"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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terça-feira, 26 de junho de 2012

ELEFANTES DOURADOS II

José Antonio Lemos dos Santos




     As modernas arenas são sofisticadas plataformas midiáticas destinadas a expor ao mundo um país, uma cidade ou região através de eventos múltiplos de interesse nacional ou internacional, fazendo o marketing de seus diversos produtos em todas as áreas. O retorno de seu investimento envolve uma substancial parcela não contabilizável, distribuída direta e indiretamente nos mais diversos setores da sociedade. A Arena Pantanal, o maior equipamento urbano construído em Mato Grosso, fora o complexo Termelétrica/Gasoduto, deve ser tratada como um instrumento de política de desenvolvimento regional, bancada e controlada pelo estado. Este raciocínio, exposto em mais detalhe no artigo anterior traz muitas questões e desafios. Vamos às principais.

     A primeira preocupação é com a ideia de redução no número de assentos da Arena após o evento da Copa 2014, aventada desde seus primeiros projetos visando à diminuição dos seus custos de manutenção no período pós-Copa, um raciocínio equivocado inconciliável com a grandeza de visão daqueles que viram na Copa a oportunidade para um salto qualitativo no desenvolvimento de Mato Grosso. Além de uma dimensão mínima adequada à viabilização de grandes eventos, os custos das novas arenas estão na sofisticação de suas redes de processamento de dados e comunicação, nas estruturas para a imprensa e serviços de segurança, bem como na qualidade de seus ambientes arquitetônicos, capazes de receber desde o espectador individual até chefes de estado.

     E é justamente todo esse refinamento tecno-arquitetônico que faz das novas arenas uma inovação contemporânea, e que fará da Arena Pantanal uma das 12 plataformas de divulgação do Brasil, maravilhas globais que estão sendo implantadas no país. A redução de 42 mil para cerca de 30 mil assentos, em nada ou quase nada reduziria seus custos, a não ser que viesse acompanhada de um desmanche geral de seus sistemas operacionais. Nesse caso estaríamos inviabilizando totalmente o privilégio de ter nossa arena, retornado à visão menor do antigo estádio de futebol, que, aí sim ficará muito caro, após ter sido construído com os custos de uma arena multifuncional midiática.

     Uma vez tomada a acertada decisão de disputar uma das sedes da Copa e bancar seus investimentos preparatórios, a solução pós-Copa é trabalhar os seus legados visando extrair deles o máximo de benefícios. No caso da Arena Pantanal, é evidente que será preciso montar uma estrutura especializada para sua gestão, talvez até em conjunto com o Ginásio Aecim Tocantins. Não se pode pensar diferente um complexo para eventos de grande porte que, com o Ginásio, envolve investimentos superiores a R$ 1,0 bilhão. Sua estrutura de gestão deve estar capacitada para criar e viabilizar eventos internacionais tendo como pano de fundo o Pantanal, o Centro da América do Sul, o celeiro mundial que é Mato Grosso, bem como correr o Brasil e o mundo disputando com as outras arenas a agenda internacional de shows e eventos diversos, trabalhando com um ano ou dois de antecedência.

     Porém, que nisso tudo o futebol também seja prioridade na Arena pantaneira. Entendo que a FIFA, com a CBF e a CONMEBOL, tem um dever moral para com as arenas que estão sendo construídas com maiores sacrifícios e riscos, que confiaram de imediato no projeto da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, como é o caso de Cuiabá. A Arena Pantanal, assim como a das Dunas e da Amazônia, no mínimo devem ser pensadas como campos preferenciais da seleção brasileira. Mas que o futebol local também tenha sua vez, afinal foi ele que deu de entrada o seu templo sagrado, o antigo Verdão, num sacrifício à vista, irrevogável. Só que este assunto é desafio para outro artigo. 

(Publicado em 26/06/2012 pelo Diário de Cuiabá)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A COPA NO CORAÇÃO DA AMÉRICA

José Antonio Lemos dos Santos


     Esperada hoje em Cuiabá, a comissão de vistoria da FIFA chega ao coração da América do Sul, seu centro geodésico, marcado pelo Marechal Rondon quando da execução do primeiro mapa moderno do Brasil e do continente sul-americano, no início do século passado. Para aqueles que amam o futebol e seguem com atenção sua expansão pelo mundo, trata-se de uma data significativa, que bem poderia simbolizar a conquista dos cinco continentes pelo futebol, com a presença oficial de sua entidade máxima no ponto exato mais interior de um continente.
     Porém o simbolismo da presença da FIFA no centro da América do Sul vai além da planetarização do futebol, referindo-se também de forma específica à sua consolidação na totalidade de um continente onde até bem pouco tempo duvidava-se se o futebol arranjaria seu espaço em alguns países então dominados por esportes como o beisebol e outros. Hoje a vitória é plena, com o futebol arrebatando cada vez mais as paixões em todos os países sul-americanos.
     A comissão da FIFA chega hoje também à terra de um dos maiores responsáveis, senão o maior, pela realização em 1950 da primeira Copa do Mundo no Brasil, o Presidente da República da época, Eurico Gaspar Dutra. Seu governo queria mostrar ao mundo um Brasil novo, que deixava de ser predominantemente rural para entrar na era da industrialização, com grandes cidades, a Companhia Siderúrgica Nacional recém inaugurada, Paulo Afonso sendo construída e a Rio-São Paulo em pavimentação. Assim apoia a realização da Copa e determina a construção do Maracanã, que foi por muito tempo o maior estádio de futebol do mundo, justo orgulho nacional, uma das maiores razões para a fixação do futebol como a maior paixão esportiva nacional.
     No Aeroporto Marechal Rondon a comissão chega a Várzea Grande que forma com Cuiabá a maior cidade do oeste do Brasil, metropolitana, com quase um milhão de habitantes. Surgida no início do século XVIII, foi a pioneira no ocidente brasileiro, celula mater dos estados e municípios entre os limites do Acre e o extremo de Mato Grosso do Sul. Às vésperas de completar seu terceiro século de existência, Cuiabá tem seu centro tombado como patrimônio histórico nacional ao mesmo tempo em que é uma cidade moderna, dinâmica e globalizada, polarizadora de uma das regiões mais dinâmicas do planeta, em condições plenas de pleitear a sub-sede pantaneira da Copa de 2014.
     Fora estas considerações preliminares, que parecem menos importantes aos que não podem contar com elas, Cuiabá é uma cidade situada no pantanal propriamente dito, em suas franjas, e pode aliar o conforto da vida urbana com as maravilhas do santuário ecológico bem próximas. Através de diversos acessos curtos e confortáveis o turista pode conhecer o pantanal em ângulos variados, seja o pantanal das grandes baias e das velhas usinas de açúcar de Barão de Melgaço e Leverger, o pantanal da transpantaneira de Poconé, ou ainda o pantanal das antigas charqueadas e da ecovia do Paraguai em Cáceres.
     Mais importante ainda é que, junto ao divisor de águas amazônicas e platinas, Cuiabá é uma plataforma de acessos a todas as atrações naturais de Mato Grosso que além do pantanal, oferece as belezas do cerrado, da floresta amazônica, e - por que não? - das plantações e criações tecnicamente mais desenvolvidas no mundo, em viagens panorâmicas, com o apoio de outras cidades bem estruturadas, confortáveis e hospitaleiras. Em Cuiabá, e só em Cuiabá, a Copa do Mundo homenageará o pantanal e toda a natureza marcando para sempre o coração sul-americano.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 03/02/09)