"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



Mostrando postagens com marcador pontes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pontes. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de novembro de 2013

MUITA COISA BOA

Edson Rodrigues/OlharDireto


José Antonio Lemos dos Santos

     Às vezes o mais difícil em um artigo é definir o assunto, neste em especial, ante tantas coisas boas que estão acontecendo e não podem passar despercebidas. Resolvi então tratar tudo o que me vier à cabeça, enquanto der no texto. Puxo a lista com o início das inaugurações das obras da Copa com as pontes sobre o Coxipó, uma ligando a Rua Antonio Dorilêo à Beira-Rio, aliviando a Fernando Correia e trazendo conforto à grande parte da população do Coxipó; a outra no Jardim das Palmeiras ligando a Fernando Correia à Archimedes Lima, então isoladas entre si por quilômetros, desde o Boa Esperança até o Tijucal. Marcada para ontem à noite, a inauguração do viaduto do Despraiado abre o ciclo das obras maiores e visa desbloquear o acesso àquela importante área da cidade. Nas fotos aéreas está muito bonito, mas quero passar por cima dele para avaliar melhor. 

MaykeToskano/Secom-MT


     Gostei também dos nomes escolhidos para os novos equipamentos urbanos, em especial os dos engenheiros Quidauguro Fonseca e Domingos Iglésias Valério os quais tive a sorte de conhecer pessoalmente me ensinando grandes lições de cidadania e respeito para com a profissão e a coisa pública, sem perder a simplicidade e a gentileza no trato das pessoas apesar de todos os desafios que venceram e os cargos que ocuparam. Se ainda não foram lembrados e minha intromissão não atrapalhar o processo de escolha dos homenageados, tomaria a liberdade de lembrar os professores Sátyro Castilho e Júlio De Lamonica Freire por tudo que fizeram pela cidade, em especial na criação do CPA e nas implantações da própria UFMT e do curso de Arquitetura na Unic. 
     Ainda ligado à Copa, no dia 6 de novembro chegou afinal a primeira composição do VLT a Cuiabá. Outras 4 estão navegando, devendo chegar aqui em dezembro. Agora um novo desafio, o de fazê-lo funcionar em articulação com os outros modais garantindo um elevado padrão de mobilidade urbana para a cidade e seus cidadãos. Também em função da Copa, mas um assunto pouco comentado, Cuiabá ganhou no dia 4 de julho o privilégio de ser uma das poucas cidades do Brasil a dispor da internet 4G, a mais rápida e moderna conexão móvel do país. Sabe quando seríamos prioridade sem a Copa? Nunca. Resta que saibamos aproveitar esta vantagem comparativa extraordinária. A última boa sobre a Copa é o esgotamento dos ingressos disponibilizados pela FIFA para os jogos na Arena Pantanal. Para alguns a Arena não teria público. Ainda bem que comprei logo o meu para o primeiro jogo. Assisti ao primeiro e ao último jogo do Verdão. Se Deus quiser estarei presente na inauguração da Arena Pantanal e no primeiro jogo da Copa.
     Extra Copa, não pode ser esquecida a realização dos Jogos dos Povos Indígenas, transformando a cidade na capital indígena das Américas. Espetáculo de vida, cores, cultura e integração, acho que Cuiabá podia ter aproveitado melhor o evento em termos de divulgação nacional e internacional, atraindo mais visitantes entre os simpatizantes e estudiosos da cultura indígena dispersos pelo mundo. 
     Tivemos ainda a anulação pela Justiça das alterações propostas pela Câmara de Vereadores na Lei do Uso e Ocupação de Solo Urbano de Cuiabá. Se forem necessárias alterações, que sejam em bases técnicas e conforme os ritos legais. A semana trouxe também a conclusão do processo dos “mensaleiros” e uma nova, inteligente e simpática forma de protesto trabalhista com os jogadores do campeonato brasileiro recusando-se a jogar por 1 minuto em uma das rodadas em prol de melhores condições de trabalho. Uma prova de que as antipáticas e improdutivas greves, que só trazem prejuízo ao povo, possam um dia ser substituídas por alternativas de luta mais eficientes e criativas? 
(Publicado em 19/11/2013 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 28 de maio de 2013

DE OLHO NAS OBRAS

Viaduto do Despraiado - Secom


José Antonio Lemos dos Santos

     No próximo 31 de maio completam 4 anos da escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Aliás, mesmo antes da escolha o assunto já se desenvolvia, ao menos desde 2006 quando de uma visita do então presidente da CBF a Cuiabá, momento em que o então governador Blairo Maggi percebeu que a capital mato-grossense poderia disputar nacionalmente uma das sedes, ainda só 10 naquele momento em que nem o Brasil havia sido escolhido para a Copa. Nem sequer se pensava que uma das sedes seria no Pantanal. De lá para cá muita coisa aconteceu. Acho que dá até para identificar os anos de 2006 até 2012 como uma fase heroica neste monumental processo da Copa em Cuiabá. Primeiro um momento de grandeza de visão e coragem para decidir entrar numa arriscadíssima disputa que nem o maior dos otimistas poderia sequer imaginar, quanto mais vencer. Depois uma etapa da competência técnica e política na preparação de informações e planos para convencimento da FIFA de que Cuiabá deveria ser a escolhida, superando outras belas e até melhor preparadas cidades brasileiras concorrentes. 
     Cuiabá venceu e imediatamente teve que cair na realidade de que aquele momento que vivia não era um sonho. Ou por outra, era sim um sonho, mas um sonho real que trazia junto a obrigação de se preparar adequadamente para um dos maiores eventos do planeta, uma imensa responsabilidade não só perante si própria, mas perante o Brasil e o mundo. A menor das sedes e para muitos, a menos preparada. O patinho feio com a obrigação de mostrar-se em pouco tempo como um belo cisne capaz de agradar ao mundo. Uma tarefa hercúlea por si só e que contava ainda com o agravante de poderosa oposição de algumas das cidades preteridas, que vez por outra ainda vocifera incrustada em alguns setores da imprensa nacional, bem como de compreensíveis vozes discordantes locais, desde aquelas questionando investir na Copa, ao invés de na saúde ou na educação, até aqueles crentes de que a Copa seria apenas um pretexto para uma enorme roubalheira pública, ou aqueles outros para os quais sempre nada dará certo, posição que vai desaparecendo à medida em que as obras avançam. 
     Acontece que Cuiabá, aos trancos e barrancos vem superando todas estas etapas e hoje desapareceram aqueles riscos da cidade perder a Copa e dos investimentos públicos e privado não acontecerem. Muito ao contrário, a cidade é um grande canteiro de obras e vive um momento de superofertas de vagas de trabalho em todas as áreas da economia. Carros de som percorrem os bairros oferecendo vagas. Alguém já tinha visto isso? Os principais investimentos sacrificam a mobilidade urbana cotidiana, mas tomam forma aos nossos olhos, tais como a Arena, o aeroporto, viadutos, trincheiras, pontes, novas avenidas, a fábrica de cimento, shoppings, torres hoteleiras e de apartamentos, grandes lojas, etc., tudo em um ambiente de euforia e grandes perspectivas. Se outro dia o ambiente era de incredulidade quanto às obras, hoje é de crescente encantamento com o desenvolver delas. 
     O risco é passar da fase heroica para uma de deslumbramento, esquecendo que quase tudo ainda está por fazer em menos de 1 ano. Mesmo que a maior parte das obras já tenha sido iniciada, se encontre em ritmo acelerado e em estágios de irreversibilidade, é preciso continuar cobrando, criticando e aplaudindo quando necessário. Cadê o Fan Park? Como o VLT se integrará aos demais modais de transporte? Que modelo de gestão será adotado para o transporte público metropolitano, hoje ainda tocado pelas mãos de Cuiabá, de Várzea Grande e do governo do estado, nem sempre concordantes? Assim como o olho do dono é que engorda o gado, o bom olho do cidadão é que deve cuidar da cidade. 
(Publicado em 28/05/2013 pelo Diário de Cuiabá)