"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



Mostrando postagens com marcador Lei Kandir. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lei Kandir. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de abril de 2019

BASE AÉREA EM CÁCERES II

 
José Antonio Lemos dos Santos
     Dia 23 passado o governador Mauro Mendes em reunião com o ministro Sérgio Moro cobrou um reforço do Governo Federal na segurança da fronteira de Mato Grosso. Lembro que tão logo empossado seu secretário de segurança Alexandre Bustamante anunciou que o governo faria essa cobrança, colocando na época inclusive a necessidade de instalação de uma base aérea na região, assunto vital para as cidades brasileiras e, em especial para as mato-grossenses. Mas o noticiário não diz se o assunto foi tratado nesta importante reunião em Brasília. Por isso renovo meu artigo do início do ano sobre o tema.
     A proposta da base aérea levantada pelo governo no início do ano é consistente pois Cáceres dispõe de uma pista de pouso subutilizada com 1.850 x 30m capaz de receber jatos, em posição estratégica aos 1.100 Km da fronteira bem como em relação ao Pantanal, que vem servindo como base de recepção de cargas de drogas e armas lançadas por pequenos aviões ou vindas por terra mesmo. Seria o começo para uma revolução na segurança da fronteira e na vida de nossas cidades.
     Recordo que em 2009 registrei em artigo a apreensão pela Polícia Federal no Trevo do Lagarto de um carregamento de armas modernas e poderosas destinadas ao Rio de Janeiro. O transportador informou que aquela era a terceira viagem desse tipo que fazia. Quantas outras cargas já teriam então passado por outros transportadores? Na semana anterior fora apreendida uma enorme carga de cocaína e no mês anterior havia sido descoberta uma fazenda no pantanal usada para distribuição de drogas que chegavam por avião. Claro que essa situação vinha de muito antes, certamente continua até hoje em volumes muito maiores e continuará caso faltem fortes providências restruturantes.
     Um dos problemas básicos das cidades brasileiras é a insegurança pública que lhes impõem um quadro de medo e violência jamais visto. Esta situação é fomentada e se agrava pelos tráficos de drogas, armas e veículos, que se articulam em poderoso esquema nacional e internacional submetendo aos seus interesses e caprichos povos do mundo inteiro, em especial os jovens. Como pensar em qualidade de vida urbana numa situação destas? Nossas cidades viraram reféns.
     É de ressaltar que jamais será suficientemente elogiado o trabalho difícil e arriscado feito pelas polícias militar e civil do estado, Polícia Federal, polícias rodoviárias federal e estadual, e pelo Exército, bem como a importância dos governos manterem o apoio a essas ações terrestres na fronteira. Mas, no caso de nossa fronteira é indispensável lembrar que Mato Grosso é um dos únicos estados do Brasil a não dispor de uma Base Aérea. Mato Grosso do Sul tem, Goiás tem apesar de vizinha a de Brasília, e Rondônia tem duas! Salta aos olhos o absurdo desta situação considerando os 1.100 quilômetros de fronteira do estado, dos quais 700 em fronteira seca, e que seu território equivale a mais de 10% do território nacional. O problema se agrava na medida em que quase toda a fronteira nacional esteja protegida por bases aéreas e as rotas do crime acabem migrando para o grande rombo ainda existente nas fronteiras brasileiras, que fica aqui. E é o que parece acontecer, cada vez com mais intensidade.
     Tal como a ferrovia passando por Cuiabá, o gás, a termelétrica e a restituição integral pela União aos mato-grossenses do ICMS que nos foi “tirado” e não reembolsado pelos que insistem em não cumprir a Lei Kandir na íntegra, uma base aérea na nossa fronteira é um projeto que merece o apoio de todos os mato-grossenses e neste caso da base, de todos os brasileiros pois o brecha em nossa fronteira é uma das principais fontes de abastecimento do crime em todo o Brasil.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

BASE AÉREA EM CÁCERES


Pista de Cáceres (imagem:JornalOeste)
José Antonio Lemos dos Santos
     Tão logo empossado o secretário de segurança do estado Alexandre Bustamante tem anunciado que cobrará uma presença mais efetiva do governo federal no controle da fronteira aqui em Mato Grosso, colocando inclusive, entre outras importantes questões, a necessidade de instalação de uma base aérea na região, assunto que tenho abordado há décadas, tamanha é sua importância para vida nas cidades brasileiras e, em especial para as mato-grossenses, destacando a Região Metropolitana de Cuiabá. A questão da base aérea levantada pelo secretário ganha muita força com a existência em Cáceres de uma pista de pouso subutilizada com 1.850 x 30m, capaz de receber jatos de carreira, em posição estratégica em relação aos 1.100 Km de fronteira bem como em relação ao Pantanal que vem servindo como plataforma de recepção de cargas de drogas e armas lançadas por pequenos aviões ou vindas por terra mesmo. Não seria um bom começo para uma revolução na segurança da fronteira mato-grossense e na vida de nossas cidades?
     Recordo que em outubro 2009 registrei em um artigo a apreensão pela Polícia Federal no Trevo do Lagarto de um carregamento de armas modernas e poderosas destinadas ao Rio de Janeiro. O transportador havia informado que aquela era a terceira viagem desse tipo que fazia. Quantas outras cargas já teriam então passado por outros transportadores? Na semana imediatamente anterior fora apreendida uma enorme carga de cocaína e no mês anterior havia sido descoberta uma fazenda no pantanal usada para distribuição de drogas que chegavam por avião. Claro que essa situação vinha de muito antes, certamente continua até hoje em volumes muito maiores e continuará caso faltem providências estruturantes fortes como as anunciadas pelo secretário.
     Um dos principais problemas das cidades brasileiras é a insegurança pública total, impondo-lhes um quadro de medo e violência jamais visto. Esta situação é fomentada e se agrava pelos tráficos de drogas, armas e veículos, que se articulam em poderoso esquema nacional e internacional submetendo aos seus interesses e caprichos povos do mundo inteiro, em especial os jovens. Como pensar em qualidade de vida urbana numa situação destas? Nossas cidades sofrem.
     É de ressaltar que jamais será suficientemente enaltecido o trabalho que com todas as dificuldades e riscos é feito pelas polícias militar e civil do estado, Polícia Federal, polícias rodoviárias federal e estadual, e pelo Exército, bem como a importância dos governos continuarem incrementando essas ações terrestres na fronteira. Mas, no caso de nossa fronteira é indispensável lembrar que Mato Grosso é um dos únicos estados do Brasil a não dispor de uma Base Aérea. Mato Grosso do Sul tem, Goiás tem apesar de vizinha a de Brasília, e Rondônia tem duas! Considerando os 1.100 quilômetros de fronteira do estado – dos quais 700 em fronteira seca, e que seu território equivale a mais de 10% do território nacional, o absurdo dessa situação salta aos olhos. O problema se agrava na medida em que toda a fronteira nacional esteja protegida por bases aéreas e as rotas do crime acabem migrando para o grande rombo ainda existente nas fronteiras brasileiras, que fica justamente aqui, na nossa fronteira. E é o que parece acontecer cada vez pior e com mais intensidade.
     Tal como a ferrovia passando por Cuiabá, o gás e a restituição integral aos mato-grossenses pelo governo federal do ICMS que deles foi “emprestado” pela Lei Kandir, uma base aérea na nossa fronteira é um projeto que merece o apoio de todos os mato-grossenses e neste caso da base, de todos os brasileiros pois o rombo em nossa fronteira é uma das principais fontes de abastecimento do crime em todo o Brasil.

terça-feira, 17 de julho de 2012

ESTADO UNIDO DE MATO GROSSO (II)



José Antonio Lemos dos Santos 

  Volto a falar no sucesso produtivo de Mato Grosso. Na verdade aguardaria as estatísticas do primeiro semestre para tratar do assunto, mas o discurso do governador na abertura da Expoagro forçou a antecipação no artigo da semana passada. Sei que entre nós mato-grossenses tem gente enfastiada com a repetição de matérias e artigos tratando do sucesso do nosso estado. Feliz da unidade federativa que pode chegar a uma situação como esta. Alguns destes preferem falar indignados sobre aquilo que não temos, até porque em meio a tanta riqueza continua faltando muita coisa, ou quase tudo, ao povo. Comungo com a indignação destes, mas prefiro festejar aquilo que a sociedade conseguiu produzir com seus trabalhadores e empresários em todos os rincões do estado, a despeito do desamparo dos governos.


     Prefiro falar daquilo que temos, da riqueza produzida, pois é com ela que se poderá construir o que nos falta, afinal toda essa riqueza é produzida pela sociedade e a ela deve retornar como benefícios. Se não tem a riqueza, não tem como construir nada, ou pelo menos esta era a desculpa que os sucessivos governos usavam para explicar o porquê da carência de obras, equipamentos e serviços públicos para o bem estar da população. Hoje esse álibi não é mais possível, o estado é rico em produção e continua desenvolvendo em níveis extraordinários. Por isso a meu ver é tão importante divulgar esses sucessivos êxitos produtivos do estado, para que a sociedade se conscientize que pode e deve cobrar legitimamente tudo aquilo que a tem direito já que a riqueza produzida pela força de seu trabalho permite. Dinheiro tem, gerado aqui mesmo.
     Mato Grosso terminou o primeiro semestre trazendo para o Brasil um superávit comercial no valor de US$ 6,44 bilhões! Mais de 6 bilhões de dólares em seis meses, limpinhos para o Brasil, cujo superávit total no mesmo período foi de US$ 7,07 bilhões. Ou seja, não fosse Mato Grosso o Brasil praticamente ficava a ver navios no resultado de sua balança comercial neste primeiro semestre. E essa história vem se repetindo a vários anos. Mato Grosso sozinho exporta mais do que todos os estados do Centro Oeste juntos e já é o sexto maior exportador do país. Dos 162,5 milhões de toneladas de grãos produzidos no Brasil nesta safra, 38,1 milhões foram produzidos em Mato Grosso, ou seja, de cada 4 grãos produzidos no país, 1 vem de Mato Grosso. Além do mais tem o maior rebanho bovino do país.

     Sabe o que Mato Grosso tem recebido historicamente da União? Quireras! Nem o compromisso legal de reposição da Lei Kandir. Sabe quanto custará em reais o tão chorado novo Aeroporto Marechal Rondon? R$ 85,0 milhões, mesmo preço do novo Hospital Universitário, com 250 leitos. Sabe quanto custará a ferrovia ligando Rondonópolis a Cuiabá? R$ 800,0 milhões. E de Cuiabá a Lucas? Uns R$ 1,4 bilhões, mais ou menos o mesmo que o custo da duplicação rodoviária de Rondonópolis a Posto Gil. Moral da história, o superávit gerado por Mato Grosso só neste semestre daria para fazer 4 vezes todas estas obras.
     Festejar repetidas vezes a riqueza de Mato Grosso é divulgar que o estado unido e trabalhador cresceu e hoje ocupa um lugar de destaque no conjunto das unidades federativas, podendo cobrar muito mais nas negociações sobre os investimentos federais. Sou do tempo em que Mato Grosso era rabeira na federação brasileira e essa era a desculpa para a falta de investimentos. Agora Mato Grosso é líder, não tem desculpa e o povo pode ser incisivo cobrando o retorno daquilo que produz. O nefasto círculo vicioso entre a incompetência, a corrupção e o privilégio de estados tradicionais só será rompido com a intromissão organizada da sociedade que produz, que é cidadã e não é mais bobó.
(Publicado em 17/07/2012 pelo Diário de Cuiabá, Midianews)