"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



Mostrando postagens com marcador Palácio Alencastro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Palácio Alencastro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de abril de 2014

MATRIZ DO TRICENTENÁRIO

José Antonio Lemos dos Santos

     Desde que Cuiabá foi escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 tenho repetido que essa surpreendente e não sonhada regalia foi um artifício do Senhor Bom Jesus de Cuiabá para dar uma sacudida em nós cuiabanos forçando-nos a entrar no ritmo dos novos tempos de sua cidade, condição para compreendê-la e prepará-la para o seu Tricentenário. Da escolha em 2009 até hoje 5 anos se passaram rapidamente, a Copa chegou e já virou passado em termos de planejamento. Para a Copa do Pantanal, resta-nos concluir as obras que ainda possam ser concluídas a tempo e correr para o abraço na recepção aos visitantes, fazendo a festa da melhor maneira possível.
     A Copa nos fez olhar para o futuro, pensar em projetos para a cidade, correr contra o tempo, discutir obras - seus avanços e transtornos - torcer para tudo dar certo, e esse redirecionamento de perspectiva foi bom e precisa ser cultivado como um dos principais legados do grande evento. Cuiabá não pode perder este pique e para não perdê-lo é fundamental o estabelecimento já de um novo objetivo macro, com data fixa, o Tricentenário, escrito com inicial maiúscula como são tratadas as efemérides. Está bem aí a 5 anos, tempo muito curto como nos ensinou duramente a Copa, com relógios e calendários correndo cada vez mais rápidos. É preciso agir desde agora estabelecendo já uma nova matriz de responsabilidade com metas e projetos a serem alcançados em 2019, nos moldes da que foi feita para a Copa, agora a matriz do Tricentenário, pactuada não mais com a Fifa, mas entre os cuiabanos e sua cidade, os mato-grossenses e sua capital, os brasileiros e a cidade que alargou os horizontes ocidentais do Brasil. 
     Arrisco-me a iniciar com algumas propostas óbvias. A primeira seria concluir ainda dentro do atual governo as obras da matriz da Copa que não ficarem prontas para o evento, o máximo que for possível. A permanência do governador Silval Barbosa até o final de seu mandato foi um gesto fundamental de responsabilidade e visão pública. As obras da Copa correm o risco de dependerem da grandeza ou da mesquinhez política do futuro governador, já que temos a tradição canalha dos governantes não darem continuidade às obras dos antecessores no absurdo raciocínio de que favoreceriam o concorrente. Não só param as obras como prejudicam o funcionamento das que foram concluídas e para isso usam de explicações verdadeiras ou não, tais como corrupção ou mudança de prioridades. Param as obras, mas não punem os supostos corruptos. Punem o povo. E estão descobrindo que obras públicas dão muito trabalho e polêmicas e é muito mais confortável não fazê-las. 
     Uma outra proposta para matriz do Tricentenário seria a revitalização do Centro Histórico de Cuiabá, com rebaixamento da fiação, expandido a toda a área central da cidade, trabalhando o passado dentro de uma perspectiva de futuro, como deve ser feito. Este é um projeto que vem rolando há décadas e que parece estar bem avançado em termos de viabilização pela prefeitura, estado e união. Mas para aprontar e funcionar em 2019 é preciso começar já. Assim também o projeto do atual prefeito de um centro administrativo municipal, no qual só ressalvo que o atual Palácio Alencastro seja preservado como gabinete oficial do prefeito e sede simbólica do poder político de Cuiabá, sob pena de matar o centro histórico da cidade. Importante também seria presentear a cidade com um órgão moderno para o planejamento urbano contínuo de longo prazo de forma que a cidade não evolua mais aos saltos de curto prazo. São muitas as alternativas de projetos a serem avaliadas, com os pés no chão. 2019 já começou. Não dá para subestimar o tempo, o único recurso realmente não renovável. 
(Publicado em 29/04/2014 pelo Diário de Cuiabá, ...)

terça-feira, 16 de junho de 2009

O VERDÃO DAS TRÊS ARENAS

José Antonio Lemos dos Santos


     Descontando a liderança pessoal do governador Blairo Maggi e o apoio de Agripino Bonilha, construtor do Verdão, duas atitudes me transmitiram confiança na proposta da Copa do Pantanal em Cuiabá. Uma foi a contratação de um dos mais renomados escritórios especializados em arquitetura esportiva no Brasil para o projeto do novo Verdão. Outra foi a escolha do local para a nova arena, lá mesmo no bairro Verdão, assegurando que os investimentos beneficiem a cidade atual.
     O atual Verdão é um dos mais belos estádios do Brasil, funcional e adequado à topografia local e ao clima da cidade. Sigo o futebol em Cuiabá desde criança, de Fulepa até Rogério Ceni, Hugo Alcântara, Robinho e Buiú. Normalmente sou um daqueles 200 sempre presentes ao Verdão. Assim, mesmo sentido, aceitei o sacrifício do velho estádio pelo novo, pois a superposição das plantas seria essencial ao uso inteligente da declividade do terreno como redutor de custos.
     Porém, ainda na euforia da conquista da sub-sede, tremi nas bases ao saber que o primeiro projeto ia ser mudado e o escritório de arquitetura também. Como muitos, temi pelo futuro da sub-sede recém conquistada e pela seriedade com que o assunto estava sendo tratado. Restaram as figuras do governador e de Bonilha inspirando confiança e a espera pela divulgação do novo projeto com as devidas explicações.
     Pelo divulgado, o novo projeto traz boas inovações, tais como a inserção da vegetação entre as arquibancadas e a multifuncionalidade – esta ainda carente de maiores explicações. Mas, o novo estádio foi deslocado, deixando a superposição com o velho estádio, cuja demolição ficou então sem sentido. Se desnecessária, seria a perda de um patrimônio arquitetônico de valor imenso, nada desprezível. Lembrando a antiga Catedral e o velho Palácio Alencastro, duplo remorso que ainda fustiga o fundo da alma cuiabana, repito um leitor orgulhoso com a Copa, mas que me pergunta em mal disfarçado lamento: porque em Cuiabá para fazer o novo sempre se tem que destruir o antigo?
     Recordista em desenvolvimento, Mato Grosso logo desenvolverá também o atletismo em suas diversas modalidades, com competições de alto nível e muitos atletas locais, do porte de Jorilda e Nadir Sabino, por exemplo. O antigo Verdão atendia estes esportes – embora nunca usado para esse fim - e o novo não; é exclusivo para o futebol. Vamos ter que construir outra praça de esportes para o atletismo?
     As imagens divulgadas sugerem que um pequeno deslocamento na locação do novo estádio, sem alterar seu projeto, permitiria o aproveitamento do antigo Verdão como uma praça multi-esportiva, podendo receber, além do atletismo, a prática permanente de diversos esportes do gosto dos mato-grossenses, tais como as várias formas do motocross do nosso campeão Joaninha, o autocross, o bicicross, o skatismo, o aeromodelismo, o volei de praia e outros, em arenas independentes, de acordo com suas possibilidades de compatibilização no espaço. Com a grande vantagem da instalação de suas respectivas federações, alojamentos de atletas, restaurante, ao longo do fosso do velho estádio, como previsto em seu projeto original e não construído, assegurando também sua multifuncionalidade viabilizadora.
     Parecem boas as chances de termos um inédito parque esportivo com três arenas, com o aproveitamento do atual Verdão. Caso ainda não tenham sido devidamente avaliadas, valeria a pena fazê-lo. Se comprovadamente inviável, bola para frente. Logo teremos um novo estádio, talvez com um cantinho para as boas lembranças do Verdão, e, importante, sem um remorso a mais a fustigar a alma cuiabana.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 16/06/09)