"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 19 de março de 2018

A ARENA E OS LAUDOS

Foto EdsonRodrigues/Secopa

José Antonio Lemos dos Santos
     Recordo minha surpresa quando vi a Arena Pantanal resplandecente em seu primeiro teste de iluminação. Foi da varanda de meu apartamento. Maravilhado com aquela imagem fantástica subitamente engastada entre as luzes da noite cuiabana escrevi o artigo “A nave pousou”, em 25 de março de 2014, há 4 anos. Não me ocorria melhor comparação do que uma espaçonave daquelas de Spielberg ou talvez Flash Gordon. Espetacular! Aliás, foi considerada uma das arenas mais espetaculares do mundo pelo jornal espanhol El Gol Digital, de Bilbao, cidade que entende do assunto pois abriga alguns dos mais importantes exemplos da arquitetura contemporânea.
     “Mas para essa nave voar e trazer seus benefícios é preciso antes entendê-la e aprender pilotá-la” previa o artigo, aprofundando em reflexões sobre suas enormes potencialidades e dificuldades. As arenas modernas não são só um estádio de futebol, mas um equipamento multiuso, um novo tipo de edifício resultante das demandas e possibilidades do mundo moderno com o avião a jato, a internet, a fibra ótica e a TV via cabo e satélite. São filhas do tempo atual, irmã da nossa fantástica agropecuária high tech, que alimenta boa parte do mundo e segura a balança comercial brasileira. São complexas plataformas midiáticas globais para eventos que extrapolam o interesse local e podem chegar ao nível da audiência planetária, como numa Copa do Mundo ou num show do Rolling Stones, através da TV via satélite.
     A viabilidade das arenas está em plateias nacionais ou mundiais via direitos de transmissão, publicidade e pacotes de viagens, não mais só pelas bilheterias locais. Assim, transformam-se em poderosas ferramentas de desenvolvimento não só na área do esporte, mas no turismo, educação, saúde e até na segurança pública, tema tão cruel e desafiador no Brasil atual. O esporte é uma das formas mais sublimes de expressão da vida e, investir no esporte é investir na vida saudável, pois o corpo é seu principal instrumento, sem espaço para as drogas e os outros descaminhos da violência, do crime e da degradação humana. Além disso, o esporte é uma das mercadorias mais valorizadas e consumidas no planeta, um mercado de trabalho fascinante aos jovens acenando-lhes como um caminho de realização profissional e pessoal, o único competitivo frente às tentações fáceis do mundo do crime.
     Assim, a Arena Pantanal me atrai não só como arquitetura, mas como uma poderosa arma de desenvolvimento social que nos  custou muito caro e urge ser aproveitada. Só que as arenas são instalações enormes, sofisticadas e complexas. Eram previsíveis muitas dificuldades de gestão, em especial para a Arena Pantanal, evidenciando desde logo a necessidade de criação de uma estrutura especializada para sua gestão, privatizada ou não. De outra forma, como garantir uma agenda mínima de eventos esportivos, culturais e outros de interesse nacional ou internacional capazes de viabilizar o complexo? E como garantir o constante funcionamento, limpeza e manutenção desse equipamento que envolve grandes extensões de pisos, milhares de assentos, instalações sanitárias, placas solares, redes de TIC, iluminação interna e externa, sonorização, telões, catracas eletrônicas, sistemas de segurança, e mesmo o gramado, seu principal palco, que deve permanecer sempre dentro dos elevados padrões internacionais?
     Qual o quê! Apesar de algumas interessantes iniciativas avulsas no último ano, é triste ver que até hoje os responsáveis pela Arena Pantanal não conseguem providenciar os simples laudos técnicos anuais para seu funcionamento contínuo, como faz qualquer boteco ou bolicho de ponta de rua. Triste, parece que nossa nave pousou em terra errada.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

CUIABÁ ESPETACULAR

José Antonio Lemos dos Santos

skyscrapercity.com


Às vésperas do Natal, depois das tantas coisas boas que aconteceram para Cuiabá em 2013, ligadas à Copa ou não, eis que antes de seu encerramento o ano ainda nos reservou o estudo do IBGE sobre o PIB no Brasil em 2011, com algumas conclusões importantes, em especial para Cuiabá, que não podem passar despercebidas. Primeiro é que Cuiabá continua com o maior PIB de Mato Grosso, com uma produção de R$ 12,4 bilhões naquele ano, representando 17,4% do PIB estadual. Após Cuiabá, a segunda maior produção foi de Rondonópolis com R$ 5,7 bilhões. Nada mal para uma cidade tratada por algumas opiniões desagregadoras como uma cidade que nada produz, aleivosia que tem generosa divulgação e acaba passando como verdade à grande parte do senso comum. 

Esse resultado não surpreende e, além de sua própria importância, a divulgação dos PIB’s a cada ano recoloca a verdade em seu lugar, com Cuiabá como o maior centro produtivo do estado. Sempre foi assim, inclusive com essa proporção já tendo sido maior, é claro que diminuindo à medida que o estado desenvolve e o interior avança produtivamente. Considerada a conurbação Cuiabá-Várzea Grande, essa diferença amplia ainda mais, mesmo que também decrescendo. Como já disse, esse decréscimo é esperado e salutar à medida que o estado desenvolve. Mas até quando e até quanto? Isso dependerá das políticas de desenvolvimento adotadas para Cuiabá e Várzea Grande, cujos governos e lideranças municipais têm responsabilidade nas formulações e cobranças, em especial junto aos governos estadual e federal. Políticas de abrangência regional e nacional, não mais provincianas. 

Na verdade não pode ser dado um caráter de disputa entre capital e interior, já que de fato o que existe é uma invejável e vitoriosa simbiose regional ascendente. Temos uma rede urbana polarizada por Cuiabá que dá suporte a toda cadeia produtiva do agronegócio mato-grossense. Cuiabá integra essa grande cadeia produtora através da prestação de serviços especializados, tais como assistência técnica, serviços político-administrativos, de comércio, educação, cultura, saúde e industriais. O atual dinamismo e vitalidade de Cuiabá vêm da força da demanda do interior que a cidade ajudou e ajuda a implantar e desenvolver. Cuiabá centraliza hoje uma das regiões mais dinâmicas do planeta, antes um imenso vazio econômico, e é empurrada para cima por ela. Cabe às lideranças de Cuiabá enxergar esta inserção, como, aliás, fez recentemente o prefeito Mauro Mendes ao assumir com acerto Cuiabá como a capital do agronegócio, dando a entender que desenvolverá políticas no sentido de defender e promover esta condição. É por aí. 

A segunda ótima notícia vem do mesmo estudo do IBGE que aponta o PIB per capita de Cuiabá como o 10° entre as capitais, à frente de 17 outras, entre elas Goiânia, Recife, Goiânia, Campo Grande, Fortaleza, Salvador e Belém. Trata-se de um dado importante, pois é um dos fatores preponderantes na sinalização para investimentos privados em nível do país, além de indicar que existe de fato uma significativa produção de riqueza que pode e deve progressivamente transformar-se em qualidade de vida para a população que a produz. 

A última ótima notícia vem de longe, de Bilbao, na Espanha, onde o jornal “El Gol Digital” classificou a Arena Pantanal como a sétima das mais espetaculares arenas do futuro em todo o mundo. E Bilbao entende do assunto, pois abriga obras de grandes arquitetos mundiais. Resta nos preparar para pilotar essa nave intergalática, pousada no Verdão. Um bom começo é a rica e bem sucedida experiência do Sebrae-MT com o Centro de Convenções. Aliás, precisamos nos colocar à altura de tudo o que vem acontecendo com Cuiabá e Mato Grosso. Feliz Natal! 

(Publicado em 24/12/2013 pelo Diário de Cuiabá)