"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

O CUIABUS (Publicado em 2009)

 

Charge arquiteto professor José Maria Andrade

José Antonio Lemos dos Santos

     Ao invés de uma reforma “meia-boca” no atual sistema de transporte urbano como pode ter dado a entender, o artigo da semana passada - “A Copa e o biodiesel” - propõe que na Copa do Pantanal Cuiabá seja a vitrine mundial de uma verdadeira revolução nessa área tendo o biocombustível como fonte energética e o ônibus de pneus como base veicular. Cidades como Curitiba e Bogotá comprovam que é possível a solução com pneus e a prefeitura de Cuiabá, através da SMTU, informou ter optado por esse tipo de solução, a meu ver acertadamente. Com base nesse reconhecido know-how nacional, o artigo propõe o uso excepcional em Cuiabá do biodiesel a 100% em 2014 e novos modelos de veículos coletivos, recolocando a cidade na vanguarda de um processo iniciado por ela, sede da primeira fábrica brasileira de biodiesel e da experiência dos primeiros ônibus, bem como capital do Estado que mais produz biodiesel. A Cidade Verde tem handcap para mostrar ao mundo como poderá ser em futuro próximo uma cidade com sua circulação livre do petróleo e de seus males ambientais. E o melhor, utilizando um combustível produzido aqui, gerando emprego e renda aqui.

     Na verdade trata-se de uma proposta complexa, como é complexo o problema do transporte urbano em todo o mundo. Ninguém resolveu ou vai resolvê-lo de maneira simples, nem com metrô, VLT, Zepellin ou mesmo com o ônibus que defendo. Atrás da aparente simplicidade proposta no artigo está um conjunto de medidas que formam um sistema novo, organizados em caráter local, que chamo neste artigo de Cuiabus, para destacar seu aspecto inovador. Em sua concepção o Cuiabus reconhece que a base do problema não é tecnológica, mas de gestão pública. E aí nossos problemas começam pois Cuiabá não é só Cuiabá, mas também Várzea Grande e o intermunicipal. O transporte coletivo tem que ser tratado como um só, integrado nos dois municípios, sendo fundamental que os prefeitos e o governador decidam como vão trabalhar em conjunto. Autarquia, empresa ou alguma forma de gestão compartilhada?

     O assunto passa também por uma política nacional de desoneração do transporte público, hoje não só indispensável à sobrevivência popular, mas de toda a cidade. Deve ser tratado como o arroz e o feijão, incluído na mesma cesta básica. O prefeito Wilson Santos já desenvolve essa tese junto à Frente Nacional de Prefeitos e creio na sua viabilidade até 2014, por sua procedência e necessidade. As prefeituras e a Ager poderiam também avaliar desde já o uso de uma tarifa especial para as bordas de pico, significativamente reduzida, buscando diminuir a concentração de passageiros nesses horários.

     Naturalmente, o Cuiabus implica em uma renovação no pavimento do sistema viário, com a criação de calhas exclusivas e nova sinalização horizontal e vertical, enfatizando a circulação dos pedestres e portadores de necessidades especiais. Este ponto parece bem encaminhado pois o governador assegurou a renovação asfáltica da totalidade da malha viária de Cuiabá e a prefeitura já informou ter optado pelo sistema de calhas exclusivas. E em Várzea Grande?

     Por fim, o estado, de preferência com apoio da Fiemt, poderia buscar junto a fornecedores nacionais de ônibus o desenvolvimento de uma nova linha de produtos, abrangendo não só os comuns, mas também os articulados, até os micro-ônibus e vans. A ideia é buscar uma linha completa de modelos realmente novos com base ou não nos já existentes em países do primeiro mundo, adequados à realidade brasileira no século XXI, com design compatível com o imaginário flashgordiano da população e capazes de marcar o advento do novo combustível e uma nova era nos transportes urbanos.

(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 11/08/2009)

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

VALEU A PENA O SACRIFÍCIO DO VERDÃO?

 

COT UFMT e Avenida do Barbado (Foto:minutoMT)

José Antonio Lemos dos Santos

A lembrança dos 10 anos da demolição do antigo Verdão faz retornar a pergunta da época: valeria a pena o sacrifício do belo estádio em troca dos benefícios para a cidade prometidos pela então futura Copa? Quando dos avanços das máquinas demolidoras sobre as arquibancadas a situação era a seguinte: a realização da Copa do Mundo em Cuiabá prometia muitos investimentos e benefícios públicos e privados para a cidade e para o estado, mas era indispensável um novo estádio já que para a FIFA o antigo Verdão não seria adaptável às suas exigências técnicas para os palcos do grande evento. Sem o estádio em condições a Copa não viria para cá e a disputa pelos anunciados benefícios estaria reaberta, o que era ansiosamente aguardado por importantes capitais brasileiras. A desistência de Cuiabá era tida como certa e importantes comentaristas da imprensa nacional insistiam nesta tese, contra Manaus e principalmente, contra Cuiabá, a mais fraquinha, despreparada e desconhecida das sedes escolhidas, até com sabotagens e algumas campanhas preconceituosas contra os cuiabanos.

     Quando colocada a questão ainda não tinham sido definidos que investimentos traria a Copa. Assim, como responder naquela hora? Depois é que foi firmada a “matriz de obras da Copa”. Essenciais ao evento eram tidos como certos só a nova Arena, a ampliação do aeroporto e a ligação entre os dois. Já se falava também em uma calha exclusiva para o transporte coletivo ligando o aeroporto ao CPA, porém com o BRT. Mas isto era pouco, ainda mais sem nada compromissado. 

     Não aceitar a troca seria “devolver” a Copa entregando a outra cidade as possibilidades das melhorias prometidas, negando às gerações futuras a chance de viverem em uma cidade melhor. Em suma, a responsabilidade era imensa diante de uma aposta arriscada, mas com um prêmio excepcional, em especial para Cuiabá, a menor das sedes da Copa onde tais investimentos fariam enorme diferença, diferente das grandes metrópoles nacionais. Fácil seria apostar na corrupção, incompetência, falta de ética e de responsabilidade pública que, infelizmente, marcam a história de nosso país. Como urbanista e cuiabano, optei em confiar na Copa como um projeto nacional em que o Brasil se expunha ao mundo sem poder “passar vergonha” e que, por isso, o balanço ao final seria positivo para a cidade. A Copa não pelos seus 4 jogos, mas pelos benefícios que poderia trazer em curto prazo. Bandidagem, ladroagem, deixei aos órgãos competentes, MPs, Justiça e às diversas polícias.

     Hoje, passados 10 anos, já me arrisco a uma avaliação cidadã certamente polêmica, mas apolítica e desapaixonada para o caso específico de Cuiabá. Não vale para Rio ou qualquer outra metrópole brasileira. Conclusão: valeu a pena, ainda que com muitas obras não concluídas ou com qualidade inferior, mas já ajudando bem a cidade, com algumas poucas como as do VLT prejudicando bastante a todos, bem como com autoridades impunes e outras não devidamente valorizadas. 

     Em 2017 o governo estimou em no mínimo R$ 1,0 bilhão, o valor das obras públicas da Copa na cidade, fora o VLT. Delas destaco a ampliação do aeroporto, as trincheiras e viadutos, as avenidas da Guarita, Mario Andreazza, Barbado, a extensão da Archimedes e a ligação direta do São Gonçalo. Como estariam Cuiabá e Várzea Grande sem elas? E a Arena, espetacular! Como investimentos privados destaco a fábrica de cimento no Aguaçu, as 15 torres hoteleiras e os 4 shoppings, sendo duas ampliações e um lançamento em Cuiabá, e a reativação de um projeto em Várzea Grande. Mas o maior legado da Copa foi ter ensinado que manter paralisada uma obra pública sem razões intrínsecas é tão ou mais criminoso quanto corrompê-la em sua origem.



segunda-feira, 4 de março de 2019

AS OBRAS DO VLT


Foto José Lemos
José Antonio Lemos dos Santos
     O artigo da semana passada sobre o “Largo do Rosário” trouxe à baila questões similares sobre as demais obras componentes do projeto do VLT. De fato, o projeto do VLT envolve vários “sub-projetos” muitos também parados, atravancando e enfeiando o espaço urbano, outros já em uso pela população e outros que também poderiam estar sendo usados bastando o interesse público e algumas intervenções inteligentes. Como o objetivo final do projeto do VLT é vê-lo rodando, enquanto isso não acontece a impressão que se tem é que nada foi feito. Mas foi, e o que foi feito, ainda que paralisado e não concluído, podia estar sendo melhor aproveitado paliativamente, ou pelo menos mantido em condições que não prejudicasse tanto a cidade e o cidadão.
     Antes, duas considerações. Primeira, abordo este assunto com tranquilidade pois à época em que se rediscutia a opção entre o BRT e o VLT, posicionei-me em artigo a favor do BRT. O VLT venceu, foi tocado e investidos mais de R$ 1,0 bilhão (sem as correções), dois terços do projeto. A partir daí, sem retorno, sou favorável à sua conclusão. Outra preliminar é que não trato sobre a propalada e provável corrupção que tenha acontecido, assunto para as polícias e tribunais nas suas diversas competências. Reflito aqui sobre alternativas provisórias de utilização para as obras do VLT, não todas as obras da Copa, ainda que antes de concluídas e que estão aí paradas em diversos estágios de execução, sem uso ou até atentando contra a estética e a segurança urbana em pleno Tricentenário de Cuiabá.
     Dentre as obras que já servem à cidade talvez a principal seja a trincheira do Quilômetro Zero. Inimaginável como estaria se não existisse. Outra muito útil é o viaduto “Hotwheels”, como ficou conhecido. Logo que liberado ao uso ficou tão bom que resolveram aproveitar para criar um novo acesso à região administrativa do CPA, complicando de novo o trânsito daquele trecho. Também de grande utilidade são os viadutos da saída para Santo Antônio e o da UFMT, este com problemas iniciais de alagamentos depois aparentemente resolvidos e sofrendo com a não conclusão da nova avenida do Barbado. Ambos com problemas em alças de conversão que podem ser melhoradas com pequenas desapropriações, talvez até previstas no projeto, mas não realizadas. Se não está ótimo com eles, imaginem se não existissem.
Foto José Lemos
     Outras obras inconclusas do VLT também já poderiam ser úteis à cidade como o terreno deixado pelo deslocamento do Atacadão, logo no principal acesso à capital, vindo do aeroporto. Vira um espaço útil apenas com a limpeza do terreno, iluminação, arborização, criação de passeios públicos e a colocação de bancos e aparelhos de ginástica. Que ao menos fosse limpo e feitas as calçadas, que são equipamentos de segurança pública exigidas por lei. Outra obra que pede um uso digno é a estação do VLT em frente ao aeroporto. Com pequenas adaptações poderia servir como confortável abrigo para os ônibus urbanos e metropolitanos que hoje param ali, mas fora da cobertura e na pista de rolamento da avenida pondo em risco o trânsito e os usuários. Outra é o viaduto da Trigo de Loureiro, pronto, mas ainda fechado. Sua desobstrução, sem dúvida ajudaria muito a Avenida do CPA em um de seus trechos de maior conflito. Por fim, a terceira ponte Júlio Muller que muitos nem sabem que foi feita e não é utilizada pelos veículos. Poderia ser tratada urbanisticamente como ciclovia e passagem de pedestres facilitando a vida dos que cruzam diariamente o rio, em especial os moradores do Porto e da Alameda. Talvez até desse um belvedere para apreciação privilegiada do rio por turistas ou mesmo pela população local. Sugestões ainda para o ano do Tricentenário.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O LARGO DO ROSÁRIO

Foto José Lemos
José Antonio Lemos dos Santos
     Suponhamos que você tenha adquirido um imóvel e precisasse demolir uma edificação existente no terreno. Depois por algum motivo você teve que interromper a demolição e essa interrupção durou mais do que o esperado deixando no local as ruínas da demolição não concluída, enfeiando a cidade e oferecendo riscos à segurança e à saúde da população. Se isso acontecesse e se vivêssemos num país onde as leis fossem cumpridas, em especial as a favor da população, em pouco tempo seu imóvel seria vistoriado pela prefeitura para avaliar os riscos à segurança pública ou os prejuízos à estética da cidade e em caso de confirmação dos malefícios, você seria intimado a tomar as providências devidas com prazo fixado e sem prejuízo de multas.
     Seguindo o raciocínio, quando o governo desapropria um imóvel também está assumindo as responsabilidades por ele, ficando sujeito às mesmas regras cabíveis aos simples mortais. Quando o governo decidiu implantar o VLT em Cuiabá tinha como uma de suas primeiras tarefas a desapropriação dos imóveis por onde o projeto passaria. E, de fato desapropriou diversos imóveis. Fato é que, por razões que extrapolam a este artigo, o empreendimento governamental foi paralisado e até hoje, passados quase cinco anos ou mais, não existe perspectiva de prazos para sua continuidade, a não ser a manifestação do governador e seu secretário de infraestrutura no sentido de decidir se sim ou não em um ano, mas afirmam, com preferência inicial pela implantação. Acho bom.
Foto José Lemos
     Enquanto seguia o projeto do VLT muitos dos imóveis desapropriados foram devidamente demolidos e seus entulhos retirados, porém sem nenhum outro cuidado adicional, nem fechamento ou limpeza, e muitos estão hoje servindo para depósito de lixo ou entulhos de terceiros, abrigo de marginais, foco de animais peçonhentos e aedes aegypti, além de enfeiar a cidade. E continuam assim, de mal a cada vez pior. Por suposto a prefeitura não visitou o setor competente do governo cobrando providências ou, se foi, nem deram bola.
     Uma quadra inteira no centro histórico de Cuiabá chamada hoje de “ilha da banana” por parecer com a fruta nas imagens de satélite, é o símbolo maior dessa vexatória situação que traz tão graves prejuízos à cidade. Localizada no sítio onde se deu a descoberta do ouro da origem de Cuiabá, bem em frente a alguns de seus cartões postais como a igreja do Rosário e São Benedito, a igreja do Senhor dos Passos, a mesquita de Cuiabá e colada ao Morro da Luz, deveria ser um dos pontos mais acarinhados pelo cuiabano no Tricentenário. Mas ao contrário, teve a quase totalidade de seus imóveis desapropriados e demolidos restando lá suas ruínas já a anos, colocando sob diversos e graves riscos a população, dando péssima impressão aos turistas, em suma, maculando um espaço que deveria ser sagrado ao cuiabano. Enquanto isso a prefeitura corre atrás de novos projetos para “embelezar” a cidade, quando podia também concentrar esforços na “ilha da banana”.
     No ano do Tricentenário de Cuiabá essa situação não pode perdurar. Como não dá tempo para implantar de forma definitiva o “Largo do Rosário” proposto com o VLT, por certo que até a Festa de São Benedito ainda daria para limpar aquela área, aplainá-la, basicamente um trabalho de tratores complementado com passeios, bancos, iluminação, arborização e gramados em um projeto emergencial simples, compatível com o prazo e a versão definitiva do “Largo”. Muitos dos largos históricos começaram como um espaço simples aberto à frente de igrejas ou órgãos públicos. Alguns dirão que não dá tempo nem para isso. Então, que no mínimo limpem a área despoluindo a paisagem. O que não dá é continuar do jeito que está.
Foto José Lemos

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

2018, A ENCRUZILHADA

Resultado de imagem para encruzilhada
pipocasalpimenta.blogspot.com
José Antonio Lemos dos Santos
     Os anos geralmente chegam trazendo ótimas ou no mínimo boas expectativas de futuro. 2018, contudo, chega com a cara um pouco diferente prevendo alguns gargalos sérios para o mundo e principalmente para o Brasil. O mundo com a volta da perspectiva de um confronto nuclear de terríveis consequências para a humanidade, já o Brasil com dois eventos desafiadores para suas instituições nacionais que terão que dar provas de grande maturidade ou, no mínimo, de um grande esforço de amadurecimento, indispensável à consolidação do país como nação civilizada e democrática.
     O risco do confronto nuclear não seria de atemorizar tanto, ainda que seja muito grande o risco da proximidade entre botões nucleares e dedos guiados por cabeças de sanidade duvidosa. Botões são antigos, hoje talvez baste uma tecla “enter” para dar início a um apocalipse pós-moderno. Não haveria o que temer como prognosticou Mao Tsé-Tung na primeira Guerra Fria, diante da ameaça dos EUA e Rússia se engalfinharem com suas bombas nucleares e destruírem o mundo junto. Nessa época eu era adolescente e o medo que pairava no planeta era real quando Mao chamou os “machões” nucleares de “tigres de papel”. Na época a maioria não entendeu, nem eu. Só entendi agora com os poderosos EUA sendo desafiados pela Coreia do Norte, esta naturalmente também montada em um arsenal, ou digamos, em um estoque não tão grande assim de mísseis atômicos. Bomba atômica só é poderosa contra adversários que não as têm. Quando o outro também tem, aí a história é outra. O arrogante nuclear coloca o rabo entre as pernas e a perspectiva da hecatombe se reduz a um “galinhaço” acovardado como o que estamos assistindo. Ainda bem, pois assim temos assegurados os 365 dias de 2018 para cuidarmos de nossos próprios gargalos.
   Já no Brasil os riscos são mais iminentes. Ainda em janeiro haverá o julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula, que poderá ou não liberar sua candidatura à presidência da República, em pleito marcado para outubro próximo. São dois momentos que exigirão não só das instituições nacionais, mas de todo povo brasileiro grande maturidade cívica e elevada consciência democrática e republicana para que sejam viabilizadas as decisões constitucionalmente corretas sendo aceitos civilizadamente quaisquer que sejam os resultados advindos dos tribunais e das urnas. A radicalização de posições no qual o país se embrenha pode leva-lo ao caos, isto é, nem para um lado nem para outro, mas para sua destruição enquanto nação. Uma encruzilhada.
     Para Mato Grosso renova-se o grande desafio das eleições majoritárias para governador e senador, bem como as ardilosas eleições proporcionais que exigem especial atenção do eleitor para não votar em um bom candidato e eleger um outro indesejável, ajudando assim a reproduzir este nefasto quadro político que envergonha a nação e sacrifica seu povo. Quanto a Cuiabá a agenda deveria ser a preparação para o seu Tricentenário com projetos que permitam à cidade alcançar melhores padrões urbanos e maior qualidade de vida. O que resta, porém é concluir as obras da Copa, em especial o aeroporto, as trincheiras, os COT’s e a Arena Pantanal, mesmo sem o VLT, e outras obras também inconclusas tais como o novo Aquário Municipal, o novo Pronto Socorro Municipal, a UPA do Verdão, os hospitais Júlio Muller e o Regional da UFMT, as duplicações para Guia, Chapada e São Vicente. Seria um bom pacote. Aproveitando o ano eleitoral, o grande desafio será a viabilização de uma cobrança forte e efetiva da cidadania organizada pois o tempo é curto e os órgãos responsáveis lentos, mesmo para a conclusão de obras que já deviam estar concluídas a muito tempo.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O SOFÁ

GRzero

José Antonio Lemos dos Santos
     Ainda com a alma exultante pela vitória do Cuiabá no último domingo em Alagoas, lembro a antiga piada do marido que chega de repente em casa e flagra uma cena de traição no sofá da sala. Tentando demonstrar autoridade e poder toma uma decisão drástica, vendeu o sofá. Ela pode até nem ser mais tão gozada, mas traduz muito bem muitas situações sérias que vivemos no Brasil, do Caburaí ao Chuí.
     Senão, vejamos. O estádio Presidente Dutra, o histórico “Dutrinha” como é carinhosamente chamado foi fechado por mais de 2 anos sob alegação de falta de segurança, após uma manifestação irresponsável de agressão aos árbitros ao final de uma partida por parte de alguns torcedores. A agressão só não foi às vias de fato justamente pela proteção que o estádio deu ao trio, protegido por um gradeado metálico que vai do campo até um local seguro, sob a arquibancada. Ainda devem existir vídeos na internet desse triste espetáculo onde se pode ver os agressores enfurecidos, tentando em vão vencer a proteção metálica. O que aconteceu? Ninguém foi punido, mas o Dutrinha foi prontamente fechado, com graves prejuízos ao esporte mato-grossense, com jogos sendo realizados em campos de bairros, estes sim sem a menor condição de jogo ou de segurança, higiene, tanto para jogadores como aos torcedores. Nesse tempo de interdição o Dutrinha foi abandonado por seu proprietário, o município, e reaberto degradado, agora em condições muito piores do que quando foi fechado. Deixaram acabar o campo sagrado do futebol mato-grossense onde jogaram Pelé, Garrincha, Mazurkiewicz, Ruiter, Bife e outros, impossível para receber uma partida e terá que ser refeito. Ninguém punido. Só o sofá!
     Tem o caso também do VLT que, por responsabilidades conhecidas publicamente, substituiu a 2 anos da Copa o BRT, o outro modal, menos sofisticado, que já havia sido escolhido 2 anos antes, com projetos e financiamentos definidos. Na época em que aconteceu a troca cheguei a escrever artigos colocando-me a favor da continuidade do BRT, não porque o VLT fosse necessariamente inadequado para Cuiabá, mas por que não havia mais tempo hábil para concluí-lo para a Copa, apenas 2 anos depois. Não deu para ser feito. Desconfiava-se e hoje é confirmado que pintaram os canecos em cima do VLT, como no sofá. Sabem o que está acontecendo? Estamos discutindo se jogamos fora o sofá ou não. Depois do cidadão mato-grossense ter pago pelo sofá mais de 1 bilhão de reais! E desconversa-se sobre os que se esbaldaram sobre o VLT. Na época correta fui contra o VLT, hoje sou pela sua conclusão, bem executado, integrado à cidade e aos demais modais, e com rápida punição aos de culpa comprovada, nos mais elevados rigores da lei.
     O país precisa de uma reforma política séria que não seja apenas a troca de um sofá eleitoral por outro como é sempre feito. Com frequência a lei é mudada sob o argumento de que a nova não será fraudada. E os danadinhos fraudam. Aí mudam de novo e de novo é fraudada pelos mesmos bandidos de nomes e caras conhecidos no noticiário nacional e internacional. E fica esse mimimi em busca de um sistema à prova de corrupção, quando o que falta é punição aos corruptos. Não são as leis que se auto corrompem, elas são corrompidas. Mas sobre os fraudadores, necas de pitibiribas!  Agora a panaceia política será uma nova troca de sofá. Fingem trabalhar sério, mas estão certos de que não serão incomodados e continuarão a se esbaldar em qualquer modelo de legislação. E a tão esperada reforma política, a mãe de todas as reformas, corre o risco de ser apenas uma nova troca de sofá na sala para desfrute dos protagonistas de sempre.
(Publicado em 29/08/17 pelo Diário de Cuiabá, Midianews, ...)
Comentários extra Blog:
Por e-mail:
30/08/17 Tio Zé,
De fato muito bom o artigo.
Quanto não seriamos melhores se a lei fosse seguida.
Atenciosamente,
Victor Parente Badauy

Zé,
Muito bom e contundente. Pena que os que deveriam ler não leem, ou leem e fingem não ter lido.
Um abraço,
Felipe

Cléber Lemes
Parabénsssssssssssssssss  pelo excelente artigo. Faço sua as minhas palavras. Um abraço.

Caro José António,
Acho o seu artigo interessante e bem colocado. Podemos ser a favor ou contra o modal, contra decisões tomadas que implementadas geraram alteração do tecido urbano e que dificilmente poderão ser revertidas. Estas decisões podem ter sido corretas ou erradas, os seus fundamentos podem ser questionados, mas perante o problema, o jogar fora, o fechar, o suspender, são formas de não enfrentar diretamente o problema.
Da parte que me diz respeito tenho duas razões para agradecer a existência do VLT, a primeira pessoal. O VLT foi a razão da minha vinda para o Brasil, país do qual me apaixonei e no qual decidi ficar após terminar o meu período de expatriação. A segunda é profissional. Fiz parte do desenvolvimento do sistema de rede aérea de tração, sistema ultra moderno, com critérios de qualidade muito elevados e que garantiam uma baixa manutenção, pelos equipamentos e materiais utilizados. Visualmente, se pode confirmar a elegância do sistema, com utilização e uniformização dos postes e apoios (consolas). Profissionalmente é muito triste ver que o nosso trabalho não é concluído e que os seus benefícios não são compartilhados pela população.
Nessa perspectiva é crime a má decisão de validar a escolha errada de um modal, tendo presente que a vida útil de um projeto de transportes ultrapassa em muito a “Governança” do decisor político, mas é igualmente criminoso abandonar e desperdiçar todo o investimento efetuado em prole de “Governança” uma vez mais política.
Que Cuiabá sirva de lição para o futuro! Mais planejamento, mais suporte técnico nas decisões políticas e melhor monitoramento e controle.
Desejo muito que este final seja feliz!
Atenciosamente,
Filipe Amourous

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Josias da Silveira
Dar continuidade a esse projeto só vai alimentar mas ainda a corrupção, e vai custar o dobro para finalizar o projeto cheio de falhas técnicas, O que é o dobro do custo para a execução do projeto do BRT que foi estudado durante 2 anos
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Jose Antonio Lemos Santos
Jose Antonio Lemos Santos Meu caro Josias, respeitando sua posição, acho que não devamos parar de fazer as obras públicas necessárias porque há corrupção. Assim pararia tudo o que fosse do interesse público e só os corruptos continuariam. A meu ver nós não podemos é aceitar a corrupção, que é caso de polícia, e não nos resignarmos com ela.
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Josias da Silveira
Josias da Silveira Eu me referia especificamente no projeto do do VLT foi iniciado não para solucionar o problema de transporte público em Cuiabá mas sim para fazer dinheiro, uma obra iniciada sem nenhum projeto técnico mais detalhado com obras que as inclinações são superiores às suportadas pelo modal, Além das inclinações na Avenida do CPA na região antes do Hospital do Câncer subida da ilha da banana, sem as desapropriações necessárias concretizadas e com certeza o custo estimado para finalização que é superior ao dobro do custo do BRT vai ser ultrapassado e muito, e Cuiabá não pode Mas ficar sofrendo com esse transporte público obsoleto usado atualmente

29/08/17 Paulo Sérgio de Campos Borges
Infelizmente, é tudo verdade. Perfeito e pertinente o artigo.

30/08/17 Ademar Poppi
Ademar Poppi ótimo este artigo.....

No MIdianews:
Ellen Marcoski  29.08.17 20h28
Hoje existem vários sofás por todo o País, "sofás" que poderiam ser o diferencial necessário para mudar várias gerações em busca do melhor.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O PALÁCIO DOS ESPORTES II

Foto: José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     Nestas duas semanas desde meu primeiro artigo sobre o assunto o estado tem-se manifestado sobre o futuro da Arena Pantanal, vultoso e premiado investimento do povo mato-grossense, impossível de ser relegado ao ostracismo por nossas autoridades. Como um abacaxi que tem que ser descascado, foi alvissareira a chegada do ex-prefeito Wilson Santos como secretário da Secretaria das Cidades (Secid) para fazê-lo, responsabilizando-se diretamente pela conclusão dos incríveis 2% finais da grandiosa obra, bem com a nomeação do ex-vereador Leonardo de Oliveira como secretário-adjunto de Esportes da Secretaria de Educação, Esportes e Lazer (Seduc).
     O novo secretário da Secid, chegou entusiasmado com a hercúlea tarefa de concluir a Arena, e, ademais, concluir o VLT, que era então o caso de solução mais difícil ou impossível, mas, como boa surpresa, em poucos dias já teria sido equacionado pelo secretário. Em contrapartida foi desalentador ver também no mesmo espaço de tempo o tão entusiasmado secretário se assustar com a “forte banca de advogados” da construtora declarando-se disposto a passar a Arena para a Seduc. Os benditos 2% finais da Arena seguem encalacrados nas bizarras e intermináveis “judicializações”. Político e administrador experiente, atleta militante, amante do futebol mato-grossense, sempre destemido nos embates de interesse público, teria o galinho amarelado, ele que nunca foi de amarelar? Não creio. Ele nunca entra para perder.
     Essa passagem entre órgãos até que seria bem-vinda diante da recente proposta da Seduc da “Arena da Educação”, em princípio muito semelhante à do “Palácio dos Esportes” descrita no artigo anterior. Mas teria que ser após a Secid concluir a obra, evitando solução de continuidade no desenvolvimento de seus projetos.
     Pelo pouco que veio a público da proposta da Seduc, dá para ver que tem um bom partido, porém poderia ser mais ambiciosa e abrangente, permitindo a Mato Grosso apresentar ao Brasil uma solução corajosa, sustentável e socialmente adequada para sua Arena, o que não aconteceu com nenhuma de suas coirmãs. Teria que ir mais fundo e transformar a Arena Pantanal na plataforma catalizadora de um amplo programa estadual multifinalitário, como ela própria, de longo prazo tendo como foco o desenvolvimento dos esportes, mas com objetivos ampliados de forte impacto positivo na Educação, Saúde, Segurança, Turismo e Lazer, gerando ainda saudáveis perspectivas de emprego e renda para a juventude. Trabalhando em um complexo integrado pelo Aecim Tocantis, COT’s, Dutrinha revitalizado, mini-estádios, e outros equipamentos esportivos em todo estado, a Arena Pantanal, mantendo a prioridade para o futebol, abriria seus espaços internos para abrigar os esportes de usos compatíveis tais como tênis de mesa, boxe, taekendo, xadrex, ginástica olímpica, Karatê, Judô, museu do esporte, ambientes para os clubes profissionais de futebol, futebol americano, rugbi contarem suas histórias, exporem e venderem seus produtos e ingressos, salas de aula, recepção para turistas, sedes de ligas e federações esportivas, etc. tudo em concessões e cobrança de taxas de uso e manutenção com alguma complementação do estado como investimento, não como subsídio.
     Enfim, a Arena Pantanal pode estar a um passo de ser viabilizada como num produtivo polo irradiador de vida saudável não só para Cuiabá, mas para todo o estado através do esporte. Só a partir de objetivos públicos bem definidos a serem cobrados, não antes, pode-se então avaliar sua privatização ou não. Mas é preciso visão e coragem compatíveis com o tamanho físico e inovador da Arena Pantanal, predicados que aparentam sobram em nossos atuais jovens governantes.


sábado, 7 de janeiro de 2017

MEXER O DOCE

Foto Douglas Agum       internet  

José Antonio Lemos dos Santos

     Nunca as coisas são fáceis, mas a cada passagem de ano a gente deseja a vinda de coisas boas para todos, como se elas acontecessem por si só. Nestas ocasiões vivemos a ilusão da esperança. Esperançosos esperamos o bom velhinho, a fada madrinha ou El-Rey trazer de bandeja tudo aquilo que desejamos. O ambiente festivo, de abraços, sorrisos, compras, comilanças e bebelanças ajuda a esquecer que os desejos não se realizam assim e que para acontecerem é preciso correr atrás, pôr a mão na massa, contando com a indispensável ajuda lá de cima, é claro.
     Este ano de 2017 desperta nos brasileiros muitas perspectivas, como esperanças nas quais em verdade não se espera muito, apesar da enorme necessidade de acontecerem. Não é para menos. Depois de seculares decepções a cidadania se divide dentro de cada cidadão entre a passiva e antiga resignação pelas coisas a seu favor não acontecerem e a crescente vontade de fazer com que aconteçam. Cansada de ser enganada, vilipendiada por interesses escusos que só lhe diz respeito naquilo que lhe é subtraído, roubado às escâncaras, junta as forças da indignação com a força das novas ferramentas que a modernidade oferece como a comunicação instantânea das redes sociais, e-mails e whatsapps, já testadas na organização de poderosas manifestações públicas. Este ano novo traz muitas esperanças, mas, a maior delas é que o povo já sabe que só esperar não basta, é preciso mexer o doce, protagonizar a história, participar conscientemente, aglutinar, cobrar, criticar, apoiar, vaiar e aplaudir quando for o caso. Desta esperança maior abre-se no ano um leque de possíveis focos para a atenção cidadã.
     A prioridade máxima seria concluir o processo de extração até seu último vestígio do maldito carnegão da corrupção que maltrata o país, sem nunca menosprezar os poderosos adversários, aqueles que usarão de todo seu estoque de malandragem para tudo de novo terminar em pizzas. Se não for extraído inteiro, terá sido tudo em vão e a praga brotará novamente, talvez com mais forças. Junto, focar na mãe de todas as reformas, a reforma política, buscando que seja verdadeira, estabelecendo no mínimo que as eleições proporcionais permitam ao eleitor saber quem poderá eleger de fato com seu voto, mostrando as listas, como acontece nos países democraticamente civilizados, e não como aqui, apenas um truque para manutenção dos caciques políticos.
     No caso de Cuiabá, atenção especial merecem os novos vereadores, a maioria deles com sérias e limpas intenções, mas já sob fogo cerrado da velha guarda para que entrem nos velhos esquemas. O apoio ostensivo da cidadania é importante para que resistam e sem digladiar entre si formem um bloco dos novos para enfrentar as fortes e ardilosas pressões do passado indesejável, contando com o apoio de seus eleitores, mesmo daqueles que não elegeram diretamente seus escolhidos, mas outros através do voto de legenda. A firme rejeição ao imoral reajuste de seus salários seria a primeira prova de fogo.

     Nesta superficial prospecção de prioridades para a cidadania em 2017, no caso da Grande Cuiabá há que se exigir a conclusão das obras da Copa, paralisadas por motivos até hoje não muito claros, como no caso da Arena, o aeroporto, trincheiras ou mesmo o VLT. E mesmo conclusão das outras obras inconclusas que não são da Copa, como o Hospital da UFMT, o Pronto Socorro, duplicação da Cuiabá-Rondonópolis, a ferrovia passando por Cuiabá e subindo até Nova Mutum e agora a Orla do Porto e o Parque das Águas. E muita atenção para que não se repita nas prefeituras a velha prática de um governo desconstruir as obras de seu antecessor. Assim talvez seja preparado em 2017 o melhor presente para os 300 anos de nossa cidade: uma nova política. É sonhar muito?
(Publicado em 07/01/17 pelos sites FolhaMax, MidiaNews, ArquiteturaEscrita, BlogDoLúcioSorge, NaMarra, em 08/01/17 pela PáginaDoEnock, em 09/01/17 pelo CAU-MT, em 10/01/17 pelo Diário de Cuiabá, ...)


sábado, 3 de dezembro de 2016

FRANCENILDO, HIGOR E CALERO


José Antonio Lemos dos Santos 
www.galeria.colorir.com

     Corre à solta pelas redes sociais uma tese no mínimo temerária querendo igualar as gravíssimas e danosas façanhas dos grandes corruptos nacionais, públicos ou empresariais, de todos os partidos, com os pequenos erros cometidos pelos simples mortais pecadores. Que atire a primeira pedra ... Nesta linha entram também órgãos públicos, como a CGU, e alguns órgãos da imprensa. Outro dia vi a notícia de um concurso de redações patrocinado pelo Ministério Público de Contas de Mato Grosso com o tema “Como evitar as pequenas corrupções do dia a dia” cuja “ideia é mostrar aos jovens que a corrupção não acontece só no poder público, mas quando furamos uma fila no banco ou não levantamos no ônibus para alguém mais velho sentar, por exemplo”, como explicado na matéria.
      Seria correta a comparação? Qual o sentido em se levantar de forma tão massiva uma tese discutível como esta? Não vejo outro resultado mais imediato que não a fragilização do cidadão que neste momento cobra indignado, como nunca cobrou antes, a punição dos que lesaram e lesam os cofres públicos usando indevidamente as prerrogativas dos cargos ou mandatos que ocupam.
     A Civilização é um estágio superior de consciência do Homem onde ele se submete a mecanismos de controle sociais para que possa viver e usufruir das grandes vantagens da vida em conjunto. O homem civilizado nada mais é que o bárbaro revestido por uma carapaça de normas, regras, padrões morais, religiosos, familiares, cívicos, etc. que grosso modo poderia ser chamada de Ética. O bárbaro continua existindo, doido para deixar essa couraça diante da menor fragilidade dela, para então buscar satisfazer a qualquer preço seus instintos animais sem pensar no outro ou na sociedade em que vive, que só existem para ele na conveniência do discurso. Quanto mais completa sua formação ética mais o civilizado resiste por si só às tentações da barbárie, quanto menos completa mais vulnerável.
     Trigêmeas, Civilização, Cidade e Cidadania nasceram juntas, xipófogas inseparáveis. Uma cidade ou uma nação sem valores éticos, sem leis, ou com leis para inglês ver, é um amontoado de bárbaros, é caos que assistimos. No Brasil as cidades, a cidadania e o cidadão estão cada vez mais frágeis diante da liquidificação ou “relativização” dos valores e padrões que formam a carapaça ética civilizatória, que podem evoluir mas não deixar de existir. Muitos sucumbem ao barbarismo, porém a grande parte do povo brasileiro resiste bravamente, apesar da humilhação, da prepotência e do escárnio como tratados pelos que só visam seus interesses bárbaros, pessoais, empresariais ou de grupos, atropelando cínicos os interesses comuns.

     Saltam à memória as figuras do caseiro Francenildo que em 2006 derrubou um poderoso ministro quando, apesar das ameaças e armações feitas contra ele, trouxe à luz algumas graves “malfeitorias” que a alta autoridade andava praticando. Lembro também de Higor Guerra, técnico do Ministério das Cidades, que em 2011 deu Nota Técnica desfavorável à mudança do BRT para o VLT em Cuiabá e diante da substituição de seu Parecer no processo veio a público denunciar a irregularidade e acabou derrubando outro poderoso ministro. Por fim, cabe homenagear a figura do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que outro dia, agora em 2016, também não se atemorizou e denunciou as pressões que vinha sofrendo de um colega de ministério para forçar um órgão sob sua vinculação liberar um empreendimento em favor de interesses não republicanos. E existem milhões de Caleros, Higores e Francenildos pelo Brasil afora. Não somos bandidos, vamos cobrar sim!
(Publicado em 03/12/16 pelo FolhaMax, NaMarra, Arquitetura Escrita, em 04/12/16 pelo MidiaNews, MatoGrossoNotícias, em 05/12/16 pela PáginaDoEnock, em 06/12/16 pelo HiperNotícias, em 07/12/16 pelo Diário de Cuiabá, ..)
COMENTÁRIOS
NoHiperNotícias


Benedito Addôr - 06/12/2016
Só desculpem a nossa falha, ontem foi 05/12, quando teve o julgamento do auto no Conselho Superior do Ministério Público. Com 63 anos de idade, já estou dentro do Estatuto do Idoso, e posso errar datas. Foi ontem, dia 05, às 9:00 horas da manhã. Tenho outro Inquérito Civil Público, no Ministério Público Federal. Espero que esse dê as respostas que formulo. Alguém tem que responder. A luta continua. Quero saber sobre a validade das Declarações do IPHAN. Afinal de contas elas prestam para que? A aplicação da Instrução Normativa, que regulamenta todo o patrimônio histórico do centro de Cuiabá., é aplicada por conveniência: quando é conveniente para o governo aplica, quando é para o cidadão, não aplica? A propaganda do VLT divulgada internacionalmente, que mostra que as casas não atrapalham a passagem do VLT, foi enganosa ou não, ou meio enganosa? Essa pode ser consultada no Youtube. Parecer que o IPHAN deu ou vai dar ainda, em 2015/2016, pode se fundamentar em projeto que ele mesmo elaborou, junto à Secopa. Eu já sei qual é esse Parecer. Nunca irá contra o projeto que eles mesmos elaboraram. Gostaria de ter acesso a outras Atas de Reunião, entre IPHAN/Secopa, para saber até onde o IPHAN participou do projeto, e se foram levantados os custos da obra. Pessoa da Secopa havia me dito, em 2012, que havia 2 projetos para a área: um com as casas que custava "x"; e outro retirando as casas, que custava de 5 a 8 vezes mais. Quantos milhões de reais dá a diferença de um projeto para outro?
Benedito Addôr - 06/12/2016
Falando no Calero, surge o IPHAN e o VLT. Quase todo mundo sabe que, desde 2012, brigo para conservar os imóveis frontais à Igreja do Rosário, na área apelidada de Ilha da Banana. Ontem, 09/12, o recurso que interpus aos autos da Inquérito Civil, foi julgado pelo Conselho Superior do Ministério Público. Confesso que, entrei com reclamação no MPE, em busca de várias respostas a inúmeras perguntas; e sai de tudo isso "boiando" ainda mais, sem saber de nada. Entre as perguntas, destacam-se: 1) o IPHAN/MT, durante anos, deu Declarações dizendo que os imóveis tinham proteção especial; fazem parte do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico de Cuiabá; e estão subordinados a Instrução Normativa que regulamenta todo patrimônio histórico da cidade. Indaguei do MPE sobre a validade dessas Declarações - Vale o que está escrito e assinado? Elas tem fé pública? Enfim prestam para alguma coisa? Qualquer declaração que a gente recebe de um Órgão Público Federal, a gente pode acreditar naquilo que está escrito e assinado? O MPE não respondeu a essa pergunta. 2) sobre a Instrução Normativa, no seu Artigo 2º (único de fala em Preservação) diz claramente que: A Preservação do conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade de Cuiabá e DE SEU ENTORNO, será assegurada pela proteção, conservação, manutenção e revitalização das características culturais da cidade...indaguei do MPE se essa Instrução Normativa funciona ou não funciona, vale ou não vale, pois ela garante a preservação assegurada dos imóveis. Quem me disse isso foram vários advogados, professores de Universidade consultados, ao longo do tempo; depois de analisar me disseram que os imóveis tem proteção especial, por causa dessa Instrução. O MPE não me respondeu nada sobre isso. 3) a desapropriação da área começou em 2012, onde o governo de MT fez até uma propaganda para o mundo inteiro, que pode ser visualizada até hoje no Youtube: VLT CUIABÁ-VÁRZEA GRANDE 2012; nela demonstra que as casas nunca atrapalharam a passagem do VLT, pois a estrutura do mesmo, trilhos, etc, será construída atrás das casas, onde fica o Centro Comercial Morro da Luz. Indaguei do MPE, se um governo que faz uma propaganda mundial; e nessa parte específica, vem com outra estória, se essa propaganda pode ser considerada com "propaganda enganosa"? Questionei: O que é uma propaganda enganosa? Não tive resposta do MPE. 4) através de uma Ata de Reunião entre o IPHAN/MT e a Secopa, conseguida por integrante da Defensoria Pública, Dr. Ayr Praeiro, tomei conhecimento de que, desde 2012, em conjunto, estão elaborando um projeto para demolir as casas; agora, em 2015/2016, o IPHAN/MT disse aos Ministérios Públicos (estadual e federal), que está simplesmente dando um Parecer. Como fica esse Parecer, que será dado em cima de projeto já elaborado? Não deveria o IPHAN ser imparcial, para dar o Parecer adequado? É evidente que esse Parecer será para demolir as casas, porque assim já decidiram faz tempo, fazendo até projeto para isso. É aqui que entra a denúncia do ex-ministro da Cultura, Marcelo CALERO, teria sido o IPHAN/MT usado politicamente, em 2012? Questionei isso também ao MPE, e não obtive resposta. Agora estou procurando outro Órgão Público que tenha a capacidade de responder-me a todas essas questões; de preferência por escrito. O que sinto muito, é que, nesse imbróglio da desapropriação desnecessária dos imóveis da Ilha da Banana, já tenha até morrido gente. Em outubro/2012, a senhora Maria Rita dos Santos Rodrigues, moradora do local há mais de 40 anos, recebeu a visita do pessoal da Secopa, com a mesma estória - que a casa não era mais dela por causa do VLT; sendo hipertensa, não aguentou a pressão psicológica e teve um gravíssimo AVC, ficando imobilizada numa cama por mais de 2 anos, vindo a falecer em 2015. Depois fiquei sabendo que o Decreto do Silval, nº 1.252, de 18 de julho de 2012, pelo qual o pessoal da Secopa, começou a ameaçar os moradores de despejo, e a expulsar vários comerciantes, não abrangia os imóveis, mas sim somente o Centro Comercial Morro da Luz. Portanto uma visita desnecessária, inconveniente até legalmente, causou o gravíssimo AVC na senhora Rita. Adianta perguntar para o MPE se esse erro fatal poderia ser considerando um crime, e a família receber até uma indenização por isso? Não vou nem perguntar porque não vou obter nenhuma resposta do MPE. Aí indago aos entendidos, como a OAB/MT, para quem comunico oficialmente, com provas, todas essas denúncias? E muitas outras. Mas me indiquem um Órgão que responda até por escrito, e tome providências. Por favor.

Carlos Nunes - 09/12/2016
Puxa vida! Enquanto o Sr. Ador luta pelos seus direitos, igual um condenado, o Fantástico, na matéria Cadê o Dinheiro que estava Aqui, mostrou, o Eder Moraes dizendo que levaria de propina 5 Milhões de reais pelo VLT. Só serviu para encher os bolsos de alguns, e matar senhoras indefesas com AVC. VLT é filhote da Corrupção, e filhote cresce e dá cria, outros filhotinhos. Nessa retomada do VLT, todo mundo tem que ficar com os "olhos e ouvidos" escancarados, para ver se não vai acontecer tudo de novo - alguns vão encher os bolsos. Precisa colocar a PF para tomar conta do dinheiro, senão o Fantástico vai mostrar outro escândalo - alguém levaria não sei quantos milhões pelo VLT.

Carlos Nunes - 09/12/2016
Na pirâmide social, onde os privilegiados ficam no topo e a maioria do povo brasileiro fica na base, tem uma regra moral básica: o topo tem que dar bons exemplos, senão a base vê, e filosofa - se eles podem, porque nós não podemos. Uma cúpula que dá mal exemplo, geralmente é derrubada pela base. No processo democrático isso fácil; é só o povo aprender a votar. Infelizmente "maus brasileiros" vendem o voto para políticos corruptos. Hoje os telejornais informaram que 70 executivos da Odebrecht fizeram delação premiada, que vai derrubar uma porção de corruptos...vai ser um tal de "esse recebeu propina também"; e os acusados fugindo como o d...foge da cruz. 70 executivos da Odebrecht vão derrubar será quantos políticos? Se cada um derrubar 3, dá 210. E o Sarney na gravação disse: a delação da Odebrecht vai ser igual a uma ponta100, errou vai ser uma ponto200 ou mais. E viva os delatores premiados que ainda vão salvar o Brasil, pelas linhas tortas, mas vão. Igual aos sonegadores, que estão repatriando Bilhões, e estão salvando os municípios brasileiros. A que ponto chegou a pátria amada Brasil...depende de delatores premiados e de sonegadores.

Carlos Nunes - 10/12/2016
Essa Opinião do José Antônio foi ótima, porque mostrou 3 brasileiros que foram "estranhos no ninho" - fizeram a diferença. O Brasil está na véspera de ver surrupiarem direitos adquiridos conquistados depois de muita luta; estou me referindo à Reforma da Previdência é claro. A professora, Doutora em Economia, DENISE LOBATO GENTIL, contesta veementemente até o marketing desse governo que fala sobre o déficit estrondoso na Previdência; segundo ela é só para retirar direitos e privatizar. Ela diz que realmente as contribuições previdenciárias não cobrem as despesas; mas que entra muito dinheiro na Previdência, de outras formas: quando se constrói um prédio, um percentual sobre o valor do imóvel entra na Previdência; tem a fiscalização da Previdência que capta muito dinheiro...tudo isso entra numa conta única do governo, e é desviado para outras finalidades. Que outras finalidades são essas? Segundo o Balanço da Seguridade Social 2011/2015, analisado pela professora, a situação é a seguinte: sempre houve Superavit. Aí, vai uma pergunta básica, pelo sim e pelo não, por que não entrevistam, fazem matérias, reportagens, com essa Doutora em Economia, para ela nos explicar, tintim por tintim, que estória é essa? Entre a palavra de um Francelindo, Higor e Calero, em quem nós acreditamos, neles ou no sistema de Poder? Neles é claro, ou não? A Doutora DENISE LOBATO GENTIL era para ser chamada até pelo Congresso Nacional, para explicar tudinho. Estão prestes a retirar direitos desta gerações, e de todas as futuras gerações...nossos filhos, netos, bisnetos, tataranetos. A mais prejudicada será a Mulher Brasileira, que hoje aposenta com 60 anos, e 30 de contribuição; vai passar a aposentar com 65 anos, e se quiser ganhar "melhorzinho", terá que contribuir 49 anos - 19 anos a mais do que contribui hoje. Teria que começar a trabalhar com 16 anos, ficar 49 anos com a carteira assinada, empregada, contribuindo; isso é impossível, pois ninguém vai conseguir isso.

Carlos Nunes - 12/12/2016
Aproveitando essa matéria sobre os 3 mosqueteiros tupiniquins, Francenildo, Higor e Calero, que representam o melhor do povo brasileiro - A HONESTIDADE; e revendo algumas opiniões da professora, Doutora em Economia, DENISE LOBATO GENTIL, na internet mesmo, ficou evidente PORQUE esse governo quer fazer a Reforma da Previdência, ferrando esta e todas as outras gerações. Trata-se de um NeoLiberalismo ao cubo: primeiro faz uma PEC congelando gastos por 20 anos; depois uma Reforma da Previdência que retira inúmeros direitos do trabalhador, no que é mais sagrado, a sua Aposentadoria; e finalmente virá uma Reforma Trabalhista, que vai retirar mais direito ainda. O Valor do Trabalho vai ficar baratinho, baratinho; aí vira de fora, muitos capitalistas "selvagens" com muito dinheiro; e vão querer comprar todo mundo. Essa luta entre o Capital e o Trabalho que já estava ultrapassada, vai surgir de novo. Aí alguém pergunta: quem é o mentor de tudo isso? Um homem que veio do meio dos banqueiros, só sabe falar a linguagem para favorecer o Capital - Henrique Meirelles. Pró banqueiro vai ser uma maravilha, uma beleza, ou alguém duvida disso? Quem vão gerar os empregos futuros? Os Capitalistas é claro. Será que não tem no Brasil Economistas, que pensem em primeiro lugar no POVO BRASILEIRO? Só pensam em banqueiros, em encher o caixa do governo, rapando o bolso do povo e retirando direitos adquiridos.
Carlos Nunes - 11/12/2016
Pois é, de um lado Francenildo, Higor e Calero, que tiveram a coragem em denunciar irregularidades...de outro: primo, caranguejo, gremista, babel, angorá, polo, Ferrari, botafogo, MT(não é mato groso não) e muitos outros políticos corruptos, apelidados pelos executivos da Odebrecht. Esses, ou eram "amigos da empresa", que cobravam até mais propina para ser mais amigo ainda; ou tinham potencial para fazerem muito mais coisas, no futuro. Não se sabe qual é pior: ou esses políticos corruptos, ou a Odebrecht nessa política empresarial, de ganhar a qualquer preço, mesmo nas coisas imorais. A estória é mais ou menos como a pastora Yonara descreveu, e divulgou no Brasil inteiro: estava ela dormindo, quando dois Anjos a retiraram do corpo, e a levaram até o inferno para conhecer. Lá numa sala enorme, numa mesa comprida, estava na cabeceira o próprio d... (não é bom nem falar o nome que dá um azar danado); e chegavam muitas pessoas, que sentavam a mesa, conversavam com o d..., e saiam. E os Anjos disseram: esses também saem do corpo enquanto dormem, vem pra cá, e troca a Alma pelo poder e pelo dinheiro; vão virar funcionários do d... Vote! Salve DEUS! Graças a DEUS! Que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos proteja.
Carlos Nunes - 11/12/2016
E ontem a rede Globo fez um Jornal Nacional só enfocando a delação premiada dos integrantes da Odebrecht; só de um já deu para derrubar a República inteira; e outro vai começar abrir o bico sobre o Poder no Rio de Janeiro. Agora está um bafafá, os acusados indo atrás de quem divulgou as informações para a rede Globo. Tal como o Francenildo, o Higor e o Calero, quem divulgou as informações merece receber uma medalha de herói nacional, pois desmascarou vários "lobos em pele de cordeiro". Aí, no país da inversão de valores, na certa vão punir o cara que divulgou - alguns gostariam que nós, os eleitores, os verdadeiros donos do Poder, não soubéssemos essa estória nunca. Como somos uns "donos do Poder" mequetrefes, ou não sabemos de nada, ou somos os últimos a saber; entretanto devíamos sim ser os primeiros a saber. E viva a Imprensa Brasileira! Viva a rede Globo! Que de vez em quando desce do muro, e dá uma dentro. E viva os delatores premiados que, mesmo sendo as linhas tortas, vão ajudar a salvar o Brasil. Pra eles só podemos dizer: CONTEM TUDO! MAS TUDO MESMO! TINTIM POR TINTIM. O que foi preocupante na delação da Odebrecht foi o delator dizer que existem duas formas de passar propina para político safado: ou como doação legal ao partido, ou como caixa 2. Fico imaginando lá no TSE muitas doações partidárias, que no fundo, no fundo são propinas disfarçadas...e o TSE achando que está tudo uma beleza. Não, só foram feitas para pegar obras em Licitações e Concorrências Públicas; só por isso. E um político reclamou dizendo que merecia mais dinheiro, porque era "amigo da empresa".

Carlos Nunes - 13/12/2016
Pois é, lá na Praça uma turma amigos dizia: ninguém é mais honesto no Brasil; não tem um...a gente não pode confiar em ninguém. Aí, meti o bico na conversa e disse: tem 3 brasileiros - o Francenildo, o Higor e o Calero. E completei: a maioria da povo brasileiro é honesto, trabalhador e sobrevive com 880 reais por mês. Tem uns desonestos pra burro: o primo, o caju, o caranguejo, o gremista, o babel, o angorá, o polo, o Ferrari, o botofogo, e um tal de MT (não é mato grosso não), e outros, no total dá mais de 50. No país da inversão de valores, agora querem punir quem vazou a informação da delação; querem até anular a delação, tornando-a inválida. Ora, quem vazou a informação devia receber uma medalha de patriota. Nos Estados Unidos, Jornalistas descobriram uma conversa estranha, dizendo que, espiões de um partido, haviam espionado o escritório do outro partido, no Edifício Watergate...o NIXON, só porque deu a ordem pra espionar, caiu. Aqui no Brasil, o executivo da Odebrecht detalha encontro com um tal MT, descrevendo sala, móveis, dia, horário, local, pedido de 10 MILHÕES, e querem anular a delação. Não admira que o De Gaulle, que já faleceu faz tempo, na vez que esteve no Brasil, disse: O Brasil não é um país sério. Puxa vida! Não é sério até hoje? Quando vai ser? Ainda bem que existem o Francenildo, o Higor e o Calero.



sábado, 26 de novembro de 2016

VÁRZEA GRANDE E A COPA

Imagem José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos
Semana retrasada fui convidado pelos alunos de Arquitetura e Urbanismo da Univag para falar sobre os impactos da Copa do Pantanal em Várzea Grande. O honroso convite tinha um pouco de melindroso, pois meus caros leitores sabem que sempre fui simpático ao grande evento mundial em nossa cidade, e todos também sabemos que a preparação urbana não foi exatamente um mar de rosas ou uma operação indolor e coube a Várzea Grande sofrer os impactos negativos mais evidentes, em especial ao longo do eixo da Avenida da FEB.
     Mas o desafio tornou-se empolgante à medida avançava no assunto. Para mim a Copa do Pantanal significou a maior oportunidade de investimentos públicos e privados concentrados no tempo vistos por Cuiabá e Várzea Grande em toda sua história. É claro que estes investimentos resultaram em intervenções físicas que trouxeram muitos problemas, entretanto trouxeram também aspectos positivos que não são tão evidentes. O sapato apertado chama mais a atenção que o confortável. No caso de Várzea Grande que balanço pode ser feito? A cidade hoje está melhor ou pior que antes da Copa? Os impactos negativos saltam às vistas, já os positivos, tive que conferir pela cidade com olhos de ver, e o resultado foi bem animador.  
     Primeiro impacto positivo, o Aeroporto Marechal Rondon, o 14° do país com cerca de 3,0 milhões de passageiros/ano, está hoje com sua área triplicada, equipado com “fingers”, embarques e desembarques mais confortáveis, e amplo estacionamento. Mesmo com sua ampliação a estação de passageiros já parece no limite de sua capacidade, imaginem se hoje aquele antigo painel com a simpática arara azul continuasse limitando sua extensão.  Apesar do nosso renitente “complexo de pequi-roído” se extasiar com pesquisas que colocam o Marechal Rondon como o menos confortável entre os 15 maiores aeroportos do país, hoje ele está muito melhor que antes da Copa, o que não pode ser motivo para relaxar na cobrança da conclusão urgente de suas obras. Convém lembrar que o Marechal Rondon é a interface do mundo globalizado com Mato Grosso, uma das regiões mais dinâmicas e produtivas do planeta, o que representa uma imensa vantagem comparativa para a cidade que o abriga.
     À frente do aeroporto encontra-se o “Shopping Várzea Grande”, empreendimento privado destravado com a vinda da Copa depois de anos atrás de um tapume em ruínas. Foi inaugurado em 2015 oferecendo 3,5 mil empregos diretos e indiretos e a previsão de mais 900 vagas temporárias para o final daquele ano. Além dos empregos, elevou a autoestima várzea-grandense. E próximo ao aeroporto e ao Shopping, chegaram novos e sofisticados hotéis. Dizem que um ou outro fechou diante da duplicação de leitos na Grande Cuiabá para a Copa. O mal não está nos hotéis mas na falta da prometida política de promoção ao turismo ancorada na propaganda propiciada pelos holofotes da Copa.
     E a nova interseção do “ZeroKM”, com sua bela trincheira? E o viaduto do Cristo Rei? Faltou um retorno para o centro de Várzea Grande, assim como falta um ligando quem sai do aeroporto ao Shopping. Um dia farão. E a nova “estrada da Guarita”, agora uma avenida em pista dupla ligando o centro histórico da cidade à nova fronteira urbanística várzea-grandense? E a magnífica Mário Andreazza, também em pista dupla e características urbanas, com calçadas e as devidas sinalizações, ligada a Cuiabá por uma nova ponte e a trincheira Ciriaco Cândia, tão criticada quando em construção mas que agora nem pode ser interditada para acabamentos pois sua falta gera enormes engarrafamentos? Quanto ao VLT o negócio é concluí-lo, punindo quem merecê-lo. Para mim, apesar dos problemas, o saldo é positivo.
(Publicado em 27/11/16 peloMidiaNews, FolhaMax, NaMarra, ArquiteturaEscrita, em 28/11/16 pela PáginaDoEnock, ...)



COMENTÁRIOS:
Por e-mail

Maristela            26/11/16         22:52


"Oi José Antônio, boa noite!
Acabei de postar meu comentário para seu último artigo, mas não apareceu a confirmação do envio. Em todo caso, quero lhe dizer que escrevi agradecendo por me ajudar a ver com “olhos de ver” os benefícios que a Copa trouxe para Cuiabá e Várzea Grande. Gostei muito! Valeu! 
Grande abraço
Maristella "

No Face
Carlos Oseko    26/11/16
"VG pode e precisa deMAIS!!!"

Nanda Lopes  26/11/16
"Que matéria show em professor , realmente sofremos muito com o impacto da copa , mas também acho que não devemos chorar pelo leite derramado , mas sim erguer a cabeça e aproveitar o pouco que foi dado , que fez diferença , e que não iríamos ganham mesmo sem a copa , e isso aí "

Everaldo Araújo  26/11/16
" Isso se chama visão de futuro Jose Antonio Lemos Santos e vc sempre em todos artigos que leio faz críticas construtivas. E como apaixonado pela nossa calorosa e bela Cuiabá sonho um dia ver o VLT inaugurado que beneficiará milhares de trabalhadores e estudantes que padecem nesses ônibus a maioria sem condições de uso sem ar condicionado sem dizer nas horas que perdem nos pontos de ônibus esperando ! Vamos sonhar e cobrar nossos gestores públicos porquê se não fossem tão incompetentes com certeza o legado da Copa 2014 teria sido muito maior para Cuiabá e Várzea Grande!"



sábado, 7 de novembro de 2015

QUEM PÔS FOGO NA ARENA?

copadomundo.uol.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Acompanho pelo noticiário a CPI da Copa na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Desde quando aventada ainda como uma possibilidade distante e incrível sempre fui entusiasta da Copa do Mundo em Cuiabá por vários motivos, dentre eles a oportunidade de investimentos públicos e privados concentrados no tempo em montante que de outra forma jamais se veria pelas próximas décadas ou gerações, a oportunidade de divulgação da cidade e do Estado em uma vitrine global de massa e pela chance de elevação da autoestima do cuiabano, sempre pacato e descrente de sua força e de seus valores. Passada a Copa sigo entusiasmado, as oportunidades apareceram, muitas foram aproveitadas, embora nem todas e nem da melhor maneira, deixando um legado positivo e ao menos um grande desafio a ser viabilizado: o VLT. O evento em si foi um êxito grandioso, como mostram os arquivos dos sites noticiosos locais, nacionais e estrangeiros, contrariando os que torceram, jogaram contra e até apostaram em Cuiabá como a vergonha da Copa. 
     Não sou de ficar olhando para o passado, principalmente em busca de coisas negativas. O arquiteto trabalha sempre com a construção do futuro e o passado só lhe interessa como ingrediente indispensável nessa construção. Buscamos no dinamismo do presente as potencialidades do futuro, imaginando transformá-las em qualidade de vida. Debruçados sobre o passado ficamos de costas para o futuro. Os problemas do passado precisam ser consertados sim, mas para isso tem bastante gente especializada e bem paga, inclusive para denunciar e punir quem mereça ser punido. Daí a importância de ferramentas como as CPIs.
     A Copa, porém, me deixou uma pulga atrás da orelha: quem pôs fogo na Arena Pantanal no dia 25 de outubro de 2013? Não fosse a destreza do nosso valoroso Corpo de Bombeiros a Copa do Pantanal não se realizaria. Se aquele incêndio fosse um pouco mais prolongado comprometeria a estrutura de seu principal palco, já quase pronto e na qual o povo mato-grossense estava investindo mais de R$ 600,0 milhões. Não haveria tempo para reparos. O inquérito policial concluiu que o incêndio foi criminoso. Mas ficou por isso. Esquecido. Quem foi?
     Era esperado que Cuiabá por ser a menor e a menos preparada das sedes fosse enfrentar muitas dificuldades, a começar pela grandeza da empreitada em obras, envolvendo complexidades técnicas, burocráticas e até da oposição política local que não aceita “azeitona na empada dos adversários”. Mas jamais se poderia imaginar que fossem tantas, muitas ancoradas em grandes órgãos nacionais de notícias e defendidas por alguns comentaristas esportivos de prestígio. É certo que a escolha de Cuiabá entre as 12 sedes da Copa do Mundo contrariou poderosos interesses que por algum tempo ainda acreditaram e trabalharam na possibilidade de sua reversão. Até que ponto esses interesses poderiam ir? O fogo tem algo a ver com o ardil montado em nível nacional com a grosseira comparação entre preços de cadeiras diferentes anunciada com estardalhaço a 2 meses do último prazo para a entrega da Arena à FIFA? Também seria para inviabilizar a Copa do Pantanal? 
     O desenvolvimento extraordinário de Mato Grosso nas últimas décadas vem lhe permitindo avançar em projetos e reivindicações inimagináveis há pouco tempo, comparecendo como novo e incômodo protagonista no jogo de forças do tradicional equilíbrio federativo. A Copa do Pantanal pode ter sido uma dessas vitórias diante de outros estados mais tradicionais. Outras legítimas disputas e novas vitórias virão com certeza para Mato Grosso, agora em novos níveis enfrentando interesses sempre mais poderosos. O esclarecimento do incêndio na Arena Pantanal pode ajudar o Estado nesses seus novos tempos. 
(Publicado em 06/11/2015 pelo Midianews, Página do Enock, CAU-MT e no dia o7/11/2015 pelo Diário de Cuiabá ...)


terça-feira, 6 de outubro de 2015

FICO E VLT

Colisão de VLT e BRT em charge do Professor José Maria Andrade, especial para o meu livro "Cuiabá e a Copa- A preparação."


José Antonio Lemos dos Santos

     Cerca de um mês atrás, o prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta, atacou em entrevista o projeto do VLT em Cuiabá, dizendo entre outras coisas tratar-se de um “crime” e “um dinheiro que foi tirado das necessidades prioritárias do Estado, para fazer esse sonho louco, que eu não sei de quem foi”. Pena que o sr. Pivetta não tenha usado do seu indiscutível prestígio empresarial e político quando do momento da intempestiva troca do BRT pelo VLT, para tentar impedi-la. Também considerei absurda a troca em artigo intitulado “Sou BRT”, mas, em março de 2011, época da discussão. Hoje, depois gastos mais de R$ 1,0 bilhão, já acho que um absurdo seria o abandono de suas obras.
     Contudo, ao trazer à baila o VLT, o sr. Pivetta nos faz lembrar a tão prometida ferrovia de Integração do Centro Oeste – a Fico, da qual, por coincidência, é um dos principais idealizadores, de 1.200 km, surgida também de uma hora para outra em troca da paralização do projeto da Ferronorte em Rondonópolis, a 460 km de Nova Mutum. Assim, lado a lado, a Fico e o VLT lembram o caso do sujo e do mal lavado.    
     Não sou contra o VLT nem contra a Fico. Sou contra a oportunidade de ambos. O VLT é um modal usado no mundo inteiro e que muito bem pode ser utilizado em qualquer cidade do mundo, em sistemas de modais integrados conforme recomenda a moderna técnica da mobilidade urbana. Mas, considerando que a demanda na época da troca era atender a Copa em um prazo exíguo de 3 anos, era claro que não dava para ser executado. Deveria então ser mantida a opção pelo BRT, já com projeto e financiamento aprovados, de execução mais rápida e a um custo 3 vezes inferior ao do VLT, este sem projeto e ainda em um processo de discussão de financiamento que enfim se desenrolou de forma tumultuada, com denúncia de troca de pareceres técnicos no Ministério das Cidades e, inclusive, com queda de ministro. Um escândalo.    
     Também não sou contra a Fico. Mato Grosso é um gigante produtivo centro-continental e sua redenção é a abertura de caminhos, em todos os modais e direções. Quanto mais, melhor.
Assim, penso que em breve chegará o momento para a Fico. Mas nosso problema hoje é atender a questão da logística de transportes que vem travando nossa potencialidade produtiva, com imensos prejuízos aos nossos bravos produtores, prejudicando o meio ambiente e matando muita gente querida nas estradas. Aliás, este artigo foi provocado pelos dados divulgados pelo Ipea, na semana passada, dando conta que em 2014 ocorreram 4.460 acidentes nas rodovias federais em Mato Grosso, com 283 mortes, mais que a tragédia da boate Kiss que nos faz chorar até hoje a morte de 242 jovens. Nossas estradas tornaram-se trágicas graças, em grande parte, ao dinamismo mato-grossense ter extrapolado em muito a capacidade do modal rodoviário, exigindo ferrovias e hidrovias complementares. Em 2014, esses acidentes em nossas estradas custaram R$ 486,7 milhões, e na produção 18 milhões de toneladas de grãos ficam ao relento aguardando transporte e, quando transportados, cerca de 2 milhões de toneladas de soja e milho por ano são perdidos, “vazando” pelas rodovias. Triste. Puro desrespeito a um povo trabalhador.    
     Nesse quadro emergencial e dramático é incompreensível a paralização do projeto da Ferronorte em Rondonópolis com o maior terminal ferroviário da América Latina em total funcionamento a apenas 460 km de Nova Mutum, em plena área de produção de grãos, a 230 km de Cuiabá, maior polo consumidor, distribuidor e concentrador de mão de obra do estado. 
Projeto paralisado em troca da Fico com 1.200 km em direção à ferrovia Norte-Sul, inacabada em Goiás. Enquanto isso a natureza sofre, a economia perde e o povo morre nas estradas.   

(Publicado em 06/10/2015 pelo Midianews, Jornal Oeste, ....)

Comentários:
No Midianews:
Jorge Luiz  06.10.15 08h56
É bom que os eleitores de MT, principalmente do Vale Cuibá, tenham consciência política e saibam escolher representantes para o Estado, não apoiando políticos bairristas como o Sr. Otaviano Piveta. MT se entende como 141 municípios, não apenas Lucas do Rio Verde.

Lopes  06.10.15 08h26
O que o sr. Piveta queria a época daquele comentário fora de tempo, era isso: REFLETORES