilo que existe, em especial aquilo que foi produzido pelo trabalho do povo, patrões e empregados, apesar de todas as dificuldades, apesar de tudo aquilo que nos falta. Mato Grosso é hoje o maior produtor agropecuário do país, liderando o país em algodão, milho, girassol e soja e também é um dos maiores produtores de ouro, diamante, madeira, álcool, biodiesel, carnes de frango, suíno, peixe e gado, com um rebanho bovino de quase 30 milhões de cabeças. Mato Grosso não produz armas, bombas atômicas, mísseis, aviões de guerra, como muitos daqueles que nos criticam. Ao contrário, é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e com muito orgulho ajuda a matar a fome de um planeta cada vez mais carente de alimentos.
     Para chegar a esta posição Mato Grosso conta com a extensão e diversidade produtiva de seu território e, principalmente, com o trabalho determinado e sofrido de sua gente em todos os cantos. Comemorar os 266 anos de Mato Grosso é festejar a grande obra do mato-grossense que ano passado produziu um superávit comercial de US$ 14,4 bilhões para o Brasil que daria para construir vários hospitais, escolas, ferrovias, duplicações rodoviárias e melhorar em muito a qualidade dos serviços públicos. Mato Grosso literalmente vem entupindo o Brasil de grãos, mostrando ao mundo que o país não se preparou para o tanto que este estado produz, num descompasso que já custa muito caro em termos econômicos, ambientais e de vidas humanas aos mato-grossenses em especial. 
     Comemorar os 266 anos de Mato Grosso não é ufanismo idiota nem se deitar em berço esplêndido, é festejar a riqueza construída e, antes de tudo, cobrar tudo aquilo a que o povo que a produz tem direito. É vibrar com as exibições do Mixto, Luverdense e Cuiabá na Arena Pantanal, palco fantástico da Copa. É ver o cuiabano torcendo pelo Luverdense e o Luverdense torcendo pelo Cuiabá. É ver hoje Mato Grosso rico espantando a pobreza que sempre foi o álibi dos maus governantes. A desculpa da pobreza não vale mais. O mato-grossense tem que festejar com alegria, orgulho e muitas cobranças. O sucesso de Mato Grosso é a força do trabalho de seu povo unido na grandeza e diversidade de seu território, nas dimensões exatas exigidas pelo século XXI, o século da internet, da TV a cabo, do asfalto, do avião a jato... Ainda que tenha muito a consertar, Mato Grosso é para ser festejado, imitado e, sobretudo, aplaudido. Viva Mato Grosso, unido e cada vez mais forte! 
(Publicado em 06/05/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)

terça-feira, 7 de maio de 2013

MATO GROSSO, 265 ANOS

www.cuiabaesporteclube.com.br


José Antonio Lemos dos Santos

     Depois de amanhã, 9 de maio, deveríamos comemorar com muita festa e orgulho o 265° aniversário de Mato Grosso, data que lembra o ano de 1748, quando o rei de Portugal, dom João V, através de Carta Régia determina a criação de duas Capitanias, “uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá”. A Capitania das Minas de Cuiabá virou a Capitania de Mato Grosso e para governá-la foi designado Dom Antonio Rolim de Moura, que tomou posse e permaneceu em Cuiabá por cerca de um ano, até que Vila Bela fosse construída. Morou no centro histórico de Cuiabá, próximo à praça que tem o seu nome e que é popularmente conhecida como Largo da Mandioca. Depois chegou a ser o Vice-Rei do Brasil, o governante maior do país na época, já que El-Rey ficava em Portugal. Seria possível pensar na reconstrução da casa de Rolim de Moura, criando uma nova atração no centro histórico? 
     Sei que existem aqueles que acham que não temos nada a comemorar, pois em Mato Grosso faltam escolas, faltam hospitais, não tem esgoto, não tem estradas, não tem ferrovias, não tem, não tem... São os que só enxergam o que falta. E é importante que existam pessoas assim, em especial aqueles que nessa visão produzem uma critica positiva. Eu já sou da turma que prefere enxergar aquilo que existe, em especial, aquilo que foi produzido pelo trabalho do povo, patrões e empregados, apesar de todas as dificuldades, apesar de tudo aquilo que nos falta. Mato Grosso é hoje o maior produtor agropecuário do país, liderando o país em algodão, milho, girassol, soja e também é um dos maiores produtores de ouro, diamante, madeira, álcool, biodiesel, carnes de frango, suíno, peixe, gado, com um rebanho bovino de quase 30 milhões de cabeças. Mato Grosso não produz armas, bombas atômicas, mísseis, aviões de guerra, como muitos daqueles que nos criticam. Mato Grosso é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e com muito orgulho ajuda a matar a fome de um planeta cada vez mais carente de alimentos.
     Para chegar a esta posição Mato Grosso contou com a extensão e diversidade produtiva de seu território e, principalmente, com o trabalho determinado e sofrido de sua gente em todos os seus cantos e recantos. Comemorar os 265 anos de Mato Grosso é festejar a grande obra do mato-grossense que ano passado produziu um superávit comercial de US$ 13,0 bilhões para o Brasil que daria para construir vários hospitais, escolas, ferrovias, duplicações rodoviárias e melhorar em muito a qualidade dos serviços públicos. Mato Grosso mês passado entupiu literalmente o Brasil de grãos, mostrando ao mundo que o país não se preparou em termos de infraestrutura para tudo o que o estado produz, num descompasso que já custa muito caro aos brasileiros em termos econômicos, ambientais e de sacrifício de vidas humanas.
     Comemorar os 265 anos de Mato Grosso, não é ufanismo idiota nem deitar em berço esplêndido, é festejar a riqueza construída e, antes de tudo cobrar, em especial da União, tudo aquilo que o povo que a produz tem direito. É ter vibrado domingo passado com Cuiabá e Mixto na final do campeonato mato-grossense de futebol, com o Dutrinha lotado, e ainda torcer unidos pelo Luverdense depois de amanhã na Taça do Brasil. A pobreza sempre foi o álibi dos maus governantes e agora Mato Grosso é rico sim. Essa desculpa não vale mais. O mato-grossense tem que festejar com alegria, orgulho e muitas cobranças. O sucesso de Mato Grosso é a força do trabalho de seu povo unido na grandeza e diversidade de seu território, nas dimensões exatas exigidas pelo século XXI, o século da internet, da TV a cabo, do asfalto, do avião a jato. Ainda que tenha muito a consertar, Mato Grosso é para ser festejado, imitado e, principalmente, aplaudido. Viva Mato Grosso! 
(Publicado em 07/05/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 2 de abril de 2013

CUIABÁ 300-6

Arquiteto Moacyr Freitas


blog.cabcuiaba.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Às vésperas do tricentésimo aniversário de fundação, Cuiabá vive o melhor momento econômico de sua história. Plena em vitalidade, pujante, vive seu terceiro salto de desenvolvimento, previsto desde o final dos anos 80 para ser o salto da qualidade, impondo a seus líderes, administradores e cidadãos desafios seguidos e crescentes que exigem a compreensão correta de seu novo momento e o atendimento de renovadas e sempre ampliadas demandas por infraestrutura e serviços. Lembra o poeta Carmindo de Campos que vi em pessoa declamar: “Cuiabá minha velha e lendária cidade, você está remoçando ...”.



     Comemorando 294 anos no próximo dia 8, Cuiabá continua a contagem regressiva anual para o Tricentenário, sua maior efeméride no século. Em termos de planejamento a Copa já passou, agora é preparar a cidade para os 300 anos. E resta pouco tempo, só 6 anos! O aniversário de Cuiabá festeja uma cidade que nasceu entre as pepitas de um corguinho com muito ouro, tanto que era chamado pelos nativos de Ikuiebo, Córrego das Estrelas. E o Córrego das Estrelas desembocava em um belo rio, num lugar de grandes pedras chamado de Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão, em bororo. E a cidade floresceu bonita, Cuiabá, célula-mater do oeste brasileiro, mãe original de tudo o que sucedeu neste ocidente do imenso Brasil, mãe de cidades e estados. 
JornalVidaENatureza

     No curto ciclo do ouro, Cuiabá chegou a ser a mais populosa cidade do Brasil. O fim do metal selaria seu destino como o das cidades-fantasmas garimpeiras não fosse a localização mágica, centro do continente, cuja expectativa de riqueza atraía Portugal. Quando o limite entre as duas coroas ibéricas deixou de ser Tordesilhas, Cuiabá vira o bastião português em terras então espanholas e dá seu primeiro salto de desenvolvimento, o da sobrevivência. Continuou viva e logo Portugal criou a Capitania de Mato Grosso, sediada em Cuiabá enquanto se construía a capital Vila Bela. Mesmo voltando a ser capital, por quase três séculos sobreviveu à duras penas, período heroico que forjou uma gente corajosa e sofrida, mas alegre e hospitaleira, criadora de um dos mais ricos patrimônios culturais do Brasil e com proezas que merecem melhor tratamento pela história oficial brasileira. Como um astronauta contemporâneo, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave só por um cordão, assim Cuiabá sobreviveu por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização apenas pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai.
     Até que na década de 60 a cidade vibra de novo, vira o “portal da Amazônia” e sua população decuplica no salto da quantidade, expandindo-se como base de ocupação da Amazônia meridional, sem a menor preparação ou apoio da União. Sozinha e sem recursos, apoiando uma região ainda vazia economicamente, Cuiabá explodiu em todos os sentidos, despreparada para tão grande e súbita demanda.
     No raiar do novo milênio, Cuiabá vive seu terceiro salto de desenvolvimento, o salto da qualidade. Não é mais o centro de um vazio. Ao invés, polariza uma das regiões mais dinâmicas do planeta, que ajudou a ocupar e construir, e que hoje não só lhe cobra o apoio, mas também a empurra para cima, em um sadio processo de simbiose regional ascendente. Aos 294 anos, Cuiabá vibra em desenvolvimento, impulsionada pelo dinamismo regional, conectada ao mundo e turbinada pela Copa. Mais que reverenciar o passado e festejar o presente é forçoso cuidar do futuro, num choque de adrenalina e competência que coloque cidadãos, líderes e dirigentes à altura da cidade que temos para enfim prepará-la para o Tricentenário com alta qualidade de vida, ainda mais bela, justa, democrática e sustentável. 

(Publicado em 02/04/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 5 de abril de 2011

CUIABÁ 300-8

José Antonio Lemos dos Santos


     Comemorar os 292 anos de Cuiabá é festejar uma cidade que brotou entre as pepitas da beira de um corguinho que, de tanto ouro que tinha, era chamado pelos nativos bororos de Ikuiebo, o córrego das estrelas. E o córrego das estrelas desaguava em um belo rio, num lugar de grandes pedras onde se pescava com flecha-arpão, e que por isso se chamava Ikuiapá. E a cidade floresceu bonita e se chamou Cuiabá, transformando-se na célula-mater do oeste brasileiro, mãe original de tudo o que veio a suceder na região, mãe de cidades e de estados.
     No breve tempo que durou o ouro, levado quase todo para a Europa, Cuiabá chegou a ser a mais populosa cidade do Brasil. O ouro acabou rápido e seu destino seria o das cidades-fantasmas garimpeiras não fosse a localização mágica, centro do continente, em terras à época espanholas, cuja expectativa de riqueza interessava Portugal. Então o Papa decide que o limite entre as duas coroas não seria mais definido por Tordesilhas, mas pela posse das terras. E Cuiabá sobrevive ao fim do ouro como bastião português, apoio e defesa dos interesses lusos e dá seu primeiro salto de desenvolvimento, o da sobrevivência.
     Logo Portugal criou a Capitania de Mato Grosso com sua sede instalada em Cuiabá enquanto era construída a futura capital, Vila Bela. Por dois séculos sobreviveu à duras penas, quando voltou a ser capital, período heróico que forjou uma gente brava, sofrida mas alegre e hospitaleira, capaz de produzir um dos mais ricos patrimônios culturais do Brasil, com vultos e proezas que merecem ser melhor tratadas e destacadas na história oficial brasileira. Como um astronauta contemporâneo, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave apenas por um cordão prateado, assim Cuiabá sobreviveu por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização apenas pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai.
     Até que na década de 60 a cidade vibra novamente, transforma-se no “portal da Amazônia” e em pouco tempo sua população decuplica. Foi o salto da quantidade, a expansão necessária como base à ocupação da Amazônia meridional, a qual se deu sem a menor preparação e sem qualquer apoio da União, que lhe era devido pela importante função estratégica que desempenhava. Sozinha e sem recursos próprios, no centro de uma região que apoiava e promovia, mas que ainda não dispunha de recursos, Cuiabá explodiu em todos os sentidos, em dinamismo, em desenvolvimento, mas também no rompimento de sua estrutura urbana, despreparada para tão grande e súbita demanda.
     No alvorecer do novo milênio, Cuiabá está em seu terceiro salto de desenvolvimento, agora o salto da qualidade. Não é mais o centro de um vazio. Ao contrário, polariza uma das regiões mais dinâmicas do planeta, que ajudou a construir e que hoje não apenas lhe cobra o apoio, mas também a empurra para cima cobrando sempre mais, em um sadio e maduro processo de simbiose regional ascendente.
     A oito anos de sua data mais significativa, o tricentenário, Cuiabá vive o melhor momento de sua história, impulsionada pelo desenvolvimento regional e turbinada como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Nos seus 292 anos, mais do que reverenciar o passado e festejar o presente, é forçoso cuidar melhor do futuro. A Copa é um estratagema do Bom Jesus de Cuiabá para forçar nosso olhar para frente, para o positivo e o construtivo, um choque de adrenalina e capacitação, tentando nos colocar, cidadãos, políticos e dirigentes, à altura da cidade que temos. Só assim será possível prepará-la para a Copa e para a festa dos trezentos anos, que também já está bem aí. A cidade deu saltos de desenvolvimento, a cidadania ainda não.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 05/04/2011)

terça-feira, 11 de maio de 2010

MATO GROSSO, 262 ANOS

José Antonio Lemos dos Santos


     Em 9 de maio de 1748, Dom João V, Rei de Portugal, através de Carta Régia determina a criação de duas Capitanias, "uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá". A Capitania que seria nas Minas de Cuiabá virou a Capitania de Mato Grosso e para governá-la foi designado Dom Antonio Rolim de Moura, que tomou posse e ficou em Cuiabá cerca de um ano, até que Vila Bela fosse construída. Morou em Cuiabá na praça que tem o seu nome, mas que popularmente é conhecida como Largo da Mandioca, primeiro centro político-administrativo do estado. Mais tarde foi Vice-Rei do Brasil.
     Desde então Mato Grosso faz história. Indo de Mato Grosso do Sul até ao Acre, Mato Grosso foi a vanguarda na superação dos limites de Tordesilhas. Expandiu e depois conseguiu a proeza de defender e consolidar todo este imenso território como terras brasileiras, a peso de muita bravura e sacrifícios de seus filhos. A partir do ouro que lhe dá origem, Mato Grosso produziu diamantes, borracha, ipecacuanha, carne. Hoje é o maior produtor agropecuário do Brasil, líder em soja, álcool, algodão, biodiesel e gado, um dos maiores exportadores do país ao menos desde 1998 e responsável nos últimos anos pela maior parte dos superávits comerciais brasileiros. O valor de sua exportação é superior aos dos outros estados centro-oestinos somados! Nos últimos anos é o estado de maior sucesso no Brasil e uma das regiões mais dinâmicas do planeta – produzindo alimentos e uma gente muito boa, como sempre produziu, não armas, para o país e o mundo.
     No ano passado tive a paciência de aplicar os dados de 2005 de Mato Grosso numa importante fórmula criada pelo IPEA para calcular o custo mínimo de uma unidade federativa. Mato Grosso superava em mais do dobro o seu custo mínimo (2,2 vezes), colocando-se entre os 6 primeiros estados mais viáveis do país. A maioria malemá cobre seus custos. Já os números de 2009 deveriam ser massificados para que os mato-grossenses tenham a exata noção da grandeza de seu trabalho para o Brasil e possam exigir dos governos o tratamento que têm direito. Com US$ 7,7 bilhões de saldo, Mato Grosso produziu 30% do superávit do saldo comercial brasileiro em 2009. Isto é, Mato Grosso trouxe 1 de cada 3 dólares que o Brasil ganhou no ano passado em suas relações comerciais. Um número imenso, equivalente, por exemplo, ao custo de quase quatro ferrovias ligando Alto Araguaia à Sinop, passando por Rondonópolis, Cuiabá e Lucas, ou duplicar 13 vezes a rodovia no mesmo trajeto, sem excluir ninguém. Por ano! E em 2010 segue na mesma toada, com seu saldo comercial em dobro ao do país no primeiro trimestre.
     Isso é Mato Grosso aos 262 anos, a sétima renda per capita do Brasil mesmo sem ter uma ferrovia e com suas rodovias federais abandonadas. Mesmo com o gás de seu gasoduto cortado e paralisada sua termelétrica que lhe dava confiabilidade energética; mesmo paralisadas as obras de seu principal aeroporto e esquecido o aproveitamento múltiplo de Manso. O maior produtor agropecuário do país só agora terá uma unidade de pesquisa da Embrapa. E sem uma Base Aérea, apesar de ter 1.100 Km de fronteira. Em 2010 há que se festejar com orgulho os 262 anos de Mato Grosso, fazendo das próximas eleições uma grande festa de cobrança cívica. E, especialmente, em homenagem ao cidadão mato-grossense de todos os tempos e recantos do estado – autônomo, patrão ou empregado – aquele que de fato faz o sucesso de Mato Grosso apesar das dificuldades, do desamparo dos governos e do descaso dos políticos, mostrando a força de um estado unido e trabalhador.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 11/05/2010)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

CUIABÁ 300-10

José Antonio Lemos dos Santos


     Em um local chamado Ikuiapá, com grandes pedras claras onde se pescava com flecha-arpão e um corguinho desembocava em um belo rio, o ouro fez surgir, corgo acima, uma cidade que floresceu bonita e se chamou Cuiabá. Celula-mater do ocidente brasileiro, gerou muitas outras, inclusive estados. E o pequeno córrego tinha tanto ouro que era chamado Ikuiebo, córrego das estrelas, tantas as pepitas que cintilavam à luz do sol e da lua aos olhos bororos, nativos.
     Por breve tempo, Cuiabá foi a mais populosa cidade do Brasil, de onde a Europa levou muito ouro, dinamismo que só durou enquanto durou o ouro. Seu fim seria o das cidades-fantasmas dos garimpos não fosse sua localização mágica, privilegiada, no centro do continente, em terras espanholas na época, cuja perspectiva de riqueza chama a atenção de Portugal. E então o Papa decide que o limite entre as terras dos dois países não seria mais definido pela linha do Tratado de Tordesilhas e sim pelo seu uso. Por ser a vanguarda física da coroa portuguesa nessa disputa, Cuiabá sobrevive ao fim do ouro, dando seu primeiro salto de desenvolvimento – o da sobrevivência, agora baluarte português, apoio e defesa dos interesses lusos.
     Logo Portugal criou a Capitania de Mato Grosso cujo primeiro governo foi instalado em Cuiabá, permanecendo como sua sede durante a construção da futura capital, Vila Bela. Por dois séculos sobreviveu à duras penas, com tempos melhores e piores, inclusive, recuperando nesse ínterim o status de capital. Período heróico que forjou uma gente brava, alegre e hospitaleira, capaz de produzir um dos mais ricos patrimônios culturais do Brasil, com vultos e proezas históricas que merecem melhor tratamento da história oficial brasileira. Como um astronauta contemporâneo, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave apenas por um cordão prateado, assim Cuiabá sobreviveu por séculos, solta na imensidão do hinterland continental, ligada à civilização apenas pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai.
     Até que na década de 60 a cidade é sacudida novamente, transforma-se no “portal da Amazônia” e em pouco tempo viu sua população decuplicar. Foi o salto da quantidade, era a expansão física necessária como base à ocupação da Amazônia meridional, que se deu sem o preparo adequado nem o devido apoio federal que exigia essa importante função urbana de interesse nacional. Sozinha e sem recursos próprios, no centro de uma região que apoiava e promovia, mas que também não dispunha de recursos, Cuiabá teve que receber seus novos habitantes sem poder oferecer a devida qualidade de vida urbana.
     No alvorecer do novo milênio, Cuiabá vive o seu terceiro salto de desenvolvimento, agora o salto da qualidade. Cuiabá não é mais o centro de um vazio. Ao contrário, polariza uma das regiões mais dinâmicas do planeta, que ajudou a construir e que hoje não apenas lhe cobra o apoio, mas também a impulsiona para cima, em um sadio e maduro processo de simbiose regional ascendente.
     Formando com Várzea Grande a maior cidade do oeste brasileiro, Cuiabá tem muito a comemorar nos seus 290 anos. Seu maior presente é o próprio presente que vive: dinâmica, moderna, globalizada, sintonizada como o mundo. Mas, mais que um aniversário, 290 anos é o início da última década antes do tricentenário. A responsabilidade da atual geração de cuiabanos, suas autoridades e lideranças, é fazer com que o salto da qualidade do novo tempo se materialize também na qualidade da cidade física em que vivemos, construindo aquele que será o maior presente para os 300 anos. E temos 10 anos para construí-lo.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 08/04/2009, excepcionalmente numa quarta-feira, aniversário da cidade)