"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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terça-feira, 13 de maio de 2014

HERÓIS E FERROVIA

José Antonio Lemos dos Santos

     A ideia inicial era escrever sobre a importante reunião do último dia 28 em Brasília quando, depois de quase 2 anos de espera, a UFSC apresentou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o estudo comprovando a viabilidade da ferrovia no trecho Rondonópolis – Cuiabá, resultado esperado, pois repete estudos semelhantes que vêm desde pelo menos a década de 70, e confirma o que pode ser visto por qualquer cidadão honesto disposto a ficar uns minutinhos ali na Rodovia dos Imigrantes olhando o movimento das carretas e bitrens. Este trabalho se torna importante, pois sepulta uma inviabilidade inventada que justificaria uma absurda interrupção da Ferronorte em Rondonópolis. A continuidade dessa ferrovia por apenas 460 Km até Lucas do Rio Verde passando por Cuiabá constituí hoje o projeto mais importante e urgente para Mato Grosso. Apesar disso, o noticiário não registrou na reunião a presença de qualquer deputado, federal ou estadual, senador, vereador, prefeito ou qualquer autoridade pública, em especial ligados à Cuiabá ou Várzea Grande, a não ser o ex-secretário de logística Francisco Vuolo, de conhecida e histórica ligação familiar com a obra. 
     Aconteceu, porém, na quinta- feira passada a tragédia na Arena Pantanal, com a morte de Mohammed Ali Dom Paolo Nicholas Poseidon Maciel Afonso, um operário cuiabano, morador de Várzea Grande, morto trabalhando aos 32 anos. Por esta indesejada e triste notícia antecipo o texto que faria depois da Copa em homenagem aos seus verdadeiros heróis, os trabalhadores, aqueles que estão construindo suas magníficas obras (algumas nem tanto) ou que se preparam para prestar os serviços de apoio nas diversas áreas indispensáveis a um evento desse porte. Mas esperava escrever sobre heróis vivos, estes verdadeiros heróis que não são lembrados, nem durante nem depois das obras, a não ser para uma mediazinha nas inaugurações de algumas obras mais midiáticas, ou em tragédias como esta. 
     A estes heróis verdadeiros que estão construindo a Arena Pantanal, VLT, viadutos, trincheiras, avenidas e aqueles que farão com seus serviços a Copa do Pantanal funcionar, antecipo em nome de Mohammed Ali esta minha reverência de cuiabano apaixonado e bairrista que gostaria de poder fazer uma parcela mínima de tudo o que estão fazendo pela minha cidade, apesar de todos os problemas. Mas, neste mês que homenageia o Trabalhador e o aniversário de Mato Grosso, amplio a homenagem a todos os heróis trabalhadores mato-grossenses. Na verdade não consigo desvincular a construção da Arena e tudo o que está acontecendo em Cuiabá com a épica construção de Mato Grosso como líder disparado da produção agropecuária no Brasil e grande potência produtora de alimentos em nível de mundo. Graças ao trabalho sofrido e persistente de sua população, este ano Mato Grosso oferecerá para alimentar o Brasil e o mundo uma safra com cerca de 50 milhões de toneladas de grãos e quase 30 milhões de cabeças de gado. Em contrapartida recebe quase nada ou coisa nenhuma. Não fosse o compromisso internacional da Copa... Saiu agora a estatística dos acidentes em rodovias federais em Mato Grosso para o primeiro semestre, com um acréscimo de 14,2% no número de mortes, chegando a 136 óbitos em mais de 6 acidentes diários em média, matando quase 1 herói ou heroína por dia. Heróis que precisam viajar para trabalhar, para estudar, em férias, para tratamentos de saúde, em suma, para continuar construindo este grande estado. E os seus representantes, regiamente pagos, nem sequer comparecem a uma reunião sobre a continuidade da ferrovia. Certamente, têm suas prioridades. Os produtores que percam, o ambiente que degrade, o povo que morra. 
(Publicado em 13/05/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

BOMBEIROS, BOM-SENSO E LUVERDENSE

José Antonio Lemos dos Santos

     Apesar de tudo a Copa do Pantanal avança superando as imensas dificuldades do grande desafio, tanto as dificuldades normais de uma empreitada como essa, como aquelas que parecem plantadas por interesses que até hoje não aceitam Cuiabá como uma das sedes da Copa 2014. Na construção da Copa e de seu grande legado, Cuiabá e Mato Grosso vencem um leão por dia e, mesmo assim, nesta semana saiu a lista das primeiras 12 obras a serem inauguradas até novembro, obras significativas e necessárias que não seriam viabilizadas nem em décadas, tais como os viadutos do Despraiado e da UFMT, a duplicação da ponte Mário Andreazza ou a ponte do São Gonçalo, entre as outras. 
     Mas a maior vitória da semana foi do glorioso Corpo de Bombeiros de Mato Grosso por sua imediata e eficaz presença no incêndio no subsolo da Arena Pantanal, sexta-feira passada à tarde, que poderia ter se propagado de forma grave caso não fosse combatido de forma quase instantânea. De estranhar no início do sinistro as centenas de comentários de leitores felizes nos sites nacionais, alguns daqui, festejando o incêndio como o ponto final da Copa em Cuiabá, uma legítima pretensão mato-grossense e cuiabana, como seria de qualquer outra cidade brasileira. Mas logo apareceram nossos bombeiros e a brigada de incêndio da obra debelando rápido o fogo, num show de competência técnica. Moro perto da Arena e ainda naquela tarde passei por lá e não vi sequer sinal de fumaça. Não sou de me deter em coisas negativas, mas esse fogo me deixou com uma pulga atrás da orelha. 


                                 copadomundo.uol.com.br


g1.globo.com
                                                                                                                                                                   
     A participação dos Bombeiros de Mato Grosso foi noticiada, mas ainda não 
suficientemente exaltada pela presteza e competência de sua ação. O sinistro foi melhor que um teste programado de segurança e serviu para mostrar que ao menos nessa área a Copa do Pantanal está em mãos muito boas e preparadas. Sou do tempo em que em um chamado emergencial como esse o normal era - a contragosto da corporação - encontrar os caminhões estragados ou sem combustível, sem pneus,  telefone cortado e coisas desse tipo. Muita gente por aí achava que isso ia acontecer, mas aconteceu o contrário. Na Alemanha teria sido melhor, dirá alguém. Mas, aqui no Brasil duvido que todas essas cidades proclamadas mais merecedoras da Copa do que Cuiabá disponham de um serviço com tal confiabilidade nessa área, demonstrando a que ponto de qualidade pode chegar o serviço público, justamente homenageado ontem no Dia do Servidor Público. Que a Copa seja também uma oportunidade concreta de aprimoramento e promoção da importante e sofrida figura do Servidor Público em nossa cidade e nosso país. 
     Outro viva! Desta vez à vitória do bom-senso no episódio das cadeiras da Arena, uma armadilha grosseira montada através da comparação entre preços de 2 produtos de qualidades diferentes. De novo Mato Grosso surpreende resgatando o bom-senso, raramente presente nas decisões públicas em nosso país, ao revalidar o resultado da primeira licitação. Seria um absurdo por causa de uma falácia colocar em risco a mais compacta, mais barata e ainda assim a mais bela e premiada de todas as arenas da Copa, a 2 meses do prazo acertado com a FIFA como condição para a realização da Copa do Pantanal. 
     Por fim, mas não menos importante, viva o Luverdense pela vitória de domingo contra o Caxias ascendendo à série B do campeonato brasileiro e recolocando o futebol de Mato Grosso na elite do mais querido esporte no Brasil, posição relevante para um estado que conquistou e vem construindo com muito empenho a Copa do Pantanal. 
esporte.terra.com.br

(Publicado em 29/10/13 pelo Diário de Cuiabá, Blog do José Lemos ...)

terça-feira, 28 de maio de 2013

DE OLHO NAS OBRAS

Viaduto do Despraiado - Secom


José Antonio Lemos dos Santos

     No próximo 31 de maio completam 4 anos da escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Aliás, mesmo antes da escolha o assunto já se desenvolvia, ao menos desde 2006 quando de uma visita do então presidente da CBF a Cuiabá, momento em que o então governador Blairo Maggi percebeu que a capital mato-grossense poderia disputar nacionalmente uma das sedes, ainda só 10 naquele momento em que nem o Brasil havia sido escolhido para a Copa. Nem sequer se pensava que uma das sedes seria no Pantanal. De lá para cá muita coisa aconteceu. Acho que dá até para identificar os anos de 2006 até 2012 como uma fase heroica neste monumental processo da Copa em Cuiabá. Primeiro um momento de grandeza de visão e coragem para decidir entrar numa arriscadíssima disputa que nem o maior dos otimistas poderia sequer imaginar, quanto mais vencer. Depois uma etapa da competência técnica e política na preparação de informações e planos para convencimento da FIFA de que Cuiabá deveria ser a escolhida, superando outras belas e até melhor preparadas cidades brasileiras concorrentes. 
     Cuiabá venceu e imediatamente teve que cair na realidade de que aquele momento que vivia não era um sonho. Ou por outra, era sim um sonho, mas um sonho real que trazia junto a obrigação de se preparar adequadamente para um dos maiores eventos do planeta, uma imensa responsabilidade não só perante si própria, mas perante o Brasil e o mundo. A menor das sedes e para muitos, a menos preparada. O patinho feio com a obrigação de mostrar-se em pouco tempo como um belo cisne capaz de agradar ao mundo. Uma tarefa hercúlea por si só e que contava ainda com o agravante de poderosa oposição de algumas das cidades preteridas, que vez por outra ainda vocifera incrustada em alguns setores da imprensa nacional, bem como de compreensíveis vozes discordantes locais, desde aquelas questionando investir na Copa, ao invés de na saúde ou na educação, até aqueles crentes de que a Copa seria apenas um pretexto para uma enorme roubalheira pública, ou aqueles outros para os quais sempre nada dará certo, posição que vai desaparecendo à medida em que as obras avançam. 
     Acontece que Cuiabá, aos trancos e barrancos vem superando todas estas etapas e hoje desapareceram aqueles riscos da cidade perder a Copa e dos investimentos públicos e privado não acontecerem. Muito ao contrário, a cidade é um grande canteiro de obras e vive um momento de superofertas de vagas de trabalho em todas as áreas da economia. Carros de som percorrem os bairros oferecendo vagas. Alguém já tinha visto isso? Os principais investimentos sacrificam a mobilidade urbana cotidiana, mas tomam forma aos nossos olhos, tais como a Arena, o aeroporto, viadutos, trincheiras, pontes, novas avenidas, a fábrica de cimento, shoppings, torres hoteleiras e de apartamentos, grandes lojas, etc., tudo em um ambiente de euforia e grandes perspectivas. Se outro dia o ambiente era de incredulidade quanto às obras, hoje é de crescente encantamento com o desenvolver delas. 
     O risco é passar da fase heroica para uma de deslumbramento, esquecendo que quase tudo ainda está por fazer em menos de 1 ano. Mesmo que a maior parte das obras já tenha sido iniciada, se encontre em ritmo acelerado e em estágios de irreversibilidade, é preciso continuar cobrando, criticando e aplaudindo quando necessário. Cadê o Fan Park? Como o VLT se integrará aos demais modais de transporte? Que modelo de gestão será adotado para o transporte público metropolitano, hoje ainda tocado pelas mãos de Cuiabá, de Várzea Grande e do governo do estado, nem sempre concordantes? Assim como o olho do dono é que engorda o gado, o bom olho do cidadão é que deve cuidar da cidade. 
(Publicado em 28/05/2013 pelo Diário de Cuiabá)