"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

ELEIÇÕES E O "LIVRINHO"


José Antonio Lemos dos Santos

     O atual momento político deveria ser suficiente para nos lembrar o dia 2 de dezembro de 1945, completos 76 anos na semana passada, quando foi eleito presidente da República o cuiabano Eurico Gaspar Dutra. Faltando ainda quase um ano para as eleições presidenciais de 2022, o assunto já é o mais comentado no país ao lado das repetidas juras de amor à Constituição Brasileira, estas geralmente emoldurando alguma grave ofensa a ela. Pululam candidatos e afrontas a Carta Magna. Eleições e Constituição, pautas de hoje, com muito a ver com a eleição de 45 que trouxe à luz um novo texto constitucional e elegeu um presidente obcecado em respeitá-lo e em garantir sua consolidação.

     Apesar das semelhanças, a eleição de 45 só foi lembrada por Alexandre Garcia em seu canal na Internet, aliás, a mesma plataforma que abriga há tempos o vídeo de um professor bancando o idiota, ou vice-versa, fazendo palhaçada com a História, tentando ridicularizar um ex-presidente do Brasil, justo um de seus maiores homens públicos e um dos mais importantes governantes do país, o presidente Dutra. 

      A grandeza de Dutra vem de sua origem humilde. Menino, vendia nas ruas de Cuiabá bolinhos feitos por sua mãe, viúva de combatente da guerra do Paraguai e foi lavando pratos na lancha e no trem nos quais viajou que chegou à Escola Militar. Orgulhava-se de não ter recebido ajuda das autoridades locais apesar dos apelos de sua mãe, e de, mesmo assim, ter chegado a tempo de ocupar sua vaga na escola e na História. Dutra, apesar das dificuldades foi à luta e sem “mimimis” chegou à Presidência da República, mantendo-se até o fim da vida como grande referência na política nacional. No mínimo merece respeito.

     Foi ele quem “convenceu” o ditador Vargas a convocar eleições democráticas e uma nova Constituinte, rompendo com o chefe de quem foi ministro da Guerra por 9 anos. Tinha respaldo da FEB criada por ele e recém vitoriosa na Europa. Como manter uma ditadura num país que acabara de derrubar as ditaduras nazifascistas? Convocadas as eleições, foi eleito presidente para um mandato de seis anos, e, mesmo sendo o militar mais poderoso do país, Dutra curvou-se aos cinco anos de mandato estabelecidos pela nova Constituição. Aos que temiam a volta de Vargas e lhe propunham ficar mais um ano dizia: “nem um minuto a mais, nem um minuto a menos do que manda o livrinho”. Virou “o homem do livrinho”, referindo-se a Constituição Federal de 46, que ajudou a construir, jurou cumprir e cumpriu. Trazia um exemplar sempre no bolso. Triste contraste ver hoje um senador da República dizer que no Brasil abaixo de Deus vem o STF, e um ministro da Justiça brasileira proclamar que o Brasil vive um regime semipresidencialista com o Judiciário como poder moderador, isto em plena - ou semiplena? - vigência da Constituição de 88.      

     O Governo Dutra foi marcante no desenvolvimento do país. Introduziu o planejamento no Brasil com o Plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida como a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o hoje tão usado conceito de PIB, pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra, inaugurou a CSN e construiu a Usina de Paulo Afonso criando as bases da industrialização no país. Criador do Instituto Rio Branco, base do alto conceito de nossa diplomacia, é dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, até hoje o principal núcleo formador da inteligência estratégica nacional. Também é dele a criação do sistema “S”, e, de quebra, ainda construiu o Maracanã e trouxe a Copa de 50. Mas sua grande obra foi cumprir e ter feito cumprir a Constituição que ajudou a construir, aquela que é considerada até hoje a mais democrática das Constituições brasileiras.


terça-feira, 19 de maio de 2015

DUTRA, O PRESIDENTE ESQUECIDO

f5dahistoria.wordpress.com

José Antonio Lemos dos Santos

     Neste 18 de maio devíamos ter reverenciado Dutra na lembrança de seu nascimento, o cuiabaninho que vendia bolos no centro de Cuiabá e que chegou a presidente da República. Filho de viúva de veterano da Guerra do Paraguai, pobre, sem qualquer ajuda, negada reiteradas vezes pelas autoridades, saiu daqui lavando pratos nas lanchas e trens que o levaram a um colégio militar, e de lá à presidência da República e à História do país. Foi e venceu, mantendo forte influência na política brasileira até o fim da vida. Um orgulho cujo aniversário, entretanto, passou despercebido, em especial, em sua própria terra, da mesma forma como é todos os anos e como foi ano passado, ano da Copa do Pantanal que devia tê-lo como grande homenageado. Dutra foi quem trouxe para o Brasil a primeira Copa do Mundo, em 1950. Presidente, queria mostrar ao mundo um Brasil novo, que deixava de ser rural e se industrializava. Construiu o Maracanã, o maior investimento até então em um esporte ainda não popular no mundo e que, junto com a Copa trazida por ele foi uma das causas da consolidação do futebol como uma das maiores paixões de massa do país e do mundo. 
     Não fosse pela Copa de 50, mesmo assim o aniversário de Dutra deveria ser lembrado. Injustiçado pela história oficial, sua vida pública inicia como ministro da Guerra, onde ficou por 9 anos, o ministro brasileiro mais duradouro, onde criou a FEB e depois, com o apoio dos oficiais vitoriosos contra as ditaduras nazifascistas, forçou a queda do ditador Getúlio. E de ministro foi a presidente pelo voto do povo, tendo sido um dos mais importantes pelas inovações que trouxe ao Brasil. De imediato convocou a Constituinte redemocratizando o país. Eleito para um mandato de seis anos curvou-se à nova Constituição aceitando os cinco anos que ela estabelecia, mesmo sendo presidente e o militar mais poderoso do país. Aos que temiam a volta de Getúlio e lhe propunham um golpe para ficar mais um ano, respondeu: “nem um minuto a mais, nem um minuto a menos do que manda o livrinho”. Virou “o homem do livrinho”, da Constituição mais democrática que o Brasil já teve, assinada por ele, trazida sempre em seu bolso. 
     Dutra introduziu o planejamento no Brasil com o Plano SALTE e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida com a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o conceito de Produto Interno Bruto e pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra. Criou o Instituto Rio Branco, base da qualidade de nossa diplomacia, e a Chesf. É dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, fundamento da inteligência estratégica nacional. Criou ainda os sistemas Sesi, Sesc e Senai, e durante seu governo foi implantada a TV no Brasil. Pagou o pato pelo fechamento do Partido Comunista, na verdade uma decisão do STJ, e por isso, e também por ter fechado os cassinos, desagradou à esquerda formadora da intelectualidade da época, e foi jogado ao ostracismo. 
     Uma das promessas da Copa do Pantanal foi a criação do Memorial Dutra, uma justa e oportuna homenagem a um presidente em sua terra natal. O projeto foi depois abandonado, mas não pode ser abandonado pelos cuiabanos. Quem sabe através de suas criações SESC, SESI, ou SENAI, que tanto já tem dado a Cuiabá e Mato Grosso, ou quem sabe as 3 juntas? Talvez o seu nome em uma via como tem seu adversário derrotado nas eleições presidenciais? Não teria sobrado um viaduto, trincheira ou avenida para ele? Talvez trazer para Cuiabá o Colégio Militar prometido desde a década de 50? Toda cidade é um centro produtor, mas o principal produto de uma cidade é sua gente. Por isso, as cidades lembram e reverenciam seus vultos. Infelizmente, nem todas. 
(Publicado  em 19/05/2015 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, FolhaMax, ...)
Comentários:
No Midianews:
Tonzinho  19.05.15 15h14
parabens colega pela brilhante materia. Como dizia minha avò, Santo de Casa não faz milagre.

Robélio Orbe  19.05.15 12h10
O brasileiro por natureza é um povo sem memória... isso se deve porque nas escolas esses heróis não são lembrados. O povo gosta de Funk, carnaval, futebol e bundalele. Na Praça Alencastro temos um busto em memória ao Presidente Dutra.
João  19.05.15 11h08
Construi o estadio Presidente Dutra, o Liceu Cuiabano, etc, etc,
ROBERTO  19.05.15 10h24
REALMENTE O BRASILEIRO, MATOGROSSENSE, CUIABANO, NÃO REVERENCIA SEUS FILHOS ILUSTRES. RECONHEÇO, NÃO SABIA QUE O MARECHAL ERA NASCIDO, NESTA TERRA. PARABÉNS, PELO ARTIGO, NÓS REALMENTE NÃO TEMOS HISTÓRIA, PQ ESQUECEMOS DOS NOSSOS PRÓPRIOS COMPATRIOTAS... POIS É... QUE PAÍS É ESSE ..

Reinaldo Thommen  19.05.15 09h16
Bem lembrado, somos um povo sem memória, sem passado, reverenciamos ídolos estrangeiros, enquanto os nossos são abandonados, ouvi dizer que aqui em Cuiabá temos uma praça Popeye? é brincadeira! Tivemos heróis cuiabanos que foram mortos na segunda guerra mundial, e ninguém diz nada. Povo sem memória.

terça-feira, 29 de maio de 2012

O CUIABANO QUE TROUXE A COPA

                            Dutra o primeiro a subir a rampa do Maraca.  (Foto extraída de jblog.com.br)      


José Antonio Lemos dos Santos

Toda cidade é um centro produtor, só que a produção de uma cidade vai muito além da produção econômica. Seu principal produto é a sua gente e a qualidade de seu povo deveria ser a melhor medida de seu sucesso. Por isso as cidades lembram seus vultos como modelos para reproduzi-los em todas as áreas. Nos meus tempos de grupo escolar, estudávamos suas vidas para aprender com eles e respeitá-los, e através deles, respeitar nossa gente, a boa cepa de onde surgiram.

No último dia 18 devíamos ter reverenciado Dutra, o cuiabaninho vendedor de bolos do Mundéu que chegou a presidente da República. Filho de viúva de veterano da Guerra do Paraguai, pobre, sem nenhuma ajuda saiu daqui lavando pratos nas lanchas e trens que o levaram a um colégio militar, e de lá chegou à Presidência da República e à História do país. Foi e venceu, mantendo forte influência na política brasileira até o fim da vida. Um orgulho nacional, cujo aniversário passou despercebido em sua própria terra. Nem em artigo meu como faço anualmente. Optei em cobrar as obras do Aeroporto Marechal Rondon. Mais de três anos – 3 anos! - após Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa, até hoje a Infraero não aprontou sequer o projeto para a ampliação do aeroporto! Até parece que a Infraero não quer Cuiabá sediando a Copa do Pantanal.

Mas o aniversário de Dutra não pode passar em branco. Injustiçado pela história oficial, sua vida pública inicia como Ministro da Guerra, onde ficou por 9 anos – o ministro mais duradouro - onde criou a FEB e depois, com o apoio dos oficiais vitoriosos contra as ditaduras nazifacistas, forçou a queda do ditador Getúlio. E de ministro foi a presidente pelo voto do povo, tendo sido um dos mais importantes pelas inovações que trouxe ao Brasil. De imediato convocou a Constituinte organizando a volta do país à democracia. Eleito para um mandato de seis anos curvou-se à nova Constituição aceitando os cinco anos que estabelecia, mesmo sendo presidente e o militar mais poderoso do país. Aos que temiam a volta de Getúlio e queriam que ficasse mais um ano, respondeu: “nem um minuto a mais, nem um minuto a menos do que manda o livrinho”. Virou “o homem do livrinho”, da Constituição mais democrática que o Brasil já teve, assinada por ele. 


Dutra introduziu o planejamento no Brasil com o Plano SALTE e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida com a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o conceito de Produto Interno Bruto e pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra. Criou o Instituto Rio Branco, base da qualidade de nossa diplomacia, e a CHESF. É dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, fundamento da inteligência estratégica nacional. Criou ainda os sistemas SESI, SESC e SENAI, e durante seu governo foi inaugurada a TV no Brasil. Ficou com a culpa do fechamento do Partido Comunista, na verdade uma decisão do STJ, e por isso e por ter fechado os cassinos desagradou à esquerda, matriz dos historiadores, jornalistas e artistas da época, e foi jogado ao ostracismo.
                                   Dutra assina Decreto de criação do Sesi. (sesisp.org.br)
Foto viadutra.com.br

Fato importante para Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, foi o cuiabano Dutra quem trouxe para o Brasil a primeira Copa do Mundo, em 1950. Queria mostrar ao mundo um Brasil novo, com grandes cidades, que deixava de ser rural e se industrializava. Construiu o Maracanã, o maior do mundo, um dos motivos da paixão nacional pelo futebol. Uma das promessas iniciais da Copa do Pantanal foi a criação do Memorial Dutra, uma justa e oportuna homenagem a um presidente tão importante para todos os brasileiros em sua terra natal. Um projeto que não pode ser esquecido pelos cuiabanos. 

(Publicado em 29/05/2012 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, Hipernoticias, Blog do João Bosquo, Página do Enock, Varanda Cuiabana, Brasilocal, RepórterMT,)