"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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terça-feira, 13 de setembro de 2011

JÚLIO DE LAMONICA FREIRE



                                                                                                              (10/11/1937 – 11/09/2011)

JÚLIO DE LAMONICA FREIRE, arquiteto e urbanista cuiabano, após formado pela UnB em 1970, retornou a Cuiabá onde participou e ajudou na criação do Grupo de Trabalho que projetou e coordenou a construção do Centro Político-Administrativo  (CPA). Vinculou-se também à recém criada Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) onde posteriormente veio a ser um dos fundadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo daquela instituição federal de ensino superior, tendo nela desempenhado diversas funções ao longo de sua carreira de professor.  Além de assessorar o governo do estado, Júlio De Lamonica Freire também foi assessor técnico da prefeitura de Cuiabá em períodos diversos. Jamais deixou de se preocupar com os destinos  da profissão e da responsabilidade social do arquiteto enquanto  categoria profissional e parcela importante da cidadania, tendo  participado ativamente de movimentos civis como o que no início da década de 80 reivindicava a instituição do planejamento urbano em Cuiabá (que veio a gerar o IPDU,  extinto este ano) assim como, desempenhou as funções de Conselheiro  do CREA-MT por longo período e participou da criação do Departamento de Mato Grosso do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB_MT)  e da Associação Profissional dos Arquitetos de Mato Grosso  (APA-MT),  entidade precursora do atual Sindicato dos Arquitetos de Mato Grosso – SARQ-MT.  Ultimamente acompanhava o processo de criação e instalação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), tanto em nível nacional, como em nível de estado. Além de graduado em Arquitetura e Urbanismo,  alcançou o grau de Mestre na ECA-USP.  Deixou os livros “Por uma Poética Popular na Arquitetura” e “Cuiabá , nosso bem coletivo”.  Para nós da UNIC o professor Júlio De Lamonica Freire tem uma importância especial  pois foi ele que, convidado pelo então Reitor Altamiro Belo Galindo, mesmo já aposentado na UFMT  aceitou o desafio  e começou a construção do nosso  curso de Arquitetura e Urbanismo, pedra a pedra, montando aos poucos sua equipe de trabalho e só deixando a coordenação do curso após consolidado.  O professor arquiteto Júlio De Lamonica Freire nos deixou na madrugada de domingo, aos pingos de uma das primeiras chuvas que preparam a próxima primavera.  Por isso os cursos de Arquitetura e Urbanismo da UNIC  prestam-lhe hoje e amanhã esta homenagem em sinal de respeito, admiração e gratidão ao grande homem, chefe de família, cidadão  e arquiteto, paradigma do profissional que buscamos formar nesta academia. Deixou viúva a professora Doutora Maria de Lourdes Bandeira De Lamonica Freire,  apoiadora e incentivadora, filhos e netos.

PROFESSOR  JÚLIO , OBRIGADO!
Cuiabá, 11 de setembrp de 2011.

terça-feira, 14 de junho de 2011

13 DE JUNHO, UM MONUMENTO À PAZ

José Antonio Lemos dos Santos


     Como faço a cada ano, homenageio de novo o dia 13 de junho. Não para celebrar a guerra, mas para reverenciar mártires, herois ou não, nem mocinhos, nem bandidos, nem vencedores ou perdedores, todos vítimas do absurdo que é a guerra, qualquer guerra. 13 de Junho lembra o maior dos sacrifícios vividos pelos cuiabanos e paraguaios. Já foi matéria escolar, mas hoje quase ninguém sabe que o maior conflito das Américas ocorreu aqui na América do Sul, e que Cuiabá pagou caríssimo por ele. A Guerra do Paraguai reuniu Brasil, Argentina, Uruguai e interesses ingleses contra o Paraguai, na época o país mais poderoso na América Latina. E Mato Grosso foi o principal palco dessa tragédia.
     Na Guerra do Paraguai, um dos momentos épicos protagonizado pelos cuiabanos foi o da Retomada de Corumbá, a 13 de Junho de 1867, cidade então mato-grossense e que havia sido apoderada pelos paraguaios. Organizados pelo presidente do estado Couto Magalhães e comandados pelo então capitão Antônio Maria Coelho os cuiabanos foram lá, desafiaram o maior poder bélico do continente e retomaram para o Brasil a importante cidade, num “fato heroico exclusivamente cuiabano”, conforme nos ensina Pedro Rocha Jucá. Só com forças militares locais, acrescidas de voluntários, sem ajuda de fora.
     Infelizmente, a história não parou na Retomada. As tropas retornaram à Cuiabá contaminadas com varíola. A epidemia tomou conta de Cuiabá, matando mais da metade de sua população. Segundo Francisco Ferreira Mendes, em cada casa havia ao menos um doente, e “a cidade ficou juncada de corpos insepultos, atirados às ruas, cuja putrefação impestava mais a cidade com a exalação produzida pela decomposição. Determinou o governo a abertura de valas e a cremação de cadáveres no campo do Cae-Cae, medida que se tornou ineficaz. Não raro eram vistos cães famintos arrastando membros e vísceras humanas pelas ruas”.
     13 de Junho deve lembrar sempre a epopeia de bravura e dor de um povo humilde, mas determinado. A história de gente de carne e osso, cujos descendentes andam aí pela cidade em seu dia-a-dia, sem lembrar que nas veias levam o valoroso sangue de seus bisavós, o mesmo que vem bravamente construindo e defendendo Mato Grosso e o país por quase três séculos. Hoje, no Cae-Cae nenhuma homenagem. A cidade cresceu e abraçou o campo santo. Dizem que queimada pelas velas desapareceu a cruz que ainda existia ano passado. Resta a igrejinha onde as missas dominicais são “pela intenção dos bexiguentos”, embora a maioria dos fiéis nem saiba mais do que se trata.
     Como sede da Copa do Pantanal em 2014, Cuiabá e Mato Grosso mais uma vez serão palco de um megaevento internacional, agora pacífico. A Avenida 8 de Abril é um dos principais acessos ao novo Verdão e sua interseção com a Ramiro de Noronha e Thogo Pereira é um ponto crítico a ser solucionado, até como alternativa de ligação direta entre as Avenidas Miguel Sutil e XV de Novembro. Esse projeto urbanístico poderia abranger a contígua Praça do Cae-Cae, compondo uma nova capela em uma nova praça, e nesta um monumento à paz - à paz platina e à paz mundial - homenageando os herois e mártires de todas as guerras, de todos os lados, em nome de nossos irmãos e hermanos, da polca e do rasqueado, do guaraná e do tereré, vítimas de uma mesma tragédia que precisa ser lembrada para jamais ser repetida. Sei que o assunto conta com simpatias na Agecopa, na Secretaria Estadual de Cultura com o historiador João Malheiros, e que também vem sendo avaliado com carinho pela paróquia local. Seria mais uma atração turística no coração sul-americano, e palco para uma cerimônia internacional pela paz no mundo, em plena Copa do Pantanal. Por que não?
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 14/06/11)


Abaixo matéria do Midianews postado em 27/06/11 às 08:41

Júlio sugere que Agecopa construa monumento à Paz


Deputado quer homenagear os mortos da Guerra do Paraguai

Júlio Campos relembra que Cuiabá sofreu com a batalha

DA ASSESSORIA





O deputado federal Júlio Campos (DEM) sugeriu que a Agecopa inclua entre as obras da "Copa do Pantanal" um monumento à Paz, na Praça do "Cae Cae". Isso em homenagem as pessoas que, bravamente, perderam suas vidas na guerra com o Paraguai, na retomada do território de Corumbá à Mato Grosso, muitos caiam e lá mesmo eram enterrados por haver verdadeira multidão de cadáveres.
A sugestão do parlamentar foi feita com base no pedido do arquiteto e urbanista José Antonio Lemos dos Santos escreveu o artigo 13 de Junho, Um Monumento à Paz, que bem retratou a fibra do povo cuiabano, do povo mato-grossense em relação à retomada de Corumbá do Paraguai.
"A guerra exterminou 50% da população cuiabana, pois os soldados retornaram à Cuiabá com varíola. Este artigo relembra essa data e sugere que na nova Cuiabá, no novo Mato Grosso, hoje forte e pujante, não seja esquecida essa grande data e seja feito um monumento especial para homenagear aqueles heróis mato-grossenses sepultados no Cae-Cae", afirmou o deputado.
De acordo com o deputado, Mato Grosso sofreu muito com a Guerra do Paraguai e foi um dos estados dos países em guerra que mais teve enfrentamento naquela tríplice aliança entre Brasil, Argentina, Uruguai contra o Paraguai.