"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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segunda-feira, 23 de março de 2020

IKUIAPÁ EM TEMPO DE CORONAVÍRUS

Resultado de imagem para Rio Cuiabá pedras
    Pedras do Ikuiapá       (Foto: Ignácio Roman/TVCA/ G1)
José Antonio Lemos dos Santos
     Para este artigo havia planejado sugerir uma espécie de mirante para as pedras do Ikuiapá no projeto de extensão da Orla do Porto em implantação pela prefeitura. Como desconheço o projeto, pode ser que a ideia já tenha sido contemplada dada a qualidade dos arquitetos e urbanistas da municipalidade, ainda que poucos para a grandeza da demanda da cidade por estes profissionais. Neste caso o artigo ficaria como um aplauso por mais este esforço municipal no sentido da cidade se voltar para o rio Cuiabá, seu principal cartão postal natural, desvirando-lhe as costas. Vale lembrar que segundo a Enciclopédia Bororo, monumental obra dos salesianos, a origem no nome Cuiabá está naquelas pedras próximas à foz do córrego da Prainha, chamadas pelos autóctones de Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão, verdade toponímica que não deveria deixar dúvidas sobre o assunto.
     Mas, em tempo de coronavírus todas as demais prioridades viraram “piqui-roído”, como diríamos nós cuiabanos. Esvaíram. O que importa hoje como os Bororos chamavam este ou aquele lugar?  De que vale hoje se a cuia de estimação de um distraído português caiu no rio e se foi nas águas no século XVII? Se é pintado ou cachara? ou talvez jaú? Se gosto mais do amarelo que do vermelho? ou o inverso? Mixto, Operário, Dom Bosco, ou o Cuiabá? Tradicional ou puro malte? Pibão ou pibinho? O fato é que nos enfiamos todos em um imenso globo como bolinhas numeradas a serem sorteadas amanhã, ou daqui a um mês ou dois. No pico de uma curva elevada ou achatada? O que fizemos com o velho e colorido planeta Terra, até outro dia pleno de vida, a mãe Gaia?
     Septuagenário recente, estou na chamada “população de risco” embora a ameaça paire sobre todas as idades. Fixarei no que ficou de bom, ou promete sê-lo, já que o de ruim anda com suas próprias pernas.  Com minha esposa, estou em quarentena, restrito à minha casa onde subitamente desabrocha um mundo com tanta coisa a ser revisitada ou revivida, joias inúteis sem destinação precisa ou bugigangas preciosas a serem reguardadas com um toque maior de carinho. Livros, revistas, coleções, fotos, vinís, CD’s, DVD’s, VHS’s, o velho violão e as revistinhas de músicas cifradas, um mundo antigo sendo revalorizado.
     E tem a internet maravilhosa com seus comentários, documentários, bobagens em geral, filmes e shows do passado distante ou recentes que jamais pensamos assistir ou que sempre quisemos rever, mas nunca sobrava tempo. E tem a cozinha com as velhas receitas familiares.  A necessidade de ficar preso em casa tem trazido boas surpresas jamais pensadas. A tão sonhada viagem cancelada e quase toda paga não está fazendo a menor falta, trocada que foi por uma viagem compulsória e gratuíta para dentro do próprio lar e para dentro de nós mesmos.
     Como país e sociedade global também estamos aprendendo, revendo valores e descobrindo potencialidades inesperadas. Depois da tempestade, os que sobreviverem terão um novo Brasil, um novo mundo. Por exemplo, outro dia o Senado Federal votou importantíssima matéria pela internet. Já pensaram a revolução na qualidade dos votos e da representatividade dos políticos se todos votarem as matérias em suas próprias bases eleitorais olhando na cara de seus eleitores, sem desculpas para fugas de votações importantes?  Domingo passado eu e minha mulher assistimos à missa pela TV. Também descobrimos que os serviços de delivery já substituem com vantagens as saídas pessoais para abastecimento. Só nestes exemplos, quanto de economia em energia, mobilidade urbana, acidentes de trânsito, custos financeiros e ambientais, saúde pública, etc.? Mas os netinhos são insubstituíveis e suas ausências, estas sim, já estão sendo cruéis com tantas saudades.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O MILAGRE DO TRICENTENÁRIO

Foto José Lemos
José Antonio Lemos dos Santos
     As comemorações do Tricentenário de Cuiabá me preocuparam por muito tempo, em especial nos últimos 10 anos, período em que publiquei artigos a cada aniversário da cidade simulando uma contagem regressiva anual, tendo começado em 2009 com o título “Cuiabá 300-10”. A ideia era lembrar sempre o prazo decrescente que os cuiabanos e principalmente suas autoridades dispunham para a preparação de uma festa digna da efeméride. Aliás, tenho insistido em grafar Tricentenário com “T” maiúsculo, justamente para distinguir a efeméride dos aniversários anuais comuns.
     Para este ano, o ano da festa, minha programação era na semana anterior ao aniversário escrever homenageando a cidade e sua história, e na semana seguinte em outro artigo comentar sobre as comemorações de tão importante data. O primeiro foi bem. É muito fácil e prazeroso falar sobre Cuiabá. O segundo, sobre as comemorações, preferi deletar e não compartilhar minha frustração. Passei a semana sem artigo.
     Após alguns dias, cabeça fria, me veio à memória a emocionante entrada triunfal do Senhor Bom Jesus de Cuiabá em sua Catedral, após bela e fervorosa procissão ecumênica que iniciou fluvial subindo o rio de Bonsucesso até o Porto e de lá a pé até o Centro da cidade, para mim a maior, mais autêntica e expressiva manifestação coletiva de amor e carinho pela cidade em seu tricentésimo aniversário. Lembrei então ter atribuído a alguns anos atrás ao nosso santo padroeiro a invenção da Copa do Mundo em Cuiabá como um artifício para sacudir a nós cuiabanos, natos ou não, com vistas à preparação de sua cidade para o seu Tricentenário, com 10 anos de antecedência.
     A princípio este pensamento foi meio sério, meio brincando. E pelo tamanho da antecedência da imaginada providência divina, 10 anos, já se podia pensar que o Bom Jesus não queria coisa pouca para a festa de sua cidade. Nessa alegoria da imaginação deu até para vislumbrar um cronograma que teria uma etapa de 2009 a 2014 só com as obras da matriz da Copa, e outra de 2014 a 2019, focada em uma matriz especial de obras para o Tricentenário, tocadas já com a experiência adquirida na primeira etapa.
     Qual o que! Hoje percebo que com a Copa do Mundo o nosso Bom Jesus de Cuiabá estava dando de presente à sua cidade a oportunidade de uma grande transformação urbanística para patamares bem superiores, o único realmente digno da grande data. A projeção nacional e internacional que a cidade ganhou, e as grandes obras, não só as públicas, mas em especial os investimentos privados que vieram junto e que geralmente são esquecidos quando avaliamos o legado daquele grande evento internacional, esse o maior presente que a cidade recebeu. Após presenciar a entrada solene do Bom Jesus em sua Catedral na noite do dia 8 de abril de 2019 entendi a inesperada e não sonhada Copa do Mundo como um verdadeiro milagre. Um milagre como o da própria miraculosa sobrevivência da cidade em seus primeiros tempos.
     “Não lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem.” E assim foi, como previsto no Evangelho. Após o sucesso, desconstruímos a Copa e demonizamos suas obras, que estão aí ajudando a cidade na fábrica de cimento, torres hoteleiras, shoppings, aeroporto, trincheiras e viadutos, Mário Andreazza, Guarita e na belíssima Arena dentre tantas melhorias, mesmo que respingadas ou até afogadas na lama da chafurdação. Só a bondade divina pode explicar o fato de nos ter ensinado a não lançá-las aos porcos e mesmo assim ter nos presenteado com pérolas. Hoje só a mesma bondade divina permitiria nos redimir e resgatá-las republicanamente. 

segunda-feira, 4 de março de 2019

AS OBRAS DO VLT


Foto José Lemos
José Antonio Lemos dos Santos
     O artigo da semana passada sobre o “Largo do Rosário” trouxe à baila questões similares sobre as demais obras componentes do projeto do VLT. De fato, o projeto do VLT envolve vários “sub-projetos” muitos também parados, atravancando e enfeiando o espaço urbano, outros já em uso pela população e outros que também poderiam estar sendo usados bastando o interesse público e algumas intervenções inteligentes. Como o objetivo final do projeto do VLT é vê-lo rodando, enquanto isso não acontece a impressão que se tem é que nada foi feito. Mas foi, e o que foi feito, ainda que paralisado e não concluído, podia estar sendo melhor aproveitado paliativamente, ou pelo menos mantido em condições que não prejudicasse tanto a cidade e o cidadão.
     Antes, duas considerações. Primeira, abordo este assunto com tranquilidade pois à época em que se rediscutia a opção entre o BRT e o VLT, posicionei-me em artigo a favor do BRT. O VLT venceu, foi tocado e investidos mais de R$ 1,0 bilhão (sem as correções), dois terços do projeto. A partir daí, sem retorno, sou favorável à sua conclusão. Outra preliminar é que não trato sobre a propalada e provável corrupção que tenha acontecido, assunto para as polícias e tribunais nas suas diversas competências. Reflito aqui sobre alternativas provisórias de utilização para as obras do VLT, não todas as obras da Copa, ainda que antes de concluídas e que estão aí paradas em diversos estágios de execução, sem uso ou até atentando contra a estética e a segurança urbana em pleno Tricentenário de Cuiabá.
     Dentre as obras que já servem à cidade talvez a principal seja a trincheira do Quilômetro Zero. Inimaginável como estaria se não existisse. Outra muito útil é o viaduto “Hotwheels”, como ficou conhecido. Logo que liberado ao uso ficou tão bom que resolveram aproveitar para criar um novo acesso à região administrativa do CPA, complicando de novo o trânsito daquele trecho. Também de grande utilidade são os viadutos da saída para Santo Antônio e o da UFMT, este com problemas iniciais de alagamentos depois aparentemente resolvidos e sofrendo com a não conclusão da nova avenida do Barbado. Ambos com problemas em alças de conversão que podem ser melhoradas com pequenas desapropriações, talvez até previstas no projeto, mas não realizadas. Se não está ótimo com eles, imaginem se não existissem.
Foto José Lemos
     Outras obras inconclusas do VLT também já poderiam ser úteis à cidade como o terreno deixado pelo deslocamento do Atacadão, logo no principal acesso à capital, vindo do aeroporto. Vira um espaço útil apenas com a limpeza do terreno, iluminação, arborização, criação de passeios públicos e a colocação de bancos e aparelhos de ginástica. Que ao menos fosse limpo e feitas as calçadas, que são equipamentos de segurança pública exigidas por lei. Outra obra que pede um uso digno é a estação do VLT em frente ao aeroporto. Com pequenas adaptações poderia servir como confortável abrigo para os ônibus urbanos e metropolitanos que hoje param ali, mas fora da cobertura e na pista de rolamento da avenida pondo em risco o trânsito e os usuários. Outra é o viaduto da Trigo de Loureiro, pronto, mas ainda fechado. Sua desobstrução, sem dúvida ajudaria muito a Avenida do CPA em um de seus trechos de maior conflito. Por fim, a terceira ponte Júlio Muller que muitos nem sabem que foi feita e não é utilizada pelos veículos. Poderia ser tratada urbanisticamente como ciclovia e passagem de pedestres facilitando a vida dos que cruzam diariamente o rio, em especial os moradores do Porto e da Alameda. Talvez até desse um belvedere para apreciação privilegiada do rio por turistas ou mesmo pela população local. Sugestões ainda para o ano do Tricentenário.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

OS TRILHOS DO BOM SENSO

ferroviablogspot.com

José Antonio Lemos dos Santos
     No dia 23 de novembro passado durante o fórum “Ferrovia e Integração dos Modais” em Nova Mutum foi defendida a extensão da ferrovia de Rondonópolis até Nova Mutum, passando por Cuiabá, que já devia ser realidade a muito tempo. No evento estiveram presentes autoridades de peso no assunto como o governador do estado e os presidentes do BNDES, e da companhia ferroviária e de logística brasileira (Rumo). Todos entusiasmados. O prefeito de Nova Mutum, Adriano Pivetta, promotor do evento, é claro, esteve presente, porém foi inquietante a ausência dos prefeitos de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, eles que deveriam estar entre os maiores interessados.
     Enfim um passo concreto no sentido da extensão da ferrovia em Mato Grosso, ela que parou em Rondonópolis, a meu ver por excesso de ambições regionais divergentes que acabaram se inviabilizando uma à outra. Um grupo queria e ainda quer a ferrovia partindo de Sinop para os portos amazônicos, outro queria e ainda quer levar de Lucas para os litorais do Pacífico e do Atlântico, outro levar de Água Boa para Curuçá no Pará, cada um puxando a sardinha para seus interesses locais, sem ver o estado como um todo. Ora, se não há recursos para viabilizar uma só dessas alternativas, quanto mais para três? O único ponto convergente entre essas propostas era a interrupção dos trilhos em Rondonópolis excluindo Cuiabá e Várzea Grande da malha ferroviária brasileira como forma de enfraquecer o maior polo urbano do estado, forçando a criação de condições geopolíticas favoráveis a uma futura nova divisão territorial de Mato Grosso.
     E assim, os trilhos ficaram parados em Rondonópolis, com o produtor, a economia e o meio ambiente perdendo, e vidas sequeladas ou ceifadas por uma logística defasada com a produção mato-grossense. Diante de um quadro dramático como este como insistir no abandono de uma possível ligação de 460 Km em ambiente já totalmente antropizado, sem xingus, araguaias ou Himalaias a vencer, entre Nova Mutum e o maior terminal ferroviário da América Latina em Rondonópolis? As alternativas são entre 1.000 e 1.500 km em ambientes carentes de maiores estudos sobre impactâncias ambientais ou indígenas. Como insistir?  Enfim o bom senso parece estar chegando aos trilhos.
     Por certo a chegada dos trilhos a Nova Mutum não será a solução definitiva para a logística estadual, pois Mato Grosso é um estado centro-continental com potencial para produzir várias vezes o que já produz e sempre demandará novos caminhos em todas as direções e em todos os modais. Outra vantagem da priorização dessa ligação é que ela não é incompatível ou excludente com quaisquer das propostas em discussão. Chegando os trilhos a Nova Mutum de imediato poderão prosseguir para Lucas, Sinop e os portos amazônicos. Ou virar a Oeste para Porto Velho, o porto do Madeira e os do Pacífico, ou virar a Leste para Goiás passando por Água Boa e sua bifurcação para o futuro porto de Espadarte no Pará.
     Mato Grosso vai precisar de muitos caminhos para levar sua produção e trazer o desenvolvimento para sua gente trabalhadora que não merece continuar nesse sofrimento apesar de tão produtiva para o Brasil. A tão prometida linha aérea para a Bolívia, por exemplo, a quantas anda? Importante que este processo resgatado pelo governador Pedro Taques e trazido a público pelo fórum promovido pelo prefeito Adriano Pivetta, incorpore também as lideranças empresariais, comunitárias e políticas rondonopolitanas e do Mato Grosso platino, em especial, de Cuiabá e Várzea Grande. Mas, de todo jeito, é muito bom ver nossos trilhos voltarem a seguir as trilhas do bom senso.

sábado, 28 de janeiro de 2017

AQUÁRIO MUNICIPAL

portal2014

José Antonio Lemos dos Santos

     Às vésperas do dia 5 de fevereiro quando se comemoraria os 17 anos do Aquário Municipal de Cuiabá, impossível não lembrar um pouco da história daquele equipamento público, em especial, por conta do projeto Orla do Porto em desenvolvimento pela prefeitura municipal, iniciado na administração anterior. Um dos equipamentos urbanos mais queridos da população, sendo inclusive adotado como um dos cartões postais da cidade, o Aquário é um dos projetos que mais me agradou, desde sua elaboração até a continuidade de visitação intensa nos seus primeiros 10 anos, quando ainda era bem tratado, com a alegria das crianças, surpresas diante dos peixes colocados bem à altura de seus olhos ou disputando a ração que jogavam no tanque externo. Satisfação estendida aos semblantes dos pais e mães, avos e avós, acompanhantes extasiados com a felicidade de seus pequenos, ou mesmo encantados com a visão de uma espécie que, mesmo adultos, ainda não tinham conhecido ao vivo, cuja beleza plástica nunca haviam percebido a não ser na panela como protagonista de muitas das maravilhas da culinária cuiabana. Um passeio que também era uma aula para crianças e adultos.
catracalivre

     O aquário entusiasmou todos desde que surgiu a ideia. O então prefeito Roberto França iniciando seu primeiro mandato aprovou a proposta da primeira revitalização da Beira-Rio e do Porto que vinha das administrações anteriores, mas entendeu que no projeto do Museu do Rio faltava o personagem principal, o peixe. Determinou então que fosse projetado um aquário anexo, onde pudessem estar expostas todas as espécies de peixes do rio Cuiabá e pantanal. O tempo era escasso pois os recursos tinham prazo para aplicação e as referências para de projeto estavam sempre além do que podia a prefeitura. Com o arquiteto Ademar Poppi chegamos a um partido arquitetônico exequível para as condições e em agradável harmonia com o Museu neoclássico e o próprio rio que lhe dava sentido. Durante alguns anos o Aquário de Cuiabá foi referência para projetos similares de pequeno porte em outros estados.
     E depois do projeto, a construção e a maratona para coleta dos exemplares de todas as espécies da bacia pantaneira que iriam ocupar o aquário. No dia da inauguração o professor doutor Francisco Machado ainda mergulhava no Pantanal atrás de um certo camarão e uma espécie de acará que faltavam. A poucas horas da inauguração o prefeito trazia pessoalmente de seus tanques de criação as piraputangas e pacus. Ao mesmo tempo técnicos e funcionários do antigo IPDU produziam os últimos detalhes, tudo sempre com a presença de Teruo Izawa, o anjo do Aquário, que nunca deixou seus peixes, muitas vezes sem ganhar nada, sem jamais receber o justo e merecido reconhecimento da prefeitura.
     Milhares de pessoas estiveram na inauguração do Aquário, que recebeu em seus primeiros 10 anos mais de 1 milhão de visitantes. Sua manutenção nunca foi equacionada na prática, apesar de idealizado como uma estrutura autossustentável junto ao Museu do Rio, sustentabilidade que viria da venda de lembranças relacionadas ao rio e sua cultura, como chaveiros, bonés, camisetas, fotos, livros diversos e CDs, etc., e de parcerias com as secretarias de educação do município e do estado em troca do baita equipamento educativo disponibilizado. Buscou-se ainda as faculdades de veterinária da cidade. Faltou definição do órgão municipal que se responsabilizasse pela continuidade de funcionamento do Aquário e insistisse na sua sustentabilidade. Agora o antigo Aquário Municipal é envolvido por um projeto maior, mais ambicioso, ainda em execução. Que seu sucessor lhe esteja à altura, aprenda com seus erros e vá além propiciando também muitas alegrias e conhecimentos aos turistas e à população cuiabana de todas as idades.




sábado, 19 de novembro de 2016

MATO GROSSO POR INTEIRO

gopantanal.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     O encontro em Cuiabá no dia 14 passado do governador com o ministro das Relações Exteriores um dia poderá ser considerado um marco na história do desenvolvimento de Mato Grosso, extrapolando a região de Cáceres, foco principal da reunião. Os assuntos tratados abrangeram um conjunto de temas que podem ser sintetizados numa ambiciosa política de integração continental através da Hidrovia Paraguai-Paraná, tendo como ponto de partida a Princesinha do Paraguai. Mais importante, vai reintegrar o Mato Grosso platino ao desenvolvimento estadual, reforçando a unidade geopolítica do estado ameaçada pelo projeto de isolamento ferroviário da Grande Cuiabá.
     O porto e a ZPE de Cáceres são assuntos discutidos há décadas mas parece que agora é para valer pela abrangência da abordagem, envolvendo questões de logística, segurança, comércio e relações com os países vizinhos, inclusive com a programação de um grande encontro em Cáceres, para o qual já estariam convidados os ministros da Justiça, do Desenvolvimento, da Defesa e o próprio ministro das Relações Exteriores. José Serra também convidou o governador para uma reunião em Brasília com ministros do Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile, específica sobre a grave questão da segurança nas fronteiras comuns. Destaco a tese de que o desenvolvimento do Mato Grosso platino está amarrado à solução da questão da segurança na fronteira, e vice-versa. Uma coisa depende da outra.
     Da parte do desenvolvimento a reativação do porto de Cáceres com a implantação da ZPE é um ótimo começo. O porto será uma das principais portas de saída para os produtos mato-grossenses, muitos processados na própria ZPE, e será também a entrada para o desenvolvimento com as cargas trazidas pelo rio. Porém estes projetos demandam a criação da logística complementar, rodoviária, ferroviária e aeroviária. Aí entra então a retomada da ferrovia, hoje em Rondonópolis, passando por Cuiabá para chegar até Cáceres e Nova Mutum e daí aos portos do Pará e Pacífico, somando-se à FICO. Entram também a reativação do aeroporto de Cáceres, bem como, a consolidação do Aeroporto Marechal Rondon com a criação de voos internacionais, a começar pela prometida ligação com Santa Cruz de la Sierra. O aeroporto em Várzea Grande é a interface de globalização de Mato Grosso, poderosa ferramenta de desenvolvimento. Ao desenvolvimento regional ainda é fundamental que o gasoduto seja levado a sério dando-lhe confiabilidade como elemento propulsor da economia do porto, da ZPE e da Região Metropolitana do Cuiabá com vantagens econômicas e ambientais. Esse conjunto de fatores positivos viabilizariam a Região Metropolitana como um polo de verticalização da produção primária mato-grossense utilizando a mão de obra disponível em indústrias de vestuário, produtos em couro e beneficiamento de carnes, por exemplo.
     Mas não se pode pensar em desenvolvimento sem resolver a grave questão da segurança na fronteira, inviabilizada pelo poder da mais poderosa e cruel das armas inventadas pelo homem, a droga, ramificada em outros nefastos tráficos como o de veículos e armas. O Brasil vem sendo bombardeado por essa arma através da fronteira mato-grossense, arremessada em fardos por pequenas aeronaves em voos que escapam aos radares de segurança do espaço aéreo nacional. Por que não instalar em Cáceres uma Base Aérea aproveitando a pista de pouso asfaltada ali existente e ociosa? No controle da extensa fronteira, por mais zelosas que sejam as ações em terra, estas dificilmente alcançarão êxito sem um apoio ostensivo aéreo, com aviões de verdade, portadores do intimidador e vitorioso emblema da gloriosa Força Aérea Brasileira.
(Publicado em 19/11/16 pelo FolhaMax, NaMarra, 20/11/16 no MidiaNews, ArquiteturaEscrita, 23/11/16 no Diário de Cuiabá, no BlogDoValdemir, ...)
COMENTÁRIOS
Por e-mail
Cléber Lemes 19/11/16
"Parabéns Dr. José Antonio, pela excelente reportagem . Um abraço
​Cleber"

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

QUEM DEFENDERÁ A FERRONORTE?

cargapesada.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     Não dá para acreditar quando alguém diz que quer resolver um problema de extrema urgência e elevados custos, mas ao invés de escolher a solução mais viável, rápida e barata prefere outra com o dobro das dimensões, custos e dificuldades. É o caso da logística em Mato Grosso, que vem causando pesadas perdas à produção e ao ambiente, e, em especial, perdas de vidas humanas. Com toda essa urgência não dá para comparar os 560 Km da continuidade da Ferronorte de seu terminal operante em Rondonópolis até Lucas do Rio Verde, com os 1200 Km da FICO de lá até a inoperante Norte-Sul e o inexistente porto de Ilhéus. 
     Na verdade, por trás dessa questão da ferrovia estão em jogo dois projetos de futuro para Mato Grosso. Por um a ferrovia passa por Cuiabá, e pelo outro busca-se afastar o norte do sul mato-grossense, com Cuiabá no meio, isolada. Como Cuiabá é o maior reduto eleitoral do estado, esse jogo não pode ser aberto e tem sido habilmente dissimulado por seus defensores. O primeiro projeto, a Ferronorte, tem quase 5 décadas e a cada ano é mais atual, mostrando a grande visão de seus idealizadores, os saudosos senador Vicente Vuolo e o professor Domingos Iglesias. Seu traçado vai até Santarém pela espinha dorsal do estado, a BR-163, com uma variante para Porto Velho e Pacífico, comportando outras extensões como para Cáceres, e mesmo para a Fico. Uma ferrovia de fato para todo o estado, reforçando a integridade geopolítica que faz de Mato Grosso um estado otimizado e o de maior sucesso produtivo no país hoje. Uma ferrovia para levar e também trazer o desenvolvimento, não apenas uma esteira exportadora de soja.
     O outro projeto surgiu com o avanço do agronegócio no estado e a afirmação política de algumas de suas lideranças. Por ele a Ferronorte para em Rondonópolis e é complementado com a Fico, cortando o estado horizontalmente ao norte, sequestrando nossas cargas e empregos para Goiás e Rondônia. Basta lembrar do mapa do Estado para entender a intenção de dividir a economia mato-grossense, deslocando artificialmente o centro geopolítico do estado de Cuiabá para dois polos, Lucas e Rondonópolis, forçando uma futura divisão do próprio estado. Quase todo o Mato Grosso platino fica excluído, inclusive Cuiabá e Cáceres com todas as potencialidades de seu porto e ZPE.
     O problema deste projeto oficial é a Grande Cuiabá, o maior centro de carga de ida e volta do estado. Um terminal ferroviário em Cuiabá, ligado a Cáceres, Lucas, Porto Velho e aos portos do Pará inviabilizará o terminal de Rondonópolis como o maior do estado, indispensável ao pretendido deslocamento geopolítico ao sul. Daí a necessidade de se isolar Cuiabá. Já o projeto da Ferronorte ficou órfão politicamente sem o senador Vuolo e Dante. Quem a defenderá hoje? Difícil. A Fico hoje foi abraçada pela classe política que trabalha por ela com um eloquente e covarde discurso de fingimento e omissão em relação à Ferronorte, em especial aqueles que não cresceram com o estado e para os quais a única chance de sobrevida política é reduzir Mato Grosso às suas próprias mediocridades. Mudos! Para estes a logística, a população e o produtor são secundários, só lhes interessa mais poder, mais cargos públicos, tudo pago pelo povo. 
     A Ferronorte não exclui a FICO, o inverso sim. Mas pode até ser as duas. Em 70, na ligação asfáltica de Cuiabá o dilema era se seria por Goiânia ou Campo Grande. Foram feitas as duas e foi um sucesso. Mas hoje enquanto nos calamos o projeto excludente avança. Quem defenderá a Ferronorte, a continuidade do atual Mato Grosso, unido, enxuto e campeão, contra a ideia de rasgá-lo em dois ou mais, de volta ao fim da fila federativa, de novo sem poder, sem vez e sem voz? 
(Publicado em 25/02/2014 pelo Diário de Cuiabá, Blog do José Lemos, ...)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ORLA CUIABANA

g1.globo.com

José Antonio Lemos dos Santos

     No último dia 27 o prefeito de Cuiabá apresentou amplo projeto destinado a revitalizar urbanisticamente a região da Beira-Rio no antigo bairro do Porto. Sem entrar no mérito do projeto técnico que sempre envolve pontos sujeitos a questionamentos e ajustes, inclusive de ordem ambiental e de patrimônio histórico, no geral gostei da proposta, pois significa que a atual administração assumiu posição em direção ao futuro, propondo-se a projetos que desenvolvam as potencialidades da cidade. Cuiabá é uma jovem de 300 anos que tem um passado riquíssimo, um presente altamente dinâmico, mas que também tem um futuro extraordinário a ser desenvolvido. Centralizando uma das regiões mais dinâmicas do planeta e vivendo sob a alta pressão positiva das demandas regionais, Cuiabá tem no equacionamento de suas perspectivas e potencialidades de futuro a única alternativa de desenvolvimento sustentável e seguro, inclusive, de solução de suas carências atuais, entre estas o respeito e a valorização do passado. 
     Parece ser uma decisão fácil, mas não é. Projetar o futuro implica em escolhas, priorizações e decisões que de um modo geral implicam em polêmicas. Nunca agrada a todo

mundo. Fingir que está tapando buracos, apagando incêndios é muito mais fácil, pois passa a ideia de um governo trabalhador, que arregaça as mangas, quando na verdade está apenas enxugando gelo, jogando para a plateia, não resolvendo os problemas do presente e deixando escapar as potencialidades do futuro. E Cuiabá tem muitas potencialidades a ser desenvolvidas diretamente pela prefeitura ou cobradas por esta à outras instâncias de governo ou mesmo à iniciativa privada. Sua centralidade regional talvez seja a mais importante, o lugar mágico cujas enormes vantagens comparativas a impulsionam para cima. Potencializada renderia muito mais, sem risco de ser perdida para outros polos que trabalham nesse sentido. A Copa do Pantanal é a potencialidade mais urgente e a vontade do prefeito em concluir o Projeto Porto até a Copa é também um sinal de que a prefeitura finalmente assumiu o mega evento, até então meio desprezado pelo município. Temos ainda o Centro Geodésico da América do Sul, o gás natural abundante, o Porto Seco, o aeroporto internacional, a convergência de 3 BRs, a barragem de Manso com suas múltiplas finalidades, a ferrovia a 200 km e, em breve, uma das poucas arenas do país, viabilizadora de grandes eventos nacionais e internacionais. 
     O rio Cuiabá é uma das maiores potencialidades da cidade, neste caso oferecida de graça pela natureza, como o Coxipó e os 21 córregos que a cortavam irrigando o verde, distribuindo frescor e enriquecendo a paisagem. O rio Cuiabá é o maior equipamento urbano da Grande Cuiabá, bem ao centro da região metropolitana, de uma imensa potencialidade abrangendo história e cultura, o abastecimento alimentar, tanto de peixes como de água, saneamento, composição climática e paisagística, fauna, flora, turismo, bem como o lazer ativo e contemplativo para todos os gostos, do popular ao sofisticado.
     Incrível mas a cidade virou as costas para essa imensa riqueza. O rio precisa ser resgatado em sua integridade, não só por Cuiabá, mas também por Várzea Grande. Não se trata de tarefa fácil, mas é possível e não pode ser esquecido que algumas boas tentativas já foram feitas ao menos desde a década de 70 com a própria implantação da Beira-Rio, também corajosa e polêmica à época. A descontinuidade administrativa tem sido o principal obstáculo. A cada abandono o retrocesso é imenso. Como assegurar que este projeto uma vez implantado seja cuidado e respeitado com o mesmo carinho pelas administrações posteriores? 

(Publicado em 03/09/2013 pelo Diário de Cuiabá)

sábado, 31 de agosto de 2013

PROJETO PORTO CUIABÁ


www.g1.com

A Prefeitura de Cuiabá apresentou no ultimo dia 27, projeto para revitalizar o Porto no valor de R$ 28,0 milhões e o prefeito quer pronto para a Copa. Veja no link abaixo a apresentação do projeto:

http://www.cuiaba.mt.gov.br/upload/arquivo/apresentacaoporto.pdf

www.g1.com



terça-feira, 4 de junho de 2013

AEROPORTO E O REDENTOR ILUMINADO

Imagem: culturacuiaba.wordpress.com


José Antonio Lemos dos Santos

Aeroporto e o Redentor iluminado

      Numa das últimas noites da semana passada tive a surpresa de ver iluminado o globo terrestre do campanário da igreja do São Gonçalo, com seu magnífico Cristo Redentor abençoando o bairro do Porto e toda a cidade de Cuiabá. Trata-se de um dos mais belos edifícios da cidade, construído a pouco mais de um século com uma precisão técnica e estilística de impressionar leigos e especialistas pela sua riqueza de detalhes e finíssimo acabamento. Sempre recomendo meus alunos a apreciarem e a aprenderem com aquela obra de arte arquitetônica, não sem antes orientá-los a pararem o carro, pois os detalhes prendem a atenção e é sempre alto o risco de acidente para aqueles que subestimam tanta beleza e se arriscam a apreciá-la sem antes estacionar. Pelas informações colhidas aqui e ali, a imagem do Cristo tem 3,6 metros de altura, colocada em equilíbrio sobre um globo a 36 metros do chão há cem anos, sem guindaste. Fora o espetáculo técnico, a beleza artística. Além do topo do campanário, chamam especial atenção os 4 gigantes da ordem atlante que o sustentam lá em cima, a precisão dos arcos e as figuras dos 4 evangelistas na fachada.
     Ver iluminados o globo e o Redentor do São Gonçalo me despertou especial emoção, pois já há algum tempo estou para escrever sobre este assunto, que se amplia na questão do tratamento que a cidade deveria dispensar aos seus monumentos significativos. Na verdade não são muitos e não seria difícil preparar um pacote de revitalização externa com iluminação especial para cada um deles, num trabalho de parceria entre a Secopa e as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, com a iniciativa privada. Aproveitando a oportunidade da Copa, após uma seleção técnica, tais monumentos seriam tratados como verdadeiros ornatos citadinos que são, ajudando a embelezar a cidade e encantando seus habitantes e turistas. Além das igrejas históricas, incluiria a de Guadalupe, mas também edifícios como o Museu do Rio, o já bem tratado Sesc Arsenal, o conjunto dos edifícios da Praça da República, com destaque para um bom tratamento externo na Basílica do Bom Jesus de Cuiabá, incluindo o conserto do relógio. Não poderiam ficar de fora os obeliscos do Centro Geodésico e o do Cinquentenário da Retomada de Corumbá, na Praça Luis de Albuquerque no Porto, o Coreto, o chafariz e o “Gogó de Ema” da Praça Ipiranga, a estátua ao Bandeirante, ao Negro e ao Índio da Coronel Escolástico e a Fonte Luminosa da Praça Alencastro funcionando. A lista pode ser extensa, mas o começo poderia ser com uns poucos mais significativos, e a cidade já ganharia um desejável ar de festa e de carinho consigo mesma.
     Este artigo deveria ser especial sobre o aeroporto Marechal Rondon, suas obras em ritmo acelerado e seu movimento crescente. A emoção em ver de novo o Redentor iluminado roubou a primazia. Porém é importante destacar também o contentamento em ver sendo erguidas as estruturas da tão esperada expansão do aeroporto, em especial para quem dedicou nos últimos anos uma série de artigos cobrando a Infraero pela entrega dos projetos, licitações e início das obras. Agora cabe parabenizar à Infraero e à Secopa pelo avanço nas obras, crente que os cronogramas serão cumpridos e que jamais acontecerá uma demanda reprimida tão grande como a das últimas décadas que trouxeram graves desgastes para Cuiabá e Mato Grosso aos olhos de seus visitantes. Aliás, cabe também registrar nas estatísticas oficiais de abril de 2013 que o Aeroporto Marechal Rondon ultrapassou em movimento de passageiros aos aeroportos de Goiânia e de Natal, passando a ser agora o 14° dentre os aeroportos administrados pela Infraero, aproximando-se do milionésimo passageiro anual já nos 4 primeiros meses do ano.


(Publicado em 04/06/2013 pelo Diário de Cuiabá)

sábado, 12 de janeiro de 2013

O PORTO DESPREZADO DO RIO CUIABÁ


MOACYR FREITAS

Quanta saudade nos traz as partidas de lanchas de passageiros do nosso porto cuiabano.
Verdadeiras tardes festivas no bairro, para onde convergia muita gente para o bota-fora de seus familiares ou amigos.

As fotos desses vapores ainda são vistas por aí (clique aqui e veja), testemunhando esse tempo saudoso. Hoje, não temos mais a visão panorâmica do nosso rio Cuiabá. Somente das pontes sobre ele podemos apreciá-lo. É pena que haja tanto desprezo ao rio que dera o nome a nossa Capital.

Detritos de esgoto “in natura” são despejados nele sem a mínima consideração. Esquecem ou ignoram que tanta alegria esse rio nos dera no passado.

Como cuiabano nato, espero que nosso novo prefeito demonstre seu amor a nossa Cuiabá libertando nosso rio dessa incompreensiva ingratidão que vem sofrendo.

A falta de respeito ao rio, certamente, é daqueles que talvez nunca tenham lido a história da cidade, ou não tenham conhecimento do que vem ocorrendo com ele. Se tivessem conhecimento dos fatos históricos, acredito, não o desprezariam tanto.

Para os que ainda não sabem, o rio Cuiabá foi o caminho da histórica penetração na imensa e rica região de domínio espanhol pelos bravos brasileiros, ainda formados de mamelucos, índios e descendentes de portugueses.

Nesta ousada penetração pelo rio Cuiabá, certamente houve muitos desembarques em terra firme pelos mais variados motivos. Entretanto, neste lugar, muitos desembarcaram cheios de esperanças, porque buscavam o enriquecimento fácil, acima de tudo, o ouro cuiabano.

Em diferentes épocas da história, vários desembarques e embarques nesta margem esquerda de nosso rio Cuiabá registraram-se, fixando para a memória fatos históricos muito significativos para todos os cuiabanos e mato-grossenses que amam esta região.

Vamos lembrar, pela ordem de antiguidade:

- A chegada do Capitão General Rodrigo César de Menezes, em 15 de novembro de 1726. Ele elevou o Arraial de Cuiabá a Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Pertencíamos à Capitania de São Paulo;

- A chegada solene da imagem do Senhor Bom Jesus, em 1729;

- A chegada do primeiro vapor ”Corsa”, procedente do Rio de Janeiro, em 20 de fevereiro de 1857;

- A partida da tropa de Voluntários Cuiabanos para a retomada de Corumbá, no século XIX, sob o comando do Tenente Coronel Antônio Maria Coelho;

- A chegada da imagem de São Gonçalo, em 1781, trazida do Arraial de São Gonçalo Velho, foz do rio Coxipó. Chegou em solene procissão fluvial para sua nova capela próximo do porto;

- A chegada do primeiro automóvel FIAT, em 1919, e também, antes deste, em 1914, o primeiro caminhão ORION, registrado no Álbum Gráfico de Mato Grosso;

- A chegada de passageiros pelo hidroavião da Condor, o primeiro que amerrisava neste rio na década de trinta do século passado, inaugurando a linha aérea comercial para Cuiabá;

- A partida dos “Pracinhas” cuiabanos para compor a Força Expedicionária Brasileira, na 2ª Guerra Mundial, na década de quarenta do século passado;

- Vários outros embarques e desembarques de passageiros e também de cargas importantes aconteciam festivamente neste porto cuiabano. Muitos destes viajantes foram ilustres nomes da nossa história mato-grossense, que não cabe aqui enumerá-los, sem o risco de sermos traídos por nossa memória.

Assim, é tão importante este lugar, uma lembrança, como um marco histórico de nossa Capital.
Portanto, vamos aguardar com ansiedade a recuperação do nosso rio. Que venha logo essa possibilidade de podermos contemplar novamente as águas limpas do nosso querido rio Cuiabá.
 
Arquiteto Moacyr Freitas é membro do Instituto Histórico  e Geográfico de Mato Grosso.

(Publicado pelo ReporterMT em 11/01/2013  08h42)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

BR-163, SUPERÁVIT E LOGÍSTICA

José Antonio Lemos dos Santos

     Basta olhar o mapa sul-americano para entender a potencialidade da BR-163 em termos de estratégia logística para o continente. Quando concluída, a rodovia ligará Santarém no Pará a Tenente Portela no Rio Grande do Sul, integrando o Brasil de norte a sul. Contudo sua importância não está limitada a seu leito carroçável, pois ao norte ela chega aos portos amazônicos de Itaituba e Santarém e ao sul acessa o porto de Cáceres, chegando por águas platinas ao Paraguai, Argentina e Uruguai. Com estas características e mais a especialíssima condição de passar pelo exato centro da América do Sul em Cuiabá, a rodovia potencializa o mais natural caminho integrador centro-longitudinal sul-americano, predispondo-se como base para o maior corredor intermodal de transporte do continente em futuro próximo. 
     A história da Cuiabá-Santarém é bem conhecida e sofrida pelos mato-grossenses. Inaugurada em leito de terra há 37 anos até hoje não foi concluída, porém seu eixo inspirou a antevisão do futuro grandioso do centro do continente com a proposição de megaprojetos como o da Ferronorte, integrando por ferrovia Mato Grosso ao Pará, São Paulo, Minas, Espírito Santo, Rondônia, Acre, do Atlântico ao Pacífico, do Amazonas ao Prata. A visão dos saudosos Vuolo e Iglésias virou concessão federal, a mesma que em 2011 foi devolvida parcialmente pela ALL à União, mas que os chineses querem construir de imediato. Da época são os projetos da saída para o Pacífico via San Mathias, da Ecovia do Paraguai com porto e ZPE em Cáceres, bem como o Distrito Industrial de Cuiabá, articulados no grande eixo longitudinal organizador das demais rodovias e ferrovias a leste e a oeste em forma de espinha de peixe, como as variantes ferroviárias até Cáceres, ao Peru por Tangará, Diamantino ou Lucas, e mesmo a atual FICO, a qual só se viabiliza como mato-grossense em um complexo integrado à economia de Mato Grosso. 
     A formulação do complexo rodovia-ferrovia-hidrovia, apoiado pela internacionalização do aeroporto de Cuiabá resultava de uma visão formidável do futuro profetizando toda a grandeza do atual desenvolvimento regional. A Cuiabá-Santarém firmou-se como a coluna vertebral de Mato Grosso transformando-o no maior produtor agropecuário do país e uma das regiões mais produtivas do mundo. Imagina quando concluída em sua multimodalidade, levando aos portos de norte, sul, leste e oeste do Brasil e do mundo a produção mato-grossense, distribuindo aos brasileiros do sul-sudeste dos produtos da Zona Franca de Manaus e até da China. Principal, trazendo o desenvolvimento e qualidade de vida a todos os mato-grossenses com insumos, bens de consumo e mercadorias diversas com tarifas reduzidas não só em dinheiro, mas também reduzidas em perdas ambientais e de vidas humanas, preço maior pago hoje em mortes e dor pelos mato-grossenses por uma logística de transporte totalmente ultrapassada em relação ao atual avanço econômico e tecnológico de Mato Grosso. 
     Em 2012 Mato Grosso produziu um superávit de 12,89 bilhões de dólares na balança comercial brasileira, superior a todo o superávit do país no período, incluídas as importações da Petrobrás! Daria para fazer uma ferrovia Cuiabá-Santarém por ano, com troco. Ou muitas centenas de escolas e hospitais. Cada dólar que entrou e ficou no país em 2012 foi trazido pelo trabalho do mato-grossense, enfrentando dificuldades imensas, deseconomias e tragédias. Em função de tudo o que vem produzindo nas últimas décadas para o Brasil, Mato Grosso vai continuar projetando seu futuro e está em condições de exigir da União tudo o que precisa e tem direito para seguir, cada vez mais unido e forte, seu destino de grande produtor de alimentos para o mundo. 

(Publicado em 08/01/2013 pelo Diário de Cuiabá)


quinta-feira, 29 de março de 2012

RUA XV COM MÃO DUPLA?

Alguém saberia explicar ou ouviu alguma explicação oficial sobre como funcionaria o principal acesso da cidade com a volta da mão dupla na XV de Novembro, no Porto, com as canaletas para o VLT e uma pista de rolamento em cada sentido para os veiculos de pneus? A prancha a seguir foi extraída do site da Secopa.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A VOLTA DO FAN PARK

Estudo (2010) para o novo Shopping Popular (arquiteto Ademar Poppi)  www.grandecpa.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     A rápida intervenção do governador Silval Barbosa reafirmando a instalação do Fan Park na região do Porto fez retornar o bom-senso ao assunto. Além disso, resgatou para Cuiabá a perspectiva de um dos principais legados urbanísticos a ser deixado pela Copa do Pantanal. Desde a escolha das sedes da Copa 2014 sempre foi dito que a construção de ao menos um Fan Park em cada cidade-sede era exigência da Fifa, um parque urbano onde os jogos poderão ser assistidos em telões, dedicado aos torcedores que não consigam assistir aos jogos nos estádios, para depois ficar como uma lembrança significativa do grande evento para a cidade. Cuiabá não poderia perdê-lo.
     Essa boa invenção da Fifa veio a calhar, pois Cuiabá, apesar de ser a Cidade Verde, é carente em áreas verdes preparadas para receber seus habitantes, ansiosos por espaços estruturados para atividades ao ar livre, dissipadoras do estresse urbano. Porém, para Cuiabá o Fan Park tem um importância urbanística ainda maior. Fora a criação do novo parque urbano, com sua localização no bairro Dom Aquino, região do Porto, principal acesso da cidade, o Fan Park resolve pelo menos quatro problemas graves de Cuiabá. Primeiro, soluciona a antiga questão da transferência de seu Parque de Exposições, cuja localização ficou inadequada ao próprio funcionamento do Parque, bem como à circulação viária na Grande Cuiabá. Ademais, sua contiguidade ao trajeto do VLT e à uma de suas principais estações possibilita o tratamento conjunto da área dando um tratamento digno ao principal acesso viário do município e centro geográfico da metrópole cuiabana, também revitalizando histórico bairro do Porto, dois problemas antigos da cidade. Mas a maior das possibilidades é a da volta da cidade para o rio Cuiabá e sua recuperação como seu mais importante equipamento urbano, fonte de água e alimento, espaço de lazer ativo e contemplativo, elemento marcante na composição climática, ambiental e paisagística da cidade, além de patrimônio histórico por tudo que representou para a fundação de Cuiabá, para a formação de Mato Grosso e a ocupação deste vasto interior centro-continental.

Estudo para a conexão Cuiabá/Várzea Grande (arquiteto Ademar Poppi) turismomt.wordpress.com


     Arquitetura é a arte de transformar os espaços e assim por formação o arquiteto é um visionário que sempre enxerga a realidade na perspectiva de sua transformação para melhor, imaginando soluções geradoras das maravilhas urbanas construídas pelo mundo inteiro. Aqui também pode ser assim e aquela área do Porto é muito rica em potencialidades. Os projetos da Copa e a decisão do governador reacenderam as esperanças. Mesmo que não existam condições financeiras para se fazer tudo de uma só vez, pode ser elaborado um plano diretor integrando as áreas do Fan Park e a da estação do VLT (com sua nova ponte), chegando até a área do Museu do Rio, Aquário Municipal e Avenida 8 de Abril. Nele podem estar previstos o planetário, o novo Shopping Popular, praça gastronômica, monumentos, fontes e outros projetos a serem construídos à medida das possibilidades, ao longo dos anos. Enquanto não dá para fazer tudo, que seja feito logo o fundamental, isto é, o Fan Park, a reurbanização das avenidas e a transformação da arquibancada da Acrimat em uma Arena Cultural para o Siriri, Cururu e o Carnaval, complementando com o plantio de muitas árvores, a instalação de amplos, confortáveis e seguros passeios públicos, ciclovias e pistas de caminhadas em toda a área. E desde então a entrada da cidade fica assegurada como um espaço digno de uma das sedes da Copa e de uma capital às vésperas de seus 300 anos.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 31/01/2012)

sábado, 28 de janeiro de 2012

O NOVO PARQUE DE EXPOSIÇÕES DE CUIABÁ

Para quem não viu ainda, veja abaixo como será o novo Parque de Exposições de Cuiabá, em matéria de março do ano passado, publicado em http://agecopa2014.com.br/copa-2014/veja-como-sera-o-novo-parque-de-exposicoes-de-cuiaba.


http://www.copanopantanal.com.br/fotos/turismo/parqueacrimat.jpg


VEJA COMO SERÁ O NOVO PARQUE DE EXPOSIÇÕES DE CUIABÁ
Está pronto o projeto do novo Parque de Exposições de Cuiabá. Com nova área, agora situada na rodovia Cuiabá-Santo Antônio do Leverger, o novo centro de eventos da Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), que vai deixar a antiga área localizada no bairro Porto para servir ao fan park oficial de Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014, seguirá um estilo clean e moderno.
O novo parque de exposições contará com forte estrutura, incluindo arena multicultural (show e rodeio) para 30 mil pessoas, espaço para parque de diversões, centro de eventos, lago com fontes luminosas e prática de apresentações de esportes aquáticos e área para instalação de batalhão de Cavalaria da Polícia Militar do Estado, além de estacionamento para 10 mil veículos e até 50 ônibus. A área ainda deve contar com uma pista de pouso para aviões de pequeno porte.
Conforme cláusula contratual, a Acrimat só deixará a área do atual parque quando tiverem início a construção do novo complexo. As obras deverão ser erguidas por estágios. A imagem publicada em render (veja foto), mostra o novo parque 100% concluído. No entanto, o projeto da pista de pouso ainda não é oficial, já que depende de estudos e aprovação do Ministério da Aeronáutica.
A direção da Acrimat conta com o apoio do Governo para realizar a Expoagro de 2012 no novo local – ainda em obras –, embora sua conclusão está prevista para 2014. As lojas e restaurantes e demais dependências devem seguir uma padrão moderno. A exceção é o setor de baias de cavalo que deve receber instalações no estilo colonial.

Veja as dotações do novo Parque de Exposições de Cuiabá

* Pista de Pouso
* Arena Multicultural (Shows e Rodeio) para 30 mil pessoas
* Espaço para Parque de Diversões
* Centro de Eventos
* Estacionamento para 10 mil veículos
* Estacionamento para 50 Ônibus
* Lago com fontes luminosas e prática de apresentações de Esportes Aquáticos
* Batalhão de Cavalaria da Polícia Militar de Mato Grosso


Fonte: Copa no Pantanal

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SILVAL CONFIRMA QUE PROJETO DO FAN PARK SERÁ CONSTRUÍDO NO PORTO

26/01/2012 - 11:40
OlharDireto
Da Redação - Marcos Coutinho e Priscilla Vilela

circuitomt.com.br

O governador Silval Barbosa (PMDB) descartou qualquer possibilidade de haver uma mudança no projeto do Fan Park da Copa do Mundo de 2014, conforme anunciado pelo próprio governo na última semana. A obra será em uma área do bairro Porto, em Cuiabá, onde hoje está o Parque de Exposições.
“Não houve mudança do local do projeto como foi especulado por alguns setores da imprensa. O projeto Fan Park será na região do Porto, onde consta no projeto”, declarou o líder do Palácio do Paiaguás em entrevista exclusiva ao Olhar Direto na manhã desta quinta-feira (29).
Ainda segundo Barbosa, a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e Dom Miltom, arcebispo de Cuiabá, propuseram uma área na região do Centro Político Administrativo (CPA) para a realização de alguns eventos. Essa proposta será avaliada pelo governo, contudo, Barbosa garante que não haverá alteração no projeto inicial.
No último sábado (21) a Secretaria da Copa (Secopa) anunciou que a Fifa Fan Fest – local de realização de eventos da Copa – seria transferida para a região da Morada do Ouro para proporcionar um maior alcance social a população. A área chegou a ser visitada pelo Secretário Extraordinário para assuntos da Copa Eder Moraes e pelo próprio Silval.
A decisão inclusive seria apresentada em Recife no Pernambuco durante o 2º Workshop sobre Fan Fest ainda nesta semana, onde serão definidos os locais para implantação das estruturas nas 12 cidades-sede. Entretanto, repercussão negativa sobre a opção, a ‘cúpula’ da Copa em Cuiabá e o governador enfatizam a manutenção do projeto inicial.
“Quero deixar claro que o Fan Park será realizado na região do porto e ponto final. A área oferecida pela Fiemt e pelo arcebispo Dom Milton poderá ser utilizada, mas o projeto vai ser executado no porto”, reiterou o chefe do executivo mato-grossense.
(http://www.olhardireto.com.br/)
Matéria semelhante no Midianews http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=14&idnot=75796
(Imagem da internet adicionada na postagem pelo Blog)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O FAN PARK DE CUIABÁ

José Antonio Lemos dos Santos


     No último sábado o Governo do Estado informou que a Fifa Fan Fest acontecerá na Morada do Ouro e não mais no Dom Aquino, região do Porto, centro da Grande Cuiabá. A Fifa Fan Fest é um evento que acontece durante as Copas do Mundo, destinado aos torcedores que não puderem ir aos estádios, seja nas sedes dos jogos ou em outras cidades do mundo escolhidas pela Fifa. É para “ser o segundo melhor local para torcedores de todo o mundo compartilharem momentos emocionantes, conhecerem a missão da Fifa, terem contato com as marcas dos patrocinadores e comemorarem o clima único que uma Copa do Mundo da Fifa proporciona”, segundo o site da entidade maior do futebol.


Imagem: turismomt.wordpress.com

     Para a realização da Fifa Fan Fest de Cuiabá estava programada a criação de um Fan Park, local preparado para receber os torcedores e que ficaria como um dos principais legados da Copa para a cidade. Por isso foi viabilizada a transferência do Parque de Exposições liberando uma área suficiente para receber além da Fifa Fan Fest, um conjunto de equipamentos tais como planetário, museu, uma arena cultural e até um novo Shopping Popular, o que daria um novo e digno aspecto urbanístico à principal entrada de Cuiabá. Por estar bem no centro da área metropolitana e colada a um dos futuros eixos do VLT, é uma das regiões mais acessíveis por transporte coletivo ou individual em suas diversas formas. O rio Cuiabá lhe assegura o caráter icônico local exigido pela Fifa. Era um dos projetos mais aguardados pela cidade dentre os programados para a Copa. No mês de dezembro passado essa proposta para o Fan Park foi mostrada a uma comissão da Fifa que esteve no local e que aparentemente ficou satisfeita com o que viu.
                
circuitomt.com.br 
     Nem bem passou um mês da visita, eis que o governo surpreende com a notícia da mudança dos planos. Qual teria sido o motivo? Seria falta de recursos para fazer o parque em sua totalidade? Sendo assim, podia manter a festa e o projeto do Fan Park no local, deixando as demais edificações para o futuro, e a cidade não perderia o parque. Ou teria a ver com a recente doação do espaço do atual Shopping Popular pela prefeitura? Nada contra a cessão, mas não podia ser em área de acordo com o projeto do Fan Park? Teria havido algum obstáculo em relação à liberação da área pelo município? É preciso que fique claro de quem é culpa por Cuiabá estar perdendo esse precioso equipamento.
                                                                   
circuitomt.com.br
     Por outro lado o novo local escolhido não tem os mesmos privilégios quanto à acessibilidade e situa-se onde está localizado o Memorial João Paulo II, área onde o Papa rezou a missa quando esteve em Cuiabá. Quando o estado cedeu a área havia o propósito de se implantar o Memorial como um espaço sagrado, amplo e digno de reverenciar o grande Papa e sua presença naquele local, como a Igreja vem realizando. Agora João Paulo II está sendo santificado pela Igreja, ampliando o valor daquele pedaço de chão cuiabano, um espaço a ser tratado como um local santo, condignamente preparado para receber católicos da região e de todo o mundo que por aqui passarem.

circuitomt.com.br
     A perda do Fan Park é uma grande redução nas expectativas do legado da Copa para Cuiabá e é uma decisão que poderia ser revista. Mesmo assim, sempre torcendo pelo sucesso da Copa do Pantanal e de sua Fifa Fan Fest, onde quer que aconteça, como arquiteto e urbanista, técnico e cidadão cuiabano, tenho que protestar contra a qualidade da imagem de divulgação do novo projeto, uma imagem que terá circulação mundial. Aquilo não está à altura de um evento de envergadura global, nem de uma cidade que abriga duas faculdades de Arquitetura.
midianews.com.br

(Publicado sem as imagens pelo Diário de Cuiabá em 24/01/12)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

SENADOR AZEREDO, 150 ANOS



José Antonio Lemos dos Santos

      A cidade é um centro de produção, só que um centro produtor que vai além da economia. Sua produção extrapola a produção de bens e serviços e seu principal produto é a sua gente. A qualidade de seu povo é a melhor medida do sucesso de uma cidade. Pelo menos já foi assim e deveria continuar sendo. As cidades lembram seus vultos como modelos para continuar a produzi-los em todas as áreas do desenvolvimento humano. Nos meus tempos de grupo escolar, estudávamos suas vidas aprendendo a respeitá-los, e através deles, aprendemos a respeitar nossa gente, a boa cepa de onde surgiram.
     Triste como algumas grandes figuras mato-grossenses foram esquecidas pela história. Ontem, 22 de agosto, completaram-se 150 anos do nascimento de Antonio Francisco Azeredo, lembrado por nós como Senador Azeredo graças ao tradicional colégio do Porto, antigo “Peixe-Frito” da saudosa professora Delza Saliés e de tantas outras. Não fossem Rubens de Mendonça e a Internet, seria impossível falar alguma coisa sobre este cuiabano, nascido em 1861 e que chegou a ser Presidente do Senado Federal por mais de 15 anos, ocupando o cargo até ser deposto pela revolução de 30 e exilado na Europa. Hoje é o primeiro dos homenageados na Galeria de Bustos do Senado.
     Sobre o Senador Azeredo, porém, até na Internet as referências são mínimas, vestígios encontrados em sites que tratam de outras personalidades e outros assuntos. Contudo, nesse pouco dá para perceber uma personalidade que merecia maior atenção dos mato-grossenses. Abolicionista e republicano, segundo Rubens de Mendonça ele trabalhou no jornal “Gazeta da Tarde” de José do Patrocínio, antes de comprar um pequeno jornal carioca denominado “Diário de Notícias”, que logo transformou em um dos maiores e mais influentes jornais do país, no qual colocou como redator, nada mais nada menos do que Rui Barbosa. Foi eleito Deputado à Constituinte e à Primeira Legislatura por Mato Grosso, chegando a ser o Primeiro Secretário da Câmara, até que assumiu o Senado no lugar de Joaquim Murtinho, quando este, também cuiabano, saiu para ser Ministro da Viação e da Fazenda e entrar na História como o maior estadista do Brasil na Velha República. Senador por quase trinta anos, e presidindo a Casa por muitos anos, Antonio Francisco Azeredo deu posse a alguns Presidentes da República. Foi também escritor, não apenas de seus discursos, mas de algumas obras que hoje despertariam interesse. Foi também comendador da Legião de Honra da França, e condecorado em diversos outros países.
     Sua maior obra para os mato-grossenses e cuiabanos em especial, foi, como fizeram alguns outros, ter levado a figura de um conterrâneo a posições de tão grande destaque e influência na vida nacional. Sua vida deveria ser mostrada como exemplo aos jovens locais que resistem às tentações dos descaminhos, acreditam em si e nas perspectivas positivas da vida, e vão à luta apesar das dificuldades, como um dia fez o jovem Antonio Azeredo, do interior distante, de uma pequena cidade, capital de um remoto estado brasileiro, século e meio atrás.
     Como Rondon, Dutra, Filinto Müller, e outros, Antonio Azeredo também teve sua grande oportunidade ao cursar um colégio militar, na época talvez a única chance de subir na vida para os jovens mato-grossenses. A este propósito recordo que em 1957 a Prefeitura de Cuiabá doou o terreno do antigo “campo de aviação”, hoje ocupado pela Vila Militar, para que ali fosse construído o Colégio Militar de Cuiabá. Se tivesse virado realidade, quantos outros milhares de jovens mato-grossenses teriam sido beneficiados? Não seria o caso de Cuiabá voltar a pensar no assunto?
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 23/08/2011)



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

MEUS CAROS ELEFANTES II

MEUS CAROS ELEFANTES II
José Antonio Lemos dos Santos


O artigo “Meus caros elefantes” da semana passada rendeu comentários simpáticos, a maioria lembrando alguma obra não citada. A satisfação dos leitores comentando aqueles equipamentos que viraram rotina, mostra o risco das condenações precoces e o quanto de fato hoje eles são importantes e queridos. Aliás, um exemplo mundial desse risco é a Torre Eiffel. Quando de sua construção alguns dos maiores intelectuais locais (do porte de um Zola, Maupassant, Gounod) escreveram veemente manifesto contrário à “monstruosa” torre que seria uma “odiosa coluna de ferro cheia de rebites”. Para alguns técnicos a torre cairia pelo “ceder de suas estruturas ou fundações”. Era um monumento comemorativo aos 100 anos da Revolução Francesa, a ser depois desmontada e vendida como sucata. A invenção do rádio e a Primeira Guerra Mundial prorrogaram o desmanche e nesse tempo a Torre Eiffel conquistou o coração dos franceses e do mundo.
Agora baixando a bola, em respeito aos comentários dos leitores registro alguns dos ex-futuros elefantes brancos citados por eles. Como pude me esquecer da Avenida do CPA, ou Rubens de Mendonça como é oficialmente denominada? Lembro do saudoso professor Sátyro Castilho (que ainda não é lembrado em nenhuma rua no CPA) debruçado sobre sua escrivaninha, projetando caprichosamente a lápis e borracha cada ponto da futura avenida, que seria a mais larga de Cuiabá com 50 metros de caixa. Para muitos naquele longínquo 1974 era apenas o delírio de alguns jovens arquitetos sonhadores ligando o Baú a nada. O CPA em si era uma loucura: “Nem no ano 2000 vai ter 60 mil habitantes!”, diziam os críticos. Hoje, já engarrafada, a avenida é um orgulho urbanístico cuiabano e uma das imagens de Cuiabá preferidas na internet.
Foi lembrado o Shopping Popular, no Porto, certamente não tanto por sua plástica. Criado em 1994 numa rua abandonada para ser um espaço provisório descoberto com instalações de apoio, destinado a cerca de 200 barracas dos então ocupantes das praças centrais de Cuiabá que acreditaram no projeto da prefeitura. Após implantado foi crescendo, depois coberto e de puxadinho em puxadinho virou esse querido centro popular de compras. Falavam que os “camelôs” logo voltariam ao centro e o galpão seria abandonado. Um elefantão branco. Mas foi muito bem pensado em um plano coordenado pelo IPDU para o comércio alternativo de Cuiabá. No plano foram criados também os Mini-Shoppings e as Galerias Populares para os que quisessem continuar no centro histórico. Difícil convencer que aquele ponto do Shopping Popular seria economicamente viável ainda sem a implantação do binário da XV de Novembro/Cel. Duarte, mesmo com as juras da prefeitura de que seu plano era sério e que nenhum outro grupo voltaria ao centro com o comércio ilegal (e estão voltando). Acreditaram e deu certo.
Podiam ser citados outros ex-futuros elefantes brancos. O Sesc Arsenal, que maravilha! Para muitos ia além da civilidade cuiabana e logo estaria todo quebrado, rasgado, sujo e abandonado. Qual o que, está lá como uma jóia amada e visitada por todos. Concluo com o belíssimo Terminal Rodoviário de Cuiabá, exemplo de dimensionamento correto, fruto de um prognóstico perfeito e corajoso sobre o futuro de Cuiabá na época. Com mais de três décadas, funciona belo em toda sua elegância tardo-modernista, apropriado ao clima, contrariando aqueles que viam naquela imensa obra apenas mais um lance de irresponsabilidade com o dinheiro público. Uma aula de arquitetura, um patrimônio a ser tombado urgente. Mas isso é outro assunto.
(Publicado no Diário de Cuiabá em 30/11/12)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

10 ANOS DO AQUÁRIO

José Antonio Lemos dos Santos

Não há como deixar de comemorar os 10 anos do Aquário Municipal de Cuiabá, completados no último dia 5 de fevereiro. Um dos equipamentos urbanos mais queridos da população, sendo inclusive adotado como um dos cartões postais da cidade, o Aquário é um dos projetos que mais me agrada, desde sua elaboração até os dias de hoje, na continuidade de sua visitação, com a alegria das crianças surpresas diante dos peixes colocados bem à altura de seus olhos ou disputando a ração que jogam no tanque externo. Satisfação que continua no semblante dos pais e mães, avos e avós, acompanhantes extasiados com a felicidade de seus pequenos, ou mesmo encantados com a visão de uma espécie que, mesmo adultos, ainda não tinham conhecido, ou cuja beleza plástica nunca haviam percebido com vida, só como protagonista de muitas das diversas maravilhas de nossa culinária. Um passeio que também é uma aula para crianças e adultos.
O aquário entusiasmou todos desde que surgiu a idéia. O então prefeito Roberto França iniciando seu primeiro mandato aprovou a proposta de revitalização da Beira-Rio e do Porto que vinha das administrações anteriores, mas entendeu que no projeto do Museu do Rio faltava o personagem principal, o peixe. Determinou então que fosse projetado um aquário anexo, onde pudessem estar expostas todas as espécies de peixes do rio Cuiabá e pantanal. O tempo era escasso pois os recursos tinham curto prazo para aplicação e as referências para projeto de um aquário estavam sempre além do que podia a prefeitura. Com o arquiteto Ademar Poppi encontramos uma solução própria, um partido arquitetônico adequado e exeqüível nas condições existentes, e que virou referência para projetos similares em outros estados.
E depois do projeto, a construção e a maratona para coleta dos exemplares que iriam ocupar o aquário. No dia da inauguração o professor doutor Francisco Machado ainda mergulhava no Pantanal atrás de um certo camarão e uma espécie de acará que faltavam. A poucas horas da inauguração o prefeito trazia pessoalmente de seus tanques de criação as piraputangas e pacus, alguns dos quais ainda vivos hoje no aquário. Ao mesmo tempo a engenheira Maristela Okamura produzia as placas e banners informativos, tudo sempre com a presença de Teruo Izawa, o anjo do Aquário, cuidando até hoje dos peixes, ainda que sem nunca ter recebido o justo e merecido reconhecimento da prefeitura.
Milhares de pessoas estiveram na inauguração do Aquário, que recebeu nestes 10 anos mais de 1 milhão de visitantes. Hoje tem uma média superior a 100 visitantes por dia. Poderia estar em melhores condições, mas sua manutenção nunca foi equacionada, desde o início. Uma pena pois foi idealizado como uma estrutura auto-sustentável, junto ao Museu do Rio. A sustentabilidade que jamais conseguimos viria da venda de lembranças relacionadas ao Aquário, ao rio e sua cultura, como chaveiros, bonés, camisetas, fotos, livros diversos, vídeos e CDs, etc. Embora não viabilizadas, buscou-se também parcerias com as secretarias de educação do município e do estado, em troca do baita equipamento educacional utilizado por muitas escolas de Cuiabá e do estado ao longo destes 10 anos. Buscou-se ainda as faculdades de veterinária da cidade, infrutiferamente. Pretendia-se evitar a cobrança de ingressos que hoje é a única garantia de sobrevivência do Aquário, cobrança que não discordo na situação, pois se paga bem mais só para estacionar um carro em qualquer shopping ou em ruas centrais da cidade, em especial no nosso aeroporto - o muquifo internacional em que a Infraero recepciona/decepciona os que chegam a Mato Grosso. Quem sabe a Copa venha a ser também a chance de viabilização do Aquário?
(Publicado no Diário de Cuiabá em 09/02/2010)