"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

AEROPORTO: CARTA ABERTA AO PRESIDENTE


José Antonio Lemos dos Santos
     Senhor presidente, animado pelo estilo sincero e direto de comunicação de Vossa Excelência, arrisco-me a dirigir-lhe este artigo em forma de uma carta aberta, também franca e sincera. Se de alguma forma chegar ao Vosso conhecimento, fico feliz; se não, também. Em notícia da semana passada o secretário Nacional da Aviação Civil (SAC) teria afirmado ao senador mato-grossense vice-presidente da Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado que até dia 30 de novembro deverá estar concluído o processo de internacionalização do Aeroporto Marechal Rondon em Várzea Grande, principal acesso aeroviário de Mato Grosso. Embora torcendo pela realização da previsão do secretário, ela parece temerária por seu prazo exíguo e dá para desconfiar, principalmente aos mato-grossenses, e em especial aos cuiabanos e várzea-grandenses que por décadas vêm sendo enrolados neste assunto.
     Mas, senhor presidente, existem fatos novos que permitem crer que desta vez a internacionalização se concretize. Primeiro a corajosa determinação de Vossa Excelência na privatização do referido aeroporto no começo do ano, junto a outros 4 regionais, conseguindo o maior ágio entre os 3 blocos leiloados na ocasião, abrindo de imediato novas perspectivas para o transporte aéreo de cargas e pessoas em Mato Grosso. A Centro-Oeste Airports, concessionária vencedora chega com uma visão clara da grandeza das potencialidades do estado, o maior produtor agropecuário do Brasil e hoje uma das regiões hoje mais dinâmicas do planeta. Seu presidente, Marco Antonio Migliorini, diz que o desejo da empresa é transformar o Marechal Rondon em um ponto de conexão continental – hub – desejo que é também uma das mais antigas aspirações locais no rumo da realização da vocação de Cuiabá em ser um dos pontos naturais de encontro dos caminhos centro-continentais, e do próprio aeródromo, posto no exato centro do continente sul-americano.
     Outro fato novo considerável em favor da internacionalização do Marechal Rondon é a decisão do atual governo estadual em explorar as potencialidades dos relacionamentos do estado com os demais países da América do Sul, tendo inclusive no início do ano criado uma comissão, ainda muito ativa, destinada a destravar este processo que dura décadas, contando com a participação de representantes da Infraero, Trade Turístico, Receita Federal, Prefeitura de Várzea Grande e secretários de Estado. Básico também vem a ser o interesse manifesto pela Azul e as providências já tomadas pela empresa no sentido da implantação de uma linha Cuiabá - Santa Cruz de La Sierra (Bolívia), que também já conta com autorização das autoridades bolivianas.
     Senhor presidente, das quatro autorizações brasileiras necessárias, as do Ministério da Agricultura, Anvisa e Polícia Federal estão resolvidas. O problema está na Receita Federal que alega precisar de um espaço maior do que o pedido e construído na época da ampliação do aeroporto. Segundo o superintendente da Infraero, as atuais instalações atenderiam a 200 passageiros/hora, suficiente para início das atividades com 2 voos semanais. Senhor presidente, esta situação por parte da Receita Federal já integra o acervo do folclore mato-grossense desde a década de 80 quando a linha hoje pleiteada era explorada pela antiga LAB e, conforme conta a lenda foi desativada por falta de um espaço de 7m x 4m para alfandegagem. Desde então outras tentativas foram feitas sem sucesso, e os voos não mais voltaram.
     Senhor presidente, Mato Grosso ofereceu um dos maiores percentuais de apoio à sua candidatura e é um dos maiores polos de confiança em seu governo, desculpe o atrevimento no fechamento desta cartinha, mas dá uma força para nós aí, tá OK?

segunda-feira, 16 de abril de 2018

GÁS E FUTURO

Termelérica Cuiabá  (Imagem HiperNotícias)

José Antonio Lemos dos Santos
     Na semana em que Cuiabá comemorava seu 299º aniversário, com a cidade adentrando em seu tricentésimo ano de existência, foi noticiada a suspensão do funcionamento da Usina Termelétrica de Cuiabá e do gasoduto Bolívia-Cuiabá. Não entro aqui nos porquês dessa suspensão pois o rolo é muito grande envolvendo as 2 maiores empresas do país, presidência da república, lava-jato, em suma, desfocaria o objetivo deste artigo que é o descaso ou desleixo com que as autoridades governamentais e as lideranças civis do estado tratam o complexo industrial mais caro de Mato Grosso, fundamental para seu desenvolvimento e construído a um custo de 1,0 bilhão de dólares!
     Especialista em Planejamento Urbano, não entendo nada sobre gás, termelétrica ou rolos de empresas, mas sei o quanto é importante a disponibilidade do gás para o desenvolvimento de uma cidade ou região. Por isso sigo a Termelétrica desde sua gestação já tendo escrito muitos artigos sobre o assunto sob a ótica de Cuiabá e Mato Grosso. A Termelétrica de Cuiabá é fruto da visão de estadista do saudoso Dante de Oliveira. Com o gasoduto Bolívia-Cuiabá, integra um complexo inaugurado em 2002 a um custo de US$ 1,0 bilhão, repito. Com sua perspectiva de futuro o então governador anteviu a grande produção agropecuária atual de Mato Grosso, já prevendo a energia e a logística de transportes como os dois gargalos para esse processo. Hoje Mato Grosso é o líder do agronegócio nacional, principal fiador do saldo comercial e do PIB nacional, mas está encalacrado na logística. Só não está em crise energética justo pelas providências daquele tempo.
     Uma vez instalada em Mato Grosso uma agropecuária de alta tecnologia e produtividade, Dante percebeu ser fundamental a criação das condições para a verticalização no estado dessa produção primária, agregando-lhe valor. Gerar empregos aqui em vez de exportá-los. Entendia que a Baixada Cuiabana poderia ser a base desse processo de verticalização com apoio da ZPE de Cáceres. Para esse salto, energia e transporte seriam essenciais. Arrancou assim das barrancas do Paraná os trilhos da Ferronorte, criou o FETHAB, implantou o Porto Seco e internacionalizou o Aeroporto Marechal Rondon, providenciando sua ampliação a quatro mãos com o também saudoso Orlando Boni, cuiabano então presidente da Infraero. Na questão da energia destravou a APM de Manso, então com obras paralisadas a bastante tempo e trouxe a poderosa Enron para implantar o complexo termelétrica/gasoduto.
     Implantado o complexo do gás viriam com ele as vantagens regionais comparativas para a instalação de novas indústrias e outros investimentos. Só que o plano não avançou, a ponto do gás hoje não sensibilizar nem os taxistas e a Termelétrica ter um funcionamento descontinuado. O gás aqui foi inconfiabilizado e sempre me intrigou a causa desse aparente insucesso e do estranho silêncio de nossas lideranças empresariais e políticas sobre o assunto. Por que? Para mim não entenderam nada até hoje, na mais gentil das minhas hipóteses.
     Agora vem esta nova suspensão de funcionamento, mais séria pois afeta também o gasoduto. Ouvi no rádio o presidente do MTGás dizer que obteve uma liminar na Justiça assegurando o funcionamento do gasoduto e que, portanto, poderiam ficar tranquilos os cerca de 800 motoristas e as 4 ou 5 empresas que usam o gás como insumo energético. Infelizmente, trata-se muito mais que isso. Sugiro ao leitor buscar no Google pelo gás de Mato Grosso do Sul. Sentirão o mesmo que senti: inveja! Nos mapas, a distribuição por quase toda a Campo Grande, indo a Três Lagoas e Corumbá, para uso veicular, residencial, comercial, industrial e cogeração. Lá bombando o futuro, enquanto aqui ...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O VOO INTERNACIONAL

exame.abril
José Antonio Lemos dos Santos
     No final da semana o superintendente da Infraero em Mato Grosso informou que a Receita Federal deu seu aval para o Aeroporto Marechal Rondon operar voos internacionais podendo atender até 200 passageiros por hora, o que na prática significaria que do ponto de vista deste órgão Mato Grosso ganhou salvo conduto para voos ainda mais distantes pelo mundo afora através de seu principal aeroporto. Alvíssaras! Porém no momento o foco deve ser a concretização do primeiro voo da linha Cuiabá-Santa Cruz de La Sierra e sua consolidação. A notícia ainda diz que agora só falta a anuência da Polícia Federal. Como sempre, falta ainda alguma coisa para a realização deste antigo e importante projeto mato-grossense. Ainda bem que desta vez está avançando.
     Nas entrelinhas da excelente notícia vem uma outra fundamental indicando a existência de autoridades tanto no estado como no governo federal, em especial na Infraero, realmente interessadas no assunto, tomando providências, reivindicando, cobrando e agilizando as burocracias. Certamente será uma das maiores conquistas para a Grande Cuiabá e Mato Grosso, mas não basta esperar, tem que continuar correndo atrás e vencer obstáculos, alguns inesperados. Ainda falta um passo, prometido como o último antes da efetivação da linha.
     Uma cidade não é um ponto isolado no espaço. Elas funcionam como lugares centrais em redes hierarquizadas produzindo bens e serviços consumidos por uma região de abrangência chamada tecnicamente de hinterlândia. Quanto maior sua hinterlândia maior sua “centralidade” e sua importância regional, que nos casos extremos pode ser o planeta, como no caso de Nova York por exemplo. Sua capacidade de produção de bens e serviços para atendimento das demandas regionais evidentemente dependerá da infraestrutura instalada e em especial de modernas conexões transportadoras de cargas, passageiros, capitais, conhecimentos, notícias, etc. não só com sua hinterlândia mas com o restante da rede de hierarquia superior. Daí se explica tanta disputa por rodovias, aeroportos, ferrovias, etc., pois são determinantes na configuração da rede urbana e do grau de importância de cada cidade. Isso significa trabalho, emprego, renda e qualidade de vida.
     Quando como urbanista tratamos da urgência da ligação de Cuiabá e Mato Grosso ao sistema ferroviário nacional, ou insistimos na ampliação do Aeroporto Marechal Rondon e a implantação da linha aérea Cuiabá-Santa Cruz de La Sierra estamos tratando de fundamentos da sustentabilidade urbana de Cuiabá e do estado. As redes urbanas são dinâmicas e uma posição favorável hoje poderá ser diferente no futuro em função do que se fizer ou não hoje. Corumbá o mais importante centro industrial, comercial e bancário do estado quando Mato Grosso era uno, hoje busca recolocar-se de maneira sustentável na rede urbana de Mato Grosso do Sul. Na época não foi dada atenção aos fatores que lhe dava a hegemonia estadual. Voos internacionais reforçarão a centralidade da Grande Cuiabá e as potencialidades de Mato Grosso.
     O superintendente da Infraero e o secretário estadual de Turismo esperam uma reunião com a Polícia Federal ainda nesta semana para tratar do último passo para a efetivação da internacionalização do Marechal Rondon. Contando desde agosto passado com a autorização do governo boliviano, contando também com a liberação do Ministério da Agricultura e da Anvisa e o que é mais importante, contando com o interesse de uma das maiores empresas da aviação comercial do Brasil, tudo promete para muito breve o início da operação da linha aérea Cuiabá–Santa Cruz de La Sierra, de onde partem voos internacionais diretos de longo alcance. Um grande presente para o Tricentenário.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O GÁS DE MATO GROSSO E SUAS ILAÇÕES

HiperNotícias

José Antonio Lemos dos Santos
     Inadvertidamente o chefe do grupo J&F em sua polêmica gravação no Jaburu pode ter prestado um grande serviço a Mato Grosso. Preferia vê-lo preso pelos prejuízos que causou e continua causando ao Brasil, e em especial a Mato Grosso, maior produtor de gado do país e ele o maior o maior produtor de proteína animal do mundo. Um dos focos de sua famosa conversa com o presidente Temer foi um pedido de interferência presidencial junto ao CADE em uma suposta discriminação da Petrobrás contra a Termelétrica de Cuiabá em termos do preço do fornecimento de gás para a usina hoje de propriedade do grupo.
     A Termelétrica de Cuiabá é fruto da visão de futuro de um dos maiores estadistas que o Brasil teve, Dante de Oliveira, não valorizado entre nós como merecia justamente por ser daqui. Integra um complexo com o gasoduto Bolívia-Brasil (Cuiabá) implantado a um custo total de US$ 1,0 bilhão à época. Com sua perspectiva de futuro o então governador anteviu a grande produção agropecuária atual de Mato Grosso, já prevendo a energia e a logística de transportes como os dois gargalos para esse desenvolvimento. Hoje Mato Grosso é o líder do agronegócio nacional, fiador fundamental do saldo comercial e do PIB nacional, mas está encalacrado na logística e na energia para ir além.
     Instalado no estado um parque agropecuário de alta tecnologia e produtividade, Dante via ser fundamental a criação das condições para a verticalização no estado de toda essa produção, agregando valor à produção primária. Gerar empregos aqui em vez de exportá-los. Entendia que a Baixada Cuiabana poderia ser a base desse processo de verticalização com apoio da ZPE de Cáceres. Para esse salto restava resolver as questões da energia e do transporte para levar e trazer o desenvolvimento. Arrancou assim das barrancas do Paraná os trilhos da Ferronorte, criou o FETHAB, implantou o Porto Seco e internacionalizou o Aeroporto Marechal Rondon, providenciando sua ampliação a quatro mãos com o também saudoso Orlando Boni, cuiabano então presidente da Infraero. Na questão da energia destravou a APM de Manso, com canteiro de obras e máquinas parados a bastante tempo e trouxe a Enron.
     Então o complexo foi implantado com o gasoduto, a Termelétrica, e as vantagens regionais comparativas para a indústria e outros investimentos. Só que o plano não avançou a ponto do gás hoje não sensibilizar nem os taxistas e a Termelétrica ter um funcionamento descontinuado. Inconfiabilizados, em suma. Tirando a falência de seu primeiro dono, a Enron, outro grupo internacional logo assumiu, sempre me intrigou as causas desse aparente insucesso e do estranho silêncio de nossas lideranças empresariais e políticas sobre o assunto.
     Entre as causas está a interrupção do fornecimento do gás pelo governo Evo Morales, recém empossado, mantendo o fornecimento para outros ramais do Brasil. Começava a discriminação e também minhas ilações, palavra tão na moda hoje. Discutia-se a instalação de uma grande fábrica de fertilizantes da Petrobrás para atender o Centro-Oeste, cuja melhor localização seria uma posição central, no caso, Cuiabá. O gás era a principal matéria-prima. O governo boliviano, com os governos federal e de Mato Grosso do Sul, então companheiros ideológicos, queriam a fábrica no estado irmão. E o gás para Mato Grosso foi cortado, sob mil pretextos. A primeira ilação estava pronta. Com a omissão das lideranças políticas e empresariais mato-grossenses a fábrica foi instalada em Três Lagoas, colada a São Paulo, excêntrica a seu mercado. Agora aparece a reclamação do chefe da J&F. Seria verdade? Por que a diferenciação contra a Termelétrica de Cuiabá? Não é Brasil? Outras ilações ficam para futuros artigos.

sábado, 3 de setembro de 2016

AEROPORTO INTERNACIONAL

Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     Na oportunidade das eleições municipais e da elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Vale do Rio Cuiabá (PDDI/VRC), continuo esta série de artigos lembrando fatores positivos em condições de impulsionar o desenvolvimento da Baixada Cuiabana. Estão prontos. Destaco neste artigo o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande. Com mais de 3,2 milhões de passageiros em 2015 é o 12º aeroporto dentre os administrados pela Infraero.
     Diferente do que parece, as maravilhas da internet não diminuem a necessidade dos contatos físicos entre as pessoas. Pelo contrário, aumentam e muito os relacionamentos, seja no campo individual, comercial, político, institucional, etc. Ainda mais com os jatos comerciais cada vez maiores, mais seguros e acessíveis. Eu já visitei e fui visitado por parentes que não via a muito tempo e que a internet nos reaproximou. E assim em todas as áreas. No turismo, conhecemos muitos lugares via internet despertando o interesse por uma visita ao local. As facilidades para novos negócios comerciais ampliaram muito, e neles sempre em algum momento há a necessidade do encontro físico.
Foto José Lemos

     Assim, neste mundo globalizado e interconectado em todos os níveis os aeroportos internacionais são elementos fundamentais para o desenvolvimento de qualquer região como interfaces conectoras ao mundo, imensa vantagem comparativa para as cidades que os têm. E o Vale do Cuiabá tem um que serve não só à sua região metropolitana, mas também a todo Mato Grosso, um estado que é hoje uma das regiões mais produtivas do planeta, ávida por negócios e relacionamentos. Mas aqui, o nosso renitente complexo de pequi roído transformou o “Marechal Rondon” em motivo de piada, chacotas, ao invés de bandeira de luta de todos os mato-grossenses, principalmente dos municípios da Região Metropolitana do Cuiabá pela sua estruturação compatível com suas potencialidades de evolução, não só local, mas até continental tendo em vista sua posição central no continente sul americano.
     O Vale do Cuiabá dispõe desta enorme vantagem comparativa graças à sua posição estratégica e à visão daqueles verdadeiros profetas do desenvolvimento que em 1942 destinaram aquela área com 700 ha para o aeroporto, numa época em que a aviação comercial ainda engatinhava. Quem dera a geração atual tivesse essa visão. Hoje com um aeroporto internacional, gasoduto, termelétrica, Manso, Porto Seco, mão de obra farta, localização privilegiada, o Vale do Cuiabá deve ser proposto para o futuro como o principal polo de verticalização industrial do estado, agregando valor à sua produção agropecuária e mineral, como principal plataforma de acesso ao potencial turístico mato-grossense e também como principal polo estadual prestador de serviços na área do comércio, saúde, educação e de serviços técnicos especializados.
Foto José Lemos

     Por sua importância não só local, a consolidação do aeroporto internacional do Vale do Cuiabá precisa de muito empenho das lideranças políticas, empresariais e comunitárias locais com a convicção de que esta é uma disputa muito dura que extrapola o regional. Pelas notícias o governador Pedro Taques tem trabalhado nesse sentido buscando viabilizar um “hub” de uma grande empresa aéreas do país e o retorno da ligação com a Bolívia com inauguração anunciada para 5 de dezembro próximo. Mas é bom lembrar que os governos federais historicamente nunca tiveram muita simpatia pelo nosso aeroporto, salvo, a bem da justiça, quando a Infraero foi dirigida por um cuiabano, o saudoso Orlando Boni, que fez um projeto de ampliação da estação de passageiros e um Plano Diretor com outra pista e outra estação,  Plano que sumiu e precisa ser resgatado.
(Publicado em 03/09/16 pela Página do Enock, em 04/09/16 pelo Midianews, FolhaMax, HiperNotícias, em 05/09/16 no site do CAU/MT, em 06/09/16 pelo Diário de Cuiabá,,, ...)

COMENTÁRIOS
Na Página do Enock:
Osmir  03/09/16  23:57
"O senhor arquiteto que faz sempre rasgados elogios ao fato de Cuiabá ter sediado 4 joguinhos da Copa do mundo,com times de segunda e terceira linhas no ranking da FIFA, os dirigentes da maldita SECOPA da época,conseguiram praticamente destruir o sistema viário de Cuiabá e deixaram um rastro de destruição e corrupção de difícil solução.O Aeroporto é um caso à parte,uma obra ridícula,de arquitetura medíocre ,tocada por uma construtora técnica e administrativamente incompetente cuja licitação da obra, foi extremamente suspeita,além de muito prejudicada pelos constantes atrasos nos pagamentos.Essa maléfica combinação,inviabilizaram a obra,que irá nos desmoralizar mais ainda por um longo e indefinidoi tempo.A crise em Mato Grosso é de competência,enquanto o Pedro tiver na gestão contando com o desempenho desses anônimos almofadinhas engravatados, que nunca tocaram nada público,alguns, nem reforma de condominio,.não haverá solução.Chamem engenheiros,experientes tocadores de grandes obras públicas e com conhecimento de gestão de contratos públicos para desatar esses nós cegos deixados maldosamente pela gestão anterior, aí haverá algum esperança.,Senão tamos na merda! JÁ FAZEM DOIS ANOS APÓS A COPA E ATÉ AGORA O TREVO DO SANTA ROSA ESTÁ DO MESMO JEITO,(feio e inacabado e sem perspectiva) ISTO É UMA VERGONHA!"



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

EM CIMA DA ASA

M.Minikoviski

José Antonio Lemos dos Santos

     O voo 1371 de Cuiabá para São Paulo do último dia 24 chamou a atenção da mídia nacional com seus passageiros abrindo a porta de emergência e andando em cima da asa do avião após permanecerem em solo trancados por horas na aeronave aguardando em vão uma escada para desembarcarem no Rio de Janeiro, escala causada por mau tempo no local de destino. Segundo relato de uma passageira que viajava em companhia do marido, dos pais e de 2 filhos crianças, a abertura da porta de emergência teria ocorrido quando os passageiros reclamavam de calor porque as portas estavam fechadas e o ar-condicionado, desligado.
     A empresa aérea em nota informou que o avião havia pousado às 17h50 no Aeroporto do Galeão e foi dirigido ao pátio do Terminal de Cargas, um local distante com “acesso limitado” às escadas e aos serviços de transporte, “o que impossibilitou as atividades de desembarque”. Segundo a Infraero a decolagem para São Paulo se deu às 22h22, portanto
mais de 4 horas presos em solo num avião por falta de escadas! Isso no segundo maior aeroporto do Brasil! Ainda segundo a mesma passageira, “todo mundo entende chuva e aeroporto fechado, ninguém entende ficar sem informação e sem perspectiva por horas e horas". A abertura da porta de emergência e a invasão da asa foram então um legítimo e até natural gesto de desespero e protesto em resposta à sensação concreta de falta de ar e de respeito, o mínimo que se pensava assegurado aos passageiros na compra de uma passagem. 
     Aliás, seria também caso de um passeio em cima de alguma asa as cobranças do ministro da Aviação Civil no dia anterior em sua primeira visita às obras do Aeroporto Marechal Rondon, prioritárias na matriz de responsabilidade do governo federal com a Fifa para a Copa do Mundo 2014. Vale destacar que, em princípio qualquer cobrança é válida em se tratando de obras atrasadas em um compromisso nacional tão importante. Mas, quanto a esta, vinda de onde veio, cabem algumas considerações. Será que o ministro se lembra de que o aeroporto é uma responsabilidade federal, através da Infraero? Será que ele sabe que após a escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa a Infraero demorou 3 anos e 7 meses para aprontar o projeto, para só então sair a ordem de serviço para as obras? Obras que na verdade só deslancharam a partir da presidenta Dilma ter trazido a aviação civil para seu gabinete e feito substituições na direção geral e local da Infraero, mas, principalmente porque o governo do estado chamou para si a execução das obras. Sem estas medidas, a ampliação do aeroporto sequer teria sido iniciada até hoje, inviabilizando a Copa do Pantanal. 
     Outro dia foi a então ministra da Casa Civil, “comandante da força-tarefa” criada para garantir a realização da Copa, quem apareceu na imprensa nacional, não na obra, falando em estrutura de lona para o Marechal Rondon, que já se encontrava coberto. Agora o ministro da Aviação Civil, em sua primeira visita a obra aparece fazendo cobranças que também deveriam lhe destinar. A presença física das altas autoridades, em especial as federais, no acompanhamento de obras essenciais como a do Aeroporto Marechal Rondon, além de necessária, sempre será bem-vinda ao hospitaleiro povo cuiabano. Mas que seja para ajudar. Neste momento em que as obras deslancham, a presença deles será importante para assegurar a continuidade desse ritmo, e até acelerá-lo se for o caso. Por exemplo, a denúncia dos repasses atrasados feita semana passada pela empreiteira é grave e tem que ser esclarecida e resolvida já. Procede a reclamação? Alguém segura o repasse? A Secopa ou a Infraero? Esta obra não pode parar de novo, nem diminuir seu ritmo. Ainda dá tempo, mas não para mais erros. 
(Publicado em 04/02/2014 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

LONA?

José Antonio Lemos dos Santos

     Graças à sua localização estratégica no centro da América do Sul Cuiabá tem por vocação natural ser um grande encontro de caminhos em nível do estado, do país e do continente. Assim como no xadrez e no futebol, os lugares centrais são importantes também no planejamento regional e urbano, bem como na geopolítica. Daí que tenho acompanhado a questão da logística dos transportes em todos os seus modais em relação a Cuiabá e Mato Grosso pelo menos desde a década de 70. Especial atenção era dada ao transporte aeroviário, tendo sido incluída no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Cuiabá de 1992 a internacionalização do aeroporto Marechal Rondon como uma de suas prioridades. Depois o extinto Aglomerado Urbano no final dos anos 90 que acompanhou de perto o andamento das obras do aeroporto, alertando para as perspectivas de sua paralisação, que infelizmente veio a ocorrer, com graves prejuízos para Cuiabá e Mato Grosso. 
     Como um dos projetos essenciais para a Copa do Pantanal, a atenção para o Marechal Rondon agora é redobrada, já que se encontrava paralisado desde o início da década passada quando foi inaugurada a metade da estação de passageiros, então projetada no seu total para 1,0 milhão de passageiros/ano. A história da má vontade e pouco caso oficiais para com nosso aeroporto é antiga, gerando até a pitoresca história com a primeira dama do Brasil que lhe deu seu primeiro nome, Maria Tereza Goulart. Com a Copa a moagem com nosso aeroporto foi ao paroxismo até chegarmos à situação em que nos encontramos. Cuiabá ganhou a sede da Copa, mas até hoje muita gente e muitos altos escalões pelo Brasil afora ainda não engoliram o fato. Vão tocando o assunto mais por obrigação do que por vontade. 
     De 2009, ano da escolha de Cuiabá, para cá escrevi dezenas de artigos sobre a preparação do Marechal Rondon para a Copa, inclusive um com o título Molecagem já em fevereiro de 2011. Neles e no noticiário da época dá para relembrar o quanto foi difícil chegar ao ponto em que estão as obras do aeroporto hoje. Enrolaram na licitação do projeto, no projeto e na licitação da obra. Resumindo a ópera, o projeto foi entregue em julho de 2012 e só em dezembro foi concluída a licitação para as obras e dada a ordem de serviço. Tivemos 3 anos e 7 meses da escolha de Cuiabá até a ordem de serviço e nesse período aconteceu de tudo, erros, anulações, revisões, até erro de endereço, situações absolutamente incompatíveis com a grandeza da Infraero e a capacidade de seu corpo técnico. Assim, restaram 1 ano e 5 meses para as obras, exigindo das autoridades atenção redobrados desde então. 
     A coisa só andou de fato após mudança na direção da Infraero, troca na superintendência local e a entrada do governo do estado na execução da obra. É visível que as obras deslancharam e seguem aceleradas, dentro do cronograma segundo a Infraero. Justamente nesta hora a ministra do planejamento vem falar em “erguer uma estrutura de lona” para caso o aeroporto não seja concluído a tempo, mesmo com o aeroporto já coberto. Não sabia? Justo ela como “comandante da força-tarefa” criada pela presidente Dilma para garantir a realização da Copa no Brasil? Ainda há muito para fazer, mas ainda dá tempo. Se for preciso acelerar mais, que busquem condições para maior aceleração e este deveria ser o papel da ministra neste momento. E não aventar uma alternativa indigna para qualquer cidade brasileira, em especial para uma das sedes da Copa 2014, exposta aos olhos do mundo. Ela deve saber que "lona" não existe mais em soluções destinadas a abrigar pessoas ao menos desde a década de 60 com a tragédia do circo em Niterói. Se fosse com Campo Grande ou Curitiba, trataria da mesma forma? Duvido! 
(Publicado em 14/01/2014 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O TRIMILIONÉSIMO PASSAGEIRO

José Antonio Lemos dos Santos

Assessoria/Infraero/G1-MT

     Contente com a vitória do Luverdense em Caxias do Sul no sábado, lembro que em janeiro de 2011 saudei o duomilionésimo passageiro anual do Aeroporto Marechal Rondon alcançado pela primeira vez em dezembro do ano anterior. Agora, em 2013 ele chegou já nos primeiros dias de setembro, numa significativa antecipação que reflete o extraordinário desenvolvimento de Mato Grosso, que se mostra também no sucesso dos times do Luverdense e Cuiabá. Como em 2010, agora também nada foi dito sobre este ilustre personagem simbólico, se teria sido homem ou mulher, a negócios ou passeio, chegando ou partindo. O que se sabe é que não teve nem retrato e nem foguete, como diria Noel, ou qualquer outra homenagem, assim como os duomilionésimos passageiros em 2011 e 2012. O milionésimo apareceu em 2007, também desprezado. 
Meneguini/Secom-MT

     E tem mais. Pelas estatísticas mensais, o Marechal Rondon já vive um movimento anualizado superior a 3,0 milhões de passageiros e verá ainda em 2013 seu trimilionésimo passageiro pela primeira vez num ano de calendário. Um momento para ser comemorado como marco no desenvolvimento de Cuiabá, Várzea Grande e do estado. Passou o Santa Genoveva da linda Goiânia e tem quase o dobro do movimento da invejada Campo Grande. Ao invés, saímos repercutindo uma pesquisa apontando nosso aeroporto como o pior no país, sem destacar que está em obras e que tem capacidade para atender 500 mil passageiros/ano, mas está atendendo 3 milhões! Sim, o projeto original interrompido em 2006 pela metade era para 1 milhão de passageiros/ano. Não sei como a Infraero alega uma capacidade atual de 2,5 milhões de passageiros/ano, nem como estima em 5,7 milhões de passageiros/ano a capacidade da nova estação que, para mim atenderá no máximo 1,5 milhões de passageiros/ano, isto é, 3 vezes 500. Ou seja, nascerá pequena. Mesmo assim, parabéns à Infraero pelas obras, a situação melhorará muito e é para festejar. Mas a síndrome de autoflagelação cuiabana é braba e preferimos cantar nossas carências em vez das conquistas, os defeitos às virtudes, e na falta de defeitos, inventamos. Pois não é que estamos pintando de bandida a premiada Arena Pantanal, justo a menor e mais barata das arenas da Copa - ainda assim a mais bela - só porque suas cadeiras seriam similares à do Beira–Rio e melhores que as de Brasília?
ReproduçãoTVCA/ExpressoMT

     Porém, tão logo comemoremos esta ampliação necessária e urgente, é bom que as autoridades e lideranças políticas, empresariais, profissionais e comunitárias locais, comecem a cobrar em conjunto a nova estação de frente para o Cristo Rei previsto no Plano Diretor do aeroporto. Aliás, é sempre imperioso destacar a fantástica visão de futuro dos que na década de 40 tiveram a coragem de destinar mais de 700 hectares ao ainda incipiente sistema aeroviário comercial. Era muita confiança no desenvolvimento do estado e da aviação, numa época em que o máximo que devia chegar por aqui eram alguns primitivos biplanos. Tinham a visão correta do futuro. Profetas. Ainda mais com a clarividência de locar o eixo da pista na continuidade do eixo do rio Cuiabá, antevendo a convivência segura de um dos mais movimentados aeroportos do país no centro da metrópole atual. Quantos hoje teríamos essa visão? Para chamar de “elefante branco” sim, aliás, muitos. 
     O desprezo ao Marechal Rondon expressa o permanente desprezo, não só da Infraero, mas de todas as autoridades locais nas diversas instâncias, municipais, estaduais e federais por um assunto fundamental no mundo atual. A ampliação de hoje só veio por causa da Copa, mas não é preciso esperar por outra. Quiçá lembrem o exemplo dos anos 40 e tratem melhor o trimilionésimo passageiro que está chegando. 
(Publicado em 22/10/13 pelo Diário de Cuiabá, )

terça-feira, 4 de junho de 2013

AEROPORTO E O REDENTOR ILUMINADO

Imagem: culturacuiaba.wordpress.com


José Antonio Lemos dos Santos

Aeroporto e o Redentor iluminado

      Numa das últimas noites da semana passada tive a surpresa de ver iluminado o globo terrestre do campanário da igreja do São Gonçalo, com seu magnífico Cristo Redentor abençoando o bairro do Porto e toda a cidade de Cuiabá. Trata-se de um dos mais belos edifícios da cidade, construído a pouco mais de um século com uma precisão técnica e estilística de impressionar leigos e especialistas pela sua riqueza de detalhes e finíssimo acabamento. Sempre recomendo meus alunos a apreciarem e a aprenderem com aquela obra de arte arquitetônica, não sem antes orientá-los a pararem o carro, pois os detalhes prendem a atenção e é sempre alto o risco de acidente para aqueles que subestimam tanta beleza e se arriscam a apreciá-la sem antes estacionar. Pelas informações colhidas aqui e ali, a imagem do Cristo tem 3,6 metros de altura, colocada em equilíbrio sobre um globo a 36 metros do chão há cem anos, sem guindaste. Fora o espetáculo técnico, a beleza artística. Além do topo do campanário, chamam especial atenção os 4 gigantes da ordem atlante que o sustentam lá em cima, a precisão dos arcos e as figuras dos 4 evangelistas na fachada.
     Ver iluminados o globo e o Redentor do São Gonçalo me despertou especial emoção, pois já há algum tempo estou para escrever sobre este assunto, que se amplia na questão do tratamento que a cidade deveria dispensar aos seus monumentos significativos. Na verdade não são muitos e não seria difícil preparar um pacote de revitalização externa com iluminação especial para cada um deles, num trabalho de parceria entre a Secopa e as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, com a iniciativa privada. Aproveitando a oportunidade da Copa, após uma seleção técnica, tais monumentos seriam tratados como verdadeiros ornatos citadinos que são, ajudando a embelezar a cidade e encantando seus habitantes e turistas. Além das igrejas históricas, incluiria a de Guadalupe, mas também edifícios como o Museu do Rio, o já bem tratado Sesc Arsenal, o conjunto dos edifícios da Praça da República, com destaque para um bom tratamento externo na Basílica do Bom Jesus de Cuiabá, incluindo o conserto do relógio. Não poderiam ficar de fora os obeliscos do Centro Geodésico e o do Cinquentenário da Retomada de Corumbá, na Praça Luis de Albuquerque no Porto, o Coreto, o chafariz e o “Gogó de Ema” da Praça Ipiranga, a estátua ao Bandeirante, ao Negro e ao Índio da Coronel Escolástico e a Fonte Luminosa da Praça Alencastro funcionando. A lista pode ser extensa, mas o começo poderia ser com uns poucos mais significativos, e a cidade já ganharia um desejável ar de festa e de carinho consigo mesma.
     Este artigo deveria ser especial sobre o aeroporto Marechal Rondon, suas obras em ritmo acelerado e seu movimento crescente. A emoção em ver de novo o Redentor iluminado roubou a primazia. Porém é importante destacar também o contentamento em ver sendo erguidas as estruturas da tão esperada expansão do aeroporto, em especial para quem dedicou nos últimos anos uma série de artigos cobrando a Infraero pela entrega dos projetos, licitações e início das obras. Agora cabe parabenizar à Infraero e à Secopa pelo avanço nas obras, crente que os cronogramas serão cumpridos e que jamais acontecerá uma demanda reprimida tão grande como a das últimas décadas que trouxeram graves desgastes para Cuiabá e Mato Grosso aos olhos de seus visitantes. Aliás, cabe também registrar nas estatísticas oficiais de abril de 2013 que o Aeroporto Marechal Rondon ultrapassou em movimento de passageiros aos aeroportos de Goiânia e de Natal, passando a ser agora o 14° dentre os aeroportos administrados pela Infraero, aproximando-se do milionésimo passageiro anual já nos 4 primeiros meses do ano.


(Publicado em 04/06/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ARQUITETOS, AEROPORTO E O TIMÃO

José Antonio Lemos dos Santos

     A grande vitória do Corinthians neste domingo trazendo o caneco do Mundial de Clubes fez lembrar um saudoso tio, de Corumbá, são-paulino de carteirinha e também torcedor do antigo Corumbaense de Tachí, Lara e Garrafinha, time que chegou a dominar o futebol de Mato Grosso pré-divisão e que deixou saudades. Lembro-me dele explicando à gurizada a simplicidade do futebol. Com uma bola na mão, explanava que aquilo era uma bola, que era feita de couro, que vinha da vaca, que a vaca gostava de grama e que por isso a bola tinha que rolar pela grama e não gostava de ser chutada para o alto. Quem esqueceria uma lição assim? O Corinthians me fez lembrá-la. Apesar de não ser corintiano, foi uma partida antológica contra um grande adversário, na qual o Timão devolveu à Europa a dura lição que recebemos do Barcelona ano passado. Mesmo nos momentos mais difíceis a bola não deixava o tapete verde e rolava pela grama de pé em pé, livre de chutões, com jeito de uma vaquinha feliz apreciando sua relva predileta. Pois é, enquanto isso para nós de Cuiabá, sede da Copa do Pantanal, o gramado do Dutrinha mais parece um campo de obstáculos onde a bola não pode desfilar suas graciosas trajetórias, prejudicando assim nossos times que começam a se organizar, mas ficam sem as vantagens do mando de campo nas disputas nacionais e estaduais que participam.
     Parabéns também aos arquitetos e urbanistas pelo seu novo dia, comemorado pela primeira vez no dia 15 de dezembro passado, não por coincidência, dia do nascimento de Oscar Niemeyer. O principal desafio do planeta hoje são as cidades e grande parte dos problemas urbanos no mundo, em especial em Cuiabá, deve-se à ausência do Urbanismo, pela exclusão do técnico especialista na projeção dos espaços dos quadros e das decisões públicas. Com a criação do CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - que também completa seu primeiro ano de existência, espera-se a correção desta situação. Ao CAU não basta cumprir a hercúlea tarefa de implantar sua estrutura administrativa em nível de um país continental, mas também enfrentar a mais difícil delas que é a reinserção do profissional arquiteto e urbanista na posição social que lhe compete no quadro da ampliação e requalificação do espaço habitado no Brasil, dos edifícios às cidades e regiões. Parabéns ao CAU e seus dirigentes pelos avanços já conquistados.
     Por fim, mais um parabéns, agora à Secopa e à Infraero. Finalmente foi concluída a licitação para as obras do Aeroporto Marechal Rondon e, mais extraordinário ainda, na mesma semana foi dada a Ordem de Serviços para início dos trabalhos. Enfim um procedimento digno de elogios nesse longo processo da ampliação do principal aeroporto de Mato Grosso. Sei que para alguns não fizeram mais que a obrigação. Sim, mas no Brasil cumprir as obrigações com qualidade e em tempo hábil é absolutamente incomum nos setores públicos e merece elogios, em especial deste escrevedor apaixonado por sua terra e que por anos não larga os pés dos responsáveis por essa obra. Apesar do grande atraso, ainda dá tempo e as obras enfim começarão para conclusão em dezembro de 2014. E é importante a conclusão nesse prazo para permitir que alguma seleção ainda possa adotar Cuiabá como local de adaptação ao calor brasileiro, já que nesse ponto Cuiabá é imbatível com seu calor escaldante e sadio. Nenhum lugar seria melhor para a adaptação rápida de uma seleção de países de clima frio ao calor tropical. Dois a três meses de uma seleção se preparando em Cuiabá significam ocupação de hotéis, restaurantes, mídia, enfim, vale muito dinheiro na forma de empregos e renda para a população. Campo Grande e Goiânia estão de olho. E eu também. Mãos à obra!

(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 18/12/2012)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

AEROPORTO, ATÉ QUANDO?

José Antonio Lemos dos Santos

Imagem copiada de www.meupalco.com.br


     Pois não é que o novo atraso na licitação para as obras do aeroporto Marechal Rondon cobrado no artigo da semana passada deveu-se a outro erro da Infraero? No fim deste mês completarão 3 anos e meio da definição de Cuiabá como sede da Copa do Pantanal e até hoje a Infraero não concluiu a licitação para as obras de ampliação do aeroporto, com uma sucessão de atrasos injustificáveis para uma das maiores e mais competentes empresas aeroportuárias do mundo e uma das obras fundamentais para a Copa 2014, o mais importante projeto do país em termos de visibilidade internacional. O resultado da licitação era aguardado para o início deste mês e foi adiado para esta semana. Mais uma vez o motivo seria problemas no projeto entregue pela Infraero à Secopa, segundo o secretário do órgão. Nada tão surpreendente no histórico do tratamento que a Infraero sempre deu ao principal aeroporto mato-grossense, antes e depois da Copa. A expectativa local era de que o grande evento mundial trouxesse para Cuiabá e Mato Grosso afinal um aeroporto digno de seu dinamismo e importância como o estado líder na produção agropecuária do país que sempre lhe foi negado. 
Situação Atual  Imagem: PINIweb

     Qual o quê! Convém não esquecer que, já com muito atraso, a primeira entrega do projeto do aeroporto estava prevista para setembro de 2011 e foi adiada para março de 2012 e depois para junho, já sob alegação de necessidade de correções técnicas, e, enfim, entregue em início de julho. A Secopa providenciou a imediata licitação para as obras, contudo logo revogada em agosto para outra correção de erros nas planilhas do projeto. Corrigidos supostamente os erros, abriu-se nova licitação com homologação esperada para início de novembro, o que não aconteceu, pois foi adiada de novo para esta semana. De novo sob alegação de erros nas planilhas entregues pela Infraero. Tais erros são inconcebíveis numa empresa do porte e competência da Infraero. Supô-los seria um desrespeito ao seu quadro técnico. Ainda pode existir alguma dúvida quanto à existência de interesses no mínimo estranhos nesse processo? 
     Faltam 569 dias para o primeiro jogo da Copa e o aeroporto tem que estar pronto no mínimo 90 dias antes do início do evento, em condições de receber as equipes técnicas preparatórias para as questões de imprensa, segurança, e mesmo, das seleções que possam escolher Cuiabá para seu período de aclimatação ao clima tropical brasileiro, gerando um movimento adicional para os hotéis, restaurantes, o turismo de um modo geral, um dos grandes ganhos esperados para Cuiabá e Mato Grosso, ameaçado pelos atrasos nas obras do aeroporto. Até quando esperar? Até realmente não dar mais tempo para a execução da obra? Na verdade, em condições normais, não haveria mais tempo, entretanto, ainda daria considerando a situação especial da Copa com o regime do RDC e a possibilidade do brasileiro trabalhar em 3 turnos, sábados, domingos e feriados, conforme aventou o ex-presidente Lula quando perguntado sobre a vergonha que passaria o Brasil perante o mundo na hipótese de não dar conta de cumprir com o comprometido internacionalmente ao assumir a Copa 2014. Temo que tal esforço não aconteça se depender só da Infraero, com o agravante de que não há mais tempo para novos testes sobre as intenções da empresa para com o aeroporto de Cuiabá. Agora só com uma manifestação clara das forças vivas da sociedade mato-grossense, em especial da cuiabana e várzea-grandense e dos setores mais diretamente interessados, seus prefeitos atuais e os eleitos, sacudindo seus representantes no Congresso Nacional para buscar junto à presidenta Dilma uma nova postura efetiva da Infraero. Do jeito que as coisas ficaram, só assim. 
(Publicado em 20/11/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

CADÊ O AEROPORTO? III

José Antonio Lemos dos Santos
     
     
     Seria dispensável falar sobre a importância de um aeroporto internacional de grande porte para qualquer cidade do mundo. Contudo ainda tem muita gente em Cuiabá, inclusive nos altos escalões, pensando tratar-se de um equipamento comum a qualquer cidade. Talvez por sua localização privilegiada central na cidade pelo qual todo mundo passa todos os dias, muitos se acostumaram e pensam erradamente tratar-se de um equipamento comum. Não é. Os aeroportos de grande porte são equipamentos fundamentais neste mundo globalizado, não só para cargas, mas, em especial como ferramenta de conexão entre as pessoas individuais, oficiais ou corporativas. Quanto mais os indivíduos e o planeta se globalizam virtualmente, mais é necessário o contato direto interpessoal bem como os espaços e equipamentos que propiciam tais encontros. Os aeroportos são e serão cada vez mais vantagens comparativas extraordinárias entre as cidades no mundo. 
     No exato centro continental, para Cuiabá e Mato Grosso o avião e o aeroporto são mais especiais ainda. Já no final dos anos 40, época em que o máximo que chegava por aqui eram os antigos DC-3, se tanto, homens com extraordinária visão de futuro destinaram os 700 hectares onde está hoje o Aeroporto Internacional Marechal Rondon. Fantásticos visionários! Hoje Cuiabá dispõe de um dos aeroportos melhor situados urbanisticamente e com área suficiente para firmar-se como um dos principais “hubs” aeroviários no continente, atraindo grandes empresas e gerando empregos e renda para a cidade e para o estado. 
     Entretanto, a grandiosa visão de futuro de nossas autoridades públicas parece ter ficado naquele passado remoto. O extraordinário desenvolvimento da cidade e do estado vem exigindo há décadas constantes e sucessivas ampliações e melhorias em nosso aeroporto, as quais só acontecem defasadas, após demandas fortemente reprimidas. Este ano, por exemplo, o movimento de passageiros deve beirar o 3,0 milhões e o Marechal Rondon convive com uma estrutura projetada na década de 90 para 1,0 milhão de passageiros/ano, cujas obras ficaram pela metade, paralisadas em 2004. A socos e pontapés foi feito ano passado um puxadinho para o desembarque. Chegamos a perder para Campo Grande uma linha internacional com a Bolívia pela falta de uma sala de 4x7 metros! Vergonha! Agora chegou a Copa do Mundo, um projeto nacional com o qual se esperava que afinal Cuiabá e Mato Grosso teriam um aeroporto digno e contemporâneo ao seu desenvolvimento. Qual o que! 
     Após 3 anos e meio da escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa, até ontem a Infraero não havia concluído a licitação das obras da estação de passageiros, prometida na última vez para início do mês de novembro. Nesse período tratei do assunto em quase 40 artigos, metade dos quais específicos. Molecagem, sabotagem e outras expressões menos publicáveis foram compartilhadas com muitos leitores indignados em relação a essa que é uma das 3 obras indispensáveis à realização da Copa do Pantanal. O senador Blairo Maggi, o ex-governador visionário que trouxe a Copa para Mato Grosso, poderia incluir o assunto na agenda de sua noticiada audiência com a presidenta Dilma, que talvez não saiba o que está acontecendo com o aeroporto. Agora faltam apenas 576 dias para o início da Copa e ainda dá tempo, porém agora só em 3 turnos, sábado e domingo, como aventado em caso de necessidade por Lula, quando ainda presidente. O senador poderia também incluir na sua agenda o trecho ferroviário de Rondonópolis a Cuiabá e daqui a Lucas, bem menor que a FICO, assim como a duplicação rodoviária até Posto Gil, não só até Rondonópolis. E viva o Cuiabá Arsenal, mais uma vez na final do campeonato brasileiro de futebol americano! 
(Publicado em 13/11/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

ELEIÇÕES, AEROPORTO E FERROVIA


José Antonio lemos dos Santos


     Pela terceira vez este ano lembro o artigo de fevereiro do ano passado intitulado “Molecagem”, que já expressava naquela época toda a minha preocupação com o atraso na ampliação do Aeroporto Marechal Rondon para a Copa do Mundo de 2014 e a Copa das Confederações que ainda era pretendida por Cuiabá. Na ocasião criticava o adiamento da entrega do projeto, então previsto para setembro de 2011, para março de 2012. Achava excessivo o prazo de mais de ano para a elaboração de projeto de ampliação de uma estação de passageiros que afinal nem é tão grande assim. Nesse artigo do ano passado já aventava a possibilidade de sabotagem contra Cuiabá como sede da Copa e até contra a própria presidenta Dilma, líder maior do grande evento.
     Cerca de 1 ano depois fiz outro artigo criticando um novo adiamento da entrega do projeto, agora de março para meados de junho, sob alegação de necessidade de correções. E na ocasião da entrega, que só aconteceu com novo atraso em julho, fiz novo artigo saudando a tão esperada entrega e a expectativa da imediata licitação em ritmo de RDC para início das obras. Só que até fins da semana passada o processo licitatório não havia sido concluído e no último domingo, ao invés de sair seu resultado veio a notícia da revogação da licitação do aeroporto. Segundo o secretário da Secopa seria pela necessidade de “revisões” no orçamento entregue pela Infraero, isso após quase 2 anos elaborando o projeto. O que dizer? Depois do “Molecagem” usado no artigo do ano passado, a vontade foi usar agora como título um palavrão bem expressivo para toda a indignação pelo desrespeito com que a Infraero vem tratando Mato Grosso e Cuiabá, uma das sedes da Copa do Mundo. Em consideração aos caros leitores e leitoras usei um título elegante, deixando o palavrão a critério de cada um.
     Resumo da ópera: após quase 3 anos e meio de Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa, até hoje a Infraero não conseguiu licitar a obra de ampliação do aeroporto da cidade. E faltam 600 dias! Não se trata de problema técnico, incompatível com a qualidade dos corpos técnicos da Infraero e da empresa que elaborou o projeto. Isso é sabotagem mesmo. Só pode ser coisa de gente graúda na Infraero, que já está lá há mais tempo e que até hoje não aceitou o fato de Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa 2014. Sempre é bom lembrar que o aeroporto, junto com a Arena e a avenida ligando os dois, é um dos projetos sem o qual a Copa se inviabiliza, mesmo que a cidade esteja toda pintada em ouro. Isso é sério, faz tempo que acompanho o assunto independente de eleições, mas as eleições existem justamente para o povo avaliar como os governos tratam as coisas públicas.
     Sem dúvida o aeroporto e a ferrovia devem ser cobrados pelos eleitores nestas eleições. São projetos fundamentais para o futuro do estado e para a cidade. Não se trata de oportunismo político, não sou candidato. E foi o governo federal que cortou o trecho ferroviário até Cuiabá e agora revoga com o estado a licitação de seu aeroporto em pleno processo eleitoral. Não dá para passar sem protesto, não somos amebas. O aeroporto e a ferrovia têm sim que ser bandeiras de todos os cidadãos, entidades representativas, setores produtivos e principalmente dos políticos com mandatos ou candidatos, mesmo os da situação, no caso destes para ir a Brasília cobrar de seus parceiros as providências corretivas, ou então defender sem tergiversar o absurdo corte da ferrovia ou a brincadeira da Infraero com o aeroporto. A única arma do cidadão é o voto, que só pode ser usado em períodos eleitorais. Sem ferrovia, sem voto. Sem aeroporto, também. 

(Publicado em 18/09/2012 pelo Diário de Cuiabá, PáginaÚnica, Midianews, BlogdoJoãoBosquo, PáginadoEnock)

terça-feira, 3 de julho de 2012

DE OLHO NO AEROPORTO


José Antonio Lemos dos Santos

Desculpe a repetição, mas se não repetir não dá para registrar nas crônicas cuiabanas essa inimaginável moagem pela qual passou a ampliação do Aeroporto Marechal Rondon. Repito que em fevereiro do ano passado escrevi um artigo denominado Molecagem dedicado não à presidente Dilma, recém-empossada, mas a setores de seu governo, bem como àqueles pagos para bem representar os interesses de Cuiabá e Mato Grosso em todos os níveis políticos, em especial no federal, que haviam deixado a situação chegar onde havia chegado. Referia-me ao tratamento que o estado vinha recebendo da União nas mais diversas áreas e muito especial quanto às obras de ampliação do aeroporto de Cuiabá tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 e Copa das Confederações em 2013, esta ainda pretendida pela cidade. Na ocasião criticava o adiamento da entrega do projeto então previsto para setembro de 2011 – já atrasado – para março de 2012, ano em que as obras já deveriam estar concluídas. Entendia ser absurdo o prazo de mais de ano para a elaboração de um projeto de ampliação, diante de um cronograma na época já exíguo para as obras. 

Passado 1 ano e 3 meses, um mês atrás, escrevi outro artigo dizendo que a situação que já era péssima havia piorado. A entrega do projeto que fora adiada para início de março de 2012 só foi feita no fim daquele mês, com o agravante de que - após mais de ano de elaboração - o tal projeto ainda iria passar por “modificações nas partes hidrossanitária e eletrônica”, com nova entrega prevista para meados de junho! Lembrava que a Infraero é uma das maiores e mais bem sucedidas empresas aeroviárias do mundo, e a empresa responsável pelo projeto foi vencedora de uma licitação nacional, portanto, no mínimo uma empresa tecnicamente respeitável. Como então seria possível aceitar que, após mais de ano de elaboração, um projeto dessa responsabilidade tenha sido entregue com problemas “nas partes hidrossanitária e eletrônica”? Perguntava se a Infraero não teve o interesse, o bom-senso ou ao menos a curiosidade técnica de dar uma passadinha na sede da empresa projetista durante esse mais de ano de projeto para saber se tudo ia dentro das especificações? Uma troca de e-mails? Mesmo sendo um projeto prioritário para o país por causa da Copa, preferiram esperar a entrega para só então verificar se havia algum erro? Por outro lado, seria possível que uma empresa idônea pudesse errar no projeto hidrossanitário de um aeroporto que nem é tão grande assim? Não acreditava em nenhuma das duas possibilidades. Seria um desrespeito às estruturas técnicas das duas empresas. 

Passou o mês de junho e nada do projeto, nem de satisfações públicas enquanto nas outras sedes os preparativos avançam. O artigo do ano passado chegou a aventar uma sabotagem contra Cuiabá como sede da Copa, e contra a própria presidenta Dilma. Porém, ontem veio a boa notícia de que finalmente foi programada para hoje a entrega pela Infraero ao governador Silval Barbosa do projeto do novo Aeroporto Internacional Marechal Rondon. Viva! Mais de três anos e um mês após Cuiabá ter sido escolhida como sede da Copa do Pantanal, enfim a obra será licitada. Ainda dá tempo, em especial com o RDC. Como gosto de lembrar, Brasília foi inaugurada em três anos e o Empire State foi feito em 451 dias. É importante destacar que as seleções podem chegar com um ou dois meses de antecedência para a necessária aclimatação, portanto, antes de junho de 2014, o que será bom para o movimento na cidade. Entretanto, foi muita moagem e gato escaldado tem medo de água fria. Vamos continuar de olho no aeroporto, torcendo para que tudo dê certo e tenhamos muitos motivos de aplausos até a conclusão da obra.

(Publicado em 03/07/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 12 de junho de 2012

A DOIS ANOS DA COPA



José Antonio Lemos dos Santos 




     A partir de amanhã estaremos a dois anos do primeiro jogo da Copa do Mundo 2014 em Cuiabá. Dois anos passam rápido, como passaram os três desde que Cuiabá foi escolhida pela FIFA com uma das sedes desse que é um dos maiores eventos de massa do mundo. Até lá Cuiabá viverá uma epopeia, uma nova epopeia, agora de vida, de construção, no sacrifício diário de mobilidade que já começamos a enfrentar com a preparação da cidade em tempo recorde para Copa e para sua elevação a novos padrões urbanísticos com mais qualidade de vida para sua gente.
     Aliás, quis o destino que a abertura da Copa do Pantanal venha a acontecer em um dia 13 de junho, logo após o espetáculo da florada dos girassóis de Campo Novo do Parecis e Campo Verde, dia de Santo Antonio, época de friagem e muitas festas na cidade, mas também data da outra epopeia cuiabana, a Retomada de Corumbá, quando relembramos o martírio de dois povos valorosos, irmãos e hermanos, brasileiros e paraguaios, ambos vítimas do maior conflito bélico das Américas, a chamada Guerra do Paraguai. Uma bela oportunidade para se brindar com tereré e guaraná, rasqueados e polcas paraguaias, a paz entre esta gente tão amiga e entre os povos do mundo inteiro. Em outros artigos cheguei a propor a construção de um monumento à paz na praça do Cae-Cae, campo santo onde jazem os corpos de metade da população cuiabana da época, vítima daquele triste episódio. Pensando melhor, não foi o destino que escolheu a data. Diria ser mais uma arte do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, sempre tão generoso com esta terra, que além de ter trazido a Copa como um estratagema, um choque de vida e adrenalina para que nos preparemos para o Tricentenário, também nos faz lembrar no coração da América que futebol é esporte, uma das mais sublimes maneiras de se celebrar a paz, ainda que em disputas acirradas.
     Na prática, porém, o evento começará um ou dois meses antes com os preparativos para a instalação das equipes de imprensa, trabalhos de segurança e mesmo a chegada antecipada de algumas das seleções em trabalhos de adaptação ao clima e às coisas do Brasil e Cuiabá. Assim, é preciso que antes já esteja concluída a maioria dos projetos preparadores da cidade para a tão esperada e bem vinda enxurrada de visitantes. E tudo caminha para que assim seja, principalmente com a população assumindo a Copa como um direito seu e de seus filhos e netos, criticando, cobrando e aplaudindo a continuidade das obras e serviços programados. A meu ver a única situação perigosa é a do aeroporto, pois até agora, três anos após Cuiabá ter sido escolhida como sede da Copa, até hoje a Infraero não aprontou o projeto executivo. Temo que a Infraero continuará enrolando a presidenta Dilma e Cuiabá, colocando-a em risco como sede da Copa – seja lá por quais motivos – se não houver uma intervenção dura dos setores turístico, hoteleiro e comercial e de todos os segmentos da sociedade mato-grossense junto à empresa e à nossa classe política de um modo geral, e em especial junto à bancada federal que deixou a situação chegar onde chegou. Sem aeroporto, Copa nem com a cidade pintada de ouro.
     Mas vai dar certo. Se não for tudo o que a Copa oportunizou ou tudo o que era preciso, certamente será muito mais do que Cuiabá veria nas próximas 3 décadas sem a Copa. A cidade hoje é um canteiro extraordinário de obras públicas e privadas e se alegra junto às obras, com o mea-culpa de suas autoridades e cidadãos quanto à forma como manejavam seu desenvolvimento e o seu futuro. Polarizando hoje uma das regiões mais dinâmicas e produtivas do planeta, e aproveitando a grande oportunidade da Copa, a cidade está bombando como dizem os jovens, vive o melhor momento de sua história e não vai desperdiçá-lo. 

(Publicado em 12/06/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 5 de junho de 2012

TRÊS ANOS DE COPA


TRÊS AN      
     José Antonio Lemos dos Santos


     Em fevereiro do ano passado escrevi um artigo denominado Molecagem. Talvez tenha sido o título mais ácido usado nos meus artigos e até a publicação pensei em mudá-lo, mas me convenci de seu acerto. Ressalvada a presidenta Dilma recém empossada, destacava que o título era dirigido a setores de seu governo ainda em fase de montagem, bem como àqueles que deviam representar os interesses de Cuiabá e Mato Grosso em todos os níveis políticos, em especial no federal, e que haviam deixado a situação chegar onde havia chegado.
     Referia-me ao tratamento que o estado vinha recebendo da União nas mais diversas áreas e muito especial quanto às obras de ampliação do Aeroporto Marechal Rondon tendo em vista a preparação de Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014 e Copa das Confederações em 2013 então ainda almejada pela cidade. Na oportunidade criticava a notícia do adiamento da entrega do projeto então previsto para setembro de 2011 – já atrasado – para março de 2012, ano em que as obras já deveriam estar concluídas. Entendia ser absurdo o prazo de mais de ano para a elaboração de um projeto de ampliação em terreno conhecido, sendo que só depois do projeto pronto seria possível a licitação das obras, com todas suas previsíveis delongas, em um prazo bastante restrito. Evidente que um atraso desses já mandava para o brejo as legítimas pretensões de Cuiabá quanto à Copa das Confederações em 2013.
     Passados 1 ano e 3 meses a situação piorou. A entrega do projeto que fora adiada para início de março só foi feita no fim do mês. Mais de ano para o projeto! Pior é a notícia que depois desta entrega o projeto “passa por modificações nas partes hidrossanitária e eletrônica”, com nova entrega prevista para junho! A Infraero é uma das maiores e mais bem sucedidas empresas aeroviárias do mundo, e a empresa responsável pelo projeto foi vencedora de uma licitação nacional, portanto, trata-se no mínimo de uma empresa tecnicamente respeitável. Como depois de um ano de elaboração entregar um projeto com problemas “nas partes hidrossanitária e eletrônica”? Será que a Infraero não teve o interesse, o bom-senso ou ao menos a curiosidade de dar uma passadinha na sede da empresa projetista durante esse mais de ano de projeto para saber se tudo ia dentro das especificações? Ou ao menos uma troca de e-mails? Mesmo sendo um projeto prioritário para o país por causa da Copa, preferiram esperar a entrega para só então verificar a possibilidade de algum erro? Por outro lado, será que uma empresa idônea erraria no projeto hidrossanitário de um aeroporto que nem é tão grande assim? Não acredito. Seria um desrespeito às estruturas técnicas das duas empresas.
     Diante de sucessivos atrasos, o artigo do ano passado aventava um clima de sabotagem contra Cuiabá como sede da Copa, e contra a própria presidenta Dilma. E o que pensar hoje? Melhor nem pensar. Fim de maio fez 3 anos da escolha de Cuiabá como sede da Copa do Pantanal e até hoje a Infraero não conseguiu aprontar sequer o projeto da obra! Nas outras sedes a situação está sob controle. Sem aeroporto não tem Copa do Pantanal, nem com a cidade pintada de ouro. Será que é isso que estão querendo fazer com Cuiabá? Na cidade as demais obras da Copa finalmente decolam no rumo do tão esperado legado. Mas se antes a preocupação era garantir esse legado, agora só o legado não basta. Cuiabá quer realizar e realizará com sucesso a Copa do Pantanal em 2014, mesmo contra eventuais más-vontades poderosas. Vergonha não! O aeroporto agora só em 3 turnos e muita determinação. A responsabilidade é todinha da Infraero, que dará conta dela. A cidade ajudará. Mas quem chutará os traseiros que insistem em ser chutados?
(Publicado em 05/06/2012 pelo Diário de Cuiabá, Hipernotícias, Página do Enock)

terça-feira, 15 de maio de 2012

CADÊ O AEROPORTO?



José Antonio Lemos dos Santos


     Dos muitos projetos importantes viabilizados pela Copa para Cuiabá e Várzea Grande, três são essenciais para o funcionamento do grande evento. O primeiro é a Arena Pantanal, principal palco da festa, cujas obras estão indo bem segundo as notícias oficiais. Outro é o aeroporto, porta de entrada por onde chegarão os visitantes que virão torcer por suas seleções e aproveitar para conhecer as belezas pantaneiras, amazônicas e do cerrado. A terceira é a mobilidade, em especial a Avenida da FEB, ligação viária entre o aeroporto e a Arena, sem a qual a Arena fica isolada. A avenida da FEB integra o pacote de obras do VLT, cuja licitação prevê para hoje, dia 15, a abertura dos pacotes das empresas concorrentes à elaboração dos projetos, execução das obras e implantação dos serviços. Tomara que o processo de licitação flua e permita que do pacote do VLT ao menos as obras dessa avenida tenham início breve. Aliás, a prefeitura de Várzea Grande parece não confiar no início dessas obras tão cedo, tanto que está trocando agora os postes e luminárias do canteiro central da avenida.
     O caso do Aeroporto Marechal Rondon parece mais preocupante pois ao longo da história, para dizer o mínimo, a união não tem sido muito atenciosa para com o nosso aeroporto, antes e depois da Infraero existir. A única exceção foi com o saudoso cuiabano Orlando Boni que assumiu a presidência da Infraero em 2002 e determinou a substituição da reforma meia-boca que então estava programada para a estação, por um projeto decente para 1 milhão de passageiros/ano, o dobro do movimento em 2002. Elaborou inclusive um Plano Diretor para o aeroporto com previsão da construção de um novo terminal voltado para o Cristo-Rei. Após deixar a presidência da empresa a obra foi paralisada, posteriormente retomada e depois concluída pela metade. Descontado o “puxadinho”, esta é a situação de atendimento até hoje, para um movimento de 2,5 milhões de passageiros no ano de 2011.
     Quem conhece o pitoresco episódio da década de 60 envolvendo a então primeira-dama do país e que culminou com a construção aqui em Várzea Grande da primeira estação de passageiros considerável como tal, sabe o quanto tem sido complicado os avanços em termos do nosso principal aeroporto. Depois da primeira-dama, foi preciso a sorte de um cuiabano assumir a Infraero, ainda que sua obra tenha ficado pela metade, e agora estamos contando com a sorte grande de Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo 2014. Todos esperam que agora venhamos ter um aeroporto realmente à altura do seu movimento e de ser a principal porta de entrada de um dos estados mais belos e produtivos do Brasil, campeão nacional na agricultura e na pecuária.
     Qual o que! Cuiabá foi escolhida como sede em maio de 2009 com prazo exíguo para sua preparação e só em 3 de novembro de 2010 - um ano e meio depois da escolha – um ano e meio depois! – foi aberta pela Infraero licitação para o projeto da nova estação, com prazo de um ano para elaboração dos projetos básico e executivo. E o tempo passando. Só em 21 de janeiro do ano seguinte foi dada a Ordem de Serviço para os projetos – um mês e meio depois! E o tempo passando. Agora no final de março finalmente foram entregues os projetos, com 2 meses de atraso. E o tempo passando. Era para acreditar que de imediato seria lançada a licitação para as obras. Qual o que! Hoje, 15 de maio de 2012, 1 mês e meio após a entrega dos projetos executivos e a 2 anos do início da Copa do Pantanal, até hoje a Infraero não lançou a licitação para as obras da nova estação de passageiros. E não se fala nisso. E o tempo passando. Afinal, quem vai cobrar da Infraero esses sucessivos atrasos em relação às obras do Aeroporto Marechal Rondon?
(Publicado em 15/05/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 27 de março de 2012

O JOGO DO EMPURRA

José Antonio Lemos dos Santos

     Ao cidadão comum soa muito estranha essa história do governo federal querer barrar o financiamento do VLT recorrendo a casos antiqüíssimos, do tempo da extinção da Sanemat. Também a falta de informações claras sobre o assunto por parte do governo do estado ajuda a aumentar a estranheza, a ponto do cidadão pensar coisas incríveis em se tratando de assunto de tão elevada responsabilidade pública. Ao leigo nos costumes políticos atuais, este caso lembra o antigo jogo infantil do “empurra-empurra”, não por acaso semelhante ao que acontece ultimamente no país quando se trata da identificação de responsabilidades no mau trato das coisas públicas. Como eu disse em algum artigo, fizeram o governador montar em um porco do qual não tem jeito de descer. Pintaram para o povo um VLT tão lindo que não dá para fazer e um BRT tão feio que não pode mais ser assumido. Não dá mais tempo para fazer nenhum, e ninguém quer ficar com a culpa.
     A saída imaginada pelos experts do Paiaguás seria empurrar a culpa para o governo federal levando uma proposta de 1,2 bilhão sem projeto, o que, é claro, não poderá ser tecnicamente aprovado. Quem em Brasília vai botar sua assinatura como responsável técnico autorizando a união a conceder um empréstimo dessa monta sem projeto? Já caiu um ministro por causa disso. Sendo assim, se o governo federal vetar o empréstimo ficará aos olhos do povo local com a culpa de não se fazer o VLT de Cuiabá. O estado lavaria as mãos com o discurso de que teria feito todo o necessário, mas Brasília foi que não quis fazer. “Por fatos que não são inerentes ao governo do estado de Mato Grosso, nós não podemos ser responsabilizados”, como já nos avisou o secretário da Secopa na última audiência sobre o VLT.
     Uma situação como esta não se restringe apenas a um projeto bem ou mal apresentado, mas envolve outros aspectos, dentre os quais a questão política, pois o governador de Mato Grosso é do PMDB, um dos principais sustentáculos da administração da presidenta Dilma. Como bobó é a única coisa que não tem nos altos escalões de Brasília, teriam bolado uma estratégia de devolver a culpa para o estado "descobrindo" essa tal pendência dos tempos da Sanemat. Assim, o governo federal evita entrar no mérito do projeto do estado e fica impossibilitado de liberar o empréstimo, não por uma decisão sua, mas por uma providencial inadimplência do estado de Mato Grosso. Como quem diz, se não fosse essa pendência do Estado o governo federal liberaria o empréstimo numa boa. Assim o PMDB não pode reclamar e o governo federal se livraria de uma situação constrangedora junto à população local, cujo imaginário foi totalmente encantado pelas vantagens reais ou fantasiosas do VLT. E a barra federal ficaria limpa. Vamos ver quem vai ganhar, pois quem vai perder, e já está perdendo, a gente já sabe.
     Triste viver situações que nos levam a pensar tão pequeno sobre as coisas da nossa República, sonhada para ser cada dia mais forte, honrada e respeitada. O renitente atraso da Infraero nos projetos do Aeroporto Marechal Rondon, do mesmo modo leva o cidadão a olhar meio enviesado, achando também ter algo errado. Preferia estar falando nas obras da Copa que o próprio governo estadual através da Secopa começa a tirar do papel com licitações e ordens de serviço, como as da Miguel Sutil, as obras viárias do entorno da Arena Pantanal e das pontes do Coxipó que receberam suas ordens de serviço na semana passada. Ou das outras que já estão em andamento há mais tempo como o recapeamento asfáltico da cidade, o sistema Mário Andreazza ou a própria Arena, cuja evolução acompanho da varanda aqui de casa. Mas não dá, os projetos do eixo principal da mobilidade e o aeroporto preocupam.
(Publicado em 27/03/20122 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 13 de março de 2012

ANIVERSÁRIO NA INFRAERO

José Antonio Lemos dos Santos


     Em artigos anteriores tenho repetido que dois dos mais importantes projetos para a cidade e para a Copa já ultrapassaram os limites do preocupante e atingem as raias do risco total em função dos prazos até 2014. Um é o da mobilidade urbana, especificamente nos projetos vinculados aos eixos do VLT, até hoje sem projeto; outro é o aeroporto, até hoje sem licitação das obras de sua estação de passageiros. Enquanto o caso da mobilidade tem sido bastante comentado, o do aeroporto não. Parece que a opinião pública e os meios informativos entenderam que o assunto está suficientemente bem acompanhado pela Infraero, apoiada nesse projeto pelo Estado desde o ano passado. Pois é, aconteceu mais um atraso no projeto do aeroporto, que todos já imaginavam pronto e que só faltava a licitação da obra. Qual o que. Semana passada a Infraero acatou pedido da empresa Globe Engenharia de adiar para dia 27 próximo a entrega do projeto executivo para as obras de ampliação do Aeroporto Marechal Rondon, que era prevista para o começo deste mês. Cerca de 15 dias de atraso podem parecer nada, mas são críticos diante do prazo que se tem até a Copa.
     Olhado ao longo do histórico das ampliações do Marechal Rondon o temor aumenta. Aos iniciantes em Aeroporto Marechal Rondon, é bom lembrar que a Infraero tem sido madrasta com o nosso aeroporto e desde as três últimas décadas o aeroporto funciona subdimensionado. A situação seria corrigida quando um cuiabano de saudosa memória, Orlando Boni, assumiu em 2002 a direção da empresa e determinou a elaboração de um projeto de qualidade, bem como um Plano Diretor para o aeroporto, compatível com seu movimento, já acelerado naquela época. Foi projetada então uma estação para 1,0 milhão de passageiros por ano, e as obras foram tocadas até enquanto permaneceu aquela direção do órgão. Ainda bem que deixou quase concluído o módulo “A” (atual ala de embarque) e o setor administrativo, o módulo “C” (atual ala(?) de desembarque), pois as obras foram paralisadas e só concluídas nos módulos iniciados graças à intervenção na época do Conselho Deliberativo do Aglomerado Urbano através de uma Moção de Repúdio, assinada pelos então governador do estado e os prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande. E é o que temos até hoje, uma estação para 1,0 milhão de passageiros/ano construída pela metade, acrescida pelo emergencial “puxadinho”, concluído também depois de muitos atrasos. Isso para mais de 2,5 milhões de passageiros usuários em 2011!
     A Copa trouxe a esperança de que a situação do Marechal Rondon fosse resolvida. Qual o que. A abertura da licitação para o projeto da ampliação do aeroporto só saiu a 3 de novembro de 2010, ano e meio após a escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa, dando até a impressão que a Infraero torcia contra a cidade. A Ordem de Serviço para o projeto só saiu 2 meses e meio depois, com prazo de execução de 6 meses para o projeto básico, que seria junho, passou para julho e depois para setembro quando foi publicada a maquete eletrônica. O projeto executivo que já fora adiado para o início de março, sofre agora mais uma prorrogação para final de março, 17 meses após sua licitação! Imagine se o aeroporto não fosse peça importante para a Copa do Mundo, um projeto nacional, compromisso internacional do país. A bem da verdade há que se ressaltar o novo elã dado à Infraero pelo presidente Gustavo Matos que no próximo dia 24 de março completa um ano de administração. Que o projeto completo do novo Aeroporto Marechal Rondon, que se arrastava por décadas, seja o marco simbólico dessa comemoração, sinal concreto de um novo tempo para a Infraero. Se possível já acompanhado pelo lançamento da licitação para as obras.
(Publicado em 13/03/2012 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, HíperNotícias, Turma do Êpa)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O PREFEITO DO TRICENTENÁRIO

José Antonio Lemos dos Santos

     Vivendo o melhor momento econômico de sua história, a Grande Cuiabá chega a 2012 com a perspectiva de mais um ano forte, cheio de situações extremas, positivas e negativas. Como o ano que passou e os próximos neste seu terceiro grande salto de desenvolvimento, 2012 não será um ano qualquer pois forçará seus dirigentes a decisões ou omissões importantes que marcarão a cidade do futuro, para o bem ou para o mal. Ao cidadão cabe uma participação ativa nesse processo com a crítica consciente do aplauso e da reprovação, do apoio e da cobrança, e, em especial, com a força construtiva de seu voto nas eleições deste ano. Os cuiabanos – dirigentes e cidadãos - que vivem este momento mágico da cidade tem a responsabilidade de otimizar as oportunidades positivas na construção da cidade que receberá a Copa do Pantanal e em 7 anos festejará seu tricentésimo aniversário.
      No auspicioso emaranhado de situações que o ano de 2012 trará ao cuiabano, tentaria identificar dois grandes compromissos para o cidadão, dono da cidade. Primeiro, um intransigente acompanhamento ao pacote de obras que a cidade recebe como sede da Copa do Pantanal, e também como pólo de um das regiões mais dinâmicas do planeta. Segundo, as eleições municipais, afinal, elas poderão eleger o prefeito do Tricentenário de Cuiabá. Os dois compromissos se fundem, uma vez que as obras de hoje constroem a cidade da festa dos 300 anos, ela própria seu verdadeiro bolo comemorativo.
     Quanto às obras, hoje merecem atenção especial o Aeroporto Marechal Rondon e o VLT. Numa visão otimista restam 2 anos para as obras, mas até agora não vieram a público seus projetos técnicos. A Infraero outro dia apresentou a maquete de um estudo preliminar e a Secopa falou em um “termo de referência” para o VLT. Dada a urgência, nessa cobrança o cidadão vai ter que clamar com a arma do voto em punho a ação dos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. Não tem essa de cada um se esconder em seu quadrado, municipal, estadual ou federal. A cidade é só uma e é obrigação de todos eles. O aeroporto e a mobilidade urbana são projetos imprescindíveis para a Cuiabá do futuro e para a Copa, e têm que estar executados até o final de 2013.
     Quanto às eleições, a escolha dos dirigentes municipais na Grande Cuiabá – prefeitos e vereadores - é essencial pois deles dependerá a preparação da cidade para o seu Tricentenário, a mais significativa efeméride cuiabana no século, sua maior festa e maior projeto. O Bom Jesus de Cuiabá deu uma forte mãozinha arranjando a Copa do Pantanal como um poderoso instrumento nessa preparação, em termos de obras e serviços públicos, bem como treinamento e avaliação dos gestores públicos e da própria cidadania. Contando com uma muito provável reeleição, o futuro prefeito será o prefeito do Tricentenário. Mesmo não reeleito, ainda assim será responsável por 4 dos 6 anos após sua posse até 2019. A responsabilidade é grande, tanto dos eleitores como dos partidos na escolha de candidatos a altura dessa honraria.
     Melhor. O Tricentenário traz também a possibilidade de Cuiabá livrar-se da desgraça de ser tratada apenas como um trampolim político, balcão eleitoral visando o governo do estado. Quando qualquer processo de planejamento urbano exige um horizonte mínimo de 20 anos, em Cuiabá é de 2, cativo ao calendário eleitoral. Nada interessa além disso. Impossível! Ser o prefeito de Cuiabá no ano do Tricentenário será um laurel político e histórico, mas exigirá a permanência no cargo, abdicando à eleição ao estado de 2018. Daí talvez Cuiabá volte a ter um governante que resgate na prefeitura seus amplos horizontes e busque apenas a honra de bem governar sua cidade.
(Publicado pelo Diário de Cuiabé em 03/01/2012)