"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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terça-feira, 3 de julho de 2012

DE OLHO NO AEROPORTO


José Antonio Lemos dos Santos

Desculpe a repetição, mas se não repetir não dá para registrar nas crônicas cuiabanas essa inimaginável moagem pela qual passou a ampliação do Aeroporto Marechal Rondon. Repito que em fevereiro do ano passado escrevi um artigo denominado Molecagem dedicado não à presidente Dilma, recém-empossada, mas a setores de seu governo, bem como àqueles pagos para bem representar os interesses de Cuiabá e Mato Grosso em todos os níveis políticos, em especial no federal, que haviam deixado a situação chegar onde havia chegado. Referia-me ao tratamento que o estado vinha recebendo da União nas mais diversas áreas e muito especial quanto às obras de ampliação do aeroporto de Cuiabá tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 e Copa das Confederações em 2013, esta ainda pretendida pela cidade. Na ocasião criticava o adiamento da entrega do projeto então previsto para setembro de 2011 – já atrasado – para março de 2012, ano em que as obras já deveriam estar concluídas. Entendia ser absurdo o prazo de mais de ano para a elaboração de um projeto de ampliação, diante de um cronograma na época já exíguo para as obras. 

Passado 1 ano e 3 meses, um mês atrás, escrevi outro artigo dizendo que a situação que já era péssima havia piorado. A entrega do projeto que fora adiada para início de março de 2012 só foi feita no fim daquele mês, com o agravante de que - após mais de ano de elaboração - o tal projeto ainda iria passar por “modificações nas partes hidrossanitária e eletrônica”, com nova entrega prevista para meados de junho! Lembrava que a Infraero é uma das maiores e mais bem sucedidas empresas aeroviárias do mundo, e a empresa responsável pelo projeto foi vencedora de uma licitação nacional, portanto, no mínimo uma empresa tecnicamente respeitável. Como então seria possível aceitar que, após mais de ano de elaboração, um projeto dessa responsabilidade tenha sido entregue com problemas “nas partes hidrossanitária e eletrônica”? Perguntava se a Infraero não teve o interesse, o bom-senso ou ao menos a curiosidade técnica de dar uma passadinha na sede da empresa projetista durante esse mais de ano de projeto para saber se tudo ia dentro das especificações? Uma troca de e-mails? Mesmo sendo um projeto prioritário para o país por causa da Copa, preferiram esperar a entrega para só então verificar se havia algum erro? Por outro lado, seria possível que uma empresa idônea pudesse errar no projeto hidrossanitário de um aeroporto que nem é tão grande assim? Não acreditava em nenhuma das duas possibilidades. Seria um desrespeito às estruturas técnicas das duas empresas. 

Passou o mês de junho e nada do projeto, nem de satisfações públicas enquanto nas outras sedes os preparativos avançam. O artigo do ano passado chegou a aventar uma sabotagem contra Cuiabá como sede da Copa, e contra a própria presidenta Dilma. Porém, ontem veio a boa notícia de que finalmente foi programada para hoje a entrega pela Infraero ao governador Silval Barbosa do projeto do novo Aeroporto Internacional Marechal Rondon. Viva! Mais de três anos e um mês após Cuiabá ter sido escolhida como sede da Copa do Pantanal, enfim a obra será licitada. Ainda dá tempo, em especial com o RDC. Como gosto de lembrar, Brasília foi inaugurada em três anos e o Empire State foi feito em 451 dias. É importante destacar que as seleções podem chegar com um ou dois meses de antecedência para a necessária aclimatação, portanto, antes de junho de 2014, o que será bom para o movimento na cidade. Entretanto, foi muita moagem e gato escaldado tem medo de água fria. Vamos continuar de olho no aeroporto, torcendo para que tudo dê certo e tenhamos muitos motivos de aplausos até a conclusão da obra.

(Publicado em 03/07/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A "CONQUISTA" DA INFRAERO

A "CONQUISTA" DA INFRAERO
José Antonio Lemos dos Santos


Tenho acompanhado diariamente o site da Infraero esperando boas notícias a respeito das obras no Aeroporto Marechal Rondon. Não tem sido tarefa agradável, pois as boas notícias restringem-se sempre ao movimento do nosso aeroporto, maior a cada mês, com mais taxas de embarque para a Infraero. Mas, infelizmente, mais dificuldades para os passageiros. Nada referente às obras devidas pela empresa. Para ser justo, no dia 5 passado apareceu notícia da abertura, dois dias antes, da licitação para o projeto da ampliação do aeroporto. Uma grande notícia, mesmo que não tenha merecido destaque específico dentre as notícias do site e ainda que um ano e meio atrasada, no mínimo. Veio escondida em uma outra encabeçada pela estranha manchete: “Infraero conquista licença prévia para obras de ampliação do Aeroporto de Cuiabá”.
O termo “conquista” ficou esquisito e se repete mais duas vezes no corpo da matéria. A impressão que passa é que a Infraero esteve lutando contra dificuldades criadas por Mato Grosso para o reinício das obras do Aeroporto Marechal Rondon, necessárias mesmo sem a Copa e paralisadas há muito tempo, só por culpa da empresa. Pela notícia parece que Mato Grosso estaria atrapalhando a empresa na realização de suas obrigações. Mas a história é clara e se alguém tem culpa nesse atraso absurdo, essa culpa é da negligência da Infraero com um problema que se arrasta desde o final da década passada. Mato Grosso não pode passar de vítima a culpado.
Segundo a empresa, a “conquista” refere-se à licença ambiental prévia para realização de obra de reforma e ampliação do aeroporto, emitida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do (sic) Mato Grosso. O que teria a ver o atraso na licitação de projeto com essa licença para obras? Por que essa licitação só sai 1 ano e meio após a definição de Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014? A grande manchete seria: “Infraero licita projeto para o aeroporto de Cuiabá!”. Mas com esse destaque o Brasil veria o grande atraso da empresa em relação à Copa. Misturando os dois assuntos a matéria disfarça o atraso e sugere que a empresa aguardava ansiosamente tal licença para desenvolver o projeto, e que o motivador desse atraso seria o próprio governo do estado através da Sema. A Sema precisa trazer sua versão ao público, inclusive se a falta de licença prévia para obra impediria a realização de projetos arquitetônicos pela empresa.
A insistência no caso do aeroporto é sua imprescindibilidade à realização em Cuiabá da Copa das Confederações em 2013 e da Copa do Mundo em 2014. Esses dois eventos são essenciais como compensação pelo admirável esforço que a cidade e o estado estão fazendo e ainda terão que fazer pela Copa. Não basta a Copa do Pantanal, Mato Grosso não pode abrir mão da Copa das Confederações. Insisto também porque confio na determinação dos governos federal e estadual em cobrir de êxito o grandioso evento internacional que traz para o Brasil e para Mato Grosso as atenções do mundo inteiro. Enfim, por ainda ser tecnicamente possível o aeroporto ficar pronto em tempo hábil. Sempre é bom lembrar que Brasília foi feita em 3 anos e o Empire State em 451 dias. O aeroporto precisa estar pronto em dezembro de 2012 para a Copa das Confederações e faltam 2 anos. Mas é preciso que o empenho político da união e do estado com a realização em Cuiabá da Copa das Confederações e da Copa do Pantanal chegue com urgência à Infraero. A hora de cobrar é agora, depois será tarde.
(Publicado no Diário de Cuiabá em 18/11/2010)