"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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quinta-feira, 24 de abril de 2014

COMENTÁRIO ESPECIAL

Comentário adicional do arquiteto Sérgio Coelho sobre o artigo "BELÍSSIMA!" (postado com autorização dele):

"Caro Prof. José Antonio, farei na seqüência à essa mensagem privada, madrugada à dentro (depois de um longo dia na GCP, espero conseguir vencer o cansaço...) um comentário "mais enxuto" em seu post "Belissima" feito hoje (ontem) em seu Blog, que tanto emocionou os arquitetos aqui da GCP. Prefiro escrever nesse momento uma mensagem privada de "colega para colega" . Muito obrigado pelas suas palavras, que iniciando pela Tríade Vitruviana, me remeteu aos já longínquos anos de escola, assistindo às aulas de mestres como Eduardo de Almeida, Paulo Mendes da Rocha e Zanettini. É sem dúvida nenhuma, uma honra para mim, ler seus posts "Belissima" e "A Nave Pousou" (como esse título me fez lembrar do genial filme "E la nave va" de outro mestre, o Frederico, me fazendo lembrar o quanto a arquitetura é próxima do cinema, mas essa é outra conversa...), posts que fazem uma análise extremamente apropriada desse novo equipamento que Cuiabá recebe. No primeiro, o desafio do legado, de como pilotar essa nave que claramente nos coloca nessa nova interface da arquitetura com as "media", ou a arquitetura como plataforma, também digital. Tive a felicidade de visitar Medellin no ano passado e fiquei "de quatro" com os Parque Biblioteca, como o Espanha, um verdadeiro HUB, que extrapola muito a simples função convencional de biblioteca. requalifica o entrono, lança a cidade e sua orgulhosa comunidade ao futuro. Lá fiquei emocionado com a arquitetura. Assim sonhei, com extrema humildade que poderia ser em Cuiabá, guardadas as proporções e programas. Desde o dia zero do projeto da Arena Pantanal, entendemos esse projeto também como de requalificação urbana, uma pequena cirurgia de revitalização da área do Verdão. Impusemos que o projeto não fosse apenas de um estádio, mas sim de espaço público qualificado, integrado ao Aecim (daí termos deslocado a arena para o sul e termos feitos as rampas que ligam o nível 00 ao Aecim). E voce com enorme sensibilidade arquitetônica+urbanística percebe tudo isso e apresenta com precisão em seu blog. "Ao fim ao cabo", como dizem nossos colegas d'além mar, para mim, a arquitetura só existe se houver uso, ou melhor: usuário. E assim como voce, estimado Zé Antonio (desculpe-me a informalidade), tive a sorte e o prazer de lá estar naquele 02 de Abril. E ainda por cima, eu sou Santista !!! Fiquei arrepiado não de ver meu projeto (quase) pronto, mas sim de ver o povo, o público, a comunidade, a torcida Boca Suja, vibrando, apropriando-se do que desenhamos e com tanto custo acompanhamos, para que saísse o mais próximo do perfeito possível.
Lindo ! Belíssimo ! As famílias, a luz, o grito da torcida... um sonho realizado. Nós da GCP tivemos essa sorte: um projeto para tantos milhares de "donos": o povo de Cuiabá e do Mato Grosso. É lógico que deve haver aqueles que não gostam da arquitetura um tanto única que desenvolvemos, mas nós arquitetos vamos aprendendo que unanimidade é impossível....mas continuo sonhando, porque não fizemos esse projeto para a Copa ou FIFA, como acham alguns, fizemos para o futuro. Com muito cuidado, muito empenho e muita, muita responsabilidade. Infelizmente como nem tudo é perfeito, acabei de saber ontem que o jogo da Luverdense com o Vasco (aposto na vitória da moçada de São Lucas !) ainda não será com a capacidade total e que também ainda nossa "nave" não terá sua iluminação cênica pronta (fachadas e pórticos são iluminados por barras de LED, que dará o toque final da astronave cuiabana)....por isso, acabei re-agendando a ida do fotógrafo Leonardo Finotti e cancelando também minha viagem no sábado. Agora fico no aguardo da confirmação de meus clientes da Secopa da data do jogo em que tudo estará realmente acabado, para me arrepiar de novo. Seria uma honra para mim, encontra-lo nesse dia e assistirmos juntos a festa que mais uma vez os cuiabanos farão. Mais uma vez obrigado em meu nome, da equipe da GCP e demais colaboradores. SAUDAÇÕES ARQUITETÔNICAS !!!"

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

EM CIMA DA ASA

M.Minikoviski

José Antonio Lemos dos Santos

     O voo 1371 de Cuiabá para São Paulo do último dia 24 chamou a atenção da mídia nacional com seus passageiros abrindo a porta de emergência e andando em cima da asa do avião após permanecerem em solo trancados por horas na aeronave aguardando em vão uma escada para desembarcarem no Rio de Janeiro, escala causada por mau tempo no local de destino. Segundo relato de uma passageira que viajava em companhia do marido, dos pais e de 2 filhos crianças, a abertura da porta de emergência teria ocorrido quando os passageiros reclamavam de calor porque as portas estavam fechadas e o ar-condicionado, desligado.
     A empresa aérea em nota informou que o avião havia pousado às 17h50 no Aeroporto do Galeão e foi dirigido ao pátio do Terminal de Cargas, um local distante com “acesso limitado” às escadas e aos serviços de transporte, “o que impossibilitou as atividades de desembarque”. Segundo a Infraero a decolagem para São Paulo se deu às 22h22, portanto
mais de 4 horas presos em solo num avião por falta de escadas! Isso no segundo maior aeroporto do Brasil! Ainda segundo a mesma passageira, “todo mundo entende chuva e aeroporto fechado, ninguém entende ficar sem informação e sem perspectiva por horas e horas". A abertura da porta de emergência e a invasão da asa foram então um legítimo e até natural gesto de desespero e protesto em resposta à sensação concreta de falta de ar e de respeito, o mínimo que se pensava assegurado aos passageiros na compra de uma passagem. 
     Aliás, seria também caso de um passeio em cima de alguma asa as cobranças do ministro da Aviação Civil no dia anterior em sua primeira visita às obras do Aeroporto Marechal Rondon, prioritárias na matriz de responsabilidade do governo federal com a Fifa para a Copa do Mundo 2014. Vale destacar que, em princípio qualquer cobrança é válida em se tratando de obras atrasadas em um compromisso nacional tão importante. Mas, quanto a esta, vinda de onde veio, cabem algumas considerações. Será que o ministro se lembra de que o aeroporto é uma responsabilidade federal, através da Infraero? Será que ele sabe que após a escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa a Infraero demorou 3 anos e 7 meses para aprontar o projeto, para só então sair a ordem de serviço para as obras? Obras que na verdade só deslancharam a partir da presidenta Dilma ter trazido a aviação civil para seu gabinete e feito substituições na direção geral e local da Infraero, mas, principalmente porque o governo do estado chamou para si a execução das obras. Sem estas medidas, a ampliação do aeroporto sequer teria sido iniciada até hoje, inviabilizando a Copa do Pantanal. 
     Outro dia foi a então ministra da Casa Civil, “comandante da força-tarefa” criada para garantir a realização da Copa, quem apareceu na imprensa nacional, não na obra, falando em estrutura de lona para o Marechal Rondon, que já se encontrava coberto. Agora o ministro da Aviação Civil, em sua primeira visita a obra aparece fazendo cobranças que também deveriam lhe destinar. A presença física das altas autoridades, em especial as federais, no acompanhamento de obras essenciais como a do Aeroporto Marechal Rondon, além de necessária, sempre será bem-vinda ao hospitaleiro povo cuiabano. Mas que seja para ajudar. Neste momento em que as obras deslancham, a presença deles será importante para assegurar a continuidade desse ritmo, e até acelerá-lo se for o caso. Por exemplo, a denúncia dos repasses atrasados feita semana passada pela empreiteira é grave e tem que ser esclarecida e resolvida já. Procede a reclamação? Alguém segura o repasse? A Secopa ou a Infraero? Esta obra não pode parar de novo, nem diminuir seu ritmo. Ainda dá tempo, mas não para mais erros. 
(Publicado em 04/02/2014 pelo Diário de Cuiabá)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

ARENA PANTANAL É DESTAQUE EM REVISTA CIENTÍFICA


Publicação é referência em construções sustentáveis na América Latina


DA ASSESSORIA                                        (Publicado em Midianews em 06/01/2014)

Comprometido com a sustentabilidade, com a responsabilidade socioambiental e com a requalificação urbana de Cuiabá, assim foi descrito o projeto arquitetônico da Arena Pantanal em um artigo veiculado na edição de dezembro da revista Hábitat Sustentable, publicação científica chilena da Universidad del Bío-Bío, referência em construções sustentáveis na América Latina. 
O texto é assinado pelo arquiteto e urbanista Rodrigo Tóffano, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Ambiental (PPGEEA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e pelo Prof. Dr. José Manoel Henriques de Jesus, que foi o seu orientador na dissertação de mestrado sobre a Arena Pantanal, pesquisa que foi noticiada no site da Secopa em março de 2013. 
“Depois de alguns meses de espera o nosso artigo foi publicado nessa importante revista latino-americana e passa a ser ainda mais expressivo porque o primeiro jogo da Copa do Mundo em Cuiabá terá o Chile, seleção que enfrentará a Austrália no dia 13 de junho”, comemorou Tóffano. 
Intitulado “Copa 2014 - diretrizes de sustentabilidade na concepção do projeto do novo verdão, a Arena Pantanal, em Cuiabá-MT", o artigo apresenta uma análise de 10 ações de sustentabilidade empregadas no estádio: ambiente urbano e paisagístico; transportes; racionalização da água; conservação e reuso da água; fontes renováveis de energia; demanda minimizada de energia; materiais ecológicos; resíduos e reciclagem; conforto ambiental passivo; e conforto ambiental ativo. 
Entre os pontos observados, destacam-se a economia de aproximadamente 40% do consumo de água, em comparação com uma edificação semelhante, redução de 20% de uso energético, reaproveitamento de 24 mil m³ de concreto e alvenarias do estádio demolido e o uso de madeiras e tijolos cerâmicos certificados. 
“Elenco como positivos também a busca pelo melhor aproveitamento da iluminação natural e da ventilação cruzada, que favorecem a eficiência energética, a concepção da forma arquitetônica mais arejada e permeável, a criação de microclimas com vegetação, a utilização de espelhos de água e, ainda, o posicionamento da edificação e do campo, protegidos da insolação mais forte em razão de uma envoltória com brises metálicos, associada a uma membrada vazada com tratamento termoacústico”, comentou o arquiteto e urbanista. 

Projeto 
Com capacidade para cerca de 44 mil torcedores, a Arena Pantanal foi concebida a partir de modernos conceitos de funcionalidade e sustentabilidade. O projeto já recebeu vários prêmios, inclusive um internacional e foi elogiado por instituições ligadas à arquitetura nacional. 
O novo Verdão é um exemplo de construção ambientalmente sustentável desde a sua concepção. O Governo do Estado fez questão de encomendar um projeto que atendesse as exigências do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), um sistema de certificação de edificações americano para verificar e atestar a qualidade ambiental de um empreendimento. 
O entorno do estádio, área com mais de 300 mil m², contará com passarelas, uma praça com áreas de lazer, pista de caminhadas, atividades esportivas, espelho d'água, lanchonetes, restaurante e muito verde. 
“A Arena Pantanal reflete uma preocupação do Governo de Mato Grosso de tornar o Estado mais competitivo e incluído na dinâmica nacional de desenvolvimento”, finalizou Tóffano.

Nota do Blog do José Lemos: O site da revista chilena é: http://www.habitatsustentable.cl/

terça-feira, 1 de outubro de 2013

CADEIRAS E CARAPUÇA

José Antonio Lemos dos Santos
www.olharcopa.com.br

     O maior sentido da Copa para Cuiabá é a oportunidade de grandes investimentos públicos e privados deixando importante legado em favor da qualidade de vida de seus habitantes. Uma chance de ouro para investimentos que de outra forma a cidade não veria em décadas. E bota décadas nisso. Ainda com uma imensa vantagem adicional: por ser um compromisso internacional do país, tudo está sendo feito sob os olhos atentos da imprensa nacional e internacional de maior confiabilidade pública que os dos sistemas oficiais de controle, os quais também se esforçam para não ficar para trás. Nunca um pacote de investimentos foi tão fiscalizado publicamente, certamente que ainda não o suficiente para acabar de vez com as “tenebrosas transações” que alquebram o Brasil. Assim, meio que brincando tenho dito que a Copa foi uma sacudida do Senhor Bom Jesus em nós cuiabanos para que preparemos bem sua cidade para o Tricentenário em 2019. 
     Sem querer rediscutir o que já está decidido e em fase avançada de implantação, sou dos que entendem que Cuiabá está ganhando com a Arena não só um estádio de futebol, mas uma arena multifuncional, equipamento de ponta em tecnologia de eventos de âmbito nacional e global, permitindo à cidade entrar na disputa pelos megaeventos via satélite e internet, apoiada no charme do centro sul-americano, das belezas naturais do Pantanal e Chapada, do cerrado e Amazônia, e das maravilhas tecnológicas dos grandes campos produtivos da agropecuária mato-grossense. Um elefante dourado. Cabe sermos competentes para pilotar essa nave intergalática, poderosa arma na disputa pela agenda dos grandes eventos com as poucas similares brasileiras e, em especial, saber defendê-la dos ataques dos que querem abatê-la antes mesmo de concluída pelo simples fato de ainda não terem assimilado sua perda para a pequena, pacata e ainda desajeitada Cuiabá.
     A última pressão sobre a nossa Arena Pantanal veio por suas cadeiras serem melhores do que as cadeiras da Arena de Brasília. Segundo a Secopa, as cadeiras daqui obedecem às especificações técnicas do projeto e são diferentes das de Brasília, com preços também diferentes. Especificações de materiais e mobiliários em uma obra dessa envergadura são elementos técnicos integrantes dos projetos arquitetônicos, competência e responsabilidade do arquiteto, protegido por lei em suas decisões, inclusive quanto a direitos autorais. Questionamentos técnicos, só por técnicos legalmente competentes, observada a ética profissional. Seria como questionar as prescrições de um médico, embora muitos ainda achem que a arquitetura seja apenas uma questão de gosto. Cada projeto tem suas próprias especificações técnicas conforme seu partido arquitetônico e devem ser respeitadas. Ainda mais no caso de um projeto premiado dentro e fora do país. 
     Não sei qual será a decisão do estado sobre o assunto, mas seria uma pena a alteração da cadeira especificada. Nas novas arenas a cadeira é o trono do espectador e esta será uma das vantagens de nossa compacta e belíssima Arena Pantanal. Cuiabá já se orgulhou do antigo Cine Tropical com as poltronas mais confortáveis do país. Depois, do melhor gramado no saudoso Verdão. Por que não podemos ter a melhor cadeira de todas as arenas? Se coubesse questionar algum projeto, mais apropriado seria perguntar como a Arena Nacional de Brasília pode ter cadeiras inferiores, mesmo tendo custado mais de 3 vezes a arena cuiabana? A Arena de Brasília custou R$ 1,7 bilhão e a de Cuiabá R$ 0,56 bilhão. Não nos cabe essa carapuça. Por enquanto, melhor é lotar o Dutrinha amanhã e domingo apoiando Mixto e Cuiabá em suas partidas decisivas pela ascensão no futebol brasileiro. Força Mixto e Cuiabá! 
(Publicado em 01/10/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 18 de junho de 2013

A UM ANO DA COPA

José Antonio Lemos dos Santos

     A iniciativa do Tribunal de Contas de Mato Grosso de acompanhar dia a dia tecnicamente as obras da Copa do Pantanal publicando a cada mês os resultados vem servindo como uma das referências da população quanto ao progresso na preparação da cidade para a Copa do Pantanal. Em um conjunto de obras com data marcada para inauguração não teria o menor sentido uma avaliação a posteriori do Tribunal, pois em caso de problemas o leite já estaria derramado. Nem teria igual credibilidade o mesmo tipo de trabalho apresentado pelo próprio órgão responsável pela execução das obras, a Secopa, que também foi sábio suspendendo a publicação de seus relatórios, evitando as divergências tão comuns em relatórios paralelos, que só confundiriam a opinião pública. O bom é que numa situação tão especial como a Copa, Cuiabá disponha de um relatório técnico mensal dos mais insuspeitos e confiáveis para o acompanhamento das obras. Nada pelo qual se possa por a mão no fogo, mas que em conjunto com o trabalho da imprensa serve como um bom referencial, cuja existência desconheço em outras sedes da Copa. 
     A leitura e divulgação desses relatórios exigem, entretanto, um cuidado especial, pois se referem a dados de um determinado mês que são analisados e processados no mês seguinte, e divulgados no início do segundo mês subsequente. Existirá sempre um espaço de tempo de no mínimo 1 mês entre o que está no relatório e a realidade vista pelo cidadão na obra, defasagem que pode chegar a 2 meses na véspera da apresentação do relatório seguinte. Agora, por exemplo, em meado de junho, o último relatório está defasado em 1 mês e meio em relação ao tempo real da obra e isso faz muita diferença em obras aceleradas. Esta observação em nada diminui a confiança nos relatórios mensais do TCE, visa apenas a ajudar a esclarecer o cidadão da razão das obras estarem geralmente à frente dos relatórios. 
     Pelos relatórios e o senso comum as obras avançam, ainda que em velocidades diferentes, com algumas poucas ainda nem iniciadas. O importante é que as obras fundamentais para o funcionamento da Copa do Pantanal estejam em condições de conclusão em tempo hábil. Segundo o último relatório referente a abril, a Arena Pantanal encontrava-se com um mês de atraso no cronograma e teve seu ritmo de obras acelerado com mais um turno de trabalho. Como a conclusão está prevista para outubro próximo, pode ser considerada uma obra sem problemas para a Copa e até mesmo para seu primeiro evento com a seleção brasileira na primeira quinzena de janeiro conforme anunciou domingo passado o secretário da Secopa. As obras do aeroporto estão aceleradas e já podem ser vistas em rápida evolução. A trincheira do Zero Km e o viaduto do Cristo Rei também avançam bem ainda que atrasadas. Atenção especial merecem os COTs, o Fan Park, obras de compromisso com a Fifa, e a ligação da Rua Antonio Dorileo com a Beira-Rio, essencial para aliviar o fluxo da Fernando Correia, cuja ponte sobre o Coxipó foi iniciada agora. 
     Importante é que a um ano da Copa as coisas parecem caminhar bem no sentido do grande legado de benfeitorias públicas e privadas para a cidade, ainda que demandando muito trabalho duro em turnos extras na maioria das obras. Parece inclusive que a população começa a acreditar nas estruturas que despontam, apesar dos transtornos, como bem mostrou neste domingo a Caminhada pela Copa organizada pela Secopa com mais de 14 mil pessoas, 11.500 inscritas quando a expectativa inicial era de 5 mil. Não é qualquer lero-lero que reúne o povo assim numa manhã de domingo com o sol cuiabano tinindo de bonito. Agora, temos a reta final de 1 ano exigindo muito mais sacrifícios, cobrança e trabalho. 
(Publicado em 18/06/2013 pelo Diário de Cuiabá)

Midianews





quarta-feira, 5 de junho de 2013

A ARENA DE MINHA JANELA

     Veja como estava a Arena Pantanal vista de minha varanda hoje, 4 de junho de 2013.  O dia amanheceu nublado e esta foto é de 12:30 hs. As colunas dos pórticos (estruturas brancas entre as arquibancadas) já estão quase todas erguidas. Ao final desta postagem tem um link do G1.com.br com um galeria de fotos internas da obra.

Dá para comparar com a situação do mês passado (04/06/13:


Foto: José Lemos


Dá para comparar com a situação no mês passado (04/05/2013):


Foto: José Lemos

E com o mês de março (04/03/13):


Foto: José Lemos


Ou no início do ano passado (14/01/12):
Foto: José Lemos


É para ficar pronta em outubro de 2013. Confira com a maquete para ver se está indo tudo certo:

Veja no link abaixo uma seleção de fotos do G1 das obras vistas internamente postadas ontem (04/06/13):


No link abaixo tem também uma seleção de fotos do G1 das obras vistas internamente no mês passado (02/05/13):


Veja também abaixo reportagem de 04/03/2013 do OlharDireto sobre o andamento da obra (atualizada):


MONTAGEM DA ARQUIBANCADA TERMINA; EM MAIO COMEÇA O PLANTIO DA GRAMA

Da Redação - Darwin Júnior 04/03/2013 - 18:12 

Foto: Darwin Júnior

 O consórcio construtor da Arena Pantanal, estádio de Cuiabá que receberá quatro jogos do Mundial 2014, acaba de encerrar mais uma etapa da obra: a montagem das arquibancadas. Os trabalhos foram concluidos no final de semana com a instalação das últimas filas do Setor Sul. De acordo com a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa), os trabalhos agora irão se concentrar na cobertura e partes hidráulicas e elétricas. A obra já está 62% concluída.

Daqui a 60 dias, um novo estágio terá início: o plantio da grama. Em maio terá início a instalação do sistema de drenagem para o escoamento da água. O Comitê Organizador Local da Copa (COL) recomendou o planio da grama do tipo Bermuda, da variedade 'celebration', que é a mais indicada para estádios localizados em cidades de clima quente. Mais quatro sedes irão utilizar o mesmo tipo de grama: Manaus, Salvador, Fortaleza e Brasília.

Confira esta matéria na íntegra no Olhar Copa


Reveja a reportagem do Bom Dia Mato Grosso do dia 4 de janeiro passado sobre as obras:

http://g1.globo.com/videos/mato-grosso/bom-dia-mt/t/edicoes/v/novo-turno-de-trabalho-e-implantado-na-construcao-da-arena-pantanal/2326756/

terça-feira, 4 de junho de 2013

AEROPORTO E O REDENTOR ILUMINADO

Imagem: culturacuiaba.wordpress.com


José Antonio Lemos dos Santos

Aeroporto e o Redentor iluminado

      Numa das últimas noites da semana passada tive a surpresa de ver iluminado o globo terrestre do campanário da igreja do São Gonçalo, com seu magnífico Cristo Redentor abençoando o bairro do Porto e toda a cidade de Cuiabá. Trata-se de um dos mais belos edifícios da cidade, construído a pouco mais de um século com uma precisão técnica e estilística de impressionar leigos e especialistas pela sua riqueza de detalhes e finíssimo acabamento. Sempre recomendo meus alunos a apreciarem e a aprenderem com aquela obra de arte arquitetônica, não sem antes orientá-los a pararem o carro, pois os detalhes prendem a atenção e é sempre alto o risco de acidente para aqueles que subestimam tanta beleza e se arriscam a apreciá-la sem antes estacionar. Pelas informações colhidas aqui e ali, a imagem do Cristo tem 3,6 metros de altura, colocada em equilíbrio sobre um globo a 36 metros do chão há cem anos, sem guindaste. Fora o espetáculo técnico, a beleza artística. Além do topo do campanário, chamam especial atenção os 4 gigantes da ordem atlante que o sustentam lá em cima, a precisão dos arcos e as figuras dos 4 evangelistas na fachada.
     Ver iluminados o globo e o Redentor do São Gonçalo me despertou especial emoção, pois já há algum tempo estou para escrever sobre este assunto, que se amplia na questão do tratamento que a cidade deveria dispensar aos seus monumentos significativos. Na verdade não são muitos e não seria difícil preparar um pacote de revitalização externa com iluminação especial para cada um deles, num trabalho de parceria entre a Secopa e as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, com a iniciativa privada. Aproveitando a oportunidade da Copa, após uma seleção técnica, tais monumentos seriam tratados como verdadeiros ornatos citadinos que são, ajudando a embelezar a cidade e encantando seus habitantes e turistas. Além das igrejas históricas, incluiria a de Guadalupe, mas também edifícios como o Museu do Rio, o já bem tratado Sesc Arsenal, o conjunto dos edifícios da Praça da República, com destaque para um bom tratamento externo na Basílica do Bom Jesus de Cuiabá, incluindo o conserto do relógio. Não poderiam ficar de fora os obeliscos do Centro Geodésico e o do Cinquentenário da Retomada de Corumbá, na Praça Luis de Albuquerque no Porto, o Coreto, o chafariz e o “Gogó de Ema” da Praça Ipiranga, a estátua ao Bandeirante, ao Negro e ao Índio da Coronel Escolástico e a Fonte Luminosa da Praça Alencastro funcionando. A lista pode ser extensa, mas o começo poderia ser com uns poucos mais significativos, e a cidade já ganharia um desejável ar de festa e de carinho consigo mesma.
     Este artigo deveria ser especial sobre o aeroporto Marechal Rondon, suas obras em ritmo acelerado e seu movimento crescente. A emoção em ver de novo o Redentor iluminado roubou a primazia. Porém é importante destacar também o contentamento em ver sendo erguidas as estruturas da tão esperada expansão do aeroporto, em especial para quem dedicou nos últimos anos uma série de artigos cobrando a Infraero pela entrega dos projetos, licitações e início das obras. Agora cabe parabenizar à Infraero e à Secopa pelo avanço nas obras, crente que os cronogramas serão cumpridos e que jamais acontecerá uma demanda reprimida tão grande como a das últimas décadas que trouxeram graves desgastes para Cuiabá e Mato Grosso aos olhos de seus visitantes. Aliás, cabe também registrar nas estatísticas oficiais de abril de 2013 que o Aeroporto Marechal Rondon ultrapassou em movimento de passageiros aos aeroportos de Goiânia e de Natal, passando a ser agora o 14° dentre os aeroportos administrados pela Infraero, aproximando-se do milionésimo passageiro anual já nos 4 primeiros meses do ano.


(Publicado em 04/06/2013 pelo Diário de Cuiabá)

sábado, 4 de maio de 2013

A ARENA DE MINHA JANELA


Veja como está a Arena Pantanal vista de minha varanda hoje, 4 de maio de 2013. Os pórticos começam (estruturas brancas entre as arquibancadas) voltam a ser erguidos.

Foto: José Lemos

Dá para comparar com a situação no mês passado (04/04/13):

Foto: José Lemos

Ou com o mês de março (04/03/13):

Foto: José Lemos





Ou no início do ano passado (14/01/12):
Foto: José Lemos


É para ficar pronta em outubro de 2013. Confira com a maquete para ver se está indo tudo certo:

Veja no link abaixo uma seleção de fotos do G1 das obras vistas internamente postadas anteontem (02/05/13):


Veja também abaixo reportagem de 04/03/2013 do OlharDireto sobre o andamento da obra (atualizada):


MONTAGEM DA ARQUIBANCADA TERMINA; EM MAIO COMEÇA O PLANTIO DA GRAMA

Da Redação - Darwin Júnior 04/03/2013 - 18:12 

Foto: Darwin Júnior

 O consórcio construtor da Arena Pantanal, estádio de Cuiabá que receberá quatro jogos do Mundial 2014, acaba de encerrar mais uma etapa da obra: a montagem das arquibancadas. Os trabalhos foram concluidos no final de semana com a instalação das últimas filas do Setor Sul. De acordo com a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa), os trabalhos agora irão se concentrar na cobertura e partes hidráulicas e elétricas. A obra já está 62% concluída.

Daqui a 60 dias, um novo estágio terá início: o plantio da grama. Em maio terá início a instalação do sistema de drenagem para o escoamento da água. O Comitê Organizador Local da Copa (COL) recomendou o planio da grama do tipo Bermuda, da variedade 'celebration', que é a mais indicada para estádios localizados em cidades de clima quente. Mais quatro sedes irão utilizar o mesmo tipo de grama: Manaus, Salvador, Fortaleza e Brasília.

Confira esta matéria na íntegra no Olhar Copa


Reveja a reportagem do Bom Dia Mato Grosso do dia 4 de janeiro passado sobre as obras:

http://g1.globo.com/videos/mato-grosso/bom-dia-mt/t/edicoes/v/novo-turno-de-trabalho-e-implantado-na-construcao-da-arena-pantanal/2326756/

terça-feira, 26 de março de 2013

IMIGRANTES E BARBADO

José Antonio Lemos dos Santos

     Semana atrasada tivemos duas boas notícias. Uma e meia seria mais correto. Uma anuncia que o governo do estado resolveu enfim assumir a “Rodovia dos Imigrantes”, prometendo inclusive sua duplicação, como, aliás, não poderia deixar de ser, afinal, essa via complementa o Rodoanel de Cuiabá, importante obra federal tocada pela Secopa, toda ela também duplicada. Maravilha. A Imigrantes é um trecho rodoviário que se encontrava abandonado apesar de ligar 60% por cento do território brasileiro ao restante do país. Creio, porém que a decisão do governador Silval tenha partido também da importância da Imigrantes para a estrutura urbana da Grande Cuiabá, embora não tenha dito. No início da década de 90 a prefeitura, através do extinto IPDU, chegou a projetar em nível preliminar a expansão do Distrito Industrial (hoje mais necessária que nunca) tendo a Imigrantes como eixo, inclusive com a possibilidade de prosseguimento até o Trevo do Lagarto em Várzea Grande. Importante é que a Imigrantes situa-se à jusante dos ventos e das águas, corta o rio Cuiabá e em suas proximidades encontram-se o terminal do gasoduto, o Porto Seco, o Aeroporto Internacional e dois aeroportos executivos. Nessa perspectiva já se previa também a conexão ferroviária, também tangenciando a malha urbana, em paralelo com a Imigrantes. Essa proposição, trabalhada com o conceito de corredor multimodal, foi levada adiante com a expansão em 1994 da Zona Urbana de Cuiabá até a região, bem como a criação da Zona Especial de Alto Impacto na Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano, em 1997. Torço para que, de fato, a decisão do governador esteja em sintonia com toda a grandeza das potencialidades da Imigrantes. A ferrovia está chegando e a cidade precisa se preparar para recebê-la. 
     A outra notícia vem em duas partes. Uma boa e outra ruim. A boa é que o prefeito Mauro Mendes decidiu assumir a implantação da Avenida Parque do Barbado no trecho deixado pela Secopa, que vai da Archimedes Lima até a Juliano Costa Marques. A parte ruim é quando o prefeito diz que vai fazer um projeto pela metade do preço, com 40 desapropriações ao invés das 400 iniciais e que essa obra vai ligar a Avenida das Torres ao Shopping Pantanal, numa imensa redução da importância original dessa nova avenida, conforme prevista na Lei da Hierarquização Viária de Cuiabá, de 1999. Na referida lei a Avenida Parque do Barbado é parte de um sistema de vias denominado Via Estrutural Circular Norte (VECI-N) que liga a estrada da Guia à Várzea Grande, atravessando a Avenida do CPA, passando pelo Coxipó, Av. Tancredo Neves e Ponte Sérgio Mota, que, aliás, foi locada naquela posição em função desse grande projeto. Em Várzea Grande ela teria continuidade na Avenida D. Orlando Chaves, atravessando a Ponte Nova e retornando à Cuiabá pela Miguel Sutil. Trata-se de um grande complexo em forma de espiral ou voluta, integrador de toda a malha viária central da Grande Cuiabá. O projeto da Avenida Parque do Barbado fica justamente no centro desse grande sistema, que teria seu funcionamento comprometido por um subdimensionamento nesse trecho.
     Outra grande preocupação em relação à Avenida Parque do Barbado é que o prefeito alega que o Ministério Público Estadual “estava “colocando muitos óbices a isso, devido ao impacto social causado, além de alguns conceitos ambientais que eles não estavam concordando”. Tal alegação também foi feita pelo ex-prefeito Wilson Santos e pela Secopa quando optaram em abandonar o projeto no trecho. Estranho é que se trata de desapropriações em áreas de risco ou de proteção ambiental protegidas sabiamente por leis não só para defesa do ambiente, mas também para segurança dos moradores ali instalados.
(Publicado em 26/03/2013 pelo Diário de Cuiabá) 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ARQUITETOS, AEROPORTO E O TIMÃO

José Antonio Lemos dos Santos

     A grande vitória do Corinthians neste domingo trazendo o caneco do Mundial de Clubes fez lembrar um saudoso tio, de Corumbá, são-paulino de carteirinha e também torcedor do antigo Corumbaense de Tachí, Lara e Garrafinha, time que chegou a dominar o futebol de Mato Grosso pré-divisão e que deixou saudades. Lembro-me dele explicando à gurizada a simplicidade do futebol. Com uma bola na mão, explanava que aquilo era uma bola, que era feita de couro, que vinha da vaca, que a vaca gostava de grama e que por isso a bola tinha que rolar pela grama e não gostava de ser chutada para o alto. Quem esqueceria uma lição assim? O Corinthians me fez lembrá-la. Apesar de não ser corintiano, foi uma partida antológica contra um grande adversário, na qual o Timão devolveu à Europa a dura lição que recebemos do Barcelona ano passado. Mesmo nos momentos mais difíceis a bola não deixava o tapete verde e rolava pela grama de pé em pé, livre de chutões, com jeito de uma vaquinha feliz apreciando sua relva predileta. Pois é, enquanto isso para nós de Cuiabá, sede da Copa do Pantanal, o gramado do Dutrinha mais parece um campo de obstáculos onde a bola não pode desfilar suas graciosas trajetórias, prejudicando assim nossos times que começam a se organizar, mas ficam sem as vantagens do mando de campo nas disputas nacionais e estaduais que participam.
     Parabéns também aos arquitetos e urbanistas pelo seu novo dia, comemorado pela primeira vez no dia 15 de dezembro passado, não por coincidência, dia do nascimento de Oscar Niemeyer. O principal desafio do planeta hoje são as cidades e grande parte dos problemas urbanos no mundo, em especial em Cuiabá, deve-se à ausência do Urbanismo, pela exclusão do técnico especialista na projeção dos espaços dos quadros e das decisões públicas. Com a criação do CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - que também completa seu primeiro ano de existência, espera-se a correção desta situação. Ao CAU não basta cumprir a hercúlea tarefa de implantar sua estrutura administrativa em nível de um país continental, mas também enfrentar a mais difícil delas que é a reinserção do profissional arquiteto e urbanista na posição social que lhe compete no quadro da ampliação e requalificação do espaço habitado no Brasil, dos edifícios às cidades e regiões. Parabéns ao CAU e seus dirigentes pelos avanços já conquistados.
     Por fim, mais um parabéns, agora à Secopa e à Infraero. Finalmente foi concluída a licitação para as obras do Aeroporto Marechal Rondon e, mais extraordinário ainda, na mesma semana foi dada a Ordem de Serviços para início dos trabalhos. Enfim um procedimento digno de elogios nesse longo processo da ampliação do principal aeroporto de Mato Grosso. Sei que para alguns não fizeram mais que a obrigação. Sim, mas no Brasil cumprir as obrigações com qualidade e em tempo hábil é absolutamente incomum nos setores públicos e merece elogios, em especial deste escrevedor apaixonado por sua terra e que por anos não larga os pés dos responsáveis por essa obra. Apesar do grande atraso, ainda dá tempo e as obras enfim começarão para conclusão em dezembro de 2014. E é importante a conclusão nesse prazo para permitir que alguma seleção ainda possa adotar Cuiabá como local de adaptação ao calor brasileiro, já que nesse ponto Cuiabá é imbatível com seu calor escaldante e sadio. Nenhum lugar seria melhor para a adaptação rápida de uma seleção de países de clima frio ao calor tropical. Dois a três meses de uma seleção se preparando em Cuiabá significam ocupação de hotéis, restaurantes, mídia, enfim, vale muito dinheiro na forma de empregos e renda para a população. Campo Grande e Goiânia estão de olho. E eu também. Mãos à obra!

(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 18/12/2012)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

AEROPORTO, ATÉ QUANDO?

José Antonio Lemos dos Santos

Imagem copiada de www.meupalco.com.br


     Pois não é que o novo atraso na licitação para as obras do aeroporto Marechal Rondon cobrado no artigo da semana passada deveu-se a outro erro da Infraero? No fim deste mês completarão 3 anos e meio da definição de Cuiabá como sede da Copa do Pantanal e até hoje a Infraero não concluiu a licitação para as obras de ampliação do aeroporto, com uma sucessão de atrasos injustificáveis para uma das maiores e mais competentes empresas aeroportuárias do mundo e uma das obras fundamentais para a Copa 2014, o mais importante projeto do país em termos de visibilidade internacional. O resultado da licitação era aguardado para o início deste mês e foi adiado para esta semana. Mais uma vez o motivo seria problemas no projeto entregue pela Infraero à Secopa, segundo o secretário do órgão. Nada tão surpreendente no histórico do tratamento que a Infraero sempre deu ao principal aeroporto mato-grossense, antes e depois da Copa. A expectativa local era de que o grande evento mundial trouxesse para Cuiabá e Mato Grosso afinal um aeroporto digno de seu dinamismo e importância como o estado líder na produção agropecuária do país que sempre lhe foi negado. 
Situação Atual  Imagem: PINIweb

     Qual o quê! Convém não esquecer que, já com muito atraso, a primeira entrega do projeto do aeroporto estava prevista para setembro de 2011 e foi adiada para março de 2012 e depois para junho, já sob alegação de necessidade de correções técnicas, e, enfim, entregue em início de julho. A Secopa providenciou a imediata licitação para as obras, contudo logo revogada em agosto para outra correção de erros nas planilhas do projeto. Corrigidos supostamente os erros, abriu-se nova licitação com homologação esperada para início de novembro, o que não aconteceu, pois foi adiada de novo para esta semana. De novo sob alegação de erros nas planilhas entregues pela Infraero. Tais erros são inconcebíveis numa empresa do porte e competência da Infraero. Supô-los seria um desrespeito ao seu quadro técnico. Ainda pode existir alguma dúvida quanto à existência de interesses no mínimo estranhos nesse processo? 
     Faltam 569 dias para o primeiro jogo da Copa e o aeroporto tem que estar pronto no mínimo 90 dias antes do início do evento, em condições de receber as equipes técnicas preparatórias para as questões de imprensa, segurança, e mesmo, das seleções que possam escolher Cuiabá para seu período de aclimatação ao clima tropical brasileiro, gerando um movimento adicional para os hotéis, restaurantes, o turismo de um modo geral, um dos grandes ganhos esperados para Cuiabá e Mato Grosso, ameaçado pelos atrasos nas obras do aeroporto. Até quando esperar? Até realmente não dar mais tempo para a execução da obra? Na verdade, em condições normais, não haveria mais tempo, entretanto, ainda daria considerando a situação especial da Copa com o regime do RDC e a possibilidade do brasileiro trabalhar em 3 turnos, sábados, domingos e feriados, conforme aventou o ex-presidente Lula quando perguntado sobre a vergonha que passaria o Brasil perante o mundo na hipótese de não dar conta de cumprir com o comprometido internacionalmente ao assumir a Copa 2014. Temo que tal esforço não aconteça se depender só da Infraero, com o agravante de que não há mais tempo para novos testes sobre as intenções da empresa para com o aeroporto de Cuiabá. Agora só com uma manifestação clara das forças vivas da sociedade mato-grossense, em especial da cuiabana e várzea-grandense e dos setores mais diretamente interessados, seus prefeitos atuais e os eleitos, sacudindo seus representantes no Congresso Nacional para buscar junto à presidenta Dilma uma nova postura efetiva da Infraero. Do jeito que as coisas ficaram, só assim. 
(Publicado em 20/11/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

ELEIÇÕES, AEROPORTO E FERROVIA


José Antonio lemos dos Santos


     Pela terceira vez este ano lembro o artigo de fevereiro do ano passado intitulado “Molecagem”, que já expressava naquela época toda a minha preocupação com o atraso na ampliação do Aeroporto Marechal Rondon para a Copa do Mundo de 2014 e a Copa das Confederações que ainda era pretendida por Cuiabá. Na ocasião criticava o adiamento da entrega do projeto, então previsto para setembro de 2011, para março de 2012. Achava excessivo o prazo de mais de ano para a elaboração de projeto de ampliação de uma estação de passageiros que afinal nem é tão grande assim. Nesse artigo do ano passado já aventava a possibilidade de sabotagem contra Cuiabá como sede da Copa e até contra a própria presidenta Dilma, líder maior do grande evento.
     Cerca de 1 ano depois fiz outro artigo criticando um novo adiamento da entrega do projeto, agora de março para meados de junho, sob alegação de necessidade de correções. E na ocasião da entrega, que só aconteceu com novo atraso em julho, fiz novo artigo saudando a tão esperada entrega e a expectativa da imediata licitação em ritmo de RDC para início das obras. Só que até fins da semana passada o processo licitatório não havia sido concluído e no último domingo, ao invés de sair seu resultado veio a notícia da revogação da licitação do aeroporto. Segundo o secretário da Secopa seria pela necessidade de “revisões” no orçamento entregue pela Infraero, isso após quase 2 anos elaborando o projeto. O que dizer? Depois do “Molecagem” usado no artigo do ano passado, a vontade foi usar agora como título um palavrão bem expressivo para toda a indignação pelo desrespeito com que a Infraero vem tratando Mato Grosso e Cuiabá, uma das sedes da Copa do Mundo. Em consideração aos caros leitores e leitoras usei um título elegante, deixando o palavrão a critério de cada um.
     Resumo da ópera: após quase 3 anos e meio de Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa, até hoje a Infraero não conseguiu licitar a obra de ampliação do aeroporto da cidade. E faltam 600 dias! Não se trata de problema técnico, incompatível com a qualidade dos corpos técnicos da Infraero e da empresa que elaborou o projeto. Isso é sabotagem mesmo. Só pode ser coisa de gente graúda na Infraero, que já está lá há mais tempo e que até hoje não aceitou o fato de Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa 2014. Sempre é bom lembrar que o aeroporto, junto com a Arena e a avenida ligando os dois, é um dos projetos sem o qual a Copa se inviabiliza, mesmo que a cidade esteja toda pintada em ouro. Isso é sério, faz tempo que acompanho o assunto independente de eleições, mas as eleições existem justamente para o povo avaliar como os governos tratam as coisas públicas.
     Sem dúvida o aeroporto e a ferrovia devem ser cobrados pelos eleitores nestas eleições. São projetos fundamentais para o futuro do estado e para a cidade. Não se trata de oportunismo político, não sou candidato. E foi o governo federal que cortou o trecho ferroviário até Cuiabá e agora revoga com o estado a licitação de seu aeroporto em pleno processo eleitoral. Não dá para passar sem protesto, não somos amebas. O aeroporto e a ferrovia têm sim que ser bandeiras de todos os cidadãos, entidades representativas, setores produtivos e principalmente dos políticos com mandatos ou candidatos, mesmo os da situação, no caso destes para ir a Brasília cobrar de seus parceiros as providências corretivas, ou então defender sem tergiversar o absurdo corte da ferrovia ou a brincadeira da Infraero com o aeroporto. A única arma do cidadão é o voto, que só pode ser usado em períodos eleitorais. Sem ferrovia, sem voto. Sem aeroporto, também. 

(Publicado em 18/09/2012 pelo Diário de Cuiabá, PáginaÚnica, Midianews, BlogdoJoãoBosquo, PáginadoEnock)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

QUE BELEZA!

José Antonio Lemos dos Santos


     À medida que vivemos a gente aprende que as coisas não são boas nem más, positivas ou negativas, nós é que as enxergamos assim ou assado, ou melhor e muito mais sério, nós é que as fazemos de um jeito ou de outro. Aliás, tudo o que existe é obra divina, maravilhosa de origem. A propósito, lembro a velha piada de dois meninos, um pessimista e outro otimista, diante de seus presentes de Natal. O pessimista acordou e viu ao lado de sua cama uma bicicleta espetacular, top de linha, toda equipada. Após algum momento começou a esbravejar contra o Papai Noel pelo presente, pois não havia gostado da cor, as de seus amigos eram mais bonitas e ademais não sabia ainda andar direito de bicicleta, iria cair, ficar todo ralado, quebrar um braço ou uma perna, ou os dois juntos, e, pior, se não aprendesse a andar aquela bicicleta iria virar um trambolho na casa, desperdício, um “elefante branco”. Já o otimista acordou e deu de cara com uma lata de estrume. De imediato saltou da cama, catou a lata e logo saiu correndo feliz gritando: “Ganhei um cavalo! Ganhei um cavalo!”. 
     Certamente que embalado na felicidade pela formatura de Patrícia, minha filha caçula, agora uma fisioterapeuta na família, este artigo é dedicado às tantas coisas boas que estão acontecendo em nossa terra. Nem vou lembrar que a prefeitura e a câmara municipal de Cuiabá mais uma vez perpetraram um espetáculo de truculência antidemocrática e de violência contra a República ao aprovar, na calada, a venda de áreas públicas, rapidinho, sem ninguém discutir o assunto, nem os vereadores e muito menos os moradores dos bairros prejudicados, todos absolutamente carentes de praças, áreas verdes e de lazer. O bom é que o Ministério Público, o parceiro da cidadania na reconquista da cidade, mais uma vez agiu e desta vez por iniciativa própria. Aguarda-se que agora a Justiça dê consequência à ação do MPE. 
     O desfile das coisas boas começa com o secretário Maurício Magalhães dando um show de seriedade e sobriedade na direção da Secopa, hoje talvez a mais importante responsabilidade estadual, conduzir a bom termo as obras da Copa do Pantanal. Não o conhecia, mas seu desempenho confirma as expectativas de que os cargos públicos executivos devem ter a condução de técnicos e não de políticos e que o governador Silval Barbosa acertou em cheio ao escolhê-lo. As obras estão fluindo sem exibicionismos pessoais, sem ciúmes politiqueiros ou puxação de tapetes, com o povo de um modo geral contente, de olhos brilhando na torcida a favor de que tudo dê certo para a cidade. Mesmo os tão temidos engarrafamentos previstos estão sendo contornados com boa vontade e agradável surpresa. Alguns chegam até a dizer que o trânsito melhorou, obrigados a buscar novos itinerários com o uso de velhas ruas antes ociosas, em um processo de revascularização viária forçada que parece estar dando bons resultados. 
     No embalo do desenvolvimento regional turbinado pela Copa, a cidade virou um canteiro de obras. Além das obras da Copa, hotéis, edifícios comerciais, torres e conjuntos residenciais, a fábrica de cimento no Aguaçu e empreendimentos individuais menores sacodem a economia local com recordes na geração de emprego e renda. Outro dia foi noticiado mais um grande shopping na cidade, inteirando três novos com o de Várzea Grande e o que está sendo triplicado no Goiabeira. Sem mais espaço no artigo, resta lembrar as eleições, que sempre são boas, pois trazem esperança. Às vésperas de seu tricentenário, Cuiabá vive o melhor momento de sua história e não pode perdê-lo. Ascendamos à altura da cidade, candidatos e eleitores, governantes e governados. 
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 07/08/2012)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A ARENA DE MINHA JANELA

Ontem assisti parcialmente a uma entrevista do Secretário da Secopa no Canal 5 daqui de Cuiabá. Muito interessante, até para conhecê-lo. Pareceu-me uma pessoa despida de estrelismo e focada na continuidade das obras. Disse que as obras da Arena Pantanal estão com melhor desempenho dentre as arenas que não disputam mais a Copa das Confederações, dando a entender que houve uma desaceleração nas obras. 
Segue para avaliação de cada um. Veja como estão as obras da Arena Pantanal vistas de minha varanda hoje dia 4 de junho de 2012:


                                                                         Foto: José Lemos


Dá para comparar com a do mês passado:



                                                                 Foto: José Lemos


E com a do início do ano (04/01/12):


                                                         Foto: José Lemos

terça-feira, 24 de abril de 2012

NABABESCAS MOAGENS

José Antonio Lemos dos Santos

     A recente queda do senhor Éder Moraes, até então secretário da Secopa, lembrou-me de imediato o impeachement de Collor, então todo poderoso presidente do Brasil. Tento explicar, mas antes é bom esclarecer que não votei no ex-presidente. Aliás, fizemos na mesma escola em Brasília o segundo grau, chamado de “científico”, e já naquela época não votei nele para o diretório acadêmico. Foi talvez sua única derrota eleitoral, ainda que por um só voto, cuja autoria foi disputadíssima após a eleição. Como todos sabem, o ex-presidente Collor fez muitas coisas erradas. O que nem sempre é lembrado é que fez também algumas coisas certas. E ele caiu justamente pelas poucas, mas importantes, coisas certas que fez, como a abertura do Brasil ao mercado internacional, não negociar com o Congresso e o fantástico programa dos CAICs, inspirado em Darcy Ribeiro, escolas produzidas em série para funcionarem em tempo integral, do qual tive o privilégio de participar como arquiteto junto à sua coordenação em Brasília.
     Quanto ao senhor Éder Moraes, também é bom dizer que não me é simpático como homem público e inclusive lhe critiquei diversas vezes em artigos por atitudes à frente da Secopa. Porém, durante sua gestão, e podia ser com outro, os projetos da Copa do Pantanal continuaram andando e nas últimas semanas foram abertas licitações e dadas ordens de serviços para muitas obras importantes. Sem contar as obras que virão, contando só com as que estão em andamento e mais aquelas que já estão licitadas, com ordem de serviço e recursos empenhados, isto é, prontas para iniciar, só estas obras já configuram o maior pacote de obras urbanas concentradas no tempo em Cuiabá e Várzea Grande. Por isso ele caiu. Não se trata de defendê-lo, ao contrário, quero obras e não essas nababescas moagens públicas do entra-e-sai, do seis por meia-dúzia, que assistimos e pagamos, e que sempre terminam em pizza.
     Éder Moraes caiu como cairá qualquer político que ficar à frente desse extraordinário pacote de obras no maior colégio eleitoral do Estado. Nem é preciso explicar. Quem ficar politicamente à frente desse pacote de obras, e ser competente para realizá-lo, será o próximo governador do Estado. No mínimo entrará mais forte na disputa, pois terá um palanque bilionário de obras como base de sua candidatura. Convenhamos ser um risco muito grande para os demais pretendentes ao governo, que já existem e estão se preparando na surdina. Qualquer um que seja, vai que o “cara” da Secopa consiga executar as obras. E aí? Uma séria ameaça. Por via das dúvidas, pau nele, seja quem for ou quem vier. Ainda que não tenha algum “rabo-preso” – difícil! - lhes criarão um ou mais. Uns cairão antes de subir. Absurdo mas este é o preço político das obras, exacerbado neste caso da Copa com tantas obras concentradas. Mas o que esperar da antiga cultura política brasileira, não apenas cuiabana, cuja máxima é não colocar azeitona na empadinha dos outros, ainda que as azeitonas sejam obras ou serviços fundamentais para a qualidade de vida do povo?
     Como político, para o governador Silval a Copa é a velha faca de dois gumes: consolidação ou fracasso. É ele quem está à frente da Copa do Pantanal para o certo ou o errado. Agora é fazer ou fazer. É hora de um técnico liderando a Secopa, em especial arquiteto ou engenheiro, um técnico que seja do governador antes de tudo, de sua confiança e bancado politicamente por ele, com muita experiência em obras públicas mesmo assim com reputação preservada, que possa ter foco exclusivo nas obras. Como foi Sátyro Castilho para Fragelli na construção do CPA. A chance da despolitização da Copa é agora, caminho único para a viabilização máxima de suas oportunidades e de seu legado.
(Publicado em 24/04/2012 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, Hipernotícias, ODocumento, EFNotícias, PNBOnLine, EscritaArquitetura, TurmadoEpa, BlogdoJoãoBosquo, NotíciasNX, RepórterMT, AraguaiaDigital, RufanoBombo, AImprensadeCuiabá, Mederovsk, BioMozer )