"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

GÁS, QUE VOLTE PARA FICAR


José Antonio Lemos dos Santos
     Um dos maiores crimes cometidos contra Cuiabá e Mato Grosso é o pouco caso com que se tratou o complexo gasoduto /termelétrica, o maior projeto implantado no estado, no valor de 1,0 bilhão de dólares e inaugurado em 2002. Crime com interesses diversos que vão desde a velha mania da política brasileira, em especial a mato-grossense, de um político não dar continuidade a obras de outros governos, até aqueles contrários à consolidação de Cuiabá como principal polo político e econômico unificador de Mato Grosso, passando por outras motivações também menores, mas poderosas. Casos semelhantes são, por exemplo, a conexão ferroviária da capital mato-grossense e a linha aérea até Santa Cruz de La Sierra, ambos até com empresas interessadas em suas implantações, mas que mesmo assim não avançam.
     A chegada de um gasoduto disponibilizando com fartura uma fonte de energia limpa e barata como o gás natural sacode as regiões por onde passa impulsionando a economia e elevando a qualidade de vida de suas populações com a geração de amplas alternativas de novos empregos e maiores rendas. Aqui chegou e ficou por isso mesmo. Para os políticos e gestores mato-grossenses parecia ter chegado em Marte. Especialista em Planejamento Urbano, não entendo nada sobre gás ou geração de energia, mas sei o quanto é importante a disponibilidade energética para o desenvolvimento de uma cidade ou região. Aliás, a qualidade de uma cidade em uma sociedade de mercado é aquela que sua população pode bancar com sua renda.
     Relembrando, com sua extraordinária visão de futuro o saudoso ex-governador Dante de Oliveira anteviu a grande produção agropecuária atual de Mato Grosso, de alta tecnologia e grande produtividade. Percebeu, então, ser fundamental a criação das condições para a verticalização no estado dessa produção primária, agregando-lhe valor. Gerar empregos aqui em vez de exportá-los. Entendia que a Baixada Cuiabana poderia ser a base propulsora desse processo de verticalização da economia estadual com apoio da ZPE de Cáceres. Para esse salto, energia e transporte seriam essenciais. Arrancou assim das barrancas do Paraná os trilhos da Ferronorte, criou o FETHAB, implantou o Porto Seco e internacionalizou o Aeroporto Marechal Rondon, viabilizando sua ampliação a quatro mãos com o também saudoso Orlando Boni, cuiabano então presidente da Infraero. Quanto à energia, destravou a APM de Manso então com obras paralisadas e trouxe a ex-poderosa Enron para implantar o complexo termelétrica/gasoduto.
     Implantado o complexo do gás viriam com ele as vantagens regionais comparativas atraindo novas indústrias e outros investimentos. Só que o plano não avançou. Ao invés, o gás aqui foi desmoralizado com sucessivas suspensões de fornecimento até perder a confiança do mercado consumidor. Sugiro ao leitor buscar no Google pelo gás de Mato Grosso do Sul. Sentirão o mesmo que senti: inveja! Lá bombando o futuro em Campo Grande e cidades do interior para uso veicular, residencial, comercial e cogeração, enquanto aqui ...
     Na última quinta-feira, em Santa Cruz de La Sierra com a presença do presidente Evo Morales, o governador  Mauro Mendes assinou com a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos um contrato para fornecimento do gás natural até dezembro de 2020, com  renovação automática por mais 10 anos caso nesse período não se concretize uma sociedade entre a estatal boliviana e a MTGás para a expansão da cadeia do gás natural no estado. Fruto destas tratativas a termelétrica já está operando em potência máxima. Que venha então o gás, mas que venha com firmeza, confiável e para ficar. Aleluia!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

GÁS E FUTURO

Termelérica Cuiabá  (Imagem HiperNotícias)

José Antonio Lemos dos Santos
     Na semana em que Cuiabá comemorava seu 299º aniversário, com a cidade adentrando em seu tricentésimo ano de existência, foi noticiada a suspensão do funcionamento da Usina Termelétrica de Cuiabá e do gasoduto Bolívia-Cuiabá. Não entro aqui nos porquês dessa suspensão pois o rolo é muito grande envolvendo as 2 maiores empresas do país, presidência da república, lava-jato, em suma, desfocaria o objetivo deste artigo que é o descaso ou desleixo com que as autoridades governamentais e as lideranças civis do estado tratam o complexo industrial mais caro de Mato Grosso, fundamental para seu desenvolvimento e construído a um custo de 1,0 bilhão de dólares!
     Especialista em Planejamento Urbano, não entendo nada sobre gás, termelétrica ou rolos de empresas, mas sei o quanto é importante a disponibilidade do gás para o desenvolvimento de uma cidade ou região. Por isso sigo a Termelétrica desde sua gestação já tendo escrito muitos artigos sobre o assunto sob a ótica de Cuiabá e Mato Grosso. A Termelétrica de Cuiabá é fruto da visão de estadista do saudoso Dante de Oliveira. Com o gasoduto Bolívia-Cuiabá, integra um complexo inaugurado em 2002 a um custo de US$ 1,0 bilhão, repito. Com sua perspectiva de futuro o então governador anteviu a grande produção agropecuária atual de Mato Grosso, já prevendo a energia e a logística de transportes como os dois gargalos para esse processo. Hoje Mato Grosso é o líder do agronegócio nacional, principal fiador do saldo comercial e do PIB nacional, mas está encalacrado na logística. Só não está em crise energética justo pelas providências daquele tempo.
     Uma vez instalada em Mato Grosso uma agropecuária de alta tecnologia e produtividade, Dante percebeu ser fundamental a criação das condições para a verticalização no estado dessa produção primária, agregando-lhe valor. Gerar empregos aqui em vez de exportá-los. Entendia que a Baixada Cuiabana poderia ser a base desse processo de verticalização com apoio da ZPE de Cáceres. Para esse salto, energia e transporte seriam essenciais. Arrancou assim das barrancas do Paraná os trilhos da Ferronorte, criou o FETHAB, implantou o Porto Seco e internacionalizou o Aeroporto Marechal Rondon, providenciando sua ampliação a quatro mãos com o também saudoso Orlando Boni, cuiabano então presidente da Infraero. Na questão da energia destravou a APM de Manso, então com obras paralisadas a bastante tempo e trouxe a poderosa Enron para implantar o complexo termelétrica/gasoduto.
     Implantado o complexo do gás viriam com ele as vantagens regionais comparativas para a instalação de novas indústrias e outros investimentos. Só que o plano não avançou, a ponto do gás hoje não sensibilizar nem os taxistas e a Termelétrica ter um funcionamento descontinuado. O gás aqui foi inconfiabilizado e sempre me intrigou a causa desse aparente insucesso e do estranho silêncio de nossas lideranças empresariais e políticas sobre o assunto. Por que? Para mim não entenderam nada até hoje, na mais gentil das minhas hipóteses.
     Agora vem esta nova suspensão de funcionamento, mais séria pois afeta também o gasoduto. Ouvi no rádio o presidente do MTGás dizer que obteve uma liminar na Justiça assegurando o funcionamento do gasoduto e que, portanto, poderiam ficar tranquilos os cerca de 800 motoristas e as 4 ou 5 empresas que usam o gás como insumo energético. Infelizmente, trata-se muito mais que isso. Sugiro ao leitor buscar no Google pelo gás de Mato Grosso do Sul. Sentirão o mesmo que senti: inveja! Nos mapas, a distribuição por quase toda a Campo Grande, indo a Três Lagoas e Corumbá, para uso veicular, residencial, comercial, industrial e cogeração. Lá bombando o futuro, enquanto aqui ...

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

LINHA INTERNACIONAL

Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     O que tem a ver aeroporto internacional, gasoduto, Manso, ferrovia, Porto Seco, Arena Pantanal e até o nosso queridíssimo Sol com eleições municipais, vereadores e prefeitos, conforme venho tratando nos últimos artigos? De fato, alguns questionam, parece claro que não se trata de assuntos da alçada municipal. A estes argumento que o prefeito é a maior autoridade pública municipal estando na Lei Orgânica entre suas atribuições “fiscalizar e defender os interesses do Município”. Aos vereadores cabe entre outras coisas cobrar e fiscalizar em nome do povo o cumprimento da lei. Inclusive o exercício dessa atribuição. Óbvio que existem competências administrativas e legislativas que não podem extrapolar os limites do município, mas essa história de cada um no seu quadrado só vale na música popular atual. Até ao cidadão cabe cuidar de sua cidade e lutar por ela. O que seriam “interesses do Município” citados na Lei Orgânica?
     Valendo para quaisquer dos assuntos citados no início do artigo cito por exemplo a inauguração da linha aérea entre o Aeroporto Marechal Rondon em Várzea Grande e Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, prevista para o próximo de 5 de dezembro, a partir de articulações do governador Pedro Taques. É claro que não se trata de assunto da competência administrativa nem legislativa do governo do estado, mas como é um assunto do maior interesse para um estado centro continental, em especial para Cuiabá e Várzea Grande, o governador, com apoio de diversos segmentos da sociedade, correu atrás dos setores competentes em todas as esferas públicas e privadas, e chegou à definição da linha. Não se trata portanto apenas de mais uma linha aérea para o 14º aeroporto mais movimentado do país, mas sua primeira linha internacional com fortes possibilidades de consolidação ligando direto o centro da América do Sul a um outro país, concretizando a internacionalização do Marechal Rondon, podendo puxar outras linhas internacionais e ajudando a alavancar novas perspectivas para a economia de Mato Grosso, turismo, comércio, lazer, cultura, etc.
     A grande vocação natural de Cuiabá com sua posição central no continente é ser um grande encontro intermodal de caminhos. Basta reparar que do jogo de xadrez ao futebol, o meio do campo tem papel fundamental e é o espaço de maior movimentação. Na logística a tendência é acontecer o mesmo. Aproveitar essa potencialidade natural foi a motivação do então prefeito Dante de Oliveira, e depois como governador, buscar a internacionalização do Marechal Rondon. Como Taques, também estava fora de seu quadrado administrativo, mas no mais absoluto sentido de responsabilidade política para com os interesses do estado. Agora falta 1 mês para a inauguração prevista e tudo ficou quieto. Não se fala mais no assunto. O que estaria acontecendo?
     Certamente que a ligação internacional de Cuiabá não é um tema inócuo, mas envolve interesses de outras cidades que também pleiteiam tal privilégio. Pauzinhos podem estar sendo mexidos contra o projeto de Mato Grosso. Já   tivemos por duas vezes uma linha internacional que foram interrompidas por questões absolutamente fáceis de superar quando existe determinação política em todos os níveis para superá-las. Não seria importante neste momento a intervenção dos prefeitos da Região Metropolitana ou, ao menos dos de Cuiabá e Várzea Grande, das Câmaras Municipais, das lideranças empresariais, em especial do trade turístico? Ou vamos deixar que a oportunidade passe novamente até que um dia a vantagem comparativa natural da posição central seja usurpada e inviabilizada definitivamente por outras localidades com mais disposição de lutar pelos próprios interesses municipais e regionais?
(Publicado em 29/10/16 pelo MidiaNews, Arquitetura Escrita, em 30/10/16 pelo HiperNotícias e NaMarra, em 31/10/16 pelo Diário de Cuiabá e pela Página do Enock,...)

COMENTÁRIOS:
Por email:
José Costa Marques     23:51  31/10/16
" Excelente artigo escrito pelo Professor Arquiteto Urbanista José Antônio Lemos, com quem temos a felicidade de partilhar alguns momentos como conselheiros do CAU/MT.
O professor extrapola o campo do desenho urbano e traz uma visão macro da nossa  região e a importância de fortalecer o transporte aéreo como um dos meios para incrementar o desenvolvimento econômico do Estado, em particular os municípios de Cuiabá e Várzea Grande.
Parabéns
Arqt. Urbanista José da Costa Marques "

Na Página do Enock
Osmir     2:59 am      01/11/16
"Quem gosta de pobre fica pobre.Que fixação que tem Zé Antonio, Alfredo Menezes e Serafim com a Bolívia.Inpressionante.Deveria ter aqui era um voô para Miami,lisboa,etc.O que nos queremos com essa bosta de Santa Cruz ainda maiss da Bolivia?O PIB dela é menor que de MT!"

sábado, 10 de setembro de 2016

PORTO SECO

informativodosportos.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

Aproveitando as eleições municipais e a elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Vale do Rio Cuiabá (PDDI/VRC), continuo esta série de artigos destacando fatores capazes de impulsionar o desenvolvimento da Baixada Cuiabana. Lembro agora o Porto Seco de Cuiabá, assim como já lembrei o Gasoduto, Manso, o Aeroporto Internacional, a disponibilidade de mão de obra, os 25% do PIB estadual, a localização estratégica, a infraestrutura instalada e a sinergia ascendente do efeito-aglomeração.
     Muita gente nem sabe que existe um Porto Seco em Cuiabá, ou sequer sabe do que se trata e qual sua importância. Culpa daquele ranço do tradicional político mato-grossense de desconstruir aquilo que não foi feito por ele. O Porto-Seco de Cuiabá vem com o então governador Dante de Oliveira empenhado em aproveitar a posição estratégica de Mato Grosso e de Cuiabá para fazê-la uma base comercial de importação e exportação integradora no continente. Para isso, trouxe a ferrovia das barrancas do rio Paraná e o gás boliviano, internacionalizou o aeroporto e resolveu a questão energética com Manso e a Termelétrica. Daí é que surge o Porto Seco de Cuiabá, cujas primeiras iniciativas começam lá por 95 logo virando uma briga com interesses poderosos querendo o Porto Seco em outro lugar. Na época como secretário-executivo do finado Aglomerado Urbano presenciei inflamadas discussões entre o governador e os tais grupos. E o Porto Seco veio para Cuiabá, enaltecendo ainda mais o saudoso estadista.  
     Qual a importância de um Porto Seco para a região? Não sou especialista mas acompanhei sua criação aqui do ponto de vista do planejamento urbano. Tento explicar. Grosso modo Porto Seco, chamado também de EADI –Estação Aduaneira Interior – é um espaço delimitado pela Receita Federal em alguns pontos do interior do Brasil destinado a agilizar o comércio internacional realizando os serviços de alfândega antes feitos apenas nos portos sobrecarregando suas estruturas gerando filas, burocracias, demoras, custos extra, etc. Em suma, como o próprio nome diz são portos, mas secos, sem mar. Em um Porto Seco o comércio internacional faz todos os serviços alfandegários e logísticos de importação e exportação, podendo enviar as cargas já desembaraçadas diretamente para os portos “molhados”, ou fazer o desembaraçamento das importações em seus próprios recintos.
     Têm ou tinha ainda a vantagem das cargas importadas só pagarem os impostos quando deixarem as EADI’s de forma que o importador pode utilizar o espaço para fazer montagens de máquinas ou aparelhos para exportação só pagando os impostos quando da saída dos produtos montados. Vantagem? Empregos, renda, transferência de tecnologia, etc. Funcionam como se fossem uma zona franca, permitindo inclusive sua extensão como zonas de processamento em aeroportos internacionais autorizados pela Receita Federal. Mesmo o importador para consumo interno pode ou podia pagar os impostos fracionadamente, à medida em que vai internalizando a carga. Sem dúvida uma vantagem considerável.
     E o Porto Seco está esquecido. Com certeza está sendo de grande utilidade para Mato Grosso, mas poderia ajudar ainda mais como alavanca do desenvolvimento da Baixada Cuiabano. Quem sabe o PDDI/VRC e os candidatos ressuscitam o assunto? Ao que eu sei, após ser criada a única tentativa de promover o Porto Seco foi com o então governador Blairo Maggi dando incentivos à importação de frutas sul americanas sem similares na produção estadual. A ideia era criar em volta do Porto Seco um complexo de empresas importadoras de frutas fazendo sua redistribuição no país e no continente. Nunca mais ouvi falar.
(Publicado em 10/09/16 pela PáginaDoEnock, em 11/09/16 palo Midianews, FolhaMax, ArquiteturaEscrita, em 13/09/16 no informativo do CAU/MT,...)
COMENTÁRIOS:
Por e-mail:

Antonio Carvalho  11/09/16
"Olá Zé Antônio, fantástico a ideia de revitalizar o porto seco,  um grande salto para nossa economia de exportação ."

sábado, 3 de setembro de 2016

AEROPORTO INTERNACIONAL

Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     Na oportunidade das eleições municipais e da elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Vale do Rio Cuiabá (PDDI/VRC), continuo esta série de artigos lembrando fatores positivos em condições de impulsionar o desenvolvimento da Baixada Cuiabana. Estão prontos. Destaco neste artigo o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande. Com mais de 3,2 milhões de passageiros em 2015 é o 12º aeroporto dentre os administrados pela Infraero.
     Diferente do que parece, as maravilhas da internet não diminuem a necessidade dos contatos físicos entre as pessoas. Pelo contrário, aumentam e muito os relacionamentos, seja no campo individual, comercial, político, institucional, etc. Ainda mais com os jatos comerciais cada vez maiores, mais seguros e acessíveis. Eu já visitei e fui visitado por parentes que não via a muito tempo e que a internet nos reaproximou. E assim em todas as áreas. No turismo, conhecemos muitos lugares via internet despertando o interesse por uma visita ao local. As facilidades para novos negócios comerciais ampliaram muito, e neles sempre em algum momento há a necessidade do encontro físico.
Foto José Lemos

     Assim, neste mundo globalizado e interconectado em todos os níveis os aeroportos internacionais são elementos fundamentais para o desenvolvimento de qualquer região como interfaces conectoras ao mundo, imensa vantagem comparativa para as cidades que os têm. E o Vale do Cuiabá tem um que serve não só à sua região metropolitana, mas também a todo Mato Grosso, um estado que é hoje uma das regiões mais produtivas do planeta, ávida por negócios e relacionamentos. Mas aqui, o nosso renitente complexo de pequi roído transformou o “Marechal Rondon” em motivo de piada, chacotas, ao invés de bandeira de luta de todos os mato-grossenses, principalmente dos municípios da Região Metropolitana do Cuiabá pela sua estruturação compatível com suas potencialidades de evolução, não só local, mas até continental tendo em vista sua posição central no continente sul americano.
     O Vale do Cuiabá dispõe desta enorme vantagem comparativa graças à sua posição estratégica e à visão daqueles verdadeiros profetas do desenvolvimento que em 1942 destinaram aquela área com 700 ha para o aeroporto, numa época em que a aviação comercial ainda engatinhava. Quem dera a geração atual tivesse essa visão. Hoje com um aeroporto internacional, gasoduto, termelétrica, Manso, Porto Seco, mão de obra farta, localização privilegiada, o Vale do Cuiabá deve ser proposto para o futuro como o principal polo de verticalização industrial do estado, agregando valor à sua produção agropecuária e mineral, como principal plataforma de acesso ao potencial turístico mato-grossense e também como principal polo estadual prestador de serviços na área do comércio, saúde, educação e de serviços técnicos especializados.
Foto José Lemos

     Por sua importância não só local, a consolidação do aeroporto internacional do Vale do Cuiabá precisa de muito empenho das lideranças políticas, empresariais e comunitárias locais com a convicção de que esta é uma disputa muito dura que extrapola o regional. Pelas notícias o governador Pedro Taques tem trabalhado nesse sentido buscando viabilizar um “hub” de uma grande empresa aéreas do país e o retorno da ligação com a Bolívia com inauguração anunciada para 5 de dezembro próximo. Mas é bom lembrar que os governos federais historicamente nunca tiveram muita simpatia pelo nosso aeroporto, salvo, a bem da justiça, quando a Infraero foi dirigida por um cuiabano, o saudoso Orlando Boni, que fez um projeto de ampliação da estação de passageiros e um Plano Diretor com outra pista e outra estação,  Plano que sumiu e precisa ser resgatado.
(Publicado em 03/09/16 pela Página do Enock, em 04/09/16 pelo Midianews, FolhaMax, HiperNotícias, em 05/09/16 no site do CAU/MT, em 06/09/16 pelo Diário de Cuiabá,,, ...)

COMENTÁRIOS
Na Página do Enock:
Osmir  03/09/16  23:57
"O senhor arquiteto que faz sempre rasgados elogios ao fato de Cuiabá ter sediado 4 joguinhos da Copa do mundo,com times de segunda e terceira linhas no ranking da FIFA, os dirigentes da maldita SECOPA da época,conseguiram praticamente destruir o sistema viário de Cuiabá e deixaram um rastro de destruição e corrupção de difícil solução.O Aeroporto é um caso à parte,uma obra ridícula,de arquitetura medíocre ,tocada por uma construtora técnica e administrativamente incompetente cuja licitação da obra, foi extremamente suspeita,além de muito prejudicada pelos constantes atrasos nos pagamentos.Essa maléfica combinação,inviabilizaram a obra,que irá nos desmoralizar mais ainda por um longo e indefinidoi tempo.A crise em Mato Grosso é de competência,enquanto o Pedro tiver na gestão contando com o desempenho desses anônimos almofadinhas engravatados, que nunca tocaram nada público,alguns, nem reforma de condominio,.não haverá solução.Chamem engenheiros,experientes tocadores de grandes obras públicas e com conhecimento de gestão de contratos públicos para desatar esses nós cegos deixados maldosamente pela gestão anterior, aí haverá algum esperança.,Senão tamos na merda! JÁ FAZEM DOIS ANOS APÓS A COPA E ATÉ AGORA O TREVO DO SANTA ROSA ESTÁ DO MESMO JEITO,(feio e inacabado e sem perspectiva) ISTO É UMA VERGONHA!"



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A FORÇA DA METRÓPOLE


Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     O maior e mais importante patrimônio histórico deixado para Cuiabá por nossos antepassados é o futuro, não seu extraordinário passado, nem este dinâmico e desafiador presente. A socos e pontapés, muita luta e sofrimento, conseguiram resistir e permanecer neste lugar mágico, no centro da América do Sul, encontro natural dos caminhos continentais, primazia que lhe assegura potenciais fantásticos, mas que hoje é ameaçada por falaciosos argumentos e tenebrosas traições.
     Aproximam-se as eleições municipais e no último dia 28 de julho o governo do estado anunciou o início dos trabalhos de elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI) da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá (RMVRC), sob a coordenação da SECID e da Agência de Desenvolvimento Metropolitano da Região do Vale do Rio Cuiabá (AGEM/VRC). Eleições e planejamento têm em comum a expectativa de projetar o futuro em cuja construção todos os cidadãos devem se empenhar. Mas quando se pensa em futuro para a Grande Cuiabá e sua região de entorno, normalmente o que se faz é tentar construí-lo consertando o passado ao invés de trabalhar suas enormes potencialidades e vantagens comparativas regionais. E não se constrói o futuro debruçados sobre o passado tentando corrigir erros, contando coliformes fecais, aedes aegypti e outros déficits e carências sociais e estruturais. Ao contrário, só consertamos os passivos do passado numa perspectiva correta de construção do futuro.
     Para construir seu futuro a RMVRC tem muitos elementos propulsores prontos para otimizar suas potencialidades, e que em qualquer lugar no mundo seriam minuciosamente estudados e aproveitados. A começar por ser a região que concentra quase 30% da população de Mato Grosso, representando sua maior oferta de recursos humanos em todos os níveis de capacitação, população que conseguiu gerar em 2015 mais de 25% do PIB mato-grossense, o maior PIB no estado, o triplo do segundo maior PIB municipal de Mato Grosso. E dizem que não produz nada. Outro fator preponderante a ser explorado é sua localização estratégica no continente e no território mato-grossense, equidistante de suas principais atrações turísticas e centralizadora hoje de uma das regiões mais produtivas do planeta.
     População, localização e PIB significativos, criam entre si uma sinergia chamada efeito-aglomeração, diferencial atrativo para outros empreendimentos seduzidos pelos já existentes, gerando uma espiral ascendente de desenvolvimento. Dessa potencialização estrutura-se uma rede de serviços comerciais, bancários, hoteleiros, culturais, educacionais e de saúde, com suas infraestruturas instaladas em condições de continuar fomentando, atendendo as demandas do desenvolvimento regional e sendo impulsionado para cima por este.
     A lista de elementos propulsores que poderiam ser acionados em favor do desenvolvimento regional contempla ainda outros itens que se bem trabalhados levariam a RMVRC a consolidar-se como o principal polo da tão importante verticalização industrial da economia mato-grossense. O gasoduto Bolívia/Cuiabá, pronto e operante, que com a Termelétrica representaram à época da construção um investimento da ordem de US$ 1,0 bilhão! Só o gás seria suficiente para sacudir positivamente a economia de qualquer região no mundo com energia abundante, barata, limpa e, mais ainda, matéria prima para indústrias químicas de amplo espectro, de fertilizante a remédios. Aqui, motivo de piada. Na lista ainda teríamos o Aeroporto Internacional, a ferrovia bem próxima, o Porto Seco e o Aproveitamento Múltiplo de "Manso, e seus desdobramentos, assuntos para outros artigos.
(Publicado em 12/08/16 pela Página do Enock, HiperNotícias, no dia 13/08/16 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, FolhaMax, Blog do Lúcio Sorge, Arquitetura Escrita, em 15/08/16 MuvucaPopular ...)
ERREI
Conforme correção encaminhada pela Presidente da AGEM/VRC os trabalhos de elaboração do PDDI  da Região do Vale do Rio Cuiabá são coordenados pela AGEM/VRC e Casa Civil do Governo do Estado, sem relação com SECID  conforme publicado no artigo.

COMENTÁRIOS
Por e-mail:
Ivo Cuiabano Scaff  12/08/15
Meus parabéns pelo lúcido artigo e a visão ampla, abrangente, com visão de futuro de gestão maior.
Esse enfoque de planejamento e definição politica de cenários porvir, queira Deus que seja lido e absorvido por quem tem poder de incrementar."

Cleber Lemes:
"Bom Dia Dr. José Antonio ! 
Concordo com você. Como exemplo podemos citar a região Portuária do Rio de Janeiro, com o MUSDEU do FUTURO, a praça MAUÁ , etc. Um abraço ."

No Facebook
Eloísa Pereira da Silva 13/08/16 07:50h
"não desemperra nem com Lub ou óleo de máquina. ..a ganância é tanta...o medo é tanto...de grupos fuinhas ...meterem a mão nas possibilidades e oportunidades...!...a individualidade e os interesses antagônicos afogam a mola de propulsão...!O resultafo é a inércia !












quarta-feira, 20 de julho de 2016

DESCONSTRUÇÕES

José Antonio Lemos dos Santos
Hospital Central - Cuiabá olhardireto.com.br

     Na arquitetura “desconstrução” é o método de projetar a partir da desmontagem de um objeto para depois remontá-lo melhor do que antes, questionando a existência de cada peça, indagando sempre se não poderia ser diferente antes de reposicioná-la. Embora leigo em Política permaneço o animal político aristotélico vivendo seus benefícios e malefícios, tendo que conviver com ela e suas inovações, e uma dessas foi a absorção da expressão “desconstrução”. Só que seu uso na política não é para reconstruir melhor, mas para destruir.
     Observei a expressão pela primeira vez nas últimas eleições presidenciais com a candidatura nascida forte de Marina Silva, mas que logo esboroou após sofrer de seus adversários um competente processo de “desconstrução política”. Matutando sobre o assunto indaguei se essa prática não seria antiga apenas travestida com um novo nome. Lembro de Dutra, cuiabano, eleito presidente pelo antigo PSD, mas derrotado em sua terra onde a UDN era muito forte, tão forte que concluiu sua vitória local apagando a figura do ilustre presidente da memória da maioria dos cuiabanos a ponto de até hoje Cuiabá não ter uma avenida de destaque denominada “Presidente Dutra”, mas tem a “Rua Brigadeiro Eduardo Gomes” em homenagem ao derrotado por ele no país. Ainda entre nós, tem a figura do grande líder empresarial e político do século passado Totó Paes que também “foi sumido” de nossa história.
     Mas é nas obras onde mais se pode constatar o cruel maquiavelismo chamado hoje de “desconstrução”. Desde o tempo dos meus avós é muito comum as pessoas reclamarem dos governantes abandonarem as obras de seus antecessores. Por exemplo, o projeto do complexo do CPA foi descontinuado deixando inclusive sua importante Avenida inconclusa a 700 metros de se ligar à Avenida da Prainha. Na mesma época tivemos o belíssimo Projeto Cura até hoje semiabandonado. As ruínas daquele que seria o Hospital Central do Estado também estão aí, eloquentes.
Ginásio da Lixeira- Cuiabá cuiaba.mt.gov.br

     Para encurtar lembro que o governador Dante talvez tenha sido o que teve mais projetos desconstruídos ou abandonados: a ferrovia transoceânica da FERRONORTE que depois de trazida por ele até Mato Grosso ficou parada por muito tempo e enfim levada até Rondonópolis e ali trocada pela transoceânica da FICO, embora esta seja no mínimo 640 Km mais longa; o complexo Gasoduto-Termelétrica de U$ 1,0 bilhão de dólares, do qual ficou a Termelétrica, já que o gasoduto foi completamente desmoralizado, quando deveria ser instrumento para a verticalização da economia mato-grossense tendo como base a Baixada-Cuiabana; a APM de Manso, que a grande maioria de nossas autoridades sequer sabe que APM significa Aproveitamento Múltiplo de Manso, envolvendo segurança contra inundações urbanas, regularização da vazão do rio, irrigação rural e abastecimento de água para toda a Baixada, piscicultura, turismo, além da geração de energia; o Porto-Seco cujo objetivo não era só agilizar as exportações mas criar um parque para a montagem de produtos eletrônicos para exportação e fazer de Cuiabá um entreposto importador para distribuição no Brasil; e por fim o Aeroporto cuja internacionalização legal e o inicio de sua ampliação foram conseguidas por ele prevendo um hub aeroviário de abrangência continental, mas não concluídas até hoje, mesmo com a Copa. Tudo abandonado, retardado ou esquecido, para esquecê-lo. Azar do povo.
     Idos 1 ano e meio de um novo governo estadual, as obras da Copa também parecem estar sendo desconstruídas. Que os atuais governantes chegados ao poder nas asas da confiança e das boas perspectivas, e ainda com muito crédito, não deixem que antigas práticas desconstruam o próprio governo e a esperança que trouxeram ao povo mato-grossense.
(Publicado em  20/07/2016 pela Página do Enock, em 21.07/16 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, PautaExtra, ArquiteturaEscrita,..)

Comentários
Por e-mail:
21/07/16   09:44
Bom Dia Dr. José Antonio ! 
Parabéns pelo excelente artigo .Abs 
​Cleber
 No Facebook
Abílio Brunini Moumer:
Infelizmente professor. Infelizmente. Os políticos "não sabem" dar continuidade e terminar as obras de seus antecessores, muitas vezes para não oferecer o mérito, outras para denigrir a imagem do antecessor. Outra coisa que vejo muito é interesse em perpetuar o nome, desta forma, cada um fica criando novas e novas obras, muitas vezes das quais o mesmo não será capaz de terminar, outras para pedir a reeleição ou deixar um sucessor. Tanto é que na campanha para eleger o Silval o que mais se falava é que ele terminaria as obras e o VLT, coisa que o Blairo tinha iniciado. Assim a história continua se enrolar.
Enfim, sou à favor de criar a LEI DE RESPONSABILIDADE URBANÍSTICA. Se não cumprir as metas urbanas e concluir projetos fica inelegível e também corre o risco de se perder o mandato. Se não cumprir as promessas de campanha durante o mandato fica inelegível. E se não concluir as obras existentes, fica impedido de iniciar novas obras. TEM QUE SER MAIS RÍGIDO com este povo. Começar novas obras o tempo todo é fácil, mas terminar que é importante.;


Jandira Maria Pedrollo:Isso! Acabar com o estelionato eleitoral

Manuel Perez:
Muito bom seu artigo, Zé. Acrescento a descaracterização do projeto original do CPA. Lembra que talvez tenha sido um dos primeiros no Brasil a propor teto verde. Também foi pioneiro não uso de escritório panorâmico (landscape office), Tudo isso foi para o espaço. retrocedemos, pois os prédios projetados em seguida foram daqueles antigos..cheios de salinhas. Sem falar no uso dos pilotis que foram totalmente exterminados. Uma pena tudo isso...ver o retrocesso vencendo.....

No Midianews;

Celso Ribeiro  21.07.16 11h14
Que bacana seu posicionamento Professor. Foi muito interessante essa elucidação.
Quem sabe, essas ponderações sobre "Desconstruções", vinda de alguém com o
seu  quilate possa trazer luz aos nossos atuais gestores.
Jorge Luiz  21.07.16 14h02
Infelizmente, Professor José Antonio, os dois cuiabanos ilustres - Eurico Dutra
e Dante de Oliveira, ainda continuam desprestigiados pelos próprios cuiabanos.
Everton Carvalho  21.07.16 14h19
O PROFESSOR ESTÁ COBERTO DE RAZÃO. PRECISAMOS DE UMA REFORMA
POLÍTICA QUE DÊ CONTA DE ESTANCAR ESTA PRÁTICA DE DESCONSTRUÇÃO.
AS OBRAS E POLÍTICAS PÚBLICAS PRECISAM DE CONTINUIDADE PARA DAR
OS RESULTADOS PARA A SOCIEDADE. NESTE CASO DO VLT DE CUIABÁ OS
CUSTOS  DA DESCONSTRUÇÃO PODEM CHEGAR A R$ 3 BI!!

No FolhaMax
Inacio  Quinta Feira, 21 de julho de 2016  - Gostei deste texto...


terça-feira, 26 de novembro de 2013

APROVEITAMENTO MÚLTIPLO DE MANSO

copadopantanal.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Semana passada os governos federal e do estado entregaram os primeiros certificados de concessão de uso na Área Aquícola da Usina de Manso, em um programa nacional que visa à autossuficiência do Brasil na produção de pescados. Em julho deste ano já havia acontecido um fórum no Palácio Paiaguás tratando do uso das águas de Manso para irrigação na Baixada Cuiabana. Os 2 projetos têm tudo para dar certo e, oxalá os tanques criatórios e as plantações irrigadas produzam muito emprego, renda, e alimentação farta e barata para a população, com muito peixe. Para Cuiabá e Mato Grosso esta notícia é mais especial ainda, pois ela também vem no sentido do desenvolvimento das múltiplas finalidades de Manso, que sempre foram desprezadas. Manso é muito mais que uma hidrelétrica, por isso tem um lago maior que a Baía da Guanabara e 10 vezes o lago de Brasília. Falta o aproveitamento. 
     Manso surgiu da trágica cheia de março de 1974 do rio Cuiabá, que destruiu os bairros do Terceiro, Barcelos e Ana Poupino, os mais populosos de Cuiabá na época. O governo Geisel, recém- empossado, logo determinou a demolição do que restou dos bairros e a construção de conjuntos habitacionais para a população flagelada. E mais, determinou a realização de estudos para impedir novas inundações daquela magnitude. Daí surge Manso como um equipamento de proteção urbana com objetivo específico de reduzir as cotas das cheias do Cuiabá, isto é, um “açudão”. Embora quase não noticiado, Manso já cumpriu essa finalidade em 2002 e 2010, impedindo que volumes de água superiores ao registrado em 74 chegassem a Cuiabá. Ainda que fosse só por este objetivo, Manso já teria valido a pena e deve ser tratada como um dos mais importantes equipamentos urbanos de Cuiabá e Várzea Grande. 
     Depois, já em 1978, no antigo Minter, na Comissão Técnica criada pela Lei da divisão de Mato Grosso, participei de algumas soluções técnicas importantes como a transformação do projeto de Manso do “açudão” original em um empreendimento de aproveitamento múltiplo de barragem, pioneiro no Brasil. Na ocasião, buscando solucionar a questão energética, na época o principal problema do estado, a Comissão da Divisão e o governo do estado propuseram a energização do “açudão”, cuja construção se iniciaria naquele ano e que foi então suspensa para revisão geral do projeto, que adotou a filosofia do uso múltiplo. Manso passou então a ser geradora de energia e a ideia da proteção urbana foi ampliada para a de regularização de vazão do rio, garantindo uma cota mínima nas secas além da redução das cotas máximas nas cheias, com previsão ainda de abastecimento de água para Cuiabá e Várzea Grande e programas de irrigação no vale do Cuiabá, sendo que seu lago poderia também receber projetos de piscicultura, turismo e lazer. Graças a Manso a vazão mínima do rio Cuiabá em Cuiabá hoje é mais que o dobro das vazões mínimas anteriores à barragem, que tanto nos apavoravam com as perspectivas do rio secar e acabarem os peixes.
     Manso foi projetada com uma filosofia otimizadora de barragens usada no mundo inteiro, mas até hoje tem seu uso restrito à geração de energia e à regulagem de vazão. O projeto de aquicultura que agora tem início, assim como a discussão do projeto de irrigação da Baixada Cuiabana bem que poderiam ser sinais concretos do fim do desperdício burro desse imenso potencial de desenvolvimento que significa Manso com todas as suas possibilidades. E, em sendo assim, que Manso puxe também o aproveitamento das imensas perspectivas do gasoduto e do Porto Seco, também desprezadas até hoje. 

(Publicado em 26/11/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ORLA CUIABANA

g1.globo.com

José Antonio Lemos dos Santos

     No último dia 27 o prefeito de Cuiabá apresentou amplo projeto destinado a revitalizar urbanisticamente a região da Beira-Rio no antigo bairro do Porto. Sem entrar no mérito do projeto técnico que sempre envolve pontos sujeitos a questionamentos e ajustes, inclusive de ordem ambiental e de patrimônio histórico, no geral gostei da proposta, pois significa que a atual administração assumiu posição em direção ao futuro, propondo-se a projetos que desenvolvam as potencialidades da cidade. Cuiabá é uma jovem de 300 anos que tem um passado riquíssimo, um presente altamente dinâmico, mas que também tem um futuro extraordinário a ser desenvolvido. Centralizando uma das regiões mais dinâmicas do planeta e vivendo sob a alta pressão positiva das demandas regionais, Cuiabá tem no equacionamento de suas perspectivas e potencialidades de futuro a única alternativa de desenvolvimento sustentável e seguro, inclusive, de solução de suas carências atuais, entre estas o respeito e a valorização do passado. 
     Parece ser uma decisão fácil, mas não é. Projetar o futuro implica em escolhas, priorizações e decisões que de um modo geral implicam em polêmicas. Nunca agrada a todo

mundo. Fingir que está tapando buracos, apagando incêndios é muito mais fácil, pois passa a ideia de um governo trabalhador, que arregaça as mangas, quando na verdade está apenas enxugando gelo, jogando para a plateia, não resolvendo os problemas do presente e deixando escapar as potencialidades do futuro. E Cuiabá tem muitas potencialidades a ser desenvolvidas diretamente pela prefeitura ou cobradas por esta à outras instâncias de governo ou mesmo à iniciativa privada. Sua centralidade regional talvez seja a mais importante, o lugar mágico cujas enormes vantagens comparativas a impulsionam para cima. Potencializada renderia muito mais, sem risco de ser perdida para outros polos que trabalham nesse sentido. A Copa do Pantanal é a potencialidade mais urgente e a vontade do prefeito em concluir o Projeto Porto até a Copa é também um sinal de que a prefeitura finalmente assumiu o mega evento, até então meio desprezado pelo município. Temos ainda o Centro Geodésico da América do Sul, o gás natural abundante, o Porto Seco, o aeroporto internacional, a convergência de 3 BRs, a barragem de Manso com suas múltiplas finalidades, a ferrovia a 200 km e, em breve, uma das poucas arenas do país, viabilizadora de grandes eventos nacionais e internacionais. 
     O rio Cuiabá é uma das maiores potencialidades da cidade, neste caso oferecida de graça pela natureza, como o Coxipó e os 21 córregos que a cortavam irrigando o verde, distribuindo frescor e enriquecendo a paisagem. O rio Cuiabá é o maior equipamento urbano da Grande Cuiabá, bem ao centro da região metropolitana, de uma imensa potencialidade abrangendo história e cultura, o abastecimento alimentar, tanto de peixes como de água, saneamento, composição climática e paisagística, fauna, flora, turismo, bem como o lazer ativo e contemplativo para todos os gostos, do popular ao sofisticado.
     Incrível mas a cidade virou as costas para essa imensa riqueza. O rio precisa ser resgatado em sua integridade, não só por Cuiabá, mas também por Várzea Grande. Não se trata de tarefa fácil, mas é possível e não pode ser esquecido que algumas boas tentativas já foram feitas ao menos desde a década de 70 com a própria implantação da Beira-Rio, também corajosa e polêmica à época. A descontinuidade administrativa tem sido o principal obstáculo. A cada abandono o retrocesso é imenso. Como assegurar que este projeto uma vez implantado seja cuidado e respeitado com o mesmo carinho pelas administrações posteriores? 

(Publicado em 03/09/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 26 de março de 2013

IMIGRANTES E BARBADO

José Antonio Lemos dos Santos

     Semana atrasada tivemos duas boas notícias. Uma e meia seria mais correto. Uma anuncia que o governo do estado resolveu enfim assumir a “Rodovia dos Imigrantes”, prometendo inclusive sua duplicação, como, aliás, não poderia deixar de ser, afinal, essa via complementa o Rodoanel de Cuiabá, importante obra federal tocada pela Secopa, toda ela também duplicada. Maravilha. A Imigrantes é um trecho rodoviário que se encontrava abandonado apesar de ligar 60% por cento do território brasileiro ao restante do país. Creio, porém que a decisão do governador Silval tenha partido também da importância da Imigrantes para a estrutura urbana da Grande Cuiabá, embora não tenha dito. No início da década de 90 a prefeitura, através do extinto IPDU, chegou a projetar em nível preliminar a expansão do Distrito Industrial (hoje mais necessária que nunca) tendo a Imigrantes como eixo, inclusive com a possibilidade de prosseguimento até o Trevo do Lagarto em Várzea Grande. Importante é que a Imigrantes situa-se à jusante dos ventos e das águas, corta o rio Cuiabá e em suas proximidades encontram-se o terminal do gasoduto, o Porto Seco, o Aeroporto Internacional e dois aeroportos executivos. Nessa perspectiva já se previa também a conexão ferroviária, também tangenciando a malha urbana, em paralelo com a Imigrantes. Essa proposição, trabalhada com o conceito de corredor multimodal, foi levada adiante com a expansão em 1994 da Zona Urbana de Cuiabá até a região, bem como a criação da Zona Especial de Alto Impacto na Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano, em 1997. Torço para que, de fato, a decisão do governador esteja em sintonia com toda a grandeza das potencialidades da Imigrantes. A ferrovia está chegando e a cidade precisa se preparar para recebê-la. 
     A outra notícia vem em duas partes. Uma boa e outra ruim. A boa é que o prefeito Mauro Mendes decidiu assumir a implantação da Avenida Parque do Barbado no trecho deixado pela Secopa, que vai da Archimedes Lima até a Juliano Costa Marques. A parte ruim é quando o prefeito diz que vai fazer um projeto pela metade do preço, com 40 desapropriações ao invés das 400 iniciais e que essa obra vai ligar a Avenida das Torres ao Shopping Pantanal, numa imensa redução da importância original dessa nova avenida, conforme prevista na Lei da Hierarquização Viária de Cuiabá, de 1999. Na referida lei a Avenida Parque do Barbado é parte de um sistema de vias denominado Via Estrutural Circular Norte (VECI-N) que liga a estrada da Guia à Várzea Grande, atravessando a Avenida do CPA, passando pelo Coxipó, Av. Tancredo Neves e Ponte Sérgio Mota, que, aliás, foi locada naquela posição em função desse grande projeto. Em Várzea Grande ela teria continuidade na Avenida D. Orlando Chaves, atravessando a Ponte Nova e retornando à Cuiabá pela Miguel Sutil. Trata-se de um grande complexo em forma de espiral ou voluta, integrador de toda a malha viária central da Grande Cuiabá. O projeto da Avenida Parque do Barbado fica justamente no centro desse grande sistema, que teria seu funcionamento comprometido por um subdimensionamento nesse trecho.
     Outra grande preocupação em relação à Avenida Parque do Barbado é que o prefeito alega que o Ministério Público Estadual “estava “colocando muitos óbices a isso, devido ao impacto social causado, além de alguns conceitos ambientais que eles não estavam concordando”. Tal alegação também foi feita pelo ex-prefeito Wilson Santos e pela Secopa quando optaram em abandonar o projeto no trecho. Estranho é que se trata de desapropriações em áreas de risco ou de proteção ambiental protegidas sabiamente por leis não só para defesa do ambiente, mas também para segurança dos moradores ali instalados.
(Publicado em 26/03/2013 pelo Diário de Cuiabá)