"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

ROTATÓRIA DO CÍRCULO MILITAR

Resultado de imagem para rotatória círculo militar
               Rotatória do Círculo Militar (Imagem: RDNews)

José Antonio Lemos dos Santos
     Feliz a cidade com o dinamismo e a pujança de Cuiabá, viçosa, rica em oportunidades de desenvolvimento e de elevação da qualidade de vida de sua população. Mas, também em problemas. São os tais ônus e bônus da vitalidade urbana. As cidades vivas geram aumentos de demandas em todas as áreas, e muito especialmente na mobilidade urbana, onde cresce o número de pessoas e de veículos nas ruas, surgem novos bairros e polos geradores de tráfego, exigindo de seus administradores providências visando garantir a fluidez indispensável com segurança e conforto. Como uma criança saudável em crescimento exige dos pais, no tempo certo, roupas, sapatos, e tudo o mais em tamanhos crescentes, assim também uma cidade em desenvolvimento.
     É o caso de Cuiabá que, sem uma estrutura técnica permanente para o  planejamento urbano contínuo, tem sua prefeitura sempre correndo atrás, buscando superar os gargalos urbanísticos surgidos a cada momento, hoje com obras de vulto como os viadutos na Beira-Rio e na Archimedes Lima, passarela na Rodoviária, renovação do sistema semafórico, recapeamento asfáltico e mesmo obras menores, como a ligação da travessa Monsenhor Trebaure à Marechal Deodoro. Agora a discussão é o colapso funcional da rotatória do Círculo Militar, causado pelo incremento natural do trânsito de veículos acrescido pela instalação de um grande polo gerador de tráfego nas proximidades.   
     Quanto à rotatória do Círculo Militar, após o aparente insucesso da solução semafórica, o prefeito acena com a construção de uma trincheira no local, o que seria uma solução emergencial importante. Porém, o carro é um bicho danado. Se um conflito pontual é resolvido, de imediato ele volta ao local até atingir de novo os limites do desconforto e, logo, novo colapso. A trincheira ou, no caso, um viaduto estaiado, é uma solução emergencial necessária como uma ponte safena em um coração com problema circulatório. Melhor que tratar a doença de um paciente é tratar o paciente doente, e com a cidade deve ser igual. Ainda que as soluções emergenciais sejam necessárias, o ideal é tratar a cidade com problemas, antecipando-se a eles.
     Soluções urbanísticas pontuais exigem sempre uma visão ampliada dos problemas pois podem estar em intervenções também mais amplas. No caso da rotatória em questão a solução mais ampla está em reduzir a demanda de tráfego para ela, criando alternativas de circulação. Por exemplo, a Lei da Hierarquização Viária de Cuiabá já em 1999 previa a extensão da Avenida Beira-Rio à oeste (VEBR-O), fazendo sua ligação com a Avenida Antártica, uma via para auxiliar a Miguel Sutil nas demandas da Região Oeste da cidade. Também, lá por 2005 surgiu o projeto do Rodoanel com objetivo de aliviar a Miguel Sutil do trânsito rodoviário. São obras portentosas, mas necessárias, que a par de permitir a melhoria do trânsito em toda a cidade, impactaria favoravelmente no volume de tráfego na rotatória do Círculo Militar.
     Uma trincheira ou viaduto na rotatória seria uma solução emergencial, um curativo importante, e que ampliaria a viabilidade de uma proposta que defendo no mínimo desde 2009 e que seria uma nova rotatória na interseção da Ramiro de Noronha (sub-utilizada), quase a meia distância entre as rotatórias do Santa Rosa e a do Círculo Militar. Outra rotatória, outro problema? Certamente depende de estudos mais aprofundados, mas, ela permitiria a ligação da Miguel Sutil com a Avenida 8 de Abril (sub-utilizada), e com XV de Novembro através da Thogo Pereira, bem como o acesso ao novo shopping sem demandar as rotatórias do Santa Rosa e do Círculo Militar, aliviando-as. Outra proposta de efeito pontual, mas também para toda a cidade.

sábado, 26 de novembro de 2016

VÁRZEA GRANDE E A COPA

Imagem José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos
Semana retrasada fui convidado pelos alunos de Arquitetura e Urbanismo da Univag para falar sobre os impactos da Copa do Pantanal em Várzea Grande. O honroso convite tinha um pouco de melindroso, pois meus caros leitores sabem que sempre fui simpático ao grande evento mundial em nossa cidade, e todos também sabemos que a preparação urbana não foi exatamente um mar de rosas ou uma operação indolor e coube a Várzea Grande sofrer os impactos negativos mais evidentes, em especial ao longo do eixo da Avenida da FEB.
     Mas o desafio tornou-se empolgante à medida avançava no assunto. Para mim a Copa do Pantanal significou a maior oportunidade de investimentos públicos e privados concentrados no tempo vistos por Cuiabá e Várzea Grande em toda sua história. É claro que estes investimentos resultaram em intervenções físicas que trouxeram muitos problemas, entretanto trouxeram também aspectos positivos que não são tão evidentes. O sapato apertado chama mais a atenção que o confortável. No caso de Várzea Grande que balanço pode ser feito? A cidade hoje está melhor ou pior que antes da Copa? Os impactos negativos saltam às vistas, já os positivos, tive que conferir pela cidade com olhos de ver, e o resultado foi bem animador.  
     Primeiro impacto positivo, o Aeroporto Marechal Rondon, o 14° do país com cerca de 3,0 milhões de passageiros/ano, está hoje com sua área triplicada, equipado com “fingers”, embarques e desembarques mais confortáveis, e amplo estacionamento. Mesmo com sua ampliação a estação de passageiros já parece no limite de sua capacidade, imaginem se hoje aquele antigo painel com a simpática arara azul continuasse limitando sua extensão.  Apesar do nosso renitente “complexo de pequi-roído” se extasiar com pesquisas que colocam o Marechal Rondon como o menos confortável entre os 15 maiores aeroportos do país, hoje ele está muito melhor que antes da Copa, o que não pode ser motivo para relaxar na cobrança da conclusão urgente de suas obras. Convém lembrar que o Marechal Rondon é a interface do mundo globalizado com Mato Grosso, uma das regiões mais dinâmicas e produtivas do planeta, o que representa uma imensa vantagem comparativa para a cidade que o abriga.
     À frente do aeroporto encontra-se o “Shopping Várzea Grande”, empreendimento privado destravado com a vinda da Copa depois de anos atrás de um tapume em ruínas. Foi inaugurado em 2015 oferecendo 3,5 mil empregos diretos e indiretos e a previsão de mais 900 vagas temporárias para o final daquele ano. Além dos empregos, elevou a autoestima várzea-grandense. E próximo ao aeroporto e ao Shopping, chegaram novos e sofisticados hotéis. Dizem que um ou outro fechou diante da duplicação de leitos na Grande Cuiabá para a Copa. O mal não está nos hotéis mas na falta da prometida política de promoção ao turismo ancorada na propaganda propiciada pelos holofotes da Copa.
     E a nova interseção do “ZeroKM”, com sua bela trincheira? E o viaduto do Cristo Rei? Faltou um retorno para o centro de Várzea Grande, assim como falta um ligando quem sai do aeroporto ao Shopping. Um dia farão. E a nova “estrada da Guarita”, agora uma avenida em pista dupla ligando o centro histórico da cidade à nova fronteira urbanística várzea-grandense? E a magnífica Mário Andreazza, também em pista dupla e características urbanas, com calçadas e as devidas sinalizações, ligada a Cuiabá por uma nova ponte e a trincheira Ciriaco Cândia, tão criticada quando em construção mas que agora nem pode ser interditada para acabamentos pois sua falta gera enormes engarrafamentos? Quanto ao VLT o negócio é concluí-lo, punindo quem merecê-lo. Para mim, apesar dos problemas, o saldo é positivo.
(Publicado em 27/11/16 peloMidiaNews, FolhaMax, NaMarra, ArquiteturaEscrita, em 28/11/16 pela PáginaDoEnock, ...)



COMENTÁRIOS:
Por e-mail

Maristela            26/11/16         22:52


"Oi José Antônio, boa noite!
Acabei de postar meu comentário para seu último artigo, mas não apareceu a confirmação do envio. Em todo caso, quero lhe dizer que escrevi agradecendo por me ajudar a ver com “olhos de ver” os benefícios que a Copa trouxe para Cuiabá e Várzea Grande. Gostei muito! Valeu! 
Grande abraço
Maristella "

No Face
Carlos Oseko    26/11/16
"VG pode e precisa deMAIS!!!"

Nanda Lopes  26/11/16
"Que matéria show em professor , realmente sofremos muito com o impacto da copa , mas também acho que não devemos chorar pelo leite derramado , mas sim erguer a cabeça e aproveitar o pouco que foi dado , que fez diferença , e que não iríamos ganham mesmo sem a copa , e isso aí "

Everaldo Araújo  26/11/16
" Isso se chama visão de futuro Jose Antonio Lemos Santos e vc sempre em todos artigos que leio faz críticas construtivas. E como apaixonado pela nossa calorosa e bela Cuiabá sonho um dia ver o VLT inaugurado que beneficiará milhares de trabalhadores e estudantes que padecem nesses ônibus a maioria sem condições de uso sem ar condicionado sem dizer nas horas que perdem nos pontos de ônibus esperando ! Vamos sonhar e cobrar nossos gestores públicos porquê se não fossem tão incompetentes com certeza o legado da Copa 2014 teria sido muito maior para Cuiabá e Várzea Grande!"



quarta-feira, 6 de abril de 2016

CUIABÁ 300-3!

cuiaba.mt.gov.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Desde 8 de abril de 2009 a cada aniversário de Cuiabá escrevo artigos cujos títulos simulam uma contagem regressiva até 2019, ano de seu Tricentenário. Já estamos a apenas 3 anos da grande data. Essa preocupação com os 300 anos de Cuiabá já vinha desde 1989 quando a então nova Lei Orgânica do Município estabelecia um capítulo especial para a Política Urbana adotando entre suas ferramentas o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, cujos horizontes de planejamento vão de 20 a 30 anos, já forçando nosso olhar para o ainda distante 2019.
     Em 1999, a 20 anos do Tricentenário, o IPDU coloca em público a expressão “Cuiabá 300” como meta de trabalho, buscando estruturar o desenvolvimento urbano de forma que a cidade alcançasse padrões urbanísticos e de qualidade de vida mais elevados até 2019. Mas, esse processo foi interrompido e a alternativa que restou foi a preparação em tempo hábil de uma agenda de projetos pontuais para presentear a cidade. Em compensação, de imediato, em 2009 a história surpreende os cuiabanos com o fantástico desafio da Copa do Mundo. Estou cada vez mais convencido de que esse grande evento foi um artifício do Bom Jesus para um choque em nós cuiabanos fazendo-nos entender os novos tempos que a cidade vive e, assim, prepará-la condignamente para o seu Tricentenário. A cidade, enfim, teria que olhar para o futuro. Contudo, finda a Copa, o futuro sumiu de novo à nossa frente.
     Comemorar os 297 anos é exaltar uma cidade surgida entre as pepitas de um corguinho com muito ouro que era chamado pelos nativos de Ikuiebo, Córrego das Estrelas, que desembocava em um belo rio em meio a grandes pedras chamadas Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão em bororo. E ela floresceu bonita, célula-mater deste “ocidente do imenso Brasil”. Mãe de cidades e Estados, o aniversário de Cuiabá é também o aniversário do Brasil neste vasto Oeste brasileiro. Por quase três séculos sobreviveu a duras penas, tempo heroico que forjou uma gente corajosa e sofrida, mas alegre e hospitaleira, dona de um riquíssimo patrimônio cultural e com proezas que merecem maior carinho da história oficial brasileira. Como um astronauta moderno, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave só por um cordão prateado, assim Cuiabá ficou por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização só pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai. Cuiabá hoje vibra em dinamismo, globalizada e provinciana, festeira e trabalhadora, centro de uma das regiões mais produtivas do planeta que ajudou a ocupar e desenvolver.
     Agora só estamos a 3 anos do Tricentenário. O que poderia ser feito, para não ficar apenas na simpática mesmice da “Garota Tricentenário” ou de um bolo de 300 metros lambuzando a praça? Concluir as obras da Copa? Os hospitais da UFMT? Talvez, enfim, ao menos um projeto completo para a revitalização do Centro Histórico de Cuiabá envolvendo os governos federal, estadual e municipal, com recursos assegurados para sua execução e abarcando toda amplitude de um projeto como este, desde o rebaixamento da fiação, repaginação urbanística, incentivos tributários, até um modelo de gestão do espaço a ser tratado como um shopping cultural a céu aberto. Nada mais vergonhoso no Tricentenário do que o Centro Histórico como está, sem ao menos um projeto. Para quem já trabalhou e viu tanta gente boa trabalhar por esse projeto a mais de 30 anos, parece impossível crer que vá acontecer em apenas 3 anos. Mas, como a esperança é a última que morre, não custa nada relembrar o assunto, afinal Deus é brasileiro e o Bom Jesus é de Cuiabá. Apesar da não tão recomendável experiência da Copa, quem sabe Ele interceda de novo por sua terra?
(Publicado em 06/04/2016 pela Página do Enock, Site do CAU-MT, Jornal Oeste e em 08/04/2016 no Midianews ...)

Comentários por e-mail;
Em 07/04/16 Archimedes Lima Neto - Assoc. Bras. de Eng. Civis:
"Tão perto... 300 -3 ..."

Em 08/04/16 Cleber Lemes
"Bom Dia Dr. José Antonio ! 
Parabéns pelo excelente artigo, suscinto mas objetivo, uma aula de história. Faço minha as suas palavras em prol da Comemoração dos 300 anos de Cuiabá, não com bolo , mas sim com a revitalização do Centro histórico , bem como uma atenção dos nossos governantes Federal/ Estadual e Municipal para uma SAUDE mais digna. Abs 
​Cleber"

Mais comentários diretos ao Blog, ver abaixo.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

NOVO SHOPPING EM CUIABÁ

Lançado em agosto de 2012 inicialmente com o nome de Royal como mais um grande empreendimento privado estimulado pela Copa, na semana do aniversário de 295 anos de Cuiabá, a cidade ganhou mais um shopping de grande porte, o ESTAÇÃO CUIABÁ com inauguração prevista para novembro de 2015. Mais empregos e mais qualidade de vida..  Veja abaixo matéria do Diário de Cuiabá sobre o assunto. Outras imagens e informações no site  http://shoppingestacaocuiaba.com.br/ .

Imagem http://shoppingestacaocuiaba.com.br/


     "A BRmalls, a maior empresa de shoppings da América Latina, lança na próxima quinta-feira, dia 10, seu primeiro empreendimento no Estado, o shopping Estação Cuiabá, que será edificado na Capital, na região do trevo do Santa Rosa. O projeto, considerado um presente na semana em que Cuiabá comemora 295 anos, tem previsão de inauguração em novembro do ano que vem. 
     Localizado em uma região nobre e em pleno desenvolvimento, o shopping Estação Cuiabá fica na Avenida Miguel Sutil, próximo ao trevo do bairro Santa Rosa. Seu acesso é fácil e fluido, vindo de uma das maiores avenidas da cidade. Serão 46 mil metros quadrados (m²) de área de lojas, 12 âncoras e megalojas, 207 lojas satélites, três pisos, cinema multiplex, praça de alimentação com 26 operações e mais de mil lugares, alameda gourmet com quatro restaurantes, games, alameda de serviço e 2.150 vagas cobertas para estacionamento. No centro da praça de eventos haverá claraboias que permitem a entrada de luz natural. “No cenário atual, com essas características, o shopping Estação Cuiabá será o maior de Mato Grosso”.
     Como explicam os executivos da BRmalls, a concepção preza pela valorização da cultura e da tradição local, tão ricas e com características marcantes, o shopping Estação Cuiabá teve a sua logomarca inspirada na cuiabania. “Buscou no Festival de Cururu e de Siriri, com as suas saias rodadas e coloridas, a inspiração para as cores e o movimento da imagem que representa o empreendimento”.
     Planejado sob medida para oferecer conforto e uma experiência de compras agradável, o lançamento traz o que há de mais moderno no mercado de shoppings. De fácil circulação, o shopping Estação Cuiabá foi concebido de modo que os corredores e lojas sigam um fluxo circular, no qual o visitante não se perde, além de garantir fácil acesso a todos os andares.
     O setor comercial já está trabalhando com a locação de espaços para lojistas e vem colhendo boa aceitação do mercado. Lojas já confirmadas: C&A, Renner, Riachuelo, Avenida, Cinépolis, City Lar Prime, academia Bio Ritmo, Brooksfield, Brooksfield Jr., Brooksfield Donna, Via Veneto, Vivara, Polo Wear, Track&Field e Planet Park. 
     BRMALLS - A BRmalls, maior empresa de shoppings da América Latina, escolheu a cidade pelo seu grande potencial varejista, pois Cuiabá é um polo comercial e de serviços, e pela força econômica que o Mato Grosso vem apresentando nos último anos. O shopping Estação Cuiabá é o 54º empreendimento da empresa, sendo o 4º do Centro-Oeste e o primeiro em Mato Grosso." 
(Publicado em 08/04/2014 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

VALEU 2013!

José Antonio Lemos dos Santos

     Seria um dia como qualquer outro a não ser por se tratar do último dia do ano no nosso calendário, um divisor das águas do tempo, entre o quase passado 2013 e o 2014 que se aproxima cheio de perspectivas e desafios. Hoje, um momento para avaliações do passado e do futuro imediatos que não cabem em um só artigo, a não ser agradecer a Deus o ano que passou e pedir a renovação de suas graças para o ano que vem. Em especial em Mato Grosso, um dos maiores produtores de alimentos do mundo e a Grande Cuiabá que sofre diretamente os impactos de sua preparação para um dos maiores eventos globais da atualidade, a Copa do Mundo, e vive aquela que poderá ser considerada a maior transformação urbanística de sua história, no pequeno prazo em que se realiza, com dezenas de obras tomando formas e sendo inauguradas.
     Este artigo é dedicado à retrospectiva de 2013 que começo lembrando o espetáculo da Corrida de Reis e o carnaval do Rio com a Marques de Sapucaí inteira cantando com a Mangueira para o mundo: “Cidade formosa... Verde... Rosa, Vila Real do Bom Jesus!”. Emoção que não diminuiu nem com o absurdo aumento de rendimentos que se deram os vereadores de Cuiabá, depois anulado em parte pela Justiça. No mundo, o surgimento de Francisco, o papa da esperança e sua visita ao Brasil. E a morte de Mandela com sua lição de integração racial plena. No Brasil, o final do julgamento do “mensalão” e as grandes passeatas de protestos que em junho marcharam ordeiras, pacíficas e poderosas pelas ruas de todo o país, inclusive em Mato Grosso. Aliás, em março a cidade de Sorriso se antecipava realizando a “Parada pela Vida”, um bloqueio racional da BR-163 contra o caos logístico em Mato Grosso. Antes também houve em Cuiabá a “Caminhada pela Copa”, reunindo entre 10 e 15 mil pessoas, inclusive com protestos contra o próprio evento.
     De volta a Mato Grosso, em março a abertura da licitação do Rodoanel de Cuiabá, em pista dupla, estimado em R$ 346,0 milhões e em abril a inauguração da fábrica de cimento de R$ 400,0 milhões no Aguaçu. No esporte a vitória do Luverdense sobre o Corínthians e sua ascensão à série “B” do campeonato brasileiro. Ainda em abril e maio o lançamento de um grande shopping em Várzea Grande e a cobrança de celeridade nos estudos de viabilidade da ferrovia Cuiabá-Santarém pelos chineses, ansiosos em construí-la já. Até hoje nada. Importante para mim o lançamento do meu livro “Cuiabá e a Copa – A preparação”.
     Em julho veio a mais perigosa das armações contra a Copa em Cuiabá, quando foi colocada na mídia nacional uma comparação entre valores de produtos diferentes como se fossem iguais, quase que inviabilizando os prazos da Arena Pantanal. Depois dessa, botaram fogo na Arena, incêndio intencional segundo a Politec, logo debelado pelo Corpo de Bombeiros local. Em compensação em setembro a bela Jakelyne, de Rondonópolis, foi eleita Miss Brasil e em novembro Cuiabá sediou os Jogos dos Povos indígenas, num belo espetáculo de cores e integração cultural pouco divulgado. O superávit comercial de Mato Grosso nesse mês já havia superado o total de 2012, com mais de US$ 13,3 bilhões. Mato Grosso é o sexto maior estado exportador do Brasil.
     Agora em dezembro o IBGE revelou que o PIB mato-grossense evoluiu em 2011 quase 20%, mais que o dobro da China e é o maior crescimento do Brasil, sendo que Cuiabá tem a décima melhor renda per capita entre as capitais brasileiras. Coroando o ano o jornal espanhol “El Gol Digital” escolheu a Arena Pantanal como a sétima mais espetacular arena do futuro no mundo e o famoso “El País” de Madrid destacou Cuiabá em matéria especial enfatizando as transformações pelas quais a cidade passa se preparando para a Copa.

Valeu 2013, feliz 2014!
(Publicado em 31/12/2013 pelo Jornal Oeste, ...)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

VÁRZEA GRANDE SHOPPING


Divulgação

Grande Cuiabá ganhará shopping de 

R$ 200 mi em 2015

Várzea Grande Shopping tem inauguração prevista para o 1º trimestre; 

complexo será de multiuso, incluindo hotel e centro de convenções

terça-feira, 23 de abril de 2013

COPA, O LEGADO AVANÇA

Foto Midianews


José Antonio Lemos dos Santos

     Feliz com o Luverdense subindo na Copa do Brasil e com Cuiabá e Mixto decidindo o Campeonato Mato-grossense, repito que sou um entusiasta da Copa em Cuiabá desde quando esta era só uma remota possibilidade. A expectativa da Copa do Pantanal deixar em Cuiabá um forte legado é entusiasmante, ainda que jamais tenha pensado que ela fosse resolver todos os problemas cuiabanos, ou que fossem viabilizados todos os projetos que oportunizaria, e muito menos que todos os viabilizados fossem concluídos a tempo para a Copa. Contudo, sendo Cuiabá a menor das sedes no país, é nela que um evento global como esse ocasionará proporcionalmente maiores impactos positivos. 
     Nessa perspectiva, após quase 4 anos da escolha de Cuiabá como sede da Copa do Pantanal, como cidadão transeunte e baseado nos noticiários já dá para estimar a quantas anda o esperado legado, um legado não só de investimentos públicos, mas também privados. Aliás, foi do setor privado que vieram as primeiras respostas ao desafio da Copa. Muito mais ágil e desembaraçado que o setor público, de imediato o segmento hoteleiro tomou a iniciativa desencadeando uma série de novos empreendimentos, ampliações, e mesmo resgate de antigos projetos, alguns já inaugurados, outros com obras em andamento. Como exemplo cito a revitalização das obras do Hotel Global, paradas há décadas, e o magnífico resort em Manso em construção. Da iniciativa privada vieram ainda a instalação de novas redes comerciais com grandes lojas, a ampliação já concluída do mais antigo shopping comercial de Cuiabá e o lançamento de outros dois grandes shoppings, um destes o primeiro em Várzea Grande. Grande destaque são os R$ 400 milhões da fábrica de cimento inaugurada este mês no Aguaçu. Só estes investimentos privados já validariam a Copa do Pantanal em Cuiabá. 
Foto Midianews

     Já o setor público custou a deslanchar por motivos que não cabem neste artigo, mas dentre estes a ausência de um sistema de planejamento urbano em Várzea Grande e a desestruturação do insipiente que existia em Cuiabá, justo quando mais seria útil. De fato nem tudo aquilo que a Copa oportunizou foi viabilizado, como um teleférico na Chapada, e muito do que chegou a ser planejado foi depois abandonado, como o trecho final da Avenida Parque do Barbado. Mas a cidade virou um canteiro de obras públicas e privadas, muitas em ritmo de três turnos, infernizando a vida de muita gente, como já se previa, drama amenizado pelo encantamento das obras tomando forma dia a dia diante dos olhos, muitos ainda incrédulos. A Copa está viabilizando obras que continuariam a ser enroladas no tempo como o aeroporto, ou que jamais sairiam como as magníficas interseções em trincheiras e viadutos da Miguel Sutil, Fernando Correa, CPA e FEB, a implantação do VLT, os Centros Oficiais de Treinamento na UFMT e em Várzea Grande, a duplicação da Mário Andreazza, o recém- assumido Contorno Oeste do Rodoanel ligando o Trevo do Lagarto à estrada da Guia, dentre muitas outras obras e serviços em implantação. O legado positivo avança. 
     Será importante que todas as obras fiquem prontas e funcionando bem para o grande evento global, com a cidade sendo exibida para o mundo. Esse esforço tem que ser perseguido e cobrado sempre. Porém, caso algumas não fiquem prontas a tempo, é fundamental que atinjam um patamar de irreversibilidade a partir do qual terão que ser concluídas, mesmo após a Copa. Contudo, o maior benefício da Copa para Cuiabá não está nas obras, mas na chacoalhada que está dando em seus habitantes, cidadãos, líderes e autoridades, elevando-os à altura dos desafios e oportunidades do momento histórico de desenvolvimento que a cidade vive, discutindo projetos, pensando e construindo o futuro.
(Publicado em 23/04/2013 pelo Diário de Cuiabá)

sábado, 11 de agosto de 2012

NOVO SHOPPING EM CUIABÁ


Investimento de R$ 270 mi

Quarto empreendimento da Capital nasce focado nos públicos A, B e C. Centro será maior em lojas
MARIANNA PERES
Da Editoria

Cuiabá ganhará um novo shopping Center, o Royal, que começará a ser construído entre abril e maio de 2013 e com previsão de inaugurar a primeira etapa em setembro do ano seguinte. Cerca de R$ 270 milhões serão aplicados no projeto total que será erguido na Avenida Miguel Sutil, em um terreno que fica entre o Hipermercado Modelo e o Círculo Militar, à direita ao lado de uma concessionária de veículos, sentido Várzea Grande.

Em oferta de lojas, o Royal Shopping Center Cuiabá, será o maior entre os três já existentes na capital. Serão 270 lojas espalhadas por uma área construída de 130 mil metros quadrados (m²), oito lojas âncoras (principais), cinema, praça de alimentação, mix variado de oferta de produtos e serviços e dois subsolos de estacionamento com mais de mil vagas. Durante a execução das obras deverão ser gerados de 400 a 450 empregos diretos e após o funcionamento do centro de compras a estimativa é agregar cerca de 2,6 mil trabalhadores. 


Ler mais em http://www.diariodecuiaba.com.br/

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

EFEITO COPA: SHOPPING DE CARA NOVA

GOIABEIRAS

Shopping de cara nova

Número de lojas praticamente dobrará com a modernização desse que é o mais antigo centro comercial de Cuiabá

Lourival Fernandes/DC
Shopping Goiabeiras investe R$ 85 mi em sua reforma e com a modernização ganhará o quarto piso
ALCIONE DOS ANJOS
Da Reportagem

Após 22 anos de funcionamento o Shopping Goiabeiras passa pela sua primeira grande expansão, saindo dos atuais 28.696 m2 de área construída para 77.318 m2, o que representa um crescimento físico de 170%. As obras estão sendo realizadas pela Inova TS Engenharia e administrada pela empresa Enginnering. “Todo o projeto prevê acessibilidade, conforme prevê norma ABNT”, adianta o engenheiro Rubenval Santos. “Trabalhamos com a revitalização de todo o espaço para que a parte nova seja harmoniosa com a reformada”, assegura.

Após essa fase de construção, o número de espaços comerciais aumentará das atuais 111 lojas para 200, abrindo 1.350 vagas para atuação nos espaços comerciais e na administração da nova ala. O empreendimento conta com aporte financeiro de R$ 85 milhões, valor que inclui investimentos próprios do Goiabeiras e de um fundo de investimento da instituição internacional Credit Suisse. Com esse investimento, os administradores esperam mais que dobrar o faturamento do shopping. “Hoje temos um fluxo de 5 mil por dia em dias normais, mas em datas festivas como Dia das Mães, dos pais e dos Namorados, esse fluxo chega a 10 mil por dia, gerando faturamento anual de cerca de R$ 12 milhões. Com a expansão prevemos um faturamento superior a R$ 30 milhões anualmente”, contabiliza o superintendente do Goiabeiras, Sérgio Chiarini.

No projeto de ampliação, de responsabilidade do escritório de arquitetura Insite, com planejamento da Lumine Soluções em Shopping Centers, está previsto cinco subsolos de estacionamento, comportando 1.099 vagas cobertas, ou seja, um incremento de 230% vagas para carros(hoje são 330), a instalação de 10 escadas rolantes novas e outros cinco elevadores.

A ampliação também prevê a construção do quarto piso do Shopping para abrigar uma Bomboniere e sete salas de cinema, com 1.700 lugares, com tecnologia XD (Extreme Digital Experience), para projeção digital em 3D, operadas pela Cinemark. Outra novidade é a loja Renner que terá dois andares interligados por escadas rolantes internas, no segundo e terceiro pisos.

A expansão do Goiabeiras resultará em 12 megalojas (lojas com mais de 250m2 e marca forte), três âncoras (mais de 1.000 m2 e que tem vida própria), 158 lojas satélites e 27 fast-foods e/ou restaurantes. “Com a chegada da Copa do Mundo Cuiabá ganhará um espaço para atender os turistas, já que pesquisas demonstram que a procura deles é por alimentação e lazer”, explica o consultor e diretor da Lumine, Marcelo Sallum.

Na segunda fase da expansão será entregue uma torre de cerca de 5 mil m2, com 12 andares com salas comerciais. Ainda está sendo analisado se para aluguel ou venda, mas voltadas para empresas, executivos e profissionais liberais.

De janeiro até hoje, a ampliação do Shopping Goiabeiras gerou cerca de 400 empregos no canteiro de obra. Até a conclusão da primeira fase do empreendimento, em abril de 2012, a previsão dos administradores é que cerca de 700 postos de trabalho diretos e outros 1.500 indiretos sejam abertos.

De acordo com Sallum o Goiabeiras investiu em 2011 cerca de R$ 300 mil a mais do que foi investido em 2010 em segurança. “Investimos forte em equipe e equipamentos de segurança, paralelo a isso nos aproximamos das autoridades responsáveis pela Segurança, afinal os shoppings não têm poder de polícia”, pondera.

A expansão contemplará também a construção de torres de escritórios em anexo, disponibilizando espaços para empresas de serviço. 

(Diário de Cuiabá em 16/09/2011)













terça-feira, 19 de abril de 2011

CUIABÁ, ONDE A COPA AVANÇA

José Antonio Lemos dos Santos


     O artigo da semana passada acabou abatido pelo “fogo amigo” da Copa do Pantanal. A intenção era escrever sobre os benefícios que a Copa já está trazendo para Cuiabá e região, mas o fogo intenso da artilharia “amiga” na semana atingiu o texto e o artigo descambou para um nível que não estava à altura dos leitores. Resolvi poupá-los e tento refazê-lo agora de uma forma mais objetiva e civilizada.
     Sendo a menor das cidades dentre as sedes da Copa do Mundo de 2014, justamente por isso Cuiabá é uma das cidades que tende a ser mais beneficiada pelo extraordinário evento mundial. Qualquer investimento terá efeito significativo no perfil urbanístico e econômico da cidade. Uma cidade historicamente marginalizada por investimentos do governo federal, vê-se agora como um dos focos do mais importante compromisso internacional do país, cujo descumprimento trará enormes prejuízos à imagem que se quer mostrar ao mundo do Brasil como uma das potências planetárias emergentes. Aos olhos do mundo o Brasil tem que cumprir seus compromissos referentes à Copa.
     Além dos investimentos públicos, a Copa tem o poder de atrair grandes investimentos privados. Ao contrário do que vem acontecendo, ou melhor, do que não vem acontecendo com os compromissos dos poderes públicos federal, estadual e municipais (Cuiabá e Várzea Grande), o evento já vem carreando para Cuiabá empreendimentos privados importantes e é neste campo que a Copa avança. Como não registrar a implantação de duas fábricas de cimento no vale do Cuiabá, uma no próprio município de Cuiabá e outra em Rosário Oeste? Não tenho os números de cabeça, mas os dois empreendimentos juntos devem envolver em curto prazo cerca de R$ 800,0 milhões e mais de 2 mil empregos. É pouco? Pode não ser para São Paulo, Belo Horizonte e outras cidades maiores que a nossa, mas para Cuiabá e região certamente trata-se de benefícios consideráveis e não podem passar despercebidos.
     Como não comemorar a reativação das obras de ampliação do segundo maior shopping do estado, paralisadas há alguns anos e sem perspectivas de reativação? Não tem relação com a Copa? É claro que tem e o mesmo vale para a notícia da instalação de um novo e grande empreendimento do gênero, programado para a avenida Miguel Sutil. Devem ser destacados ainda os empreendimentos do setor hoteleiro. Fora os planejados, só na mesma avenida Miguel Sutil três novos empreendimentos hoteleiros, dois dos quais em fase de conclusão e outro já concluído. Na avenida do CPA, mais dois empreendimentos com obras em pleno andamento, sendo um deles um grandioso projeto que se encontrava paralisado há décadas. Cinco hotéis em uma cidade como São Paulo pode não significar nada, mas para Cuiabá representa muito.
     O grande problema está nos projetos a cargo dos governos, que não avançam, dando a impressão de que tudo está parado e em sério risco de contaminar todo o processo. Não sei se serve como consolo para nós cuiabanos, mas isso vale para o Brasil inteiro. Aliás, a Copa já deu para o Brasil um diagnóstico cruel, mas verdadeiro, mostrando que este país que queremos tão moderno e dinâmico está na verdade enredado em uma poderosa teia nada republicana, trançada com os fortes fios de uma burocracia cada vez mais barroca, corporativa e incompetente, reforçada por uma corrupção epidêmica e um sistema político marcado pela mais nefasta forma de politicagem que se tem notícia na história do país. Este é o verdadeiro quadro que a Copa está expondo ao mundo e a nós brasileiros. A realização da Copa implica em livrar o país desta poderosa teia. Se conseguir será seu maior legado. Se não, nem Copa, nem BRIC, nem nada. Só a conta e a vergonha, vexame globalizado.