José Antonio Lemos dos Santos
Todo cidadão deseja viver em uma grande cidade, e não em uma cidade apenas grande. Viver em um grande estado, e não em um estado apenas grande. À cidadania interessa uma cidade e um estado capazes antes de tudo de oferecer qualidade de vida, com empregos, renda e infraestruturas econômicas e sociais dignas e efetivas para seus habitantes. Para tanto umas das condições essenciais é a energia. Um estado ou uma cidade sem energia, ainda que grandes, seriam semelhantes a uma anta anêmica, grande, fraca, doentia. Teríamos uma sociedade sem dinamismo e uma gente sem perspectivas, sem futuro.
Lembro de quando trabalhava na Comissão Especial da Divisão do Estado, em 1978, no Ministério do Interior, e do diagnóstico da Fundação João Pinheiro para Programa de Desenvolvimento de Mato Grosso – PROMAT que já identificava a carência energética como um dos principais gargalos para o desenvolvimento do estado remanescente, até então alimentado por Cachoeira Dourada (GO), a 800 Km daqui. Depois de tentar infrutiferamente a viabilização da Usina do Funil, optou-se pela energização da Barragem de Manso, cujas obras tinham início marcado para aquele ano. Ao “açudão” inicial de proteção da cidade contra novas enchentes como a de 74, foram agregadas ao projeto outras finalidades como a geração de energia, controle de vazão, psicultura, turismo e irrigação de 50 mil hectares na Baixada Cuiabana, dando origem assim ao Aproveitamento Múltiplo de Manso (APM de Manso) pioneiro nesse tipo de projeto multi-finalitário no Brasil.
Acontece que a seguir o projeto de Manso foi paralisado. Assim, já na administração Frederico Campos em 1992, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Cuiabá chegou a determinar ao prefeito a promoção de ações visando o “aproveitamento energético da bacia do Rio Cuiabá”. Seu sucessor Dante Oliveira cumpriu a lei e foi atrás dessa e outras soluções alternativas para a questão energética de Cuiabá, que de tão grave se dizia “ventou em Jataí, a luz apaga aqui”. Já como governador, com seu prestígio viabilizou Manso e a termelétrica de 480 MW com gás boliviano, um mega empreendimento internacional da finada ENRON envolvendo quase US$ 1,0 bilhão, até hoje o maior empreendimento privado em Mato Grosso, um projeto jamais sonhado pelo estado.
O projeto da termelétrica é tão fantástico que ainda hoje muita autoridade sequer entendeu sua real dimensão. A Termelétrica de Cuiabá é mais que uma geradora de energia limpa e barata, embora só isso já fosse de enorme importância para o estado. Muito mais do que a geração de energia, é ela que viabiliza o transporte do gás boliviano em quantidade suficiente para ser um diferencial favorável para Cuiabá, Várzea Grande, com perspectivas de expansão para o estado. Só o gás já faria uma revolução no estado. Além de energia barata e limpa, o gás é também matéria-prima para diversas indústrias e deveria estar sendo usado na atração de novas empresas. Mas não, para nossas prefeituras o complexo gasoduto/termelétrica de US$ 1,0 bilhão parece estar em Marte, não mexem uma palha pelo aproveitamento dessa extraordinária vantagem comparativa que a Grande Cuiabá dispõe, como não mexeram quando o gás foi cortado por absurdos e inacreditáveis quase 5 anos. Graças porém ao empenho no caso do governador Silval Barbosa o gás voltou em setembro do ano passado e no último fim de semana a termelétrica voltou a funcionar. Como viabilizar um projeto de distribuição dessa riqueza às indústrias existentes e como utilizá-la para atrair novos investimentos? Como resgatar a confiança na continuidade de fornecimento do gás veicular? Eis um tema fundamental e desafiador para os candidatos nas eleições municipais deste ano.
(Publicado em 17/04/2012 pelo Diário de Cuiabá)
José Antonio Lemos dos Santos, arquiteto e urbanista, é professor universitário aposentado . Troféu "João Thimóteo"-1991-IAB/MT/ "Diploma do Mérito IAB 80 Anos"/ Troféu "O Construtor" - Sinduscon MT Ano 2000 / Arquiteto do Ano 2010 pelo CREA-MT/ Comenda do Legislativo Cuiabano 2018/ Ordem do Mérito Cuiabá 300 Anos da Câmara Municipal de Cuiabá 2019.
"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)
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terça-feira, 17 de abril de 2012
A VOLTA DA TERMELÉTRICA
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terça-feira, 10 de abril de 2012
CUIABÁ 300-7
José Antonio Lemos dos Santos
Comemorando os 293 anos de Cuiabá retomo a contagem anual regressiva para o tricentenário da cidade, como faço desde 2009. Agora, só faltam 7 anos. Aniversário de Cuiabá é festejar uma cidade que brotou entre as pepitas de um corguinho com tanto ouro, que era chamado pelos nativos de Ikuiebo, córrego das estrelas. E o córrego das estrelas desaguava em um belo rio, num lugar de grandes pedras onde se pescava com flecha-arpão, e que se chamava Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão, em bororo. E a cidade floresceu bonita e se chamou Cuiabá, célula-mater do oeste brasileiro, mãe original de tudo o que veio a suceder na região, mãe de cidades e de estados.
No breve tempo que durou o ouro, Cuiabá chegou a ser a mais populosa cidade do Brasil. Mas o metal acabou rápido e seu destino seria o das cidades-fantasmas garimpeiras não fosse a localização mágica, centro do continente, cuja expectativa de riqueza interessava a Portugal. Então, o papa decide que o limite entre as duas coroas ibéricas não seria mais dado por Tordesilhas, mas pela posse das terras. Aí Cuiabá vira um bastião português e sobrevive como apoio aos interesses lusos em terras então espanholas em seu primeiro salto de desenvolvimento, o da sobrevivência, que lhe permitiu continuar viva.
Logo Portugal criou a Capitania de Mato Grosso com sua sede instalada em Cuiabá, enquanto era construída a futura capital Vila Bela. Por dois séculos sobreviveu a duras penas, mesmo tendo voltado a ser capital, período heroico em que forjou uma gente brava, sofrida, mas alegre e hospitaleira, capaz de produzir um dos mais ricos patrimônios culturais do Brasil, com vultos e proezas que merecem ser melhor tratados e destacados pela história oficial brasileira. Como um astronauta contemporâneo, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave apenas por um cordão prateado, assim Cuiabá sobreviveu por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização apenas pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai.
Até que na década de 60 a cidade vibra novamente, transforma-se no “portal da Amazônia” e em pouco tempo sua população decuplica. Foi o salto da quantidade, a expansão necessária para ser a base de ocupação da Amazônia meridional, a qual se deu sem a menor preparação ou apoio da União, que lhe era devido pela função estratégica que desempenhava. Sozinha e sem recursos, apoiando uma região ainda vazia economicamente, Cuiabá explodiu em todos os sentidos, inclusive em sua estrutura urbana, despreparada para tão grande e súbita demanda.
No alvorecer do novo milênio, Cuiabá está em seu terceiro salto de desenvolvimento, agora o salto da qualidade. Não é mais o centro de um vazio. Ao contrário, polariza uma das regiões mais dinâmicas do planeta, que ajudou a construir e que hoje não apenas lhe demanda o apoio, mas também a empurra para cima cobrando sempre mais, em um sadio e maduro processo de simbiose regional ascendente.
A sete anos do tricentenário, sua data mais significativa no século, Cuiabá vive o melhor momento de sua história, impulsionada pelo desenvolvimento regional, linkada ao mundo e turbinada como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Nos seus 293 anos, mais do que reverenciar o passado e festejar o presente, é forçoso cuidar melhor do futuro. A Copa é um estratagema do Bom Jesus de Cuiabá para forçar nosso olhar para frente, para o positivo e o construtivo, um choque de adrenalina e capacitação, impelindo a nos colocar, cidadãos, políticos e dirigentes, à altura da cidade que temos. A cidade disparou; nós, ainda não. As eleições deste ano testarão como estamos para encarar toda esta dinâmica do presente e as enormes potencialidades do futuro.
Comemorando os 293 anos de Cuiabá retomo a contagem anual regressiva para o tricentenário da cidade, como faço desde 2009. Agora, só faltam 7 anos. Aniversário de Cuiabá é festejar uma cidade que brotou entre as pepitas de um corguinho com tanto ouro, que era chamado pelos nativos de Ikuiebo, córrego das estrelas. E o córrego das estrelas desaguava em um belo rio, num lugar de grandes pedras onde se pescava com flecha-arpão, e que se chamava Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão, em bororo. E a cidade floresceu bonita e se chamou Cuiabá, célula-mater do oeste brasileiro, mãe original de tudo o que veio a suceder na região, mãe de cidades e de estados.
No breve tempo que durou o ouro, Cuiabá chegou a ser a mais populosa cidade do Brasil. Mas o metal acabou rápido e seu destino seria o das cidades-fantasmas garimpeiras não fosse a localização mágica, centro do continente, cuja expectativa de riqueza interessava a Portugal. Então, o papa decide que o limite entre as duas coroas ibéricas não seria mais dado por Tordesilhas, mas pela posse das terras. Aí Cuiabá vira um bastião português e sobrevive como apoio aos interesses lusos em terras então espanholas em seu primeiro salto de desenvolvimento, o da sobrevivência, que lhe permitiu continuar viva.
Logo Portugal criou a Capitania de Mato Grosso com sua sede instalada em Cuiabá, enquanto era construída a futura capital Vila Bela. Por dois séculos sobreviveu a duras penas, mesmo tendo voltado a ser capital, período heroico em que forjou uma gente brava, sofrida, mas alegre e hospitaleira, capaz de produzir um dos mais ricos patrimônios culturais do Brasil, com vultos e proezas que merecem ser melhor tratados e destacados pela história oficial brasileira. Como um astronauta contemporâneo, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave apenas por um cordão prateado, assim Cuiabá sobreviveu por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização apenas pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai.
Até que na década de 60 a cidade vibra novamente, transforma-se no “portal da Amazônia” e em pouco tempo sua população decuplica. Foi o salto da quantidade, a expansão necessária para ser a base de ocupação da Amazônia meridional, a qual se deu sem a menor preparação ou apoio da União, que lhe era devido pela função estratégica que desempenhava. Sozinha e sem recursos, apoiando uma região ainda vazia economicamente, Cuiabá explodiu em todos os sentidos, inclusive em sua estrutura urbana, despreparada para tão grande e súbita demanda.
No alvorecer do novo milênio, Cuiabá está em seu terceiro salto de desenvolvimento, agora o salto da qualidade. Não é mais o centro de um vazio. Ao contrário, polariza uma das regiões mais dinâmicas do planeta, que ajudou a construir e que hoje não apenas lhe demanda o apoio, mas também a empurra para cima cobrando sempre mais, em um sadio e maduro processo de simbiose regional ascendente.
A sete anos do tricentenário, sua data mais significativa no século, Cuiabá vive o melhor momento de sua história, impulsionada pelo desenvolvimento regional, linkada ao mundo e turbinada como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Nos seus 293 anos, mais do que reverenciar o passado e festejar o presente, é forçoso cuidar melhor do futuro. A Copa é um estratagema do Bom Jesus de Cuiabá para forçar nosso olhar para frente, para o positivo e o construtivo, um choque de adrenalina e capacitação, impelindo a nos colocar, cidadãos, políticos e dirigentes, à altura da cidade que temos. A cidade disparou; nós, ainda não. As eleições deste ano testarão como estamos para encarar toda esta dinâmica do presente e as enormes potencialidades do futuro.
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sexta-feira, 6 de abril de 2012
CRYSTAL LAGOONS EM CUIABÁ
Crystal Lagoons desenvolve três projetos no Brasil de US$ 500
A empresa Crystal Lagoons anunciou investimentos de US$500 milhões em três projetos imobiliários no Brasil e que abrangem a construção de 3.200 moradias.
A Crystal Lagoons, ligada ao que criou San Alfonso del Mar (complexo imobiliário localizado em um balneário turístico do centro do Chile), Fernando Fischmann, se associou para esses projetos no Brasil com o fundo de capitais chileno-brasileiro BC Genera, grupo criado para o desenvolvimento de produtos imobiliários no Brasil.
O primeiro dos complexos residenciais estará localizado em Mato Grosso, na cidade de Cuiabá, sede do próximo Mundial de Futebol 2014. Abrange a construção de 1.250 unidades, entre casas e apartamentos, uma lagoa cristalina navegável de dois hectares, rodeada de areias brancas em um terreno de 36 hectares. Essa obra representa um investimento de US$200 milhões e, está previsto, que sua construção comece em abril de 2012.
O segundo projeto, no Mato Grosso do Sul, terá 600 moradias e a terceira iniciativa será construída em Brasília, com 1.350 unidades (casas e apartamentos). Ambos possuirão uma lagoa cristalina navegável onde será possível praticar esportes náuticos, como caiaque e iatismo.
A Crystal Lagoons tem 180 projetos em 45 países dos cinco continentes e que estão ligados a investimentos imobiliários de US$100 bilhões.
Fonte:http://www.khl.com/magazines/construcao-latino-americana/detail/item66947/Crystal-Lagoons-desenvolve-tres-projetos-no-Brasil-de-US$500-milhoes/
(Nota do Blog do José Lemos: Extraído de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=803592&page=245 na seção Notícias de Mato Grosso do Sul)
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-..-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
Para quem não se atinou à dimensão da coisa, é só lembrar que esse grupo é proprietário do San Afonso del Mar, no Chile, complexo residencial e turístico das fotos abaixo:
A empresa Crystal Lagoons anunciou investimentos de US$500 milhões em três projetos imobiliários no Brasil e que abrangem a construção de 3.200 moradias.
A Crystal Lagoons, ligada ao que criou San Alfonso del Mar (complexo imobiliário localizado em um balneário turístico do centro do Chile), Fernando Fischmann, se associou para esses projetos no Brasil com o fundo de capitais chileno-brasileiro BC Genera, grupo criado para o desenvolvimento de produtos imobiliários no Brasil.
O primeiro dos complexos residenciais estará localizado em Mato Grosso, na cidade de Cuiabá, sede do próximo Mundial de Futebol 2014. Abrange a construção de 1.250 unidades, entre casas e apartamentos, uma lagoa cristalina navegável de dois hectares, rodeada de areias brancas em um terreno de 36 hectares. Essa obra representa um investimento de US$200 milhões e, está previsto, que sua construção comece em abril de 2012.
O segundo projeto, no Mato Grosso do Sul, terá 600 moradias e a terceira iniciativa será construída em Brasília, com 1.350 unidades (casas e apartamentos). Ambos possuirão uma lagoa cristalina navegável onde será possível praticar esportes náuticos, como caiaque e iatismo.
A Crystal Lagoons tem 180 projetos em 45 países dos cinco continentes e que estão ligados a investimentos imobiliários de US$100 bilhões.
Fonte:http://www.khl.com/magazines/construcao-latino-americana/detail/item66947/Crystal-Lagoons-desenvolve-tres-projetos-no-Brasil-de-US$500-milhoes/
(Nota do Blog do José Lemos: Extraído de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=803592&page=245 na seção Notícias de Mato Grosso do Sul)
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Para quem não se atinou à dimensão da coisa, é só lembrar que esse grupo é proprietário do San Afonso del Mar, no Chile, complexo residencial e turístico das fotos abaixo:
infosurhoy.com
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terça-feira, 3 de abril de 2012
LUZES DA COPA
José Antonio Lemos dos Santos
Dias atrás, subindo a Avenida do CPA fui surpreendido com todas as janelas iluminadas no grande hotel da esquina com a Miguel Sutil, há muito tempo em construção. Como cuiabano e arquiteto fiquei emocionado, afinal, aquele grandioso edifício de belíssima arquitetura já parecia estar condenado a se tornar uma imensa ruína em um dos pontos visualmente mais importantes da cidade. Fascinado com a inesperada visão, pedi à minha filha, que me acompanhava no carro, que fizesse uma foto com seu celular. Pela rapidez da ação e o movimento de veículos na avenida naquela hora a foto ficou meio tremida, mas valeu como um registro daquele momento do dia 22 de março. Para mim, as primeiras luzes do brilho que será a Copa do Pantanal em 2014.
Provavelmente os proprietários daquela obra tenham sempre se empenhado em retomar a construção, pois arriscavam-se a ser responsáveis por um mastodonte abandonado marcando negativamente a paisagem de um dos principais cartões postais de Cuiabá. Como cuiabanos, claro que não era o que pretendiam. Além de um audacioso empreendimento hoteleiro, aquela obra iniciada há tanto tempo destinava-se a ser um elemento embelezador da cidade, um ornato citadino, e não um monstrengo em ruínas. Veio então a Copa apontando para um salto nas demandas sobre a cidade, em especial, no ramo da hotelaria, um considerável estímulo adicional para a viabilização da retomada das obras, assim como para a reciclagem de outros antigos edifícios e a construção de novas torres no mesmo período. Até outro dia, fora o resort de Manso, eram 15 torres em construção e algumas já inauguradas. Outros empreendimentos são aguardados, uma vez que, além de sua consolidação como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, Cuiabá polariza hoje uma das regiões mais dinâmicas e produtivas do planeta, com negócios e interesses ligados em todo o mundo, por conseqüência com uma demanda hoteleira sempre aquecida.
Mesmo que alguns empreendimentos do gênero impulsionados pela Copa já estejam em pleno funcionamento - gerando conforto aos visitantes, e emprego e renda aos habitantes da cidade - o velho edifício ainda inconcluso tem um significado especial pelo seu porte, qualidade arquitetônica, localização e forte presença na paisagem cuiabana por tanto tempo, mesmo quando com as obras paralisadas. Ainda que em testes, as luzes acessas de suas janelas simbolizam muito bem o início da colheita dos frutos da Copa. A grandiosa ruína, que parecia irreversível, está viva de novo e recupera seu destino de grande empreendimento hoteleiro e um dos mais belos edifícios de cidade. Em meio a tantos problemas, as luzes lembram que em breve todas as obras da Copa também estarão iluminadas e em funcionamento.
Sou cada vez mais otimista com o legado da Copa para Cuiabá e Mato Grosso, ainda que com preocupações pontuais com as essenciais obras do aeroporto e dos eixos principais da mobilidade urbana. Mesmo que a cidade não aproveite todas as oportunidades trazidas pela Copa, receberá um volume de investimentos que jamais veria nas próximas décadas sem ela, investimentos públicos e privados, estes também significativos, que não podem ser desprezados. Aliás, a iniciativa privada saiu na frente e já temos as luzes de seus primeiros resultados. Por outro lado, nestas últimas semanas grandes e importantes obras públicas receberam suas ordens de serviço e começam a sair do papel, além da Arena e do sistema Mário Andreazza, iniciadas há mais tempo. O estímulo e a cobrança, os aplausos e as críticas da cidadania, às vezes necessariamente duras, tem grande importância no que já está acontecendo e no muito que ainda vai acontecer.
(Publicado em 03/04/2012 pelo Diário de Cuiabá, Turma do Êpa e Hipernotícias, e no dia 04/04/12 pelo Midianews)
Foto Patrícia Parente
Dias atrás, subindo a Avenida do CPA fui surpreendido com todas as janelas iluminadas no grande hotel da esquina com a Miguel Sutil, há muito tempo em construção. Como cuiabano e arquiteto fiquei emocionado, afinal, aquele grandioso edifício de belíssima arquitetura já parecia estar condenado a se tornar uma imensa ruína em um dos pontos visualmente mais importantes da cidade. Fascinado com a inesperada visão, pedi à minha filha, que me acompanhava no carro, que fizesse uma foto com seu celular. Pela rapidez da ação e o movimento de veículos na avenida naquela hora a foto ficou meio tremida, mas valeu como um registro daquele momento do dia 22 de março. Para mim, as primeiras luzes do brilho que será a Copa do Pantanal em 2014.
Provavelmente os proprietários daquela obra tenham sempre se empenhado em retomar a construção, pois arriscavam-se a ser responsáveis por um mastodonte abandonado marcando negativamente a paisagem de um dos principais cartões postais de Cuiabá. Como cuiabanos, claro que não era o que pretendiam. Além de um audacioso empreendimento hoteleiro, aquela obra iniciada há tanto tempo destinava-se a ser um elemento embelezador da cidade, um ornato citadino, e não um monstrengo em ruínas. Veio então a Copa apontando para um salto nas demandas sobre a cidade, em especial, no ramo da hotelaria, um considerável estímulo adicional para a viabilização da retomada das obras, assim como para a reciclagem de outros antigos edifícios e a construção de novas torres no mesmo período. Até outro dia, fora o resort de Manso, eram 15 torres em construção e algumas já inauguradas. Outros empreendimentos são aguardados, uma vez que, além de sua consolidação como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, Cuiabá polariza hoje uma das regiões mais dinâmicas e produtivas do planeta, com negócios e interesses ligados em todo o mundo, por conseqüência com uma demanda hoteleira sempre aquecida.
Mesmo que alguns empreendimentos do gênero impulsionados pela Copa já estejam em pleno funcionamento - gerando conforto aos visitantes, e emprego e renda aos habitantes da cidade - o velho edifício ainda inconcluso tem um significado especial pelo seu porte, qualidade arquitetônica, localização e forte presença na paisagem cuiabana por tanto tempo, mesmo quando com as obras paralisadas. Ainda que em testes, as luzes acessas de suas janelas simbolizam muito bem o início da colheita dos frutos da Copa. A grandiosa ruína, que parecia irreversível, está viva de novo e recupera seu destino de grande empreendimento hoteleiro e um dos mais belos edifícios de cidade. Em meio a tantos problemas, as luzes lembram que em breve todas as obras da Copa também estarão iluminadas e em funcionamento.
Sou cada vez mais otimista com o legado da Copa para Cuiabá e Mato Grosso, ainda que com preocupações pontuais com as essenciais obras do aeroporto e dos eixos principais da mobilidade urbana. Mesmo que a cidade não aproveite todas as oportunidades trazidas pela Copa, receberá um volume de investimentos que jamais veria nas próximas décadas sem ela, investimentos públicos e privados, estes também significativos, que não podem ser desprezados. Aliás, a iniciativa privada saiu na frente e já temos as luzes de seus primeiros resultados. Por outro lado, nestas últimas semanas grandes e importantes obras públicas receberam suas ordens de serviço e começam a sair do papel, além da Arena e do sistema Mário Andreazza, iniciadas há mais tempo. O estímulo e a cobrança, os aplausos e as críticas da cidadania, às vezes necessariamente duras, tem grande importância no que já está acontecendo e no muito que ainda vai acontecer.
(Publicado em 03/04/2012 pelo Diário de Cuiabá, Turma do Êpa e Hipernotícias, e no dia 04/04/12 pelo Midianews)
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terça-feira, 27 de março de 2012
O JOGO DO EMPURRA
José Antonio Lemos dos Santos
Ao cidadão comum soa muito estranha essa história do governo federal querer barrar o financiamento do VLT recorrendo a casos antiqüíssimos, do tempo da extinção da Sanemat. Também a falta de informações claras sobre o assunto por parte do governo do estado ajuda a aumentar a estranheza, a ponto do cidadão pensar coisas incríveis em se tratando de assunto de tão elevada responsabilidade pública. Ao leigo nos costumes políticos atuais, este caso lembra o antigo jogo infantil do “empurra-empurra”, não por acaso semelhante ao que acontece ultimamente no país quando se trata da identificação de responsabilidades no mau trato das coisas públicas. Como eu disse em algum artigo, fizeram o governador montar em um porco do qual não tem jeito de descer. Pintaram para o povo um VLT tão lindo que não dá para fazer e um BRT tão feio que não pode mais ser assumido. Não dá mais tempo para fazer nenhum, e ninguém quer ficar com a culpa.
A saída imaginada pelos experts do Paiaguás seria empurrar a culpa para o governo federal levando uma proposta de 1,2 bilhão sem projeto, o que, é claro, não poderá ser tecnicamente aprovado. Quem em Brasília vai botar sua assinatura como responsável técnico autorizando a união a conceder um empréstimo dessa monta sem projeto? Já caiu um ministro por causa disso. Sendo assim, se o governo federal vetar o empréstimo ficará aos olhos do povo local com a culpa de não se fazer o VLT de Cuiabá. O estado lavaria as mãos com o discurso de que teria feito todo o necessário, mas Brasília foi que não quis fazer. “Por fatos que não são inerentes ao governo do estado de Mato Grosso, nós não podemos ser responsabilizados”, como já nos avisou o secretário da Secopa na última audiência sobre o VLT.
Uma situação como esta não se restringe apenas a um projeto bem ou mal apresentado, mas envolve outros aspectos, dentre os quais a questão política, pois o governador de Mato Grosso é do PMDB, um dos principais sustentáculos da administração da presidenta Dilma. Como bobó é a única coisa que não tem nos altos escalões de Brasília, teriam bolado uma estratégia de devolver a culpa para o estado "descobrindo" essa tal pendência dos tempos da Sanemat. Assim, o governo federal evita entrar no mérito do projeto do estado e fica impossibilitado de liberar o empréstimo, não por uma decisão sua, mas por uma providencial inadimplência do estado de Mato Grosso. Como quem diz, se não fosse essa pendência do Estado o governo federal liberaria o empréstimo numa boa. Assim o PMDB não pode reclamar e o governo federal se livraria de uma situação constrangedora junto à população local, cujo imaginário foi totalmente encantado pelas vantagens reais ou fantasiosas do VLT. E a barra federal ficaria limpa. Vamos ver quem vai ganhar, pois quem vai perder, e já está perdendo, a gente já sabe.
Triste viver situações que nos levam a pensar tão pequeno sobre as coisas da nossa República, sonhada para ser cada dia mais forte, honrada e respeitada. O renitente atraso da Infraero nos projetos do Aeroporto Marechal Rondon, do mesmo modo leva o cidadão a olhar meio enviesado, achando também ter algo errado. Preferia estar falando nas obras da Copa que o próprio governo estadual através da Secopa começa a tirar do papel com licitações e ordens de serviço, como as da Miguel Sutil, as obras viárias do entorno da Arena Pantanal e das pontes do Coxipó que receberam suas ordens de serviço na semana passada. Ou das outras que já estão em andamento há mais tempo como o recapeamento asfáltico da cidade, o sistema Mário Andreazza ou a própria Arena, cuja evolução acompanho da varanda aqui de casa. Mas não dá, os projetos do eixo principal da mobilidade e o aeroporto preocupam.
(Publicado em 27/03/20122 pelo Diário de Cuiabá)
Ao cidadão comum soa muito estranha essa história do governo federal querer barrar o financiamento do VLT recorrendo a casos antiqüíssimos, do tempo da extinção da Sanemat. Também a falta de informações claras sobre o assunto por parte do governo do estado ajuda a aumentar a estranheza, a ponto do cidadão pensar coisas incríveis em se tratando de assunto de tão elevada responsabilidade pública. Ao leigo nos costumes políticos atuais, este caso lembra o antigo jogo infantil do “empurra-empurra”, não por acaso semelhante ao que acontece ultimamente no país quando se trata da identificação de responsabilidades no mau trato das coisas públicas. Como eu disse em algum artigo, fizeram o governador montar em um porco do qual não tem jeito de descer. Pintaram para o povo um VLT tão lindo que não dá para fazer e um BRT tão feio que não pode mais ser assumido. Não dá mais tempo para fazer nenhum, e ninguém quer ficar com a culpa.
A saída imaginada pelos experts do Paiaguás seria empurrar a culpa para o governo federal levando uma proposta de 1,2 bilhão sem projeto, o que, é claro, não poderá ser tecnicamente aprovado. Quem em Brasília vai botar sua assinatura como responsável técnico autorizando a união a conceder um empréstimo dessa monta sem projeto? Já caiu um ministro por causa disso. Sendo assim, se o governo federal vetar o empréstimo ficará aos olhos do povo local com a culpa de não se fazer o VLT de Cuiabá. O estado lavaria as mãos com o discurso de que teria feito todo o necessário, mas Brasília foi que não quis fazer. “Por fatos que não são inerentes ao governo do estado de Mato Grosso, nós não podemos ser responsabilizados”, como já nos avisou o secretário da Secopa na última audiência sobre o VLT.
Uma situação como esta não se restringe apenas a um projeto bem ou mal apresentado, mas envolve outros aspectos, dentre os quais a questão política, pois o governador de Mato Grosso é do PMDB, um dos principais sustentáculos da administração da presidenta Dilma. Como bobó é a única coisa que não tem nos altos escalões de Brasília, teriam bolado uma estratégia de devolver a culpa para o estado "descobrindo" essa tal pendência dos tempos da Sanemat. Assim, o governo federal evita entrar no mérito do projeto do estado e fica impossibilitado de liberar o empréstimo, não por uma decisão sua, mas por uma providencial inadimplência do estado de Mato Grosso. Como quem diz, se não fosse essa pendência do Estado o governo federal liberaria o empréstimo numa boa. Assim o PMDB não pode reclamar e o governo federal se livraria de uma situação constrangedora junto à população local, cujo imaginário foi totalmente encantado pelas vantagens reais ou fantasiosas do VLT. E a barra federal ficaria limpa. Vamos ver quem vai ganhar, pois quem vai perder, e já está perdendo, a gente já sabe.
Triste viver situações que nos levam a pensar tão pequeno sobre as coisas da nossa República, sonhada para ser cada dia mais forte, honrada e respeitada. O renitente atraso da Infraero nos projetos do Aeroporto Marechal Rondon, do mesmo modo leva o cidadão a olhar meio enviesado, achando também ter algo errado. Preferia estar falando nas obras da Copa que o próprio governo estadual através da Secopa começa a tirar do papel com licitações e ordens de serviço, como as da Miguel Sutil, as obras viárias do entorno da Arena Pantanal e das pontes do Coxipó que receberam suas ordens de serviço na semana passada. Ou das outras que já estão em andamento há mais tempo como o recapeamento asfáltico da cidade, o sistema Mário Andreazza ou a própria Arena, cuja evolução acompanho da varanda aqui de casa. Mas não dá, os projetos do eixo principal da mobilidade e o aeroporto preocupam.
(Publicado em 27/03/20122 pelo Diário de Cuiabá)
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
AS ÚLTIMAS AUDIÊNCIAS SOBRE O VLT
“Contratação de empresa para a prestação de serviços técnicos especializados de engenharia, arquitetura e sistemas ferroviários para a elaboração dos projetos básicos, executivos e as built, realização das obras, obtenção das licenças ambientais e fornecimento de sistemas e material rodante para implantação dos corredores estruturais de transporte coletivo na Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá – RMVRC, no modal Veículo Leve sobre Trilho – VLT”.
No vídeo da audiência de Cuiabá , destacam-se as palavras do secretário da Secopa:
"Eu tenho a missão dada pelo governador Silval Barbosa de entregarmos esta obra antes do evento Copa do Mundo, ou seja, antes de junho de 2014. Estamos fazendo acima de nossa capacidade, até sobre-humanos esforços. Agora, temos encontrado alguns obstáculos nos corredores de Brasília que fogem à governabilidade, fogem à vontade do estado, fogem à gestão do estado. Aquilo que sofrer atraso em cronograma por fator que não são inerentes ao governo do estado de Mato Grosso, nós não podemos ser responsabilizados." (transcrição minha)
Parece que o secretário prevê problemas e já defende o governo do estado de responsabilidades sobre eventuais atrasos ou problemas maiores na realização daquele que é esperado como o maior legado do grande evento internacional. Mais que preocupante.
(Os vídeos estão também no site do governo do estado de Mato Grosso http://www.mt.gov.br/
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
MERCOSUL EM CUIABÁ
José Antonio Lemos dos Santos
Quase não foi percebida a notícia da reunião do dia 8 passado no Ministério das Relações Exteriores, do governador Silval Barbosa e o senador Pedro Taques com o embaixador José Ferreira Simões tratando da viabilização da “Cúpula do Mercosul 2012” em Cuiabá. Ótima iniciativa, corajosa, de larga visão pública, compatível com aquilo que já é Mato Grosso no contexto nacional e em especial com a posição mágica centro-continental de Cuiabá que hoje pode e deve reivindicar eventos desse nível. Mesmo que não consiga o intento, importante é não fugir às boas lutas com medo de perdê-las. Assim foi na disputa por uma das sedes da Copa. Quase impossível, mas vitoriosa. Pena não ser sempre assim, disputando todas as chances. Lamentável, mas a cultura política tradicional não é de entrar em bolas divididas; espera que outros entrem, torce contra e, se tudo der certo, aí corre para sair na foto.
Dentre as muitas potencialidades de Cuiabá, uma das mais ricas em oportunidades é sua localização central do continente sul-americano, identificada pelo Marechal Rondon com o marco do Centro Geodésico da América do Sul. Para aqueles que ainda não sabem, o Marechal Rondon foi um dos homens mais admirados do planeta. Só para dar uma idéia de sua dimensão, foi indicado ao Nobel da Paz por Einstein. Só. Não recebeu o prêmio, pois faleceu logo após a indicação, e o Nobel até então não podia ser póstumo. É indiscutível o privilégio das posições centrais, do futebol ao jogo de xadrez, assim como na geopolítica. Além do valor simbólico da posição central exata e das interferências místicas favoráveis que muita gente boa acredita acompanhar tais posições, existem também vantagens mais pragmáticas e objetivas. Todas elas devem ser aproveitadas ao máximo pelo governantes, pois significam emprego, renda e qualidade de vida.
Iniciativas com este tipo de visão não podem passar despercebidas, merecem registro e elogios. Como seria diferente se esta posição central no continente fosse um atributo de Goiânia, Campo Grande, e o futuro. Mesmo sem o prestígio internacional de um Rondon Curitiba, ou de qualquer uma das poucas cidades do país com estruturas institucionais de inteligência urbana para pensar o presente sacramentando em tijolo e concreto sua posição estratégica, estariam explorando ao máximo essa extraordinária riqueza. Se fosse assim, muitos de nós daqui de Cuiabá já teríamos ido lá visitar um centro de cultura continental ou uma festa popular de integração dos povos do continente, deixado nosso dinheirinho com eles e voltado fazendo propaganda da cidade. Seus aeroportos seriam hubs continentais e promoveriam campanhas de atração de empresas em função das vantagens comparativas do lugar central. Se Curitiba fosse o centro da América do Sul, ela já teria encontrado um jeito de ser a capital do Mercosul.
São sempre bem vindas as raras iniciativas que envolvam Cuiabá em suas dimensões plenas. Com o risco de esquecer algumas lembro de Dante com a 1ª. Festa Sulatina e a luta pela internacionalização do aeroporto; Vuolo e Iglésias com o projeto da Ferronorte como grande sistema ferroviário centro-continental; os irmãos Lacerda e a FIEMT com a saída para o Pacífico; Maggi e Bonilha com a Copa do Pantanal; Maggi com sua expedição ao Chile e a decisão de transformar a antiga sede da Assembléia Legislativa em um centro cultural sul-americano, abortada pela invasão do espaço pelos vereadores da época. Agora são Pedro Taques e Silval propondo a “Cúpula do Mercosul 2012” em Cuiabá. Isso é puxar a cidade para cima, é promoção para Mato Grosso, marketing urbano, emprego, renda e qualidade de vida para nossa gente.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá, Midianews, Hipernotícias, Turma do Êpa e Página do Enock em 14/02/2012)
Quase não foi percebida a notícia da reunião do dia 8 passado no Ministério das Relações Exteriores, do governador Silval Barbosa e o senador Pedro Taques com o embaixador José Ferreira Simões tratando da viabilização da “Cúpula do Mercosul 2012” em Cuiabá. Ótima iniciativa, corajosa, de larga visão pública, compatível com aquilo que já é Mato Grosso no contexto nacional e em especial com a posição mágica centro-continental de Cuiabá que hoje pode e deve reivindicar eventos desse nível. Mesmo que não consiga o intento, importante é não fugir às boas lutas com medo de perdê-las. Assim foi na disputa por uma das sedes da Copa. Quase impossível, mas vitoriosa. Pena não ser sempre assim, disputando todas as chances. Lamentável, mas a cultura política tradicional não é de entrar em bolas divididas; espera que outros entrem, torce contra e, se tudo der certo, aí corre para sair na foto.
Dentre as muitas potencialidades de Cuiabá, uma das mais ricas em oportunidades é sua localização central do continente sul-americano, identificada pelo Marechal Rondon com o marco do Centro Geodésico da América do Sul. Para aqueles que ainda não sabem, o Marechal Rondon foi um dos homens mais admirados do planeta. Só para dar uma idéia de sua dimensão, foi indicado ao Nobel da Paz por Einstein. Só. Não recebeu o prêmio, pois faleceu logo após a indicação, e o Nobel até então não podia ser póstumo. É indiscutível o privilégio das posições centrais, do futebol ao jogo de xadrez, assim como na geopolítica. Além do valor simbólico da posição central exata e das interferências místicas favoráveis que muita gente boa acredita acompanhar tais posições, existem também vantagens mais pragmáticas e objetivas. Todas elas devem ser aproveitadas ao máximo pelo governantes, pois significam emprego, renda e qualidade de vida.
Iniciativas com este tipo de visão não podem passar despercebidas, merecem registro e elogios. Como seria diferente se esta posição central no continente fosse um atributo de Goiânia, Campo Grande, e o futuro. Mesmo sem o prestígio internacional de um Rondon Curitiba, ou de qualquer uma das poucas cidades do país com estruturas institucionais de inteligência urbana para pensar o presente sacramentando em tijolo e concreto sua posição estratégica, estariam explorando ao máximo essa extraordinária riqueza. Se fosse assim, muitos de nós daqui de Cuiabá já teríamos ido lá visitar um centro de cultura continental ou uma festa popular de integração dos povos do continente, deixado nosso dinheirinho com eles e voltado fazendo propaganda da cidade. Seus aeroportos seriam hubs continentais e promoveriam campanhas de atração de empresas em função das vantagens comparativas do lugar central. Se Curitiba fosse o centro da América do Sul, ela já teria encontrado um jeito de ser a capital do Mercosul.
São sempre bem vindas as raras iniciativas que envolvam Cuiabá em suas dimensões plenas. Com o risco de esquecer algumas lembro de Dante com a 1ª. Festa Sulatina e a luta pela internacionalização do aeroporto; Vuolo e Iglésias com o projeto da Ferronorte como grande sistema ferroviário centro-continental; os irmãos Lacerda e a FIEMT com a saída para o Pacífico; Maggi e Bonilha com a Copa do Pantanal; Maggi com sua expedição ao Chile e a decisão de transformar a antiga sede da Assembléia Legislativa em um centro cultural sul-americano, abortada pela invasão do espaço pelos vereadores da época. Agora são Pedro Taques e Silval propondo a “Cúpula do Mercosul 2012” em Cuiabá. Isso é puxar a cidade para cima, é promoção para Mato Grosso, marketing urbano, emprego, renda e qualidade de vida para nossa gente.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá, Midianews, Hipernotícias, Turma do Êpa e Página do Enock em 14/02/2012)
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