"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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terça-feira, 12 de junho de 2018

COPA DO PANTANAL, 4 ANOS

Foto EsportesTerra
José Antonio Lemos dos Santos
     O cuiabano sempre foi amante do futebol. Na minha infância jogava-se bola em qualquer lugar com qualquer objeto de aparência esférica que aparecesse, um papel amassado, uma laranja e às vezes até uma tampinha de garrafa abandonada no pátio da escola, com dois “bambolês” de traves. Porém nem mesmo o mais apaixonado cuiabano amante do futebol havia sequer pensado que um dia Cuiabá pudesse sediar uma Copa do Mundo, o olimpo mundial de tão querido esporte. E não é que aconteceu? No próximo dia 13 de junho já se completam 4 anos do primeiro jogo da Copa do Pantanal, evento que foi até o dia 24 do mesmo mês, abrindo com Santo Antônio e fechando com São João. Contudo, um triste processo de desconstrução política a faz parecer bem mais distante, já quase esquecida. Mas não dá para esquecê-la fácil.
     Junho de 2014 chegou com os primeiros turistas. O primeiro, Cristian Guerra, chileno, chegou depois de 4 meses de viagem de bicicleta. E logo chegaram aos milhares, alegres, dando aula de como torcer aos brasileiros. Os chilenos uníssonos com seus “chi-chi-lê-lê”, os australianos de cangurus e coalas. E também vieram os russos, nigerianos, coreanos, os bósnio-herzegovinos, colombianos e os japoneses ensinando civilidade ao limpar a Arena após o jogo, lição usada pela torcida do Cuiabá no primeiro jogo de seu time após a Copa, mas ficou só nesse primeiro e depois esqueceram. Podiam relembrar.
FotoJoséLemos
     Os colombianos trouxeram sua rainha, a bela Shakira e deixaram a lembrança do gol de James Rodriguez, escolhido por ele como o seu mais bonito, ele que depois foi eleito o Craque das Américas e que chegara como mero substituto do então astro maior colombiano machucado. Veio Bachelet, a presidente do Chile, Wolverine, o príncipe da Austrália e outras personalidades globais que nem foram percebidas em meio a turba alegre e festiva que lotou a Arena, o Fan Park, a Arena Cultural e a Praça Popular ponto de encontro de todas as torcidas. Fora dos jogos e das festas, o Centro Geodésico foi lugar de visitação constante, com os turistas sul-americanos procurando suas capitais no piso do marco.
     Ao final as pesquisas noticiadas constataram que 91,6% dos visitantes aprovaram Cuiabá e recomendariam Mato Grosso como destino turístico. Em pesquisa do Ministério do Turismo 99% dos visitantes escolheram Cuiabá como a sede mais hospitaleira e a Arena Pantanal foi a preferida entre os jornalistas estrangeiros pelo site UOL, logo a UOL, sempre tão dura com Cuiabá. Até o New York Times se rendeu àquela que chamou de “a menor das cidades-sede”. Quer mais?  Mais importante, cerca de três quartos da população local aprovaram as transformações trazidas pela Copa e acham que a cidade não passou vergonha, isso a 4 anos atrás, quando bem menos obras estavam concluídas ou em uso.
Foto José Lemos
     Mas para Cuiabá a Copa vai além dessa festa tão bonita. Ela elevou sua autoestima e ensinou o cuiabano a cobrar pelas obras e serviços públicos a que tem direito pressionando-o a continuar cobrando a conclusão de todo o legado prometido de obras públicas e que ainda estão a exigir muita atenção e cobrança pela população. Mas, uma vez aprendido, no rastro da cobrança das obras da Copa, que sejam cobradas também as demais obras públicas, muitas das quais vêm de bem antes da Copa e ainda se arrastam sem perspectivas de conclusão.
    O importante é que a Copa do Pantanal, o evento em si, aconteceu com enorme sucesso em todos os sentidos, superando as expectativas dos maiores otimistas. Para aqueles que apostavam que a cidade seria o “patinho feio” da Copa no Brasil, Cuiabá acabou se mostrando como um belo tuiuiú serenando bonito no alto, para depois se assentar vitorioso no chão, como na letra do siriri tão conhecido.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014, PARA SEMPRE

Foto José Afonso Portocarrero

José Antonio Lemos dos Santos

     E o ano que parecia nunca chegar acabou chegando, 2014, o ano da Copa do Pantanal, e agora estamos no seu final e está virando passado. Para Cuiabá, um ano que não cabe em um artigo. Sem dúvida, 2014 foi um ano muito especial para Cuiabá que iniciou e viveu seu primeiro semestre sobre a forte tensão do maior desafio que a cidade jamais enfrentou, o de receber o maior evento de massa do planeta, uma Copa do Mundo de Futebol. Em seu maior momento, sucesso ou vergonha? 
     Cuiabá teria que se transformar em pouco tempo recebendo por isso o maior pacote de investimentos de sua história, ao todo 56 grandes obras públicas, fora os investimentos privados em shoppings, hotéis e até uma fábrica de cimento. 2014 chega com a cidade de pernas para o ar, esburacada, congestionada. O povo, mesmo irritado, jamais perdeu a esperança de que tudo seria para o bem da cidade. Uma esperança sofrida e desconfiada, embalada por um lado pelas obras que evoluíam aos trancos e barrancos e, por outro, pela cantilena orquestrada e maldosa dos grandes interesses preteridos com a escolha de Cuiabá, e pelo fel invejoso da politicagem local despeitada. Para a imprensa esportiva nacional, contrária a Cuiabá desde que escolhida, seria o grande fiasco nacional. Botaram até fogo na Arena ainda em obras.
     Logo as primeiras obras são liberadas e em 2 de abril vem o primeiro jogo na Arena Pantanal com o empate sem gols entre o Mixto e o Santos. Depois o Luverdense bateu o Vasco e o Cuiabá empatou com o Inter, merecendo vencer, todos com o público máximo liberado. A Arena encantou a todos e a expressão mais ouvida entre os torcedores felizes era “nem parece que estamos em Cuiabá!”, na verdade expressando a surpresa da descoberta de que Cuiabá podia ser assim, sim. E pode!
     Junho chegou trazendo os primeiros turistas. O primeiro, Cristian Guerra, chegou depois de 4 meses de viagem de bicicleta. E logo chegaram aos milhares, alegres, dando aula de como torcer aos brasileiros. Os chilenos uníssonos com seus “chi-chi-lê-lê”, os australianos de cangurus e coalas. E também vieram os russos, nigerianos, coreanos, os bósnio-herzegovinos, colombianos e os japoneses que ensinaram civilidade ao limpar a Arena após o jogo, lição usada pela torcida do Cuiabá no primeiro jogo de seu time após a Copa. 
     Os colombianos deixaram a lembrança do gol de James Rodriguez, escolhido por ele como o seu mais bonito, ele que agora foi eleito o Craque das Américas e que chegara como mero substituto do então astro maior colombiano machucado. Veio Bachelet, a presidente do Chile, veio Shakira, a rainha da Colômbia, Wolverine, o príncipe da Austrália e outras personalidades globais que nem foram percebidas em meio a turba alegre e festiva que lotou a Arena, o Fan Park, a Arena Cultural e a Praça Popular ponto de encontro de todas as torcidas. Fora dos jogos e das festas, o Centro Geodésico foi lugar de visitação constante. 
Foto José Lemos

     Ao final as pesquisas noticiadas constataram que 91,6% dos visitantes aprovaram Cuiabá e recomendariam Mato Grosso como destino turístico. Pesquisa do Ministério do Turismo 99% dos visitantes escolheram Cuiabá como a sede mais hospitaleira e a Arena Pantanal foi a preferida entre os jornalistas estrangeiros pelo site UOL, logo a UOL, sempre tão dura com Cuiabá. Até o New York Times se rendeu àquela que chamou de “a menor das cidades-sede”. Quer mais?
     Mais importante, cerca de três quartos da população local aprovaram as transformações trazidas pela Copa e acham que a cidade não passou vergonha. Findo o primeiro semestre, tudo o que veio após foi acessório, fora alguns momentos. Mas, estes só em outro artigo.
(Publicado em 31/12/2014 pelo site Midianews, CAU-MT, em 02/02/15 pelo Diário de Cuiabá ...)

Comentários fora do Blog:
No Gmail:
"em 02/02/15 José Afonso Botura Portocarrero:
Beleza de texto José Antonio,
Obrigado pelo crédito da foto também,
Feliz Ano Novo para você, Lídia e família,
VIVA 2015!"

"Em 03/01/15 Juliana Demartini:
Feliz 2015, Zé!!!
Espero que seja mais um ano positivamente movimentado como foi 2014!
Entre outras coisas, tomara que as obras da Copa sejam finalizadas e que os turistas continuem visitando nosso estado e levando boas lembranças da nossa terra e do nosso povo!
Obs.: será que fui eu a trimilionésima passageira??? Tenho andado muito pelo aeroporto... de repente!!!"

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

DA COPA AO TRICENTENÁRIO

José Antonio Lemos dos Santos
     O presente é o futuro que acabou de passar e virou passado. Rapidão, a Copa do Mundo já passou em termos de planejamento. Tudo o que tinha que ser feito ou dava para ser feito já devia ter sido planejado. Se ainda não foi tem que sê-lo já, mas atrasado. Agora é executar, concluir, fazer os acabamentos, treinar procedimentos, testar sistemas, e fazer a festa da melhor maneira possível, agregando o máximo que o grande evento possa trazer para a cidade e sua gente.
     Ainda que nos limites de seus cronogramas, existem diversos projetos que avançam a tempo da Copa, sem que por isso deixem de preocupar. Mas ainda tem diversos outros, essenciais ao funcionamento da Copa, que vão exigir dos cuiabanos muita cobrança às autoridades para que fiquem prontos a tempo. Destes, lembro os Centros Oficiais de Treinamento. Sem eles as seleções não terão onde treinar nos dias que permanecerão na cidade. O estágio de suas obras atemorizam. Só para a grama ficar em condições é preciso 90 dias. Situação de alarme, também na Avenida da FEB e seu viaduto com a Orlando Chaves. Ao menos esse trecho tem que estar tinindo de bonito para a chegada dos visitantes. Seu ritmo de obras também apavora. Preocupa ainda o Fan Park, bela criação da Fifa para deixar um amplo espaço urbano como lembrança positiva da Copa nas cidades onde acontece, a ser usado depois como parque ou generosa praça de eventos e lazer. Até agora nada. Sem cobrança dura, vai ficar uma área malemá coberta com brita, como nos estacionamentos improvisados da maioria de nossas grandes festas públicas. Poeira, desconforto e vergonha. A cidade tem direito a essa lembrança urbanística. Quanto ao mais singular potencial turístico da cidade, até hoje não vi nada referente ao Centro Geodésico. Só Cuiabá tem. Embora não essencial à Copa os turistas adoram esses lugares únicos, e seria imperdoável aos cuiabanos não exibi-lo com orgulho.
     Mas o planejamento vive do futuro e a Copa já é passado. Tenho repetido que essa bem vinda Copa foi um artifício do Bom Jesus de Cuiabá para sacudir e sintonizar seus conterrâneos no novo tempo de desenvolvimento que sua terra vive, preparando-a para o Tricentenário, a grande efeméride cuiabana no século. O pique de transformações trazido pela Copa não pode parar com a conclusão do evento, pois, na verdade esse é o pique da cidade que hoje centraliza uma das regiões mais dinâmicas e produtivas do planeta, e não vai parar. O diferencial da Copa é que ela trouxe o desafio de investimentos públicos e privados em valores jamais vistos pela cidade, concentrados em curto e improrrogável prazo, e não mais cairão do céu. O próximo desafio é mantê-los em patamares próximos, pois a cidade e o estado ainda demandam grandes investimentos, recursos que o mato-grossense produz com sobra e tem direito de exigir. Mostrando que quando se quer, faz, a Copa destruiu o antigo álibi da pobreza, desculpa sempre usada pelas autoridades brasileiras para deixar de fazer o que o povo precisa.
     Para manter o pique é preciso uma nova meta que seja de todos, com prazo fixo e improrrogável como foi a Copa. E essa nova meta salta da história, o Tricentenário de Cuiabá, com letra maiúscula das efemérides, em 2019, daqui a apenas 5 anos. É preciso gerar uma nova matriz de responsabilidade não com a FIFA, mas do cuiabano com sua cidade e do mato-grossense com sua capital. Restará ainda muita coisa da Copa a ser concluída, e muitos novos projetos para desenvolver e executar até tricentésimo aniversário. Nenhum presente será melhor para Cuiabá em seus trezentos anos do que ela própria elevada a novos patamares de urbanismo e civilidade, arranjo iniciado 10 anos antes, em 2009, assim que a cidade ganhou a sede da Copa do Pantanal.
(Publicado em 28/01/2014 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, RepórterMT, Página do Enock, Blog do José Lemos, ...)



O pres

terça-feira, 18 de junho de 2013

A UM ANO DA COPA

José Antonio Lemos dos Santos

     A iniciativa do Tribunal de Contas de Mato Grosso de acompanhar dia a dia tecnicamente as obras da Copa do Pantanal publicando a cada mês os resultados vem servindo como uma das referências da população quanto ao progresso na preparação da cidade para a Copa do Pantanal. Em um conjunto de obras com data marcada para inauguração não teria o menor sentido uma avaliação a posteriori do Tribunal, pois em caso de problemas o leite já estaria derramado. Nem teria igual credibilidade o mesmo tipo de trabalho apresentado pelo próprio órgão responsável pela execução das obras, a Secopa, que também foi sábio suspendendo a publicação de seus relatórios, evitando as divergências tão comuns em relatórios paralelos, que só confundiriam a opinião pública. O bom é que numa situação tão especial como a Copa, Cuiabá disponha de um relatório técnico mensal dos mais insuspeitos e confiáveis para o acompanhamento das obras. Nada pelo qual se possa por a mão no fogo, mas que em conjunto com o trabalho da imprensa serve como um bom referencial, cuja existência desconheço em outras sedes da Copa. 
     A leitura e divulgação desses relatórios exigem, entretanto, um cuidado especial, pois se referem a dados de um determinado mês que são analisados e processados no mês seguinte, e divulgados no início do segundo mês subsequente. Existirá sempre um espaço de tempo de no mínimo 1 mês entre o que está no relatório e a realidade vista pelo cidadão na obra, defasagem que pode chegar a 2 meses na véspera da apresentação do relatório seguinte. Agora, por exemplo, em meado de junho, o último relatório está defasado em 1 mês e meio em relação ao tempo real da obra e isso faz muita diferença em obras aceleradas. Esta observação em nada diminui a confiança nos relatórios mensais do TCE, visa apenas a ajudar a esclarecer o cidadão da razão das obras estarem geralmente à frente dos relatórios. 
     Pelos relatórios e o senso comum as obras avançam, ainda que em velocidades diferentes, com algumas poucas ainda nem iniciadas. O importante é que as obras fundamentais para o funcionamento da Copa do Pantanal estejam em condições de conclusão em tempo hábil. Segundo o último relatório referente a abril, a Arena Pantanal encontrava-se com um mês de atraso no cronograma e teve seu ritmo de obras acelerado com mais um turno de trabalho. Como a conclusão está prevista para outubro próximo, pode ser considerada uma obra sem problemas para a Copa e até mesmo para seu primeiro evento com a seleção brasileira na primeira quinzena de janeiro conforme anunciou domingo passado o secretário da Secopa. As obras do aeroporto estão aceleradas e já podem ser vistas em rápida evolução. A trincheira do Zero Km e o viaduto do Cristo Rei também avançam bem ainda que atrasadas. Atenção especial merecem os COTs, o Fan Park, obras de compromisso com a Fifa, e a ligação da Rua Antonio Dorileo com a Beira-Rio, essencial para aliviar o fluxo da Fernando Correia, cuja ponte sobre o Coxipó foi iniciada agora. 
     Importante é que a um ano da Copa as coisas parecem caminhar bem no sentido do grande legado de benfeitorias públicas e privadas para a cidade, ainda que demandando muito trabalho duro em turnos extras na maioria das obras. Parece inclusive que a população começa a acreditar nas estruturas que despontam, apesar dos transtornos, como bem mostrou neste domingo a Caminhada pela Copa organizada pela Secopa com mais de 14 mil pessoas, 11.500 inscritas quando a expectativa inicial era de 5 mil. Não é qualquer lero-lero que reúne o povo assim numa manhã de domingo com o sol cuiabano tinindo de bonito. Agora, temos a reta final de 1 ano exigindo muito mais sacrifícios, cobrança e trabalho. 
(Publicado em 18/06/2013 pelo Diário de Cuiabá)

Midianews





terça-feira, 28 de maio de 2013

DE OLHO NAS OBRAS

Viaduto do Despraiado - Secom


José Antonio Lemos dos Santos

     No próximo 31 de maio completam 4 anos da escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Aliás, mesmo antes da escolha o assunto já se desenvolvia, ao menos desde 2006 quando de uma visita do então presidente da CBF a Cuiabá, momento em que o então governador Blairo Maggi percebeu que a capital mato-grossense poderia disputar nacionalmente uma das sedes, ainda só 10 naquele momento em que nem o Brasil havia sido escolhido para a Copa. Nem sequer se pensava que uma das sedes seria no Pantanal. De lá para cá muita coisa aconteceu. Acho que dá até para identificar os anos de 2006 até 2012 como uma fase heroica neste monumental processo da Copa em Cuiabá. Primeiro um momento de grandeza de visão e coragem para decidir entrar numa arriscadíssima disputa que nem o maior dos otimistas poderia sequer imaginar, quanto mais vencer. Depois uma etapa da competência técnica e política na preparação de informações e planos para convencimento da FIFA de que Cuiabá deveria ser a escolhida, superando outras belas e até melhor preparadas cidades brasileiras concorrentes. 
     Cuiabá venceu e imediatamente teve que cair na realidade de que aquele momento que vivia não era um sonho. Ou por outra, era sim um sonho, mas um sonho real que trazia junto a obrigação de se preparar adequadamente para um dos maiores eventos do planeta, uma imensa responsabilidade não só perante si própria, mas perante o Brasil e o mundo. A menor das sedes e para muitos, a menos preparada. O patinho feio com a obrigação de mostrar-se em pouco tempo como um belo cisne capaz de agradar ao mundo. Uma tarefa hercúlea por si só e que contava ainda com o agravante de poderosa oposição de algumas das cidades preteridas, que vez por outra ainda vocifera incrustada em alguns setores da imprensa nacional, bem como de compreensíveis vozes discordantes locais, desde aquelas questionando investir na Copa, ao invés de na saúde ou na educação, até aqueles crentes de que a Copa seria apenas um pretexto para uma enorme roubalheira pública, ou aqueles outros para os quais sempre nada dará certo, posição que vai desaparecendo à medida em que as obras avançam. 
     Acontece que Cuiabá, aos trancos e barrancos vem superando todas estas etapas e hoje desapareceram aqueles riscos da cidade perder a Copa e dos investimentos públicos e privado não acontecerem. Muito ao contrário, a cidade é um grande canteiro de obras e vive um momento de superofertas de vagas de trabalho em todas as áreas da economia. Carros de som percorrem os bairros oferecendo vagas. Alguém já tinha visto isso? Os principais investimentos sacrificam a mobilidade urbana cotidiana, mas tomam forma aos nossos olhos, tais como a Arena, o aeroporto, viadutos, trincheiras, pontes, novas avenidas, a fábrica de cimento, shoppings, torres hoteleiras e de apartamentos, grandes lojas, etc., tudo em um ambiente de euforia e grandes perspectivas. Se outro dia o ambiente era de incredulidade quanto às obras, hoje é de crescente encantamento com o desenvolver delas. 
     O risco é passar da fase heroica para uma de deslumbramento, esquecendo que quase tudo ainda está por fazer em menos de 1 ano. Mesmo que a maior parte das obras já tenha sido iniciada, se encontre em ritmo acelerado e em estágios de irreversibilidade, é preciso continuar cobrando, criticando e aplaudindo quando necessário. Cadê o Fan Park? Como o VLT se integrará aos demais modais de transporte? Que modelo de gestão será adotado para o transporte público metropolitano, hoje ainda tocado pelas mãos de Cuiabá, de Várzea Grande e do governo do estado, nem sempre concordantes? Assim como o olho do dono é que engorda o gado, o bom olho do cidadão é que deve cuidar da cidade. 
(Publicado em 28/05/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A VOLTA DO FAN PARK

Estudo (2010) para o novo Shopping Popular (arquiteto Ademar Poppi)  www.grandecpa.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     A rápida intervenção do governador Silval Barbosa reafirmando a instalação do Fan Park na região do Porto fez retornar o bom-senso ao assunto. Além disso, resgatou para Cuiabá a perspectiva de um dos principais legados urbanísticos a ser deixado pela Copa do Pantanal. Desde a escolha das sedes da Copa 2014 sempre foi dito que a construção de ao menos um Fan Park em cada cidade-sede era exigência da Fifa, um parque urbano onde os jogos poderão ser assistidos em telões, dedicado aos torcedores que não consigam assistir aos jogos nos estádios, para depois ficar como uma lembrança significativa do grande evento para a cidade. Cuiabá não poderia perdê-lo.
     Essa boa invenção da Fifa veio a calhar, pois Cuiabá, apesar de ser a Cidade Verde, é carente em áreas verdes preparadas para receber seus habitantes, ansiosos por espaços estruturados para atividades ao ar livre, dissipadoras do estresse urbano. Porém, para Cuiabá o Fan Park tem um importância urbanística ainda maior. Fora a criação do novo parque urbano, com sua localização no bairro Dom Aquino, região do Porto, principal acesso da cidade, o Fan Park resolve pelo menos quatro problemas graves de Cuiabá. Primeiro, soluciona a antiga questão da transferência de seu Parque de Exposições, cuja localização ficou inadequada ao próprio funcionamento do Parque, bem como à circulação viária na Grande Cuiabá. Ademais, sua contiguidade ao trajeto do VLT e à uma de suas principais estações possibilita o tratamento conjunto da área dando um tratamento digno ao principal acesso viário do município e centro geográfico da metrópole cuiabana, também revitalizando histórico bairro do Porto, dois problemas antigos da cidade. Mas a maior das possibilidades é a da volta da cidade para o rio Cuiabá e sua recuperação como seu mais importante equipamento urbano, fonte de água e alimento, espaço de lazer ativo e contemplativo, elemento marcante na composição climática, ambiental e paisagística da cidade, além de patrimônio histórico por tudo que representou para a fundação de Cuiabá, para a formação de Mato Grosso e a ocupação deste vasto interior centro-continental.

Estudo para a conexão Cuiabá/Várzea Grande (arquiteto Ademar Poppi) turismomt.wordpress.com


     Arquitetura é a arte de transformar os espaços e assim por formação o arquiteto é um visionário que sempre enxerga a realidade na perspectiva de sua transformação para melhor, imaginando soluções geradoras das maravilhas urbanas construídas pelo mundo inteiro. Aqui também pode ser assim e aquela área do Porto é muito rica em potencialidades. Os projetos da Copa e a decisão do governador reacenderam as esperanças. Mesmo que não existam condições financeiras para se fazer tudo de uma só vez, pode ser elaborado um plano diretor integrando as áreas do Fan Park e a da estação do VLT (com sua nova ponte), chegando até a área do Museu do Rio, Aquário Municipal e Avenida 8 de Abril. Nele podem estar previstos o planetário, o novo Shopping Popular, praça gastronômica, monumentos, fontes e outros projetos a serem construídos à medida das possibilidades, ao longo dos anos. Enquanto não dá para fazer tudo, que seja feito logo o fundamental, isto é, o Fan Park, a reurbanização das avenidas e a transformação da arquibancada da Acrimat em uma Arena Cultural para o Siriri, Cururu e o Carnaval, complementando com o plantio de muitas árvores, a instalação de amplos, confortáveis e seguros passeios públicos, ciclovias e pistas de caminhadas em toda a área. E desde então a entrada da cidade fica assegurada como um espaço digno de uma das sedes da Copa e de uma capital às vésperas de seus 300 anos.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 31/01/2012)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SILVAL CONFIRMA QUE PROJETO DO FAN PARK SERÁ CONSTRUÍDO NO PORTO

26/01/2012 - 11:40
OlharDireto
Da Redação - Marcos Coutinho e Priscilla Vilela

circuitomt.com.br

O governador Silval Barbosa (PMDB) descartou qualquer possibilidade de haver uma mudança no projeto do Fan Park da Copa do Mundo de 2014, conforme anunciado pelo próprio governo na última semana. A obra será em uma área do bairro Porto, em Cuiabá, onde hoje está o Parque de Exposições.
“Não houve mudança do local do projeto como foi especulado por alguns setores da imprensa. O projeto Fan Park será na região do Porto, onde consta no projeto”, declarou o líder do Palácio do Paiaguás em entrevista exclusiva ao Olhar Direto na manhã desta quinta-feira (29).
Ainda segundo Barbosa, a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e Dom Miltom, arcebispo de Cuiabá, propuseram uma área na região do Centro Político Administrativo (CPA) para a realização de alguns eventos. Essa proposta será avaliada pelo governo, contudo, Barbosa garante que não haverá alteração no projeto inicial.
No último sábado (21) a Secretaria da Copa (Secopa) anunciou que a Fifa Fan Fest – local de realização de eventos da Copa – seria transferida para a região da Morada do Ouro para proporcionar um maior alcance social a população. A área chegou a ser visitada pelo Secretário Extraordinário para assuntos da Copa Eder Moraes e pelo próprio Silval.
A decisão inclusive seria apresentada em Recife no Pernambuco durante o 2º Workshop sobre Fan Fest ainda nesta semana, onde serão definidos os locais para implantação das estruturas nas 12 cidades-sede. Entretanto, repercussão negativa sobre a opção, a ‘cúpula’ da Copa em Cuiabá e o governador enfatizam a manutenção do projeto inicial.
“Quero deixar claro que o Fan Park será realizado na região do porto e ponto final. A área oferecida pela Fiemt e pelo arcebispo Dom Milton poderá ser utilizada, mas o projeto vai ser executado no porto”, reiterou o chefe do executivo mato-grossense.
(http://www.olhardireto.com.br/)
Matéria semelhante no Midianews http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=14&idnot=75796
(Imagem da internet adicionada na postagem pelo Blog)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O FAN PARK DE CUIABÁ

José Antonio Lemos dos Santos


     No último sábado o Governo do Estado informou que a Fifa Fan Fest acontecerá na Morada do Ouro e não mais no Dom Aquino, região do Porto, centro da Grande Cuiabá. A Fifa Fan Fest é um evento que acontece durante as Copas do Mundo, destinado aos torcedores que não puderem ir aos estádios, seja nas sedes dos jogos ou em outras cidades do mundo escolhidas pela Fifa. É para “ser o segundo melhor local para torcedores de todo o mundo compartilharem momentos emocionantes, conhecerem a missão da Fifa, terem contato com as marcas dos patrocinadores e comemorarem o clima único que uma Copa do Mundo da Fifa proporciona”, segundo o site da entidade maior do futebol.


Imagem: turismomt.wordpress.com

     Para a realização da Fifa Fan Fest de Cuiabá estava programada a criação de um Fan Park, local preparado para receber os torcedores e que ficaria como um dos principais legados da Copa para a cidade. Por isso foi viabilizada a transferência do Parque de Exposições liberando uma área suficiente para receber além da Fifa Fan Fest, um conjunto de equipamentos tais como planetário, museu, uma arena cultural e até um novo Shopping Popular, o que daria um novo e digno aspecto urbanístico à principal entrada de Cuiabá. Por estar bem no centro da área metropolitana e colada a um dos futuros eixos do VLT, é uma das regiões mais acessíveis por transporte coletivo ou individual em suas diversas formas. O rio Cuiabá lhe assegura o caráter icônico local exigido pela Fifa. Era um dos projetos mais aguardados pela cidade dentre os programados para a Copa. No mês de dezembro passado essa proposta para o Fan Park foi mostrada a uma comissão da Fifa que esteve no local e que aparentemente ficou satisfeita com o que viu.
                
circuitomt.com.br 
     Nem bem passou um mês da visita, eis que o governo surpreende com a notícia da mudança dos planos. Qual teria sido o motivo? Seria falta de recursos para fazer o parque em sua totalidade? Sendo assim, podia manter a festa e o projeto do Fan Park no local, deixando as demais edificações para o futuro, e a cidade não perderia o parque. Ou teria a ver com a recente doação do espaço do atual Shopping Popular pela prefeitura? Nada contra a cessão, mas não podia ser em área de acordo com o projeto do Fan Park? Teria havido algum obstáculo em relação à liberação da área pelo município? É preciso que fique claro de quem é culpa por Cuiabá estar perdendo esse precioso equipamento.
                                                                   
circuitomt.com.br
     Por outro lado o novo local escolhido não tem os mesmos privilégios quanto à acessibilidade e situa-se onde está localizado o Memorial João Paulo II, área onde o Papa rezou a missa quando esteve em Cuiabá. Quando o estado cedeu a área havia o propósito de se implantar o Memorial como um espaço sagrado, amplo e digno de reverenciar o grande Papa e sua presença naquele local, como a Igreja vem realizando. Agora João Paulo II está sendo santificado pela Igreja, ampliando o valor daquele pedaço de chão cuiabano, um espaço a ser tratado como um local santo, condignamente preparado para receber católicos da região e de todo o mundo que por aqui passarem.

circuitomt.com.br
     A perda do Fan Park é uma grande redução nas expectativas do legado da Copa para Cuiabá e é uma decisão que poderia ser revista. Mesmo assim, sempre torcendo pelo sucesso da Copa do Pantanal e de sua Fifa Fan Fest, onde quer que aconteça, como arquiteto e urbanista, técnico e cidadão cuiabano, tenho que protestar contra a qualidade da imagem de divulgação do novo projeto, uma imagem que terá circulação mundial. Aquilo não está à altura de um evento de envergadura global, nem de uma cidade que abriga duas faculdades de Arquitetura.
midianews.com.br

(Publicado sem as imagens pelo Diário de Cuiabá em 24/01/12)