"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 25 de maio de 2020

A PRAÇA E A DEMOCRACIA

                                                                              (Imagem:cultura.df.gov.br - marcação adicionada ) 
José Antonio Lemos dos Santos
     A Democracia surgiu na ágora grega, uma praça na parte baixa das cidades gregas clássicas, onde os cidadãos se reuniam e escolhiam seus representantes no governo. Não trato aqui de política partidária ou ideológica, mas de Política Urbana, esta com “p” maiúsculo, destacando a amplitude do Urbanismo como ciência que vai muito além do conjunto construído, uma de suas dimensões, a mais visível. Servem de pretexto as manifestações públicas que ocorrem neste momento difícil pelo qual passa o Brasil na Praça dos Três Poderes, em Brasília, ela própria uma cidade cheia de simbolismos criados por sua população ou aqueles projetados por seu urbanista criador, Lúcio Costa.
     Vale lembrar o próprio Lúcio Costa explicando o partido urbanístico de Brasília, a ideia inicial, com o próprio sinal da cruz – um símbolo, como o “gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse de uma terra” - outro símbolo, objetivo maior do presidente JK para a construção da nova capital. Cumpria o presidente determinação de todas as constituições republicanas brasileiras, de 1981 a 1946. A grande motivação era a ocupação territorial brasileira quase que exclusivamente litorânea, alvo fácil para ataques externos e, pior, relegando o interior do país. Brasília é a concretização dessa decisão geopolítica com imediata repercussão positiva em todo interior brasileiro. Cuiabá é um bom exemplo desta decisão acertada.
     Os dois eixos da cruz original foram acomodados às curvas de nível arqueando ligeiramente um deles dando sua forma, popularizada como a de um avião. Em uma extremidade do eixo reto, o Eixo Monumental, o urbanista instalou em um triângulo as sedes dos poderes representativos do governo federal, que chamou de Praça dos Três Poderes, com o Executivo e o Judiciário nos vértices de sua base enquanto que o Legislativo, representativo do povo, ficou em posição destacada no vértice de frente para a cidade em um plano mais elevado. Entre eles, interligando-os independentes de forma harmoniosa e bela, a Praça dos Três Poderes para o povo, verdadeiro poder maior da Nação, do qual emanam todos os demais poderes. Quanto simbolismo!
     Ademais, a sede do Congresso Nacional, como poder representativo do povo também deveria ocupar o edifício mais alto da cidade – outro símbolo, decisão esta que gerou polemica durante o chamado período militar e depois com a redemocratização do país. Os militares não aceitaram que o edifício do Congresso fosse o mais elevado e edificaram um mastro para a Bandeira Nacional com altura superior, simbolizando a ideologia vigente: Brasil acima de tudo. Durante o processo de redemocratização este simbolismo voltou a ser questionado e o mastro foi alvo de críticas e promessas de demolição. Resistiu.
     A principal função da Arquitetura, e do Urbanismo como uma de suas principais especializações, é a transformação do espaço em abrigo de acordo com a necessidade do homem, seu usuário. Sua máxima realização se dá na realização exitosa desta relação espaço/usuário. No caso da Praça dos Três Poderes com o povo fazendo uso de seu espaço expressando sua indignação ou aprovação, repulsa ou aplauso ao funcionamento dos Poderes da República. Arquitetura sem gente é escultura. Geralmente as manifestações têm ocorrido na Esplanada dos Ministérios, cuja destinação não é bem esta e o povo some em sua monumentalidade. Pela primeira vez vejo a Praça dos Três Poderes funcionando como idealizada. Pena que em um dos momentos mais dramáticos da história brasileira. Mas é em horas como esta que o povo deve estar lá, ocupando seu espaço, o espaço especial para o maior de todos os poderes, aquele que dá origem e sentido aos demais.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

URBANISMO E PÓS-PANDEMIA


Isolamento social é prorrogado; confira as medidas adotadas ...
            Centro Cuiabá na quarentena (Foto:Diário de Cuiabá)
José Antonio Lemos dos Santos
     A ação síntese da Arquitetura é a transformação do espaço em abrigo de acordo com as necessidades do Homem. Vitrúvio, arquiteto romano do primeiro século depois de Cristo, explicitou que esta transformação deveria ser acompanhada de três condições conhecidas como Tríade Vitruviana: Firmitas, Utilitas e Venustas, traduzidas grosso-modo como Segurança, Funcionalidade e Beleza. Vale destacar a essencialidade do abrigo para a vida humana, sem ele o Homem não sobrevive, e é tão essencial como a alimentação. Pior pois ele não nasce com a casinha nas costas e nem sabendo como construir seu ninho. O Homem teve que inventar a Arquitetura e aprender a fazê-la e reinventá-la de acordo com a evolução de suas necessidades.
     O Urbanismo é uma visão ampliada da Arquitetura. Da mesma forma visa a transformação do espaço em abrigo para o Homem, só que para suas relações urbanas, um estágio da evolução humana alcançado com o surgimento das atividades especializadas livres da produção de subsistência, exigentes da criação de um novo tipo de espaço para abrigá-las e que veio a se chamar cidade, a maior, mais importante, mais complexa e a melhor sucedida das invenções humanas. Porém, a evolução do Homem em seus processos de urbanização e metropolização acelerados atingiu níveis de complexidade tais que hoje a problemática urbana é tida como o principal desafio do Século XXI. Mais que nunca o Urbanismo se apresenta como uma ciência essencial para a existência humana assim como a própria cidade, com mais da metade da população do planeta vivendo nelas. Contudo, o Urbanismo, o urbanista e seus planos não são reconhecidos em consonância com a premência da problemática que trabalham, de maneira muito especial no Brasil.
     Importante destacar que as necessidades de abrigo humano são históricas, isto é, evoluem e se sofisticam com o tempo agregando ao Urbanismo e à Arquitetura um caráter evolutivo constante. Assim, o Urbanismo no mundo em sua essência será o mesmo na pós-pandemia, isto é, continuará sua função de buscar soluções espaciais adequadas para os problemas urbanos, só que agora com os novos colocados pelo vírus, ou redimensionados por ele, mas contará também com novos recursos tecnológicos testados à exaustão na quarentena como o “home office”, as videoconferências e o comércio por aplicativos, e muitos outros. 
     Quanto ao Brasil, aqui sim tenho esperança de grandes mudanças, começando pelo começo, isto é, que finalmente a ciência do Urbanismo chegue ao país com seus profissionais e seus planos sendo respeitados e aplicados em benefício de toda a população de forma concreta e não apenas para a construção de algumas poucas cidades oficiais e empresariais, ou como exercício intelectual, comercial ou político distantes de suas finalidades originais. Produtos da evolução histórica, as cidades normais também evoluem e são objetos em constante construção que precisam ter o Urbanismo constantemente ao seu lado com acompanhamento e orientações técnicas em todos os seus setores. Hoje no Brasil isso acontece em 5 ou 6 de suas cidades e o resto é abnegação dos profissionais da área, em número e condições muito aquém das necessidades, quando existem. E que a nova abordagem urbanística que vier privilegie a questão da moradia digna, primordial para a vida do Homem e um de seus Direitos Fundamentais, tratada hoje como simples produção de “casinhas” destinadas antes a movimentar a economia do que garantir qualidade de vida para a população. A Covid-19 veio demonstrar que o problema da moradia não resolvido transborda e coloca em risco a todos. A cidade, o objeto do Urbanismo, que ajudou a Humanidade a dar saltos de qualidade, não pode virar seu carrasco.

segunda-feira, 30 de março de 2020

PANDEMIA E HOLÍSTICA


Adão e Eva sendo expulsos do Paraíso (Esboço Prof. José Maria)
José Antonio Lemos dos Santos
     É lugar comum dizer que as crises são também oportunidades, em especial para aprender. Vivemos a grande crise global do coronavírus e mesmo com toda a dramaticidade que envolve, ela também tem muito a ensinar. Caso este artigo passe alguma ideia de aclamação à pandemia, peço de antemão desculpas ao leitor, pois em minha quarentena também acompanho preocupado e com tristeza solidária todo o sofrimento pelo qual passa o mundo. Apenas quero marcar aqui uma notável e esperançosa lição, dentre as muitas que a tragédia trará no sentido de se evitar episódios semelhantes e de construir um mundo melhor.
     A importante discussão sobre a questão da quarentena como medida a ser adotada no Brasil, passou pelo sim ou não, pelo total ou parcial, horizontal ou vertical e acabou colocando em posições antagônicas os conceitos de vida e de economia. Em uma versão simplificada das posições, de um lado colocam-se os favoráveis à quarentena total, aos quais justifica-se a paralisação da economia com o isolamento máximo da população, reduzindo a velocidade da contaminação para evitar sobrecarga e colapso do sistema de saúde e consequentemente salvar vidas. De outro lado, colocam-se os que defendem a garantia da continuidade da economia evitando crises de renda e de abastecimento da população, e de sobrecarga e colapso dos sistemas de segurança pública, com graves consequências sociais e políticas. Para os primeiros a economia é recuperável e as vidas não. Para os outros, a economia paralisada acarretará fome, miséria e convulsões sociais, adicionando número significativo de mortes às causadas pelo vírus. Para muitos apenas firulas políticas enroladoras, no entanto, envolvem formas diferentes de ver o mundo.
     A visão holística foi um dos maiores avanços alcançados pela Humanidade e ela parte do princípio de que todas as coisas estão articuladas entre si, influenciando-se mutuamente. Nada existe de forma isolada no universo, mesmo que algumas coisas possam estar mais próximas ou mais distantes. Ainda mais um conceito tão complexo como o de vida que envolve tantas interrelações para sua existência. Continuando com o exemplo da vida que, apesar de dependente, não depende só da saúde, assim como, apesar de dependente, a saúde não depende só da medicina. Você pode gozar de plena saúde e ser atropelado por um carro, assim como o médico pode receitar um xarope adequado para uma criança, mas o barraco onde mora o pequeno é incapaz de protegê-lo do frio ou da chuva podendo levá-lo à morte com ou sem a medicação. Dois exemplos nas áreas da arquitetura e do urbanismo de como a vida pode ter outras dependências além da saúde e da medicina.
     Aliás o ministro Mandetta abordou corretamente este assunto ao dizer de sua esperança de que após a passagem da pandemia, o Brasil mude a maneira de tratar suas cidades, atribuindo um novo valor ao planejamento urbano, com destaque, para ele, nas áreas da Habitação e do Saneamento Básico. Além das duas áreas citadas eu acrescentaria todas as demais, já que a cidade é o objeto holístico por excelência e não pode ser tratada por partes isoladas.
     As ligações entre vida e economia são mais estreitas ainda e, sem querer exagerar, vêm desde o Livro do Gênesis quando Deus nos expulsou do Paraíso determinando que a partir daquele momento teríamos que viver (Vida) do suor de nosso próprio trabalho (produção, Economia)e até colocou um ou dois anjos com espadas de fogo impedindo-nos voltar. Findo o Paraíso, nada mais cai do céu e o trabalho é essencial à vida. Espero que as autoridades e a sociedade encontrem um meio termo entre as quarentenas “horizontais” e “verticais”. Mas tem que ser já.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

POR UM URBANISMO PROTAGONISTA

Número de mortos no desabamento de Muzema chega a 20


                                                                                                            Foto Erica Martin/Photopress/Folhapress
José Antonio Lemos dos Santos
     As cidades brasileiras pedem socorro. Enquanto vão morrendo como “locus” da civilização as nossas cidades matam ou mutilam nas mais diversas formas seus cidadãos, ao invés de evoluírem como ferramentas-mestra de promoção da qualidade de vida de seus habitantes. Na contramão do mundo civilizado a ciência do Urbanismo é desprezada bem como seus especialistas e suas normas integrantes dos Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano exigidos pela Constituição Federal. Valem nada! Os cidadãos morrem em áreas de risco sob enormes pedras em clara iminência de quedas, em áreas inundáveis indispensáveis aos processos “respiratórios” dos corpos hídricos, em áreas em grande declividade ou outra condição geotécnica imprópria aos parcelamentos, sob barragens instaladas à montante e coladas a núcleos urbanos, ou em rodoanéis traçados desconsiderando seus possíveis impactos sobre a cidade circundada, casos configuradores de um quadro urbanístico trágico que infelizmente que só tende a piorar.
     Como entidade que congrega os profissionais da arquitetura e do urbanismo com competência técnica e legal exclusiva na área do urbanismo no país, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), tanto em nível nacional como em nível das unidades federativas, tem entre suas preocupações principais a busca de maior eficiência e eficácia nas ações orientativas, punitivas e de fomento às boas práticas inovadoras em sua área de atuação conforme determina sua lei de criação. Nesse sentido mantem constante discussão sobre as diversas áreas da profissão e, diante do quadro urbano dramático vivido no país, muito em especial sobre as dificuldades enfrentadas pelo urbanismo em busca de sua afirmação como instrumento de ordenamento das cidades brasileiras e de melhoria na vida de seus habitantes.
     Nesta semana o CAU/BR promove em Brasília o II Encontro Nacional das Comissões Especiais de Planejamento Urbano e Ambiental (CEPUAs) com extensa pauta de trabalho, onde o CAU/MT apresentará através de sua CEPUA propostas específicas de intervenção nesse quadro grave em que vive as cidades brasileiras, propostas desenvolvidas e aperfeiçoadas ao menos desde 2017 quando da realização do I Seminário Nacional de Política Urbana e Ambiental também realizada em Brasília. O objetivo destas propostas é resgatar para o urbanismo o protagonismo que lhe compete nas ações referentes ao desenvolvimento urbano no Brasil pois, apesar de se fazer presente em grande parte dos processos de planejamento das cidades brasileiras, é inegável que de um modo geral tem sido negligenciado durante a aplicação daquilo que planeja e regulamenta, bem como durante as apurações de responsabilidades sobre as sucessivas tragédias decorrentes dessa situação.
     Trata-se de duas proposições. A primeira, trata de uma proposta de deliberação ao CAU/BR no sentido de que os CAU/UFs através de suas CEPUAs se apresentem de imediato nos locais de novas tragédias de caráter urbanístico (indesejáveis, mas, infelizmente muito prováveis), providenciando laudos próprios sobre suas causas e com indicação ao Ministério Público dos possíveis responsáveis. A outra é a proposta de uma lei de responsabilidade com a qual possam ser punidos os prefeitos em cujas administrações sejam descumpridas a legislação urbana repassando ao sucessor a cidade com indicadores básicos piores do que os recebidos. A ideia é que a punição implique na reprovação das contas públicas do mandatário e na sua consequente inelegibilidade. A ideia é que a categoria dos arquitetos e urbanistas não espere mais ser chamada, mas se antecipe assumindo sua grande e intransferível responsabilidade social.

segunda-feira, 25 de março de 2019

ARQUITETOS E FERROVIAS

Rede urbana brasileira (Universia)
José Antonio Lemos dos Santos   
     Em respeito às indagações que surgem, de vez em quando tento esclarecer porque um arquiteto se arvora a falar sobre ferrovias, oportunidade também para explicar a abrangência de uma profissão tão importante e incompreendida pela sociedade e, por isto, tão subutilizada por ela. Sempre começo explicando que o objetivo central da arquitetura é a transformação do espaço em abrigo digno, funcional, belo, seguro e sustentável, indispensável ao desenvolvimento do ser humano em suas diversas atividades. Sem abrigo o homem não sobrevive, isto é, morre. Assim, uma primeira conclusão sobre a arquitetura é que se trata de uma de uma das profissões mais essenciais à sociedade, e não uma profissão fútil como alguns são levados a entender por problemas da própria categoria profissional que apenas há pouco passou a ter um conselho específico para organizar e promover a profissão.
     Só que o espaço é continuo e o arquiteto trata desde os espaços interiores de uma residência até o espaço regional de um estado ou país, passando pelo espaço urbano do bairro, cidade ou metrópole. Hoje com a globalização também não podem lhe faltar os indispensáveis cuidados com a sustentabilidade do planeta em decorrência de suas intervenções espaciais. É claro que dada a amplitude de seu campo de estudo, impossível de ser dominado por um só profissional, os arquitetos tendem a se especializar, como na medicina, por exemplo, em áreas complexas que já dispõem de um vasto manancial teórico próprio.
     Encurtando o assunto, na área do planejamento urbano e regional as cidades são entendidas como centros produtores de bens e serviços destinados a atender cada qual uma região, e que se interconectam em redes através de fluxos de pessoas, informações, serviços e, entre outros, cargas. Tais fluxos mantêm a cidade viva e são responsáveis pelo seu desenvolvimento e de sua população, deslocando-se através de canais especializados, ou modais, tais como aerovias, rodovias, dutovias, infovias, hidrovias, e inclusive as tais ferrovias, pretexto deste artigo explicativo. Conforme seus níveis de centralidade e a evolução desses níveis os canais precisam ser ampliados e até complementados por outros tipos de maior capacidade de transporte, o que é o caso de Mato Grosso, e de Cuiabá em especial, cujo desenvolvimento na geração e recepção de cargas não pode mais ser atendido só pelo transporte rodoviário sob pena de estrangulamento.
     As cidades não são mais vistas como pontos isolados, mas como centros organizados em redes hierarquizadas funcionalmente, as chamadas redes urbanas que estruturam e definem a fisionomia de cada região. Os modais de transportes dos diferentes fluxos da conexão interurbana são então fundamentais para o desenvolvimento e o desenho das cidades e das regiões e aí o assunto passa a ser também do interesse e da competência do arquiteto enquanto tratador do espaço.
     Então ao arquiteto dedicado ao planejamento urbano e regional é fácil entender a importância da extensão da Ferronorte até Cuiabá e sua sequência imediata ao norte até encontrar a Ferrogrão, como urgente reforço à BR-163 eixo da estrutura espacial de Mato Grosso, espinha dorsal unificadora e fiadora do desenvolvimento integrado de um estado campeão nacional em produção e uma das regiões mais produtivas do planeta, apesar de seus governos. Ao invés, também lhe é fácil ver o desastre que adviria com o projetado seccionamento da Ferronorte e o isolamento ferroviário de Cuiabá como querem alguns. Mas a força atrativa da economia de aglomeração instalada na Grande Cuiabá é poderosa e já sensibilizou a Rumo, sucessora da Ferronorte, conforme tratado no artigo anterior.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

RUÍNAS DO CENTRO HISTÓRICO

José Antonio Lemos dos Santos
     As lágrimas que caem a cada desmoronamento no centro histórico de Cuiabá, mesmo as dos crocodilos, não caem pelo patrimônio que se esvai, caem por nós. O que estamos fazendo com a história de Cuiabá, parte significativa da história do Brasil, faz lembrar John Donne, que conheci numa citação de Hemingway: ”A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes perguntar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
     A história é antes de tudo a história dos homens que a protagonizam deixando marcas ao longo do tempo em suas diversas manifestações como arquitetura, pintura, música, literatura, tecnologia e outras que passam a ser consideradas a própria história que as gerou, tomando a obra pelo seu criador. Parafraseando Donne, a cada patrimônio perdido diminui cada cuiabano de coração, nato ou não, pois somos parte direta dessa história de Cuiabá. Daí, a dor e as lágrimas dos cuiabanos pela destruição acelerada de seu centro histórico pois é a destruição da história de cada um de nós e de todos nós, e um povo sem história morre, desaparece. Não pergunte, pois, por quem choramos, choramos por nós, pela nossa própria destruição, que acelera a cada eventual patrimônio que desaparece.
     O que seria a história presente se não a construção do futuro com as condições deixadas pelo passado? Ou, a história não seria o futuro chegando rapidinho, tornando-se presente e de imediato virando passado? Passado, presente e futuro são momentos diferentes de um mesmo fluxo, a história. Assim, chorar pela destruição da história é prantear também pelo presente e pelo futuro. Em especial no caso de Cuiabá pois seu maior patrimônio histórico é o futuro. Que outro motivo haveria para as gerações passadas sofrerem tanto isolados neste ermo do mundo, a não ser para legar ao futuro uma localização mágica, que hoje se revela privilegiada e estratégica no exato centro do continente sul-americano e centro de uma das regiões mais ricas do planeta? Daí o atual dinamismo vivido por esta cidade, iluminada pelo futuro que brilha à sua frente. Bem diferente de suas irmãs do ciclo do ouro transformadas em museus, Cuiabá segue viva em função do futuro que lhe foi legado. Falta-lhe compatibilizar o futuro com o passado, como fazem as melhores cidades do mundo. Sabem que cuidar do passado é promover o orgulho local e gerar renda e empregos de qualidade.
     Outro dia desmoronou a Gráfica Pepe, casarão de refinada arquitetura, queda anunciada e assistida por todos pois já há algum tempo a fachada se inclinava sob o peso do belo e autêntico frontão eclético, uma joia que foi caindo à vista de todos e caiu. Ano trasado foi a Casa de Bem-bem, peça rara da arquitetura colonial brasileira. Antes, a casa de Rolim de Moura, primeiro governador do estado e primeiro Vice-Rei do Brasil. Foram-se também as de Dutra e Murtinho. Foi-se o Palácio Alencastro, depois a Catedral e o sobradão do antigo PSD. Qual será o próximo? Talvez a Casa Orlando do último abastecimento do lendário Coronel Fawcett? O sobradão do Beco Alto? as casas de Generoso Ponce e Deodoro? A de Floriano nem se tem notícia.
     O mesmo acontece com a Arena Pantanal, moderna, mas não menos histórica, um edifício aclamado no mundo, palco para grandes eventos nacionais e internacionais, porém, criminosamente abandonada. E com ela vai o futuro que prometia, assim como o futuro prometido pela ferrovia, pelo gasoduto e termelétrica, pelo Porto Seco, pela internacionalização do aeroporto, pelos COTs da Copa e tantas outras potencialidades, tudo abandonado. E nós cuiabanos assistindo, quando muito choramos, lágrimas para nós mesmos. Até quando?


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

ARQUITETOS E POLÍTICA

Cuiabá vista do Ribeirão do Lipa (imagem: blog gerencialconstrutora)
José Antonio Lemos dos Santos
     O artigo da semana passada avaliando os resultados das eleições proporcionais deste ano em Mato Grosso suscitou algumas considerações adicionais. Uma é recorrente e me persegue questionando o que tem a ver arquiteto com política tendo em vista o tratamento público dado ao assunto por alguns profissionais desta área, dentre os quais eu, mesmo não sendo especialistas. A oportunidade do Dia do Arquiteto, agora no último dia 15 de dezembro, permite alinhar algumas explicações. Bastaria dizer que o arquiteto além de técnico também é um cidadão como qualquer outro, cabendo-lhe assim a responsabilidade de sempre se preocupar e se manifestar sobre os destinos de sua cidade, estado e país. Porém, no caso do arquiteto cabem algumas razões especiais.
     Tendo como mister essencial a transformação do espaço em geral em abrigos “latu sensu”, belos, funcionais, seguros, sustentáveis e sobretudo dignos, indispensáveis ao desenvolvimento do homem em sociedade, a Arquitetura é uma das profissões com maior amplitude de competências abrangendo desde a arquitetura de interiores, passando pelo edifício, bairros, cidades, metrópoles chegando até ao planejamento regional enquanto expressão das cidades organizadas em redes hierárquicas. Ou seja, a matéria-prima trabalhada pelo arquiteto é o espaço em todas as suas dimensões. Ocorre que por problemas internos à própria categoria a profissão não é tão bem compreendida pela sociedade, limitando este entendimento a uma ou duas de suas áreas de atuação, também importantes, mas não as únicas neste amplo campo de competências do profissional chamado arquiteto, que por formação e pela lei assina tecnicamente como arquiteto e urbanista.
     O espaço, matéria-prima da arquitetura, é contínuo e em sua continuidade interliga suas parcelas aparentemente isoladas de tal forma que hoje uma das primeiras condições na elaboração de um projeto arquitetônico é a avaliação de suas relações com o entorno. Assim, mesmo as intervenções de caráter pontual têm interferências no espaço coletivo, no mínimo na vizinhança mais próxima, o que agrega de imediato à Arquitetura um caráter político, entendendo este como o conjunto de preocupações voltadas à promoção do bem comum, da coisa pública, da “res-publica”. Daí as atividades dos arquitetos não se submeterem só à normas técnicas, mas também à leis e normas edilícias e urbanísticas que dependem da interferência decisiva dos políticos do executivo ou do legislativo em todos os níveis de governo. Como exemplos, o Código de Obras ou a Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano.
     Assim, entre o arquiteto e seu objeto de trabalho estão sempre os poderes públicos representados pelos políticos, pois estes são, ou deveriam ser, os representantes do povo cabendo a eles as decisões de fazer, do que fazer, como fazer, ou não fazer, decisões que precisam ser sempre embasadas em assessorias técnicas especializadas e estruturadas institucionalmente. Desse modo a preocupação do arquiteto com a política deve se dar em todo o seu campo de competências, e muito em especial quando dedicado ao planejamento urbano ou regional.
     Convém lembrar sempre que sendo um objeto construído, a cidade tem uma dimensão técnica inalienável. Mas como esse objeto tem um “dono coletivo” - o cidadão aos milhares ou milhões - tem ainda uma dimensão política também inalienável. A técnica e a política devem andar juntas, sem supremacia de uma ou outra. Daí o imperativo do interesse do arquiteto pela política, em especial nos critérios definidores da qualidade dos políticos como representantes do povo com a responsabilidade de buscar sempre a realização do bem-comum, dos interesses republicanos, dos quais a cidade é o maior exemplo.

segunda-feira, 12 de março de 2018

CAMPEÃO DO MUNDO

BREEAM AWARDS2018
José Antonio Lemos dos Santos
     Até o ano passado enquanto fui professor da ativa sempre insisti com os alunos e colegas no entendimento de que no mundo da internet só é periferia quem quer. Não tem mais aquela velha desculpa de morar longe dos grandes centros culturais, industriais, distante das bibliotecas, das inovações tecnológicas, etc., que sem dúvida foi bastante válida durante muito tempo para muitos, mas que hoje com a internet não faz mais o menor sentido. Até a pouco tempo era compreensível a expressão “vou ao Rio ou a São Paulo tomar um banho de civilização”. Hoje a internet traz a civilização e o mundo para todo mundo e leva todo mundo para o mundo e a civilização, desde que cada um queira de fato. Mas mesmo sem a internet tinha gente que rompia a distância e o isolamento e ia ao encontro do mundo, alguns até para conquistá-lo, como Dutra ou Rondon que saíram de Cuiabá com todas as dificuldades para construir seus destinos, um chegou a presidente do Brasil e o outro é considerado em outros países, EUA por exemplo, como um dos maiores vultos da espécie humana.
     Baixando um pouco a bola, na semana passada, último dia 6 de março, em Londres aconteceu a premiação mundial de construções sustentáveis, BREEAM AWARDS 2018, destacando o Centro Sebrae de Sustentabilidade, em Cuiabá, e seu criador o arquiteto conterrâneo José Afonso Botura Portocarrero. Foram premiados como Melhor Edificação Sustentável em Uso nas Américas, por juri técnico e Melhor Prédio Sustentável da Premiação, em júri popular mundial por meio de votos digitais, tendo concorrido com edifícios das três Américas, Ásia e Europa. O BREEAM criado em 1992 na Inglaterra foi o primeiro método para avaliação de sustentabilidade em edifícios e hoje é uma das certificações de maior prestígio no mundo.
     Uma premiação deste porte traz por si só um impacto arejador no ambiente cultural do estado mas impacta também ao premiar um projeto que traz a interação daquilo que é mais contemporâneo em termos de tecnologia com lições fundamentais de sabedoria da arquitetura indígena coletadas pelo arquiteto Portocarrero e reunidas no seu livro “Tecnologia Indígena em Mato Grosso”, também premiado em outra ocasião. A interação de conceitos globais e locais, moderno e milenar é a proposta contundente e sedutora do edifício premiado.
     O Centro Sebrae de Sustentabilidade promove também o verdadeiro conceito de Arquitetura, mostrando superar os limites físicos da simples construção ao transformar os espaços em abrigos de qualidade com segurança, funcionalidade e com a magia capaz de transformar um edifício em um ícone.  O Centro Sebrae de Sustentabilidade consolidou-se de fato como um ícone da sustentabilidade na arquitetura, centro difusor de conhecimentos e promotor de discussões sobre as melhores formas do homem se relacionar com seu ambiente. E o edifício em si é a sua principal mensagem, o edifício é a primeira lição.
     É preciso saudar uma instituição como o SEBRAE-MT por buscar na arquitetura de qualidade um bom começo para o desenvolvimento de seu centro de sustentabilidade. Ninguém mais adequado que o arquiteto e urbanista José Afonso Portocarrero, professor, mestre e doutor, um dos idealizadores da Secretaria do Meio Ambiente de Cuiabá e seu primeiro secretário, estudioso do edifício, da cidade e do ambiente e que foi buscar com os índios, com olhos e mentes de aprender, as lições de convivência ambiental para sua arquitetura mais recente. Só podia dar certo. Além do sucesso, reconhecimento nacional e internacional para o Centro Sebrae de Sustentabilidade e seu arquiteto.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

PRESERVAÇÃO DE UM MONUMENTO

Vitruvius

José Antonio Lemos dos Santos
     Há alguns dias quando em visita técnica com seus alunos da UFMT ao edifício sede do Tribunal de Contas da União (TCU-MT) em Cuiabá o professor doutor José Afonso Portocarrero tomou conhecimento de que o TCU está deixando aquele local em busca de mais espaço. Soube, inclusive, que haveria risco de demolição dependendo do órgão que viesse ocupar o edifício. Espantado ligou de imediato ao presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (CAU-MT), Wilson Andrade, informando a perspectiva absurda, sendo logo agendada uma audiência com a superintendente do Serviço do Patrimônio da União em Mato Grosso (SPU-MT), senhora Lucimara Tavares, onde foi confirmada a desocupação do prédio pelo TCU.
     Na mesma audiência a superintendente informou que, tratando-se de um patrimônio público da União, uma vez desocupado e para não se transformar em um patrimônio ocioso, fica à disposição de outros órgãos públicos que manifestarem interesse junto à SPU-MT, sendo tais pleitos encaminhados após as devidas análises ao Ministério do Planejamento em Brasília para decisão sobre cada requerimento. Informou ainda já existirem no sistema do SPU 3 ou 4, não me lembro, solicitações para uso do prédio do TCU, sendo uma instituição federal.
     O CAU é instituição federal jovem, às vésperas de completar o sétimo ano de existência, definido em sua lei de criação como uma autarquia federal que tem por função “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem como pugnar pelo aperfeiçoamento do exercício da arquitetura e urbanismo”. E o zelo pelo patrimônio arquitetônico e urbanístico do país faz parte de sua nobre missão.
     E o que tem o edifício do TCU-MT de tão especial para os arquitetos? Além de ser um edifício que surpreende por suas formas e encanta usuários e transeuntes por sua beleza sinuosa e colorida, o edifício do TCU-MT é um dos mais perfeitos exemplares do tardomodernismo high-tech em sua vertente cuja composição estética não se encontra apenas na expressão de sua alta tecnologia, mas na busca também da beleza através dela. Trata-se de uma obra do genial João da Gama Filgueiras de Lima, o arquiteto carinhosamente conhecido dentro e fora do país como Lelé, falecido em 2014, considerado ao lado de Niemeyer e Lúcio Costa um dos componentes da tríade que trouxe o modernismo para o Brasil. Só isso. Deixando a dimensão apenas edilícia, o edifício transforma-se hoje em um monumento da arquitetura brasileira implantado em Mato Grosso encontrando-se basicamente bem conservado em sua estrutura estética e física. O grande risco não é só uma eventual demolição, mas seu desrespeito enquanto obra de arte com os célebres “puxadinhos” e outras mutilações a um projeto tão bem concebido e importante, heresias estas tão comuns em nossa terra.
     Ainda em fase de instalação e consolidação, mas em funcionamento pleno, o CAU-MT tem entre suas prioridades o estabelecimento em uma sede própria, compatível com sua funcionalidade e orçamento, mas à altura do simbolismo de sua nobre função. Não pode ser apenas um espaço físico, qualquer edificação, tem que expressar bem a arquitetura e o urbanismo em Mato Grosso. E o edifício do TCU vem ao encontro dessas preocupações, em benefício da preservação do monumento arquitetônico nacional e na solução do espaço digno de sediar a entidade cuja função é “pugnar”, lutar pela arquitetura e urbanismo em Mato Grosso. Mais que um espaço, uma relíquia arquitetônica!
Publicado em 12/09/17 pelo Diário de Cuiabá, Folhamax, NaMarra, Midianews, 14/09/17 pelo OIndependente, RepórterMT, ...)
Comentários no e-mail:
12/09/17 Cléber Lemes:
Parabéns Dr. José Antonio, faço coro em prol de destinar o edificio sede do TCU ao CAU , pois esse edificio é ao cartão postal da  arquitetura. Um abraço 
​Cleber

sábado, 17 de junho de 2017

SHOW DA LARANJA


            NÃO PERCA O SHOW DA LETÍCIA LARANJA INTERPRETANDO COMO A ARQUITETURA É VISTA POR UMA ESTUDANTE. MUITO LEGAL.

            VEJA NO LINK ABAIXO:

https://youtu.be/PxPItF0aLdo


sábado, 15 de abril de 2017

MICROPRIVATIZAÇÃO DA ARENA


CircuitoMT

José Antonio Lemos dos Santos

     Sempre que posso vou à Arena Pantanal torcer pelos times mato-grossenses e domingo passado fui assistir Dom Bosco e Sinop, às 10 horas da manhã. Apesar do horário alternativo aparentemente impróprio “para a prática do esporte bretão” como diriam os antigos “speakers” do futebol brasileiro, foi um grande jogo de futebol. Liberada a ala Leste, o lado da sombra matinal, deu também para comprovar o acerto do arquiteto Sérgio Coelho em deixar vazados os cantos das arquibancadas para aproveitamento do efeito chamado na arquitetura de “ventilação cruzada” favorecendo uma leve brisa ao longo de todo o jogo. Na sombra com um ventinho e a parada técnica para os jogadores, o horário diferenciado também me pareceu aprovado.
     Outra satisfação foi ver lá o atual responsável pela Arena, o secretário-adjunto de Esportes Leonardo de Oliveira com a camisa do Dom Bosco em meio à torcida. A satisfação vem do fato de hoje ser raro um político frequentar locais com muita gente, no meio do povo, torcendo tranquilo, isto é, tranquilo na medida do possível já que seu time esteve sempre correndo atrás no placar e acabou perdendo. E no intervalo tivemos oportunidade de conversar com ele mostrando através do vidro as carteiras escolares ocupando alguns dos camarotes compondo uma nova escola para 300 alunos em tempo integral com iniciação em diversas modalidades esportivas, escola acertadamente chamada de “José Fragelli”. Uma manhã proveitosa para um fã da Arena desde sua construção. Enfim alguém pensando corretamente o futuro de nossa premiada Arena, o que até hoje não ia além do chavão “privatizar ou não”, como se essas opções bastassem para o sucesso ou condenação da belíssima praça esportiva. A ideia poderá literalmente fazer escola.
Júnior Silgueiro/SeducMT

     Minha satisfação foi ampliada pois em um artigo em fevereiro ousei fazer uma sugestão para Arena, o Palácio dos Esportes, que vai no mesmo rumo deste que o estado está propondo, a Arena-Educação. São projetos convergentes que me animam a ousar detalhar um pouco a proposta do Palácio dos Esportes, talvez somando alguma coisa com a Arena-Educação. Grosso modo, o Palácio dos Esportes seria similar a um shopping especializado em esportes, gerenciado pelo próprio governo ou terceirizado para empresa com experiência na administração de shoppings. Com um projeto de estado perfeitamente definido se pode falar em terceirização ou privatização. Mantida a prioridade para o futebol das bolas redonda e oval, nele estariam espaços para os clubes venderem seus produtos, museu do esporte mato-grossense, sala para turistas, ligas e federações esportivas, salas para iniciação e treinamento de diversas práticas esportivas e de exercício corporal. Parte permanecendo com o estado para a escola e outros projetos esportivos de interesse social e parte alugado para academias particulares diversas, indo desde o balé, ioga, xadrez, ginástica, passando pelo skate, patinação, até o Boxe, Judô, Karatê, Taekwuondo, etc. Vai até o aluguel de espaços para academias de ginástica, comércio de material esportivo, clínicas de fisioterapia e nutrição. Com a Arena “microprivatizada”, seu sucesso geraria recursos para sua manutenção e financiamento de parte da política estadual de esportes.
     Nesse projeto se integrariam progressivamente os novos COT’s, mini-estádios e ginásios espalhados pelo estado, hoje abandonados em sua maioria. As duas propostas parecem prever a Arena e o Ginásio Aecim Tocantins, sempre iluminados e bem cuidados, como cabeças de um projeto esportivo para Mato Grosso, com sua escola recebendo alunos que se destaquem esportivamente em todo o estado, tirando os jovens da violência e das drogas, e preparando atletas e cidadãos para o futuro. 

segunda-feira, 6 de março de 2017

PRITZKER 2017

Revista Projeto 

                          Escritório RCR ARQUITECTES recebe o Prêmio PRITZKER 2017.

Os catalães RAFAEL ARANDA, CARME PIGEN  e RAMON VILALTA - pela primeira vez 3 arquitetos juntos são premiados. Em seu discurso, o presidente da Fundação Hyatt, que patrocina o prêmio,Tom Pritzker, ressalta que os profissionais catalães tiveram um impacto na arquitetura muito além de sua área imediata. “Suas obras vão desde espaços públicos e privados a espaços culturais e instituições educacionais, e sua capacidade de relacionar intensamente o ambiente específico de cada local é um testemunho de seu processo e integridade profunda", ele avalia.

Ler mais em:
https://arcoweb.com.br/noticias/internacional/rcr-arquitectes-sao-vencedores-do-premio-pritzker-2017-

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CASARÕES DE BOCAINA - SÃO PAULO

José Antonio Lemos dos Santos

Interessante vídeo recebido do torcedor cuiabanista Paulo Assumpção sobre a Arquitetura Éclética em sua cidade de Bocaina-SP.  Cáceres em Mato Grosso tem uma ama amostragem semelhante. Chegamos lá um dia.

youtube
Ver no link:
                                https://www.youtube.com/watch?v=o-K1UGxVLBY

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

LEONARDO BENEVOLO (1923 -2017)



italianostraroma.blogspot.com.br

"Ontem, 05 de Janeiro de 2017, faleceu aos 93 anos de idade o arquiteto Leonardo Benevolo.

Leonardo Benevolo foi uma das figuras mais representativas de toda a história da arquitetura italiana (sobretudo da história da crítica e planejamento urbano), um profissional sempre atento aos problemas e possíveis novos horizontes da cidade.

Benevolo estudou arquitetura na Universidade de Roma, onde se graduou em 1946. Ensinou história da arquitetura no Ateneo, e depois nas Universidades de Florença, Veneza e Palermo. Seus escritos -- principalmente o livro História da Arquitetura Moderna, publicado nos anos 60 -- foram disseminados e traduzidos para muitos idiomas, rendendo ao arquiteto fama internacional a ponto de ser reconhecido hoje em dia como um dos historiadores mais ilustres da arquitetura e urbanismo. " Archdaily.

Leia mais em http://www.archdaily.com.br/br/803007/falece-o-arquiteto-italiano-leonardo-benevolo


Uma das minhas maiores referências em Arquitetura.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A FALA DO ARQUITETO

OlharDireto   11/11/2015 - 09:35

Arquiteto defende projetos para pessoas de baixa renda e afirma que arquitetura traz sentimentos à casa

Da Redação - Isabela Mercuri

Foto:  Reprodução do site OlharDireto

Fazer projetos arquitetônicos para famílias de baixa renda pode se tornar realidade para muitos arquitetos do Brasil. Com a tentativa do Conselho de Arquitetura de regulamentar a lei que prevê assistência técnica gratuita para pessoas de baixa renda, elas, que não teriam acesso a isso anteriormente, passariam a ter mais conforto. Quem defende a ideia é o arquiteto Luiz Claudio Bassam, formado pela Universidade de Londrina (UEL) e atualmente professor da Universidade de Cuiabá (UNIC). 
Para ele, a arquitetura e o urbanismo são instrumentos de mudança social. De acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), mais de 80% da população faz obras sem um projeto técnico nesta área. A falta de recursos é principal motivo apontado. Bassam ainda afirma que a diferença que um projeto faz numa casa vai além da praticidade e da organização, ele traz sentimentos e sensações à casa das pessoas.

Junto a essa iniciativa do Conselho, no entanto, está outra em pauta, que pede a revisão da Lei das Licitações pelo Congresso. Nesta revisão, seria retirada a exigência do projeto para a licitação pública, sendo necessário apenas o anteprojeto. “É um retrocesso muito grande pra um país que quer ser desenvolvido. Boa parte dos brasileiros não é profissional, e isso reflete lá em cima (no congresso). Fazemos tudo de hoje pra amanhã”, afirma Bassam. Ele explica que o projeto é um planejamento minucioso que facilita o trabalho quando a obra é levantada: “Na Europa, em países desenvolvidos, um projeto de arquitetura dura dois, três anos, ele não dura uma semana. Só que a obra ela se faz em seis meses, e ninguém pensa em mais nada, porque já está tudo planejado. Não têm aditivos, está resolvido. Isso é profissional”. 

E é por esta importância que o arquiteto dá aos projetos que ele concorda com a ideia de planejar para pessoas que ganham até três salários mínimos, “É um novo tipo de cliente. Tem que acabar com isso do arquiteto ficar sentado no escritório esperando o cliente aparecer. Agora ele pode ir na comunidade, ver as necessidades das pessoas, pega o financiamento, o recurso do governo e vamos trabalhar. Eu vou projetar, as pessoas que não teriam acesso a isso terão conforto, e eu vou receber por isso”, afirma. Com uma obra mais pensada, seria possível até mesmo conseguir economia posteriormente: “O principal exemplo é a economia energética. Se você fizer uma casa pra Cuiabá, com sombra, evitando que o sol entre no ambiente, você vai ter uma redução da carga térmica. Se precisar usar o ar condicionado, será numa potencia menor. Então gera uma economia violenta. Ventilação pode fazer até com que não precise de ar condicionado”. 

E essa ideia de projetar de acordo com o local, Bassam também tenta passar para seus alunos: “Eles precisam de referências arquitetônicas. Não é que eles vão copiar, eles vão perceber, por exemplo, que lá no Chile se constrói assim, por causa do clima, do relevo, no Marrocos se constrói assim. E aqui, em Cuiabá, como eu construo? Fazemos construções como nos grandes centros, tem a ver com o cuiabano? Em Marrocos, as casas são feiras para o deserto, árido, na Amazônia a arquitetura é leve, a casa é ventilada”, explica. 

“E eu acredito que o projeto de arquitetura é a síntese de tudo. O urbanismo trabalha cidade, então o arquiteto não pode pensar no um edifício isolado dentro de um terreno, o local onde ele está, conhecer o local, o entorno de onde aquele terreno está localizado é fundamental. Não se pensa dentro de quatro muros”, finaliza. 

Ler o original em
 http://www.olhardireto.com.br/conceito/noticias/exibir.asp?noticia=Arquiteto_defende_projetos_para_pessoas_de_baixa_renda_e_afirma_que_arquitetura_traz_sentimentos_a_casa&id=9638

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A PÉROLA MATO-GROSSENSE



José Antonio Lemos dos Santos

     A Arquitetura tem o condão de expressar seu tempo e suas obras são adotadas como marcos civilizatórios das diversas sociedades ao longo da história. Pode ser uma residência, catedral, castelo ou um palácio. Muitas vezes pode até parecer estar à frente de sua época, e nestes casos ela causa surpresa, estranheza, um espanto criativo que empurra a sociedade aos seus novos limites em cada tempo que se vive.
     Aqui em Cuiabá foi construída a Arena Pantanal como ápice das obras preparatórias da cidade para a Copa 2014. Seria o palco global da grande festa, a pérola coroando o conjunto de investimentos especialmente preparado para a Copa. Além de bela e plena em inovações instigantes, deveria ser também uma ferramenta múltipla “linkada” com o planeta para o desenvolvimento de Cuiabá e Mato Grosso em diversos campos, seja no esporte, em especial o futebol, na cultura, na saúde, no turismo, ela própria uma poderosa atração adicional neste centro sul-americano, às bordas do Pantanal, da Chapada, do Cerrado, da Amazônia e das belezas artificiais das grandes criações e plantações high-tech que ajudam a matar a fome no mundo.
     Mas o processo civilizatório não atinge a todos ao mesmo tempo. Enquanto a Arena e a própria Copa expressavam a vanguarda dos tempos atuais de globalização, compartilhamento, smartphone, aviões a jato, computadores e internet, muitos ainda não entenderam seu significado e o quanto ela representa como expressão dos novos patamares de desenvolvimento de Mato Grosso e sua gente. No Brasil e também em Mato Grosso os gestores públicos ficaram para trás, aqui a quilômetros do processo de desenvolvimento estadual. Não estavam e não estão à altura da nossa Arena e do desenvolvimento do estado. Tenho grandes esperanças de que a nova safra estadual de gestores ainda vai evoluir com o trabalho que inicia, colocando-se à altura da Arena Pantanal e deste Mato Grosso campeão. A Arena e o desenvolvimento de Mato Grosso são frutos do trabalho sofrido do mato-grossense que exige respeito com as coisas que lhe são caras e importantes.
     Considerada pelos jornalistas estrangeiros presentes no Brasil como a Arena mais funcional da Copa 2014 e a sétima mais fantástica do mundo por importante jornal espanhol, a Arena nos encheu de orgulho, nós que temíamos ser a vergonha da Copa, como queriam e torciam muitos por este Brasil afora. Hoje o povo aos milhares a abraça diariamente nas manhãs e tardes, frequentando sua ampla praça de entorno para brincar, caminhar, correr, enfim exercitar a vida com qualidade. Porém, ao fim do ano foi abandonada pelos seus gestores, aqueles pagos para cuidar dela. Com transmissão via satélite para o Brasil e o mundo, deixaram faltar água nos jogos do Corinthians e da Seleção Brasileira e eletrocutaram a égua Andrômeda ao final do jogo São Paulo e Santos. Depois deixaram secar o gramado. Agora, às vésperas da abertura do campeonato, com ampla repercussão negativa interditam a Arena para reparos que duram uma semana. Mesmo assim, a pérola da Copa reluz e foi selecionada entre as 32 que concorrem como a melhor do mundo em 2014 pelo mais importante site internacional especializado em estádios. Das 12 da Copa apenas 6 foram selecionadas. Já votei.
     Com os cuidados recebidos durante a interdição e que deveriam ser constantes, a Arena está de novo bela e pronta para neste domingo receber seu povo na festa de abertura do campeonato mato-grossense, com Cuiabá, Dom Bosco, Mixto e Operário em rodada dupla. A Arena Pantanal é para ser um marco de orgulho, qualidade de vida e desenvolvimento. Mas ainda precisamos crescer para estar à sua altura.
(Publicado em 29/01/15 pelo site informativo do CAU-MT, Blog do José Lemos, no dia 31/01/15 pelo Diário de Cuiabá, no dia 02/02/15 pelo Midianews, no dia 03/02 pelo PautaExtra,...)

Comentários fora do Blog:

No Diário de Cuiabá:
"Data:31/01/2015 00:15
Nome:Claudia
Profissão:estudante
Localidade:Cuiabá/MT
ATÉ TU??? FIQUEI DESAPONTADA."
"Data:31/01/2015 14:34
Nome:MARCELO AUGUSTO PORTOCARRERO
Profissão:Engenheiro
Localidade:Cuiabá/MT
Parabéns pelo excelente texto."

No Midianews:

"Elias Neves  02.02.15 08h26
por favor, por favor repito: de onde este comentarista tirou esta conclusão? A obra da Arena está com sérios problemas, um investimento milionário para atender a FIFA enquanto sequer um hospital de qualidade temos. Volto a repetir: por favor, não diga o absurdo!"

"marcos vinícius  02.02.15 12h50
Novamente meu amigo você acertou na veia.A pequenez das ideias e os achismos devem ser expostos para que o nosso estado volte a ser o que sempre deveria ter sido. Um grande abraço."
"marcelo sóter  02.02.15 18h48
Que louco este texto. Nada haver, onde este cara mora".


sexta-feira, 25 de julho de 2014

CURSOS GRÁTIS!


Para aproveitar as férias! Espetacular! Veduca. Aulas legendadas com os melhores professores das melhores universidades do mundo, nas mais diversas áreas, inclusive na Arquitetura e no Urbanismo. Experimente o link abaixo:

http://veduca.com.br

sexta-feira, 27 de junho de 2014

ART DECO EM CUIABÁ





Fotos José Lemos

Belo e esquecido exemplar da Arquitetura Art Deco no centro de Cuiabá, infelizmente em estado de manutenção precário. Existem outros que merecem uma atenção maior de nós arquitetos e arquitetas.
Foto José Lemos

domingo, 22 de junho de 2014

PONTO DE TAXI


Foto José Lemos

Para mim um dos melhores exemplos do que classificamos na disciplina de História e Teoria da Arquitetura e do Urbanismo -III com Pós-modernismo Regionalista.Trata-se de um abrigo para motoristas de taxi. Mais um dos grandes projetos do arquiteto professor Ademar Poppi. Registro em foto aqui no blog um exemplar ainda em condições razoáveis de manutenção, antes que desapareça junto com tantas das coisas boas de nossa cidade. 


sábado, 26 de abril de 2014

PEQUIM EM BOLHAS

BBCBrasil
BBCBrasil


Arquitetos sugerem 'bolhas de ar limpo' para isolar Pequim da poluição

Atualizado em  21 de abril, 2014 - 16:51 (Brasília) 19:51 GMT

A ideia foi lançada pelo escritório de design e arquitetura londrino Orproject. O projeto "Bolhas" prevê instalar enormes estruturas com vegetação em seu interior, que se encarregaria de regenerar o ar.
Ver mais em
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140421_china_domos_rb.shtml