"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 3 de junho de 2019

10 ANOS DE COPA

Torcedores chegando à Arena Pantanal 
José Antonio Lemos dos Santos
     Talvez porque não sejamos tão fortes ou corajosos para impor aos governantes o imperioso respeito às coisas públicas, substância essencial à própria República; talvez por causa de nossa fraqueza e mesmo certa leniência cidadãs que nos impedem exigir as devidas punições aos malfeitores da coisa pública; talvez pelas duas causas juntas e até outras mais, o fato é que nos acostumamos a demonizar as obras e serviços públicos pelos problemas que apresentam, em especial as da Copa. É claro que demonizados deveriam ser seus responsáveis.
     O último dia 31 de maio marcou os 10 anos da escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa 2014, escolha ansiosamente pretendida por muitas cidades brasileiras. Ganhou Cuiabá e a partir daquele dia a Copa do Pantanal entrou na vida do cuiabano e do mato-grossense em geral. Sim, o cuiabano, simplório e humilde, jamais sonhou com sua cidade sediando uma Copa do Mundo. Só ao final de 2008 começou algum burburinho público sobre o assunto com o cuiabano incrédulo: “Agora quando? Nunquinha.” A ficha só caiu quando apareceu o nome “Cuiabá” nas telas de todo o planeta. Daí uma festa geral, de uma hora para outra todos tínhamos certeza que Cuiabá ganharia elencando até um montão de pontos positivos da cidade que nunca nos chamara a atenção.
     Após 10 anos com a Copa do Mundo na vida cuiabana qual seria a avaliação do grande evento para a cidade, a Grande Cuiabá e seu cidadão? O primeiro efeito significativo foi a elevação da autoestima do cuiabano ao ver sua cidade no contexto mundial de forma positiva e todo “toceira” por vencer Campo Grande, corrigindo a própria visão subestimada que tinha de sua cidade, vitória confirmada ao final com uma avaliação da crítica internacional altamente favorável à cidade, à hospitalidade da população e à Copa do Pantanal como um todo.
     Outro fator positivo foi a exposição em nível global do potencial turístico do estado, do nome Cuiabá e da marca Pantanal vinculando-a a Mato Grosso, tendo como mascote a fabulosa Arena Pantanal. Ainda no turismo foi também ampliada e modernizada a oferta hoteleira com a construção de 15 novas torres. Pena que todo este empuxo não tenha sido sustentado por políticas públicas subsequentes para o setor.
Torcedores no centro geodésico
     O esperado pacote de obras para a cidade se deu em investimentos públicos e privados. Embora o foco das avaliações se restrinja às obras públicas, a participação da iniciativa privada foi importante destacando os investimentos na rede hoteleira, uma fábrica de cimento no Aguaçu, um resort de categoria internacional no Manso, mais de uma centena de torres imobiliárias e 4 shoppings, sendo uma ampliação e um relançamento. Pela primeira vez vi ao vivo o conceito do “pleno emprego”, com carros de som nas ruas ofertando trabalho. O PIB cuiabano entre 2011 e 2014 saltou de R$13,4 para R$20,5 bilhões!
     Quanto às obras públicas, difícil avaliá-las num só artigo. Em um resumo arriscado, mesmo com as obras inconclusas e merecendo críticas, daria para imaginar como estaria a Miguel Sutil sem as trincheiras, viadutos, recapeamento, sinalização e iluminação em LED? E o Zero Quilômetro em Várzea Grande? E o aeroporto? E a entrada da cidade sem o complexo viário do Tijucal? Mesmo sobre as obras ditas pequenas, como estariam os moradores do Coophema, Atalaia e outros bairros da Região Sul sem as novas pontes sobre o Coxipó? E se não fosse duplicada a avenida Juliano da Costa Marques? Com certeza, para todas estas perguntas não haveria outra resposta que não o colapso. E assim para a grande maioria das muitas outras obras viabilizadas pela Copa, obras que deveriam ser queridas e desejadas, com suas finalizações exigidas pela população e seus malfeitores punidos conforme a lei. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

MUITO ALÉM DO BARREIRO BRANCO

skyscrapercity.com

José Antonio Lemos dos Santos

     Compactas, densas e diversificadas, 3 palavras que melhor resumiriam a doutrina urbanística atual sobre as cidades contemporâneas inteligentes e sustentáveis. Desde fins da década de 80, as extraordinárias equipes técnicas do extinto Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá – IPDU, recém criado à época, tiveram a capacidade de entender estes princípios ainda tenros na literatura urbanística de então e fazer propostas de vanguarda para Cuiabá tendo como foco a ideia do “crescer para dentro”, isto é, a cidade ocupar seus espaços vazios e aumentar sua densidade visando a otimização da infraestrutura e a redução de seus custos operacionais. Os estudos apontavam que, por conta de sua ocupação descontrolada, a cidade tinha uma densidade urbana muito baixa, ou seja, tinha uma Zona Urbana muito maior que a necessária para abrigar com conforto sua população. Era preciso então evitar a todo custo novas ampliações. 
     As metas de adensamento e compacidade das cidades foram reafirmadas depois pelo Estatuto da Cidade e hoje é o que existe de mais atual na literatura urbanística mundial. Reforçando a tese, em 2007 o então prefeito Wilson Santos através da Lei Complementar nº 150 proibiu por 10 anos a ampliação do perímetro urbano de Cuiabá. E pelo que sei continua proibido. Mas... A pressão pela expansão do perímetro urbano por força da valorização da terra é um fenômeno permanente aqui e em todo o mundo e seu controle em função do interesse público é básico, indispensável para o sucesso de qualquer política urbana.
     Na contramão da história, no início de 2011 foi extinto o IPDU e em fins de maio do mesmo ano durante a administração Francisco Galindo foi aprovada na surdina a Lei 5.395 criando os distritos do Sucuri, Aguaçu e Nova Esperança. Até aí tudo bem. Só que no bojo da criação dos distritos veio a definição das Zonas Urbanas das sedes dos tais distritos, cabendo à sede do Sucuri uma Zona Urbana com 1070 ha, injustificáveis tecnicamente, maior que a Morada da Serra, da ordem de 700 ha e que poderia ser a quarta ou quinta cidade do estado. Meses depois, quando o assunto veio à luz do conhecimento público, a leitura do encaminhamento topográfico do perímetro da nova Zona Urbana trouxe a explicação. Nela se observa que a nova Zona Urbana é colada à Zona Urbana de Cuiabá, configurando na prática uma ampliação desta em 1070 ha, ampliação proibida por 10 anos pela Lei Complementar 150/2007.
     Agora surge o projeto da transformação do Barreiro Branco em novo distrito municipal, próximo ou colado ao limite norte da Zona Urbana de Cuiabá, proibida de ser ampliada por 10 anos. Os discursos justificativos são relativos à qualidade de vida da população local, resumida em asfalto. Tomara que seja. Mais será que é? Uma coisa é certa, os políticos serão presenteados com mais uma estruturazinha de no mínimo 3 ou 4 cargos pagos com nossos impostos. Mas desconfio que vai além. Qual será a área da sede desse novo distrito e por acaso também ficará colada à Zona urbana de Cuiabá, de ampliação proibida? 
     Não podemos voltar ao antigo “faroeste urbano”, que nos reconduz à insegurança jurídica e à metástase urbana que pensávamos ter ficado no passado. O desenvolvimento das cidades deve ser conduzido pelos seus legítimos interesses públicos voltados ao bem comum. O cachorro deve abanar o rabo e não o inverso. Afinal, sustentabilidade, o conceito chave nos processos de desenvolvimento atuais, nada mais é do que pensar em nosso próprio bem, mas pensar também no bem de quem vem depois. Na real, que cidade queremos? Que cidade vamos deixar aos nossos filhos e netos, que cidade legaremos às futuras gerações? 
(Publicado em 12/08/2014 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

VALEU 2013!

José Antonio Lemos dos Santos

     Seria um dia como qualquer outro a não ser por se tratar do último dia do ano no nosso calendário, um divisor das águas do tempo, entre o quase passado 2013 e o 2014 que se aproxima cheio de perspectivas e desafios. Hoje, um momento para avaliações do passado e do futuro imediatos que não cabem em um só artigo, a não ser agradecer a Deus o ano que passou e pedir a renovação de suas graças para o ano que vem. Em especial em Mato Grosso, um dos maiores produtores de alimentos do mundo e a Grande Cuiabá que sofre diretamente os impactos de sua preparação para um dos maiores eventos globais da atualidade, a Copa do Mundo, e vive aquela que poderá ser considerada a maior transformação urbanística de sua história, no pequeno prazo em que se realiza, com dezenas de obras tomando formas e sendo inauguradas.
     Este artigo é dedicado à retrospectiva de 2013 que começo lembrando o espetáculo da Corrida de Reis e o carnaval do Rio com a Marques de Sapucaí inteira cantando com a Mangueira para o mundo: “Cidade formosa... Verde... Rosa, Vila Real do Bom Jesus!”. Emoção que não diminuiu nem com o absurdo aumento de rendimentos que se deram os vereadores de Cuiabá, depois anulado em parte pela Justiça. No mundo, o surgimento de Francisco, o papa da esperança e sua visita ao Brasil. E a morte de Mandela com sua lição de integração racial plena. No Brasil, o final do julgamento do “mensalão” e as grandes passeatas de protestos que em junho marcharam ordeiras, pacíficas e poderosas pelas ruas de todo o país, inclusive em Mato Grosso. Aliás, em março a cidade de Sorriso se antecipava realizando a “Parada pela Vida”, um bloqueio racional da BR-163 contra o caos logístico em Mato Grosso. Antes também houve em Cuiabá a “Caminhada pela Copa”, reunindo entre 10 e 15 mil pessoas, inclusive com protestos contra o próprio evento.
     De volta a Mato Grosso, em março a abertura da licitação do Rodoanel de Cuiabá, em pista dupla, estimado em R$ 346,0 milhões e em abril a inauguração da fábrica de cimento de R$ 400,0 milhões no Aguaçu. No esporte a vitória do Luverdense sobre o Corínthians e sua ascensão à série “B” do campeonato brasileiro. Ainda em abril e maio o lançamento de um grande shopping em Várzea Grande e a cobrança de celeridade nos estudos de viabilidade da ferrovia Cuiabá-Santarém pelos chineses, ansiosos em construí-la já. Até hoje nada. Importante para mim o lançamento do meu livro “Cuiabá e a Copa – A preparação”.
     Em julho veio a mais perigosa das armações contra a Copa em Cuiabá, quando foi colocada na mídia nacional uma comparação entre valores de produtos diferentes como se fossem iguais, quase que inviabilizando os prazos da Arena Pantanal. Depois dessa, botaram fogo na Arena, incêndio intencional segundo a Politec, logo debelado pelo Corpo de Bombeiros local. Em compensação em setembro a bela Jakelyne, de Rondonópolis, foi eleita Miss Brasil e em novembro Cuiabá sediou os Jogos dos Povos indígenas, num belo espetáculo de cores e integração cultural pouco divulgado. O superávit comercial de Mato Grosso nesse mês já havia superado o total de 2012, com mais de US$ 13,3 bilhões. Mato Grosso é o sexto maior estado exportador do Brasil.
     Agora em dezembro o IBGE revelou que o PIB mato-grossense evoluiu em 2011 quase 20%, mais que o dobro da China e é o maior crescimento do Brasil, sendo que Cuiabá tem a décima melhor renda per capita entre as capitais brasileiras. Coroando o ano o jornal espanhol “El Gol Digital” escolheu a Arena Pantanal como a sétima mais espetacular arena do futuro no mundo e o famoso “El País” de Madrid destacou Cuiabá em matéria especial enfatizando as transformações pelas quais a cidade passa se preparando para a Copa.

Valeu 2013, feliz 2014!
(Publicado em 31/12/2013 pelo Jornal Oeste, ...)

terça-feira, 23 de abril de 2013

COPA, O LEGADO AVANÇA

Foto Midianews


José Antonio Lemos dos Santos

     Feliz com o Luverdense subindo na Copa do Brasil e com Cuiabá e Mixto decidindo o Campeonato Mato-grossense, repito que sou um entusiasta da Copa em Cuiabá desde quando esta era só uma remota possibilidade. A expectativa da Copa do Pantanal deixar em Cuiabá um forte legado é entusiasmante, ainda que jamais tenha pensado que ela fosse resolver todos os problemas cuiabanos, ou que fossem viabilizados todos os projetos que oportunizaria, e muito menos que todos os viabilizados fossem concluídos a tempo para a Copa. Contudo, sendo Cuiabá a menor das sedes no país, é nela que um evento global como esse ocasionará proporcionalmente maiores impactos positivos. 
     Nessa perspectiva, após quase 4 anos da escolha de Cuiabá como sede da Copa do Pantanal, como cidadão transeunte e baseado nos noticiários já dá para estimar a quantas anda o esperado legado, um legado não só de investimentos públicos, mas também privados. Aliás, foi do setor privado que vieram as primeiras respostas ao desafio da Copa. Muito mais ágil e desembaraçado que o setor público, de imediato o segmento hoteleiro tomou a iniciativa desencadeando uma série de novos empreendimentos, ampliações, e mesmo resgate de antigos projetos, alguns já inaugurados, outros com obras em andamento. Como exemplo cito a revitalização das obras do Hotel Global, paradas há décadas, e o magnífico resort em Manso em construção. Da iniciativa privada vieram ainda a instalação de novas redes comerciais com grandes lojas, a ampliação já concluída do mais antigo shopping comercial de Cuiabá e o lançamento de outros dois grandes shoppings, um destes o primeiro em Várzea Grande. Grande destaque são os R$ 400 milhões da fábrica de cimento inaugurada este mês no Aguaçu. Só estes investimentos privados já validariam a Copa do Pantanal em Cuiabá. 
Foto Midianews

     Já o setor público custou a deslanchar por motivos que não cabem neste artigo, mas dentre estes a ausência de um sistema de planejamento urbano em Várzea Grande e a desestruturação do insipiente que existia em Cuiabá, justo quando mais seria útil. De fato nem tudo aquilo que a Copa oportunizou foi viabilizado, como um teleférico na Chapada, e muito do que chegou a ser planejado foi depois abandonado, como o trecho final da Avenida Parque do Barbado. Mas a cidade virou um canteiro de obras públicas e privadas, muitas em ritmo de três turnos, infernizando a vida de muita gente, como já se previa, drama amenizado pelo encantamento das obras tomando forma dia a dia diante dos olhos, muitos ainda incrédulos. A Copa está viabilizando obras que continuariam a ser enroladas no tempo como o aeroporto, ou que jamais sairiam como as magníficas interseções em trincheiras e viadutos da Miguel Sutil, Fernando Correa, CPA e FEB, a implantação do VLT, os Centros Oficiais de Treinamento na UFMT e em Várzea Grande, a duplicação da Mário Andreazza, o recém- assumido Contorno Oeste do Rodoanel ligando o Trevo do Lagarto à estrada da Guia, dentre muitas outras obras e serviços em implantação. O legado positivo avança. 
     Será importante que todas as obras fiquem prontas e funcionando bem para o grande evento global, com a cidade sendo exibida para o mundo. Esse esforço tem que ser perseguido e cobrado sempre. Porém, caso algumas não fiquem prontas a tempo, é fundamental que atinjam um patamar de irreversibilidade a partir do qual terão que ser concluídas, mesmo após a Copa. Contudo, o maior benefício da Copa para Cuiabá não está nas obras, mas na chacoalhada que está dando em seus habitantes, cidadãos, líderes e autoridades, elevando-os à altura dos desafios e oportunidades do momento histórico de desenvolvimento que a cidade vive, discutindo projetos, pensando e construindo o futuro.
(Publicado em 23/04/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

VALEU 2012, VIVA 2013!


José Antonio Lemos dos Santos


     Saudando este ano novo relembro, como fiz no início do ano passado, que a Grande Cuiabá vive o melhor momento de sua história e chega também a 2013 na perspectiva de mais um ano forte, cheio de situações extremas, positivas e negativas, que exigirão de seus dirigentes decisões ou omissões importantes marcantes para a cidade do futuro, para o bem ou para o mal. Ao cidadão cabe uma participação ativa nesse processo com a crítica propositiva do aplauso e da reprovação, do apoio e da cobrança, e sua ação ou omissão também serão decisivas para a cidade do futuro. Cobrar como na Bicicletada do “Movimento Ciclovia Já!”, em maio. Nós, cuiabano-várzeagrandenses – dirigentes e cidadãos - vivemos este momento mágico da cidade com a responsabilidade de otimizar suas oportunidades, agora em especial os projetos da Copa, iniciados ou não, cobrando qualidade em tempo hábil à preparação da cidade para a Copa e para seu tricentésimo aniversário em 2019. Melhor, a cidade para nossos descendentes, para sempre.
     2012 foi bem. Projetos públicos e privados reviram a cidade num canteiro de obras superando o pleno-emprego e a marca das mil vagas de trabalho não preenchidas. A iniciativa privada saiu na frente e já produz seus primeiros frutos: hotéis inaugurados ou em construção, grandes lojas e marcas se instalando ou em ampliação, o primeiro shopping é triplicado junto com o lançamento de 2 outros grandes shoppings, começa a produção de cimento em Aguaçu e empreendimentos imobiliários espetaculares são lançados e inaugurados. Destacam-se ainda a visita dos chineses querendo construir a ferrovia Rondonópolis-Cuiabá-Santarém e a reativação da Termelétrica e do gasoduto. Na área pública a Arena Pantanal avança e as obras de mobilidade urbana enfim saíram do papel com as interseções viárias e o VLT, com promessa de inaugurações mensais ao longo do ano. Saiu até a Ordem de Serviço para as obras do Aeroporto Marechal Rondon.  Viva!
     Salta ainda à memória de 2012 o Mixto, cheio de problemas, sagrando-se campeão da Copa Mato Grosso, o Cuiabá Arsenal chegando ao bicampeonato brasileiro de futebol americano e a vinda a Cuiabá de mais de 6 mil pessoas para realização das Olimpíadas Escolares 2012, a maior competição esportiva estudantil do país. Serviu também para testar a cidade em eventos de grande porte.  E o resultado foi bom.
     Hoje é o primeiro dia do ano, dia da Paz e também dia do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Como já disse em outros artigos, para mim a Copa do Pantanal foi um artifício do Bom Jesus para dar um choque de adrenalina no seu povo – cidadãos e autoridades – para cair a ficha de que a cidade vive um novo tempo e que é preciso prepará-la para a festa da Tricentenário. Um choque positivo de futuro, para discutir e executar projetos, ainda que tenha muita gente pensando a cidade pelo retrovisor. Nesse sentido, o maior desafio é fazer a cidade institucional chegar à altura da cidade real que esbanja vitalidade, dinamismo e desenvolvimento, centralizando uma das regiões mais dinâmicas do planeta.
     2012 trouxe também as eleições municipais com a escolha dos novos dirigentes da cidade – prefeitos e vereadores, aqueles que ficarão com a responsabilidade perante o mundo de acompanhar a reta final da preparação urbana para a Copa do Pantanal. Figuras novas na política, gente com um grande futuro pela frente, futuro que se confunde com o futuro da cidade. Poderão ser também os dirigentes do Tricentenário. Têm tudo para ser. Boa sorte para eles e para a cidade. Feliz 2013!     

terça-feira, 31 de maio de 2011

COPA DO PANTANAL, 2 ANOS

José Antonio Lemos dos Santos


     O que são 2 anos em termos de tempo? Em alguns casos podem parecer muito, em outros não. Por exemplo, parece que foi ontem que lá das Bahamas o senhor Joseph Blatter anunciou Cuiabá como uma das sedes da Copa de 2014 no Brasil. Apesar de carregada com forte sotaque, poucas vezes a palavra Cuiabá soou tão bonita. E esses 2 anos passaram rapidinho. Antes de escrever, confesso que tive até que confirmar nas matérias da imprensa se realmente haviam passado 2 anos. E passaram.
     O problema é que faltam pouco mais de 2 anos iguais a estes que já se foram para que Cuiabá se apronte para a Copa. Em evento dessa responsabilidade, com obras de grande porte, não se pode pensar em cronogramas sem ao menos 6 meses como margem de segurança, em função de eventuais contratempos normais em qualquer obra, ainda mais no Brasil, onde a pretexto de evitar práticas corruptas criou-se um cipoal jurídico-burocrático que atrapalha as obras e a implantação de serviços mas que não tem funcionado como obstáculo à corrupção. Assim, o planejamento só pode ir até 2013. Dentro da lei, é preciso acelerar processos, multiplicar turnos e, sobretudo, focar no produto a ser entregue em tempo hábil e com qualidade, qual seja, a cidade pronta e funcionando para as Copas das Confederações e do Mundo.
     Quase a meio do caminho já se pode avaliar como as coisas estão indo, em especial quanto ao esperado legado pós-Copa. Para Cuiabá esse legado é fundamental pois talvez seja a única das sedes da Copa que pagou um preço à vista por ele, com a rápida demolição do antigo Verdão, ficando sem o seu belo estádio, o único olímpico do estado, que poderia ser importante como apoio na preparação atlética do país para as Olimpíadas em 2016. Agora tem que compensar, e muito bem.
     A avaliação é favorável. O primeiro impacto positivo é na auto-estima do cuiabano, refletindo na forma de encarar seu próprio desenvolvimento. Superando o ceticismo e incredulidade iniciais após a alegria com a escolha da FIFA, logo entendeu a grandeza e significado da vitória. Hoje a cidade respira futuro debatendo projetos e obras, postura essencial a uma cidade que polariza uma das regiões mais dinâmicas do planeta e que antes da Copa já vivia um admirável boom de desenvolvimento. A iniciativa privada responde com empreendimentos desde os menores até as fábricas de cimento em Aguaçu e Rosário Oeste, passando por grandes conjuntos habitacionais, dois hotéis inaugurados, cinco em construção e mais dois em projeto. Pena que nesse ínterim a prefeitura, na contra-mão da história, extinguiu o IPDU, órgão voltado para o futuro da cidade, fundamental a cidades do porte de Cuiabá. E de imediato aprova uma nova Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano, sem as explicações e discussões técnicas públicas cabíveis.
     Pelo lado do estado foi criada a Agecopa, uma agência necessária à centralização dos assuntos referentes à Copa. Independente de seu formato, cuja discussão agora seria extemporânea, a Agecopa vem tocando aparentemente bem as obras da Arena Multiuso enquanto desenvolve os projetos das demais intervenções, etapa que se espera em conclusão para início imediato das obras. Falha gritante foi a não adequação do Dutrinha de forma a não prejudicar, como já prejudicou os times locais nas suas disputas. Temos ainda a temer a indefinição quanto à tecnologia básica para o novo sistema de transporte público. Mas o pior de tudo é a vergonhosa postura da Infraero que até hoje não tem sequer o projeto para o novo Aeroporto Marechal Rondon. Considerando a defasagem de décadas do principal aeroporto de Mato Grosso, esta situação realmente é um acinte da empresa para com Cuiabá, Mato Grosso e ao grande projeto nacional da Copa do Mundo de 2014.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 31/05/2011)