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sábado, 17 de setembro de 2011

EFEITO COPA: AMPLIAÇÃO DA REDE HOTELEIRA

Mais hotéis em 2012

Investimentos de R$ 42,25 milhões em Cuiabá visam atender à forte demanda prevista para os próximos anos


Hotel Paiaguás: ampliação com investimento de R$ 22,80 mi garante mais 152 novos apartamentos
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem

Favorecidos pelo bom momento vivido pelo setor hoteleiro de Mato Grosso, os empresários não param de planejar e construir. Além das torres em construção e outras que já foram inauguradas este ano, o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso (SHRBS/MT) anuncia a conclusão de três novos projetos em março de 2012, totalizando investimentos de mais R$ 42,25 milhões e 282 apartamentos. O primeiro é o da nova torre do hotel DeLuca’s, com 77 apartamentos na Avenida Rubens de Mendonça (R$ 11,55 milhões), e os outros são projetos de ampliação que ficam concluídos também no primeiro trimestre do próximo ano: o do Hotel Paiaguás (Avenida Rubens de Mendonça), com 152 novos apartamentos (R$ 22,80 milhões), e o do Amazon Plaza Hotel (Avenida Getúlio Vargas), totalizando 7,9 milhões na construção de 53 novos apartamentos.

De acordo com o presidente do SHRBS/MT, Luís Carlos Nigro, para 2013 é projetada a conclusão do Hotel Global Golden, com 168 apartamentos, no Bosque da Saúde, e investimentos de R$ 30,24 milhões. “É apenas o começo deste novo ciclo de crescimento que já havíamos anunciado há mais de um ano”, lembra o empresário.

Desde que Cuiabá foi confirmada como uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014, foram anunciadas 10 torres de hotéis, todas em construção ou já concluídas. Só este ano, três empreendimentos de grande porte entram em operação, sendo que o primeiro - o Hotel Gran Odara -, com 142 apartamentos na Avenida Miguel Sutil e investimentos da ordem de R$ 25 milhões, já está funcionando e, no próximo mês de novembro, outras duas torres começam a operar: o Serras, com 90 apartamentos na região do Jardim das Américas (investimentos de R$ 13,50 milhões), e o Asas Slavieiro, no Bosque da Saúde, com 84 apartamentos e investimentos de R$ 12,60 milhões. No total, são mais de R$ 50 milhões e cerca de 1,1 mil novos leitos.

Além de tudo o que já foi feito e o que está previsto até 2013, os empresários estão prevendo a chegada de mais 10 empreendimentos de grande porte, incluindo o Íbis e Atlântica, representando mais mil novos apartamentos e investimentos em torno de R$ 135 milhões.

Conforme explicou Luís Carlos Nigro, as novas acomodações que estão sendo construídas no Estado visam atender ao forte crescimento da demanda previsto para os próximos anos, fomentado principalmente pela expectativa da realização da Copa 2014. O problema, segundo ele, é se Cuiabá terá demanda suficiente para a ocupação dos hotéis no futuro.

“A nossa preocupação não é só atender a demanda projetada para a Copa, o que de imediato justificaria a grande avalanche de investimentos. Infelizmente, muitos enxergam desta forma e não se preocupam com o pós-Copa”, pondera. Empresários avaliam que a Copa é um evento de 45 dias, mas o investimento em um novo hotel se paga em dez anos.

(Diáio de Cuiabá 15/09/2011)

terça-feira, 19 de abril de 2011

CUIABÁ, ONDE A COPA AVANÇA

José Antonio Lemos dos Santos


     O artigo da semana passada acabou abatido pelo “fogo amigo” da Copa do Pantanal. A intenção era escrever sobre os benefícios que a Copa já está trazendo para Cuiabá e região, mas o fogo intenso da artilharia “amiga” na semana atingiu o texto e o artigo descambou para um nível que não estava à altura dos leitores. Resolvi poupá-los e tento refazê-lo agora de uma forma mais objetiva e civilizada.
     Sendo a menor das cidades dentre as sedes da Copa do Mundo de 2014, justamente por isso Cuiabá é uma das cidades que tende a ser mais beneficiada pelo extraordinário evento mundial. Qualquer investimento terá efeito significativo no perfil urbanístico e econômico da cidade. Uma cidade historicamente marginalizada por investimentos do governo federal, vê-se agora como um dos focos do mais importante compromisso internacional do país, cujo descumprimento trará enormes prejuízos à imagem que se quer mostrar ao mundo do Brasil como uma das potências planetárias emergentes. Aos olhos do mundo o Brasil tem que cumprir seus compromissos referentes à Copa.
     Além dos investimentos públicos, a Copa tem o poder de atrair grandes investimentos privados. Ao contrário do que vem acontecendo, ou melhor, do que não vem acontecendo com os compromissos dos poderes públicos federal, estadual e municipais (Cuiabá e Várzea Grande), o evento já vem carreando para Cuiabá empreendimentos privados importantes e é neste campo que a Copa avança. Como não registrar a implantação de duas fábricas de cimento no vale do Cuiabá, uma no próprio município de Cuiabá e outra em Rosário Oeste? Não tenho os números de cabeça, mas os dois empreendimentos juntos devem envolver em curto prazo cerca de R$ 800,0 milhões e mais de 2 mil empregos. É pouco? Pode não ser para São Paulo, Belo Horizonte e outras cidades maiores que a nossa, mas para Cuiabá e região certamente trata-se de benefícios consideráveis e não podem passar despercebidos.
     Como não comemorar a reativação das obras de ampliação do segundo maior shopping do estado, paralisadas há alguns anos e sem perspectivas de reativação? Não tem relação com a Copa? É claro que tem e o mesmo vale para a notícia da instalação de um novo e grande empreendimento do gênero, programado para a avenida Miguel Sutil. Devem ser destacados ainda os empreendimentos do setor hoteleiro. Fora os planejados, só na mesma avenida Miguel Sutil três novos empreendimentos hoteleiros, dois dos quais em fase de conclusão e outro já concluído. Na avenida do CPA, mais dois empreendimentos com obras em pleno andamento, sendo um deles um grandioso projeto que se encontrava paralisado há décadas. Cinco hotéis em uma cidade como São Paulo pode não significar nada, mas para Cuiabá representa muito.
     O grande problema está nos projetos a cargo dos governos, que não avançam, dando a impressão de que tudo está parado e em sério risco de contaminar todo o processo. Não sei se serve como consolo para nós cuiabanos, mas isso vale para o Brasil inteiro. Aliás, a Copa já deu para o Brasil um diagnóstico cruel, mas verdadeiro, mostrando que este país que queremos tão moderno e dinâmico está na verdade enredado em uma poderosa teia nada republicana, trançada com os fortes fios de uma burocracia cada vez mais barroca, corporativa e incompetente, reforçada por uma corrupção epidêmica e um sistema político marcado pela mais nefasta forma de politicagem que se tem notícia na história do país. Este é o verdadeiro quadro que a Copa está expondo ao mundo e a nós brasileiros. A realização da Copa implica em livrar o país desta poderosa teia. Se conseguir será seu maior legado. Se não, nem Copa, nem BRIC, nem nada. Só a conta e a vergonha, vexame globalizado.