"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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sábado, 21 de janeiro de 2017

O PALÁCIO DOS ESPORTES

FotoRodrigoBarros2017

José Antonio Lemos dos Santos

     Quem não se preocupa com a situação atual da Arena Pantanal de mais de R$ 600,0 milhões, reconhecida internacionalmente como um dos mais importantes exemplos de arquitetura contemporânea no mundo e escolhida como a mais funcional de todas as arenas da Copa 2014 pela crônica esportiva estrangeira presente no evento? Além da falta de interesse demonstrada pelas autoridades responsáveis, há também a indefinição de qual o destino socialmente útil e sustentável dar a ela, solução não encontrada para nenhuma de suas coirmãs, inclusive o Maracanã, a tida como a mais viável delas.
     A chegada ao governo do estado do ex-prefeito Wilson Santos e de Leonardo Oliveira, jovem de ótimo DNA político e promissora carreira, ambos entusiastas do futebol cuiabano, bem como a posse do prefeito Emanuel Pinheiro que prometeu retomar o projeto “Bom de Bola, Bom de Escola” animam-me a trazer em linhas gerais uma ideia que matuto a algum tempo sobre o assunto. Ela se baseia na visível voracidade com que a população frequenta os parques públicos cuiabanos, antigos e novos, e, muito em especial, a praça da Arena Pantanal, onde crianças, jovens e menos jovens, individualmente ou em grupos, desfrutam de espaço abundante para a prática de atividades físicas. Chama a atenção famílias reunidas em quadriciclos com reboques, sorrindo, brincando, deixando de lado um pouco o sedentarismo mortal da trinca sofá, refrigerantes e TV. Quanto isso custa aos poderes públicos? Ou melhor, quanto esses equipamentos públicos economizam aos cofres públicos só em termos de saúde, por exemplo? O custo apenas das doenças cardiovasculares no Brasil é estimado na ordem de 1,74% do PIB! Transportando rusticamente essa proporção para Cuiabá teríamos um custo de R$ 310,0 milhões ao ano, metade da Arena Pantanal por ano. Só em uma doença! E a baixa capacidade respiratória e muscular, somada ao sedentarismo aumentam em 3 a 4 vez
es a prevalência desses males.
     O esporte é uma das formas mais sublimes de manifestação da vida. Vida é saúde, e o esporte é o cultivar da saúde e a fruição da vida em plenitude. O esporte, em especial o futebol no Brasil, não é mais coisa de vagabundo como alguns ainda pensam. Trata-se de uma das principais alternativas às drogas, crime e violência para nossos jovens, bem como aos hospitais, remédios e o túmulo precoce aos adultos. A ideia é transformar a Arena Pantanal no Palácio dos Esportes. Mantida a prioridade para o futebol - reservados espaços para os clubes contarem suas histórias, venderem seus materiais e ingressos, bem como espaços para os visitantes da Arena, com exposições e palestras sobre o grande edifício e o antigo Verdão - a Arena Pantanal abriria todo o seu espaço restante para abrigar os demais esportes, com suas federações, ligas, academias, oficinas, lojas de materiais esportivos. A própria Federação de Futebol poderia estar lá, desocupando a antiga Praça Benjamin Constant a ser reurbanizada à altura do Sesc Arsenal e do Dutrinha revitalizado.
     Articulada aos COT’s, Mini-Estádios e projetos como o “Bom de Bola Bom de Escola” a Arena funcionaria como o esteio de um grande programa de esportes, mas também de saúde, educação e segurança pública, que se estenderia progressivamente para todo o estado. Lá ficariam esportes compatíveis com o espaço, como o boxe, judô, Karatê, tênis de mesa, xadrez, ginástica olímpica e muitos outros. A Arena teria assim uma utilização nobre, sustentável e socialmente correta, mantida com uma adequada taxa de utilização dos usuários baseada no seu custo de manutenção e complementada com recursos do estado como investimento multisetorial de amplos resultados, não como subsídio.
(Publicado em 21/01/17 pelos sites Arquitetura Escrita e Página do Enock, em 22/01/17 pelo MidiaNews, em 22/01/17 no FolhaMax ..)
COMENTÁRIOS (Fora do Blog)
MidiaNews
JOSÉ GONÇALVES 22/01/17:
"frequento a arena pantanal e moro proximo....vou deixar registrado uma coisa aqui: se as autoridades reponsaveis não tomarem uma atitude urgente a arena no prazo de dois anos vai se tornar uma sucata, o que tem de veiculos circulando e estacionando em pisos que teriam que serem melhor cuidados, com caminhões que vão levar equipamentos batendo em arvores e postes de iluminação, batendo nas telas de proteção e destruindo as mesmas, com tendas que para serem fixadas fazem buracos no piso que depois entra agua e vai formando buracos, com pessoas que levam animais que ficam defecando por onde pessoas fazem caminhada.....tem uma serie de medidas que tem que serem adotadas e que se não forem daqui ha pouco tempo aquilo vai virar sucata."

sábado, 14 de dezembro de 2013

A JUSTIÇA E A FAMÍLIA

Midianews

Moacyr Freitas, arquiteto.

O tempo vai passando, e temos uma multidão de seres humanos se remexendo nas comunidades formadas na face da Terra, uns alegres outros tristes. Todos vivendo sujeitos a essa variação de sentimentos, aguardando a vinda de dias melhores. Tudo que está bom hoje, amanhã poderá estar diferente, não agradar mais, ficar ruim.

Percebemos que em nossas sociedades há muitos falsos superiores que tratam mal os outros como se fossem seres inferiores.
 A vida em comunidade coloca-nos em contínua comparação. Acontecem as silenciosas competições, que fazem as pessoas mortificarem-se nas incontroláveis diferenças, provocando a inveja, o mal da humanidade.

Concordamos que nossa vida é uma contínua luta na busca da felicidade, mas tropeçamos em muitas indignidades. Arruinando ainda mais essa busca, entra a intrometida maldade, atravessando e atravancando os caminhos daqueles que honestamente vão buscar essa felicidade.

Partindo do seu restrito convívio familiar, vão confiantes e esperançosos, acreditando estar de posse de todos os ensinamentos, conhecimento para a sua vida; pois, é dessa “célula mater” que devem receber a necessária educação de base. Seria normal que assim fosse, se não viessem desmanchar esse ritmo outros fatores indesejáveis que aparecem para produzirem o mal.

Estamos percebendo que crescem o número de lares que se esfacelam. São muitos os convívios familiares destruídos por mais variados motivos, banais, às vezes. São comportamentos da juventude moderna os mais frequentes. Despreocupados, deixam se levar e desfazem suas uniões, buscando novas paixões.
Assistimos diariamente à “cartilha” desse mau comportamento nos vários programas de televisão. É a maldade em ação, a indicar esse “modelo” aos jovens iludidos com a nova e falsa vida. Separados do seu natural convívio familiar, irão seus filhos se educando em outros meios, longe da verdadeira amizade de seus pais. Estes, despreocupados com eles, estarão em outro lugar com outras ocupações. Certamente, seus filhos estarão recebendo novas interferências, que irão introduzir boas ou más ações nas suas mentes. Nessa passagem forçada, estarão eles sujeitos aos desvios de sua formação, que podem levá-los para campos nocivos a sua vida. São esses acréscimos malignos que podem deformá-los para sempre, tornando-os desligados e insensíveis às amizades.

A televisão noticia com frequência, condenáveis procedimentos, resultantes dessas deformações. São jovens estudantes, policiais, profissionais graduados, juízes, gestores dos mais elevados órgãos ou privados, vitimados por esses desvios da mente. Desfigurados, vão tratando mal seus semelhantes sem nenhum constrangimento. Estamos constatando em nossos dias exemplos desses tipos. São os indesejáveis, malcriados que vão contaminando nossas sociedades. Aparecem em escandalosas notícias em nossos meios de comunicação que chocam a humanidade. O mais lamentável ainda é que são habilidosos e chegam a ocupar posição de comando na sociedade. 

Por outro lado, a ação da Justiça parece perder força diante desses insensíveis “graduados”. Mesmo sabendo que ordem judicial não se discute, cumpre-se, não a tratam com respeito. Confiam na impunidade. Assistimos também a Justiça falhar, quando encontram campo favorável à acusação, quando a defesa é fraca. Não exige maiores e importantes esclarecimentos, para levar à verdade dos fatos, chegando ao âmago da questão. Ela se prende e apoia em exposições superficiais e por essas julga e sentencia o réu ou a ré.

Encontro-me como vítima de um caso assim: sou professor titular aposentado da UFMT. Professor fundador de fato, antes mesmo daqueles outros que foram titulares por decreto, porque desde os primeiros movimentos de sua criação e fundação, estava lá, nos seus primeiros passos, dando aulas em lugares improvisados, diversos como: Palácio da Instrução, Colégio Estadual de Mato Grosso, Escola Técnica Federal, Colégio Barnabé de Mesquita como Instituto Ciências e Letras e, finalmente, no seu “Campus”, como Universidade Federal.

Portanto, desde seu princípio, em 1966. Nunca estive ausente dessa instituição, nem por alguma licença, pois nunca a solicitei, apenas pelas férias regulamentares. Contudo, a Justiça conseguiu julgar-me inapto, e também outros colegas aposentados sem direito a um adicional no meu salário de 28,86%, que recebia. Não aceitou o seu retorno porque, justifica, não constavam nossos nomes na relação enviada por algum órgão a outro da mesma administração, aquele que verifica quem é ou não é professor da instituição.

Ora! O mais incompreensível nisso é que nunca foi interrompido o pagamento de meus proventos, mesmo sem esse adicional, porque nunca deixei de ser professor dela. Todavia, interromperam, sem apelação, esse complemento ao meu salário. Contudo, outros professores, alguns foram alunos meus, recebem normalmente seus salários integrais sem nenhum corte ou interrupção. Apenas nós, aqueles que não estavam nas folhas dos autos, não recebemos mais nosso justo salário. Foi assim que determinou a Justiça, mesmo sem diligenciar a verdadeira existência nossa como professores no contingente daquela instituição.

Hoje, sou um velho professor aposentado, diferente dos demais, com salário reduzido, porque não existiu meu nome naquele processo por erro administrativo. Vou cumprindo há dezesseis anos aquela pena sentenciada pela Justiça. Decisão Judicial, cumpre-se. Sou leigo nessa área, mas não sou tão ingênuo.

São lamentáveis, esses acontecimentos! É muito triste ver nossas crianças crescerem sabendo desses fatos, dos maus procedimentos de adultos “graduados”. Agora mesmo, esse escândalo do “mensalão”! E tantos outros. Certamente, incorporarão a corrente cada vez mais crescente de pessoas sem esperança. Aquelas que não acreditam na seriedade daqueles que ocupam cargos relevantes nos governos, principalmente no campo da Justiça, onde deveria existir maior cuidado para não arrastar consequências tão danosas à vida de inocentes. É claro que existem honrosas exceções.

Como anda a Educação no nosso país, acrescida de tantos desvios deformantes?! E as famílias? Quem irá socorrê-las e salvá-las dessa destruição? 


terça-feira, 6 de novembro de 2012

UM GRAMADO PARA O DUTRINHA


José Antonio Lemos dos Santos

     O esporte em seu sentido mais verdadeiro é uma das mais elevadas formas de celebração da vida, tanto nas vitórias como nas derrotas, ambas faces de uma mesma moeda. Seu requisito básico é a máxima vitalidade exigindo assim práticas saudáveis de vida, bem como espírito coletivo, competitividade, determinação, disciplina, enfim, os tantos aspectos que devem moldar o caráter positivo dos povos. Agregador da educação e da integração cultural, o esporte hoje vai além do aspecto lúdico ou de lazer, sendo também uma das atividades comerciais mais rentáveis no mundo, portanto uma alternativa concreta de trabalho, emprego e renda em especial para a juventude.
     Dentre os esportes, o futebol é aquele com maior número de aficionados a ponto de tornar-se também um poderoso instrumento de marketing global para países, regiões e cidades. Quando Dutra, o presidente cuiabano, trouxe a Copa de 50, já pensava em mostrar ao mundo através dela que o Brasil deixara de ser rural e avançava nos rumos da industrialização e da modernidade. Assim o esporte, e o futebol em particular, por uma série de razões, deve ser tratado hoje como coisa séria, assunto de Estado, em especial como poderoso instrumento educativo e de formação dos jovens. Para Mato Grosso e Cuiabá essa concepção é mais clara, dada a proximidade do trecho de fronteira mais vulnerável do Brasil, que expõe a juventude local aos poderes do tráfico internacional e às macabras tentações das drogas com suas garras cruéis de criminalidade e violência. Creio que é nesse sentido que Cuiabá sedia este mês as Olimpíadas Escolares com milhares de jovens brasileiros em um espetáculo vital que merecia melhor promoção, principalmente entre as escolas de todo o Estado.
     O cuiabano sempre teve um grande xodó pelo futebol, talvez pelo clima que impõe atividades em espaços abertos. Acertadamente em Cuiabá as sucessivas administrações municipais desenvolvem importantes projetos na área tais como o Miniestádios, Bom de Bola-Bom de Escola, Pixote, Peladão e assim, a par de oferecer uma ótima alternativa de lazer para a juventude, a prefeitura implanta um verdadeiro canteiro de craques. Esses jovens atletas que surgem precisam ter clubes onde desenvolver suas potencialidades como profissionais. Na falta, muitos vão para outros estados e países. Outros não têm a mesma sorte, às vezes simplesmente por não estar no lugar certo na hora certa. Para muitos destes, a alternativa é a frustração e o descaminho.
     A prefeitura avançaria ainda mais nessa área apoiando os clubes profissionais de futebol de Cuiabá. Do jeito que está é como dar boa formação técnica aos jovens, mas não fomentar a instalação de empresas para empregá-los. Bastam o apoio institucional e logístico e a manutenção do único estádio da cidade, o Dutrinha, adquirido pela prefeitura sob a alegação de que seria reformado. Até hoje, nada. Finda a temporada 2012, este é o momento certo para reformar o gramado, hoje a mais urgente carência do futebol cuiabano. Com autoridade de quem vai ao estádio em quase todos os jogos, para mim o péssimo estado do gramado eliminou o Mixto na série “D”, quase fez o mesmo com o Cuiabá na “C” e com o próprio Mixto domingo passado, prejudicando os times locais em todas as competições estaduais e nacionais de que participam. Jogar em casa aqui é desvantagem. Arrumar o gramado é urgente e barato, ainda mais para uma sede de Copa. O sucesso dos nossos times abre chances para craques locais de carne e osso, vizinhos de bairro, gente como a gente. Precisamos de mais Bogés, Fernandos e Pererecas, ídolos daqui nos quais a juventude possa se espelhar para seguir o caminho do esporte e da vida saudável, longe das drogas e dos crimes.