"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O SOL



Foto: José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

Retomo as reflexões sobre os fatores positivos disponíveis para o desenvolvimento da Baixada Cuiabana, aproveitando a época de eleições e de elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Vale do Rio Cuiabá (PDDI/VRC). Não se trata de ignorar o que temos de negativo, mas só numa perspectiva correta de construção do futuro podemos corrigir os déficits do passado. Ainda festejando o Equinócio da Primavera destaco neste artigo o Sol, o poderoso e inseparável amigo de Cuiabá, insuportável para uns, indispensável para outros.
     Quando Dom Aquino chamou Mato Grosso de “terra noiva do sol, linda terra”, certamente se referia ao sol cuiabano, o mesmo que para Carmindo de Campos produz “aquele calor sadio, que às vezes é melhor, muito melhor que o frio.” Pois é esse mesmo sol tão marcante na vida cuiabana que elenco como uma das grandes vantagens comparativas da Baixada Cuiabana, se nossas lideranças conseguirem elevar o olhar para um horizonte maior que o interstício eleitoral de dois anos. Nada se desenvolve sem energia e o Sol é fonte inesgotável de energia limpa e grátis, em especial em Cuiabá. O uso da energia solar é o futuro que já começou e levará vantagem quem se preparar desde já para isso. No caso do Vale do Cuiabá com sua posição estratégica, a adoção da energia solar na matriz energética poderá ser um diferencial em sua inclusão sustentável na modernidade tecnológica global, integrada ao farto potencial hidroelétrico, ao gás natural e aos diferentes modos de bioenergia em que Mato Grosso é produtor campeão.
Foto: José Lemos

     Não sou especialista, porém acompanho o assunto por sua importância para o desenvolvimento urbano e sabemos que o sol em Cuiabá, além de fritar ovo no asfalto, pode, por exemplo, movimentar a ventilação por convecção, aquecer água, assim como iluminar ambientes fechados ou muito amplos com a solução zenital com grandes vantagens. Mas já deu também para saber que o estágio de evolução da tecnologia de aproveitamento da energia solar ainda não dá para competir com as formas convencionais de geração de energia, embora haja o consenso de que as possibilidades são muitas e serão indispensáveis para o futuro da humanidade. Dentre estas, uma chama atenção especial pelo que ela tem de simples e por sua praticabilidade imediata, inclusive regulamentada pela ANEEL, que disponibiliza em seu site manual sobre o assunto. Trata-se da Geração Distribuída (GD), uma técnica que permite a geração através de placas fotovoltaicas, ou não, em sua própria residência, comércio, indústria, com o excedente indo para à rede pública gerando créditos que abaterão o custo de seu consumo. Melhor, essa alternativa permite a geração remota, isto é, não precisa ser no próprio local do consumo. Por exemplo, uma fábrica pode ter um outro terreno afastado e lá instalar seus painéis geradores de energia para uso próprio com o excedente se transformando em créditos para consumos futuros. Um maná para uma região ensolarada quase o ano inteiro, um atrativo a mais para investimentos, se bem trabalhado.
     É preciso que a Região Metropolitana, com a força dos municípios e do governo do estado introduza no seu PDDI diretrizes nesse sentido estimulando a criação de programas de divulgação ampla, leis, normas e incentivos para facilitar a instalação de empreendimentos com esse tipo de visão. Por que não um “distrito de geração solar” em nossas zonas urbanas de alto impacto? Alguns podem pensar em delírio. Nós pioneiros em tecnologia? Agora quando! O premiadíssimo Espaço do Conhecimento do SEBRAE-MT, aqui, já faz isso com muito sucesso. Lembro ainda que Cuiabá sediou a primeira fábrica do biodiesel no Brasil e os primeiros ônibus experimentais rodaram em nossas ruas por muitos anos.
(Publicado em 30/09/16 na Página do Enock, MidiaNews, NaMarra, em 01/10/16 na FolhaMax, em 02/10/16 no HiperNotícias, em 04/10/16 pelo Diário de Cuiabá,,...)

COMENTÁRIOS:
No HiperNotícias  02/10/16:
Carlos Nunes "Pois é, há uns 40 anos, os nossos governantes eram para ter chamado os nossos melhores cientistas, e encomendado que fizesse Usinas Solares, dando um aporte financeiro nesse sentido. Provavelmente hoje, algumas já poderiam até estar funcionando. Mas não, optaram pelas usinas hidroelétricas, que são abaladas pela seca, e outras que funcionam a diesel, que dependem do Petróleo. Tem que investir no novo, naquilo que nem existe ainda, mas pode existir mais cedo do que a gente imagina. É o caso do VLT espanhol comprado pelo Silval, onde diversos sites já informaram que, quando estiver funcionando a pleno vapor, vai consumir de energia elétrica o que consome uma cidade dom 90 mil habitantes. As Estações, as composições do VLT, indo de lá pra cá, 24 horas por dia, 365 dias por ano, vão gastar energia a beça. Enquanto isso, os telejornais fizeram uma reportagem mostrando que, cientistas brasileiros começam a fabricar o novo VLT movido a Magnetismo, que vai gastar só um terço de energia que o espanhol, não polui, nem precisa abrir toda a cidade, pois com o Magnetismo ele fica mais leve, e o Alicerce sai mais barato. Isso é a revolução das máquinas, aonde uma substitui a outra muito rapidamente."

terça-feira, 24 de novembro de 2009

PRESSÃO MÁXIMA

José Antonio Lemos dos Santos

     Não que seja necessário um teste dessa envergadura para avaliar as condições de mobilidade de uma cidade, assim como não se pode usar um fósforo para ver se há gasolina em um tanque de combustível, como diz a velha piada. Mas, aproveitando a realização do mega-concurso para cargos públicos no estado – ou a tentativa de fazê-lo – seria oportuno que as autoridades incumbidas da preparação da cidade para a Copa do Pantanal requisitassem os dados e mapeamentos do trânsito, transporte coletivo, hotelaria e atendimentos médicos de emergência do dia do evento em Cuiabá e Várzea Grande para a confirmação, ajustes ou correções em suas análises técnicas.
     De fato foi um grande evento com seus 275 mil candidatos, talvez subestimado em sua potencialidade de impactância urbana, especialmente para Cuiabá e Várzea Grande, que estimo terem ficado com cerca de 180 mil concorrentes. Os inscritos locais ganharam a companhia dos muitos que vieram de diversos pontos do país, criando aquela que talvez tenha sido a maior demanda concentrada temporalmente sobre a rede viária e de transportes públicos das duas cidades, tendo como focos os pontos específicos de realização das provas. Proporcionalmente à população total da Grande Cuiabá, um número muito grande de pessoas em um só evento, permitindo uma valiosa e extraordinária observação real das respostas da estrutura urbana submetida a uma pressão máxima de demanda. Independente dos problemas que, infelizmente, envolveram o concurso, trata-se de uma chance ímpar para se avaliar a cidade em relação aos seus limites atuais de mobilidade.
     Pessoalmente tive a oportunidade de viver essa experiência, pelo lado de dentro. Como urbanista e estudioso da cidade, fiquei extasiado vivendo os papéis de observador e cobaia em um imenso laboratório, o que certamente deve ter mascarado tudo aquilo que eu sentiria se eu estivesse ali apenas como cidadão. Meu filho e sua esposa vieram de Brasília para participar do concurso. Com filhos pequenos, nos deram a alegria de trazer os netos. Minha filha mais nova também se inscreveu. Tive então que levá-los e buscá-los em seus locais de prova, em pontos diferentes da cidade, em Cuiabá e em Várzea Grande, percorrendo diversas vias estruturais e principais da cidade, dirigindo por umas três horas e gastando cerca de meio tanque de combustível.
     Em um breve e livre relato do meu trajeto, começo pelo lado bom de não ter visto nenhum acidente, nem aglomerações nos abrigos de ônibus, surpreendendo-me ainda a tranqüilidade dos motoristas na observação das faixas de rolamento e semáforos, bem como na parcimônia do uso da buzina. Nenhum xingamento. Por outro lado vi apenas uma viatura policial, que não era de trânsito e senti falta de placas com os nomes dos logradouros públicos dificultando a localização, em especial em Várzea Grande. Ressalta-se a gravidade da ausência quase que geral de calçadas, colocando os transeuntes em risco de vida na disputa com os veículos por um naco das pistas de rolamento.
     Como era esperado, porém, os pontos de engarrafamento deram a tônica, em especial na Avenida Fernando Correia e Miguel Sutil, mas com destaque negativo para a Avenida da FEB, Alzira Santana e a rótula do Praeirinho, paralisando a Ponte Sérgio Mota. Escapei arriscando-me a sair pela Alameda Júlio Muller, que para a minha surpresa encontrava-se livre, inclusive em sua conexão com a Avenida da FEB, a partir da qual pude observar desobstruídas a XV de Novembro e a Tenente Cel. Duarte, esta livre de engarrafamento até a Dom Bosco. Um estudo sistemático destas ocorrências poderia ser muito útil.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 24/11/2009)