"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



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domingo, 28 de março de 2021

VACINAÇÃO NO BRASIL 280321

 José Antonio Lemos dos Santos

     Como era esperado,  hoje, dia 28/03/2021, Domingo, o Brasil ultrapassou a marca de 20 MILHÕES de vacinas aplicadas. Chegamos a 20.204.147 doses aplicadas (1ª e 2ª) o que significa 7,32% da população brasileira vacinada. Foram vacinadas em 24 horas 276.849 pessoas, um número menor considerando o Domingo, porém mais que o dobro do Domingo passado (104.618). Uso como base os dados do consórcio de veículos de imprensa atualizados até às 20h(DF) de cada dia e publicados pelo G1. Apenas 4 países no mundo apresentam desempenhos superiores, EUA, China, Índia e Reino Unido, segundo dados do site Our World In Data. As doses aplicadas representam 65, 91% das doses distribuídas aos estados. 

     Mato Grosso não divulgou ao consórcio novos dados para hoje, (junto com outros 13 estados e o DF) mantendo então os dados de ontem. Foram recebidas um total de 393.060 doses e aplicadas  ?????, permanecendo 4,35% da população do estado vacinadas sendo aplicadas até hoje 54,7 % das doses recebidas, com ????? sendo aplicadas no dia. 

     Penso que MT ainda não acertou numa metodologia ágil e segura para vacinar sua população. Ontem estava em penúltimo lugar em população vacinada por habitante, só na frente do Pará. Enquanto a vacinação cresce acentuadamente no país, em MT cai de forma temerária nos últimos dias, 6.138, 5394, ontem 1063 e hoje com dados não disponíveis. Creio que seja hora da sociedade civil cobrar do governo estadual e dos prefeitos.

     Ainda assim são boas notícias em meio a tragédia que nos assola. Ainda é pouco e teríamos que chegar no mínimo na casa das 1 milhão de doses aplicadas por dia e a média diária nacional móvel nos últimos 7 dias ainda está em 665.639. A vacinação é uma política do estado brasileiro, e ao compartilhar estes dados, além de tentar levar alguma esperança, quero homenagear este trabalho hercúleo que vem sendo feito de norte a sul do Brasil pelo SUS que é uma instituição tripartite envolvendo os governos federal estadual e municipal, não só deste ou daquele governante. A vacina sempre foi a grande esperança nesta tragédia da COVID-19. Vale a pena acompanhá-la.

sábado, 19 de novembro de 2016

MATO GROSSO POR INTEIRO

gopantanal.com.br

José Antonio Lemos dos Santos

     O encontro em Cuiabá no dia 14 passado do governador com o ministro das Relações Exteriores um dia poderá ser considerado um marco na história do desenvolvimento de Mato Grosso, extrapolando a região de Cáceres, foco principal da reunião. Os assuntos tratados abrangeram um conjunto de temas que podem ser sintetizados numa ambiciosa política de integração continental através da Hidrovia Paraguai-Paraná, tendo como ponto de partida a Princesinha do Paraguai. Mais importante, vai reintegrar o Mato Grosso platino ao desenvolvimento estadual, reforçando a unidade geopolítica do estado ameaçada pelo projeto de isolamento ferroviário da Grande Cuiabá.
     O porto e a ZPE de Cáceres são assuntos discutidos há décadas mas parece que agora é para valer pela abrangência da abordagem, envolvendo questões de logística, segurança, comércio e relações com os países vizinhos, inclusive com a programação de um grande encontro em Cáceres, para o qual já estariam convidados os ministros da Justiça, do Desenvolvimento, da Defesa e o próprio ministro das Relações Exteriores. José Serra também convidou o governador para uma reunião em Brasília com ministros do Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile, específica sobre a grave questão da segurança nas fronteiras comuns. Destaco a tese de que o desenvolvimento do Mato Grosso platino está amarrado à solução da questão da segurança na fronteira, e vice-versa. Uma coisa depende da outra.
     Da parte do desenvolvimento a reativação do porto de Cáceres com a implantação da ZPE é um ótimo começo. O porto será uma das principais portas de saída para os produtos mato-grossenses, muitos processados na própria ZPE, e será também a entrada para o desenvolvimento com as cargas trazidas pelo rio. Porém estes projetos demandam a criação da logística complementar, rodoviária, ferroviária e aeroviária. Aí entra então a retomada da ferrovia, hoje em Rondonópolis, passando por Cuiabá para chegar até Cáceres e Nova Mutum e daí aos portos do Pará e Pacífico, somando-se à FICO. Entram também a reativação do aeroporto de Cáceres, bem como, a consolidação do Aeroporto Marechal Rondon com a criação de voos internacionais, a começar pela prometida ligação com Santa Cruz de la Sierra. O aeroporto em Várzea Grande é a interface de globalização de Mato Grosso, poderosa ferramenta de desenvolvimento. Ao desenvolvimento regional ainda é fundamental que o gasoduto seja levado a sério dando-lhe confiabilidade como elemento propulsor da economia do porto, da ZPE e da Região Metropolitana do Cuiabá com vantagens econômicas e ambientais. Esse conjunto de fatores positivos viabilizariam a Região Metropolitana como um polo de verticalização da produção primária mato-grossense utilizando a mão de obra disponível em indústrias de vestuário, produtos em couro e beneficiamento de carnes, por exemplo.
     Mas não se pode pensar em desenvolvimento sem resolver a grave questão da segurança na fronteira, inviabilizada pelo poder da mais poderosa e cruel das armas inventadas pelo homem, a droga, ramificada em outros nefastos tráficos como o de veículos e armas. O Brasil vem sendo bombardeado por essa arma através da fronteira mato-grossense, arremessada em fardos por pequenas aeronaves em voos que escapam aos radares de segurança do espaço aéreo nacional. Por que não instalar em Cáceres uma Base Aérea aproveitando a pista de pouso asfaltada ali existente e ociosa? No controle da extensa fronteira, por mais zelosas que sejam as ações em terra, estas dificilmente alcançarão êxito sem um apoio ostensivo aéreo, com aviões de verdade, portadores do intimidador e vitorioso emblema da gloriosa Força Aérea Brasileira.
(Publicado em 19/11/16 pelo FolhaMax, NaMarra, 20/11/16 no MidiaNews, ArquiteturaEscrita, 23/11/16 no Diário de Cuiabá, no BlogDoValdemir, ...)
COMENTÁRIOS
Por e-mail
Cléber Lemes 19/11/16
"Parabéns Dr. José Antonio, pela excelente reportagem . Um abraço
​Cleber"

terça-feira, 21 de junho de 2011

COPA, A INTERVENÇÃO NECESSÁRIA

José Antonio Lemos dos Santos


     Parece ter muita gente com papel decisivo na preparação do país e de nossa cidade para a Copa do Mundo, para os quais ainda não caiu a ficha da extraordinária responsabilidade assumida. Para estes, apesar dos grandes valores financeiros e do potencial midiático que envolve, a Copa é apenas mais um projeto paroquial como qualquer outro no qual se pode pintar e bordar ao sabor de seus interesses ou de outras intenções menores. Ainda não entenderam que são parte de um grande projeto nacional, de interesse mundial, que tem a obrigação de ser um divisor de águas em termos de qualidade de vida urbana no país, principalmente para Cuiabá, Várzea Grande e todo Mato Grosso.
     Outro dia foi demais. Um ocupante de um dos cargos mais altos no governo federal - e representante de Mato Grosso! – cometeu a barbaridade de dizer que a Copa do Pantanal poderia ser transferida para Goiânia. Teria esquecido que a Copa do Mundo no Brasil ganhou mais duas sedes, completando as 12 escolhidas pela FIFA, em função das belezas do Pantanal e da Amazônia? “Pagot, oh, Pagot!”, como diria o senador Mario Couto, do Pará, por mais linda que seja – e é – terra de tantos amigos e com muito a ensinar em termos urbanísticos, Goiânia não tem o Pantanal. Para mim o diretor do DNIT quis desviar as atenções do contundente discurso do senador paraense feito na mesma semana no Senado contra sua pessoa. E conseguiu. Não lhe importou os prejuízos que suas palavras pudessem trazer à imagem da cidade, talvez até influenciando de forma negativa algum grande investidor na decisão por um empreendimento em Cuiabá. Cuiabá e Manaus foram escolhidas pelas maravilhas que são o Pantanal e a Amazônia, não pelo ranking das cidades melhores estruturadas do Brasil, caso em que muitas outras concorreriam. Ao contrário, o objetivo é prepará-las como plataformas turísticas, e esta é uma chance que Cuiabá não pode perder.
     Antes disso o presidente da Assembléia Legislativa resolveu medir forças com o governador Silval Barbosa recém-empossado, escolhendo como campo de batalha o projeto da mobilidade urbana, já anteriormente decidido pelo governo, aprovado pela própria Assembléia, com financiamento assegurado e em fase final de detalhamento. O governador aceitou a rediscussão e enquanto não se decide entre o VLT ou BRT os demais projetos aguardam para o detalhamento definitivo. Já o novo presidente da Agecopa decidiu mostrar seu poder mudando os locais dos Centros de Treinamento, que também já tinham seus projetos concluídos. Antes chegou a tentar mudar a cobertura da Arena Pantanal. Imagine! Mas o máximo veio com a insuperável Infraero. Segundo a empresa vencedora da licitação para a construção do “puxadinho”, o edital da Infraero usou endereço errado para a obra, no Aeroporto Marechal Rondon. A obra emergencial do “puxadinho” vai completar um ano de sua primeira licitação e até agora nada. Abre os olhos secretário Vuolo.
     Felizmente parece ainda existir algum resto de bom senso entre nossas autoridades. Tão logo ouviu o infeliz pronunciamento do diretor do DNIT, o senador Blairo Maggi, buscou corrigir o estrago dirigindo-se à presidenta Dilma que ratificou os compromissos do governo federal para com Cuiabá e a Copa do Pantanal. A intervenção era necessária e veio com a força institucional e política indispensável à restauração da seriedade e da ordem no andamento das coisas. A Copa do Pantanal faz parte da Copa do Mundo de 2014 e é um projeto nacional, não apenas de Cuiabá. O Brasil está exposto aos olhos do mundo, e só terá êxito com o sucesso de todas as suas sedes, principalmente aquelas menores como Cuiabá, em tese, mais fáceis e com menores custos de intervenção. Não dá mais para brincar com o tempo. A hora é de fazer. Sem firulas.
(Publicado pelo Diário de Cuiabá em 21/06/11)