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quarta-feira, 4 de março de 2020

COMENTÁRIOS - TORCIDAS AO SOL

Resultado de imagem para Torcida Mixto
                            Torcida ao sol                              (Imagem:noticiasdabaixada)
José Antonio Lemos dos Santos
     Acho uma tremenda besteira, ou melhor, burrice mesmo, os times mandantes dos jogos das 15 horas na Arena, colocarem a torcida adversária no setor leste, de frente para o sol. Sou a favor do televisionamento dos jogos, mas é cruel este horário das 15 horas que dizem ser exigência da TV para combinar com sua grade de programação. Mesmo com a TV e o sofá da sala, prefiro torcer pelo meu time lá na Arena. Acontece que nos grandes centros o jogo é 16 h, dá tempo para um almoço de domingo mais tranquilo, com um clima menos intenso, em especial o sol mais brando. 16h de lá são 15 h aqui, chega a ser desumano com os jogadores, pessoal que trabalha nos jogos e em especial os torcedores que são submetidos àquele solão, lembrando que entre estes existem crianças, mulheres e pessoas de mais idade. Este ano já não fui a 2 jogos do meu time porque alguém mandou a torcida do meu time para o setor Leste, com o solão das 15 horas na cara. Tive que me contentar com a TV. O problema também é financeiro já que meu ingresso vale tanto quanto o do torcedor mandante. E aqueles que iriam com esposa e filho, ou quer levar algum amigo ou visitante? O público que já é pequeno, com certeza fica menor. Domingo tem Cuiabá x União, com os dois times muito bem. Será um jogo decisivo. Mesmo com a TV transmitindo para lá, certamente muita gente de Rondonópolis vai querer estar presente ao jogo empurrando e dando força ao time de sua cidade lá na Arena. Espero que o Cuiabá não cometa essa burrice de obrigar a torcida de Rondonópolis, e de outros jogos em que for mandante, ficar no setor Leste, no mínimo vai perder uma boa renda. É um absurdo, numa Arena de 44 mil assentos, com cerca de 22 mil lugares na sombra, porque não colocar a torcida adversária no andar superior do setor Oeste, na sombra, com boa visão lateral do campo. Ou no setor Norte, ainda que com um posicionamento atrás do gol, menos favorável. Para jogos menos decisivos com previsão de menores públicos, as duas torcidas podem ficar até mesmo na mesma arquibancada inferior do setor Oeste. As torcidas não ficavam lado a lado no Dutrinha ou no Verdão? Com certeza será um grande jogo e com certeza muitos torcedores dos dois times querem estar presentes na Arena. Não é muita coisa não, mas é jogo para bater o recorde de público do estadual 2020. Mas, “pelo amor de meus netinhos”, como diria o Silvio Luiz, que esta reclamação não seja pretexto para alguma autoridade luminar (que não esteja nem aí para o futebol mato-grossense) interdite a Arena por não ser toda coberta.

terça-feira, 17 de junho de 2014

COPA DO PANTANAL, SHOW!


Fotos: José Lemos
José Antonio Lemos dos Santos

     Enfim a bola está rolando na Copa 2014 e a Copa do Pantanal começou muito bem para tristeza daqueles que ainda não aceitam Cuiabá como uma das sedes do grandioso evento mundial. O primeiro jogo transformou a capital mato-grossense em uma grande festa que se estendeu desde uns três dias antes do jogo até dois ou três dias depois. Ontem estive no aeroporto ampliado (sem lonas) e ainda pude ver australianos e chilenos embarcando, estes com seus eletrizantes gritos de “chi-chi-lê-lê”, naquela simpática coreografia das mãos levantadas que marcará para sempre a memória do povo cuiabano.
     A festa do primeiro jogo me reforçou a impressão que tenho desde 2009 de que a Copa em Cuiabá foi uma estratégia do Bom Jesus para sacudir seu povo visando preparar sua cidade para o Tricentenário. Não podia ter sido escolhida gente melhor para vir a Cuiabá torcer por suas seleções na abertura da Copa do Pantanal. Chilenos e australianos deram um show de simpatia e se entrosaram com os cuiabanos de maneira perfeita, numa relação de constante alegria, civilidade e, mais importante, sempre em paz. Cuiabanos, australianos e chilenos juntos quem poderia imaginar que uma mistura como essa pudesse dar tão certa? Os australianos mais comedidos em gestos e expressões, mas muito expressivos com seus grandes e vistosos cangurus infláveis e suas vestimentas quase carnavalescas. Já os chilenos com uma alegria e contagiante, de caráter mais patriótico, com rostos pintados nas cores nacionais, vestidos com a camisa da seleção e enrolados na bandeira de seu país. De vez em quando nas ruas, praças, shoppings ouvia-se um grito forte e solitário “chi-chi” que imediatamente era seguido por dezenas ou centenas de outras vozes “lê-lê, chi-chi, lê-lê”. Impressionante. Para mim, a mais genuinamente alegre festa de massa que já presenciei em meus mais de sessenta anos.
     A Arena Pantanal foi o palco maior de toda essa festa recebendo mais de 40 mil pessoas para assistir a partida entre o Chile e a Austrália, sem problemas consideráveis para um evento de tamanha envergadura. Grosso modo arriscaria dizer que conviviam naquele espaço espetacular cerca de 20 mil chilenos, uns 10 mil australianos e outros tantos cuiabanos, mato-grossense e brasileiros de outros lugares. À minha frente uma família de Nova Canaã, ao meu lado esquerdo uma família de Campo Verde, na fila de trás um grupo de chilenos e mais atrás uma impressionante família de australianos, que devia estar em pai, mãe, avó e 3 filhos, um deles de colo, constantemente abanado pelo pai, e todos uniformizados. Jamais pude imaginar algo que para mim chegaria aos limites da loucura, tal como atravessar continentes e oceanos para torcer por um time sem chances de vencer numa competição no outro lado do mundo. E mesmo com o time derrotado, aplaudi-lo, sair festejando, sem esboçar qualquer xingamento ou provocações à torcida adversária. Ainda teve o Fan Fest, no qual eu não fazia a menor fé. Sucesso pleno também, com cerca de 20 mil chilenos, australianos e brasileiros lotando o local com muita festa e sem brigas. 
Foto José Afonso Portocarrero
     Por coincidência ou não mais um 13 de junho marcando a história de Cuiabá. Em 1867 os cuiabanos retomaram Corumbá para o Brasil, numa missão considerada impossível. Agora os mato-grossenses construíram a Copa do Pantanal, embora desacreditados. A abertura da Copa do Pantanal foi um momento em que povos diferentes e distantes se encontraram em um lugar mágico para compartilhar alegria, civilidade, e simpatia, resgatando ao menos um pouco da esperança na possibilidade de convivência da espécie humana. Ainda caberiam muitos registros positivos desse extraordinário momento, mas fica para depois. 
(Publicado em 17/06/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)