"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



terça-feira, 18 de abril de 2017

JOIAS DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO 15


José Antonio Lemos dos Santos

Aos alunos costumo dizer que vivemos dentro de um livro vivo de Arquitetura, à cores, 3D, gratuito, sem contra-indicações, não engorda nem dói seu manuseio.  E Cuiabá e Mato Grosso tem muito a nos encantar e ensinar em termos de arquitetura, Basta passear pela cidade e pelo nosso estado com olhos de ver e cabeça aberta para entender, registrar em fotos, tirar selfies e arquivá-las no computador. Tentando ajudar os estudantes, profissionais ou simples amantes da Arquitetura seleciono em uma série semanal importantes projetos arquitetônicos e urbanísticos localizados em Mato Grosso, pouco reconhecidos pelo público local.

15 - CATEDRAL DE SÃO LUIZ
       CÁCERES
Wilson Kishi - ZakiNews
  Sua pedra fundamental foi lançada em 25 de outubro de 1919 com projeto de  LEÒN JOSÉPH MOUSNIER,  em perfeito exemplar do NEOGÓTICO.  Inaugurada em 25 de agosto de 1965, tem uma irmã em Cuiabá, filha do mesmo autor e do mesmo estilo.

MatheusFreitas

Do livro TEMPLOS SECRETOS, de Alex de Matos
 O arquiteto LÈON JOSÉPH MOUSNIER era francês, construtor e arquiteto, teria recebido o título de "Conde de Manoir", e por motivos desconhecidos foi excomungado n França e por isso teria vindo para a América do Sul onde se dedicou a projetar e construir templos, deixando exemplares na Argentina, Bolívia e Paraguai, provavelmente construiu na França e no Brasil projetou e construiu as igrejas do Bom Despacho em Cuiabá  e a Catedral de Cáceres, tendo morridoenquanto as obras estavam ainda nas fundações. Está enterrado dentro desta Catedral.

NOTA: Informações baseadas no site JornalOeste de Cáceres e no livro TEMPLOS SECRETOS  do arquiteto e urbanista ALEX DE MATOS, livro que recomendo com especial ênfase pela qualidade de suas informações tratando da arquitetura no estado e ao mesmo tempo conta uma parte da história de Mato Grosso.

14 - PONTE SÉRGIO MOTTA
       CUIABÁ/VÁRZEA GRANDE


OlharDireto

Localizada sobre o rio Cuiabá é a primeira ponte estaiada no Brasil totalmente em concreto pré-moldado e a terceira estaiada. Tem 327 m de comprimento e 52 m de altura com a importante e pouco percebida característica de não tocar no rio nem quando foi construída. Essa a razão de ser estaiada. Esta preocupação não foi considerada nas outras pontes construídas no mesmo rio. Esperemos que os cuidados ambientais sejam levadas em conta nas próximas pontes em projetos para a ligação Cuiabá/Várzea Grande.

wap.cotidiano

Projetada e construída pela empesa italiana RIVOLI  por iniciativa do então governador DANTE DE OLIVEIRA, foi inaugurada em 27 de março de 2002 com a presença do presidente da república. Tive a sorte de definir sua localização na malha viária da Região Metropolitana do Cuiabá,  junto a outros colegas do antigo IPDU. Sua ideia era constituir com a Dom Orlando Chaves, a Miguel Sutil e avenida Parque do Barbado uma via estrutural em espiral abrangendo os principais setores da Grande Cuiabá.

mapio.net

     Às vésperas de completar seus 15 anos, a Hercílio Luz, a Golden Gate de Mato Grosso é totalmente desconsiderada enquanto monumento urbano dos mais belos do Brasil, sem a manutenção e a iluminação cenográfica com que são tratados monumentos desse tipo em qualquer lugar do Brasil e do mundo. Uma pena.


13 - IGREJA NOSSA SENHORA SANTA ANNA
       CHAPADA DOS GUIMARÃES 


Casa da Ínsua - Castendo - Portugal

Em um autêntico exemplo do estilo COLONIAL BRASILEIRO, foi o primeiro bem tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em Mato Grosso. Conforme "Prospecto" da foto acima datado de 1780, portanto do século XVIII, quando Mato Grosso era comandado pelo seu 4º Governador e Capitâo General LUIZ D'ALBUQUERQUE DE MELLO PEREIRA E CÁCERES.

Foto Prof. José Maria Andrade 2017

Foi mandada construir em 1779 pelo Juiz do Fórum de Cuiabá, sr. JOSÉ CARLOS PEREIRA, o mesmo que fez a transferência da antiga Capela dado São Gonçalo (atual São Gonçalo Beira-Rio) para o Porto onde hoje se encontra a atual IGREJA DO SÃO GONÇALO, também esta umas de nossas joias arquitetônicas.

Foto Prof. José Maria Andrade 2017
Conta o site da prefeitura de Chapada (http://www.chapadamt.com.br/igrejadesantana.asp) que no mesmo ano de 1780, no dia 31 de julho,  3 meses após o início de sua construção,  foi benta
com toda a solenidade. concluída uma famosa igreja, coberta de telha, rebocada e caiada, com capela-mor, sacristia e casa para os párocos. Como pode se comparar pelas fotos atuais e pelo "Prospecto" de 1780, o edifício guarda perfeita integridade em suas características até hoje, com exceção das ausências das torres e da envasadura frontal sobre a entrada principal frontal.


Foto Prof. José Maria Andrade 2017

Talvez pela rapidez com que foi construída em 1921 a frente da Igreja desabou em plena missa solene, causando apenas susto aos fieis que lotavam a igreja. Ainda segundo o site da prefeitura, em 1923 foram contratados
os serviços de Anacleto Henrique de Carvalho para "levantar a frente da referida igreja em toda a sua extensão desde o inicio do alicerce. Estas obras de construção duraram até 1929." Foi consagrada à SANTA ANNA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO.

NOTA: Baseado em informações do autor e do site da prefeitura municipal de Chapada dos Guimarães (http://www.chapadamt.com.br/igrejadesantana.asp)


12 - IGREJA NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

Imagem ForróBuscai 

Projeto do arquiteto alemão HANS S. AMEN, aprovado pelo Conselho Paroquial e pelo Arcebispo de Cuiabá DOM BONIFÁCIO PICCININI em 1988 e com licença da prefeitura logo foi iniciada a construção sob a responsabilidades técnicas dos engenheiros civis PAULO NINCE,  REGINA CELIS BARROS NINCE e do arquiteto e urbanista JOSÉ AFONSO PORTOCARRERO pelo desenvolvimento do projeto arquitetônico no Brasil.

Imagem DroneCuiabá 

Aproveitando a declividade do terreno, o projeto desenvolveu-se em 2 pisos, com planta em formato de um barco, com seis pórticos em madeira laminada resultando em 12 colunas laterais à nave, tendo à frente a torre simbolizando Cristo e os 12 apóstolos.

Imagem SkyscrapperCity 

Esta postagem é baseada em imagens disponíveis na internet e no trabalho acadêmico dos alunos Amanda Neves, Mallú Bonetti, Veridiane Piccoli e Wanessa Souza.


11 - ESMAGIS-MT

   
anamages.org.br 

      Inaugurado em 3 de abril de 2008, o edifício da ESCOLA DOS SERVIDORES DA MAGISTRATURA DE MATO GROSSO  (ESMAGIS-MT) é resultado de um projeto arrojado do arquiteto e urbanista PAULO MOLINA. Fica em Cuiabá, no CPA junto à Praça das Bandeiras.

tjmt.jus.br

Iniciado em 2001 o projeto incorpora conceitos, materiais e tecnologia contemporâneos, em um feliz exemplo TARDOMODERNISMO  em sua vertente HIGH TECH, tirando proveito da acentuada declividade do terreno.


svg.eng.br 

Segundo o arquiteto o edifício procura inspirarar a ideia de que o NOVO é possível e acessível.

svg.eng.br




10 - LICEU CUIABANO

     Inaugurado em 1944 o LICEU CUIABANO tem sido uma das "joias" mais requisitadas pelos leitores. E com toda razão. Projetado e construído pela empresa Coimbra Bueno, firma que praticamente foi responsável pelas inúmeras obras modernizadoras de Cuiabá realizadas no período do Estado Novo.

Wikipedia

 Um magnífico exemplo do MODERNISMO ORGANICISTA utiliza materiais regionais, com seixos rolados e areia de rio de granulometria de alta precisão para dar a textura incomparável, embora muitos tenham tentado imitá-la sem sucesso.

Flickr

Flickr



Varanda das salas superiores.


WILLITS HOUSE - Internet


Sem dúvida que a inspiração veio da WILLITS HOUSE, de 1902, de FRANK LLOYD WRIGHT, fundador da vertente organicista do Modernismo então nascente na Arquitetura na virada do século XIX para o XX.

NOTA: Fotografias  não referenciadas são dos então alunos de Arquitetura e Urbanismo Josias da Silveira, Marcos Sponchiado e Maria Magdalena  Santamaria.


9 - SANTUÁRIO NOSSA SENHORA DO BOM DESPACHO


     Iniciada em 1918 com projeto de JEAN LOUIS MOUSNIER,  em perfeito exemplar do NEOGÓTICO.  Tem uma irmã em Cáceres, filha do mesmo autor e do mesmo estilo em Cáceres.


linhasjuridicas

Elevadíssimo conhecimento técnico e construtivo para  para projetar e executar esta autentica joia arquitetônica, perfeita em seus detalhes: nervuras, pináculos, trifórios, arcobotantes, contrafortes, arquivoltas, etc. Uma aula de arquitetura neogótica.

Fachada Principal - Sandra Saga/ Juliana Toniazzo 2006

Contemporânea da Catedral da Sé de São Paulo, dizem que foi fruto de uma competição entre os padres salesianos de origem italiana e os freis de origem francesa para ver quem fazia a igreja mais bonita. Fizeram duas joias, ambas neogóticas, uma com o tempero francês e outra com características  italianas. 
Nave Principal - Sandra Saga/ Juliana Toniazzo 2006

Segundo o arquiteto e urbanista Alex de Mattos, o projeto da Bom Despacho é pleno de simbolismos religiosos e esotéricos, e segundo ele a torre seria coroada com uma agulha, que não foi realizada.

Fachada Lateral - Sandra Saga/ Juliana Toniazzo 2006

Abside - Sandra Saga/ Juliana Toniazzo 2006






8 - COMPLEXO FORENSE DE CUIABÁ


Foto: Ricardo Castor

 Projeto do arquiteto e urbanista MARCELO SUSUKI, de 2004, inaugurado em 2005, foi considerado pelo site especializado ArcoWeb como um dos melhores projetos da primeira década do século. Suas características inovadoras e configuradas de acordo com as condições climáticas de Cuiabá deu "ao conjunto um aspecto que poderia ser resumido como high tech caboclo ou alta tecnologia dos trópicos" segundo o o mesmo site.

Imagem: Constructalia


Concebido em estrutura metálica, protegida por uma máscara solar em ripado, o complexo é sombreado por uma cobertura atirantada, com espaço interno intercalado com jardins, deixando distante a ideia dos antigos  e lentos "palácios" da Justiça indo em busca da agilidade do que poderia ser uma "fábrica" de Justiça, contemporânea da tecnologia e da problemática do mundo atual.

Imagem: Constructalia

Fantástico, embora nos remeta ao Centro Cultural George Pompidou, em Paris, de Norman Forster e Renzo Piano, indica também, ao lado da Arena Pantanal,  possíveis caminhos para uma arquitetura ambientalmente adequada à realidade climática dos trópicos em Mato-Grosso.

Imagem: Arcoweb


7 - ROSEHOUSE


Foto Rose Monteiro 2016

     De 1982 em Chapada dos Guimarães este exemplo do DESCONTRUTIVISMO na arquitetura, do arquiteto e urbanista LUIS CLÁUDIO BASSAM, avançadíssimo para os dias de hoje, imagina a 25 anos atrás.

Foto Rose Monteiro 2016


6 - CIRCUITO CARLOS BRATKE

     Durante as décadas de 1980 e 1990 Cuiabá teve a oportunidade de receber um conjunto de projetos do importante arquiteto paulista CARLOS BRATKE, falecido no último dia 9 de janeiro aos 74 anos. Em sua homenagem destaco o conjunto de sua obra na capital mato-grossense através de 6 dos mais expressivos desses seus projetos.  
     Àqueles que se interessarem, peço que votem no projeto que considerar mais significativo, aqui mesmo no blog no espaço para comentários, ou pelo face ou mesmo por e-mail. A ideia é fazer uma ordem de disposição das fotos conforme  a votação.   

Gênesis
Foto José lemos 2017


















Domus Aurea

Foto José lemos 2017

Domus Nobilis

Foto José lemos 2017


Palladium
Foto José lemos 2017

Terra Solis
Foto José lemos 2017

Centrus Tower (comercial)


Foto José lemos 2017

5 - ARMAZÉM OLIVEIRA  
     
     Perdida no meio do burburinho de automóveis, ônibus e pessoas da cidade de Cuiabá que cresceu, lá está meio escondida a pequena joia o ARMAZÉM OLIVEIRA, no cruzamento da Rua Joaquim Murtinho com  a Avenida Generoso Ponce (começo da Isac Póvoas a partir da Prainha). 

Foto José Lemos 2017

     Em um terreno de cerca de 140 m² o edifício de uso misto em 2 pavimentos (no nível superior residencial e comercial no térreo) teve sua construção iniciada em 1949 e concluída em 1950, por iniciativa do proprietário do lote, senhor RAYMUNDO PEREIRA DE OLIVEIRA cuja família continua preservando às suas expensas,  para a cidade e para o estado o importante patrimônio cultural da família.  Apesar de, segundo a família, ter sido tombado pelo Patrimônio Histórico, até hoje não recebeu qualquer ajuda ou incentivo oficial. Hoje é cuidada pelo neto do construtor,

Fachada da Rua Joaquim Murtinho - Foto José Lemos 2017

     Projetada  já ao final do apogeu da vertente MODERNISTA denominada ART DECO, pelo arquiteto alemão FREDERICO ORLAS e seu sócio o engenheiro civil lembrado apenas como sr, OLIVEIRA, trata-se de uma excelente síntese  das principais características deste estilo, cuja maiores expressões no mundo são o EMPIRE STATE BUILDING e o CHRYSLER BUILDING, ambos em Nova Iorque.  Valorização das entradas e esquinas e ornamentação destacando linhas e planos retas horizontais e verticais com inspirações mecânicas e aerodinâmicas, simetria, integração de Arquitetura e Design, 


Letras características do estilo  - Foto José Lemos 2017

Segundo o proprietário construtor nela foram usados tijolos comuns à tição e teria sido a primeira obra "particular" com estrutura em concreto armado em Cuiabá.



Detalhe da ornamentação - Foto José Lemos 2017


Esta postagem baseou-se em trabalho acadêmico da disciplina HISTÓRIA E TEORIA DA ARQUITETURA E URBANISMO da FAU - UNIC CUIABÁ, sob minha responsabilidade, realizado pelas então alunas
MARCIANA WIEGERT e ROSIANE CARRASCOZA, com informações buscadas em entrevista com o sr. Raymundo.


4 - EDIFÍCIO MICHELLE CLER 

Projeto de 1988 (ano de aprovação na Prefeitura) do arquiteto e urbanista MÁRIO BOCCARA, trata-se de um edifício residencial multifamiliar localizado em Cuiabá, MT, no Bairro Araés. Maiores e melhores informações serão bem vindas e acrescentadas.




As imagens acima são de 2007  das então alunas do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIC-Cuiabá, em trabalho da disciplina História e Teoria da Arquitetura e Urbanismo III:  Fabiana Conera, Muryel Ferrer, Pricielly Barasuol e Valéria Murer.

Imagem José Lemos 2016



3 - ESPAÇO DO CONHECIMENTO SEBRAE-MT

A JOIA DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO é o ESPAÇO DO CONHECIMENTO SEBRAE-MT, do arquiteto e urbanista JOSÉ AFONSO BOTTURA PORTOCARRERO,  localizado em Cuiabá, MT, teve seu projeto iniciado em 2007 e a obra foi concluída em 2010.


ecodesenvolvimento.org

Projeto bastante homenageado nacional e internacionalmente recebeu o certificado BREEAM (Building Research Establishment’s Environmental Assessment Method ) de sustentabilidade, e foi considerado o edifício mais sustentável em uso na América Latina. 



feiradoempreendedorpb.com.br

Visitado por empresários e estudantes de arquitetura em 2012 recebeu estudantes de arquitetura do Instituto Federal Suiço de Tecnologia de Zurique, tradicional instituição suíça fundada em 1854. 


belicosa.com.br

Para informações sobre visitas acesse o link http://www.espacodoconhecimento.org.br/?page_id=23




2 - PALÁCIO ALENCASTRO

A próxima joia é o PALÁCIO ALENCASTRO, em Cuiabá, 1960, projeto dos arquitetos BENJAMIN DE ARAÚJO CARVALHO  e  KARL SASS.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

Uma autentica aula de Arquitetura Modernista, versão reduzida em andares do famoso Ministério Da Educação e Saúde do Rio de Janeiro, de Le Corbusier e Niemeyer, contem os 5 pontos determinados pelo mestre francês para sua arquitetura funcionalista: PILOTIS, PLANTA LIVRE, FACHADA LIVRE, JANELAS ALONGADAS e TETO JARDIM, incorporando também os BRISE-SOLEIL.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

O edifício abrigava praticamente toda a estrutura da administração estadual, bem como o Tribunal de Contas do Estado, um salão para recepções, mezzanino para exposições e instalações para visitantes ilustres, dada carência da rede hoteleira na época. Hoje abriga parte da administração municipal da capital mato-grossense.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

Destacam-se nas fotos a beleza do TERRAÇO-JARDIM, conceito que não pode se confundir com o atual TETO-VERDE, e a transparência dos PILOTIS em cones invertidos permitindo perpassar dos jardins do Palácio Alencastro aos jardins da então Residência dos Governadores. Um edifício que merecia ser tombado pelo Patrimônio Histórico com a maior urgência. A inspiração sem nenhuma dúvida foi o Edifício do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro, de Niemeyer, Lúcio Costa, Le Corbusier e outros, marco inicial do Modernismo na Arquitetura Brasileira.


NOTA- Agradeço a gentileza da Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIC, arquiteta e urbanista professora Paula Libos permitindo a utilização da maquete restaurada por sua iniciativa pelo estudante Gilberto Pavlovski. Sem a maquete seria impossível destacar toda a importância arquitetônica do edifício, dado seu estado de degradação, apesar de ser a sede da Prefeitura Municipal de Cuiabá.

NOTA 2- Essa maquete é a original, por isso mais importante ainda. Lembro-me lá por 1957, 58 dela exposta na vitrine da antiga Farmácia Araújo  que ficava em frente à Praça da República, vizinha à agencia da VASP, Casa Alberto e do Centro América Hotel, que ocupava os andares superiores do belo Edifício Tuffik Affi, cujo térreo era ocupado pela Loja Riachuelo. Ainda criança passava sempre por lá para admirar em maquete o grande edifício que ia ser construído em minha cidade. Com o surto de desenvolvimento trazido por Brasília, era o espírito da modernidade que invadia a cidade depois de décadas estagnada. Com ele muita coisa preciosa foi destruída como a antiga Catedral, o antigo Palácio Alencastro e o Edífício Tuffik Affi. Era a força da grana que retornava à cidade, ela que no dizer do Caetano Veloso "ergue e destroi coisas belas."  

1 - ABRIGO TAXISTAS

Foto José Lemos


      Uma série que início com o ABRIGO PARA TAXISTAS EM CUIABÁ. Embora pequena em dimensões físicas, uma das jóias mais valiosas da Arquitetura em Mato Grosso, do arquiteto ADEMAR POPPI, um exemplo da ARQUITETURA PÓS-MODERNISTA REGIONALISTA,  aquela que utiliza referências da cultura regional,  Infelizmente, a maioria dos exemplares em estado de abandono, ainda que cumprindo sua função principal de brigo para taxistas.  Este fica na Avenida do CPA, entre as lojas da Havan e do Comper, em Cuiabá,  Não fica em Paris mas merece uma visita. Posteriormente acrescentarei maiores dados.



sábado, 15 de abril de 2017

MICROPRIVATIZAÇÃO DA ARENA


CircuitoMT

José Antonio Lemos dos Santos

     Sempre que posso vou à Arena Pantanal torcer pelos times mato-grossenses e domingo passado fui assistir Dom Bosco e Sinop, às 10 horas da manhã. Apesar do horário alternativo aparentemente impróprio “para a prática do esporte bretão” como diriam os antigos “speakers” do futebol brasileiro, foi um grande jogo de futebol. Liberada a ala Leste, o lado da sombra matinal, deu também para comprovar o acerto do arquiteto Sérgio Coelho em deixar vazados os cantos das arquibancadas para aproveitamento do efeito chamado na arquitetura de “ventilação cruzada” favorecendo uma leve brisa ao longo de todo o jogo. Na sombra com um ventinho e a parada técnica para os jogadores, o horário diferenciado também me pareceu aprovado.
     Outra satisfação foi ver lá o atual responsável pela Arena, o secretário-adjunto de Esportes Leonardo de Oliveira com a camisa do Dom Bosco em meio à torcida. A satisfação vem do fato de hoje ser raro um político frequentar locais com muita gente, no meio do povo, torcendo tranquilo, isto é, tranquilo na medida do possível já que seu time esteve sempre correndo atrás no placar e acabou perdendo. E no intervalo tivemos oportunidade de conversar com ele mostrando através do vidro as carteiras escolares ocupando alguns dos camarotes compondo uma nova escola para 300 alunos em tempo integral com iniciação em diversas modalidades esportivas, escola acertadamente chamada de “José Fragelli”. Uma manhã proveitosa para um fã da Arena desde sua construção. Enfim alguém pensando corretamente o futuro de nossa premiada Arena, o que até hoje não ia além do chavão “privatizar ou não”, como se essas opções bastassem para o sucesso ou condenação da belíssima praça esportiva. A ideia poderá literalmente fazer escola.
Júnior Silgueiro/SeducMT

     Minha satisfação foi ampliada pois em um artigo em fevereiro ousei fazer uma sugestão para Arena, o Palácio dos Esportes, que vai no mesmo rumo deste que o estado está propondo, a Arena-Educação. São projetos convergentes que me animam a ousar detalhar um pouco a proposta do Palácio dos Esportes, talvez somando alguma coisa com a Arena-Educação. Grosso modo, o Palácio dos Esportes seria similar a um shopping especializado em esportes, gerenciado pelo próprio governo ou terceirizado para empresa com experiência na administração de shoppings. Com um projeto de estado perfeitamente definido se pode falar em terceirização ou privatização. Mantida a prioridade para o futebol das bolas redonda e oval, nele estariam espaços para os clubes venderem seus produtos, museu do esporte mato-grossense, sala para turistas, ligas e federações esportivas, salas para iniciação e treinamento de diversas práticas esportivas e de exercício corporal. Parte permanecendo com o estado para a escola e outros projetos esportivos de interesse social e parte alugado para academias particulares diversas, indo desde o balé, ioga, xadrez, ginástica, passando pelo skate, patinação, até o Boxe, Judô, Karatê, Taekwuondo, etc. Vai até o aluguel de espaços para academias de ginástica, comércio de material esportivo, clínicas de fisioterapia e nutrição. Com a Arena “microprivatizada”, seu sucesso geraria recursos para sua manutenção e financiamento de parte da política estadual de esportes.
     Nesse projeto se integrariam progressivamente os novos COT’s, mini-estádios e ginásios espalhados pelo estado, hoje abandonados em sua maioria. As duas propostas parecem prever a Arena e o Ginásio Aecim Tocantins, sempre iluminados e bem cuidados, como cabeças de um projeto esportivo para Mato Grosso, com sua escola recebendo alunos que se destaquem esportivamente em todo o estado, tirando os jovens da violência e das drogas, e preparando atletas e cidadãos para o futuro. 

terça-feira, 11 de abril de 2017

CUIABÁ, SONHO E REALIDADE

Doriane Azevedo

     Sempre me indagam qual a Cuiabá 300 anos” dos meus sonhos e, fica claro que estão vislumbrando apenas o ano de 2019. Um dos nossos grandes equívocos enquanto sociedade: o pensar e agir pequeno, de forma imediatista, em curto prazo, sem planejamento. Não se constrói uma cidade, um município assim.
     Cuiabá (que nada mais que é do que NÓS ,SOCIEDADE, construída por nós enquanto indivíduos, enquanto grupos), tem muitas qualidades, mas insistimos em agudizar os defeitos e criar problemas de toda ordem. E como agimos (e aceitamos que nossos gestores ajam também): Falta espaços públicos de lazer e recreação? Rapidamente criam-se “parques”, “orlas decoradas”. Mas, enfrentamos as outras questões que acompanham a criação dos parques? Supervalorização imobiliária e segregação socioeconômica; falsa preservação ambiental na presença de córregos e lagoas usadas como “redes de esgotamento sanitário”. Temos problemas de mobilidade, sem discutir o que implica de fato, falamos muito de condições melhores para pedestres (mas será que lembramos que todos somos pedestres?) e ciclistas (estamos pensando em quem? No ciclista “paramentado” com seus equipamentos de proteção e sua “bike” cheia de recursos, ou no “senhorzinho” que pedala a antiga “Caloi”, contando com sua força para vencer seu percurso árido, inseguro. Alguém fala deste ciclista? Aliás, alguém o vê?). E, “todos queremos” transporte público de qualidade, mas o que apoiamos (e comemoramos) é a construção de viadutos, trincheiras, mais e mais pistas de rolamento, pois a ideia é mais e mais espaço para automóveis privados em circulação e estacionados (sobre as calçadas, tudo bem!), e mais e mais poluição, e mais e mais acidentes, definindo um dia-a-dia perigoso para todos, um futuro alijado para nossos futuros jovens e adultos. Assim vamos acumulando “Parques das Águas” – o que importante é o espetáculo da dança das águas -, “Orlas do Porto – que cenário lindo para brincamos de faz-de-conta que valorizamos nosso patrimônio cultural. Tudo bem se esquecemos a realidade do Porto e do Centro Antigo; VLT's – o que importa é o traçado, e daí se não consideramos quaisquer implicações que este terá no urbano. legados negativos da insistente opção por intervenções urbanísticas pontuais e desarticuladas de uma (necessária e contínua) Política de Planejamento em todas as dimensões.
     É essa a Cuiabá que queremos para nossos próximos 100 anos, porque, 300 anos comemoramos em 2019, mas construímos os 300 anos por muitas décadas, pelo menos até 2119, já pensaram nisso? E por falar em política de planejamento, esta precisa da Gestão para ser implementada . É a gestão do Fulano? Do Cicrano, que é do partido “X”? Ou do Beltrano, do partido “Y”?. Isso importa? Importa como nos posicionamos como sociedade que integra essas gestões. Apoiamos uma Gestão de 04 anos ou Gestões para Cuiabá? Vamos deixar de lado essa discussão e seguir (sem rumo), pois “planejar não é preciso”, “fatos sociais são precisos”.
     Deixa disso Cuiabá, ou melhor, deixa disso, minha Gente!) O sonho, o meu sonho, que acredito que é de muitos, é de uma mudança -, idealizada e materializada, para melhor todo dia, pelo longo prazo que se fizer necessário – nossa existência! E, para realizar esse sonho, não é possível enquanto individuo, muito menos sem planejamento e gestão.
     Cotidianamente sonho com uma ( e acordo disposta todos os dias para trabalhar por uma) Cuiabá que não bateria palmas para fatos sociais – resultado de obras pontuais, desarticuladas do Planejamento do seu território em todas as dimensões (social, político, econômico, cultural...). Para nossos próximos 100 anos (e muitos outros), quero contribuir (enquanto indivíduo, sociedade) com a discussão e planejamento de um conjunto de ações integrais e integradas para que, juntos, construíssemos e consolidássemos uma Cuiabá inclusiva – TODOS EM TODOS OS LUGARES. Um município que se reconhece e se integra em sua Região Metropolitana, no seu Estado, no Brasil.
Quero que este sonho se torne realidade, uma realidade, que como tudo, deve ser construída com paciência e muita persistência, todos os dias, todos os anos, por décadas, independente das Gestões (elas passam, nós permanecemos). Para Cuiabá, para todos nós, desejo que acordemos desse pesadelo que insistem em ser a nossa realidade, para, de fato, construirmos nossa MELHOR REALIDADE PARA OS “NOSSOS” 300 ANOS DE CUIABÁ!!!.

Doriane Azevedo, Arquiteta e Urbanista é Profª Drª FAET/UFMT.

sábado, 1 de abril de 2017

CUIABÁ 300-2

 
DroneCuiabá

José Antonio Lemos dos Santos

     Desde 2009 a cada aniversário de Cuiabá escrevo estes artigos em contagem anual regressiva não só para comemorar o aniversário do ano, mas também para lembrar o tempo disponível para a preparação da cidade para seu Tricentenário. A preocupação era comemorar a efeméride com a cidade engalanada com melhores padrões urbanísticos e jubilosa com sua população usufruindo níveis superiores de qualidade de vida. Esse seria o maior presente. Vale registrar que nesse período aconteceram algumas iniciativas consistentes, destacando-se a feira “Edificar”, evento bianual produzido pelo Sinduscon/MT, Secovi/MT e Indústria D’Eventos tendo como tema a expressão “Cuiabá 300”.
      De fato, essa preocupação vem de 1989 com a Lei Orgânica de Cuiabá na qual foi trabalhado o capítulo da “Política Urbana” com a expectativa de garantir a consolidação das bases de uma gestão urbana moderna, contínua, participativa, feita sob medida para Cuiabá, tendo 30 anos como horizonte de planejamento, isto é, 2019, ou seja, Cuiabá em seu Tricentenário. O capítulo continua lá na Lei Orgânica mas a cidade não consolidou sua política urbana, ao contrário, desmantelou o que vinha sendo montado e a Cidade Verde ficou para trás de outras irmãs brasileiras que tomaram a mesma iniciativa, mesmo que depois.
     Com esse processo interrompido a alternativa à época seria a rápida preparação de uma agenda de projetos importantes, ainda que pontuais, para presentear a cidade. Foi quando aconteceu o milagre. Em 2009 a história surpreende os cuiabanos com o fantástico desafio da Copa do Mundo. Cheguei a acreditar que esse grande evento tivesse sido um artifício do Bom Jesus para treinar nós cuiabanos na preparação de sua cidade dignamente para os 300 anos. Um aprendizado de 5 anos para então se trabalhar uma agenda própria para a festa. Hoje sei que a Copa foi o próprio presente do santo padroeiro para sua cidade. Sem ele não teríamos nem as obras da Copa que ainda relutam em concluir.
     Festejar os 298 anos é exaltar uma cidade nascida entre as pepitas de um corguinho com muito ouro chamado pelos nativos de Ikuiebo, Córrego das Estrelas, que desaguava em um belo rio entre grandes pedras chamado Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão em bororo. E ela floresceu bonita, célula-mater deste “ocidente do imenso Brasil”. Mãe de cidades e Estados, o aniversário de Cuiabá é também do Brasil neste vasto Oeste brasileiro. Por quase três séculos resistiu a duras penas, tempo heroico que forjou uma gente corajosa e sofrida, mas alegre e hospitaleira, dona de rico patrimônio cultural e com proezas que merecem maior carinho da história oficial. Como um astronauta moderno, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave só por um cordão prateado, assim foi Cuiabá por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização só pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai. A cidade hoje vibra em dinamismo, globalizada e provinciana, festeira e trabalhadora, centro de uma das regiões mais produtivas do planeta que ajudou a ocupar e desenvolver.

Wikipedia

     Agora só restam 2 anos. Como evitar a simpática mesmice da “Garota Tricentenário” ou de um sambinha comemorativo? Logo, nem um miojo. Ficar nas obras da Copa? Os hospitais da UFMT e da prefeitura? Talvez ao menos um projeto para a revitalização do Centro Histórico envolvendo compromissos dos governos federal, estadual e municipal, abarcando toda amplitude de uma obra como esta, desde o rebaixamento da fiação até sua viabilização como um shopping cultural a céu aberto. Nada tão vergonhoso no Tricentenário do que o Centro Histórico como está. Mas, a esperança morre por último e não custa relembrar que, afinal, Deus é brasileiro e o Bom Jesus é de Cuiabá. Viva Cuiabá!



domingo, 26 de março de 2017

O VALE DO CUIABÁ

OlharDireto

José Antonio Lemos dos Santos

O dia 27 de março marca o aniversário da Ponte Sérgio Motta, que preferia denominada Ponte Dante de Oliveira, sem nenhum demérito ao ex-ministro que empresta seu nome a tão bela e importante construção, e que também foi homenageado pelo então ex-prefeito Roberto França dando nome ao complexo cultural formado pelo Museu do Rio e o antigo Aquário Municipal. Este ano comemoramos, ou pelo menos deveríamos comemorar os 15 anos de sua inauguração. Minha preferência de denominação vem das dificuldades do então governador para justificar sua tecnologia inovadora mais onerosa e acabou pagando por isso na eleição seguinte quando seu adversário disse que com o dinheiro gasto naquela ponte ele construiria 3 ou 4 pontes convencionais. Imagino que o adversário vencedor naquela eleição reveria sua argumentação hoje já que passou pelos dissabores de pesadas críticas ambientais em nível nacional e evoluiu muito nessa área. O Dante, como sempre, estava na frente com ideias, obras e proposições que até hoje muita gente importante não entendeu, mesmo alguns de seus auxiliares na época.
     Trata-se da primeira ponte estaiada do Brasil feita em pré-moldados de concreto e a terceira estaiada de um modo geral no país. Ponte urbana, sobre rio, creio que tenha sido a primeira. E qual a necessidade dessa inovação de valor mais elevado? Justamente o meio ambiente. A tecnologia dos estais permite a construção sem que se toque na água ou no leito do rio. Nosso renitente complexo de pequi roído não nos permite enxergar algumas maravilhas de nossa própria terra, e assim a maioria de nós jamais percebeu que a ponte de fato não toca o rio Cuiabá, que passou incólume mesmo durante sua construção. Essa preocupação não aconteceu com as novas pontes sobre o mesmo rio, cujos paliteiros de pilares fincados no rio estão lá para todos verem. Oxalá as novas e importantes pontes projetadas para o rio Cuiabá pelo atual governo levem em conta tão precioso tema.
     Ademais da questão ambiental as pontes urbanas são consideradas monumentos urbanos ou ornatos citadinos, muitas transformando-se em cartões postais das cidades. Golden Gate, Hercílio Luz, Brooklyn, são alguns exemplos, bem cuidadas, iluminadas e promovidas, são visitadas, fotografadas e ajudam atrair turistas, trabalho, emprego, renda e qualidade de vida. Aos 15 anos a Ponte Sérgio Motta está lá cumprindo muito bem sua missão precípua de atravessar pessoas e cargas de um lado para o ouro do rio, mas desprezada enquanto monumento urbano ou cartão postal que é, sem qualquer iluminação cenográfica, sem nenhum projeto urbanístico para suas áreas de entorno e com manutenção precária a ponto de algum tempo atrás uma prefeitura achando que a ponte precisava de uma pintura, providenciou o serviço, em cor diferente, mas só até o meio da ponte, que seria o limite do município. Teria sido uma sutil provocação ao governo pela falta dos devidos cuidados? Gastar em uma obra de arte maravilhosa e depois regatear recursos para sua manutenção e iluminação como elemento de atração turística é desperdício de dinheiro público. O mesmo acontece com a premiada Arena Pantanal, apagada e com manutenção precária.
     Mais que um ornato citadino ou a transposição de um rio, como  elo de união a Ponte Sérgio Motta poderia ser um monumento à nova Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, que no momento realiza seu Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI) despertando a expectativa de ser um divisor de águas na história dos municípios do Vale do Cuiabá, trabalhando não apenas seus passivos, mas em especial suas perspectivas de desenvolvimento, entre as quais como principal polo regional de verticalização da economia mato-grossense.

sábado, 18 de março de 2017

OS TRILHOS DA UNIDADE

g1.globo.com

José Antonio Lemos dos Santos

     A reativação do “Fórum pela Ferrovia em Cuiabá” e a incorporação dos governadores Pedro Taques e Geraldo Alckmin ao movimento trouxe um novo alento a esse projeto que já foi um sonho e hoje é uma prioridade imperiosa, vital aos mato-grossenses. Ao Sudeste interessa que a produção mato-grossense, ou parte dela, continue escoando pelos seus portos e que sua produção chegue ao mercado do oeste brasileiro de forma mais competitiva. A continuidade da cobrança dos mato-grossenses é indispensável, mas o apoio de São Paulo é fundamental, pois a força paulista move montanhas, ajudou a construir a ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná e pode agora dar força à sequência do traçado original da Ferronorte, passando por Cuiabá.
zerohora

     A questão da ferrovia em Mato Grosso vai muito além, e bota além nisso, de uma simples implantação de trilhos. Ao mato-grossense ela significa maior competitividade para sua produção, com a redução de perdas e fretes, menores impactos ambientais e, em especial, a redução nas perdas de preciosas vidas ceifadas ao longo de rodovias já absolutamente incapazes de dar vazão às demandas do estado no transporte de cargas de ida e de volta. A alguns anos o número de mortos nas estradas federais em Mato Grosso chegava a uma tristíssima “Boite Kiss” por ano. Espalhadas pelo ano, não aparecem a não ser para os muitos que choram a cada dia uma fatalidade ou grave sequela.
     Mas vai muito além ainda da solução logística. Enquanto o povo quer produzir e reduzir suas dores, tem gente poderosa usando esse grave problema para fazer geopolítica, buscando dividir o estado em favor de interesses pessoais ou de grupos. Por trás das soluções ferroviárias apresentadas na verdade escondem-se no mínimo 3 projetos para o futuro de Mato Grosso. Um mantem o traçado original da Ferronorte reforçando a coluna vertebral do estado que é a BR-163 até chegar aos portos amazônicos, prevendo a variante para Porto Velho e a possibilidade de se chegar ao Pacífico, sem prejuízo da construção dos outros dois projetos e sem himalaias, araguaias ou sapucaís a vencer.
   Por sua vez, os outros dois projetos isolam o norte do sul do estado com a exclusão da capital do traçado e a geração de duas economias separadas. Para isso contam com a interrupção da ferrovia em Rondonópolis, com a internacionalização do Marechal Rondon que não sai e a duplicação da 163 que só se desenvolve de Posto Gil para cima e de Rondonópolis para baixo. Um destes projetos divisionistas é a Fico que corta transversalmente Mato Grosso interceptando a BR-163 em Lucas do Rio Verde, levando a produção do Médio Norte do estado para Goiás. O outro começa em Sinop e segue o eixo da 163 até Miritituba e Santarém, mas é de Sinop para cima. A diferença é que um quer a capital do que seria um novo estado em Lucas e outro prevê a capital em Sinop.
     Não pode ter como prioridade novas unidades federativas um país cuja população já entrega ao estado em impostos cerca de 40% de tudo o que produz, apenas para manter estruturas político-administrativas perdulárias, ineficientes e corruptas, que nada devolvem em termos de infraestrutura, serviços e equipamentos públicos. A última novidade é que Mato Grosso enviou para a União ano passado 9,0 bilhões de reais e recebeu 7,0 de volta. Estamos hoje entre os 13 estados que pagam pela manutenção de outros 14 estados que não se mantêm sozinhos. Com os 2,0 bilhões de prejuízo dava para trazer os trilhos até Cuiabá e ainda seguir um bom trecho em direção à Nova Mutum que está a 460 km de do maior terminal ferroviário da América Latina, em Rondonópolis. Mas querem uma de 1.200 km. Não dá para ficar quieto. Mesmo tendo muito a corrigir, Mato Grosso é um estado que deve ser imitado, não dividido!


A reat

sábado, 11 de março de 2017

A CHEIA DE 74


Internet (sem identificação do autor)


José Antonio Lemos dos Santos

     Dia 17 de março lembra o dia da cota máxima da famosa cheia de 1974 em Cuiabá, chegando a 10,87 metros, desabrigando milhares de pessoas nos antigos bairros do Terceiro (“de Dentro” e “de Fora”), Barcelos e Ana Poupino que juntos constituíam a área mais populosa da cidade. Uma tragédia que pegou a cidade justo em seu salto de crescimento decorrente dentre outros fatores da mudança da capital federal para Brasília. Grosso modo Cuiabá saltava de 56 mil habitantes em 1960 para 120 em 70, chegando a 240 mil em 80. Um crescimento para o qual não estava preparada, nem a cidade, nem a cabeça de seus cidadãos e autoridades depois de décadas de estagnação. Ninguém acreditava quando alguns visionários, verdadeiros profetas avisavam da necessidade de preparação da cidade para aquela expansão. Dessa visão surgiu por exemplo o CPA, a partir de intervenções de técnicos como Júlio De Lamônica, Moacir de Freitas e Sátyro Castilho.
     A calamidade de 1974 serviu para dar uma chacoalhada nas autoridades. O governo Geisel acabara de tomar posse dois dias antes já com o problema da inundação avançado. De imediato o ministro do Interior Rangel Reis veio a Cuiabá e tomou duas decisões radicais que marcaram profundamente a vida da cidade e precisam ser lembradas. Determinou a demolição do que havia sobrado dos bairros atingidos, transferindo suas populações para conjuntos residenciais a serem construídos, chegando até a utilizar a força para esse fim. Muito da cultura de Cuiabá perdeu-se nesse processo, mas as populações foram transferidas para os novos conjuntos, um deles o Novo Terceiro. A cultura virou saudade nas lembranças dos blocos carnavalescos “Sempre Vivinha”, “Coração da Mocidade” e “Estrela Dalva”, por exemplo. 




Internet (sem identificação do autor)


     Outra decisão do ministro foi a realização de estudos técnicos buscando uma solução para que nunca mais Cuiabá fosse vítima de uma tragédia semelhante. Desses estudos resultou Manso, originalmente apenas para reduzir futuros picos de novas enchentes, um “açudão” de proteção urbana. Embora quase não noticiado, Manso já cumpriu essa finalidade ao menos em 2002 e 2010, impedindo que volumes de água superiores aos 3.025 m³/s de 74 chegassem a Cuiabá. Fosse apenas por este objetivo Manso já teria valido a pena.
     Depois, já em 1978, no antigo Minter a Comissão da Divisão do Estado, da qual fiz parte, propôs em conjunto com técnicos do estado a transformação de Manso em um projeto de aproveitamento múltiplo de barragem, pioneiro no Brasil. Para solucionar a questão energética, na época o principal problema estadual, foi proposta a energização do “açudão”, passando Manso a ser também geradora de energia e a ideia da proteção urbana foi ampliada para a de regularização de vazão do rio, garantindo uma cota mínima além da redução das cotas máximas, prevendo ainda o abastecimento urbano de água e irrigação rural para a Baixada Cuiabana, três barragens a fio d’água rio abaixo, sendo que seu lago poderia também receber projetos de piscicultura, turismo e lazer.
     Muita gente ainda pensa que Manso foi construída para gerar energia, o que seria um absurdo pela dimensão de seu lago maior que a Baía da Guanabara e 10 vezes o Lago de Brasília. A geração de energia foi um subproduto importante pois apesar da geração de apenas 210 MW (a Termelétrica gera 480 MW), vem servindo para garantir estabilidade energética para o estado. Mas Manso ainda tem muitos outros potenciais que começam a ser explorados agora, como a aquicultura e o turismo. Como lembramos, tem muito mais. O correto aproveitamento integrado dos potenciais de Manso além de importante fator de desenvolvimento regional, seria também uma homenagem às perdas da cheia de 1974.

segunda-feira, 6 de março de 2017

O GOVERNADOR E A ARENA PANTANAL




Impagável o professor Zé Maria em sua charge. Muito bom.

PRITZKER 2017

Revista Projeto 

                          Escritório RCR ARQUITECTES recebe o Prêmio PRITZKER 2017.

Os catalães RAFAEL ARANDA, CARME PIGEN  e RAMON VILALTA - pela primeira vez 3 arquitetos juntos são premiados. Em seu discurso, o presidente da Fundação Hyatt, que patrocina o prêmio,Tom Pritzker, ressalta que os profissionais catalães tiveram um impacto na arquitetura muito além de sua área imediata. “Suas obras vão desde espaços públicos e privados a espaços culturais e instituições educacionais, e sua capacidade de relacionar intensamente o ambiente específico de cada local é um testemunho de seu processo e integridade profunda", ele avalia.

Ler mais em:
https://arcoweb.com.br/noticias/internacional/rcr-arquitectes-sao-vencedores-do-premio-pritzker-2017-

sábado, 4 de março de 2017

MINISTÉRIO DA DOENÇA

Imagem José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     O entusiasmo deste artigo lembra o grande Odorico Paraguaçu de Dias Gomes e vem com “a alma lavada e enxaguada nas águas” das vitórias do Luverdense e do Cuiabá sobre os favoritos times da série “A”, lá em suas casas, Florianópolis e Campinas. A satisfação é maior pois essas vitórias premiam os trabalhos sérios de organização e planejamento de longo prazo desenvolvidos por esses clubes, já sendo destacados pelas ótimas performances na série “B”, conquista da Copa Verde e a primeira participação em um torneio internacional oficial, a Copa Sul-americana. Que sirvam de exemplo para outros clubes daqui.
     Aproveito essas vitórias para mais uma vez falar sobre a importância dos espaços urbanos públicos destinados ao lazer e às práticas esportivas. O esporte e o lazer sadios são das mais expressivas formas de manifestação da vida em sua plenitude de corpo e mente. E quando tratamos de cidades nosso principal objetivo deve sempre ser a qualidade de vida de seus cidadãos, oferecendo condições físicas, psicológicas e ambientais para a existência de uma gente saudável e feliz. As avenidas, viadutos e trincheiras, metrôs, VLTs e automóveis, fábricas, shoppings, tudo deve existir em função da qualidade de vida à população que lhes dá origem e sentido.
     É claro que um dos pilares da qualidade de vida urbana é a saúde da população, saúde é vida e ter um povo saudável é mais de meio caminho andado no rumo dos altos padrões urbanos. Infelizmente as estruturas públicas no Brasil responsáveis pela saúde estão elas próprias bastante doentes, refém dos poderosos lobbies da indústria farmacêutica e de equipamentos médico-hospitalares, e de corporações profissionais, dedicando-se mais à rentável cura das doenças do que à manutenção e promoção da saúde. Daí para explicar melhor a importância dos tais espaços públicos, meio brincando, meio a sério, falo com alunos e amigos, entre eles alguns médicos, que uma das prioridades do país deveria ser a criação de um “ministério da doença” com secretarias correspondentes nos municípios destinadas apenas às doenças, cuidar de hospitais, UPAs, remédios, etc., liberando assim o atual Ministério da Saúde e as secretarias municipais de saúde para cuidar só da saúde, sua função primordial como diz seu próprio nome.
     Nessa concepção, cuidar da saúde seria justamente o desenvolvimento de programas tais como de saneamento e abastecimento de água, de ações preventivas junto às famílias, criação de centros esportivos, parques e academias públicas com profissionais especializados orientando atividades coletivas, programas de orientação nutricional, estímulos a torneios estudantis e universitários com inicialização à práticas esportivas diversas e com prêmios, bolsas, e mesmo a profissionalização, valorizando e estimulando o jovem atleta. Em paralelo, seguiriam às ações de cura, melhorando seus serviços na expectativa de uma progressiva redução da entrada de pacientes em decorrência das ações voltadas à saúde.
     Outro dia governador e o prefeito de Cuiabá anunciaram o Parque Dante de Oliveira como um dos presentes à cidade em seu Tricentenário. É ótimo o sucesso dos parques da cidade junto à população e melhor ainda que as autoridades notem isso. O que significa esse intenso uso dos parques da cidade em termos de redução na demanda de jovens e adultos sobre nosso “sistema de saúde”? Exemplos que são, para cada Felipe Lima, cada Davi Moura, Igor Mota e Ana Sátila, para cada Luverdense, Cuiabá ou Cuiabá Arsenal ascendendo no ranking nacional, quantos jovens deixam o caminho da droga, da violência, liberando leitos em hospitais, celas nos presídios e túmulos nos cemitérios?

sábado, 25 de fevereiro de 2017

ACADÊMICOS DAS REBIMBELAS

MidiaNews

José Antonio Lemos dos Santos

     Foi estarrecedora a desdenhosa atenção dada pelos governo do estado e Federação Mato-grossense de Futebol pela realização do jogo São Paulo x PSTC do Paraná pela Copa do Brasil no próximo dia 1 de março na Arena Pantanal. Mesmo a Arena seduzindo por seu próprio poder atrativo sucessivos eventos de caráter nacional e internacional, o governo e Federação fazem sempre questão de chegar fora de hora alegando dificuldades ridículas, facilmente superáveis por qualquer administração minimamente interessada em um grande patrimônio público.
     O surpreendente PSTC ao passar para a segunda fase da Copa do Brasil, com mando de campo e tendo que enfrentar o poderoso São Paulo, escolheu de comum acordo com o adversário a Arena Pantanal como palco para seu importante jogo. Escolheu. Foi de graça. Não vi qualquer notícia de que alguém daqui tenha ido lá convidá-los. Ao contrário, o PSTC teve que enfrentar sua torcida e a pressão de cidades do Paraná como Londrina e Maringá para seus estádios serem escolhidos. Por que um jogo desses é tão disputado? Pela careca do Rogério Ceni?
     Um evento envolvendo cerca de 40 mil espectadores diretos e milhões via TV, não pode ser confundido com um simples jogo de futebol. Levado a sério e bem promovido rende muito dinheiro para as cidades em hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, comércio em geral e os famosos ambulantes de material esportivo, de alimentação, souvenirs, etc. Essa é uma das razões da multifuncionalidade da Arena Pantanal, ainda não assimilada pelas suas autoridades responsáveis. Fora a divulgação positiva da cidade e do estado, também importante.
     A Arena Pantanal após receber com total êxito uma Copa do Mundo e ser escolhida pela crônica esportiva estrangeira como a mais funcional das arenas, chegou ao absurdo de ficar interditada por 1 ano e meio por ditos “problemas estruturais” que foram resolvidos pela bagatela de R$ 6,0 mil, envolvendo o conserto de dois rufos na cobertura e uma placa de fibrocimento na fachada, tendo sido liberada imediatamente após o jogo Brasil x Bolívia, eliminatório para a próxima Copa do Mundo ter sido transferido para Maceió. Depois a CBF propôs o jogo Brasil x Paraguai, também pelas eliminatórias, que também não veio.
     Pois bem, no fim da semana passada foi noticiada a intenção do jogo do São Paulo ser na Arena. Indagado sobre a possibilidade do jogo ser em Cuiabá a FMF respondeu que teria a resposta só na segunda-feira, estávamos na sexta. Na segunda-feira à noite veio a notícia de que a CBF havia vetado a Arena Pantanal por falta de um laudo do Corpo de Bombeiros, prometido pelo governo para até o dia do jogo, 15 dias depois. Brincadeira ou não! Um jogo como esse envolve uma série de preparativos logísticos, de adaptação, locais de treinamento e não pode ser mudado de uma hora para outra.  E se o laudo não saísse?
     E assim vai nossa Arena Pantanal, tão reverenciada internacionalmente, que recebeu uma Copa, mas não pode receber jogos nacionais, sendo agora trocada por um estádio com capacidade inferior a do charmoso Dutrinha, cujo muro caiu esta semana, talvez por excesso de zelo. Certamente algumas rebimbelas de parafuzetas devem estar atrapalhando nossas obras que nunca são concluídas embora muitas em pleno funcionamento faltando tão pouco para suas inaugurações definitivas. Rebimbelas federais, estaduais ou municipais, jurídicas, técnicas ou burocráticas. Rebimbelas prá todo lado atravancando tudo. Quisera ter a arte de um Gentil Bussik e dos saudosos Hélio Goiaba ou Moacir da Costa e Silva para compor uma marchinha sobre elas, satírica, crítica, dura mas bem-humorada, inteligente e elegante, como faziam para os velhos carnavais cuiabanos dos idos de 50/60.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

CIDADES E PEPINOS

Campo Novo do Parecis - midianews

José Antonio Lemos dos Santos

     Minha avó quando a gente era criança e precisava de um corretivo dizia para minha mãe: “Olha, é de menino que se torce o pepino”. Visitando o Google soube que esse conselho vem dos agricultores buscando conseguir a forma mais valiosa para o legume. É clara então a intenção carinhosa e cuidadosa da transposição dessa sabedoria popular para o desenvolvimento das crianças. Gosto de aplicá-lo também nas explicações sobre o desenvolvimento das cidades. As cidades também evoluem. Apesar de óbvio, muita gente pensa que nascem prontas e assim permanecerão para sempre, esquecendo que elas nascem, evoluem, podem estagnar ou até definhar, e morrerão um dia, como muitas já morreram.
     A calamidade que se abateu sobre Campo Novo do Parecis além de ter comprovado o espírito de solidariedade do mato-grossense, deve também motivar reflexões sobre a evolução urbana em Mato Grosso. Um estado com desenvolvimento acelerado tem muitas de suas cidades com ritmos extraordinários de crescimento que implicam em acompanhamento técnico sistemático, seja no quadro macro do estado, seja pontualmente no âmbito de cada município. Não conheço pessoalmente Campo Novo, mas preocupam sempre os sítios urbanos muito planos por suas dificuldades de drenagem, com é caso de algumas das belas cidades geradas pelo agronegócio, em regiões planas ótimas para a agricultura extensiva, mas exigentes em termos de urbanismo.
     O fato de serem muito novas ou não, não importa. Todas precisam de cuidados técnicos especializados para cuidar do presente e do futuro, preservando seus DNAs históricos. Há aqueles que dizem que as cidades mais velhas não têm mais jeito. Para estes cabe a pergunta, se fosse assim o que dizer de Londres, Amsterdã, por exemplo? E para as novas, dizem que não precisam pois são muito pequenas e já foram planejadas na origem. Para estes, o ensinamento do cultivo do pepino.
     De fato, a grande maioria das nossas cidades novas nasceu de processos de colonização e contou no mínimo com um traçado pensado com antecedência e, principalmente, com uma gestão da ocupação do solo urbano racional, o qual, ainda que com origem empresarial, deu a estas cidades uma cultura do controle urbano, das vantagens de se respeitar uma autoridade que cuide da cidade como um todo coerente e ordenado. Este para mim é maior patrimônio delas e que não pode ser perdido. Hoje elas são autônomas, em 2 ou 3 décadas cresceram tanto que já estão chegando nos limites daquele planejamento original e algumas até já ultrapassaram. Como resultado desse processo temos cidades magnificas, com elevados padrões urbanísticos e de qualidade de vida.
     O melhor e o pior é que além do grande dinamismo elas apresentam um potencial de crescimento futuro fantástico. O lado bom é que esse é o desejo da maioria das cidades. O lado ruim é o risco da recém conquistada autonomia leva-las de uma gestão empresarial bem sucedida aos braços da politicalha que domina o cenário urbano brasileiro e ao faroeste urbano. Até aqui, maravilha, todo mundo encontrou seu melhor lugar no sítio urbano pré-planejado, e temos cidades exemplares. E quanto ao futuro? Ultrapassados os limites do planejamento original, como garantir que estas cidades continuem belas, bem estruturadas e capazes de oferecer altas qualidades de vida?
     A resposta está no que as fez exitosas, o planejamento, um planejamento sistemático e contínuo, com estruturas técnicas permanentes capazes de segui-las dia a dia oferecendo alternativas técnicas de futuro e, sobretudo, criando uma cultura urbanística própria, conhecendo seus trejeitos e especificidades, pois as cidades são únicas, incomparáveis em suas potencialidades e em seus problemas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Enchente em Campo Novo do Parecis



     Em muitos lugares de topografia muito plana isso acontece. Na década de 70 Porto Velho vivia um drama. Não sei como foi resolvido. Nosso colega professor Carpintero poderia explicar. Cáceres, Sinop eu vejo também com grande preocupação. São cidades tidas como planejadas mas que cresceram muito e estão no limite desse planejamento iniciai e a perspectiva é de crescer muito mais.. Por isso vejo como fundamental essas cidades criarem estruturas técnicas especializadas em urbanismo destinadas a planejar, acompanhar e gerenciar o crescimento delas de forma a minimizar esse grave problema. Acredito que evitar a expansão da zona urbana densificando a ocupação para diminuir a superfície de captação pluvial. Mas isso é trabalho técnico e de acompanhamento contínuo. Os custos da drenagem são altíssimos e de resultado duvidoso. Como mostra o vídeo, em Campo Novo acabou de ser feita uma obra dessas de 16,0 milhões e foi onde mais inundou. O CAU-MT tem uma política de orientação às prefeituras nesse sentido, nas eleições fez uma carta aos candidatos a prefeitos e vereadores e precisa seguir em frente.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CASARÕES DE BOCAINA - SÃO PAULO

José Antonio Lemos dos Santos

Interessante vídeo recebido do torcedor cuiabanista Paulo Assumpção sobre a Arquitetura Éclética em sua cidade de Bocaina-SP.  Cáceres em Mato Grosso tem uma ama amostragem semelhante. Chegamos lá um dia.

youtube
Ver no link:
                                https://www.youtube.com/watch?v=o-K1UGxVLBY

sábado, 11 de fevereiro de 2017

A MAIS VIÁVEL DAS FERROVIAS


G1.globo.com

José Antonio Lemos dos Santos

     Este seria meu sétimo artigo com o mesmo título desde a década passada, mas desisti de numerá-los. A mais viável das ferrovias torna-se cada vez mais viável e ainda não está construída a dois anos do trigésimo aniversário de sua concessão pela União. Absurdo! Só não vê quem finge não ver. Enquanto isso todos perdemos ao longo das rodovias incompatíveis com a extraordinária capacidade mato-grossense de produção de cargas, de ida e de volta. 
     Boas notícias recentes sobre o assunto me levam a voltar a ele. Primeiro a reativação pública do importante Fórum Pró-Ferrovia, sob a coordenação de Francisco Vuolo, já com uma reunião (20/01) com o governador Pedro Taques assinando a “Carta de Mato Grosso – Ferrovias”, encaminhada no último dia 26 à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que se comprometeu a avaliar a extensão dos trilhos de Rondonópolis até Cuiabá, e sua continuidade até Sorriso. Cabe destacar que o governador na oportunidade teria vestido a camisa dessa importante continuidade ferroviária, outra desejada e alvissareira notícia, já que nenhum outro governo assumiu de verdade essa causa, depois de Dante de Oliveira. A terceira boa notícia é uma que se repete a cada ano, Mato Grosso, o estado campeão, bate de novo seu próprio recorde na produção agropecuária, consolidando-se como disparado o maior produtor agropecuário nacional e responsável pelos sucessivos saldos na balança comercial brasileira, sem o qual a péssima situação da economia nacional estaria pior ainda.

TvTaquari

     A má notícia é que voltamos a ouvir falar em avaliações, estudos de viabilidade, de traçados e etc. como se tudo estivesse começando agora. Em 2000 assisti pessoalmente à primeira audiência pública do traçado até Cuiabá. Foi no edifício Edgard Arze, presentes também o saudoso senador Vuolo e o atual secretário de Planejamento do estado Guilherme Muller. O traçado proposto pela Ferronorte até Cuiabá estava exposto em pranchas heliográficas no saguão do auditório. Foi tudo discutido e a única restrição oferecida foi que o traçado passava a 700 metros da Reserva Tereza Cristina, próximo, mas fora, rio abaixo. Embora não tenha visto nenhum índio presente, essa restrição acabou levando a um parecer desfavorável da FUNAI, ainda que a empresa aceitasse fazer um traçado mais afastado. De lá para cá foram muitos outros estudos de viabilidade, o último entregue em 2015 pela UFSC apontando a viabilidade e o melhor traçado para a chegada a Cuiabá, tudo pago e recebido pelo estado e também encaminhado à ANTT. Agora, volta a lenga-lenga. Podemos ser bobós, mas nem tanto.
     Na verdade não querem ligar o sul com o norte de Mato Grosso por que querem dividi-lo. Nem por ferrovia, nem por duplicação rodoviária. A trágica problemática logística serve de pretexto para poderosos grupos internos e externos brincarem de geopolítica. Os daqui querem mais cargos políticos. Os de fora dizem que Mato Grosso unido fica muito forte. Assim nos empurram goela abaixo que a FICO de 1200 km é mais prioritária do que a ligação de apenas 460 km entre Rondonópolis e Nova Mutum passando por Cuiabá, sem Himalaias, Xingus, Sapucaís ou Araguaias a vencer. A BR-163 é a espinha dorsal de Mato Grosso e o traçado original da Ferronorte ligando Cuiabá à Santarém ou Miritituba e Porto-Velho consolida essa espinha preservando o poderoso estado unido de Mato Grosso. Querem criar duas economias, a do norte ligada a Goiás, ao invés de se integrá-la à do sul verticalizando a economia com o gás boliviano e a ZPE de Cáceres. Enquanto isso, a economia perde, o meio ambiente é sacrificado e o povo mato-grossense chora o trabalho desperdiçado nas estradas, seus mortos e mutilados.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

REAL FORTE PRÍNCIPE

RondôniaClassificados

Para quem não conhece ou já se esqueceu, uma das joias da arquitetura protuguesa esquecida em plena Amazônia. Era Mato-Grosso quando foi construído. Hoje é Rondônia, fica bem aí. Se fosse na Europa já teríamos visitado. Confira no link abaixo, matéria da TV portuguesa:

https://www.youtube.com/watch?v=ykC7eOwAJwE

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O PALÁCIO DOS ESPORTES II

Foto: José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

     Nestas duas semanas desde meu primeiro artigo sobre o assunto o estado tem-se manifestado sobre o futuro da Arena Pantanal, vultoso e premiado investimento do povo mato-grossense, impossível de ser relegado ao ostracismo por nossas autoridades. Como um abacaxi que tem que ser descascado, foi alvissareira a chegada do ex-prefeito Wilson Santos como secretário da Secretaria das Cidades (Secid) para fazê-lo, responsabilizando-se diretamente pela conclusão dos incríveis 2% finais da grandiosa obra, bem com a nomeação do ex-vereador Leonardo de Oliveira como secretário-adjunto de Esportes da Secretaria de Educação, Esportes e Lazer (Seduc).
     O novo secretário da Secid, chegou entusiasmado com a hercúlea tarefa de concluir a Arena, e, ademais, concluir o VLT, que era então o caso de solução mais difícil ou impossível, mas, como boa surpresa, em poucos dias já teria sido equacionado pelo secretário. Em contrapartida foi desalentador ver também no mesmo espaço de tempo o tão entusiasmado secretário se assustar com a “forte banca de advogados” da construtora declarando-se disposto a passar a Arena para a Seduc. Os benditos 2% finais da Arena seguem encalacrados nas bizarras e intermináveis “judicializações”. Político e administrador experiente, atleta militante, amante do futebol mato-grossense, sempre destemido nos embates de interesse público, teria o galinho amarelado, ele que nunca foi de amarelar? Não creio. Ele nunca entra para perder.
     Essa passagem entre órgãos até que seria bem-vinda diante da recente proposta da Seduc da “Arena da Educação”, em princípio muito semelhante à do “Palácio dos Esportes” descrita no artigo anterior. Mas teria que ser após a Secid concluir a obra, evitando solução de continuidade no desenvolvimento de seus projetos.
     Pelo pouco que veio a público da proposta da Seduc, dá para ver que tem um bom partido, porém poderia ser mais ambiciosa e abrangente, permitindo a Mato Grosso apresentar ao Brasil uma solução corajosa, sustentável e socialmente adequada para sua Arena, o que não aconteceu com nenhuma de suas coirmãs. Teria que ir mais fundo e transformar a Arena Pantanal na plataforma catalizadora de um amplo programa estadual multifinalitário, como ela própria, de longo prazo tendo como foco o desenvolvimento dos esportes, mas com objetivos ampliados de forte impacto positivo na Educação, Saúde, Segurança, Turismo e Lazer, gerando ainda saudáveis perspectivas de emprego e renda para a juventude. Trabalhando em um complexo integrado pelo Aecim Tocantis, COT’s, Dutrinha revitalizado, mini-estádios, e outros equipamentos esportivos em todo estado, a Arena Pantanal, mantendo a prioridade para o futebol, abriria seus espaços internos para abrigar os esportes de usos compatíveis tais como tênis de mesa, boxe, taekendo, xadrex, ginástica olímpica, Karatê, Judô, museu do esporte, ambientes para os clubes profissionais de futebol, futebol americano, rugbi contarem suas histórias, exporem e venderem seus produtos e ingressos, salas de aula, recepção para turistas, sedes de ligas e federações esportivas, etc. tudo em concessões e cobrança de taxas de uso e manutenção com alguma complementação do estado como investimento, não como subsídio.
     Enfim, a Arena Pantanal pode estar a um passo de ser viabilizada como num produtivo polo irradiador de vida saudável não só para Cuiabá, mas para todo o estado através do esporte. Só a partir de objetivos públicos bem definidos a serem cobrados, não antes, pode-se então avaliar sua privatização ou não. Mas é preciso visão e coragem compatíveis com o tamanho físico e inovador da Arena Pantanal, predicados que aparentam sobram em nossos atuais jovens governantes.