"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 17 de junho de 2019

13 DE JUNHO, DA GUERRA E DA COPA

Torcidas do Chile e da Austrália integradas em Cuiabá (esportes/terra)
José Antonio Lemos dos Santos
     De novo era um dia 13 de junho, uma data emblemática para Cuiabá e Mato Grosso. Em 1867 aconteceu a retomada de Corumbá então ocupada pelos paraguaios, um desafio impossível, mas não para os cuiabanos que formaram a tropa do Exército Brasileiro na missão de enfrentar o mais poderoso exército do continente na época. Já em 2014, nesse mesmo dia a bola começou a rolar pela Copa do Pantanal com pleno êxito, para tristeza dos que fizeram de tudo por este Brasil afora para que Cuiabá não vingasse como uma das sedes do grandioso evento mundial. Dois grandes desafios quase intransponíveis, um de guerra e outro de paz.
     O primeiro jogo transformou a capital mato-grossense em uma grande festa estendida de uns três dias antes até uns três dias depois. Três dias após estive no aeroporto já ampliado, cujas obras não foram concluídas até hoje, e ainda pude ver australianos e chilenos embarcando. A festa do primeiro jogo me reforçou a impressão de que a Copa em Cuiabá foi um milagre do Senhor Bom Jesus como presente para sua cidade em seu Tricentenário. Não fosse a Copa, Cuiabá ia ficar sem qualquer obra significativa para a comemoração.
     Não teria gente melhor para vir a Cuiabá torcer por suas seleções na abertura da Copa do Pantanal. Chilenos e australianos deram um show de simpatia e se entrosaram com os cuiabanos de maneira perfeita, numa relação de alegria, civilidade e, mais importante, sempre em paz. Cuiabanos, australianos e chilenos juntos quem imaginaria que uma mistura dessa pudesse dar tão certa? Os australianos mais comedidos em gestos e expressões, mas muito chamativos com seus vistosos cangurus infláveis e suas vestimentas quase carnavalescas. Já os chilenos com uma alegria mais patriótica, com rostos pintados nas cores nacionais, sempre com a camisa da seleção e enrolados na bandeira de seu país. De súbito nas ruas, praças, shoppings ouvia-se um grito forte e solitário “chi-chi” imediatamente seguido por centenas de outras vozes “lê-lê, chi-chi, lê-lê”. Impressionante. A mais genuinamente alegre festa de massa que já presenciei em meus quase setenta anos.
     A Arena Pantanal foi o palco maior de toda essa festa recebendo mais de 40 mil pessoas e funcionou muito bem. Grosso modo conviviam naquele espaço espetacular cerca de 20 mil chilenos, uns 10 mil australianos e outros tantos cuiabanos, mato-grossenses e brasileiros de outros lugares. À minha frente uma família de Nova Canaã, ao meu lado esquerdo uma família de Campo Verde, na fila de trás um grupo de chilenos e mais atrás uma impressionante família de australianos, que devia estar em pai, mãe, avó e 3 filhos, um deles de colo sempre abanado pelo pai, e todos uniformizados. Jamais havia imaginado que alguém pudesse pegar a família e atravessar oceanos e continentes para torcer por um time sem a menor chance de vitória. E mesmo com o time derrotado, aplaudi-lo festejando, sem esboçar xingamentos ou provocações à torcida adversária. Lotados e com muita festa ainda tivemos o Fan-Fest, no qual eu não fazia a menor fé, e a Arena Cultural, uma feliz iniciativa do então prefeito Mauro Mendes.
     A abertura da Copa do Pantanal, e todo o evento, foi um momento especial quando povos diferentes e distantes se acharam em um lugar mágico no centro continental sul-americano, compartilhando civilidade, simpatia e resgatando um pouco da fé na possibilidade da convivência humana fraterna. Quando se definia as obras para a Copa propus um monumento à paz na pracinha do Caecae, onde jazem muitos heróis daquela epopeia, para marcar no concreto tanto a alegria da Copa como o martírio de irmãos e hermanos na grande guerra platina. Um projeto ainda válido pois o tempo apaga até o que jamais devia ser esquecido.

terça-feira, 5 de julho de 2016

A COPA DO PANTANAL, 2 ANOS

Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     São pouco mais de 700 dias que, entretanto, parecem séculos. Em curto tempo, a Copa do Pantanal enquanto evento desapareceu na nossa memória, sumida na fuligem da velha politicagem local dos governos desconstruírem a obra dos antecessores pelo abandono, falta de manutenção ou funcionamento. Mas isso é outro assunto. Também não me refiro aos investimentos privados tipo fábrica de cimento, resort, shoppings, hotéis, nem às sempre tão focalizadas obras públicas.     
     Passados 2 anos de sua realização, tento lembrar o evento global em si, que foi Copa do Pantanal, que de fato aconteceu aqui em Cuiabá, um fato histórico comprovável nos arquivos da época dos sites noticiosos, e que pode ter seu início simbólico na chegada do primeiro torcedor estrangeiro, no dia 3 de junho, o chileno Cristian Guerra, após 4 meses de viagem de bicicleta e 5 jogos de pneus. O grande palco foi a maravilhosa Arena Pantanal, aquele luminoso espaço high-tech que traduziu tão bem o encantamento da tríade vitruviana, a ponto de transportar cerca de 40 mil pessoas confortavelmente a cada jogo para um mundo de alegria, vibração positiva, selfies, whatsapps, como se fosse uma nave mágica de sonho, escolhida pela crônica esportiva internacional como a mais funcional das Arenas, mas que hoje está impedida de receber jogos nacionais por falta de alvarás(!). E teve ainda o Fan Fest, no qual eu não fazia a menor fé, mas que chegou a receber mais público que a própria Arena; a Arena Cultural da prefeitura, um show diário de cultura local para milhares de pessoas, e a Praça da Popular, espaço do coração adotado por todas as torcidas.
EsportesTerra

     Mas na grandiosa festa pantaneira o principal que me salta à memória é o nosso povo, uma gente em princípio tão simplória, desconfiada e arredia, que, porém, foi capaz de dar show de alegria, calor humano, receptividade e civilidade, condição primeira para a realização de um evento desse porte. Isso não se compra e nem pode ser esquecido. O principal para a Copa Cuiabá já tinha pronto, sua gente, e teve ainda a sorte ter recebido primeiro as torcidas do Chile e da Austrália. Juntas com o cuiabano a empatia foi imediata. Os australianos mais comedidos em gestos e expressões, mas muito expressivos com seus grandes e vistosos cangurus infláveis e suas vestimentas quase carnavalescas. Já os chilenos com uma alegria contagiante, de caráter mais patriótico, com rostos pintados nas cores nacionais e a camisa da seleção, enrolados na bandeira de seu país. Subitamente nas ruas, praças, shoppings ouvia-se um grito forte e solitário “chi-chi” logo seguido por dezenas ou centenas de outras vozes “lê-lê, chi-chi, lê-lê”. Impressionante. Para mim, a mais genuína festa de massa que presenciei em meus mais de sessenta anos. E depois vieram os russos e coreanos, bósnios e nigerianos e, ao fim, colombianos e japoneses, todos sem timidez no uso das cores, cantos, gritos pacíficos, mascotes e fantasias ensinando que, mesmo distantes no espaço os povos podem ser muito afins na alegria e na cordialidade.
     Aos milhares vieram também torcedores de outros países, e brasileiros de muitas cidades de Mato Grosso e do Brasil, todos integrados num grande momento de alegria espontânea e genuína. E aquela que pensavam ou torciam para ser o patinho feio da Copa, na verdade era um belíssimo tuiuiú que serenou bonito no alto e assentou ainda mais lindo no chão. E a menor e menos preparada das sedes, com seus rios e seu calor sadio, seu sotaque e modo de viver, do tereré e do guaraná, do Siriri e do Cururu, virou uma grande festa internacional de paz e harmonia indelével no exato coração sul-americano e na memória do povo cuiabano. Jamais será esquecida.
(Publicado em 05/07/2016 pelo Midianews, Folhamax, ...)
Rene Dioz

Comentário por e-mail:
05/07/2016 08:05h
"Bom dia 
sobre a Copa, uma sugestão, a população deveria fazer um relogio bem como aqueles que fizeram Falta 700 dias para realização da copa do mundo em cuiaba, deveriamos fazer um relogio dizendo se passou 700 dias da copa e cade as obras da copa! 
parabéns pela matéria
att
Dalvadisio Junior"

Agripino

14:55 (Há 6 horas)
para mim

"Excelente comentário!"

Comentário no Midianews:

Carlos Nunes  05.07.16 08h57
Pois é, a Copa passou e deixou uma herança maldita...a gente não sabe o que foi pior: a FIFA ter saído do Brasil com um lucro superior aos 5 Bilhões de Dólares, isenta de pagamento de impostos, ou o Jornal Nacional ter noticiado, há pouco tempo, que as raposas da FIFA (ex-presidente e ex-secretário) receberam de propina 240 Milhões de Reais (puxa vida foram descobrir isso só agora). Mas (sempre tem um mas), a irmã gêmea da Copa, AS OLIMPÍADAS, estão aí...tudo igual ou pior. O Jornal da Record fez 5 matérias, intituladas, RIO DE JANEIRO NA LAMA, aonde acusa Corrupção nas Olimpíadas e até aponta alguns suspeitos. Para ter 17 dias de Olimpíadas endividaram, emprestaram, gastaram o que tinha e o que não tinha...agora o governador Francisco Dornelles declara "estado de calamidade pública"...NÃO TEM DINHEIRO prá nada. Olimpíada virou prioridade estadual. Ciclovia do Rio desaba e até mata gente, a qualidade da obra não aguentou nem uma ondinha do mar. Agora vem o pior: os sites noticiam uma bomba - Abin confirma ameaça do estado islâmico, apareceu no twitter deles...Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Vote! Dizem que vem por aqui atrás daqueles países que estão jogando bombas e mais bombas neles. Que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos proteja do estado islâmico. Amém!"
"
Etevaldo d'Almeida  05.07.16 11h39
"Isso tudo é resultado da histeria coletiva que toma conta Brasil vez em quando, e como nossos líderes só pensam em si e nos partidos, dá nisso de vez e sempre. E o pior é não aprendemos. Por que que a gente é assim?"
marcos  05.07.16 15h15
"Pois é. O José Antonio faz sempre um comentário positivo sobre o evento da Copa do Mundo em Cuiabá. Precisamos deixar de sermos negativistas, levantar a cabeça e nos aproveitarmos desse legado."

Na Página do Enock:
Paulo Mattos disse:



quarta-feira, 24 de junho de 2015

PARA SEMPRE

esportes.terra

Artigo que republico hoje (24/02/2015), um ano após sua primeira publicação no Diário de Cuiabá por ocasião do encerramento da Copa do Pantanal em Cuiabá.

José Antonio Lemos dos Santos

     Está marcado para hoje, no começinho desta noite de São João, o último jogo da Copa do Pantanal entre Colômbia e Japão, assinalando o fim da participação direta de Cuiabá nesta Copa do Mundo de 2014, que até agora tem sido magnífica, surpreendendo de modo favorável a opinião pública nacional e mundial. Em especial, calando aquela parte da grande mídia que, por motivos que serão descobertos um dia, jamais aceitou Cuiabá como uma das sedes da Copa e que continua armada para destacar qualquer deslize, por mínimo que seja e mesmo que falso. Por isso, enquanto o jogo não acabar, não dá para cantar uma vitória completa de Cuiabá na Copa mesmo na certeza de que tudo correrá bem, como vem acontecendo pela graça e proteção do Bom Jesus de Cuiabá, que, como estou cada vez mais convencido, foi quem de fato trouxe a Copa para nós como pretexto para sacudir sua gente e iniciar a preparação digna de sua cidade para o Tricentenário, em 2019. 
     Mas Cuiabá e Mato Grosso já podem cantar muitas vitórias. E quero cantar a fundamental. Não vou me referir à fábrica de cimento, shoppings, torres hoteleiras ou às sempre tão focalizadas, esperadas e agouradas obras públicas que vão sendo incorporadas vorazmente pela cidade à medida em que são liberadas total ou parcialmente, confirmando suas urgências. Com rapidez, facilidade e conforto, outro dia fui do trevo da Rodoviária em Cuiabá até a rótula da Ponte Sérgio Mota em Várzea Grande, passando pelos viadutos do Despraiado e Orlando Chaves, e pelas trincheiras do Santa Isabel e Santa Rosa, esta ainda inconclusa. Sobre a maravilha da Arena Pantanal daria e dará muito para se falar. Como aquele luminoso espaço high-tech conseguiu traduzir tão bem o encantamento da tríade vitruviana, a ponto de transportar cerca de 40 mil pessoas confortavelmente a cada jogo para um mundo de alegria, vibração positiva, flashs, whatsapps, como se fosse de fato aquela nave intergaláctica mágica a que me referi em artigos anteriores? E o espaço do Fan Fest, no qual eu não fazia a menor fé, mas que numa noite recebeu mais pessoas que a própria arena? E a Arena Cultural dando um show diário de cultura local e regional? 
     Mas não é esse tipo de vitória que quero saudar como a fundamental. Essas coisas qualquer cidade pode ter, basta arranjar dinheiro. O que quero saudar é meu povo, minha gente em princípio tão simplória, desconfiada e arredia, mas que é capaz de dar show de alegria, calor humano e receptividade, condição primeira para a realização de um evento de tão grande porte como uma Copa do Mundo. Isso não se compra. O principal Cuiabá já tinha pronto naturalmente e não percebemos. E não podia ser melhor Cuiabá ter recebido primeiro as torcidas do Chile e da Austrália. Juntas com o cuiabano a empatia foi imediata. Jamais imaginei povos tão distantes no espaço e tão afins na simpatia, na alegria e na cordialidade. E depois vieram os russos e coreanos, bósnios e nigerianos e, logo os colombianos e japoneses, todos sem timidez no uso das cores, cantos, gritos pacíficos, mascotes e fantasias referentes aos seus países. Muitos trouxeram a família. 
     Às centenas ou milhares vieram também torcedores de outros países, e brasileiros de muitas cidades de Mato Grosso e do Brasil, todos integrados num grande momento de alegria espontânea e genuína. E o patinho feio na verdade era um belíssimo tuiuiú que serena bonito no alto e assenta mais lindo no chão. E a menor e menos preparada das sedes, com seus rios e o calor sadio, seu sotaque e modo de viver, do tereré e do guaraná, do Siriri e do Cururu, Cuiabá inteira virou uma grande festa internacional de paz e harmonia que ficará para sempre marcada no exato coração sul-americano e na memória do povo cuiabano. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

PARA SEMPRE

esportes.terra

José Antonio Lemos dos Santos

     Está marcado para hoje, no começinho desta noite de São João, o último jogo da Copa do Pantanal entre Colômbia e Japão, assinalando o fim da participação direta de Cuiabá nesta Copa do Mundo de 2014, que até agora tem sido magnífica, surpreendendo de modo favorável a opinião pública nacional e mundial. Em especial, calando aquela parte da grande mídia que, por motivos que serão descobertos um dia, jamais aceitou Cuiabá como uma das sedes da Copa e que continua armada para destacar qualquer deslize, por mínimo que seja e mesmo que falso. Por isso, enquanto o jogo não acabar, não dá para cantar uma vitória completa de Cuiabá na Copa mesmo na certeza de que tudo correrá bem, como vem acontecendo pela graça e proteção do Bom Jesus de Cuiabá, que, como estou cada vez mais convencido, foi quem de fato trouxe a Copa para nós como pretexto para sacudir sua gente e iniciar a preparação digna de sua cidade para o Tricentenário, em 2019.
     Mas Cuiabá e Mato Grosso já podem cantar muitas vitórias. E quero cantar a fundamental. Não vou me referir à fábrica de cimento, shoppings, torres hoteleiras ou às sempre tão focalizadas, esperadas e agouradas obras públicas que vão sendo incorporadas vorazmente pela cidade à medida em que são liberadas total ou parcialmente, confirmando suas urgências. Com rapidez, facilidade e conforto, outro dia fui do trevo da Rodoviária em Cuiabá até a rótula da Ponte Sérgio Mota em Várzea Grande, passando pelos viadutos do Despraiado e Orlando Chaves, e pelas trincheiras do Santa Isabel e Santa Rosa, esta ainda inconclusa. Sobre a maravilha da Arena Pantanal daria e dará muito para se falar. Como aquele luminoso espaço high-tech conseguiu traduzir tão bem o encantamento da tríade vitruviana, a ponto de transportar cerca de 40 mil pessoas confortavelmente a cada jogo para um mundo de alegria, vibração positiva, flashs, whatsapps, como se fosse de fato aquela nave intergaláctica mágica a que me referi em artigos anteriores? E o espaço do Fan Fest, no qual eu não fazia a menor fé, mas que numa noite recebeu mais pessoas que a própria arena? E a Arena Cultural dando um show diário de cultura local e regional? 
     Mas não é esse tipo de vitória que quero saudar como a fundamental. Essas coisas qualquer cidade pode ter, basta arranjar dinheiro. O que quero saudar é meu povo, minha gente em princípio tão simplória, desconfiada e arredia, mas que é capaz de dar show de alegria, calor humano e receptividade, condição primeira para a realização de um evento de tão grande porte como uma Copa do Mundo. Isso não se compra. O principal Cuiabá já tinha pronto naturalmente e não percebemos. E não podia ser melhor Cuiabá ter recebido primeiro as torcidas do Chile e da Austrália. Juntas com o cuiabano a empatia foi imediata. Jamais imaginei povos tão distantes no espaço e tão afins na simpatia, na alegria e na cordialidade. E depois vieram os russos e coreanos, bósnios e nigerianos e, logo os colombianos e japoneses, todos sem timidez no uso das cores, cantos, gritos pacíficos, mascotes e fantasias referentes aos seus países. Muitos trouxeram a família. 
     Às centenas ou milhares vieram também torcedores de outros países, e brasileiros de muitas cidades de Mato Grosso e do Brasil, todos integrados num grande momento de alegria espontânea e genuína. E o patinho feio na verdade era um belíssimo tuiuiú que serena bonito no alto e assenta mais lindo no chão. E a menor e menos preparada das sedes, com seus rios e o calor sadio, seu sotaque e modo de viver, do tereré e do guaraná, do Siriri e do Cururu, Cuiabá inteira virou uma grande festa internacional de paz e harmonia que ficará para sempre marcada no exato coração sul-americano e na memória do povo cuiabano. 
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 24/06/2014)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

ARENA PANTANAI

MatoGrossoNotícias

Imagem da FIFA em 360º da Arena Pantanal na execução dos hinos do Chile e da Austrália no primeiro jogo da Copa do Mundo 2014 em Cuiabá. Foto histórica emocionante, não só pela Arquitetura. Para guardar para sempre. Veja no link abaixo. Vale a pena:

http://360photos.fifa.com/#!startscene=chi_aus

terça-feira, 17 de junho de 2014

COPA DO PANTANAL, SHOW!


Fotos: José Lemos
José Antonio Lemos dos Santos

     Enfim a bola está rolando na Copa 2014 e a Copa do Pantanal começou muito bem para tristeza daqueles que ainda não aceitam Cuiabá como uma das sedes do grandioso evento mundial. O primeiro jogo transformou a capital mato-grossense em uma grande festa que se estendeu desde uns três dias antes do jogo até dois ou três dias depois. Ontem estive no aeroporto ampliado (sem lonas) e ainda pude ver australianos e chilenos embarcando, estes com seus eletrizantes gritos de “chi-chi-lê-lê”, naquela simpática coreografia das mãos levantadas que marcará para sempre a memória do povo cuiabano.
     A festa do primeiro jogo me reforçou a impressão que tenho desde 2009 de que a Copa em Cuiabá foi uma estratégia do Bom Jesus para sacudir seu povo visando preparar sua cidade para o Tricentenário. Não podia ter sido escolhida gente melhor para vir a Cuiabá torcer por suas seleções na abertura da Copa do Pantanal. Chilenos e australianos deram um show de simpatia e se entrosaram com os cuiabanos de maneira perfeita, numa relação de constante alegria, civilidade e, mais importante, sempre em paz. Cuiabanos, australianos e chilenos juntos quem poderia imaginar que uma mistura como essa pudesse dar tão certa? Os australianos mais comedidos em gestos e expressões, mas muito expressivos com seus grandes e vistosos cangurus infláveis e suas vestimentas quase carnavalescas. Já os chilenos com uma alegria e contagiante, de caráter mais patriótico, com rostos pintados nas cores nacionais, vestidos com a camisa da seleção e enrolados na bandeira de seu país. De vez em quando nas ruas, praças, shoppings ouvia-se um grito forte e solitário “chi-chi” que imediatamente era seguido por dezenas ou centenas de outras vozes “lê-lê, chi-chi, lê-lê”. Impressionante. Para mim, a mais genuinamente alegre festa de massa que já presenciei em meus mais de sessenta anos.
     A Arena Pantanal foi o palco maior de toda essa festa recebendo mais de 40 mil pessoas para assistir a partida entre o Chile e a Austrália, sem problemas consideráveis para um evento de tamanha envergadura. Grosso modo arriscaria dizer que conviviam naquele espaço espetacular cerca de 20 mil chilenos, uns 10 mil australianos e outros tantos cuiabanos, mato-grossense e brasileiros de outros lugares. À minha frente uma família de Nova Canaã, ao meu lado esquerdo uma família de Campo Verde, na fila de trás um grupo de chilenos e mais atrás uma impressionante família de australianos, que devia estar em pai, mãe, avó e 3 filhos, um deles de colo, constantemente abanado pelo pai, e todos uniformizados. Jamais pude imaginar algo que para mim chegaria aos limites da loucura, tal como atravessar continentes e oceanos para torcer por um time sem chances de vencer numa competição no outro lado do mundo. E mesmo com o time derrotado, aplaudi-lo, sair festejando, sem esboçar qualquer xingamento ou provocações à torcida adversária. Ainda teve o Fan Fest, no qual eu não fazia a menor fé. Sucesso pleno também, com cerca de 20 mil chilenos, australianos e brasileiros lotando o local com muita festa e sem brigas. 
Foto José Afonso Portocarrero
     Por coincidência ou não mais um 13 de junho marcando a história de Cuiabá. Em 1867 os cuiabanos retomaram Corumbá para o Brasil, numa missão considerada impossível. Agora os mato-grossenses construíram a Copa do Pantanal, embora desacreditados. A abertura da Copa do Pantanal foi um momento em que povos diferentes e distantes se encontraram em um lugar mágico para compartilhar alegria, civilidade, e simpatia, resgatando ao menos um pouco da esperança na possibilidade de convivência da espécie humana. Ainda caberiam muitos registros positivos desse extraordinário momento, mas fica para depois. 
(Publicado em 17/06/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)